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Namsanui Bujangdeul – The Man Standing Next


Sabemos que a Coreia do Norte é aquele “barril de pólvora” e um país muito mais instável que a vizinha Coreia do Sul. O que não sabemos – ao menos não aqueles que não estudam a história da Coreia por alguma razão – é que a Coreia do Sul também tem um passado lamentável e tenebroso. Vejam só, que não foi apenas o Brasil e a maioria dos países da América Latina que passaram por golpes militares na segunda metade do século XX. The Man Standing Next nos conta o final de uma destas ditaduras na Coreia do Sul e o início de um outro regime de exceção – porque muitas vezes as figuras mudam, mas não toda a intricada rede de interesses e de poder que lhes permitiu chegar lá.

A HISTÓRIA

Começa afirmando que o filme retrata os últimos 40 dias do presidente Park Chung-hee, até o dia 26 de outubro de 1979. A produção avisa que, embora se baseie no relato dos chefes da KCIA, publicado ao longo de 26 meses no jornal Dong-A Ilbo, em 1990, os realizadores tomaram certa “liberdade criativa” para promover algumas alterações na história.

Depois desta explicação, em texto, o filme começa com a imagem de carros chegando na residência secreta presidencial no final da tarde do dia 26 de outubro de 1979. Um segurança afirma que identificou um carro oficial e outros dois veículos. Kim Kyu-Pyeong (Lee Byung-Hun) chega, fala com dois agentes da KCIA, e comenta que quando a nação enlouquece, todos morrem. Daí pede para eles se prepararem e afirma que o presidente morrerá naquela noite.

VOLTANDO À CRÍTICA

(SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes deste filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a The Man Standing Next): Algo que chama a atenção neste filme, logo no início, é dele buscar nos apresentar um capítulo da história da Coreia do Sul pouco conhecido.

Claro que os coreanos que conhecem a sua história sabem que fim o presidente Park (interpretado por Sung-min Lee) teve. Mas todos sabem os bastidores do que aconteceu? E as motivações de quem participou daquele novo golpe? Verdade que o filme explica que a narrativa é inspirada no relato da CIA coreana que veio à público em 1990. Mas, mesmo assim, será que todos os coreanos souberam destes bastidores.

Nós, que estamos a milhares de quilômetros do país asiático, não sabíamos desta história – a exceção a essa regra é alguém que realmente se interessa pela Coreia do Sul e que conhece bem a sua história. Então, apenas pelo resgate histórico de um capítulo interessante do passado da Coreia, este The Man Standing Next já apresenta uma narrativa que chama a atenção. Mas o filme é muito mais do que isso.

(SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Para mim, esta produção se destaca por trabalhar duas questões que interessam não apenas para os coreanos, mas para todos que já tiveram um golpe militar e um governo de exceção na sua história. A primeira questão relevante é o que de fato acontece após o golpe, com as “motivações” que fizeram com que um regime fosse derrubado à força por outro. Todos “golpistas” estão cheios de “boas intenções” (ou dizem estar, ao menos), mas algo que se comprova conforme os dias passam é que as boas intenções nunca se concretizam. Elas são apenas usadas para matar, prender, calar quem não concorda, tirar os “dissidentes” do caminho.

Mas pouco resta das tais boas intenções. Outro filme que mostra bem isso é First They Killed My Father: A Daughter of Cambodia Remembers, comentado aqui no blog e que é dirigido por Angelina Jolie. A segunda questão que é abordada muito bem por esta nova produção coreana é como um agente importante da mudança pode ter diversas motivações – ou seja, que o “herói” da história tem algumas ações e atitudes dúbias. Aliás, o filme deixa algumas questões sugeridas, mas não totalmente claras ou “fechadas”.

Este, para mim, é o maior acerto do filme dirigido e escrito por Min-ho Woo, que escreveu este roteiro junto com Ji-min Lee. Vejamos (SPOILER – não leia… bem, você já sabe). Conforme a história do filme avança, acompanhamos Kim Kyu-Pyeong, líder da KCIA, em um papel complicado de ser leal ao presidente Park e à revolução que ele ajudou a ser concretizada quando as atitudes do presidente parecem não corresponder mais ao que eles desejavam quando deram o golpe de Estado. Mas será que Kim realmente matou o presidente apenas porque ele estava “traindo à revolução” e indo “contra o povo”?

Em mais de uma ocasião o filme questiona este “patriotismo” e as boas intenções de Kim. A cena do helicóptero, quando Kim é deixado sozinho, é mais evidente na busca por simbolizar que ele estava se sentindo preterido por Kwak Sang-Cheon (Hee-joon Lee). Aquela sequência me pareceu um tanto forçada, inclusive, mas foi uma forma do diretor deixar muito evidente o que ele quis mostrar sobre esta “subjugação” que Kwak conseguia em relação a Kim.

Mas, para mim, o fato que deixa mais evidente esta disputa de poder interna e a preocupação de Kim em ser o próximo na linha de sucessão do presidente é a atitude que ele tem em relação ao ex-colega de KCIA Park Yong-gak (Do-won Kwak). (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Afinal, o que justifica Kim ter passado na frente de Kwak para garantir a morte do ex-líder da KCIA? Ainda mais eles sendo “amigos”? A única explicação para isso era ele querer reconquistar a preferência do presidente e se colocar na frente de Kwak na linha de sucessão.

Mas então, se esta era a motivação de Kim, ele não estava apenas pensando na “nação” e no “povo” quando resolveu matar o presidente. Ele tinha também motivações pessoais. Afinal, estava prestes a ser descartado, tirado do baralho. Antes de ser morto, ele preferiu matar. E ao fazer isso, ele achou que poderia realmente, quem sabe, assumir o poder.

Neste sentido, The Man Standing Next nos mostra como a briga por poder em estados absolutistas como o de um regime militar após um golpe de Estado está acima do interesse público. Verdade que mesmo na democracia temos estes elementos, de briga por poder, pessoas puxando o tapete de outras, etc., mas no final do processo, não importa a briga de bastidores, é o voto popular que decide quem assumirá o poder. Em regimes ditatoriais é a corrupção e a briga por poder com outros elementos, inclusive espionagem e contraespionagem, assassinatos encomendados, entre outros elementos, que decide a disputa.

Dito isso, claro, não quero dizer que Kim não tinha também uma legítima preocupação com o país, o povo que seria massacrado e as intenções que fizeram eles darem o golpe de Estado. Mas não foi apenas isso que o motivou. Assim como é evidente que o presidente Park não era apenas manipulado por Kwak. Ele tinha o sujeito corrupto e belicoso como braço direito porque precisava de uma figura com aquela postura ao seu lado.

Esta é outra questão que The Man Standing Next deixa subentendida e que vale ouro. Nenhum líder, ainda mais estando 18 anos no poder, é tão manipulado quanto algumas vezes Kim quer acreditar. O problema não é Kwak sozinho, mas ele estar na posição em que está e ter o espaço que tem porque o presidente do país assim o deseja. Não nos enganemos. Alguém só ganha espaço e voz em um governo porque quem o colocou lá considera aquela pessoa útil para os seus propósitos.

Então voltamos para o primeiro ponto de destaque do filme, como comentei antes. Afinal, por que Kim, Park e os demais provocaram uma “revolução” (leia-se deram um golpe de Estado)? Quando fizeram isso, em 1961, certamente eles estavam “revestidos” de boas intenções, mas o golpe em si e o fato de não terem promovido eleições gerais logo que possível, a exemplo do que aconteceu com o golpe militar no Brasil em 1964, já mostram que estas intenções eram para inglês ver.

Por mais “bem intencionados” e “patriotas” alguns possam se declarar, quem rompe com a vontade popular e se coloca no poder sem sair dele por um longo período de tempo é corrupto, autoritário e certamente está mais preocupado em se manter no poder e ter um grande benefício financeiro no período do que realmente em trabalhar pela população.

The Man Standing Next trata disso e da intricada rede de interesses que ronda um regime autoritário. Quem diria que uma agência similar à CIA, mas made in Coreia do Sul, poderia ser espionada por uma organização paralela e interna? Kim era espionado, é verdade, mas este filme não deixa claro se realmente Kwak seria o líder desta “organização” paralela e que seguia os interesses do presidente do país. Tudo indica que sim, mas poderia ser outra pessoa também.

Outro ponto que o filme não deixa claro, apenas subentendido, é se tudo que Park conta para Kim realmente era verdade. Tudo indica que sim. Primeiro, porque, de fato, Kim era investigado por alguma organização paralela – se até o chefão da KCIA é grampeado, quem poderá escapar desta “contraespionagem”? Depois, na reta final da produção, o chefe do Exército que abre o cofre do presidente encontra, por lá, além de uma pequena fortuna em moeda estrangeira, notadamente dólares, informações sobre contas bancárias na Suíça – o que comprovaria o desvio de dinheiro que havia sido comentado por Park.

O presidente Park tinha uma obsessão por dinheiro e em acusar seus ex-aliados de estarem roubando dinheiro “dele” – do país, diga-se. Ora, geralmente quem tem uma obsessão tão grande por algo é porque faz exatamente aquilo. Então sim, tudo indica que o presidente Park utiliza a sua posição para manter contas bem recheadas fora do país, sendo mais um corrupto que ele provavelmente tinha prometido combater.

The Man Standing Next começa com algumas informações históricas e termina com elas. Neste sentido, achei interessante os roteiristas Min-ho Woo e Ji-min Lee terminarem o filme com alguns depoimentos sobre o ato de Kim. Ele foi acusado de matar o presidente por interesse próprio, achando que assumiria o poder, mas ele se defende disso. A acusação, como o filme sugere, tem certo fundamento – afinal, claramente Kim tinha preocupação sem ser o braço direito do presidente e o seguinte na linha de sucessão do governo.

Claro que o filme apresenta outros argumentos além desta justificativa “oficial” – que, certamente, foi defendida pelo governo em 1979. Claro que um governo ditatorial jamais vai admitir que o presidente era corrupto ou que estava errando no comando do país. Foi mais fácil julgar e condenar Kim e afirmar que ele tinha apenas motivações pessoais para fazer o que fez. Neste sentido, este filme mostra um capítulo da história do país conturbado e com bastidores com diversos elementos.

Sempre importante a realização de produções que contam capítulos da história de forma mais ampla e contextualizada, nos fazendo refletir sobre os bastidores do poder e sobre os interesses envolvidos neste contexto. Neste sentido, The Man Standing Next se revela interessante por tratar de um episódio da história da Coreia do Sul pouco conhecido.

Sobre a narrativa do filme, ele segue uma linha um tanto “tradicional” e conhecida de filmes que abordam governos, geopolítica e espionagem. Além dos fatos históricos que abrem e fecham a narrativa, temos o começo da produção focado no momento-chave da história, quando Kim afirma que o presidente logo estará morto, e depois retrocedemos na história para 40 dias antes deste fato.

Foi uma boa escolha dos roteiristas esta linha de narrativa. Afinal, sempre funciona apresentar para o espectador o momento máximo de tensão do filme para, depois, explicar em um longo flashback os fatos decisivos que levaram Kim a ter aquela atitude de atentar contra o governo do seu país. Os 40 dias foram decisivos porque eles marcam o depoimento de Park no Congresso americano na investigação que foi chamada de Koreagate – quando o governo americano investigou o pagamento de propina para políticos americanos apoiarem o governo coreano.

A partir daquele ponto, o filme vai costurando os personagens centrais da trama e os fatos que se sucederam após a denúncia de Park no Congresso. Ele acusa o presidente pela corrupção e escreve um livro em que conta os bastidores do governo de Park, o que acaba desencadeando uma série de fatos que culminam no ataque feito em Paris – principal elemento que contradiz as “boas intenções” de Kim -, na insatisfação popular crescente na Coreia do Sul e no desfecho desta história.

Por tudo que comentei antes, considero que The Man Standing Next funciona bem, com uma narrativa envolvente e que segue algumas fórmulas já conhecidas. Mesmo o filme não inovando, ele nos apresenta uma história pouco conhecida da Coreia do Sul, o que, por si só, já revela o interesse natural desta produção.

Sei que estamos acostumados, nos últimos anos, a assistir filmes “diferentões”, inovadores e corajosos da Coreia do Sul. A narrativa tradicional de The Man Standing Next nos faz acreditar que não temos aqui um filme deste estilo. Na narrativa, de fato, não. Mas na história, sim. Afinal, temos muito o que descobrir ainda da história asiática. Diferente dos europeus, que parecem mais propensos a revisitar o próprio passado de forma crítica, me parece que os países asiáticos tem, historicamente, uma propensão menor para isso. Quem sabe esta produção não incentive outros realizadores a nos apresentarem filmes do gênero? Seria bom para eles e para todos os amantes do cinema.

NOTA

9.

OBS DE PÉ DE PÁGINA

Interessante como desconhecemos a história de diversos países relevantes mundo afora. Falo por mim, ao menos. The Man Standing Next despertou a minha curiosidade para saber um pouco mais sobre a Coreia do Sul. Sempre soube que o país é um dos que mais investe em educação e que tem uma economia avançada. Sempre soube também que ele vive “de olho” e com receio do vizinho ditatorial e comunista Coreia do Norte. Mas eu não sabia muito além disso.

Para quem se interessar por saber mais sobre o país, depois de assistir a esse filme, o artigo da Wikipédia sobre a Coreia do Sul pode ser uma introdução eficaz. O que mais me chamou a atenção, do artigo, é saber que a Coreia do Sul é um país independente há pouco mais de 100 anos – em 1919 ele deixou de ser parte do Japão – e que o país foi dividido entre União Soviética (Norte) e Estados Unidos (Sul) após a Segunda Guerra Mundial. A constituição do país é de 1948, e houve muita confusão política e troca de poder até que em 1960 “um movimento estudantil e trabalhista” levou à renúncia do presidente Syngman Rhee. A fase foi de instabilidade e trocas de poder até que Park Chung-hee desse o golpe de estado que o deixou no poder por 18 anos.

The Man Standing Next conta a origem e o uso político da “primeira agência de inteligência coreana”, a KCIA. Interessante como as agências de inteligência são usadas pelos governos para diferentes fins, nem todos eles legais ou corretos. Essas agências deveriam servir ao interesse de seus países, mas respeitando a independência e o direito de outras nações. Mas nem sempre é isso que acontece. E, parece, que isso é uma “praga” mundial.

Apesar de nos apresentar uma história interessante e bem contada, The Man Standing Next explora pouco uma questão. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Afinal, se depois da Segunda Guerra Mundial a Coreia do Sul ficou à cargo dos Estados Unidos, o quanto o país norte-americano teve a ver com o golpe de Park? Conforme vemos no filme, os Estados Unidos se interessam pela questão coreana especialmente por causa do escândalo Koreagate, que envolvia parlamentares americanos. Mas o interesse americano, inclusive em tirar Park do caminho, não estava restrito a isso, evidentemente. Tinha a ver com geopolítica e influência ou domínio de um país importante na Ásia. Esse aspecto acabou pouco explorado neste filme, o que é algo que desconta pontos da produção.

Por outro lado, um acerto do filme é concentrar a narrativa em poucos personagens – apenas nos centrais da trama. Verdade que aparecem outros personagens em cena, mas nenhum deles com relevância para, inclusive, sabermos os nomes deles. Entre os atores, destaque para o quarteto que conduz grande parte da trama. Lee Byung-Hun está muito bem como Kim, o braço direito do presidente que acaba sendo o “traidor” do golpe que ele ajudou a dar. Além dele, estão ótimos em seus papéis Sung-min Lee como o presidente Park, um homem que se perdeu no poder; Do-won Kwak como o ex-chefão da KCIA que acaba denunciando Park; e Hee-joon Lee como Kwak, que ganha poder de forma gradativa no governo de Park.

Além do quarteto de atores citados, vale comentar o trabalho de alguns coadjuvantes que tem uma participação com certa relevância no filme. So-jin Kim interpreta a Deborah Shim, uma lobista coreana que atua nos Estados Unidos ajudando a corromper parlamentares americanos; Jerry Rector interpreta o embaixador dos Estados Unidos na Coreia do Sul; e Seung-Hoon Kim interpreta ao professor Im, uma peça importante para Kim entender o que está acontecendo nos bastidores do governo de seu país.

Entre os aspectos técnicos desta produção, destaque para a direção de fotografia de Nak-seon Go; para a edição de Ji-eun Jeong; para a trilha sonora de Yeong-wook Jo; para o design de produção de Hwa-seong Jo e Gyu-bin Park. Também chamou a minha atenção os figurinos utilizados no filme, mas nas notas de produção não consegui localizar o(s) responsável(is) por este aspecto do filme.

The Man Standing Next estreou em janeiro de 2020 na Coreia do Sul e nos Estados Unidos. Em julho e em setembro o filme participou de dois festivais de cinema, um na Alemanha, o outro na França. Até o momento, o filme ganhou 13 prêmios e foi indicado a outros 26.

Entre os prêmios que recebeu, destaque para cinco prêmios de Melhor Ator para Lee Byung-Hun; para o prêmio de Melhor Ator Coadjuvante para Hee-joon Lee no Buil Film Awards e o mesmo prêmio para Sung-min Lee no Chunsa Film Art Awards; para o prêmio de Melhor Roteiro do Ano no Cine21; para o de Melhor Filme segundo a Associação de Críticos de Cinema Coreana e para o de Melhor Diretor para Min-ho Woo segundo o Korean Film Producers Association Awards.

Algo que me incomodou um pouco neste filme, além da sequência do helicóptero, que me pareceu um pouco exagerada, foi uma opção dos roteiristas por um vilão um tanto “estereotipado”. Apesar disso, os atores que interpretaram o vilão e o protagonista fizeram um ótimo trabalho.

The Man Standing Next é o quinto longa dirigido por Min-ho Woo. Ele estreou na direção em 2010 com Pa-gwi-dwin Sa-na-i e, depois, lançou outros quatro longas antes de dirigir a este filme. Interessante a trajetória dele, que não inclui curtas ou direção de séries. Este é o primeiro filme que eu assisto dele. Mais um nome vindo da Coreia do Sul que merece ser acompanhado.

O ator Lee Byung-Hun é um veterano e, me parece, por sua filmografia, um dos mais respeitados da Coreia do Sul na atualidade. Aos 50 anos de idade, Lee tem 52 trabalhos no currículo como ator e nada menos que 35 prêmios. Fiz uma pesquisa aqui no blog e, me parece, essa é a primeira vez que eu vejo ele em cena. Outro nome que merece ser acompanhado.

The Man Standing Next é o representante da Coreia do Sul na categoria Melhor Filme Internacional do Oscar 2021.

Em certo momento, Park lembra Kim sobre a figura de Iago na obra Otelo, de Shakeaspeare. Acho interessante rememorar essa obra, caso alguém assim o deseje, para entender de forma completa a referência a ela feita neste filme. Uma boa introdução para “rememorar” Otelo pode ser feita neste artigo da Wikipédia. Evidentemente Kim quis assumir a figura de Cássio nesta trama, vendo o presidente Park como Otelo e Kwak como Iago. Mas seus planos não deram exatamente certo.

Os usuários do site IMDb deram a nota 7 para esta produção, enquanto que os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram sete críticas positivas e duas críticas negativas para esta produção, o que lhe garante uma aprovação de 78% e uma nota média de 7,5. Como podemos perceber por estes números, The Man Standing Next ainda não foi muito assistido nos Estados Unidos e ainda não repercutiu muito. Uma trajetória oposta a de Parasite no ano passado.

O site Metacritic apresenta apenas uma crítica mediana para The Man Standing Next. Acho que um grande desafio deste filme, realmente, será ser notado. De acordo com o site Box Office Mojo, The Man Standing Next conseguiu US$ 34,7 milhões nas bilheterias até o momento, resultado quase totalmente obtido na Coreia do Sul.

Este filme é uma produção 100% da Coreia do Sul.

CONCLUSÃO

Os coreanos costumam nos apresentar filmes de suspense, terror e inovadores. Por isso é interessante assistir a uma produção ao estilo The Man Standing Next, que nos apresenta alguns fatos históricos da Coreia do Sul sobre os quais poucos sabemos. Este filme segue uma linha de narrativa tradicional, mesclando espionagem e intrigas de poder como várias outras produções americanas do gênero. Mas, neste filme, temos uma certa dubiedade nas motivações dos principais personagens. Especialmente pelo caráter histórico, The Man Standing Next se revela interessante, já que na narrativa ele não se mostra muito inventivo.

PALPITES PARA O OSCAR 2021

Este é o quarto filme que eu vejo desta temporada com olhos para os possíveis indicados ao Oscar 2021 de Melhor Filme Internacional. Então tenho muitos filmes para assistir pela frente ainda para poder opinar sobre esta categoria. Mas, apesar disso, devo dizer que já consigo apontar os favoritos entre os que eu assisti até o momento.

Me parece que Druk é o mais forte concorrente, dos quatro que assisti. Em seguida, aparecem em segundo lugar na disputa este The Man Standing Next e, pouco atrás, Deux. Por fim, mas com bem menos chances de avançar na disputa, vejo Never Gonna Snow Again.

Este filme coreano não vai me surpreender se figurar na lista das 10 produções que vão figurar na lista dos pré-indicados e nem se avançar e conseguir figurar entre os cinco finalistas na categoria de Melhor Filme Internacional. Diversos elementos favorecem esta produção. Primeiro que ela vem após o sucesso arrebatador de Parasite. Ou seja, a Coreia do Sul está em alta. Depois, trata de uma questão política sensível para os coreanos – o que é sempre interessante para os Estados Unidos.

Finalmente, este filme segue uma fórmula mais conhecida de cinema, o que tende a agradar mais ao “grande público”. Por estes elementos e por ser um filme competente, que entrega o que promete, The Man Standing Next realmente pode avançar. Mas isso vai depender muito, claro, dos outros competidores. Como eu disse antes, temos muito o que assistir ainda para realmente bater o martelo.

Por Alessandra

Jornalista com doutorado pelo curso de Comunicación, Cambio Social y Desarrollo da Universidad Complutense de Madrid, sou uma apaixonada pelo cinema e "série maníaca". Em outras palavras, uma cinéfila inveterada e uma consumidora de séries voraz - quando o tempo me permite, é claro.

Também tenho Twitter, conta no Facebook, Polldaddy, YouTube, entre outros sites e recursos online. Tenho mais de 20 anos de experiência como jornalista. Trabalhei também com inbound marketing e, atualmente, atuo como professora do curso de Jornalismo da FURB (Universidade Regional de Blumenau).

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