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Indicados para o Oscar 2009 – As chances de cada um (Avaliação)

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A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood divulgou, na manhã desta quinta-feira, a tão esperada lista das produções indicadas para a sua 81ª cerimônia de premiações. Os porta-vozes das “boas novas” para alguns – e de um amargo esquecimento para outros – foram o ator Forest Whitaker e o presidente da Academia, Sid Ganis. A verdade é que a lista que foi tornada pública era bem previsível – pelo menos nas categorias principais. Ainda assim, especialmente nas categorias secundárias, como trilha sonora e melhor canção, houve surpresas.

Mais tradicional que outras premiações, o Oscar conseguiu agregar boa parte dos grandes títulos lançados em 2008, abarcando desde blockbusters como The Dark Knight e Iron Man até filmes menos badalados, como The Reader e Frozen River. E, como todos esperavam, os grandes indicados deste ano foram mesmo Slumdog Millionaire e The Curious Case of Benjamin Button (este último apontado em 13 categorias, uma a menos que o recorde de 14 indicações conseguido por Titanic). Agora é esperar o momento da premiação do Oscar 2009, que será apresentada pelo ator Hugh Jackman no dia 22 de fevereiro a partir das 22h.

Acompanhe a minha avaliação para cada uma das 24 categorias do Oscar 2009:

slumdog31Melhor filme: a lista dos cinco indicados era mais que previsível. Quatro vagas se pode dizer que eram certas: as de Slumdog Millionaire, The Curious Case of Benjamin Button, Milk e Frost/Nixon. Os quatro filmes eram apontados por todos os especialistas para o prêmio. A quinta vaga, contudo, poderia ser disputada entre vários títulos. The Reader acabou ganhando seu lugar ao sol – o filme, ao total, recebeu cinco importantes indicações. Pessoalmente, gostaria que Gran Torino ou The Changeling estivesse em seu lugar – seria uma merecida indicação de um filme de Clint Eastwood, que foi responsável por estas duas produções interessantes em 2008. Mas paciência. Entre os cinco finalistas, mesmo sem ter assistido a The Reader, acredito que a queda-de-braço ficará mesmo entre Slumdog Millionaire (grande premiado no Globo de Ouro) e The Curious Case of Benjamin Button. Meu voto iria para Slumdog Millionaire, um filme mais inventivo que seu concorrente.

20_Slumdog_Boyle.jpgMelhor diretor: os maestros dos grandes filmes do ano chegam até o Oscar sem nenhuma surpresa. Na verdade, o Oscar praticamente “copiou” a lista dos indicados do Globo de Ouro – e de várias outras premiações. Quatro vagas eram dadas praticamente como fechadas: as de Danny Boyle (Slumdog Millionaire), David Fincher (Benjamin Button), Ron Howard (Frost/Nixon) e Stephen Daldry (The Reader). Apenas para a quinta vaga existia dúvida entre Sam Mendes (Revolutionary Road), Gus Van Sant (Milk) e Clint Eastwood (Changeling ou Gran Torino). Gus Van Sant acabou conseguindo a melhor. Como na categoria de melhor filme, acredito que a disputa fique restrita a Boyle e Fincher, ainda que Howard é sempre visto como um dos favoritos. Meu voto – difícil escolher – seria para Danny Boyle, porque acredito que ele consegue um trabalho realmente instigante com sua homenagem ao cinema de Bollywood.

milk37Melhor ator: outra vez quatro indicações eram um bocado óbvias. Todos apontavam Mickey Rourke (por The Wrestler), Sean Penn (por Milk), Frank Langella (por Frost/Nixon) e Brad Pitt (por Benjamin Button) como os melhores atores do ano. Apenas a quinta vaga da disputa estava em jogo. Richard Jenkins acabou ganhando o posto por seu elogiado trabalho como o professor Walter Vale, protagonista de The Visitor, um personagem que viaja para Nova York para uma conferência e acaba descobrindo que um casal está morando ilegalmente em seu apartamento. Com esta indicação ele deixou para trás nomes que estavam se engalfinhando para chegar lá, como Clint Eastwood (de Gran Torino) e Dev Patel (de Slumdog Millionaire). Nesta categoria o embate é feroz. Qualquer um dos concorrentes pode sair vencedor, mas acredito que existe um leve favoritismo para Rourke, Penn e Pitt, nesta ordem.

katewinsletMelhor atriz: aqui, mais uma vez, restava apenas uma vaga “surpresa”, porque as outras quatro já estavam definidas. Kate Winslet, Angelina Jolie, Meryl Streep e Anne Hathaway vinham sendo apontadas por todos os críticos como as melhores atrizes do ano. O que me surpreendeu é que Kate Winslet foi indicada por seu papel em The Reader… eu esperava que ela recebesse uma indicação por Revolutionary Road (que lhe garantiu o Globo de Ouro como melhor atriz). Ela ser indicada por um ou por outro filme comprova que 2008 foi o grande ano da atriz. Pessoalmente, meu voto seria para ela – acredito que ela leva uma pequena vantagem a respeito das demais. Mas sabe-se que Anne Hathaway, Angelina Jolie e Meryl Streep, nesta ordem, também têm boas chances de levar uma estatueta para casa. Da lista de indicadas, Melissa Leo não é, exatamente, uma surpresa, porque ela vinha sendo indicada a este mesmo prêmio em outros festivais e círculos de críticos. Na verdade ela ganhou a vaga na disputa com Kristin Scott Thomas (de I’ve Loved You So Long) e Sally Hawkins (Happy-Go-Lucky). Seu papel como uma mãe que acaba entrando no “negócio” de facilitar a entrada de imigrantes ilegais nos Estados Unidos lhe valeu uma indicação ao Oscar, mas dificilmente lhe dará a estatueta.

14_DarkKight_Ledger.jpgMelhor ator coadjuvante: outra disputa que está boa. O favorito Heath Ledger (de The Dark Knight) enfrenta na disputa a colegas em grande fase, como Michael Shannon (em mais uma impressionante interpretação, agora em Revolutionary Road), Josh Brolin (muito bem em Milk) e Philip Seymour Hoffman (pelo elogiado Doubt). De quebra, ainda conseguiu uma vaga na disputa de forma um tanto inesperada Robert Downey Jr., por seu papel em Tropic Thunder. Ok que o ator tinha entrado na mesma disputa no Globo de Ouro, mas acredito que Ralph Fiennes (por The Duchess) seria uma indicação mais esperada que a de Downey Jr. Ainda assim, ele merece estar nos holofotes nesta cerimônia, especialmente porque ele vem de um grande ano. O favorito, ao que tudo parece, é mesmo Heath Ledger. A filha dele deve ganhar a estatueta no lugar do ator. Pessoalmente, não assisti a todos os desempenhos, mas entre Brolin ou Shannon, eu votaria no segundo. Francamente não assisti a Tropic Thunder, mas acho que James Franco, por seu trabalho em Milk, poderia ter sido indicado nesta categoria.

12_Wrestler_Tomei.jpgMelhor atriz coadjuvante: o filme Doubt é considerado um dos grandes títulos do ano, considerando-se o trabalho do elenco. Tanto é verdade que apenas pela falta de um ator principal ele não domina as indicações do Oscar no quesito intérpretes. Além de ter uma indicação como atriz principal e ator coadjuvante, o filme emplacou duas indicações nesta categoria de atriz coadjuvante: uma para Amy Adams e outra para Viola Davis. Outros dois nomes sempre apontados como favoritos chegaram lá: Penélope Cruz (por Vicky Cristina Barcelona) e Marisa Tomei (por The Wrestler). Pessoalmente, nunca gostei de Penélope Cruz e, até há pouco, mantinha certa reticência com Marisa Tomei. Mas a atriz está realmente ótima em The Wrestler. A vaga que sobrou acabou no colo de Taraji P. Henson, que faz um trabalho muito bom como a mãe adotiva de Benjamin Button. Nesta categoria a disputa está aberta, e ainda que Penélope Cruz tenha recebido o Globo de Ouro e outros prêmios por seu desempenho no filme de Woody Allen, tenho dúvidas se a atriz espanhola levará a estatueta para o país das touradas. Meu voto, até agora – faltando assistir aos outros filmes – iria para Marisa Tomei.

Melhor roteiro original: ótimos filmes estão na disputa. Acredito que a animação Wall-E e o drama Milk levem uma pequena vantagem. Mas é bacana ver a produções mais “independentes” na disputa, como In Bruges, Frozen River e Happy-Go-Lucky. Uma grata surpresa da Academia, que resolveu este ano dar espaço para algumas das boas surpresas do ano – independente do tamanho do lobby que as cerca (ou não). Para mim é difícil escolher o melhor, porque estamos falando de filmes extremamente diferentes (e também porque não assisti a todos ainda), mas acho que meu voto iria para Milk. Ainda que alguns acreditam que Wall-E teria mais condições de vencer.

slumdog9Melhor roteiro adaptado: como normalmente acontece em Hollywood, a categoria de roteiro adaptado é mais disputada que a de roteiro original. Aqui, novamente, os indicados a melhor filme do ano se engalfinham (exceto por Milk, que entrou na outra categoria e cedeu espaço para Doubt, também um dos grandes indicados do ano). A disputa por aqui é acirrada, mas acredito que leve uma pequena vantagem Slumdog Millionaire, Benjamin Button e The Reader. Pessoalmente, meu voto – e minha crença de êxito – estão com Slumdog. Mas independente do resultado, qualquer um que vencer deve ser por mérito.

Melhor trilha sonora original: novamente uma disputa das boas. E, para variar, três nomes que nunca saem da lista dos melhores em cada ano: Danny Elfman (por Milk), Thomas Newman (Wall-E) e James Newton Howard (Defiance). Eles são, junto com alguns outros, realmente os mestres das trilhas sonoras de Hollywood. Mas este ano estas feras terão que brigar pela estatueta com os trabalhos elogiados de A. R. Rahman (pela ótima trilha de Slumdog) e de Alexandre Desplat (que fez um trabalho muito bom em Benjamin Button). Para mim, esta é uma das categorias mais disputadas do ano. Complicado escolher o melhor, ainda que eu tenha uma leve preferência por Rahman e por Desplat.

wall-eMelhor canção original: novamente Slumdog Millionaire mostra a sua força. O filme conseguiu emplacar duas músicas nesta categoria – que surpreendentemente teve apenas três finalistas. Ficaram de fora dois favoritos: Bruce Springsteen com a canção The Wrestler, do filme homônimo (que lhe rendeu um Globo de Ouro) e Jamie Cullum e Clint Eastwood por Gran Torino, do filme com o mesmo nome dirigido pelo veterano ator. Esta categoria foi talvez a grande surpresa da lista divulgada. No lugar de algumas favoritas foram indicadas as músicas Jai Ho, de Gulzar; O Saya, de A.R. Rahman e Maya Arulpragasam (ambas de Slumdog); e Down to Earth, de Peter Gabriel (do filme Wall-E). Se analisarmos apenas pela tradição do Oscar, leva favoritismo Peter Gabriel e a música da animação Wall-E. Mas quem sabe este é o ano da surpresa A.R. Rahman?

waltzMelhor filme estrangeiro: mais uma vez, exceto por um detalhe (a ausência do filme Gomorra, que já havia sido descartado na lista de pré-selecionados), não houve surpresas nesta categoria. Eram praticamente certas as indicações de Waltz With Bashir, Entre les Murs e Der Baader Meinhof Komplex neste Oscar. O filme israelense, segundo a maioria dos críticos, leva vantagem. O francês Entre les Murs e o alemão Der Baader Meinhof Komplex também têm boas chances – ainda que pareçam um pouco “independentes” demais para a Academia. Correm ainda pela estatueta os elogiados Okuribito (ou Departures, do Japão) e Revanche (da Áustria). Como eu não assisti a nenhum dos concorrentes – tinha apostado minhas fichas em Gomorra, Three Monkeys e To Verdener -, resta saber o que a crítica e o público pensam de todos eles. Levando em conta votações dos sites IMDb e Rotten Tomatoes, Waltz With Bashir realmente está na dianteira, seguido de Okuribito e Entre les Murs.

Melhor animação: os três filmes apontados por todos até agora como os melhores do ano (Wall-E, Bolt e Kung Fu Panda) realmente chegaram lá. Surpresa alguma nesta categoria. Também não será nada surpreendente Wall-E levar o prêmio para casa – ele é, de longe, o favorito da noite.

manonwire6Melhor documentário: algumas das melhores produções do ano chegaram até o final da concorrida disputa conseguindo uma vaga entre os indicados. Man on Wire e Trouble the Water são os grandes favoritos. Mas era esperada também a indicação de Encounters at the End of the World. O que foi um bocado surpreendente é que Standard Operating Procedure ficasse de fora da lista dos cinco melhores do ano. Mas paciência. Em seu lugar entrou o elogiado The Betrayal (Nerakhoon), que mergulha na história de uma família que sofreu com a Guerra do Vietnã. O filme demorou 23 anos para ser filmado – acompanhando a fundo a história da família de Thavisouk Phrasavath, co-diretor do filme, que emigrou para os Estados Unidos quando tinha 14 anos. Outra produção na disputa é The Garden, um documentário que conta a vida de uma comunidade de agricultores imigrantes que se instalaram em uma região de Los Angeles. Acredito que o favorito seja Man on Wire – ainda que a disputa esteja acirrada e que outro filme pode, perfeitamente, sair vencedor.

Melhor curta animação: produções muito interessantes concorrem este ano no Oscar – como geralmente acontece nesta categoria que tem pouca audiência entre o grande público. Todas multiculturais – ou, pelo menos, que percorrem várias partes do globo. Estão na disputa o japonês La Maison en Petits Cubes, que conta a história de uma casa em permanente estado de construção e de seu morador, um vovô que revisita suas memórias da vida em família; o russo Lavatory – Lovestory, que conta como uma história de amor pode surgir em um banheiro público; o francês Oktapodi, que narra a tentativa de dois polvos em ficarem juntos e evitarem o destino quase certo de virarem um prato de comida; o inglês This Way Up, que conta o “lado divertido” de um funeral; e o estadunidense Presto, curta exibido antes de Wall-E nos cinemas e que narra a história entre um mágico e um coelho. Ainda tenho que assistir a todos eles, mas me parece levar uma pequena vantagem La Maison en Petits Cubes, Lavatory – Lovestory e Oktapodi. Presto correria por fora junto com This Way Up.

The Witness Screening LAMelhor documentário em curta-metragem: aqui, novamente, a disputa será um pouco acirrada. Competem nesta categoria os trabalhos dos diretores Steven Okazaki (por The Conscience of Nhem En), Megan Mylan (por Smile Pinki), Adam Pertofsky (por The Witness from the Balcony of Room 306), e Irene Taylor Brodsky e Tom Grant (por The Final Inch). Achei especialmente interessante a história do filme de Pertofsky, que conta as horas que antecederam o assassinato do líder político e herói dos direitos civis nos Estados Unidos, Martin Luther King. Também parece interessante o documentário The Final Inch, sobre o esforço global em erradicar a poliomielite. Acredito que estes dois filmes têm boas chances de levar a estatueta – tenho uma certa preferência pelo primeiro, mesmo sem tê-lo assistido.

Melhor curta-metragem: concorrem nesta categoria várias produções de diferentes países. Disputam uma estatueta a co-produção da Alemanha/Suíça intitulada Auf der Strecke; a francesa Manon sur le Bitume; a alemã Spielzeugland; a dinamarquesa Grisen, e a irlandesa New Boy. A melhor cotação até agora para os curta-metragens é a de Manon sur le Bitume, que recebeu a nota 8 pelos usuários do site IMDb. O curta francês conta a história de Manon, uma garota que sofre um acidente de bicicleta e que passa por uma experiência de “ver a vida fora de seu corpo”. Parece interessante.

thecuriouscase7Melhor direção de arte: aqui não houve surpresa. Benjamin Button, talvez o favorito nesta categoria, deve ganhar a queda-de-braço com os filmes de época The Duchess (tipo de produção que sempre rende um ótimo resultado em direção de arte) e Changeling. Corre um pouco por fora, na minha opinião, The Dark Knight e Revolutionary Road – ainda que, devo admitir, o trabalho em todos foi muito bem feito. Pessoalmente, acredito que Benjamin Button ou Changeling deve ficar com a estatueta.

Melhor fotografia: uma das minhas categorias favoritas também não teve muitas surpresas este ano. Slumdog Millionaire e Benjamin Button eram vistas como indicações certeiras. Ganhou o seu espaço, com muitos méritos, Changeling. Entraram na disputa ainda The Reader e The Dark Knight. Sou suspeita para falar, mas gostei muito do trabalho dos diretores de fotografia dos filmes The Wrestler e Milk. Dos indicados, meu voto iria mesmo para Slumdog Millionaire. A disputa deve ficar entre ele e Benjamin Button.

slumdog2Melhor edição: mais uma vez foram selecionados alguns dos melhores trabalhos do ano. Ainda que seja ótimo o trabalho feito em Frost/Nixon – sem a edição de Mike Hill e Daniel P. Hanley o filme não seria o que ele é -; em Milk e em The Dark Knight, acredito que a disputa se concentra (mais uma vez) entre Slumdog e Benjamin Button. Nem preciso dizer – qualquer um que leu a minha crítica de Slumdog sabe disso – que meu favoritíssimo nesta categoria é Slumdog. Chris Dickens fez um labor realmente digno da estatueta.

Melhor mixagem de som: além dos favoritos desta edição do Oscar (Slumdog, Benjamin Button e Wall-E), nesta disputa entra na jogada ainda The Dark Knight e Wanted. Acredito que o filme mais elogiado do Batman dos últimos tempos leva uma certa vantagem na disputa. Seu grande concorrente talvez seja Wall-E.

thedarkknightMelhor edição de som: não é muito usual, mas desta vez um filme que não está na categoria de ação entrou na disputa. Se trata, é claro, de Slumdog Millionaire. O filme tem realmente uma ótima edição de som. Ainda assim, dificilmente ele vai ganhar de The Dark Knight ou, correndo um pouco atrás, Iron Man, Wall-E ou Wanted. O filme com o Cavaleiro das Trevas deve levar mais esta estatueta.

Melhores efeitos especiais: nesta categoria, duas das maiores bilheterias do ano disputam com o filme mais indicado desta edição do Oscar. The Dark Knight e Iron Man levam franca vantagem em relação a Benjamin Button, mas nunca se sabe quando a Academia resolve dar a maioria dos prêmios para um único filme. 😉 Pessoalmente, acredito que The Dark Knight deve sair vencedor. O segundo na lista seria Iron Man.

thecuriouscase31Melhor maquiagem: aqui os papéis da categoria anterior se invertem. Ainda que o trabalho com o Coringa em The Dark Knight tenha sido fundamental para o personagem, Benjamin Button é o franco favorito para levar a estatueta de maquiagem. Apenas um desastre tira este prêmio do filme. Concorrendo por fora está ainda Hellboy II.

Melhor figurino: dois trabalhos que eu tinha gostado muito entraram na lista de indicados – Benjamin Button e Milk. Estão na disputa ainda The Duchess (figurinos de época sempre são um prato cheio), Australia e Revolutionary Road. Os últimos dois, para mim, são os azarões. Benjamin Button e The Duchess devem decidir o prêmio.

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Standard Operating Procedure – Procedimento Operação Padrão

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Todos sabem e/ou presumem que uma guerra é vergonhosa no trato do ser humano. Além da carnificina propriamente dita – tiroteiros, bombardeios, etc. -, existe a parte da “inteligência de guerra”, que nada mais é do que interrogatórios com base em técnicas de tortura. Mas uma coisa é especular e fantasiar sobre isso, outra muito diferente é ter provas de que os direitos humanos são ignorados em muitos de seus artigos aceitos por todos os países do mundo. O documentário Standard Operating Procedure se debruça sobre o escândalo fotográfico da prisão de Abu Ghraib, exposto na mídia em abril de 2004 – e que provocou um pedido de desculpas público do então presidente-cavalo George W. Bush. Para os norte-americanos talvez o documentário traiga pouca informação nova – afinal, o caso foi tratado exaustivamente na mídia estadunidense -, mas, para nós, “seres de outros países”, o filme traz uma série de detalhes do que aconteceu por ali e sobre o que, certamente, continua acontecendo em bases do Exército dos Estados Unidos ainda hoje.

A HISTÓRIA: O filme conta a história de um episódio doloroso na vida recente dos militares dos Estados Unidos: o escândalo revelado através de fotos e alguns vídeos das operações na base militar de Abu Ghraib, no Iraque. Através de depoimentos de homens e mulheres que trabalharam lá no período em que ocorreram os abusos, torturas e humilhações de prisioneiros, o filme vai reproduzindo as fotos que foram utilizadas no julgamento dos militares e, ao mesmo tempo, reconstituindo o que aconteceu através da dramatização com atores. O escândalo de Abu Ghraib veio à tona em abril de 2004, com as primeiras fotos sendo publicadas pelo The New Yorker e exibidas no 60 Minutes. Nestas fotos, soldados dos Estados Unidos registravam diferentes técnicas de humilhação e abuso feitos com presos iraquianos na base militar. Alguns dos participantes – especialmente as pessoas que aparecem nas fotografias – foram condenados. 

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Standard Operating Procedure): Nenhuma imaginação, eu acredito, chega a tocar o que algumas vezes a realidade revela. Ok, em uma país como o Brasil, que teve uma ditadura militar, todos já ouviram falar em pau-de-arara, choques elétricos, tortura psicológica e demais técnicas utilizadas para fazer “prisioneiros falarem”. Mas ouvir da boca dos protagonistas destas histórias, ouvir dos torturadores a narrativa do que aconteceu e, pior, o esboço de uma justificativa para os atos praticados é, algumas vezes, pior do que simplesmente ver as imagens dos prisioneiros sendo maltratados.

Fiquei chocada realmente com Standard Operating Procedure. Não apenas pelas imagens impressionantes dos abusos que foram feitos – até porque estas imagens já haviam sido publicadas no mundo inteiro (ainda que eu, francamente, não me lembrava de muitas delas). Mas fiquei chocada especialmente pelas idiotices sem tamanho que aquelas pessoas disseram, tentando justificar o que estava acontecendo e, mais impressionante quanto o anteriormente citado, quando o especialista Brent Pack começa a classificar o que era considerado “ato criminal” ou “procedimento operação padrão”. Chocante o que eles podem considerar como aceitável em uma guerra para obter informações de prisioneiros. 

O filme todo é uma surpresa após a outra. Existe momentos de puro interesse policial, como quando Brent Pack conta em detalhes como eles conseguiram reunir todas as fotos em temas e depois colocá-las cronologicamente para que esse material narrasse o que aconteceu em Abu Ghraib. Conseguiram, inclusive, identificar as fotos que foram feitas por cada máquina e, claro, as pessoas que tinham tirado elas. Um trabalho realmente interessante. 

Mas o filme ganha protagonismo especialmente por deixar os envolvidos falarem. Logo que Lynndie England aparece, nas suas primeiras declarações – antes de sabermos tudo o que ela fez -, percebe-se que a mulher é uma louca. Incrível como ela e outras figuras como Megan Ambuhl Graner tentam realmente justificar o que fizeram como algo aceitável, dizendo que estavam apenas “seguindo ordens”. Ah, ok. Será que elas convencem alguém? Porque outras pessoas que contam o que aconteceu por lá dizem como não aderiram a esse esquema. E como diz Sabrina Harman lá pelas tantas, sempre é possível as pessoas fazerem diferente, mas ela não consegue ver o que poderia ter feito naqueles casos. 

A verdade é que ela tem razão quando comenta que o importante era documentar aquilo, para provar que esses fatos aconteceram. Sabe-se que eles ocorriam antes e estão ocorrendo agora, anos depois, mas pelo menos em algum momento da História eles foram documentados e se tornaram públicos, mostrando algumas das características mais bizarras e horríveis do ser humano. Atos que comprovam o quão baixo as pessoas podem chegar com o propósito de “defenderem” sua sobrevivência. Só que no caso destas fotos, o que se percebe é que na maioria das situações o que realmente ocorria é que estas pessoas fizeram o que fizeram apenas para se divertirem. Eles gozavam realmente com a humilhação dos “inimigos” – que sabiam, muitas vezes, serem inocentes. Para mim, isso é a base da insanidade e do crime vergonhoso.

Gostei muito da direção de Errol Morris. Ele conseguiu depoimentos realmente potentes (para os quais farei comentários detalhados em seguida), além de ter cuidado muito bem dos detalhes da narrativa, tornando o filme permanentemente interessante e, ao mesmo tempo, devastador. Claro que ele seguiu praticamente uma linha cronológica, contando os fatos através das fotos e das cartas de Sabrina Harman mas, mesmo assim, ele tornou a história realmente impactante, sem perder o ritmo em momento algum. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Prova disso é que mais perto do final, quando você já pensa que viu tudo que era possível – humilhações e abusos sexuais e até assassinato provocado por torturas – ainda aparece a cena dos cães sendo jogados contra presos. Inacreditável.

Junto com o diretor, que faz realmente um trabalho muito bom, destaco o trabalho dos editores Andy Grieve, Steven Hathaway e Dan Mooney. Mais uma vez o compositor Danny Elfman faz um trabalho excepcional com a trilha sonora, que imprime o tom exato entre suspense e “era da informática” no filme. Um grande trabalho da equipe técnica, realmente.

NOTA: 9.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Só fiquei um pouco incomodada, para ser franca, pelo documentário ter entrevistado apenas os envolvidos da parte “estadunidense” desta história. Gostaria de ter ouvido depoimentos das pessoas que foram humilhadas e agredidas. Sei que seria difícil conseguir um depoimento delas, mas não seria impossível. Ainda que o documentário, com estes depoimentos, precisasse ter quatro horas de duração, mas acho que ele teria sido um documento ainda mais potente. Faltou isso, mostrar os outros lados da questão – e, por essa razão, dei esta nota menor para o filme. Teria sido interessante ouvir os iraquianos, por exemplo, para eles contrastarem alguns depoimentos dos soldades norte-americanos, como o “espantalho”, que disse que efetivamente os fios eram eletrificados e que ele estava acostumado a levar choques elétricos – o que os militares negam.

Standard Operating Procedure é destes filmes que vão servir sempre como um documento sobre a guerra e sobre a atuação dos Estados Unidos em conflitos pelo mundo. Acaba sendo um filme raro sobre uma face que poucos gostam de olhar no procedimento deles – e de outros países, com certeza – em situações como aquela.

Agora, vou comentar todos os entrevistados do filme e o que eles trazem de mais interessante para esta produção:

  • Javal Davis, sargento da polícia militar dos Estados Unidos: um dos grandes depoimentos do filme. Ele conta realmente em detalhes como era a vida dos militares na região, tanto no trabalho de patrulhamento quanto no de controle dos presos. É um dos poucos que realmente narra a pressão pela qual eles passavam, sob constante ataque. Bastante crítico, ele também comenta sobre os vários presos nunca registrados pela prisão, presos considerados “importantes” pelas diversas instituições de inteligência norte-americana (da CIA adiante). Davis também fala sobre técnicas de tortura psicológica, como a de expor os presos a altos níveis de estresse com música alta. Um dos momentos mais fortes do filme, para mim, é quando ele revela como as prisões de muitas pessoas eram arbitrárias. Literalmente eles “passavam o rodo” na cidade, prendendo praticamente todos os homens da região apenas para “controlá-los”. Ou seja, muitos inocentes passaram por situações de estresse, humilhações e torturas totalmente de graça. E depois eles não sabem porque os iraquianos e outros povos do Oriente Médio nutrem tanto ódio pelos estadunidenses e/ou ocidentais.
  • Ken Davis, sargento da polícia militar: é um dos que aparece menos no documentário. Ele ajuda a dar credibilidade para os demais, comentando sobre o seu “espanto” ao ver os presos sendo tratados daquela maneira – sempre sendo despidos e colocados sob o controle de militares mulheres. Ken Davis corrabora também a informação que outros deram de que, quando alguém contestava o que estava acontecendo, os superiores hierárquicos apenas diziam que eram “procedimentos do IM (inteligência militar)” e que eles “sabiam o que estavam fazendo”. O sargento realmente comenta que ficou assustado com o que viu e que decidiu não participar daquilo – e como ele não apareceu em nenhuma das fotos, fica impossível comprovar se isso é verdade ou não.
  • Walter (Tony) Diaz, sargento da polícia militar: ele também aparece pouco no filme, basicamente para contar detalhes sobre a morte do preso durante uma sessão de interrogatório/tortura. O interessante de depoimentos como o dele é que eles acabam dando validade para um fato que não teve registros durante o crime propriamente dito – Sabrina fez fotos apenas depois, quando o prisioneiro tinha sido colocado em um saco repleto de gelo para “impedir” que ele começasse a cheirar mal e apodrecer. Com depoimentos como o de Tony Diaz fica claro que eles “passaram dos limites” e realmente mataram uma (e certamente mais) pessoa no processo.
  • Tim Dugan, interrogador do CACI Corp.: um dos grandes depoimentos do filme. Ele praticamente pode ser visto como o narrador desta história, afinal, a produção começa e termina com fotos e opiniões dele. Um homem sensato, que já passou por muitas guerras e que acaba sendo, neste documentário, uma das poucas vozes sensatas sobre o que pode ser aceito ou não em um trabalho como o deles. Realmente muito boas as suas falas, algumas bastante inspiradas – ainda que, como as demais pessoas que não aparecem nas fotos, não sabemos até que ponto ele pode ser considerado um dos “bonzinhos” da história.
  • Lynndie England, soldado da polícia militar: essa é, sem dúvida, louca de pedra. Logo na primeira aparição dela, pelo jeito que ela olha para a câmera e, principalmente, pelo jeito com que ela fala, você pode perceber que a mulher está desequilibrada. E ela só vai piorando. Até porque, pouco a pouco, descobrimos que ela é uma das “estrelas” das fotografias incriminadoras. Ela e seu então “namorado”,  Charles Graner – um dos principais envolvidos que não pôde ser ouvido pela equipe de produção do filme. A mulher se mostra realmente louca ao tentar justificar os atos dela e dos demais, sem contar que ela “culpa” a paixão dela por Graner como o que fez ela ser tão estúpida. Me desculpem, mas ela não me convence em momento algum. As pessoas sabem o que é certo e o que é errado, e quando elas fazem o errado por causa de alguém, são mais estúpidas ainda. Mas, no caso daquelas humilhações, não me parecia que a garota, então com 20/21 anos, estava fazendo aquilo coagida. Não, parecia mesmo que ela se divertia. Ultrajante. 
  • Jeffery Frost, especialista da polícia militar: outro que fala pouco durante o filme. Basicamente ele ajuda a narrar o que acontecia em Abu Ghraib cotidianamente, além de dar mais detalhes sobre a morte do prisioneiro após ser torturado. Se mostra um pouco menos consciente que o general Tony Diaz, até porque, em alguns momentos, ele parece se divertir com o que ocorreu por lá.
  • Megan Ambuhl Graner, especialista da polícia militar: outra louca do grupo. Basta olhar para o seu olhar fixo para a câmera e seus depoimentos praticamente automáticos/sem emoção para perceber que algo de errado acontece com essa mulher. Ela é uma das pessoas que mais tenta justificar o que eles fizeram como algo que “faz parte no processo de salvar vidas”. Realmente repugnante. Sem contar que ela reforça a justificativa de muitos de que eles tomavam aquelas atitudes sob o comando de superiores. Ah, me poupem! Ok que muitos deles seguiam ordens, mas em vários casos mostrados no documentário, eles agrediam e humilhavam presos apenas para se divertirem. Isto está claro. Não tinham recebidos ordens para pisar nos dedos de uns, dar um soco forte em outros, fazer uma pirâmide de homens nus a certa altura do dia. Esses atos não tiveram  justificativa e nem ordem de superiores para ocorrerem.
  • Sabrina Harman, especialista da polícia militar: um dos grandes depoimentos do filme, tanto pelo que ela fala quanto pelas cartas dela para a mulher que acabaram sendo um interessante fio condutor da história. Através das cartas de Sabrina acompanhamos a rotina da prisão desde o dia 1° de outubro de 2003, quando ela chega no local, até o momento em que ela começa a fazer as primeiras fotos e, depois, em que eles começam a passar por uma investigação militar. Sem dúvida ela se mostra uma das pessoas mais sensíveis do filme, consciente de que o que eles fizeram foi errado. Ainda que, em certas ocasiões, ficou difícil dela negar que talvez estivesse se divertindo em vários momentos, como quando faz o sinal de positivo ao lado do morto sob tortura e, em outra ocasião, quando diz que o homem colocado como um “espantalho sob risco de ser eletrocutado” era “divertido”. Realmente não existem santos naquele meio – e nem ela, uma das pessoas que fala mais francamente sobre tudo que aconteceu, era inocente na história.
  • Janis Karpinski, general de brigada responsável por Abu Ghraib e outras prisões da região: outro grande depoimento do documentário. Indignada com o tratamento que recebeu depois que o escândalo veio à tona, ela nomeia todos os superiores que tiveram alguma participação nos abusos daquele local. Uma das primeiras falas dela narra a visita de Donald Rumsfeld, então Secretário de Defesa dos Estados Unidos, as instalações de Abu Ghraib. Fica claro o descaso dele com o local e as suas ordens para transformar aquilo em um centro de tortura no Iraque. Tanto que ela mesma comenta que no dia seguinte em que o Secretário de Defesa esteve lá é que começaram as mudanças. No dia seguinte um tal de General Miller muda toda a estrutura de Abu Ghraib e coloca as alas 1A e 1B, onde ocorreram os principais abusos contra presos, sob o comando de um tal de Coronel Pappas. Posteriormente, Karpinski ainda cita ao General Wojdakowski como o comandante que disse que eles não tinham autorização alguma para libertar nenhum dos mais de 1,5 mil presos do local – um número muito acima do que seria o razoável para as pessoas que trabalhavam ali. Realmente corajosa, Karpinski acaba sendo um dos melhores depoimentos do filme – detalhe: nenhum “peixe grande” do Exército foi condenado pelos crimes que ocorreram em Abu Ghraib.
  • Roman Krol, especialista da Inteligência Militar: outro louco de pedra. Logo que ele aparece em cena se percebe que ele é um descontrolado. Especialmente revoltante quando ele fala que não entende como pode ter sido condenado “apenas” por ter jogado uma garrafa de água e por ter jogado uma bola de futebol americano em cima de presos do local. Fica claro também que ele comenta que nada disso teria acontecido se as fotos não existissem – uma maneira de dizer que o problema foi o registro “idiota” de alguns de seus colegas, e não o procedimento dos militares. Típico imbecil do Exército.
  • Brent Pack, agente especial do exército da divisão de investigação criminal: figura fundamental da história, especialmente porque é ele quem conta como as provas foram classificadas e viraram peça-chave nas condenações daquelas pessoas. Como agente de investigação criminal, ele é direto em dizer que boa parte dos crimes solucionados dependem da burrice dos criminosos. E ele considera uma grande burrice os militares terem tirados fotos de seus atos. Com isso ele não quer dizer que eles não deveriam ter feito isso, apenas constata que estes crimes chegaram ao grande público e viraram o que viraram porque alguém teve a genial idéia de documentar tudo através de fotos. Sabe-se que outros abusos acontecem diariamente nas prisões militares dos Estados Unidos mas elas não aparecem porque ninguém que está lá dentro tem essa idéia de registrar tudo. Algo bem típico da era das máquinas digitais e da internet, não?
  • Jeremy Sivits, especialista da polícia militar: típico cara que parece ter “entrado de gaiato no navio”. Pelo menos segundo seu depoimento, ele entrou como bobo na história que viraria, na opinião de Brent Pack, elemento-chave na condenação daquelas pessoas: a infame “pirâmide de sete iraquianos nus”. Aparentemente Sivits participou daquela cena apenas tirando fotografias e cortando as amarras que estavam deixando um preso com as mãos roxas. Aparentemente, porque ninguém sabe se ele participou de outras histórias de humilhação não documentadas. Ainda assim, ele acaba resumindo um pouco o sentimento de vergonha que muitos militares e/ou estadunidenses sentiram com este episódio. Um depoimento pequeno no filme, mas importante.

Vale a pena citar que os investigadores do caso receberam 12 CDs recheados com milhares de fotos e conseguiram, com este material, contar cronologicamente tudo que aconteceu em Abu Ghraib no período em que foram feitas aquelas fotografias.

Encontrei alguns artigos interessantes sobre o caso e o documentário. Vale citar: este do Los Angeles Times, este outro do Washington Post, este do New York Times e, por fim, esta crítica do Boston.com. Foi um filme realmente que ganhou muita projeção internacional, especialmente nos Estados Unidos e no Reino Unido.

Falando em projeção internacional, Standard Operating Procedure conseguiu uma nota relativamente baixa no IMDb: apenas 7,5. Os críticos que tem textos publicados no Rotten Tomatoes também não foram dos mais efusivos com este documentário. Eles dedicaram 75 críticas positivas e 19 negativas para o filme – lembrando que o concorrente de Standard Operating Procedure no próximo Oscar, Man on Wire, conseguiu 100% de críticas positivas no mesmo site.

O documentário de Errol Morris foi indicado a seis prêmios até agora, ganhando apenas um (importante, diga-se): o prêmio especial da crítica/Urso de Prata no Festival de Berlim de 2008.

De bilheteria o filme foi fraco: conseguiu quase US$ 229 mil nos Estados Unidos até julho de 2008.

Importante contextualizar a importância deste escândalo na história recente dos Estados Unidos. A publicação das fotos de Abu Ghraib foi a que desencadeou uma série de publicações e denúnicas de maus tratos e de violação de direitos humanos por parte dos militares estadunidenses em diversas prisões pelo mundo. Depois que se tornaram públicas as fotos de Abu Ghraib é que vieram à tona problemas em outros locais do Iraque, no Afeganistão e na prisão da base naval americana em Guantánamo, em Cuba.

CONCLUSÃO: Um filme revoltante sobre um dos episódios mais vergonhosos da história recente dos Estados Unidos. Bem produzido e com uma direção cuidadosa, Standard Operating Procedure se mostra um importante documento sobre os abusos da guerra e sobre a capacidade humana em chegar ao nível mais baixo de comportamento. Por ser uma história sobre tortura, violência e humilhações contra presos durante uma guerra, se trata de um filme duro, com muitas cenas que vão provocar revolta e, dependendo da “fragilidade” do espectador, até mal estar físico. Realmente é de embrulhar o estômago algumas vezes – não sei se por efeito da bílis ou pela constatação de que, algumas vezes, a realidade pode ser pior do que alguns filmes de terror.

PALPITE PARA O OSCAR: Acredito que Standard Operating Procedure será um dos cinco indicados para o Oscar de melhor documentário deste ano. Não é um filme fácil para os Estados Unidos, mas ele deveria ser visto com um filme necessário. Acredito que ele tem qualidades técnicas e de narrativa suficiente para levar a estatueta para casa. Só acho uma incógnita o que os membros da Academia vão decidir. Eles podem realmente valorizar o trabalho de denúncia de Errol Morris ou, igualmente, premiar o trabalho mais inspirado e artístico de James Marsh com seu bacana Man on Wire. Realmente fica difícil de apontar um favorito, ainda que eu ache que Man on Wire leva uma pequena vantagem – pelo menos na opinião dos críticos.

ATUALIZAÇÃO – 22/01/2009: Acabo de ver na lista de indicados para o Oscar que Standard Operating Procedure ficou de fora. Uma pena. Acho que o filme merecia, pelo menos, ser indicado. Acho que o favorito mesmo nesta categoria será Man on Wire, ainda que existam filmes fortes na disputa, como Trouble the Water, que revela o drama ocorrido em Nova Orleans com a passagem do furacão Katrina.