Taken – Busca Implacável

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Toda vez que um filme começa com uma cena antiga de uma festa infantil, é batata: algo de ruim vai acontecer. Não existe outra possibilidade, vamos! Então Taken começa desta forma, óbvia e previsível. E o que nos resta é esperar a hora em que acontecerá algo de ruim com aquela inocente menininha do passado – agora uma adolescente que está perto de completar 18 anos. E, ainda que tenha essa idade, ela continua sendo tratada como a “menininha do papai”, interpretado aqui por um Liam Neeson da pesada. O filme acaba sendo interessante pelo ator e por algumas cenas de ação, mas no demais, é muito óbvio para o meu gosto.

A HISTÓRIA: Bryan Mills (o irlandês Liam Neeson) é o típico homem que dedicou a sua vida à profissão e, lá pelas tantas, descobriu que não consegue manter uma relação próxima com a ex-mulher e, principalmente, a filha do casal. Agora aposentado – antes ele trabalhava para o governo em algo parecido com a espionagem -, ele resolve se aproximar da filha, Kim (Maggie Grace). Mas para isso ele deve enfrentar uma certa resistência da ex-mulher, Lenore (a holandesa Famke Janssen) e a inevitável competição com o rico homem de negócios que é seu atual marido, Stuart (Xander Berkeley). A aproximação dele com a filha vai de forma regular até o momento em que ela pede uma autorização para viajar com uma amiga para Paris. Bryan cede, mesmo a contragosto, e acaba vendo seus temores se tornarem realidade quando Kim é raptada por um perigoso grupo de albaneses especializados no tráfico de mulheres.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – avisos aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Taken): Admito que os filmes de ação não precisam ser, digamos assim, inovadores. Ou mesmo surpreendentes. Talvez 80% deles tem como uma de suas características a previsibilidade. Mas, nem por isso, eu me conformo em ver algo tão óbvio quanto este Taken. Aliás, só não dou uma nota mais baixa para ele justamente porque estou analizando-o como um filme de ação. Se fosse para analisá-lo no “conjunto” dos filmes que pululam por aí, eu seria ainda mais cruel na hora de dar-lhe uma nota.

Sabemos que a filha do herói da história passará por maus bocados. Também sabemos que o pai vai conseguir resgatá-la. Mas o que acontece entre um ponto e outro da história é o que me incomodou um pouco neste filme. Afinal, Bryan podia ser um pouquinho menos Rambo, como um dos amigos lhe chamou uma certa hora, não? Certo que Liam Neeson realmente fica muito bem naquela roupa de “cara-que-faz-tudo-pela-filha-e-mata-quem-aparecer-pela-frente”. Suas linhas expresivas um tanto “duras” dão ainda mais legitimidade para o que ele vai fazendo – extermínio puro e simples. Mas ele podia ser menos “intocável” ou um pouco mais aberto a erros… sei lá, cansei já de ver caras durões, intocáveis e exterminadores – acho que esse é um problema de quem já assistiu a muitos filmes.

Taken também tem alguns elementos, aqui e ali, que me pareceram referências um tanto estranhas. Vejamos: é inevitável não lembrar do líder dos zapatistas quando nosso “herói” está no meio dos bandidões perguntando quem é o tal de Marco. Cada um do grupo responde que é Marco, (o que talvez seja) uma alusão ao anonimato que o Subcomandante Marcos, dos zapatistas, sempre pregou em seus textos (“todos somos Marcos”). Certo. Mas o que isso tem a ver exatamente com albaneses que atuam na Europa sequestrando turistas para depois prostituí-las ou vendê-las como uma mercadoria? Não entendi, eu juro.

Aliás, nunca Paris foi tão perigosa quanto em Taken. hehehehehehehehehehe. Certo que existe o tráfico de mulheres na Europa – e em outras partes. Mas alguém realmente acredita que é feito daquela maneira? Não, né? Pois então… uma forçada de barra do roteiro dos senhores Luc Besson (francês) e Robert Mark Kamen (responsável anteriormente pelo péssimo Bandidas). O mesmo assunto foi tratado antes em Trade, mas de maneira um bocado melhor trabalhada. No mais, a direção do francês Pierre Morel é competente, transforma um roteiro fraquinho em algo que não nos cansa tão facilmente. Se dependesse apenas do ritmo do filme, tudo bem. O problema é o recheio – ou, em outras palavras, o roteiro e o argumento. 

O elenco está bem, ainda que ninguém se saia melhor que Liam Neeson. Sempre pensei nele em um papel mais “intelectual”, mas aqui ele prova que pode ser bom na pancadaria. Maggie Grace e Famke Janssen fazem os seus papéis de forma regular, na média, sem grandes rompantes de talento ou de mediocridade – até porque suas personagens não permitiam muito além do que elas fizeram. Do elenco, vale citar ainda Arben Bajraktaraj como Marko; Katie Cassidy como Amanda, a amiga maluquete que leva Kim para Paris; Nicolas Giraud como Peter, o homem que seleciona as vítimas na saída do aeroporto; Nabil Massad em uma aparição relâmpago como o Sheik Raman, o homem que acaba comprando Kim para o seu harém particular; Olivier Rabourdin como Jean-Claude, o negociante de mulheres parisiense; e principalmente Leland Orser como Sam, o amigo do peito de Bryan que acaba lhe fornecendo informações primordiais para que o pai chegue até a filha.

NOTA: 6,5.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Resolvi começar a “dar um tempo” naquela sequencia de filmes que estão concorrendo ao Oscar. Primeiro porque eu já vi todos os principais. Segundo que os que faltam não me atraem tanto assim – como Vicky Cristina Barcelona e Happy-Go-Lucky, entre outros. Vou assistí-los, claro, mas devagarinho. 😉 Aproveito também para começar a ver os filmes todos que eu tenho na minha big lista e, claro, dentre eles, os que os leitores deste blog foram me indicando com o passar do tempo. Passado o Oscar também eu quero ver uma sequência de filmes do país escolhido por vocês, meus bons leitores – aliás, aproveito para incentivá-los a votar!

Algo muito, mas muito estranho nesse filme: Bryan Mills é um cara durão, capaz de matar dezenas de bandidos fuzilados em uma sequência, mas na hora que Peter é amassado por um caminhão, nosso “herói” vira o rosto. Hummmmm… curioso, não? Quer dizer que ele é sensível para acidentes de trânsito? hehehehehehehehe

Se grande parte do filme é previsível – tanto na sequência de fatos quanto em várias das cenas de perseguições e mortes -, devo admitir que um ou outro momento da produção são realmente muito bons. Por exemplo a sequência em que os bandidos invadem o apartamento onde Kim e Amanda estão e a garota começa a narrar tudo para o pai, que lhe ajuda dos Estados Unidos. Vale a pena este momento do filme principalmente no diálogo deles quando ela vai para o quarto e no discurso dele para Marco no final da cena. Também achei bem feita a sequência em que o protagonista contrata um tradutor e coloca uma escuta em um dos integrantes da rede de prostituição – e a subsequente chegada dele no “antro” das prostitutas mantidas como reféns próximas de uma obra. 

Um tema paralelo ao filme é o da espionagem e da contribuição entre as diferentes nacionalidades no trabalho de “vigiar” possíveis inimigos e alvos. Também entra no jogo a corrupção policial – que, convenhamos, não é algo específico de Brasil ou França, certamente existe nos Estados Unidos e em todos os lugares em que a ambição não encontra nos “meios legais” os recursos suficientes de seu desejo.

Taken estreou antes no Brasil e em quase todos os países do mundo – exceto pelos Estados Unidos. O filme chegou apenas no dia 1 de fevereiro para os norte-americanos. E chegou arrasando, conquistando a primeira posição nas bilheterias. Em apenas uma semana ele arrecadou impressionantes US$ 24,7 milhões. Segundo os produtores, Taken custou US$ 30 milhões. Ou seja: vai se pagar rapidinho e começar a lucrar bem.

Até o momento a produção conseguiu uma nota muito boa pela votação dos usuários do site IMDb: 8,0. 

Uma curiosidade: Taken é um filme francês. Pois sim! Isso realmente me surpreendeu. hehehehehehehehehe. Primeiro porque ele tem um elenco essencialmente norte-americano. Depois porque ele literalmente detona a França. 😉 O diretor, talvez para fazer as pazes com os conterrâneos, está trabalhando em um projeto chamado From Paris with Love. E outro detalhe: novamente neste filme um espião americano faz estripulias na capital parisiense. Será alguma obsessão do diretor com este tema e essas nacionalidades? Ou vai ver que é o roteiritas… porque From Paris with Love tem roteiro de Luc Besson (mais uma vez).

CONCLUSÃO: Um filme de ação no melhor estilo pai-ausente-que-vê-a-filha-ser-raptada e que acaba fazendo de tudo para resgatá-la. Uma mistura de Charles Bronson, Duro de Matar e algo mais do gênero. Ainda assim, não deixa de ter algumas qualidades, como uma direção competente e um ritmo muito bom de narrativa – ainda que o roteiro seja bem fraco. Simplifica bastante o papel de “bandidos” e de “heróis”, como geralmente os filmes de ação fazem. Tem uma esforçada interpretação de Liam Neeson, que surpreende pelo pique e pela seriedade com que veste a carapuça do personagem. Podia ser um pouco mais original, mas na falta disso, pelo menos é um filme de ação com boas cenas de pancadaria – bem coreografadas e que misturam técnicas utilizadas por Bruce Lee e por militares ingleses e estadunidenses. E se você pensar: “Eu já assisti esse filme antes?”, posso te dizer que sim.

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