27 Dresses – Vestida para Casar

27 Dresses - Vestida para Casar 1

Todos sabem o que esperar de uma comédia romântica: encontros, depois desencontros, uma boa pitada de humor – que pode ser menos ou mais sarcástico, mais ou menos “pueril” dependendo do filme -, flerte, romances até um certo ponto “complicados” (talvez alguma troca de casais) e, por fim, encontros. A fórmula existe para agradar aos gostos familiarizados a ela e pouco se move além destas “premissas”. 27 Dresses segue a regra e não inova, mas tem algo que anda faltando no mercado (pelo menos para o meu gosto): química. Ainda que seja uma típica comédia romântica, em tudo que isso quer dizer como óbvio, se trata de um filme com “buen rollito”, como se diz aqui na Espanha. Os protagonistas tem charme e existe uma ou outra sacada boa salpicada pela história. Diferente de outras produções do gênero recentes – como P.S. I Love You -, é um filme que não cansa e que se mostra um passatempo leve e descompromissado. Diante de tanta xaropice no mercado, algo tão simples pode até ser prazeroso.

A HISTÓRIA: Jane Nichols (Peyton List) é uma menina esperta. Observadora, percebe os detalhes de algo que pode passar como “mais um evento de adultos” para a maioria das crianças: um casamento. E mais que observar os detalhes, ela decide que esse momento “encantado” para muitas mulheres e muitos homens será o seu prazer na vida adulta. Obestinada, ela segue essa idéia e, com mais idade, Jane (Katherine Heigl) realmente trabalha organizando casamentos. O que parece algo interassantíssimo nos primeiros minutos do filme – em uma mesma noite ela se divide praticamente em duas para estar em duas festas distintas – demonstra ser um pouco uma loucura depois já que este, na verdade, não é seu trabalho real. Na maior parte do tempo ela é a assessora e braço-direito do executivo George (Edward Burns). A organização de casórios é o seu trabalho “paralelo” – que talvez seja do conhecimento apenas de sua amiga Casey (a ótima Judy Greer) e de poucos mais. A história fica mais complicada quando o chefe e objeto de desejo de Jane conhece a sua irmã mais nova e recém-solteira Tess (Malin Akerman). Ao mesmo tempo em que ele começa um relacionamento com Tess, Jane passa a ser “perseguida” pelo jornalista Kevin Doyle (James Marsden), fascinado pela história da garota que organiza tantos casamentos em pouco tempo e ávido para contar uma boa história e, com ela, conseguir uma promoção.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER: aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta trechos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a 27 Dresses): O resumo ficou meio grande, eu sei. Mas é que o roteiro de Aline Brosh McKenna resolveu “complicar” uma história de comédia romântica típica. Então, além dos típicos encontros e desencontros, assistimos no filme a sonhos, projeções de desejos, lutas por vencer “fantasmas” do passado, ambição, disputa entre irmãs, responsabilidade com a perda de uma mãe muito jovem… enfim, a lista é grande.

O mais interessante, para mim, é que o “amaranhado” de elementos na história não ficou confuso e nem chato. Tudo vai se apresentando e se resolvendo naturalmente – ainda que conflitos -, como na vida de qualquer pessoa. Então o que poderia ser um dilema gigantesco e um problema na vida de Jane – organizar o casamento de sua irmãzinha mais nova com o homem pelo qual ela é “secretamente” apaixonada a vários anos – avança como ocorreria na vida de qualquer pessoa que não gosta de confrontos… ela vai guardando, vai engolindo, até que… Bem, não preciso contar.

O filme usa de um recurso bem típico em filmes do gênero: brinca com vários casais possíveis. Kevin se interessa por Jane que é apaixonada por George que se apaixona por Tess que não gosta de ninguém porque acabou de levar um pé na bunda… Alguém lembrou da poesia Quadrilha, do grande Carlos Drummond de Andrade? Pois é, por aí… Então existe bastante “joguinho” de “eu estou apaixonado por você que nem olha pra mim” e por aí vai. O que não deixa de ser interessante, porque na vida real, fora dos cinemas, isso também acontece… quantas vezes você estava tão concentrado/a em trabalhar, no cotidiano, em fazer festas com os amigos, etc. e tal que não notou um novo amor surgindo, mostrando a cara por detrás do muro? Na verdade, para o amor acontecer, todos nós sabemos, é preciso estar “aberto”, disponível para isso… pois então, um dos temas de 27 Dresses é justamente esse. Afinal, Jane realmente adora casamentos ou prefere organizá-los para esquecer do seu próprio projeto de vida?

Mas além deste tema, o filme trata de vários outros, como ambição. Tanto Tess quanto Kevin, a sua maneira cada um, são movidos por ambição… mas até um certo ponto. Lá pelas tantas eles perdem o “foco” de seus sentimentos originais e se vêem “modificados” por outros… ou pelo menos em parte modificados. Interessante também. Sinal de que há inteligência por detrás de histórias um tanto satíricas de amor, como é o caso desta.

O filme começa muito bem, obrigada. Toda a “apresentação” dos personagens, a correria de Jane para conseguir organizar dois casamentos, o interesse de Kevin por seu próximo “personagem” de reportagem, tudo isso funciona bem. Depois, quando entra em cena Tess, o filme esfria um pouco, porque cai demais no joguinho da “quadrilha” de amores. Ainda assim, tem bons momentos. E, mais que tudo, como eu disse antes, 27 Dresses tem química… os atores principais todos tem carisma e convencem em seus respectivos papéis. E o importante para um filme do gênero: faz rir, é “bonitinho” e não cansa… melhor que muitos outros da mesma estirpe lançados recentemente.

NOTA: 7,5.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Muita gente falou da interpretação de Katherine Heigl em Knocked Up, o primeiro filme de “destaque” que ela fez depois de se tornar conhecida – e premiada com um Emmy – por sua interpretação da personagem Izzie em Grey’s Anatomy. Em comparação com aquele filme, para mim, ela está muito melhor neste 27 Dresses. E parece que sua carreira no cinema está em plena ascensão, porque atualmente está em fase de pós-produção o filme The Ugly Truth, em que ela interpreta a personagem principal ao lado de Gerard Butler – outra vez em uma comédia romântica. A direção é de Robert Luketic, jovem diretor australiano elogiado por seu 21.

Além de Katherine Heigl, gostei do humor da atriz Judy Greer em cada aparição em cena, além do carisma de James Marsden – que parece ter se convencido melhor de seu papel neste filme que em Enchanted, em que está, em certa medida, “patético”. E logo que eu vi a Malin Akerman pensei: “Eu assisti algum filme recente com essa atriz…”. Demorou dois segundos para cair a ficha: ela é a divertidamente irritante Lila, namorada/mulher de Ben Stiler em The Heartbreak Kid). Mais uma vez ela interpreta uma “loira burra” ou, melhor dizendo, irritante neste 27 Dresses… mas o bacana é que ela consegue fazer o papel com leveza, sem exageros ou, em outras palavras, convincente.

O filme teve um bom resultado de bilheteria: até o dia 25 de maio ele conseguiu, apenas nos Estados Unidos, arrecadar pouco mais de US$ 76,8 milhões. Não está mal… De crítica, por outra lado, ele não foi tão bem. Os usuários do site IMDb lhe deram apenas a nota 6,2. O Rotten Tomatoes publica 82 críticas negativas e apenas 53 positivas. Desta vez discordo dos críticos… e não porque seja um filme excepcional, mas pelo menos não é chato… o que já é muito. heheheheehehehehe. 🙂

27 Dresses é dirigido por Anne Fletcher. Este é o segundo filme da atriz, que estreou antes na direção com Step Up, um musical romântico que deu destaque para a carreira de Channing Tatum. Atualmente ela está filmando The Proposal, mais uma comédia romântica (haja propensão para o gênero, hein?) com Sandra Bullock e o protótipo de galã Ryan Reynolds.

Na parte técnica o filme não tem nenhum grande destaque… é bom o trabalho de direção de fotografia de Peter James, assim como é curiosa – e divertida, como tinha que ser – a pesquisa de vestuário de Catherine Marie Thomas (fora um ou outro exagero e lugar-comum, mas tudo bem).

Interessante que o elenco de Grey’s Anatomy foi em peso na sessão de estréia do filme… pelo jeito realmente a equipe da série é unida.

CONCLUSÃO: Filme leve, divertido, que começa muito bem e perde um pouco de força no caminho, ainda que consiga ser sustentado pelo carisma dos protagonistas. Segue a fórmula básica do gênero, não inova, mas tem algumas boas sacadas. Melhor interpretação nos cinemas até agora de Katherine Heigl, conhecida pela personagem de Izzie em Grey’s Anatomy.