The Pursuit of Happyness – À Procura da Felicidade

Caros leitores deste blog, não se surpreendam com esta desenterrada do baú… Tirei esse filme da cartola porque encontrei ele no meio de vários outros e pensei: “Por que não?”. Afinal, mais cedo ou mais tarde eu terei que olhar alguns filmes perdidos na gaveta e assistí-los. Bem, e para falar a verdade, foi um amigo que escolheu este no lugar de vários outros que eu tinha à disposição na minha filmoteca de histórias não assistidas. Foi assim que assisti, finalmente, este “dramalhão” estrelado por Will Smith. Admito que nunca fui muito fã do ator… ainda assim, para ser franca, tenho que admitir que ele está muito bem neste The Pursuit of Happyness. Parece que ele amadureceu. Perdeu aquelas caras e bocas que lhe tornaram conhecido em outros filmes e passou a vestir o fardo de um papel mais duro e complexo. O filme é bacana, ainda que eu tenha algumas ressalvas com ele.

A HISTÓRIA: Chris Gardner (Will Smith) vende um aparato médico que poucos querem comprar. Acreditando em seu potencial de vendedor e na tecnologia do aparato que lhe estavam oferecendo, ele colocou as economias da família na compra de dezenas destes aparelhos. O problema é que ele não consegue vendê-los. E as contas acumulam. Sentindo-se pressionada pela situação e descrente do marido, Linda (Thandie Newton) resolve deixar Chris e o filho Christopher (Jaden Smith).

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a The Pursuit of Happyness): Esse filme poderia ser resumido assim: quando você acha que tudo está ruim, tenha certeza que ainda vai ficar pior. 😉

Pura verdade. Por incrível que pareça mas, cada vez que a vida de Chris Gardner vai ficando pior, ainda existe mais ladeira para ele percorrer costa abaixo. O filme diz ser baseado em uma história real. Não sei, sinceramente, até que ponto o roteirista Steve Conrad foi fiel a tal história verídica, mas se ela foi assim mesmo… bem, palmas para o cidadão, que conseguiu bravamente cuidar do filho, manter a cabeça erguida e buscar melhorar de vida. Um exemplo para todos aqueles que “questionam” a pressão que a sociedade exerce sob o cidadão que vira marginal. Afinal, em outro contexto, seria fácil imaginar o nosso herói, negro e pobre, assaltando, roubando, ou qualquer coisa do gênero, não é mesmo? Mas ele justamente mostra um outro caminho que, com certeza, terminou muito melhor do que se ele tivesse engrossado as estatísticas do crime.

Por isso o filme vale muito. Por realmente mostrar que quando alguém tem a noção do correto, é honesto e tem capacidade, pode conseguir dar a volta por cima – não importa quantas vezes isso seja necessário. Por outro lado, claro está, isso é uma ficção. O roteirista acertou em muitos momentos – como na cena em que Chris brinca com o filho no metrô de que o aparelho médico que ele recuperou do mendigo é uma máquina do tempo -, assim como no equilíbrio entre humor e drama, mas acho que ele exagerou um pouco em outros termos. Por exemplo: ok que a San Francisco de 1981 deveria ser bem menor do que a cidade que se conhece agora, 20 anos depois, mas daí a Chris encontrar tantas vezes e com uma certa “facilidade” os hippies e o mendigo que lhe roubaram… é pedir demais para que o espectador acredite em contos de fadas.

Também acho bem difícil o Chris verdadeiro nunca ter se descontrolado. Seja com a mulher, que lhe abandonou, ou mesmo com o filho. A única vez que ele fala em um tom um pouco mais “alto” com o menino é na sequencia do parque, depois que ele consegue o último aparelho de volta. Com isso não defendo a violência ou qualquer ato do gênero, mas digo que acho difícil alguém na situação dele manter a calma todo o tempo – como o que aparece no filme.

Fora estas resalvas, realmente a história é bacana e foi bem dirigida por Gabriele Muccino. O diretor italiano tratou com delicadeza o assunto, mas sem deixar de mostrar o lado áspero da história. Realmente um filme interessante sobre como pessoas com talento e com vontade podem chegar longe e não precisam se conformar com pouco ou com sofrer – como muitos por aí fazem.

Meu único e verdadeiro porém para o filme é que o título dele leva à crer que a busca da felicidade se resume a ter dinheiro… Bem, é uma maneira de encarar como o filme termina. Vejamos: tudo o que acontece, todo o esforço de Chris é para trabalhar como corretor da Bolsa. Depois, no epílogo do filme, sabemos que ele ficou rico e tudo o mais, quando abriu seu próprio negócio posteriormente. Então parece que tudo valeu a pena por isso, por seu sucesso. Eu já prefiro ver o filme antes do final, quando o que parece realmente importar para Chris é estar com seu filho, ensinar-lhe valores e deixar-lhe claro quem é o seu pai. Isso sim me pareceu o mais importante da história, o que deveria ter ficado de verdadeira mensagem – muito mais do que o final que resume o sucesso do personagem.

NOTA: 8.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Além dos atores já citados, destaque para o trio de executivos responsáveis pela “guinada” na vida de Chris: o divertido Brian Howe como Jay Twistle; o veterano James Karen como Martin Frohm; e Dan Castellaneta como Alan Frakesh. Para quem gostou da hippie ladra, o nome da atriz é Joyful Raven. Ainda fazem “pontas” Kurt Fuller como o executivo Walter Ribbon, responsável por levar Chris e o filho para um jogo de beisebol; e Takayo Fischer como Mrs. Chu, a responsável pela creche em que as crianças mais assistem TV do que aprendem inglês (ou chinês). 🙂

Esse foi o primeiro filme em Hollywood do italiano Gabriele Muccino, conhecido por filmes como L’Ultimo Bacio, de 2001. Curioso, mas agora mesmo o diretor está trabalhando na pós-produção de seu segundo filme em Hollywood: Seven Pounds, novamente estrelado por Will Smith. Além do ator, estão no elenco Rosario Dawson, Woody Harrelson, entre outros.

The Pursuit of Happyness trouxe lucro para os executivos que investiram no filme. A produção, que teria custado aproximadamente US$ 55 milhões, faturou pouco mais de US$ 162,5 milhões apenas nos Estados Unidos. Praticamente três vezes o valor de seu custo.

O filme também foi bem de crítica… os usuários do site IMDb conferiram a nota 7,8 para ele; enquanto que os críticos que tem textos publicados no Rotten Tomatoes dedicaram 108 críticas positivas e 55 negativas para The Pursuit of Happyness. Nada mal.

Para os que observaram o mesmo sobrenome dos atores que interpretam pai e filho no filme, aí vai a certeza: sim, o garoto que faz o filho de Will Smith é também seu filho na vida real. Jaden Smith hoje tem 14 anos – quando fez o filme ele tinha 12.

Além de ter ido bem de crítica e bilheteria, o filme ganhou alguns prêmios em sua trajetória, além de ter rendido uma indicação ao Oscar para Will Smith na categoria de melhor ator – prêmio que foi ganho por Forest Whitaker por sua interpretação em The Last King of Scotland (outro que está na minha lista para ser visto e ainda não foi). Nenhum dos prêmios foi de grande destaque, mas é interessante observar que dos nove prêmios que o filme levou para casa, muitos deles foram para o desempenho de Jaden Smith ou para a dobradinha dele com Will Smith.

Uma curiosidade: o Chris Gardner real, que inspirou a história, foi um dos produtores do filme. Ele aparece na cena final de The Pursuit of Happyness andando na rua em que Will Smith passa com o filho.

CONCLUSÃO: Um filme edificante sobre a volta por cima de um homem. Uma bela interpretação de Will Smith – uma das melhores de sua carreira até agora. Ainda assim, é um filme que parece um pouco “forçado” em alguns momentos. Tem boa sintonia entre os atores e um roteiro que equilibra humor e drama, mas deixa uma sensação estranha de que a busca da felicidade para ser “encontrar o dinheiro”.

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