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Slumdog Millionaire – Quem Quer Ser Um Milionário?

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Acabo de assistir ao melhor filme do ano. Passado, é claro. Sei que não assisti a todos os filmes de 2008 – estou longe disto, aliás. Mas de todas as produções feitas para o cinema que eu vi até agora, Slumdog Millionaire é a melhor, não há dúvida. Bem que meu espírito já havia sido preparado… tenho visto o filme sendo eleito, seguidamente, como o melhor de 2008 pela crítica especializada. Mas, ainda assim, fui conferir. Afinal, muitas vezes eu não concordo com estes seres chamados “críticos de cinema”. 😉 Só que desta vez eles estão certos. A maior homenagem que Hollywood já fez para o cinema de Bollywood é, nada mais, nada menos, que o filme do ano – com respeito a todas as demais produções bacanérrimas de 2008.

A HISTÓRIA: Jamal Malik (Dev Patel) está a um passo de ganhar 20 milhões de rúpias indianas no programa “Quem Quer ser Milionário“. Depois de acertar seguidamente as perguntas feitas pelo apresentador Prem Kumar (o astro indiano Anil Kapoor), ele já garantiu 10 milhões de rúpias, mas ainda quer continuar. A grande final será decidida apenas na noite seguinte do programa. Enquanto isso, a polícia o interroga de maneira violenta para saber se ele está trapaceando ou não. Tentando convencê-los de que é um rapaz honesto, Jamal começa a contar a sua história, desde a infância pobre na cidade de Mumbai até as razões que o levaram a entrar no programa televisivo milionário. Uma longa história de dificuldades, injustiças, desafios, esperteza, força, malandragem e, principalmente, uma magnífica história de amor.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Slumdog Millionaire): Admito que eu sou uma ignorante a respeito do cinema de Bollywood – como se chama a indústria cinematográfica da Índia, maior produtor mundial de filmes. E talvez justamente por isto Slumdog Millionaire tenha me surpreendido tanto. Já assisti a alguns filmes indianos, mas não sou nenhuma especialista. O novo filme do inglês Danny Boyle, co-dirigido pela diretora Loveleen Tandan, é uma franca homenagem ao cinema indiano. Ele bebe diretamente da fonte e veste a camisa de alguns dos elementos que definem o cinema daquele país. Ainda assim, me pareceu mais que uma “releitura” ou o que alguns poderão chamar de cópia. Slumdog Millionaire se utiliza de alguns dos melhores recursos do cinema de Bollywood mas, ainda assim, traz um ritmo e uma ótica narrativa essencialmente “boyliana”, ou seja, com a cara do diretor inglês e do cinema que ele faz algumas vezes em Hollywood, outras no Reino Unido.

Para mim, Slumdog Millionaire é um dos melhores filmes de amor que eu já vi. Além da história ser impactante e forte, ela é moderna. Se percebe o sangue novo correndo na tela… um sangue criativo, apaixonado, vigoroso. Destes filmes em que se entende a atual velocidade do mundo porta de casa afora. E o melhor: sem uma bandeira ianque tremulante aparecendo em cena ou mesmo yuppies ou endinheirados. Não. Slumdog Millionaire conta a história de um cara mais que comum, marginalizado mesmo, que vai adiante pelo que ele quer. E não é ser milionário, o que é o mais cômico. A fortuna que ele ganha é, por incrível que isso possa parecer, um acidente de percurso. O que ele quer mesmo é encontrar a Latika (a indiana Freida Pinto). 

Para mim, Slumdog Millionaire coloca os filmes de romance em um novo patamar. Desde que eu critiquei P.S. I Love You neste blog, choveram comentários de pessoas defendendo o filme. Gostaria de saber o que estas mesmas pessoas vão achar de P.S. I Love You depois de assistirem a este Slumdog Millionaire. Bem, isso se elas conseguirem ver um pouco da crueza que o filme mostra. Porque ele não é só flores. Pelo contrário. Mostra parte de uma realidade que poucos estão dispostos a ver – da mais dura pobreza no mundo, de locais que fazem as favelas do Rio parecerem um condomínio luxuoso. Mas se as pessoas estiverem dispostas a ver crueldade, violência e um pouco da realidade de um país como Índia – e tantos outros -, vão se deparar com uma belíssima história de amor. E que coloca, vão me desculpar, P.S. I Love You mais que no chinelo.

Uma das primeiras sequências do filme, quando o grupo de garotos – incluindo os irmãos Jamal e Salim – é perseguido por seguranças de um campo de aviação próximo da periferia de Mumbai, já mostrou do que os diretores eram capazes. Aquela sequência me ganhou. A partir daí, o filme só cresce, o que é incrível. De longe a direção de Slumdog Millionaire é a melhor que eu vi entre os filmes de 2008. Realmente impressionante. Danny Boyle e Loveleen Tandan conseguem imagens impressionantes, valorizando o ritmo e o sentimento dos personagens. Algo que parece contraditório e que muitos diretores não conseguem resolver – ou privilegiam o ritmo ou os personagens -, mas que aqui se resolve perfeitamente.

Então além de uma direção perfeita, temos em cena uma edição de imagens das mais trabalhosas, assim como uma direção de fotografia que garante a qualidade das imagens – com uma luz impressionante – nas situações mais diversas. Não importa se é dia, se é noite… se estamos vendo um beco escuro ou um estúdio de televisão. Tudo se vê perfeitamente, com cores ressaltadas, ao melhor estilo Bollywood. Méritos do diretor de fotografia Anthony Dod Mantle e do editor Chris Dickens

E o roteiro? Perfeitamente costurado, com vários vais-e-voltas que não fazem confusão na cabeça de ninguém. Aliás, fora o início, no qual sabemos que Jamal Malik está distante apenas uma resposta do prêmio máximo do programa televisivo, todo o restante da narrativa são duas linhas contínuas narrativas. Vejamos: enquanto Jamal explica como sabia responder cada uma das perguntas do programa para o inspetor policial (o astro indiano Irrfan Khan) vamos, em paralelo, acompanhando o seu crescimento desde a infância. Até o “grand finale” do filme, são duas linhas paralelas constantemente intercaladas correndo na nossa frente, até que passado e presente se juntam para nos contar o desenrolar desta história. O roteiro, primoroso, é de autoria do inglês Simon Beaufoy – autor do recentemente comentado por aqui Miss Pettigrew Lives for a Day. Para escrever esta história ele se baseou no romance best-seller Q & A (que recebeu o título em português de Sua História Vale Um Bilhão), de Vikas Swarup.

E o elenco? Corresponde à altura a direção e o roteiro. Todos os atores, sem exceção, estão muito bem em seus papéis. Começando pelas crianças: Ayush Makesh Khedekar (Jamal), Rubina Ali (Latika) e Azharuddin Mohammed Ismail (Salim) – especialmente os irmãos peraltas e fujões que devem enfrentar cedo o drama de estarem sozinhos no mundo. Passando pelos pré-adolescentes: Tanay Hemant Chheda (Jamal), Tanvi Ganesh Lonkar (Latika) e Ashutosh Lobo Gajiwala (Salim). Nesta segunda fase, Latika já se destaca pela beleza – e Salim lembra bastante algum personagem de Cidade de Deus. 😉 Nesse momento também se intensifica a diferença entre os irmãos: Salim busca poder e dinheiro, fascinado pelo mundo que alguns conseguiram “criar” (no crime), enquanto Jamal procura o seu amor (que já sabemos quem é). Mas os personagens na fase praticamente adulta é que dão um show, especialmente Jamal e Latika. Ainda que valha citar o trabalho competente de Madhur Mittal como o Salim pau-mandado do mafioso Javed (Mahesh Manjrekar).

Como acontece com todas as escolas e vertentes do cinema, Slumdog Millionaire fascina especialmente a pessoas como eu, nada especializadas no cinema de Bollywood. Explico: o filme deve ter o impacto que tem, pela qualidade técnica e, especialmente, pela inovação narrativa, para os que não estão acostumados aos elementos que normalmente caracterizam este tipo de filme. Quanto mais uma pessoa assisti de um mesmo gênero ou escola cinematográfica, mais exigente ela vai ficando e cada vez menos ela se surpreende com um produto do gênero. Tenho curiosidade – e faço aqui um convite aberto para essas pessoas escreverem comentários – para saber o que os especialistas em Bollywood diriam deste filmes meio inglês, meio indiano. Pessoalmente, achei uma bela homenagem.

Mas o que verdadeiramente me fascinou no filme foi a narrativa, tanto o roteiro propriamente dito – desenrolar da história, diálogos, etc. – quanto a maneira com que ele foi contado (a direção). Gostei, especialmente, da “interpretação” do roteirista e do diretor de uma das principais características do cinema de Bollywood: a música como elemento fundamental da narrativa. Ao invés de inserirem na história, volta e meia, alguma cena de dança e cantoria (curtos “musicais” narrativos que caracterizam as histórias para o cinema indiano), eles preferiram colocar a música para narrar vários momentos da história dos irmãos de Mumbai. Com isso, o filme consegue um meio termo entre o cinema indiano e o feito no Ocidente (especialmente por filmes europeus que valorizam mais a trilha sonora do que a média dos que são produzidos em Hollywood).

A música continua sendo fundamental para a história, como acontece no cinema de Bollywood, mas sem interromper a narrativa para inserir “clipes” de dança e dublagem musical (os atores só “interpretam” o que verdadeiros artistas musicais apresentam) no meio. O resultado é a valorização do carácter humano dos personagens (com abundância de primeiros planos e “planos americanos”) na mesma medida em que se ressalta os acontecimentos sem grandes legendas – em outras palavras, nestes momentos se valoriza a ação e não o discurso. Exemplos do quanto este recurso funciona bem: além da sequencia inicial do filme, da fuga dos garotos de uma pista de pouso particular, destaco a fuga deles para o trem; a vida que eles passam a levar se aproveitando das viagens sem pagar nada pelos vagões do trem e a tensão de toda a audiência do programa Quem Quer Ser Milionário – inclusive Latika – para saber o que acontecerá com Jamal (sem contar as sequencias na estação de trem). Aliás, quer referência maior ao cinema clássico de Hollywood (desta vez o H no lugar do B) do que a escolha de uma estação de trem para o encontro do casal que tenta fugir para uma vida feliz?

Alguém pode dizer (SPOILER – realmente não leia daqui para a frente porque eu vou estragar algumas das surpresas do filme): apenas em filme um homem pode ter a sorte que Jamal teve, com todas as perguntas do programa saindo sobre temas que ele conhecia – aprendendo sobre eles, na maioria das vezes, de maneira trágica. Sim, o garoto realmente teve sorte. E contou também com muita sabedoria de sua parte para vencer o golpe que o apresentador do programa tentou lhe pregar – o que foi fichinha para alguém que passou pelo que passou na vida de garoto de rua. E para comprovar que, mesmo sorte e malandragem não são tudo nesta vida, a pergunta final do programa foi pura ironia. Não poderia existir ironia maior para os irmãos “mosqueteiros” e para a sempre rejeitada/desejada terceira integrante da irmandade (Latika) do que aquela pergunta. E a resposta? Esta sim, veio de pura sorte – ou não, como defende o próprio filme.

Falando nas “mensagens” do filme – ele tem muitas -, fiquei especialmente interessada em uma. (SPOILER – esse é um dos grandes). Quando Jamal pergunta para a Latika: “Por que todos amam este programa?”, se referindo a Quem Quer Ser Milionário, e ela responde “É uma chance de espacar, não é?”. Genial. Muitas vezes eu me perguntava por que as pessoas se “prestam” a se expor em programas de perguntas como aquele ou em situações piores em busca de dinheiro. Claro que a resposta óbvia seria: elas precisam. Mas não, existe algo maior do que simplesmente pagar as contas ou colocar alimento para dentro de casa. As pessoas buscam um sonho – e muitas vezes ele está justamente na fuga de uma situação que elas estão vivendo atualmente e que consideram impossível de escapar. No fundo, dinheiro significa partir para outra direção, uma ruptura possivelmente radical da vida que elas passaram a assumir sem realmente desejar. Até hoje eu não havia visto uma definição melhor do que a que aparece em Slumdog Millionaire.

E daí, nesta “corrente” de perguntas do gênero, eu fiz para mim mesma o seguinte questionamento: Por que tantas pessoas gostam de filmes assim? Ou então: Por que tantas pessoas amam filmes que contam histórias de amor? A resposta a segunda pergunta é simples: porque elas gostariam de viver uma história assim – quando, em muitos casos, elas vivem relações medíocres ou de um amor “forçado”, sem ser visceral ou “perfeito” como as histórias que aparecem nos contos de fadas ou nos filmes do gênero de Hollywood. (SPOILER – não leia o resto do parágrafo se você ainda não viu ao filme). Mas a resposta para a primeira pergunta vai um pouco além disso. As pessoas devem gostar tanto – e acho que me incluo um pouco neste grande grupo – de Slumdog Millionaire porque o filme conta a história de um “destino escrito”, irrefutável, impactante. Acho que o sonho de muita gente é que isso realmente fosse verdade… que realmente cada um de nós estivéssemos destinados a uma outra pessoa ou a uma realidade interessante independente do que aconteça. Não importa o quanto trocamos os pés pelas mãos, o quanto erramos com pessoas que não eram “o nosso destino”… uma hora chegaremos a ele e seremos felizes. Desejamos o seguro impossível. E por isso, ao vê-lo em uma história como a de Slumdog Millionaire, ficamos satisfeitos. Gostaríamos que essa história de destino fosse verdade.

NOTA: 10.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Para quem ficou curioso sobre o nome do filme, ele é, na verdade, autoexplicativo. “Slumdog” seria algo como “cachorro de rua”, e “Millionaire”, claro, “milionário”. O título faz referência a história de Jamal, um garoto de rua que acaba concorrendo a um prêmio milionário em um programa televisivo. Não imagino o título que o filme vai receber ao chegar no mercado brasileiro – provavelmente algo absurdo e bem distante da mensagem original, como costuma acontecer.

Slumdog Millionaire está faturando um prêmio seguido de outro. Até agora ele recebeu 21 prêmios e foi indicado a outros 17 – incluindo quatro indicações ao Globo de Ouro. Mas mais que números, o que interessa é a qualidade destes prêmios. A maioria deles foi ganha na categoria principal, de melhor filme do ano, e na de melhor diretor, conferidos por associações importantes. Entre elas, a do Conselho Nacional de Crítica Cinematográfica (o National Board of Review), a Sociedade de Críticos de Cinema de Phoenix e pelo British Independent Film Awards. No balanço geral, o filme ganhou como o melhor do ano em cinco das 11 seleções feitas por círculos de críticos norte-americanos – os outros prêmios foram divididos entre outros cinco filmes. 

Mas além da crítica especializada, Slumdog Millionaire está conquistando o público. No site IMDb o filme conquistou a nota 8,7 – colocando-o na posição 42 da lista dos 250 melhores filmes de todos os tempos. Para se ter uma idéia, ele só perde, entre os filmes lançados nos anos 2000, para outros sete filmes – sendo três deles da grife Senhor dos Anéis. Dos filmes de 2008, estão na frente de Slumdog Millionaire, nesta lista, Batman – O Cavaleiro das Trevas (o maior êxito de 2008 em todos os sentidos) e Wall-E (que aparece na 34ª. posição).

Mas são os críticos que realmente estão fazendo reverências ao filme. O site Rotten Tomatoes, especializado em agrupar os textos dos críticos que escrevem em jornais e revistas mundo afora, acumula 149 críticas positivas e apenas 10 negativas para Slumdog Millionaire. De bilheteria o filme está tendo um desempenho razoável até o momento. Considerado de baixo orçamento, Slumdog Millionaire teria custado US$ 15 milhões. Nos Estados Unidos, até o dia 2 de janeiro, ele teria faturado pouco mais de US$ 28,7 milhões – muito abaixo dos US$ 79,3 milhões do seu concorrente O Curioso Caso de Benjamin Button

Produzido pelo Reino Unido e pelos Estados Unidos, o filme é falado em inglês e em hindi (principal idioma falado na Índia).

A produção foi essencialmente filmada na cidade de Mumbai, na Índia. Para quem não sabia nada desta cidade, como eu, ela nada mais é que Dumbai (ou Bombaim). 😉 Ou seja: uma das principais cidades indianas, com 13 milhões de habitantes atualmente e considerada o principal portão de entrada do país. Também é considerada a capital comercial e do entretenimento do país. E ela é, adivinhem? A capital do cinema de Bollywood. 

Para quem gostou da trilha sonora – realmente um dos pontos fortes do filme, bem moderna e potente -, ela é assinada por A.R. Rahman.

Só para constar: eu vi a Slumdog Millionaire há dois dias… comecei a escrever este texto pouco depois de terminar de assistí-lo, mas apenas agora vou conseguir concluí-lo. Digo isso mais para registro próprio, para que eu saiba quando o assisti. 🙂 De qualquer forma, minha opinião sobre ele continua sendo a mesma.

Acredito que todos lembrem bem de Danny Boyle. Ele foi o homem que impressionou a todos há exatos 13 anos quando filmou a Transpotting, um dos melhores e mais inventivos filmes sobre drogas e a “vida torta” de jovens ingleses do cinema. Um filme moderno que virou clássico… o diretor demorou pouco mais de uma década para nos apresentar algo da mesma grandeza, mas em Slumdog Millionaire temos o resultado – ainda que sem comparação com Transpotting, é claro, porque são filmes com temas e abordagens extremamente diferentes.

CONCLUSÃO: Uma franca homenagem ao cinema de Bollywood (como é chamada a indústria do cinema e da TV indiana), este filme une alguns dos melhores elementos da produção cinematográfica indiana, do cinema tradicional de Hollywood e do estilo moderno do diretor inglês Danny Boyle. Tecnicamente perfeito, com uma narrativa sempre acelerada e instigante, o filme nos conta uma história de amor e de luta pela sobrevivência de primeira grandeza. Considerado por muitos o melhor filme de 2008, Slumdog Millionaire conta uma história moderna em um ambiente de desafios diários – o subúrbio indiano – de maneira primorosa.

PALPITES PARA O OSCAR 2009: A maior premiação da indústria cinematográfica dos Estados Unidos sempre pode nos surpreender, deixando para trás alguns franco favoritos – em suas chamadas e famosas injustiças. Ainda assim, me arrisco a dizer: Slumdog Millionaire deve chegar ao Oscar 2009 como um dos maiores indicados da temporada. Vejo a produção concorrendo em várias categorias: melhor filme, diretor, edição, roteiro adaptado, som e, quem sabe, alguma música até na categoria de melhor canção. Acho difícil – ainda que ele mereça – uma indicação de Dev Patel como melhor ator. Mas além das indicações, o que o filme pode levar para casa? Acho que, francamente, praticamente tudo para o qual ele for indicado. Ele tem reais chances de vencer como melhor filme, diretor, edição e roteiro adaptado. O que já estaria muito bom. Mas isso se ele vencer fortes concorrentes – tanto no quesito qualidade quanto, e principalmente, no quesito lobby.