Indicados ao Oscar 2019 – Lista completa e avaliações

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Olá turma!

Coloquem na agenda: nessa próxima terça-feira, dia 22 de janeiro, a partir das 11h20 (horário de Brasília), o mistério sobre todas as produções, astros e estrelas que serão indicados ao prêmio anual da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood chegará ao fim.

Nesse dia, a exemplo dos anos anteriores, a Academia vai anunciar os indicados nas 24 categorias da sua premiação em duas sessões curtas que serão transmitidas pela internet. Às 11h20, serão divulgados os indicados nas categorias Melhor Ator Coadjuvante, Melhor Atriz Coadjuvante, Melhor Figurino, Melhor Edição, Melhor Trilha Sonora, Melhor Curta de Animação, Melhor Curta, Melhor Edição de Som e Melhor Mixagem de Som.

Dez minutos depois, às 11h30, serão divulgados os indicados nas outras categorias. A saber: Melhor Ator, Melhor Atriz, Melhor Animação, Melhor Direção de Fotografia, Melhor Diretor, Melhor Documentário, Melhor Curta Documentário, Melhor Filme em Língua Estrangeira, Melhor Maquiagem e Cabelo, Melhor Filme, Melhores Efeitos Visuais, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Roteiro Original, Melhor Canção Original e Melhor Design de Produção.

Essa foi a ordem das categorias divulgada pela Academia em nota enviada por e-mail para quem cobre a premiação. Mas a ordem de divulgação dos indicados não deve seguir exatamente esta sequência. De qualquer forma, antes do meio-dia de terça-feira, já saberemos quem conseguiu emplacar ou indicação e quem ficou de fora. Os apresentadores do dia, que vão acabar com o mistério sobre os indicados ao Oscar, serão os atores Kumail Nanjiani e Tracee Ellis Ross.

Zebras e “esquecimentos” – alguns chamam de “injustiças” – sempre acontecem. É normal da indústria do cinema. Além disso, nunca vamos conseguir um consenso sobre quem merece ou não chegar ao prêmio máximo de Hollywood. Ainda assim, acho que teremos algumas indicações bastante previsíveis e que seguirão às premiações recentes.

Devem receber um número importante de indicações filmes como Rhapsody Melody, Black Panther, Green Book, Vice, Roma, The Favourite, A Star is Born e BlacKkKlansman. Outras produções buscam o seu lugar ao sol e emplacar as suas indicações. Veremos o quanto as premiações anteriores irão se repetir no Oscar – como eu disse, sempre há uma margem de surpresa que deve ser considerada.

E como vai funcionar a “cobertura” aqui no blog? Como estarei trabalhando naquele horário, vou apenas divulgar, logo depois das categorias terem sido anunciada, a lista dos indicados. Apenas no final da noite, provavelmente, eu vou conseguir atualizar esse blog post com os meus pitacos e opiniões sobre cada categoria. Então é isso.

Vou deixar esse post aqui, inclusive com o link para a transmissão que será feita pela Academia, para que os fanáticos como eu possam acompanhar o evento. E prometo atualizar esse blog post duas ou mais vezes até o final daquele dia. Abraços e até logo mais!

 

Agora sim, vamos aos indicados nas 24 categorias do Oscar 2019:

Melhor Ator Coadjuvante

Avaliação: Quem vinha acompanhando as premiações até os indicados ao Oscar serem anunciados, não viu grande surpresa por aqui. Tenho que ver ainda ao trabalho de Rockwell, de E. Grant e do favoritíssimo nessa categoria, Ali, mas posso dizer que todos são talentosos e devem ter merecido essa indicação. Driver e Elliott são igualmente talentosos e fazem belos trabalhos em seus respectivos filmes, mas o suficiente para serem indicados ao Oscar?

O que estou achando desta premiação é que ela está um tanto “fraca”, ou seja, selecionando grandes nomes em todas as categorias, é claro, mas nem sempre trabalhos realmente excepcionais. Com isso, a meu ver, o Oscar se enfraquece. Portanto, vale olharmos os indicados mas também quem ficou de fora das listas. Pelas premiações até o momento, seria uma zebra se outro nome que não o de Mahershala Ali ganhasse esse prêmio. Francamente, o ator merece, por seu talento e por estar em alta. Mas ainda preciso ver a Green Book.

 

Melhor Atriz Coadjuvante

Avaliação: Nesta categoria, tivemos ao menos uma grande surpresa: Roma emplacando Marina de Tavira. Isso revela a força do filme nesse ano. Vejo também como algo positivo, em relação a Roma e a Cold War, do Oscar estar aceitando melhor a filmes estrangeiros entre os indicados em suas principais categorias. Preciso assistir aos outros filmes indicados, mas as outras indicações eram previsíveis.

Pelas premiações entregues até o momento, Regina King é a favorita para levar este Oscar. Algo interessante é que um filme forte em interpretações, pelo que comentaram até o momento, The Favourite, acabe emplacando dois nomes na disputa e, consequentemente, dividindo os votos. Surpresas sempre podem acontecer, mas se eu tivesse que votar em alguém, votaria em King. Todas as atrizes são ótimas e Tavira faz um ótimo trabalho. Mas acho que King realmente deverá levar a estatueta.

 

Melhor Figurino

Avaliação: Dois filmes de época, um filme baseado em HQ, um faroeste e um resgate de um clássico. Tenho que assistir a 4 dos 5 indicados, mas já adianto que eu torço por Black Panther. Gostaria que o filme ganhasse a várias estatuetas esse ano para mostrar “como se faz” para os filmes do gênero. As produções de HQ podem buscar cada vez mais qualidade, especialmente de narrativa, e Black Panther é um bom exemplo disso.

Sem ter assistido aos demais concorrentes, fica difícil opinar, mas pelo histórico das premiações da Academia, dificilmente filmes de época correm por fora da disputa. Mas os figurinos de Black Panther… são realmente incríveis. Veremos logo mais, mas talvez The Favourite corra na frente dos demais.

 

Melhor Edição

Avaliação: Novamente, tenho que assistir a 4 das 5 produções para realmente opinar. Mas me parece que esqueceram First Man nessa relação – um filme que tem uma edição fantástica e fundamental. Eu também acho que Black Panther poderia fazer parte desta lista. A conferir as demais edições, para saber se todas realmente mereciam estar aí. BlacKkKlansman tem um belo trabalho nesse quesito, mas não sei se digno de estar concorrendo ao Oscar.

No mais, me pareceu que esta lista buscou reforçar a alguns dos favoritos da noite, mas sem, necessariamente, listar os principais filmes em Edição do ano. Como comentei, First Man deveria estar nessa relação.

 

Melhor Trilha Sonora

Avaliação: Muito estranho o filme favorito para levar Melhor Canção Original e uma produção que só está na lista de Melhor Filme por ser um musical não ser indicado em Melhor Trilha Sonora. Sim, me refiro a A Star Is Born. Esse foi um esquecimento, no mínimo, curioso. Black Panther era um dos mais esperados nessa categoria, e considero um dos fortes concorrentes. BlacKkKlansman também merece estar aí, mas os demais… ainda preciso assistir as produções para saber.

De qualquer forma, me parece, Isle of Dogs entrou como concorrente surpresa. Roubando a vaga, quem sabe, de um dos favoritos, A Star Is Born. Apesar de precisar ainda assistir a 3 dos concorrentes, minha torcida inicial vai para Black Panther – pelos mesmos motivos citados mais acima.

 

Melhor Curta de Animação

  • Animal Behaviour
  • Bao
  • Late Afternoon
  • One Small Step
  • Weekends

Avaliação: Segundo as bolsas de apostas antes das indicações ao Oscar saírem, parece que não tivemos nenhuma grande surpresa por aqui. Mas vou assistir aos curtas e/ou trailers deles, publicando um blog post sobre isso, para então realmente opinar sobre os indicados.

 

Melhor Curta

  • Detainment
  • Fauve
  • Marguerite
  • Mother
  • Skin

Avaliação: Idem o comentário da categoria anterior. Como ainda não assisti a esses curtas, vou primeiro fazer isso para poder comentar sobre estas indicações. Produziu um post sobre o tema, como nos anos anteriores. Em breve. 😉

 

Melhor Edição de Som

Avaliação: Aqui sim, assistir a quase todos os indicados. Ufa que, desta vez, não esqueceram a Fist Man. O filme tem um trabalho técnico excepcional em vários quesitos, inclusive em Edição de Som. Para mim, ele é o favorito nesta categoria. Mas não seria também uma surpresa se outros concorrentes conseguissem a estatueta. Esta é uma categoria bastante acirrada, nesse ano, porque tanto Black Panther quanto A Quiet Place tem um trabalho excepcional em Edição de Som.

Roma também é competente neste quesito, mas considero que o filme corre por fora – e entrou aqui mais para “fazer crescer” a candidatura do filme de Cuarón. Acho que os outros concorrentes deste ano são mais fortes. O meu voto iria para First Man, mas considero que a vitória de Black Panther também seria uma boa – ou mesmo A Quiet Place, uma das belas surpresas do ano. Preciso assistir ainda a Bohemian Rhapsody.

 

Melhor Mixagem de Som

Avaliação: Praticamente um repeteco da lista anterior, com a diferença da entrada de A Star Is Born. A lista faz sentido – ainda que Roma, mais uma vez, poderia até ter ficado de fora da relação. Novamente, considero Fist Man o favorito na disputa, mas não seria uma surpresa ver a consagração de Black Panther ou de algum outro. Como na categoria anterior, esta aqui também está com uma disputa acirrada.

 

Melhor Ator

  • Christian Bale (Vice)
  • Bradley Cooper (A Star Is Born)
  • Willem Dafoe (At Eternity’s Gate)
  • Rami Malek (Bohemian Rhapsody)
  • Viggo Mortensen (Green Book)

Avaliação: Aqui, também nenhuma surpresa. Talvez apenas Willem Dafoe emplacando a sua candidatura – já vista em outras premiações – no lugar de Timothée Chalamet. Pelas premiações que vimos até o momento, a disputa parece estar centrada entre Christian Bale e Rami Malek. Dificilmente um deles não vá levar a estatueta.

Claro, surpresas sempre podem acontecer. Caso o Oscar decidir dar muitos prêmios para Green Book, por exemplo, Viggo Mortensen, que é ótimo ator, poderia surpreender. Mas acho isso muito, mas muito difícil mesmo. Bale têm recebido a alguns dos principais prêmios deste ano, mas Malek levou o Globo de Ouro.

Particularmente, eu gostaria de ver muito a Malek, que acompanho desde Mr. Robot, ser premiado. Mas gosto muito de Bale também… então acho que o Oscar indo para qualquer um dos dois, estará em boas mãos. Lembrando que ainda preciso ver a interpretação deles em seus respectivos filmes para realmente opinar. 😉

 

Melhor Atriz

Avaliação: Aqui, uma bela e merecida surpresa: a indicação de Yalitza Aparicio por sua interpretação em Roma. Sem ela, o filme não seria metade do que é. Sem dúvida, uma indicação merecida. As chances dela? Olha, acho que seria uma grande surpresa se ela ganhasse – apenas se o Oscar resolveu realmente consagrar a um filme que não estreou comercialmente nos cinemas, e sim foi lançado em streaming na Netflix.

Pessoalmente, acho isso muito difícil. Acho que a indicação de Aparicio,mais que merecida, já é o seu prêmio. A disputa, me parece, ficará entre Glenn Close e Lady Gaga. Quem merece? Bem, os fãs de Gaga vão dizer que ela, não é mesmo? Ela faz um belo trabalho em A Star Is Born, mas sempre me incomoda quando alguém se sai bem interpretando a si mesma. Assim, prefiro Glenn Close em The Wife – próximo filme que vou comentar por aqui.

The Wife me surpreendeu positivamente, e Glenn Close e Jonathan Pryce são duas das grandes razões – junto com o roteiro – para isso. Ela é uma atriz mais experiente e completa que Lady Gaga, então eu não tenho dúvida para quem deveria ir o prêmio. Ainda assim, claro, a Academia pode querer “surpreender” e consagrar um ícone pop. Olivia Colman é uma atriz fantástica e, me parece, corre por fora na disputa. McCarthy, apesar de ótima atriz, me parece que não tem chances nesse ano.

 

Melhor Animação

  • Incredibles 2
  • Isle of Dogs
  • Mirai
  • Ralph Breaks the Internet
  • Spider-Man: Into the Spider-Verse

Avaliação: Mais uma vez, nenhuma surpresa entre os indicados. Todos já tinham sido muito cotados para esta categoria e, acredito, esta era a lista mais previsível – ou uma das mais – do ano. Não assisti a nenhum dos concorrentes, mas me parece, avaliando as premiações até aqui, que Spider-Man: Into the Spider-Verse é o favorito da noite. Ele pode ser surpreendido por Incredibles 2 ou Isle of Dogs, mas acho difícil isso acontecer.

 

Melhor Direção de Fotografia

Avaliação: Mais um indicado “surpreendente” que conquistou a sua vaga com muitos, muitos méritos. Gostei muito de ver Cold War entre os indicados. O filme tem, realmente, uma Fotografia excepcional. Gostei de ver também ao alemão Never Look Away por aqui. Dos cinco indicados, portanto, temos a três filmes estrangeiros. Isso é um marco para o Oscar e mostra como a Academia começa, realmente, a se abrir para o mundo. Acho isso fundamental.

Bem, não assisti ainda ao filme alemão e nem mesmo a The Favourite. Os outros três na disputa tem fotografias maravilhosas, mas ainda acho Cold War melhor. Ele vai ganhar? Com Roma com tantas indicações e, me parece, com bastante lobby, acho difícil. Acredito que Roma esteja na dianteira nessa categoria. Mas a disputa é forte, então surpresas podem acontecer. Por mérito, acho que deveria levar Cold War. Por lógica, parece que Roma é o favorito. Veremos. Ah sim, e um adendo: pena que First Man não conseguiu a sua vaga. Merecia.

 

Melhor Diretor

Avaliação: Novamente, me alegrei ao ver a tantos estrangeiros entre os indicados como Melhor Diretor. Temos a Pawlikowski – a surpresa da categoria -, a Lanthimos e a Cuarón. Muito bacana! Porque Hollywood é feita de talentos do mundo inteiro, não apenas dos Estados Unidos. Junto com eles, estão os veteranos Lee e McKay.

Pelo andar da carruagem e das premiações, não há dúvidas que Alfonso Cuarón é o favoritíssimo nessa categoria. Dificilmente – para não dizer que será impossível – o prêmio escapa dele. O diretor faz um grande trabalho em Roma, na direção, é verdade. Mas para mim é difícil acreditar que ele receberá um prêmio de Diretor por um estilo de filme que foi consagrado por Federico Fellini – que nunca recebeu um Oscar.

Enfim, destas coisas que a Academia nos apresenta. Particularmente, prefiro o trabalho de Pawel Pawlikowski em Cold War ou até mesmo a consagração de uma filmografia de Spike Lee. Mas, pelo visto, serei “derrotada” neste ano no Oscar nesta categoria. Cuarón, que é um diretor que eu admiro, parece que receberá o seu terceiro Oscar este ano – ok que ele é bom, mas para ter três estatuetas em casa? Não acho que seja para tanto.

 

Melhor Documentário

  • Free Solo
  • Hale County This Morning, This Evening
  • Minding the Gap
  • Of Fathers and Sons
  • RBG

Avaliação: Aqui sim, temos a grande injustiça nos indicados deste ano do Oscar. Acho um absurdo que o documentário Won’t You Be My Neighbor? (comentado aqui) não tenha sido indicado. Não assisti a 4 dos filmes da lista acima, é verdade, mas achei Won’t tão fora da curva, tão bem feito, que acho impossível todos os demais serem melhores que ele. Assisti a RBG, e achei o filme bom, mas não tão bom quanto Won’t.

Dito isso, que o melhor filme do ano no gênero não está na disputa, fica difícil acertar quais dos outros podem levar. Diria que a disputa está mais entre RBG e Minding the Gap. Mas preciso assistir a 4 dos 5 filmes para poder opinar melhor. Free Solo também parece ter chances, enquanto os outros dois correm por fora.

 

Melhor Curta Documentário

  • Black Sheep
  • End Game
  • Lifeboat
  • A Night at The Garden
  • Period. End the Sentence

Avaliação: A exemplo das outras duas categorias envolvendo curtas esse ano, vou preferir falar sobre estes concorrentes quando eu tiver os assistido. Mas vendo a lista, de maneira fria, me parece que os favoritos – ou a maior parte deles – foram indicados nesse ano.

 

Melhor Filme em Língua Estrangeira

  • Capernaum (Líbano)
  • Cold War (Polônia)
  • Never Look Away (Alemanha)
  • Roma (México)
  • Shoplifters (Japão)

Avaliação: Categoria sempre muito disputada, neste ano as vagas em Melhor Filme em Língua Estrangeira realmente parecem ter sido conquistada à fórceps. Eu diria que os quatro primeiros filmes da lista eram mais que esperados nessa lista. A última vaga acabou sendo conquistada por Shoplifters, do Japão, em uma disputa acirrada com Beoning, da Coreia do Sul (com crítica neste link).

Roma vai levar, sobre isso eu não tenho nenhuma dúvida. Basta notar o número de categorias em que o filme conseguiu uma indicação nesse ano. Então sim, aparentemente, esta é a vitória mais fácil da noite. Ele é o melhor filme nesta categoria neste ano? Ainda preciso ver a 3 filmes na disputa, mas não, não acho ele o melhor. Entre ele e Cold War (comentado por aqui), por exemplo, ainda prefiro a Cold War – que me parece uma obra mais densa e rica. Mais completa.

Mas Hollywood tem dessas. Volta e meia eles resolvem consagrar alguém, e este é o caso de Cuarón. Que levará mais algumas estatuetas para casa neste ano.

 

Melhor Maquiagem e Cabelo

  • Border
  • Mary Queen of Scots
  • Vice

Avaliação: Única categoria que se “acostumou” a ter apenas três indicados. Pelo trabalho visto até o momento, acredito que Vice seja o favorito a receber esta estatueta. Mas como não vi a nenhum dos três filmes ainda, este é apenas um palpite ao avaliar a conjuntura. A conferir ainda cada um desses trabalhos.

 

Melhor Filme

Avaliação: Aqui, me parece, quase nenhuma surpresa. Talvez apenas Roma, emplacando não apenas uma indicação como Melhor Filme em Língua Estrangeira mas, também, como Melhor Filme. O filme é tudo isso? Não acho, mas a Academia gosta de consagrar alguns nomes de tempos em tempos – e esse parece ser o ano de Cuarón.

Para mim, um outro filme merecia muito mais do que Roma estar nesta lista: First Man. Mas ok, essa não é a única injustiça deste ano – vide Melhor Documentário. Entre os concorrentes, pelas premiações anteriores, me parece que a disputa ficará entre Green Book e Bohemian Rhapsody. Podemos ter alguma surpresa na noite? Sim, podemos. Até porque esse, me parece, é um dos anos mais fracos de indicados a Melhor Filme.

Dos filmes a lista que eu assisti até o momento, francamente, apenas Black Panther estaria acima da média. Mas nenhum deles realmente me cativou, me surpreendeu ou me fez torcer por alguém. Claro, falta assistir aos demais, mas eu espero que a safra do ano que vem esteja melhor. Esta na hora do Oscar melhorar as suas escolhas – ou do cinema voltar a nos apresentar filmes mais contundentes.

 

Melhores Efeitos Visuais

Avaliação: Sem grandes surpresas por aqui também. Talvez apenas a ausência de Black Panther nesta categoria. Dos filmes indicados, o meu favorito é First Man. Mas vejo que a categoria está bem disputada. Grandes filmes com grandes Efeitos Visuais em disputa. Acho que a disputa estará entre First Man e Avengers.

 

Melhor Roteiro Adaptado

Avaliação: Sem nenhuma grande novidade por aqui também. Essa lista já estava bem “cantada” antes do anúncio da Academia. Ainda assim, devo dizer, acho meio absurdo A Star Is Born ser indicado a Melhor Roteiro Adaptado já que, a meu ver, esse é justamente o principal problema do filme – o seu roteiro. Mas ok, a Academia sempre gosta de destacar alguns filmes a cada ano, e A Star Is Born é um dos filmes escolhidos de 2019.

Não assisti a 3 dos 5 indicados, então fica difícil dizer quem é mais merecedor. Mas pelo que eu tenho ouvido por aí, parece que If Beale Street Could Talk ou Can You Ever Forgive Me? são dos fortíssimos concorrentes. BlacKkKlansman também tem chances, porque achei o roteiro bastante equilibrado. A conferir todos os concorrentes para então opinar. Mas essa categoria me parece um tanto indefinida, sem um grande favorito.

 

Melhor Roteiro Original

Avaliação: Novamente, sem grandes surpresas. Os especialistas e as bolsas de apostas já tinham apontado para esses filmes como os possíveis indicados deste ano. Novamente, não assisti ainda a 3 dos indicados, mas não me surpreenderia que dessem o Oscar para Roma – já que o filme é um dos “queridinhos” da premiação em 2019.

Particularmente, pelo que eu ouvi sobre os filmes até o momento, o meu voto estaria entre Green Book e The Favourite. Caso Green Book se consagre como o Melhor Filme do ano, não seria uma surpresa ele ganhar nesta categoria. Mas acho que a disputa está realmente acirrada. Muitos filmes bons, 4 deles entre os melhores do ano, na disputa. Qualquer um dos quatro – mas talvez com uma dianteira de Green Book e The Favourite – pode levar. First Reformed me parece correr totalmente por fora.

 

Melhor Canção Original

  • All the Stars (Black Panther)
  • I’ll Fight (RBG)
  • The Place Where Lost Things Go (Mary Poppins Returns)
  • Shallow (A Star is Born)
  • When a Cowboy Trades His Spurs for Wing (The Ballad of Buster Scruggs)

Avaliação: Nenhuma surpresa por aqui também. Todas essas canções já estavam bem cotadas e eram as favoritas para conseguir uma vaga no Oscar – em um dos anos com maior disputa para chegar entre os indicados. A grande queda de braço me parece estar entre Shallow e All the Stars, com franco favoritismo para a canção de A Star Is Born.

Francamente, acho que esta é a categoria em que o filme tem maiores chances de ganhar um Oscar. Shallow realmente é uma canção incrível e um dos pontos altos do filme. Por isso eu acho que seria merecido levar. I’ll Fight, apesar de ser muito interessante, aparece apenas nos créditos finais de RBG. All the Stars também é potente e tem relevância em Black Panther, mas não como Shallow em A Star Is Born. Se a música de Gaga não levar, será uma grande surpresa. O que sabemos é que teremos grandes apresentações musicais na noite da premiação.

 

Melhor Design de Produção

Avaliação: Grandes trabalhos entre os indicados nesse ano. Sem grandes surpresas – talvez apenas Roma com força para chegar em mais esta categoria. Entre os indicados, a escolha é difícil. Eu ficaria, provavelmente, entre Black Panther e First Man. Quem tem chances reais? Acredito que Black Panther seja o favorito, mas como Roma está forte este ano… não seria uma surpresa se ele se desse melhor.

Não assisti ainda a The Favourite e a Mary Poppins Returns, mas me parece que o Design de Produção é um dos pontos fortes dos dois filmes. Ou seja, uma categoria bem difícil e disputada. Na dianteira, me parece que está Black Panther. Torço por ele.

 

Bem, as avaliações sobre cada categoria, como comentei antes, farei apenas no final do dia. Mas posso já comentar alguns pontos que me chamaram a atenção. Além de percebermos um certo favoritismo de Roma e um reconhecimento bacana de Black Panther, percebo um Oscar muito mais aberto para os estrangeiros. Isso se nota em várias indicações para produções fora de Hollywood em várias categorias, com destaque para Melhor Diretor.

Algo muito, muito bacana. Realmente a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood está mudando.

ATUALIZAÇÃO (08/02): Olá pessoal! Sei que demorei bastante para atualizar esse post, mas saí alguns dias de férias e estive em uma viagem, então não consegui parar antes para atualizar o blog. Peço desculpas por isso. Mas agora estou voltando à ativa por aqui. Em breve, novas críticas de filmes que estão entre os mais indicados ao Oscar. Ainda não sei se conseguirei fazer a cobertura dos premiados desse ano, como nos anos anteriores, porque estarei bem enrolada na noite do dia 24. Mas, mais cedo ou mais tarde, comentarei sobre a premiação por aqui. Abraços!

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RBG

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Certa vez, alguém disse que o Papa era pop. Mas quem diria que uma juíza da Suprema Corte dos Estados Unidos poderia ser pop? RBG traz essa novidade para quem vive fora dos Estados Unidos – porque quem vive lá, certamente, sabe que a juíza é pop. Através desse documentário, que faz parte da “lista curta” de produções pré-indicadas ao Oscar de Melhor Documentário – saberemos se ele chegará na lista de finalistas na próxima terça-feira -, conheci a história da juíza Ruth Bader Ginsburg. Um documentário muito interessante para quem gosta de Direito, da luta por igualdade de direitos e para quem precisa entender que em diversas partes do mundo dividimos problemas semelhantes – inclusive com tribunais superiores que “sofrem” com distintos vieses políticos.

A HISTÓRIA: Começa com diversas cenas de Washington, capital dos Estados Unidos. Em seguida, diversas pessoas começam a criticar uma mulher, chamando de “bruxa”, de uma pessoa que não tem respeito à Constituição ou aos costumes americanos. Outro afirma que ela é uma “verdadeira desgraça para a Suprema Corte”. São diversos os xingamentos, que incluem “antiamericana” e “zumbi”. Todos endereçados para Ruth Bader Ginsburg. Mas afinal, quem é essa mulher? Após as opiniões mais que críticas à ela, Ruth Bader Ginsburg começa a sua fala citando alguém que ela admira, e que diz: “Não peço nenhum favor ao meu sexo. Tudo o que eu peço aos meus irmãos é que deixem de oprimir-nos”. Essa é a história sobre essa juíza que virou ícone pop nos EUA.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso só recomendo que continue a ler quem já assistiu a RBG): Esse filme, dirigido por Julie Cohen e Betsy West, cai como uma luva para um tempo em que muitos valores voltaram a ser discutidos. No mundo, como bem previu o grande Zygmunt Baumann, vivemos um novo ciclo de “conservadorismo”, das pessoas preferindo abrir mão da liberdade conquistada para voltarem a ter mais “segurança”.

Nesse cenário, em que diversos avanços sociais voltam ao debate e em que, na visão de alguns, estamos tendo alguns retrocessos na defesa dos direitos humanos e da igualdade entre as pessoas, RBG aparece como um filme necessário. Primeiramente, para mostrar para as novas gerações de americanos – em especial, mas não apenas para eles -, quem é esse ícone pop inusitado que virou meme nas redes sociais. Como uma juíza da Suprema Corte dos Estados Unidos caiu tão bem no gosto popular e “viralizou”?

RBG nos conta essa história. E é uma história importante de ser contada, porque em 2019 não parece que, há algumas décadas atrás, tivéssemos uma compreensão equivocada sobre tantos fatos. Parece incrível, mas há apenas 40 anos milhares de mulheres em diversos lugares do mundo estavam pedindo por mais direitos. As manifestações nas ruas foram importantíssimas, mas pessoas como Ruth Bader Ginsburg foram fundamentais ao levar toda aquela discussão e comoção popular para dentro dos tribunais.

Afinal, não era necessário apenas mudar a compreensão da sociedade sobre o que é termos um coletivo justo e igualitário, para homens e mulheres, mas, sobretudo, mudar o marco legal que permitia que injustiças acontecessem. Nesse sentido, RBG é um filme interessante e fundamental. Pessoalmente, para mim, que sempre amei o Direito e o debate jurídico, o marco legal que acaba guiando as nossas sociedades, esse filme é especialmente interessante.

Não lembro de outro documentário que eu tenha visto e que aborde uma pessoa que ajudou a mudar, pouco a pouco, leis injustas em um país. Então, apenas por isso, essa produção já é diferenciada. Além de apresentar uma história interessante que envolve o Direito, RBG tenta se aprofundar na história de uma mulher incrível, que a sua maneira – bastante discreta, mas firme e obstinada – e com muito trabalho contribui para mudar uma sociedade.

Admiro muito, muito mesmo todas as mulheres da geração de Ruth Bader Ginsburg – ou que vieram um pouco antes ou um pouco depois do que ela – e que, de forma corajosa, ajudaram a mudar a nossa sociedade, empoderando as mulheres e mostrando que o sexo feminino não é “menor”. Acho que o trabalho das diretoras Cohen e West fazem um resgate importante da trajetória de Ginsburg, contando um pouco da sua origem, dos seus estudos e do apoio decisivo que ela recebeu do marido, Martin D. Ginsburg.

Por muito tempo, se disse que “por trás de um grande homem, sempre existe uma grande mulher”. Um grande homem ou uma grande mulher podem “se fazer” sem o apoio de uma outra pessoa – ao menos de um parceiro ou parceira mas, certamente, sempre vão precisar do apoio de outras pessoas. Mas RBG nos mostra que uma grande mulher pode se fazer tendo um grande homem “por trás”. Na verdade, nunca acho que o homem ou a mulher estão um atrás do outro, enquanto visão de um ser mais importante que o outro, mas um casal deve sim se apoiar e, através desse apoio, ajudarem-se mutuamente a fazerem a diferença nas suas respectivas realidades.

RBG é um filme do estilo homenagem. Ou seja, ele não chega a ignorar as críticas que são feitas para a pessoa retratada, mas, certamente, as diretoras focam a sua narrativa e o seu trabalho em construir uma “heroína” chamada Ruth Bader Ginsburg. De fato, ela é uma mulher admirável, por tudo que fez e que continua fazendo. Mas acho que o filme poderia montar um perfil um pouco mais aprofundado sobre ela, seja com entrevistas mais densas com a própria retratada, seja com as pessoas que conviveram com ela.

Por que, por exemplo, não são entrevistadas as pessoas que “combateram” (ou seguem combatendo) Ginsburg? Desta forma, talvez, teríamos um perfil um pouco mais completo. Outro documentário no estilo biografia que está buscando a estatueta dourada do Oscar, Won’t You Be My Neighbor? (com crítica neste link), me parece ter mais sucesso nessa busca por um perfil aprofundado do “homenageado”.

Não apenas nos aprofundamos mais no fenômeno de Fred Rogers, como também conhecemos mais sobre as críticas feitas à ele e sobre a sua filosofia de vida. Temos em RBG, acredito que na parte alta do filme, alguns trechos de argumentações e de defesas de causas feitas por Ginsburg. Mas senti falta de ter mais opiniões dela sobre o seu estilo, sobre os seus valores e, até, sobre a sua vida pessoal. Ginsburg fala de alguns pontos, mas ela fala menos do que seria realmente interessante para um perfil mais completo.

Por tratar sobre a evolução de questões importantes para a sociedade e sobre como guinadas recentes “à direita” podem nos levar a retrocessos; por tratar sobre a busca por mais igualdade na sociedade – entre homens e mulheres, negros e brancos, heterossexuais e homossexuais e um longo etcétera; por resgatar a história de um mulher discreta, inteligente, à frente do seu tempo e que sempre defendeu valores fundamentais; e por nos lembrar que é sempre possível defender o que é certo, mesmo quando a maioria está defendendo o que é errado, RBG vale 1h30 do nosso tempo.

Quem dera que mais pessoas como Ruth Bader Ginsburg “viralizasse”. Quem dera que mais Ginsburg virasse “meme” e se transformasse em ícone pop. Pessoas como ela, que defendem valores importantes, que continuam trabalhando enquanto o corpo lhes permitir, porque acreditam em um ideal, deveriam ser realmente os ícones da nossa sociedade. Isso se quiséssemos avançar, é claro. Mas cada sociedade é fruto do que deseja e do que acredita importante. Infelizmente, em diversas partes do mundo, muitas pessoas estão em fase de idiotização e, neste processo, transformando as nossas sociedades em locais mais duros para se viver.

Diante deste cenário, apesar de RBG não ser tão complexo ou completo quanto poderia ser, ele se torna um filme importante. Espero, honestamente, que mais documentários nos lembrem de causas importantes e de histórias inspiradores. Acredito que todos nós estamos precisando delas. Ah sim, e outro aspecto que achei interessante deste filme: como não é apenas no Brasil em que o Supremo Tribunal Federal se dividi entre juízes mais ou menos conservadores, mais ou menos liberais. Isso acontece nos Estados Unidos e, acredito, em todos os países que funcionam sob esse regime.

Essa é uma outra questão levantada pelo filme que me pareceu muito interessante. Ainda que os juízes devem basear-se na legislação nacional – ou local -, eles são indivíduos, formados por ideias e valores. Como a lei não é formada de letras incontestáveis, os juízes tem a função de interpretar esta lei. Eles devem ser isentos? RBG e a realidade nos mostram que essa isenção não existe.

Eles podem – e devem – tentar ser justos, mas eles sempre terão a interpretação da lei influenciada por suas visões de mundo. E isso acontece com os jornalistas e com qualquer outra profissão, por mais que alguns tentem defender a isenção. Na prática, ela não existe. Isso se aplica também à todo e qualquer texto aqui no blog. Posso tentar ser justa com os filmes mas, no fim das contas, a minha leitura sobre qualquer produção estará influenciada por minha história, por meus valores e crenças. Quem nega isso, essa influência, na sua própria vida e decisões cotidianas, está negando a realidade. E tenho dito! 😉

NOTA: 8,5.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Eu acho impressionante, de verdade, pessoas que passam dos 80 anos de idade e que continuam trabalhando. Eu não tenho metade desta idade ainda e gostaria, honestamente, de levar uma vida mais tranquila, sem tanto trabalho e uma rotina mais de “aposentada” – que, para mim, é sinônimo de você fazer apenas o que você deseja. Então acho impressionante a história de Ruth Bader Ginsburg e de outros que parecem amar tanto o trabalho e/ou a “missão” que eles acreditam que o trabalho tem para eles e seguem atuando no mercado mesmo muito depois do que seria o seu direito de se aposentar. Admirável e surpreendente, ao mesmo tempo.

Para mim, a melhor parte de RBG é quando o filme resgata os casos importante na trajetória de Ginsburg. Como amo o Direito e o que ele prevê, achei o resgate dessas histórias o ponto alto da produção. Assim, RBG parece nos vender a ideia que o que realmente interessa em Ginsburg é o seu trabalho – a sua vida pessoal está em segundo plano. Sim, ainda que ela focou grande parte da vida no trabalho, eu acho que o filme poderia tentar explorar outros aspectos das opiniões, dos valores e dos sentimentos da retratada. Senti falta disso.

As diretoras Julia Cohen e Betsy West utilizam recursos interessantes para contar a história de Ginsburg. Muitos deles, clássicos para documentários, como entrevistas com pessoas que conheceram a retratada e, inclusive, vídeos e depoimentos exclusivos para o filme da própria biografada. Elas também resgatam áudios de audiências e reproduzem reportagens, fotos e vídeos relacionados com a narrativa. Só senti falta delas entrevistarem mais pessoas, inclusive críticos da biografada, assim como aprofundar nas entrevistas com Ginsburg. Se tivessem feito isso, talvez teríamos um perfil mais completo dela.

A pessoa mais interessante que aparece em cena, sem dúvida alguma, é a própria Ginsburg, uma mulher que, após os 80 anos de idade, segue na ativa. RBG resgata a sua trajetória através de fotos e filmagens antigas, assim como pela reprodução de áudios de sessões na Suprema Corte e depoimentos de familiares – dos dois filhos e de uma neta -, amigos antigos e colegas de profissão. Entre outros nomes, temos a aparição de pessoas muito conhecidas, como Bill Clinton, o presidente que a indicou para a majoritariamente masculina Suprema Corte. Bacana, ao resgatar a casos antigos da juíza, quando ela ainda era advogada, foi o fato das diretoras trazerem os “requerentes” à cena novamente. Bacana ouvir as suas histórias de forma direta.

Entre os aspectos técnicos do filme, vale comentar a trilha sonora de Miriam Cutler; a direção de fotografia de Claudia Raschke e a edição de Carla Gutierrez. Repararam em algo? Sim, na predominância de mulheres nessa produção. Achei isso muito interessante. Por que mais produções não buscam ao menos um equilíbrio entre profissionais dos dois sexos? É possível, sem dúvida. Basta o interesse dos envolvidos.

RBG estreou em janeiro de 2018 no Festival de Cinema de Sundance. Depois, o filme participaria, ainda, de 19 festivais de cinema em diversos países. Na sua trajetória, o documentário ganhou nove prêmios e foi indicado a outros 36, inclusive uma indicação ao BAFTA. Entre os prêmios que recebeu, destaque para o prêmio de Melhor Documentário segundo o National Board of Review e para os prêmios de Melhor Documentário Político e Melhor Documentário sobre uma Pessoa Viva dados pelo Critic’s Choice Documentary Awards.

Agora, uma curiosidade sobre esta produção: As diretoras Julie Cohen e Betsy West já tinham trabalhado em alguns projetos que incluíam Ginsburg até que, em 2015, elas decidiram fazer um documentário focado exclusivamente na juíza. Em 2016, as diretoras acompanharam Ginsburg em diversos eventos, reuniões e discursos em que ela participou, incluindo eventos nas cidades de Chicago e Washington. No total, as diretoras tinham 20 horas de filmagens para trabalhar. A entrevista com Ginsburg feita “cara a cara” foi realizada em 2017.

Os usuários do site IMDb deram a nota 7,6 para esta produção, enquanto que os críticos que tem os seus textos linkados no site Rotten Tomatoes dedicaram 145 críticas positivas e oito negativas para RBG – o que lhe garante uma aprovação de 95% e uma nota média de 7,5. O site Metacritic apresenta o “metascore” 71 para esse documentário, fruto de 28 críticas positivas, três medianas e uma negativa.

De acordo com o site Box Office Mojo, RBG faturou US$ 14 milhões nas bilheterias americanas. Para um documentário, esse resultado pode ser considerado excelente. Com certeza, por ser um “ícone pop” nos Estados Unidos, Ginsburg atraiu muitas pessoas para o cinema para conhecer um pouco mais sobre a sua história. Interessante.

Eu não sei se o Supremo Tribunal Federal permite “votos dissidentes” registrados como tal, como RBG mostra que acontece nos Estados Unidos, mas isso seria algo interessante de ser feito por aqui também. Ficar registrado, em algumas decisões, as opiniões contrárias e bem argumentadas de alguns juízes.

RBG é uma produção 100% dos Estados Unidos, por isso o filme vai fazer parte da lista de produções que atendem a uma votação feita há tempos aqui no blog. Mais um para a lista. 😉

CONCLUSÃO: Não importa se a maioria está defendendo algo errado e se o seu voto sempre é vencido. O importante é que você está defendendo o que é certo e deve ter o direito de verbalizar isso. Essa é uma das principais mensagens que RBG passa. Um filme sobre uma personagem muito interessante. Bem conduzida e interessante, essa produção só peca um pouco por investir mais na “curiosidade” sobre a personagem do que no aprofundamento sobre ela. Senti falta de ouvir mais opiniões da magistrada ou mesmo depoimentos de pessoas que esboçassem um retrato mais rico dela. Ainda assim, é um filme interessante pelas mensagens que ele passa. Vale ser visto e compartilhado, especialmente porque a mulher retratada é um grande exemplo, de fato.

PALPITES PARA O OSCAR 2019: Difícil fazer um prognóstico da categoria Melhor Documentário para a premiação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood deste ano. Especialmente porque tenho muitos títulos para conferir ainda. Ainda assim, considerando que a Academia gosta de ter a sua presença “política” nos Estados Unidos, não seria nenhuma surpresa que um filme como RBG fosse indicado ao prêmio.

Agora, ele tem chance de ganhar? Se a Academia estiver em um ano de crítica maior, digamos assim, ao cenário político americano, certamente. O filme é bom o suficiente para levar um Oscar? Não acho. Acho sim que RBG é um filme importante por resgatar uma história inspiradora e por nos mostrar, em perspectiva, como podemos avançar ou retroceder enquanto sociedade. Mas acho que como produção cinematográfica, RBG poderia ser melhor.

Assisti, como vocês sabem, a apenas dois documentários desta temporada – além de RBG, assisti a Won’t You Be My Neighbor? (comentado por aqui). Francamente, achei o filme sobre Fred Rogers muito mais bem acabado, completo, envolvente e emocionante. Entre os dois, o meu voto iria para Won’t You Be My Neighbor?, sem dúvidas. Mas, claro, eu ainda preciso assistir a outras produções que estão na disputa para realmente poder opinar. Sigamos em frente, portanto! 😉