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Collective – Colectiv


Alguns documentários, quando acertam no tema e na narrativa, conquistam uma força, uma potência que não tem paralelo. Este é o caso de Collective, um filme que não tem como não mexer com o seu estômago, com a sua capacidade de ficar indignado(a). Uma produção que mostra com todas as letras como uma sociedade corrupta e um governo que lidera (ou apenas representa?) este processo pode trazer, além de prejuízos para os cofres públicos, mortes e vidas perdidas ou marcadas para sempre. Assustador e, ao mesmo tempo, um alerta para todos.

A HISTÓRIA

Começa informando que no dia 30 de outubro de 2015 um incêndio durante um show na boate Colectiv, em Bucareste, provocou a morte de 27 pessoas e deixou outros 180 feridos. O começo do filme ainda comenta que, a população do país, revoltada pela boate funcionar sem saídas de incêndio, saiu às ruas para protestar contra as autoridades corruptas. Os protestos, realizados em escala nacional, forçaram o governo social democrata a renunciar.

Para acalmar a população, foram nomeados tecnocratas independentes. Esse governo recebeu um ano de mandato, até as próximas eleições gerais. Das pessoas que sofreram queimaduras no incêndio na Colectiv, 37 morreram nos hospitais durante os quatro meses seguintes à tragédia. Em um encontro com vítimas e familiares de vítimas, vários depoimentos falam de perdas e da necessidade de cobrar o governo sobre o que aconteceu com aqueles que sobreviveram e morreram nos hospitais.

VOLTANDO PARA A CRÍTICA

(SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Collective): Depois que você assiste a esse filme, você não sabe muito bem o que dizer, nem como se expressar. Isso é natural pela perplexidade e pela indignação que esta produção desperta.

A história que o diretor e roteirista Alexander Nanau nos apresenta é de arrepiar. Em alguns momentos, não acreditamos no que estamos vendo. Mas poucos filmes tratam dos efeitos daninhos da corrupção e de uma sociedade que parece não ter remédio como este Collective.

Além disso, da forma com que esta história começa, já somos fisgados de forma imediata pela narrativa. Afinal, nós também temos na Boate Kiss a nossa própria tragédia particular envolvendo a situação de um incêndio em um clube que não tinha as condições de funcionar. Mas o caso da Romênia é ainda pior. Além da boate não ter condições de funcionar, o que provocou 27 mortes, outras 37 vidas foram perdidas nos hospitais por infecção hospitalar que poderia ter sido evitada.

Essa é uma da partes mais chocantes do filme. Como é possível um país ter o maior índice de mortes por infecção hospitalar do continente e ninguém fazer nada sobre isso? Inacreditável. E as razões que estão por trás disso, desveladas pouco a pouco pelo roteiro de Alexander Nanau e Antoaneta Opris, que vão contando a história tendo dois focos como os principais, são tão impactantes quanto os fatos em si.

Achei interessante e importante a escolha dos roteiristas e do diretor em focar a história em dois grandes “personagens”. A parte inicial de Collective foca no trabalho da imprensa, mais especificamente de Catalin Tolontan, jornalista que denuncia a máfia por trás da diluição dos produtos químicos que deveriam ajudar na desinfecção dos hospitais. Depois, conforme mudanças são feitas por causa destas denúncias, mais notadamente quando o Ministro da Saúde sai do cargo, a história passa a focar no novo Ministro da Saúde, Vlad Voiculescu.

Verdade que eu senti falta do filme seguir acompanhando as denúncias da imprensa e o trabalho de Tolontan e sua equipe. Mas entendo a escolha do diretor em aproveitar o acesso aos “bastidores do poder” dado por Voiculescu para mostrar esse “outro lado”, de uma pessoa que está no papel de discutir os problemas e conseguir, com sua equipe, encontrar algumas soluções para o caos. Daí o filme acaba se encaminhando para um final que não estava previsto, pelo menos para o público em geral, que foram as eleições gerais do país.

E aí temos uma nova camada de profundidade na qual esta produção entra. Como bem mostram Nanau e Opris, apesar de tudo o que aconteceu após o desastre na boate Colectiv, o partido que estava no poder naquele momento, que permitiu que uma boate funcionasse sem as normas de segurança necessária e que permitiu (ou criou?) um sistema de saúde extremamente corrupto e disfuncional, assassino, voltou ao poder.

Ao falar com o pai por telefone, Voiculescu representa qualquer pessoa com bom senso naquele país, no Brasil ou em qualquer parte do mundo. Ele se questiona como os corruptos e os assassinos podem ter voltado ao poder. Mesma pergunta que nos fazemos por aqui e em outras partes. Como é possível que criminosos, seus apoiadores e partidos sigam no poder após tantas denúncias, após tantos problemas terem sido registrados, terem repercutido e tudo o mais? Como um governante ou um partido que não se importam com a morte das pessoas podem se manter no poder?

Inacreditável. Nós, como tantos outros, como o pai de Voiculescu, pensamos em fugir. Mas para onde? Quem está em um país que parece sem possibilidade de melhora a curto ou médio prazo, como é o caso da Romênia e como é o caso do Brasil, está neste local porque ama o seu país e deseja que ele melhora. Mas como insistir nessa ideia quando parece que a maior parte da população não se importa, faz parte, alimenta ou pelo menos aceita a corrupção endêmica e as ações governamentais assassinas?

Eu não vou mentir para vocês. Não apenas não é fácil assistir a Collective como este filme nos deixa mal no final. Por tudo que nos apresenta, por tudo que nos faz pensar e lamentar. O problema maior é que esta é uma história real e que as pessoas reais que vemos em cena, muitas delas esforçadas em buscar por um país melhor, simplesmente não estão conseguindo isso e não tem para onde correr. Ou podem até fugir, mas isso não vai resolver o problema em nada. E o país não melhora por que?

A Romênia e o Brasil não melhoram por causa da maior parte da população. Lá, diferente daqui, como pudemos ver neste filme, o voto não é obrigatório. Então uma minoria vota, e essa minoria decide manter o partido e os políticos corruptos no poder. Não importa a maioria da população (que também erra ao preferir “se ausentar” dos votos porque “não quer saber de política”) ou a evolução do país. Não importam as pessoas que morrem sem poder escolher um lugar decente para serem tratadas porque o governo mentiu a respeito da segurança e do tratamento oferecido pelos hospitais do país.

Como ter esperança depois de assistir a um filme como Collective e o seu desfecho? Difícil, não? Os países tem a sua “soberania”, mas realmente os desmandos e os absurdos que envolvem toda uma população devem ser tolerados até que ponto? Este filme nos faz pensar sobre os problemas endêmicos de algumas sociedades e de como será possível resolvê-los.

Alguns países estão tão imersos em problemas que uma saída para as suas sociedades é difícil de visualizar. Quantos outros países vão entrar nesse “buraco sem fundo”? Não sabemos. Isso é preocupante. E um bocado desanimador. Este é o efeito de Collective no público. Nos deixa chocados, revoltados, desanimados. Parte dos países e do mundo parecem caminhar para o abismo. Algo poderá salvar-nos antes da queda?

Como diria Winston Churchill: “A democracia é o pior dos regimes políticos, mas não há nenhum sistema melhor que ela”. Nesta época em que alguns saudosistas de regimes absolutistas e de privação de liberdade atacam a democracia, é importante defendermos este regime assim como é fundamental pensarmos em como aprimorá-la. Penso que falta, por exemplo, uma real representatividade global dos países mais desenvolvidos – em educação e ciência, especialmente – para que eles identifiquem absurdos promovidos em alguns países e interfiram, quando necessário, na tão conclamada “soberania nacional”. Especialmente quando esta soberania é maculada por regimes corruptos e sanguinários.

Collective mexe com a gente e nos faz pensar. Sobre as vítimas que vemos em cena, sobreviventes de uma tragédia e de um sistema de saúde que não é confiável, que é corrupto, sobre o restante da população daquele país e sobre quem puxa o país para baixo e aqueles poucos que tentam mudar a sociedade para melhor. Parece que a luta está complicada, mas não podemos desistir. Devemos resistir e não deixar nunca de defender o que é certo e o que é bom. Mesmo que os governos estejam podres por dentro.

Por tudo que comentei antes – e já falei demais nesta crítica, me desculpem -, considero este filme um dos melhores desta safra. Potente, bem narrado e com coragem de tocar em diversos temas relevantes, Collective revela os fatos sem contextualizá-los com especialistas ou com outras opiniões, deixando o público tirar suas próprias conclusões e pensar a respeito. Vale ser visto. Mas prepare-se para ficar um bom tempo “mal” por causa dele.

NOTA

9,5.

OBS DE PÉ DE PÁGINA

Em países com governos corruptos ou com requintes autoritários, um dos alvos preferenciais de ataques dos governantes é a imprensa. Sou suspeita para falar sobre isso, já que sou jornalista – e professora universitária na área de comunicação. Mas quem conhece ou quiser se interessar um pouco sobre a história da imprensa, logo saberá as razões para isso. Está na base da imprensa o desejo de informar, de descobrir fatos – especialmente os de interesse público que alguns desejam que fiquem escondidos – que sejam relevantes para a população e levá-los ao conhecimento público. Tudo que um governo corrupto e autoritário não deseja. Então o ataque à imprensa é evidente e previsível. Mesmo sendo tudo isso, ele é abjeto.

Por tudo que comentei antes, adorei a parte do trabalho do diretor Alexander Nanau que foca no trabalho do jornalista Catalin Tolontan e sua equipe. Como um popular comenta em determinado momento do filme, vejam como está a imprensa da Romênia quando um diário esportivo acaba sendo o grande responsável por denunciar a corrupção no sistema de saúde. Claro que o jornalista que cobre a área esportiva pode fazer denúncias. Mas digamos que isso não está, em geral, no seu dia-a-dia. Mas um jornalista sempre será um jornalista. Então como Tolontan viu que outros colegas não faziam as denúncias que eles deveriam fazer, ele e sua equipe assumiram esse papel. Geniais. Fundamentais.

Vemos, na parte inicial deste filme, muito dos acontecimentos sob a perspectiva de Tolontan e de seus “braços direitos”, o jovem Razvan Lutac (que praticamente não abre a boca no filme inteiro, mas sempre está presente e ajudando a investigar os fatos) e a jornalista Mirela Neag (que tem o dom de sempre se colocar no lugar do “grande público”, do “leitor comum”). Eles são exemplares no trabalho que desempenham e na postura séria com que atuam diariamente. Muito bacana, e um elemento que me faz querer indicar esse filme para os meus alunos, quando Tolontan defende o trabalho da imprensa e o seu papel na sociedade.

Apesar de atuarem de forma séria e de fazerem um trabalho fundamental para a sociedade, Tolontan e seus colegas são ameaçados na reta final desta produção. (SPOILER – não leia se você ainda não assistiu ao filme). De arrepiar quando Mirela Neag comenta que fontes do serviço secreto do país “indicaram” que os jornalistas deveriam cuidar porque algo poderia acontecer com suas famílias. Inacreditável. Governo absolutista, corrupto e autoritário travestido de democrático. Até quando? E em que lugares ainda veremos este tipo de quadro se repetir?

Depois de mostrar o trabalho fundamental de parte da imprensa do país em denunciar os fatos envolvendo a saúde e sua malha de corrupção, Collective foca no trabalho de Vlad Voiculescu, que não era uma figura conhecida do governo, mas que assumiu o cargo de Ministro da Saúde para tentar “apaziguar” os ânimos do país depois que o escândalo envolvendo a higienização dos hospitais veio à tona. Voiculescu, pelo que entendemos neste filme, era conhecido de associações de vítimas. Então ele assume como ministro tentando descobrir os “meandros” da burocracia estatal. Esta é uma parte importante da narrativa, ainda que menos “aventuresca” quanto a parte focada na imprensa.

A parte focada no político com boas intenções nos faz ver como algumas decisões são tomadas e como as informações chegam até quem decide parte das políticas públicas de um país. Voiculescu realmente parece ser bem intencionado, mas ele tem poderes limitados e esbarra em muitos interesses contrários. Como ele afirma na parte final do filme, depois que o partido político de “situação” ganha as eleições, resta saber por quanto tempo as medidas que ele adotou, tentando melhorar o sistema de saúde, iriam perdurar. Pouco tempo, certamente.

Depois das eleições acontecerem e da narrativa voltar brevemente para os jornalistas para tratar sobre a ameaça que eles sofrem, acompanhamos uma família em um cemitério. Não sei se todos vocês conseguiram identificar de quem ele era filho ou o que acontecia ali. (SPOILER – não leia… bem, você já sabe). Admito que tive que rever parte da produção para identificar esta informação. O filme termina no Natal. A família que vemos no cemitério não está enterrando um de seus integrantes. Na verdade, eles estão visitando uma das vítimas do descaso do governo após a tragédia da boate romena. O homem que vemos em cena, homenageando o filho, é a primeira pessoas que vemos em Collective. Segundo o depoimento dele no início da produção, um de seus filhos morreu após ser transferido para um hospital de Viena. Quando chegou lá, o jovem já estava com o corpo tomado de bactérias. Segundo o governo, a demora para a transferência dele para Viena ocorreu por um “erro de comunicação”. Então, para fechar o filme, vemos este pai passando o Natal com o filho morto, acompanhado de outros familiares. Duro. De partir o coração. Mas enquanto as vítimas forem lembradas, talvez a impunidade tenha alguma chance de ser resolvida.

Falando em vítimas, uma que aparece com bastante frequência na produção é a arquiteta e sobrevivente da tragédia vivida no Coletiv, Tedy Ursuleanu. Que mulher corajosa e que símbolo de determinação! Suas marcas são um testemunho marcante de que algo precisa mudar. Também inspiram qualquer um a ter perseverança e lutar. Sua presença é potente e inspiradora ao mesmo tempo. Assim como outras vítimas que vemos em cena, mas que aparecem pouco na comparação com os jornalistas e os ministros da Saúde já citados.

Falando nisso, esse filme “foge” do que seria previsível, de apenas focar nas vítimas da Coletiv, para ampliar o olhar e tratar do sistema e do país de forma mais ampla. Ao fazer esta escolha, Nanau abre mão de dar mais voz e espaço para os sobreviventes. Acho que ele poderia ter trazido um pouco mais desta narrativa, algo que não tornaria o filme longo demais e que poderia ser mais interessante para a contextualização e o impacto da história do que algumas sequências com Voiculescu. Ainda que eu entenda as escolhas do diretor em mostrar a falta de ação e até o “tédio”, em alguns momentos, quando é focado aquele círculo de poder.

Não sei vocês, mas eu fiquei curiosa para saber o que está se passando na Romênia neste momento. E aí que, adivinhem? O governo por lá continua instável e com diversas mudanças de tempos em tempos. Segundo esta matéria da Deutsche Welle Brasil, em fevereiro de 2020 uma “moção de censura” do partido oposicionista Partido Social-Democrata (o mesmo que é claramente apontado como corrupto por Collective) provocou a queda do “governo minoritário de centro-direita do primeiro-ministro Ludovic Orban. Líder do Partido Liberal Nacional, Orban assumiu o poder em novembro de 2019 após “derrubar o governo anterior”, de esquerda, em outra moção de confiança. Ou seja, é um derrubando o outro sempre que possível. País instável, com democracia frágil – lembra um certo Brasil?

Vale citar também esta matéria de O Globo, do final de dezembro de 2020. Segundo a reportagem, “a população da Romênia tirou do poder os social-democratas, que dominaram o Parlamento do país desde o colapso da ditadura comunista há 31 anos, exceto nos períodos entre 1996 e 2000 e 2009 e 2012. Após duas semanas de tensões e afrontas trocadas entre os líderes das formações convocadas a chegar a um acordo após as eleições legislativas de 6 de dezembro, o Parlamento concedeu (…) um voto de confiança ao novo governo de coalizão de centro-direita. Ele é chefiado pelo primeiro-ministro Florin Citu, do conservador Partido Nacional Liberal, que já estava no poder”. Ou seja, a Romênia é um país com uma jovem democracia, como o Brasil, que ainda luta para avançar apesar da corrupção e de suas divisões internas. Mas, pelo menos os social-democratas, aparentemente parte do problema relatado em Collective, saíram do poder. Já é algo… (desde que a mudança não seja para pior).

O grande mérito deste filme é o olhar atento e cuidadoso do diretor Alexander Nanau e as escolhas que ele faz para narrar esta história. Assim, o roteiro dele com Antoaneta Opris são destaques da produção. Ao mesmo tempo, claro, é onde o filme “falha” um pouco – por aspectos já citados. Isso porque, por tratar-se de um documentário, Collective não falha em outros aspectos, como na atuação dos atores – já que o que vemos sempre são pessoas reais em seus desafios diários.

Este é o primeiro filme eu assisto que leva a assinatura de Alexander Nanau. Isso é algo bacana desta temporada do Oscar. Os filmes que estou vendo estão me apresentando a vários nomes de realizadores que eu não conhecia. Nanau tem 41 anos e apresenta quatro trabalhos como diretor. Mesmo com uma filmografia tão “curta”, ele já foi bastante premiado. Nanau estreou na direção com o documentário Peter Zadek Inszeniert Peer Gynt em 2006 e, depois disto, dirigiu outros três longas de documentário. Até o momento, ele recebeu 32 prêmios e foi indicado a outros 29. Parece ser um nome interessante de ser acompanhado.

Além dos aspectos já citados, vale comentar outros aspectos técnicos desta produção, como a trilha sonora de Kyan Bayani e a forma como o diretor Nanau se revela polivalente. Ele é o responsável pela direção de fotografia e por parte da edição de Collective – a edição ele faz junto com Dana Bunescu e George Cragg. Ou seja, ele trabalha com uma equipe reduzida e de forma bastante independente. Interessante.

Collective estreou em setembro de 2019 no Festival de Cinema de Veneza. Depois desta estreia, o filme participou, ainda, de 23 festivais e mostras de cinema em diversas partes do mundo. Em sua trajetória, até o momento, Collective conquistou 18 prêmios e foi indicado a outros 33. Entre os prêmios que recebeu, destaque para o de Melhor Documentário Europeu no European Film Awards; para o de Melhor Filme Documentário Internacional no Festival de Cinema de Zurique e para o de Melhor Filme em Língua Estrangeira conferido pelo National Society of Film Critics Awards dos EUA.

Agora, vale citar uma das curiosidades sobre esta produção. Além de ser o representante da Romênia na categoria Melhor Filme Internacional no Oscar 2021, Collective faz parte da lista dos 14 filmes favoritos de 2020 do ex-presidente americano Barack Obama. Os outros filmes que fazem parte da lista de Obama são os seguintes: Ma Rainey’s Black Bottom, Mank, Soul, Time, Beanpole (com crítica neste link), Bacurau (sim, o brasileiríssimo Bacurau – que ainda não assisti, eu sei… falha minha!), Nomadland, Lovers Rock, Martin Eden, Let Him Go, Boys State, Selah and the Spades, e Crip Camp.

Os usuários do site IMDb deram a nota 8,4 para esta produção – uma nota alta para os padrões do site -, enquanto que os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 96 críticas positivas e apenas uma negativa para a produção (o que lhe garante uma aprovação de 99% e uma nota média de 9,10). Especialmente as notas dos dois sites chamam a atenção. A do Rotten Tomatoes… não lembro de ter visto a outro filme com uma nota tão alta.

Além de estar muito bem cotado nestes dois sites, Collective apresenta o “metascore” 95 no site Metacritic, fruto de 23 críticas positivas, assim como o selo “Metacritic Must-see”, se filmes recomendados pelo site. Ou seja, o filme foi muito bem recebido pela crítica. Por ser um filme importante em festivais, Collective não registra uma grande bilheteria segundo o site Box Office Mojo. O filme teria estreado de forma restrita em 2020, ano da pandemia de COVID-19, e feito US$ 86,9 mil em países como Romênia e Reino Unido.

CONCLUSÃO

A corrupção em qualquer área é daninha às sociedades e faz mal para as pessoas. Mas na área da saúde isso significa vidas perdidas, mortes que poderiam ser evitadas, como bem mostra este Collective. Um filme muito bem narrado que mostra a importância da imprensa para revelar os problemas de uma sociedade para uma sociedade que não faz nada a respeito para mudar o quadro que vive. Um filme que, ao mesmo tempo que é necessário e muito bem feito, nos desanima. Afinal, teremos solução alguma vez na vida? Até quando teremos sociedades doentes como essa que vemos nesta produção? Filme potente e necessário, que pode servir para diferentes países pensarem suas estruturas.

PALPITES PARA O OSCAR 2021

Este é o sexto filme que eu assisti da lista de produções que estão buscando uma indicação na categoria Melhor Filme Internacional do Oscar 2021. Para quem está acompanhando o blog nesta fase de “férias” de sua autora, sabe que este é o primeiro documentário da lista.

Como vocês sabem, a categoria Melhor Filme Internacional – até dois anos atrás, Melhor Filme em Língua Estrangeira – é a minha preferida do Oscar e, normalmente, tem cerca de 100 filmes indicados por diferentes países. Então é difícil assistir à maioria deles antes da premiação. Por isso, admito, sempre busco as “bolsas de apostas”, especialmente nos Estados Unidos, para ver que produções tem mais chances de avançar na disputa.

Collective é apontado, pelos especialistas, como um filme que “pode chegar lá”, ou seja, que pode figurar na lista de 10 produções pré-indicadas no Oscar ou mesmo figurar na disputadíssima lista dos 5 finalistas. Admito que preciso avançar na lista de filmes considerados fortes na disputa para realmente afirmar se ele tem chances de chegar lá ou não.

Mas, apenas avaliando os seis filmes que eu assisti até o momento, acho que ele tem chances maiores de figurar entre os 10 filmes que vão avançar na disputa, mas acho mais difícil ele ficar entre os 5 indicados na categoria. Qualidade para isso ele tem, claro. Mas acho que o filme perde força por seu país de origem e pelo histórico de outros competidores. Veremos. Mas… se pensarmos na recepção que o filme teve entre os críticos, vide as notas que Collective tem nos sites especializados, ele pode chegar aos cinco finalistas sim. Se chegar, é porque merece.

Até o momento, vejo Druk, Collective e La Trinchera Infinita com maiores chances de serem indicados ao Oscar de Melhor Filme Internacional. Em seguida viria Deux. Vou atualizando esse prognóstico conforme vou avançando na lista dos filmes. Inté!

Por Alessandra

Jornalista com doutorado pelo curso de Comunicación, Cambio Social y Desarrollo da Universidad Complutense de Madrid, sou uma apaixonada pelo cinema e "série maníaca". Em outras palavras, uma cinéfila inveterada e uma consumidora de séries voraz - quando o tempo me permite, é claro.

Também tenho Twitter, conta no Facebook, Polldaddy, YouTube, entre outros sites e recursos online. Tenho mais de 20 anos de experiência como jornalista. Trabalhei também com inbound marketing e, atualmente, atuo como professora do curso de Jornalismo da FURB (Universidade Regional de Blumenau).

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