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E o Oscar 2014 foi para… (cobertura online e todos os premiados)

86th Oscars®, Governors Ball Preview

Boa noite minha gente!

Pelo sétimo sexto ano consecutivo vou acompanhar a entrega das estatuetas douradas do Oscar com vocês.

A expectativa é boa para este ano porque a disputa está bem acirrada em diversas categorias da maior premiação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. Tenho certeza que em algumas categorias o prêmio será decidido por poucos votos.

O canal E! Entertainment começou a transmissão do tapete vermelho ao vivo às 19h30min, no horário de Brasília, mas o clima começou a esquentar agora, perto das 21h. Uma das figuras interessantes da noite e que acaba de chegar é o ator Jared Leto, todo de branco, com uma gravata borboleta vermelha e os cabelos longos soltos. Para o repórter ele comentou que gosta de roupas antigas. Leto é o favorito da noite na categoria Melhor Ator Coadjuvante por seu trabalho em Dallas Buyers Club.

Das pessoas que já chegaram, outra que chamou a atenção pela roupa foi a atriz Lupita Nyong’o, indicada como Melhor Atriz Coadjuvante por seu trabalho em 12 Years a Slave. Ela surgiu com um vestido azul claro Prada interessantíssimo e foi bem comentada. O canal TNT também está transmitindo direto do tapete vermelho.

O ótimo ator inglês Benedict Cumberbatch, que não foi indicado a nada este ano mas que participa de quatro produções indicadas (a saber: 12 Years a Slave, August: Osage County, The Hobbit: A Desolation of Smaug e Star Trek Into Darkness), destacou o trabalho de equipe feita em 12 Years. A produção é uma das favoritas na categoria Melhor Filme. Logo veremos se ela terá força de desbancar The Wolf of Wall Street, Gravity e American Hustle.

A favorita da noite segundo muitas bolsas de apostas na categoria Melhor Atriz, Cate Blanchett, aparece belíssima. Ela comenta que achou fascinante interpretar a personagem trágica e complexa de Blue Jasmine. Linda. Vestida para brilhar com uma roupa de Giorgio Armani – sob medida para ganhar a estatueta. Acredito que apenas Sandra Bullock e Amy Adams poderiam surpreender e tirar o prêmio dela – mas meu voto, na verdade, iria para Meryl Streep.

Segundo a votação feita aqui no blog, quase 40% dos leitores aqui do blog acreditam que Gravity saíra da noite de hoje com o maior número de estatuetas da premiação. Em seguida aparecem 12 Years a Slave (com 17,5% dos votos) e Her (com 15% dos votos). Concordo com a maioria. Gravity deve sair com vários prêmios técnicos e ganhar dos demais concorrentes no número de estatuetas. Mas acho que os prêmios principais (Melhor Filme, Diretor, Atriz e Ator) serão partilhados por três ou até quatro filmes.

Outro vestido totalmente de branco a aparecer foi Matthew McConaughey. Mas a gravata borboleta dele é preta, diferente do parceiro de cena, Jared Leto, com gravata do mesmo tipo vermelha. Ele apareceu lindo ao lado da esposa, a brasileira Camila Alves, e da mãe dele. Em seguida, mostraram Jennifer Lawrence de vestido vermelho fazendo o que? Caindo, é claro. hehehehehe. Acho que esta é a atriz mais atrapalhada de Hollywood – e uma das mais talentosas de sua geração.

lupitaarrival1Na revisão feita pelos comentaristas do E! Entertainment destacaram muito Charlize Theron com um vestido preto que valorizou um belíssimo colar. De fato, a atriz é uma diva, uma das mais bonitas da noite. Elogiaram também Amy Adams em um Gucci azul – mas eu, francamente, não achei que o vestido caiu tão bem nela, ainda mais se comparada com Charlize Theron. Mas não há dúvidas, até o momento, que Lupita Nyong’o é o destaque da noite.

Comparado com outros anos, estou achando esse tapete vermelho um tanto morno. Os atores estão bem treinados. Exemplo: Chiwetel Ejiofor aparece entrevista após entrevista comentando que conhecia o autor Solomon Northup, que narrou a própria história no livro 12 Years a Slave, e que só se entregou ao projeto depois de refletir muito sobre ele. Também tenho a impressão que não há muita novidade no visual dos astros e estrelas. Veremos se a premiação consegue nos surpreender um pouco mais.

Voltando para os comentários de moda, destacaram bastante o vestido vermelho de Jennifer Lawrence, mesmo dizendo que ela foi ousada em investir nesta cor (que daria azar para quem quer ser premiado) e também o vestido preto de Julia Roberts. Anne Hathaway, que normalmente é um dos destaques nas premiações, escolheu um belíssimo Gucci para o Oscar 2014. Muito interessante o vestido preto e prateado que ela escolheu.

Faltando menos de meia hora para a premiação começar, Jonah Hill e Bradley Cooper emocionadíssimos no tapete vermelho. Os dois tem razões para comemorar, já que conseguiram ser indicados na categoria Melhor Ator Coadjuvante. No TNT, Lupita Nyong’o comenta que fez aniversário na véspera e que foi ótimo ver 12 Years a Slave ser bem premiado no Spirit Awards.

Ana Maria Bahiana, a quem admiro e sempre acompanho, comentando no Twitter que o Matthew McConaughey pulou o cordão de segurança e foi cumprimentar o público, apertando a mão de vários fãs. Mais uma razão para ele ganhar a estatueta hoje à noite. Outras mais? Além da humildade e simpatia, o ótimo trabalho em Dallas Buyers Club e a ótima fase na carreira.

Sandra Bullock está linda em um vestido azul. A atriz destacou que Gravity mudou a sua vida, tornado ela um pouco menos complexa. Na revisão das 24 horas que antecederam a festa do Oscar, o canal TNT mostrou como havia chovido horrores em Los Angeles e destacou o trabalho de centenas de pessoas na preparação do Oscar – achei curiosa, em especial, a determinação de cada assento no Dolby Theater, com cada astro e estrela identificado com um cartaz com suas respectivas fotos. Só faltava um “Wanted” no material. 🙂

Faltando menos de cinco minutos para a cerimônia começar, Kevin Spacey fala do sucesso da série House of Cards. A segunda temporada veio arrasadora. Para quem ainda não assistiu, eu recomendo. Em poucos minutos vamos saber como vai se sair a anfitrião do prêmio Ellen DeGeneres e qual será a característica do Oscar deste ano – se ele vai seguir a maioria das apostas ou trará muitas surpresas para os fãs de cinema.

Pontualmente as 22h30min no horário de Brasília começou a cerimônia do Oscar. Ellen DeGeneres foi bem aplaudida e começou brincando que os últimos dias foram muito difíceis porque estava chovendo. 🙂 Ela comenta que retornou para a premiação depois de sete anos, e que muitas coisas mudaram no período… Cate Blanchett, Meryl Streep, Leonardo DiCaprio e Martin Scorsese haviam sido indicados anteriormente. 🙂 Mas ela também destaca as estreantes da noite, como June Squibb, Lupita Nyong’o e Barkhad Abdi. Começou muito bem.

DeGeneres também destacou a presença dos verdadeiros Capitão Phillips e Philomena, e brincou com a Liza Minnelli dizendo que estava presente um de seus melhores imitadores. Nada como ter uma apresentação como um ótimo texto! Isso faz toda a diferença. O Oscar acertou este ano. Mas ela não escapou da tradicional piada com Meryl Streep que foi indicada 18 vezes ao Oscar.

Em seguida, ela foi rápida tirando sarro de Jennifer Lawrence, brincando que não iria lembrar sobre o que aconteceu no ano passado… que ela caiu quando foi receber o Oscar. Comentou que não iria mostrar o vídeo relembrando a cena, mas que ela poderia relembrar isso ao pensar na queda que teve ao sair do carro na noite de hoje. hehehehe.

dallasbuyersclub5Na primeira entrega da noite, Anne Hathaway foi ao palco para apresentar os candidatos na categoria Melhor Ator Coadjuvante. O favorito, sem dúvida, é Jared Leto. Após o clipe de cada trabalho, muitas palmas da plateia. Os mais aplaudidos, me pareceu, foram Barkhad Abdi, Jonah Hill e Jared Leto. E o Oscar foi para… Jared Leto de Dallas Buyers Club!! Uhuuulll. Bacana ver este ator, que mudou tanto desde que estrelou um dos meus filmes favoritos de todos os tempos, Requiem for a Dream, receber esta honraria.

No microfone, ele comentou sobre uma adolescente que foi mãe solteira e que deixou de estudar para educar bem os filhos. Ele estava homenageando a própria mãe. Um fofo! E seguiu dizendo que os sonhadores do mundo, inclusive os da Ucrânia e da Venezuela, que eles estão sendo observados e lembrados pelas pessoas naquele local. Discurso emocionado e também político. Para finalizar, dedicou o prêmio para todas as pessoas que morreram de Aids e que algum dia se sentiram injustiçadas pelo que são ou fazem. Palmas!

Na sequência, surge Jim Carrey. Ele brinca sobre como deve ser difícil a tarefa de ser sempre indicado, e comenta que está feliz porque um de seus heróis, Bruce Dern, foi lembrado no Oscar deste ano. Na plateia, Bono Vox e o U2, banda que vai se apresentar na noite. Carrey estava ali para apresentar um vídeo com os heróis de filmes de animação.

Kerry Washington apareceu em seguida, gravidíssima, para chamar o rapper Pharrell Williams para apresentar a canção Happy, presente no filme Despicable Me 2. Essa foi a primeira apresentação musical da noite, e ela foi aplaudida por boa parte da plateia de pé. Agora, cá entre nós, achei a participação de Jim Carrey um tanto que dispensável. Seria o primeiro “enche linguiça” da noite?

thegreatgatsby7A bela Naomi Watts surge após os comerciais ao lado de Samuel L. Jackson para apresentar os indicados na categoria Melhor Figurino. E o Oscar foi para… Catherine Martin por The Great Gatsby. Ela homenageou o marido, Baz Luhrmann por ele ser um visiónario. Em seguida, os atores apresentaram apresentaram os indicados em Melhor Maquiagem e Penteado. E a estatueta foi para… Dallas Buyers Club. Matthew McConaughey e a esposa bateram palmas de pé. As premiadas agradeceram McCounaughey e Leto por eles terem deixado elas modificarem eles e fazerem o trabalho dos sonhos, além de dedicar a estatueta para as vítimas da Aids.

Na sequência, Harrison Ford apresentou três dos indicados a Melhor Filme da noite. Na sequência: American Hustle, Dallas Buyers Club e The Wolf of Wall Street. Destes três, gostei mais dos últimos dois. Até o momento, quem se saiu bem foi Dallas Buyers Club.

O ator Channing Tatum veio em seguida para apresentar os universitários que ganharam o concurso de curtas promovido pela Academia. Bacana eles darem esse espaço para os novos realizadores – afinal, eles são o futuro do cinema dos Estados Unidos.

Após a propaganda, Kim Novak e Matthew McConaughey aparecem para apresentar os candidatos na categoria Melhor Curta de Animação. E o Oscar foi para… Mr. Hublot. Bacana. Vi imagens da produção e achei elas muito interessantes. Acho que vale ir atrás. Laurent Witz e Alexandre Espigares subiram ao palco para agradecer pela estatueta que, segundo um deles, é um sonho americano. Ele estavam muito, muito nervosos. Bacana ver gente que luta tanto ser premiada. Cool.

Na sequência, McCounaguey e Kovak apresentaram os candidatos a Melhor Animação. E o Oscar foi para… Frozen. Bacana ver uma diretora subir ao palco: Jennifer Lee, que fez este filme da Disney junto com Chris Buck. Discurso rápido e bacaninha.

A duplamente premiada com estatuetas do Oscar Sally Field surgiu após uma rápida brincadeira de Ellen DeGeneres para apresentar um vídeo sobre os heróis do “dia-a-dia”. No vídeo, entre outros, filmes como Milk, Erin Brockovich, Captain Phillips, Ali, Schindler’s List, Argo, Norma Rae, Philadelphia, Ben-Hur, 12 Years a Slave, Dallas Buyers Club e Lawrence of Arabia.

Emma Watson surge com Joseph Gordon-Levitt para apresentar a categoria Melhores Efeitos Visuais. E o Oscar foi para… Gravity. Prêmio esperadíssimo e muito cantado. O trabalho feito nesta produção é impecável, de fato. Um dos pontos fortes do filme – se não o maior, junto com edição de som.

No palco, surge o galã Zac Efron para apresentar a próxima atração musical da noite: Karen O canta The Moon Song, do belíssimo filme Her. Esta produção, sem dúvida, a minha favorita deste ano – mas, como ocorreu em outros anos, a minha escolha não tem chances reais na categoria principal. Bela e sensível apresentação de Karen O.

Depois dos comerciais, Kate Hudson e Jason Sudeikis apresentam Melhor Curta de Ficção. E o Oscar foi para… Helium. Bacana ver gente apaixonada falar de cinema. Depois, entregaram o Oscar de Melhor Curta Documentário, que foi para… The Lady in Number 6: Music Saved My Life. O curta conta a história de uma sobrevivente do Holocausto que, infelizmente, faleceu uma semana antes do Oscar ser entregue com 110 anos. Os realizadores disseram que a personagem real que os inspirou lhes ajudou a terem mais esperança. Bacana.

20feetfromstardom1Depois de uma piada um tanto sem grança sobre fome e pedir uma pizza de Ellen DeGeneres, subiu ao palco o ator Bradley Cooper. Ele apresentou os indicados na categoria Melhor Documentário. Ele disse que os concorrentes deste ano talvez fossem dos melhores dos últimos anos. Concordo com ele. Este ano está ótimo. E o Oscar foi para… 20 Feet from Stardom. Uau! Ele era um dos mais cotados nas bolsas de apostas. Belo filme, um resgate interessante sobre a história das backing vocals. Mas cá entre nós, acho outras produções melhores… Dirty Wars e The Square merecem ser vistas. Nos agradecimentos, Darlene Love, uma das cantoras destacadas no filme, deu um pequeno show e foi bem aplaudida depois.

Kevin Spacey surgiu na sequência brincando que estava feliz por estar ali, ao invés de em Washington – por causa de House of Cards. Ele comentou os prêmios especiais e honorários deste ano e apresentou um vídeo sobre eles: Steve Martin, Angela Lansbury, Piero Tosi e Angelina Jolie. Grandes nomes, que contribuíram de diferentes formas para o cinema e a sociedade. Legal.

lagrandebelezza2Depois do intervalo, Ewan McGregor e Viola Davis apresentaram os indicados na categoria Melhor Filme em Língua Estrangeira. Ela me surpreendeu pela magreza. Este ano, alguns filmes muito bons. E o Oscar foi para… La Grande Bellezza. Era o favorito segundo a bolsa de apostas. Torcia por ele, ainda que eu estivesse dividida entre este filme, Jagten e The Broken Circle Breakdown. Para quem não assistiu a todos eles, recomendo fortemente assisti-los. O diretor Paolo Sorrentino agradeceu a seus ídolos. Entre outros, Diego Maradona.

Na sequência, o diretor e roteirista Tyler Perry apresenta outros três indicados a Melhor Filme deste ano: Gravity, Her e Nebraska. Brad Pitt surge para chamar a terceira apresentação musical da noite: U2 com a música Ordinary Love do filme Mandela: Long Walk to Freedom. Apresentação gostosa, como tdas que Bono e Cia. costumam fazer. A banda foi bem aplaudida pela plateia, com Jared Leto e quase todos os outros aplaudindo eles de pé.

Na volta dos comerciais, Ellen DeGeneres com nova roupa, desta vez toda de branco, em uma das melhores tiradas da noite: ela chama Meryl Streep e mais uma pancada de atores para bater um “selfie coletivo” e bater recorde de retweets. Na sequência, subiram ao palco Michael B. Jordan e Kristen Bell para homenagear os premiados nas categorias científica e técnica – que fazem parte do Oscar, mas que sempre são vistas em uma lembrança de resumo de vídeo.

Charlize Theron e Chris Hemsworth, sem dúvida o casal mais bonito de apresentadores até então, vieram em seguida para apresentar os indicados na categoria Melhor Mixagem de Som. E o Oscar foi para… Gravity. Esperadíssimo. Um dos prêmios mais cantados da noite. Na sequência, os indicados em Melhor Edição de Som. E o Oscar foi para… Gravity. Merecido, ainda que o trabalho feito em All Is Lost também merecia uma estatueta – seria interessante um raríssimo empate, neste caso.

E agora, a reta final da premiação com as principais categorias se acumulando. Christoph Waltz apresentou as cinco indicadas desta noite na categoria Melhor Atriz Coadjuvante. E o Oscar foi para… Lupita Nyong’o de 12 Years a Slave. Que bacana! Premio merecidíssimo, porque ela está absurdamente perfeita em 12 Years a Slave. O nome mais falado da noite no quesito moda também se firma como vencedora da premiação.

E a primeira palavra dela: Yes! Em seguida, ela agradece a Academia, mas lembra que tanta felicidade na vida dela significa infelicidade na vida de tantas outras pessoas – mais um discurso consciente. Ela agradeceu ainda o diretor Steve McQueen e os colegas de cena, Chiwetel Ejiofor e Michael Fassbender. O discurso dela, o ponto alto da noite até agora, emocionando muita gente da plateia – de Brad Pitt até Kevin Spacey. Senti cheiro de Melhor Filme indo para 12 Years a Slave…

Na volta do intervalo, a sequência da piada sobre o povo que passa fome durante a apresentação do Oscar. Ellen DeGeneres recebe um entregador de pizza que distribuiu pedaços para vários astros e estrelas – de Meryl Streep e Julia Roberts até Harrison Ford e Jared Leto. Baita sacada, destas para entrar na história da premiação.

GRAVITYNa sequência, a presidente da Academia, Cheryl Boone Isaacs, apresentou o projeto do Museu do Cinema que eles pretendem inaugurar até o final de 2017. Projeto de sonho. Amy Adams e Bill Murray surgiram, então, para apresentar os concorrentes na categoria Melhor Fotografia. E o Oscar foi para… Gravity. Mais um prêmio técnico que esta produção leva, como era previsto. Ainda que nesta categoria ele poderia ter perdido para outros títulos, especialmente Nebraska e The Grandmaster. Emmanuel Lubezki agradeu ao mestre Alfonso Cuarón, para a equipe e, em especial, para Sandra Bullock.

Depois, vieram os indicados em Melhor Edição. E o Oscar foi para… Gravity. Sem dúvida um excelente trabalho de Mark Sanger e Alfonso Cuarón, ainda que esta categoria estava bem disputada este ano. Algo me diz que Cuarón vai receber, ainda, outro Oscar nesta noite, desta vez como Melhor Diretor. Logo saberemos… Em edição outros fortes concorrentes eram American Hustle e Captain Phillips.

Na sequência, Whoopi Goldberg faz uma homenagem para The Wizard of Oz, filme de 1939. No palco, Pink canta enquanto cenas projetam momentos marcantes da produção. Bela lembrança e muito bem executada pela cantora que estava em um vestido vermelho decotado e cintilante – bem ao gosto dos sapatinhos de Judy Garland. Ela também foi aplaudida de pé – a plateia está animada hoje.

Na volta do intervalo, Ellen DeGeneres vestida de fada madrinha. Jennifer Garner e Benedict Cumberbatch apresentam a categoria Melhor Design de Produção. E o Oscar foi para… The Great Gatsby. Catherine Martin e Karen Murphy subiram ao palco para receber o prêmio. Depois, Chris Evans surgiu para apresentar um vídeo que relembrou grandes personagens do cinema.

Outro comercial e, na sequência, a homenagem aos falecidos no último ano. Para começar, James Gandolfino, seguido de vários nomes, entre outros Carmen Zapata, Hal Needham, Richard Shepherd, Jim Kelly, Les Blank, Paul Walker, Elmore Leonard, Eduardo Coutinho, Peter O’Toole, Richard Griffiths, Roger Ebert, Shirley Temple Clark, Joan Fontaine, Juanita Moore, Harold Ramis, Eleanor Parker, Ray Dolby, Julie Harris, Maximilian Schell, Gilbert Taylor, Esther Williams, chegando até Philip Seymour Hoffman.

Grandes perdas. E bacana, muito bacana terem incluído o grande Eduardo Coutinho entre os lembrados. Bette Midler fechou a homenagem cantando. E muito, aos 69 anos, com voz e aparência de tirar o chapéu. A plateia bateu palmas de pé, mais uma vez. Justo, muito justo.

Na volta do intervalo, Ellen DeGeneres novamente de preto. Ela brinca que eles estão batendo recorde no Twitter – e Meryl Streep se emociona com a cena. Goldie Hawn apresenta os últimos três indicados a Melhor Filme: Philomena, Captain Phillips e 12 Years a Slave. Destes, sem dúvida o único com chances reais é o filme de Steve McQueen.

John Travolta surge com a música de Pulp Fiction – antes, Harrison Ford apareceu com a trilha de Indiana Jones – para apresentar a última música concorrente da noite: Let It Go, do filme Frozen, apresentada por Idina Menzel. Ainda que bem vestida, para mim foi a atração mais entediante do Oscar. Alguém tem que baixar a adrenalina, não é mesmo? 🙂 Ela me pareceu um tanto alterada… fiquei com medo dela ter um troço no final, mas a plateia levantou novamente. Ai, ai…

Na sequência, Jamie Foxx e Jessica Biel apresentaram os concorrentes da categoria Trilha Sonora Original. Antes, Foxx fez várias gracinhas. E o Oscar foi para… Steven Price por Gravity. Esta categoria estava recheada de excelentes trabalhos. Mais uma vez eu teria ficado em dúvida se daria o Oscar para Gravity ou Her. E daí veio a estatueta para Melhor Canção Original. E ele foi para… Let It Go, de Frozen. Aaaaahhhh, que pena que o U2 não levou essa!

Na volta do intervalo, Ellen DeGeneres passa o chapéu entre os astros para pagar a pizza. A apresentadora embolsa o dinheiro dado por Kevin Spacey e o bastão labial de Lupita. Depois surgem Penélope Cruz e Robert De Niro para apresentarem os indicados na categoria Melhor Roteiro Adaptado. E o Oscar foi para… John Ridley, de 12 Years a Slave. Muito bacana! Mais um sinal de que o filme tem grandes chances de ganhar como Melhor Filme.

her7Depois, o esperado Melhor Roteiro Original. Minha torcida total para Her. E o Oscar foi para… Spike Jonze por Her. Yeesssss. Ufa! Salvou a noite para mim. 🙂 Baita texto o dele. E Jonze foi aplaudido de pé. Ele brinca que tem 42 segundos para falar, por isso ele corre para agradecer aos amigos e familiares. Grande figura e muito merecido!

Depois de mais um intervalo – perdi a conta de quantos tivemos! -, sobem ao palco Angelina Jolie e Sidney Poitier. Os dois, aplaudidíssimos. Jolie começou a fala dela agradecendo ao grande Poitier – antes, ela andou muito devagar para acompanhá-lo. Ele respirou fundo para conseguir seguir com a fala. Os dois apresentaram os indicados na categoria Melhor Diretor.

Emocionante ouvir o Poitier pedindo para os realizadores seguirem com o ótimo trabalho. E o Oscar foi para… Alfonso Cuarón, de Gravity. Grande diretor, e que fez um trabalho exemplar em Gravity. Ainda assim, admito que eu estava torcendo também por Scorsese. Cuarón repete as palavras de Sandra Bullock e diz que o filme foi uma experiência transformadora. Ele dividiu o prêmio com o filho e co-roteirista e com Sandra Bullock. Citou também George Clooney e várias outras pessoas que ajudaram o filme a sair – bacana ele citar Guillermo del Toro.

Na volta seguinte, DeGeneres brinca com Matthew McConaughey sobre ele ter perdido tudo dançando. E sobe ao palco Daniel Day-Lewis para apresentar as indicadas na categoria Melhor Atriz. E o Oscar foi para… Cate Blanchett, de Blue Jasmine. Estatueta cantadíssima, mas ainda assim tinha gente – inclusive eu – esperando por uma possível zebra. Ela subiu ao palco e foi aplaudida de pé. Diz que foi uma honra especial receber o prêmio da mão de Day-Lewis. Generosa, ela cita todas as demais candidatas. Agora, mais que antes, admito que ela mereceu o prêmio – especialmente pela postura que ela teve e tem. E o mais bacana de tudo, ela citar no final a Companhia de Teatro de Sydney. Muito legal!

Caminhando mais firme desta vez, Jennifer Lawrence aparece no palco para apresentar os cinco indicados na categoria Melhor Ator. E o Oscar foi para… Matthew McConaughey, de Dallas Buyers Club. Uau! Que maravilha! Esse ator está na melhor fase da vida. Era o momento de ganhar a estatueta. Foi bem aplaudido e começou agradecendo os votantes da Academia. Em seguida, agradeceu o diretor de Dallas Buyers Club, Jared Leto e Jennifer Garner.

Ele disse que precisa de três coisas todos os dias. Agradeceu a Deus, que dá todas as oportunidades da vida dele, e que a gratidão é recíproca. Depois, falou da família, que é quem ele busca sempre, e citou especialmente a mãe e a esposa. E finalmente ele fala do herói dele, que ele busca sempre, e este herói é ele no futuro. Comentou que ele vai semrpe buscar este herói, ainda que ele nunca se torne um. Discurso interessante e corajoso. Sem ser McConaughey, acho que o Leonardo DiCaprio merecia o prêmio.

DF-02238.CR2Finalizando a noite, Will Smith relembrou os nove indicados deste ano como Melhor Filme. E o Oscar foi para… 12 Years a Slave. Dei o favorito. Sem zebras este ano. Muita celebração na plateia. Brad Pitt foi o primeiro a falar, como produtor do filme. Ele iniciou dizendo que foi um privilégio ter trabalhado no filme, e chamou Steve McQueen para discursar. O diretor agradeceu a Academia e seguiu uma lista de nomes, muitos que foram fundamentais para o filme ser concretizado. Ao agradecer a mãe, mostraram ela no fundo da sala – apesar de estar lá, ela teve a chance de ver o filme levando a estatueta e pulando muito no palco.

E assim se foi mais um Oscar. Neste ano, sem surpresas. Todos os favoritos levaram a sua estatueta. E algumas produções bem indicadas, como American Hustle e The Wolf of Wall Street, saíram de mãos vazias. Francamente? Gostei do resultado final. Claro que gostaria de ver The Wolf com algum Oscar, mas também não dá para dizer que foram feitas injustiças.

Grande vencedor da noite: Gravity com sete estatuetas. Tiveram destaque também 12 Years a Slave, com três estatuetas, e Dallas Buyers Club com três Oscar’s. Para quem não assistiu a premiação, a TNT reexibe a entrega do Oscar nesta segunda-feira, dia 3 de março, pouco depois das 11h. E agora é esperar pela premiação do próximo ano, com a garantia de que ele nos trará muitos filmes bons, a exemplo deste ano. Abraços e até lá!

ADENDO (04/03): Pessoal, para quem não leu o post com as apostas, quando foram divulgados todos os indicados deste ano no Oscar, facilito aqui o link. Mais que ver o que eu acertei ou errei – até porque, na época, faltava ver muitos filmes ainda, o que fui fazendo aos poucos -, acho interessante dar uma olhada por lá porque ali as críticas de todos os filmes que eu assisti até agora estão facilitadas com links nos respectivos nomes. Boa leitura!

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All Is Lost – Até o Fim

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Em condições normais, o ser humano é feito de um material que lhe exige buscar a sobrevivência a todo custo. Quanto mais adversa a situação, mais o indivíduo se desdobra em sobreviver. E algumas vezes, ao invés de gestos desesperados, a sobrevivência significa pequenas atitudes, singelos gestos de inteligência.

All Is Lost é um filme diferente, que exige muita paciência do espectador, mas que trata, exatamente, deste infindável desejo de viver que todos nós temos. Agora, se você ainda não assistiu ao filme, saiba que esta é a história de um homem só, trabalho de um único ator, e que há poucas palavras em jogo. Por isso mesmo, recomendo que você assista ao filme bem desperto(a), preferencialmente na primeira parte do dia – e não no final, quando o sono já pode começar a bater.

A HISTÓRIA: Barulho de água. Seguido da informação de que a história começa a 1.700 milhas náuticas do estreito de Sumatra. No horizonte, apenas mar, até que surge a ponta de contêiner. Uma voz diz que a data é 13 de julho, e a hora, 16h50min. Em seguida, prossegue pedindo desculpas, mas explicando que havia tentado de tudo. Ele fala de seus princípios e tentativas, mas acaba concluindo que não estava certo.

Afirma que tudo estava perdido ali, exceto por seu corpo e alma, e por comida suficiente para metade de um dia. Também afirma que lutou até o fim, ainda que não saiba se valeu a pena. E conclui que sempre esperou mais para todos, e que sentirá falta das pessoas. Daí o filme volta oito dias no tempo, antes daquela declaração, para sabermos o que levou aquele homem (Robert Redford) a escrever aquelas palavras.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a All Is Lost): Este não é um filme fácil, não há dúvidas. Comecei a assisti-lo em um dia, cansada, e depois de 15 minutos eu tive quase certeza que não conseguiria vê-lo até o fim. De fato, não consegui. Deixei os 30 minutos finais para o dia seguinte. E valeu muito a pena ter feito isso.

O melhor de All Is Lost está neta reta final. Mas para você concluir isso, como acontece muitas vezes na nossa própria vida, é preciso ter vivenciado todo o resto. Impressionante pensar que conseguiram um grande astro e o investimento necessário em dinheiro para realizar All Is Lost em Hollywood. Porque este filme é tudo, menos hollywoodiano. Se ele tivesse sido feito por europeus ou russos, seria mais “natural”. O que apenas valoriza ainda mais o trabalho do diretor e roteirista J.C. Chandor.

Talvez o paralelo possa surpreender vocês, mas acho All Is Lost um irmão gêmeo de Gravity (comentado aqui no blog), só que ambientado em outro “universo” (no lugar do espaço sideral, este filme se passa em outra imensidão, a do mar), e a antítese de The Wolf of Wall Street (com crítica neste link). Isso apenas para ficar na comparação de filmes que foram lembrados no Oscar deste ano.

Vejamos melhor estas comparações… All Is Lost trata do desejo infindável da sobrevivência da mesma forma que Gravity. A diferença é a quantidade de ação, de diálogos e de recursos entre uma proposta e a outra. Gravity teve um orçamento aproximado de US$ 100 milhões e investe pesado em inovação tecnológica e efeitos especiais. All Is Lost teria custado cerca de US$ 9 milhões e aposta em recursos espartanos, sem muita inovação – apesar de exigir vários efeitos especiais, ainda que em escala radicalmente menor que Gravity.

No fim das contas, tanto Gravity quanto All Is Lost são estrelados por atores solitários. Tudo bem que Sandra Bullock não fica só o tempo todo – conta com a “companhia” de George Clooney por uma parte considerável do tempo. Ainda assim, o fundamental da história de Gravity se passa na parte solitária da protagonista. All Is Lost é um filme de um único ator, literalmente. Tanto Robert Redford quanto Sandra Bullock se sacrificaram pelos seus papéis e embarcaram em suas respectivas interpretações.

Além disso, os protagonistas dos dois filmes devem enfrentar muitos desafios para tentar sobreviver. Passam, inclusive, por alguns momentos de esperança seguidos de frustração. São testados mais de uma vez. Mas não esmorecem. Em certo momento, parece que vão desistir, mas daí surge uma última chance de viver e eles a abraçam com toda a força que resta. Nos dois casos a história é edificante e carregada de esperança. Apesar de tantas semelhanças, para o meu gosto All Is Lost foi mais emocionante que Gravity – especialmente pelo final de Gravity, um tanto previsível demais enquanto All Is Lost é pura beleza e poesia.

Agora, vejamos a comparação dos extremos: All Is Lost e The Wolf of Wall Street. No caso do primeiro, dá para contar nos dedos as palavras proferidas. Existe quase uma ausência de falas – por pouco All Is Lost não é um filme mudo. The Wolf of Wall Street, por outro lado, apresenta uma verborragia incessante, quase ensurdecedora. Há excesso de diálogos, de palavras. É como se All Is Lost negasse The Wolf e vice-versa.

Sem contar as diferenças de ambiente e de essência. Enquanto em The Wolf sobram recursos, dinheiro e luxúria, em All Is Lost nada disso tem importância. No filme que estamos tratando aqui, a sobrevivência depende de muito pouco. Voltamos para o essencial. Descobrimos, mais uma vez, que precisamos de muito pouco para viver. E mesmo que não tenhamos quase comida ou água, como o que acontece com o personagem de Robert Redford, nos sobra vontade de viver, lembranças para revisitar, esperança para seguir lutando e imaginação para sonhar.

Como bem escreveu o protagonista naquelas linhas iniciais, ainda que quase tudo tivesse terminado, ele ainda tinha o próprio corpo e a alma. Mesmo enfraquecidos, eles estavam ali. Que grande filosofia! E esta é a essência de All Is Lost. Claro que para chegar naquele ponto e no final derradeiro, J.C. Chandor teve que fazer o exercício básico de nos contar como o protagonista chegou naquela carta.

Daí que existem vários momentos de ação, do personagem de Redford lutando contra o acidente que inicia esta história, até o ápice de enfrentar uma grande tempestade. Antes e depois destas cenas, predominam imagens de “vida real” no mar. Descobrimos, quase na prática, como se desenvolve o cotidiano de quem navega sozinho, quais são os recursos que esta pessoa tem disponível e que alternativas ela possui no caso de emergências.

Como eu disse lá no início, esta é uma produção de um único ator. Redford se entregou para o papel, como Sandra Bullock fez em Gravity. Mas em All Is Lost ele está sozinho. A imagem do ator naquela imensidão, revelando toda a sua fraqueza, mortalidade e solidão, é um paralelo interessante sobre a condição humana.

Afinal, não importa onde estejamos ou o que estejamos fazendo, no fundo somos exatamente isso. Seres frágeis, mortais e que passam grande parte da vida sem uma companhia no que isso tem de mais pleno (ou seja, sem a compreensão do outro que seja plena). Quando nos damos conta disso, talvez nos sintamos mais realistas ou, quem sabe, conformados.

Por isso tudo vale vencer o sono que All Is Lost pode nos provocar – especialmente se você tentou assisti-lo no final do dia. Esta é uma produção que trata de alguns dos temas, medos e fortalezas mais caros do ser humano. E não deixa de ser um desafio aprender com um roteiro como este de Chandor.

Digo isso porque, normalmente, queremos ter um contexto para acalmar a nossa curiosidade de saber mais sobre o outro. E no caso do protagonista de All Is Lost, não apenas desconhecemos o passado dele como, depois de acompanhá-lo naquela experiência extenuante, ficamos sem saber o que irá acontecer com ele a partir dali.

A carta que ele escreve e lança no mar sugere que ele tem família, pessoas que ama e que ele teria decepcionado de alguma forma. Mas existe também espaço para interpretar aquela carta como uma mensagem para a humanidade em geral – especialmente porque ele não cita nome algum no texto. Aí a interpretação vai depender do gosto do freguês – ou, neste caso, do espectador. Eis mais uma escolha brilhante de Chandor.

Interessante a coragem dos realizadores de fazer um filme praticamente mudo. Em pouquíssimas ocasiões Robert Redford abre a boca. O que acaba valorizando, ainda mais, quando este gesto é feito. Mais um ponto de reflexão para todos nós que, normalmente, deveríamos nos calar mais e escutar os sons ao redor. O silêncio pode ser mágico e fonte de grande aprendizado. Pena que ele esteja cada vez menos presente no nosso cotidiano.

All Is Lost sabe valorizar aquele silêncio ainda que, no fundo, ele praticamente nunca exista na prática. O filme é recheado por “sons ambientes” (muitas vezes criados para valorizar o que seria o som original) e por uma trilha sonora marcante e fundamental. Mas nada que tire o espaço fundamental dos sons da Natureza que, propositalmente, acaba “falando” alto e dando dinâmica para as cenas.

Apesar de ter tantas qualidades, não dou uma nota maior para All Is Lost porque acho que o filme gasta tempo demais com o passo-a-passo da vida no mar. Para o meu gosto, ele demora tempo demais para embalar. Como eu não tenho um gosto especial por navegação, acho que várias cenas que mostram os aparatos de um iate e as soluções que eles podem trazer poderiam ter sido suprimidas. Talvez sem elas o filme se tornaria mais “digerível” para o grande público, muito acostumado com sequências mais editadas e dinâmicas. Ainda assim, respeito a proposta de Chandor que, evidentemente, era aquela que vemos no filme mesmo.

NOTA: 9.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Há muito tempo eu não via ao ator Robert Redford tão bem. Entregue ao papel e ao projeto, ele dá um banho – sem alusão a trocadilhos. 🙂 Não é nada fácil segurar um filme com pouco mais de uma hora e meia de duração sozinho e convencendo a quem assiste. E com um detalhe importante: sem a “muleta” de diálogos espertos ou de um texto bem escrito. Aqui, Redford tem basicamente a ação de pequenos gestos como recurso cênico. Convencer o público desta forma, só sendo um grande ator. Pena ele não ter sido indicado ao Oscar.

Uma das qualidades marcantes desta produção é a direção de fotografia. Em muitas cenas, especialmente no final, são as belas imagens que embalam os pensamentos do público – que não tem nos diálogos uma válvula de escape. A dupla Frank G. DeMarco e Peter Zuccarini fizeram um belo trabalho em All Is Lost.

Como All Is Lost praticamente não tem diálogos, acaba sendo fundamental o trabalho de “preencher o vazio” feito pelos técnicos de som. Seja na captação de som ambiente ou seja na edição de som posterior, o trabalho destes profissionais acaba sendo vital para a produção. O Departamento de Som do filme contou com 24 profissionais liderados por Steve Boeddeker e Richard Hymns. Um trabalho exemplar. Destaque também para a trilha sonora de Alex Ebert que casa e dialoga perfeitamente com os sons do filme.

Agora, algumas curiosidades sobre a produção: o roteiro inteiro de All Is Lost tem 32 páginas. O que deve ser um recorde de economia no cinema. 🙂 E por falar em recordes, All Is Lost é o primeiro filme que se tem notícia estrelado por um único ator, dirigido e escritor por um único profissional, mas que tem 11 produtores executivos e seis outros produtores.

All Is Lost estreou em maio de 2013 no Festival de Cannes. Depois, o filme participaria de outros 15 festivais. O próximo da lista será o Festival de Cinema de Belgrado que começa amanhã. Nesta trajetória, a produção conquistou três prêmios e foi indicada a outros 21, incluindo a indicação a um Oscar. Entre os prêmios que recebeu está o de Melhor Roteiro Original no Globo de Ouro; Melhor Ator para Robert Redford (e quem mais seria? hehehehe) entregue pelo Prêmio do Círculo de Críticos de Cinema de Nova York; e o terceiro lugar como Melhor Ator para Robert Redford no prêmio da Sociedade Nacional de Críticos de Cinema dos Estados Unidos.

Esta produção teria custado cerca de US$ 9 milhões e arrecadado, apenas nos Estados Unidos, quase US$ 6,3 milhões nas bilheterias. Ainda falta contabilizar o resultado do filme nos outros mercados em que estreou, mas parece que ele terá um pouco de dificuldade para conseguir um grande lucro.

Para quem gosta de saber sobre os locais de gravação dos filmes, All Is Lost foi rodado em diferentes locais de Los Angeles, na Califórnia; nas Bahamas e na Baixa Califórnia, no México.

Os usuários do site IMDb deram a nota 7 para All Is Lost. Os críticos que tiveram os seus textos linkados no Rotten Tomatoes foram mais generosos, dedicando 188 textos positivos e apenas 14 negativos para a produção, o que lhe garante uma aprovação de 93% e uma nota média de 7,9.

Figura interessante este J.C. Chandor. Antes de All Is Lost, ele havia dirigido apenas a um filme: Margin Call. A estreia dele como diretor foi com o curta Despacito. Mesmo com um número tão reduzido de trabalhos, ele já tem sete prêmios no currículo e foi indicado a um Oscar – pelo roteiro de Margin Call. Agora, ele está rodando A Most Violent Year, estrelado por Jessica Chastain e com estreia prevista para 2015. Vale acompanhá-lo.

Este é um filme com produção 100% dos Estados Unidos. Por esta razão, ele engrossa a lista de produções daquele país comentada aqui no blog e que atende a uma votação feita por vocês.

Fazia tempo que eu não encontrava tantos cartazes bons de um mesmo filme. Tive um pouco de dificuldade de escolher qual colocar aqui no blog. Mas acho que fiz uma escolha acertada. De qualquer forma, vale dar uma olhada nas outras opções que existem na rede.

CONCLUSÃO: Inicialmente este filme é recomendado apenas para quem gosta muito de mar e de histórias de busca pela sobrevivência. Ou, pelo menos, para quem não se importa com um desenrolar lento da história, na qual a falta de diálogos predomina. Aqui o que importa é a relação do homem com a Natureza e com o seu próprio significado no mundo. Não sabemos nada sobre a vida do protagonista antes de vê-lo sozinho navegando pelo mundo.

Aqui a contextualização pouco importa. Um filme lento, com grande interpretação de Robert Redford, e que testa a paciência do espectador para levá-lo a outro nível. Um estágio em que os diálogos são supérfluos e em que a contemplação e a reflexão é o que importa. Lindo e exigente, All Is Lost exige que o espectador vença o seu sono – especialmente se você tentar assisti-lo no fim de um dia de trabalho -, mas no fim das contas ele se revela muito válido e interessante pelo diferencial que nos apresenta.

PALPITE PARA O OSCAR 2014: Antes da lista de indicados ser divulgada, alguns apostavam que Robert Redford conseguiria uma indicação como Melhor Ator. Mas ele ficou fora da lista – apesar de merecer. O mesmo aconteceu com Tom Hanks. É que a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, este ano, resolveu encher a bola de American Hustle – e, consequentemente, de seus atores, incluindo Christian Bale, que foi indicado como Melhor Ator.

Para All Is Lost sobrou uma indicação na categoria Melhor Edição de Som. De fato, em um filme praticamente sem falas, a trilha sonora e o som ambiente e criado em estúdio são os elementos fundamentais em cena. Mesmo que você não perceba com exatidão durante o desenrolar da história, mas o trabalho impecável da equipe liderada por Steve Boeddeker e Richard Hymns é essencial para te transportar para o meio da história e provocar o que é um dos objetivos desta produção: a empatia do espectador com o protagonista solitário desta história.

Sem dúvida Boeddeker e Hymns merecem a estatueta. Mas eles tem pela frente uma tarefa inglória: desbancar o trabalho  fantástico que Glenn Freemantle fez com a edição de som de Gravity. Sem dúvida alguma Freemantle é o favorito. Ainda que a concorrência na categoria esteja pesada – a edição de som em Captain Phillips também é ótima, e mesmo sem ter assistido aos demais concorrentes (a saber: Lone Survivor e The Hobbit: The Desolation of Smaug), imagino que o trabalho de todos seja de primeiríssima linha. All Is Lost, desta forma, pode sair de mãos vazias do Oscar. Não seria uma surpresa.