Ahlat Agaci – The Wild Pear Tree – A Árvore dos Frutos Selvagens

Fazer as pazes com as suas origens nem sempre é algo simples. Muitas vezes, insatisfeitos que somos – ou podemos nos tornar -, questionamos o lugar de onde viemos, assim como nossos pais. Mas esta é uma visão inocente dos fatos. Com o tempo, e o efeito dele é algo maravilhoso, percebemos tudo sob outra perspectiva. Com menos dureza, com menos julgamento, com maior compreensão e afeto. Ahlat Agaci é um filme potente sobre isso. Um filme longo, é verdade, com cerca de 3h de duração, mas que justifica esse investimento de tempo e paciência especialmente no final. Um filme belíssimo, sensível e com uma proposta diferenciada. Um achado.

A HISTÓRIA: Sentado na mesa de um restaurante, segurando com uma mão o jornal, Sinan Karasu (Dogu Demirkol) olha fixamente para o mar que está à sua frente. Até que ele parece “despertar” e olha no relógio. Ele deixa o pagamento, termina de tomar uma bebida e vai embora. Enquanto caminha pelo cais, uma nuvem de gaivotas estão voando perto dele. Ele começa a andar pela praça, onde existe uma grande escultura de um cavalo. Ali ele pega um ônibus, que vai levá-lo para o interior, onde Sinan vai encontrar os seus pais e diversas pessoas que ele deixou ao sair para estudar fora. Em breve ele terá que decidir que caminhos seguir.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Ahlat Agaci): Quem acompanha o blog há algum tempo, sabe o quanto eu amo o cinema de diversas latitudes e origens. Gosto de descobrir outros olhares, culturas e maneiras de encarar a vida e o mundo. Para mim, é isso que o cinema me traz, além de emoção e prazer, é claro. 😉

Estou meio devagar, nesse ano, com os filmes e com as atualizações aqui no blog. Mas há algum tempo eu já estava de olho nesse Ahlat Agaci. Não lembro de ter assistido a muitos filmes turcos. Esse, por si só, já era um atrativo desta produção. Mas o principal fator para que eu me interessasse por esse filme eram as boas notas que ele apresentava nos dois sites que eu tenho como “termômetro” padrão: o IMDb e o Rotten Tomatoes.

Foi por causa das ótimas avaliações e notas que esse filme recebeu que eu cheguei até ele. E que bom que isso aconteceu. Inicialmente, me assustei um pouco com a duração de Ahlat Agaci. Hoje em dia, um filme com três horas parece “muito longo”, quase uma “eternidade”. De fato, em muitos casos, um tempo como este pode parecer exagerado. Sou adepta da ideia que a maioria das histórias poderia ser contada em uma hora e meia.

Quem tem pressa ou não tem muita paciência pode ver Ahlat Agaci e dizer: “Ah, mas tem vários momentos do filme desnecessários. Alguns diálogos não são importantes para a história central e poderiam ser cortados, e há reflexões do protagonista sobre religião, sobre a cidade e sobre o amor que poderiam ser enxugados”.

Claro, praticamente tudo na vida pode ser “enxugado”. Mas será que teríamos algo melhor se fizéssemos isso sempre. Com a vida e com os filmes? Pensando em Ahlat Agaci, posso dizer seguramente que não. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Para mim, esta produção se diferencia justamente por mostrar um bocado de “a vida como ela é”, em especial as suas incertezas e as suas descobertas.

Vejamos. O protagonista desta história, o jovem Sinan, volta para casa com uma conquista que poucos do seu vilarejo puderam contar. Ele terminou a faculdade e sonhar em dar aula ou em lançar o seu primeiro livro. Mas o que alguém com a origem simples como ele pode esperar em uma Turquia que luta para crescer mas que ainda tem muitas desigualdades sociais e poucas chances de emprego e oportunidade para os jovens?

Boa parte do filme conta justamente essa saga do protagonista em busca de uma oportunidade e de um futuro que lhe faça os olhos brilharem. A busca dele é também a do seu país – e de tantos outros jovens. Apesar de ter muitas características “locais” e do contexto no qual a história está focada, as questões que envolvem Sinan, sua busca por espaço, as portas fechadas que ele encontra no processo, toda a reflexão que ele faz das suas origens e da sua família, especialmente da figura paterna, são também universais.

Ahlat Agaci ganha, por tudo isso, uma dimensão impressionante conforme a história avança, lenta e gradativamente. Na Turquia e em tantos outros lugares ter um ensino superior não é sinônimo de ter oportunidades. Ainda mais se você não escolheu a área de TI ou alguma engenharia. Para professores e, especialmente, para escritores, as oportunidades são bem limitadas. Não é fácil conseguir uma chance, se destacar ou brilhar nestas áreas.

Conforme vai procurando os seus caminhos, Sinan vai conhecendo melhor as suas origens e também vai fazendo “acerto de contas” com o passado. O primeiro acerto que ele faz é com uma antiga amiga/paixão, Hatice (Hazar Ergüçlü). Enquanto ele saiu do vilarejo e terminou a faculdade, ela parou de estudar no ensino médio. O diálogo entre eles é bastante revelado sobre as suas origens, o que eles pensam, sentem e desejam.

Nesse momento, a conversa entre Hatice e Sinan já esboça um dos temas importantes do filme, que é o quanto temos ou não a escolha de decidir o que seremos e o que faremos da nossa vida. Tudo é uma questão de escolha e de querer, como neste momento argumenta Sinan? Ou a vida guarda uma boa diferença entre o que podemos fazer e o que sonhamos para nós mesmos, como parece argumentar Hatice?

(SPOILER – não leia… bem, você já sabe). Como pouco a pouco o protagonista de Ahlat Agaci vai descobrir, a vida é uma mistura destas duas visões. Nem sempre o querer e a escolha nos leva aonde gostaríamos, assim como nem sempre o que sonhamos realmente era o melhor que poderia nos acontecer. Hatice fala para Sinan que vai embora, para a “casa do matrimônio” para casar-se com alguém rico e que possa lhe tirar daquele lugar.

Sinan fala para a amiga que ele não quer ficar naquele lugar, porque ali só há pessoas “mesquinhas e gente preconceituosa”. De fato, na parte inicial do filme, Sinan tem muitas críticas sobre o seu lugar de origem, as pessoas que vivem lá, o modo de vida que existe ali e, principalmente, ele tem muitas críticas para o próprio pai. Lembrando que os pais sempre simbolizam as nossas origens. Então, não deixa de ser interessante esse aspecto.

A segunda pessoa com quem o protagonista acerta os seus ponteiros é um antigo colega, Riza (Ahmet Rifat Sungar). Quando Hatice vai embora, Riza cobra de Sinan que ele sempre quis que os dois se separassem porque ele gostava dela. Mais para a frente, ao se encontrar com os imames (ou imãs) Nazmi (Öner Erkan) e Veysel (Akin Aksu), Sinan parece fazer as pazes com a própria fé/religião – ou com a falta delas. Nesse momento, na verdade, os roteiristas Akin Aksu, Ebru Ceylan e Nuri Bilge Ceylan filosofam sobre a importância da religião e sobre o quanto as pessoas poderiam ser boas e seguir um caminho bom sem ter a religião como “fiel da balança”.

Assim, pouco a pouco, Ahlat Agaci vai tratando de questões fundamentais da vida. Entre outros temas, trata sobre a compreensão e a aceitação das próprias origens, sobre a capacidade de escolha e de decisão do indivíduo, sobre o papel do amor e da fé em sua trajetória, sobre família, amor, entendimento e perdão.

Comentei sobre alguns encontros importantes que Sinan tem pelo seu caminho e sobre reflexões que Ahlat Agaci nos apresenta. Mas nada é mais importante nesta produção do que a relação de Sinan com a sua própria família. Especialmente com os seus pais, Idris (o ótimo Murat Cemcir) e Asuman (Bennu Yildrimlar) e, em menor medida, com a irmã caçula, Yasemin (Asena Keskinci).

Muito da história gira em torno desta relação. Sinan não esconde a desconfiança, o desprezo e a reprovação que tem pelo pai, que fez a família perder quase tudo que tinha por causa do vício no jogo. Ainda que respeite a mãe, Sinan também é crítico dela por ter ficado com o pai “fracassado”. Com a irmã, ele tem uma relação típica de irmão mais velho, que não respeita muito o que a caçula pensa ou deseja.

Depois de voltar para o vilarejo, com o diploma universitário e o rascunho do primeiro livro em mãos, Sinan não tem espaço para ser generoso e para perdoar o pai ou a mãe. Mas depois que faz concursos e não passa para a vaga de professor, publica por conta própria o seu primeiro livro – após fazer algo cruel e mesquinho com o pai – e, ao colocá-lo para vender, não consegue emplacar a obra como ele imaginava, as perspectivas de Sinan mudam.

Para conseguir um salário digno, ele acaba se alistando. Serve ao Exército. Como é inevitável em uma experiência como essa, Sinan “endurece” após essa fase. Retorna para casa novamente, apenas para encontrar um bocado do cenário diferente. O vilarejo segue a sua mesma velocidade, mas o pai já não dá mais aula e está isolado no interior, onde pode ter uma vida mais tranquila e feliz no campo e perto de seus bichos.

O segundo retorno de Sinan para o vilarejo é que faz Ahlat Agaci ganhar em emoção e em profundidade. Agora, ele encara tudo sob uma nova perspectiva. Sabendo que a vida é feita de escolhas mas também de “aprendizados forçados”, ele consegue ver os pais de outra forma. Se surpreende com o orgulho que o pai tem dele e, a partir desta admiração que lhe surpreende, ele consegue quebrar resistências e ver o pai de outra maneira.

É como se, naquele momento, o protagonista de Ahlat Agaci entendesse que o pai, ele mesmo e todas as outras pessoas fossem humanas. Ele deixa a idealização de lado – e, consequentemente, a cobrança desmedida – para ver a si mesmo e ao pai como pessoas passíveis de acertos e de erros, de sonhos e de frustrações.

Ao quebrar a barreira e ao descer do pedestal, Sinan finalmente consegue se encontrar e ter um encontro real com as suas origens. Existe algo mais emocionante, transformador e inspirador? Por isso e por todo o conjunto da obra achei esse filme incrível. Muito bem construído, muito bem narrado e com um final de arrepiar/emocionar.

NOTA: 10.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Este ano, eu sei, estou meio relapsa com o blog. Sinto muito para quem me acompanha há mais tempo. Devo admitir que tenho duas razões principais para essa pouca frequência em publicações por aqui: 1. estou trabalhando pra caramba e 2. quando estou cansada, depois do trabalho (e mesmo nos finais de semana), tenho preferido assistir a séries do que a filmes. Também me “desmotivou” um pouco, este ano, uma tentativa minha de deixar o blog mais profissional, inserir anúncios por aqui, e não conseguir. Mas ok, vamos superando essa frustração e, pouco a pouco, retomando o gosto de assistir aos filmes e comentá-los por aqui.

As séries que eu assisto também não me ajudam… hahahahaha. Depois de Game of Thrones me deixar em polvorosa neste ano, Dark voltou para a segunda temporada e, agora, Mindhunter. Daí junta essas séries com várias outras que eu assisto e já viu… horas gastas em séries significa não ter horas disponíveis para filmes. Mas meu próximo desafio é tentar equilibrar isso um pouco melhor. 😉

Agora, passadas estas considerações e “desabafos”, vamos voltar a falar de Ahlat Agaci. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Algo que achei interessante nessa produção e sobre o que eu não falei antes é que em alguns momentos a história mergulha em sonhos. Isso acontece com pai e filho, em especial. Primeiro, vemos Sinan sonhar com o pai, enquanto bebê, cheio de formigas. Depois, em uma cena que acaba sendo bastante sugestiva e de arrepiar, Idris sonha com o filho enforcado no poço. Jung poderia ajudar a explicar esses dois sonhos. Mas eles nos fazem refletir o quanto nossa imaginação, nossos desejos e nossos medos podem embalar não apenas os nossos sonhos mas, também, as nossas interpretações da realidade. Toques interessantes.

Gostei muito do trabalho do diretor Nuri Bilge Ceylan. Ele conduz a história com tranquilidade, em um ritmo que dá espaço para o espectador acompanhar a narrativa sem pressa, mergulhando em uma realidade diferente da sua – na maioria dos casos – e que precisa de contemplação e de entendimento. O diretor sabe valorizar muito bem o trabalho dos atores envolvidos no projeto assim como consegue dar destaque para o entorno e as paisagens nas quais eles estão inseridos. Um trabalho realmente interessante e diferenciado do cinema comercial.

Gostei também do trabalho de Nuri Bilge Ceylan, juntamente com Akin Aksu e Ebru Ceylan, no roteiro. O filme é lento, especialmente se pensarmos nas produções comerciais americanas, mas não deixa o espectador sem que algo de interessante e significativo esteja acontecendo na sua frente. Apesar de ter um propósito muito claro, que é o de mostrar o aprendizado de amadurecimento de um jovem turco, Ahlat Agaci também trata de alguns temas existenciais interessantes, dando espaço para a troca de diálogo e para diferentes pontos de vista. Um trabalho realmente diferenciado do trio de roteiristas – e que vemos cada vez menos por aí.

Algumas vezes a postura do protagonista desta história chegou a me incomodar. Mas foi pouco. O que me incomodou, aqui e ali, foi a visão um tanto “pueril” e “arrogante” que Sinan parece ter em alguns momentos. Mas digo que me incomodou pouco porque, em seguida, me lembrei em que fase da vida ele estava. Ser pueril e um tanto arrogante é algo típico dos jovens. De quem está na fase inicial das suas buscas e que ainda não viu mais da vida.

Como eu já passei dessa fase, não tenho mais as mesmas ilusões. Ainda assim, não tenho amnésia suficiente para não me lembrar de quando eu também era assim. Por isso a beleza da passagem do tempo. De fato, quando tempos condições de avançar na vida, quando temos tempo de aprender, muito da nossa leitura, da nossa perspectiva e do nosso olhar muda no processo. Isso é inevitável. Isso podemos ver também em Ahlat Agaci.

Além da direção e do roteiro, Ahlat Agaci se destaca pelas paisagens e pela maravilhosa direção de fotografia de Gökhan Tiryaki. Ele faz um trabalho excepcional nesta produção. Também vale comentar a edição de Nuri Bilge Ceylan; o design de produção de Meral Aktan; os figurinos de Demet Kadizade; e a maquiagem pontual e bem feita de Moja Gorogranc, Goran Ignjatovski e Emre Ölmez.

Um belo filme não existe sem um elenco competente para narrar a sua história. Ahlat Agaci é o filme da vida de Dogu Demirkol. Toda a história é centrada no seu personagem, Sinan. A câmera está sempre próxima dele. Demirkol faz um belo trabalho. Passa muita veracidade na sua interpretação e nos conduz muito bem em toda a sua “saga”. Além dele, o grande destaque desta produção é o ator Murat Cemcir, que vive o pai do protagonista. Ele é carismático e tem um desempenho marcante. Um destaque da produção, sem dúvidas.

Além deles, vale comentar o bom trabalho de Bennu Yildrimlar como a mãe do protagonista; Hazar Ergüçlü em uma sequência inesquecível como Hatice; öner Erkan como o imã Nazmi; e Akin Aksu como o irmã Veysel. Também vale citar o trabalho de outros atores, em papéis menores, como Tamer Levent como o avô Recep; Ahmet Rifat Sungar como Ali Riza; Ercüment Balakoglu como o avô Ramazan; Kadir Çemik como o prefeito Adnan; Özay Fecht como a avó Hayriye; e Asena Keskinci como a irmã mais nova de Sinan, Yasemin.

Algo interessante deste filme, além de toda a sua questão humanista e filosófica, é o seu caráter social e político. Ahlat Agaci mostra diversas características da Turquia – e que são vistas em outras partes -, como a desigualdade social, a falta de perspectiva para os jovens e para as pessoas que vivem no interior, a “troca de favores” e o “quem indica” nestes locais, a falta de oportunidade para professores e escritores/artistas, assim como para as mulheres. Enfim, vários aspectos sociais que são apresentados pela produção e que fazem refletir.

Ahlat Agaci estreou em maio de 2018 no Festival de Cinema de Cannes. Depois, o filme participou, ainda, de outros 17 festivais e mostras em diversos países. Nessa trajetória, a produção recebeu oito prêmios e foi indicada a outros 11. Vale citar todos os prêmios recebidos pela produção: Melhor Atriz Coadjuvante – Drama para Bennu Yildrimlar e de Melhor Ator Coadjuvante – Drama para Murat Cemcir no Sadri Alisik Theatre and Cinema Awards; Melhor Filme, Melhor Diretor para Nuri Bilge Ceylan, Melhor Roteiro, Melhor Ator para Dogu Demirkol, Melhor Ator Coadjuvante para Murat Cemcir e Melhor Atriz Coadjuvante para Bennu Yildrimlar no SIYAD Turkish Film Critics Association Award.

A produção foi totalmente rodada na Turquia, em cidades como Yenice e Çan, ambas em Çanakkale.

Agora, vale citar algumas curiosidades sobre esta produção. Começamos com um comentário do diretor do filme. (SPOILER – não leia se você não assistiu a Ahlat Agaci). Segundo Nuri Bilge Ceylan, esta produção trata do “inevitável deslizamento” de um filho em direção ao destino que será parecido com o do seu pai.

O roteiro de Ceylan tem diversas citações de obras de grandes autores, incluindo Anton Chekhov, Fiódor Dostoiévski, Friedrich Nietzsche, Ibn Arabi, Shams-i Tabrizi, Peyami Safa, Yunus Emre e Muhammed.

A cidade onde a história se passa é onde o diretor também passou a sua infância.

O filme é inspirado na história real do co-roteirista Akin Aksu e, também, na própria história dele.

Ahlat Agaci foi filmado durante três meses e meio e o primeiro corte do filme tinha cinco horas de duração.

Esta produção foi recebida com uma ovação de 15 minutos no Festival de Cinema de Cannes.

Nuri Bilge Ceylan demorou quase 12 meses para editar as imagens do filme.

O diretor afirma que a sua mudança recente de estilo, na qual ele está aumentando a importância dos diálogos extensos, é uma espécie de revolta contra certos dogmas sobre o cinema. Gosto de quem procura romper o “padrão”. Gosto de quem procura fazer diferente. O diretor tem o meu apoio. 😉

O co-roteirista Akin Aksu é sobrinho do diretor Nuri Bilge Ceylan.

Ahlat Agaci foi a indicação da Turquia para o Oscar 2019 de Melhor Filme em Língua Estrangeira. Para o meu gosto, sem dúvida ele deveria ter avançado na competição e, ao menos, deveria estar entre os finalistas.

Ahlat Agaci é todo falado em turco. Este filme é uma coprodução da Turquia, da República da Macedônia, da França, da Alemanha, da Bósnia Herzegovina, da Bulgária e da Suécia.

Os usuários do site IMDb deram a nota 8,2 para esta produção, enquanto que os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 72 críticas positivas e 4 negativas para a produção – o que lhe garante uma aprovação de 95% e uma nota média de 8,47. O site Metacritic apresenta um “metascore” 86 para a produção, fruto de 22 críticas positivas, assim como o selo “Metacritic must-see”.

De acordo com o site Box Office Mojo, Ahlat Agaci arrecadou quase US$ 33 mil nos Estados Unidos, um resultado ínfimo para os padrões americanos – mesmo para um filme estrangeiro.

Procurando sobre Nuri Bilge Ceylan aqui no blog, encontrei apenas a uma outra crítica sobre uma de suas produções. Em 2009 eu escrevia sobre Üç Maymun (com crítica neste link), produção que, naquele momento, fazia parte da lista dos nove filmes que tinham avançado na disputa ao Oscar. Pela nota que dei para o filme naquele momento, me parece que o diretor também vem seguindo uma trajetória de amadurecimento.

CONCLUSÃO: Um filme sobre um indivíduo que luta para encontrar o seu espaço no mundo. Ahlat Agaci não esconde a dureza da vida e os questionamentos que podem surgir a partir de cenários de desigualdade. Este é um dos trunfos da produção dirigida por Nuri Bilge Ceylan. Mas não apenas isso. O inconformismo e os questionamentos do protagonista são pontos importantes, assim como a sua capacidade de sonhar, mas o que realmente toca nesta produção é quando ele deixa de ter um olhar tão duro sobre a vida e os outros e passa a ter um olhar mais amoroso e compreensivo. Tudo muda a partir daí, e isso nos ensina e faz refletir. Tudo na vida é amadurecimento, e esse filme mostra isso de uma forma como há muito eu não via em uma produção. Apesar de longo, o filme se justifica a cada minuto. Para mim, ele vale o investimento de três horas. Produção para ficar guardada na memória e para ser recomendada, sem dúvida. Apenas assista.

Sobre Alessandra

Jornalista com doutorado pelo curso de Comunicación, Cambio Social y Desarrollo da Universidad Complutense de Madrid, sou uma apaixonada pelo cinema. Em outras palavras, uma cinéfila inveterada. Também tenho Twitter, conta no Facebook, Polldaddy, Youtube, entre outros sites e recursos online. Tenho 20 anos de experiência como jornalista e hoje trabalho com inbound marketing em Florianópolis (SC), Brasil.

2 Respostas

  1. Eu sinceramente tentei ver esse. Mas não me identifiquei com o ator principal. Eu tive oportunidade de ver ‘Era uma vez na Anatolia’, do mesmo diretor. Que acredito ser uma das coisas mais belas já produzidas em matéria de cinema contemporaneo. De qualquer forma, depois da sua critica, vou tentar novamente ver the wild pear tree. Obrigado por compartilhar.

  2. ALUIZIO FRANCISCO JUNIOR

    Já que está nessa pegada de séries vou lhe indicar duas que merecem atenção:
    Fauda (Netflix)
    American Gods (Prime Vídeo)
    Como recíproca a tantas boas indicações que peguei por aqui.

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