Avengers: Endgame – Vingadores: Ultimato

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A saga foi longa e os fãs da grife Marvel nos cinemas estavam sedentos. Avengers: Endgame veio para fechar um ciclo e colocar um pingo final em uma trajetória que pedia por isso. Mas o filme é excepcional? Destes que serão citados por você quando fores indicar um filme para alguém? Bem, eu diria que Avengers: Endgame cumpre o seu papel, mas não vai além disso. A história é um bocado previsível, mas o filme entrega o que promete. Há sequências incríveis, há momentos engraçados e um pouco emocionantes e, claro, efeitos especiais e visuais excelentes. Mas é isso. Nada fora do normal ou do que você já estava esperando.

A HISTÓRIA: Lila Barton (Ava Russo) está aprendendo com o pai, Clint Barton (Jeremy Renner), mais conhecido como Gavião Arqueiro, como aperfeiçoar os seus disparos de arco e flecha. O local em que eles estão é tranquilo e paradisíaco. A família Barton está vivenciando um dia tranquilo, com a esposa de Clint, Laura (Linda Cardellini) preocupada em saber quem vai querer maionese, mostarda ou ketchup no hot dog. Tudo parece perfeito, até que Lila e os demais, menos Clint, desaparecem.

Em uma nave sem condições de retornar para a Terra, Tony Stark (Robert Downey Jr.), mais conhecido como Homem de Ferro, grava mais uma mensagem para a sua amada Pepper Potts (Gwyneth Paltrow). Ele sobreviveu aos fatos ocorridos com Thanos (Josh Brolin) com ajuda de uma das “filhas” do vilão, Nebulosa (Karen Gillan). Como ele conta, se passaram 22 dias desde que Thanos ganhou a batalha e destruiu metade da vida na Terra. Agora, Stark espera o oxigênio da nave acabar e a vida dele terminar, consequentemente. Mas aí aparece em cena Carol Danvers (Brie Larson), mais conhecida como Capitã Marvel, que resgata o Homem de Ferro. A partir daí, vamos acompanhar a busca dos Vingadores por reparar o mal que foi feito por Thanos.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Avengers: Endgame): Quando eu vi que esse filme tinha três horas de duração, eu pensei: “Puxa, eles terão fatos para contar!”. Claro que mais que uma história rica e cheia de detalhes interessantes o que temos em cena é um roteiro planejado com esmero para agradar aos fãs do Universo Marvel. Assim, temos sim o reencontro de diversos personagens queridos pelo público com os seus passados e, porque não dizer, com um vislumbre do que seriam os seus futuros.

O tempo é algo interessante nesta produção. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Não apenas porque contamos com uma viagem no tempo durante a história, com personagens como Tony Stark e Steve Rogers (Chris Evans) revendo os seus próprios passados e tendo reencontros emocionantes com pessoas que eles tiveram que deixar para trás, mas também porque algumas histórias nos fazem refletir sobre como construímos o nosso futuro.

A parte boa do filme é quando o roteiro de Christopher Markus e Stephen McFeely, baseados nos HQs criados por Stan Lee, Jack Kirby e Jim Starlin, exploram os aspectos mais pessoais dos personagens. Seja pela sequência inicial, que é visualmente muito bem construída e emocionalmente marcante, do Gavião Arqueiro vendo tudo que ele ama desaparecer na frente dos seus olhos, seja depois, no “futuro”, quando Tony Stark está com uma família constituída, esses momentos de proximidade com os atores são o ponto forte da produção, a meu ver.

Gosto sempre que um filme se aproxima dos personagens, de suas escolhas e sentimentos. Acho que as histórias de HQ transportadas para a telona funcionam muito bem quando buscam essa profundidade maior dos personagens – vide Logan (comentado aqui) e Black Panther (com crítica neste link). Quando Avengers: Endgame investe nesta proximidade com os personagens, o filme ganha em sentimento. Mas claro não é apenas isso que o público espera e nem é só disso que o filme é feito.

As grandes cenas de batalha precisam existir, e elas são feitas com esmero. Ainda assim, há pouca surpresa quando a batalha acontece. Mas antes de falar deste ponto do filme, vamos voltar um pouco para o desenvolvimento da história dirigida por Anthony Russo e Joe Russo.

As escolhas sobre a narrativa até que foram interessantes. Afinal, quem poderia esperar que logo aniquilariam Thanos? Quando Thor (Chris Hemsworth) acaba com o vilão, após ele ter destruídos as Joias do Infinito (apresentadas no filme anterior, comentado aqui), que poderiam, em tese, retornar com as vidas perdidas, o que poderia seguir na produção?

Bem, como o filme estava no início, certamente teríamos uma reviravolta na história. Quem assistiu a Ant-Man and the Wasp (com crítica neste link), logo relacionou A com B e sabia que a solução para o problema viria através da descoberta de Scott Lang (Paul Rudd), conhecido como Homem-Formiga. Ou seja, não demora muito para você matar praticamente toda a charada de Avengers: Endgame. Isso é bom para o filme? Definitivamente não.

Mas beleza, o que nos resta quando não somos surpreendidos pela história? Nos resta curtir os encontros e reencontros dos personagens, ver aquela constelação de estrelar surgir na nossa frente e, claro, nos divertirmos com as piadinhas, com algumas tiradas boas, sequências emocionantes e com os efeitos visuais e especiais sem fim que aparecem em cena. Por tudo isso, Avengers: Endgame é exatamente o que se esperava dele: um grande entretenimento.

Os fãs, acredito, em geral, vão amar. Afinal, o filme apresenta todos os elementos que já esperamos, naturalmente, de filmes da Marvel. Mas para mim, que sou fã das HQs, dos personagens e dos filmes da Marvel – especialmente dos melhores -, mas, especialmente, sou fã do bom cinema, Avengers: Endgame deixou um pouco a desejar. Especialmente pelo roteiro, que me pareceu estrategicamente medido para agradar aos fãs da Marvel e não necessariamente feito para agradar aos fãs do cinema.

O fato do roteiro ser bastante previsível tira um pouco da graça do filme para mim. Mas no demais, claro, Avengers: Endgame é maravilhoso. Sempre bacana ver tantos atores bons juntos, assim como nos aproximarmos destes heróis depois que eles foram “derrotados”.

O grupo, então, se divide essencialmente em duas partes: em figuras como o Capitão América e Natasha Romanoff (Scarlett Johansson), conhecida como Viúva Negra, que, apesar de não negarem o luto, tentam seguir a vida buscando ajudar uns aos outros; e, de outro lado, em figuras como Thor e Gavião Arqueiro, que se enchem de desesperança, de bebida ou de ânsia assassina, respectivamente, e que não conseguem ver um horizonte pela frente.

Nesse aspecto o filme é interessante. Ao nos lembrar que mesmo os heróis são diferentes e agem de maneira diversa quando perdem tudo. Avengers: Endgame os humaniza de uma forma mais ampla, apesar de não ter tempo de se aprofundar muito na história e nos sentimentos de ninguém – afinal, é um grupo grande para retratar. No geral, contudo, Avengers: Endgame se apresenta um filme com tempo adequado, bom desenvolvimento de personagens, ótimas cenas de ação e de batalha e alguns acontecimentos feitos sob medida para emocionar os fãs.

Tenho certeza que a despedida de alguns personagens que, aparentemente, partiram para sempre, e alguma passagem de “bastão” entre personagens mexeu com os espectadores. É fato que em certos momentos, como aconteceu antes com Logan, alguns personagens precisam se despedir do público. Faz parte.

Quem sabe eles não ensinem, desta forma, os jovens a entenderem um pouco mais sobre a finitude da vida? Porque por mais que os super-heróis estejam aí para nos inspirar e nos fazer pensar, a maioria deles é mortal. Que graça teria se eles não fossem assim?

O único problema de Avengers: Endgame, a meu ver, e infelizmente esse não é um problema pequeno, é que sua narrativa é bastante previsível. Dá para você matar a maioria das charadas bem cedo na história. Ainda que ser surpreendido não é algo fundamental, e sim é mais importante ser coerente, agradecemos quando ao menos um pouco de surpresa acontece em cena. Mas Avengers: Endgame não tem espaço para isso. Uma pena. Ele poderia ser melhor se tivesse procurado ousar um pouco mais.

NOTA: 8,5.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Não vou mentir para vocês. Eu não assisti a toooodos os filmes da Marvel lançados até agora. Perdi um aqui, outro acolá, mas, me parece, assistindo a esse filme de “arremate” de todas as produções lançadas até agora e que faz um divisor de águas entre o que passou e o que virá no Universo Marvel, acho que não perdi nada de importante ou realmente fundamental. Menos mal. 😉

Em outros textos sobre filmes da Marvel eu já comentei sobre o meu apreço pelas HQs. Quando era criança e adolescente, eu lia muuuitos HQs – 90% das vezes, da Marvel. Da DC Comics, basicamente, me interessava as histórias do Batman – mas algumas, não todas. Assim, gosto sim de ver os filmes com essa galera em cena, ainda que nem sempre eles me pareçam tão fascinantes quanto as HQs eram para mim no passado – hoje, só continuo lendo mais The Walking Dead em HQ. Claro que, na fase adulta, li a outros quadrinhos, geralmente obras mais densas do que os filmes da Marvel. 😉

Impossível falar do elenco inteiro de Avengers: Endgame que tem algum destaque na produção. Ainda assim, inevitável falar do excelente trabalho do elenco principal, formado por figuras que já se conhecem e trabalham há muitos anos juntas, como Robert Downey Jr., Chris Evans, Mark Ruffalo, Chris Hemsworth, Jeremy Renner, Scarlett Johansson e Paul Rudd. Eles são os personagens que tem mais relevância nessa história.

Além deles, como “segundo time” que aparece bem no filme, estão Don Cheadle, Brie Larson, Karen Gillan, Elizabeth Olsen, Zoe Saldana, Rocket (com voz de Bradley Cooper), Gwyneth Paltrow, Josh Brolin e Chadwick Boseman. Aparecem menos, mas com relevância na história, Benedict Cumberbatch, Tom Holland, Evangeline Lilly, Anthony Mackie, Sebastian Stan, Tom Hiddleston, Danai Gurira, Benedict Wong, Letitia Wright, John Slattery, Tilda Swinton, Jon Favreau, Michael Douglas, Michelle Pfeiffer, Sean Gunn, Hiroyuki Sanada, Robert Redford, Chris Pratt, Lexi Rabe (como Morgan Stark). Além desse povo todo, temos ainda Stan Lee em sua última aparição como motorista de um carro. Esse é o verdadeiro herói desta história toda. 😉

Avengers: Endgame estreou no dia 22 de abril em uma première em Los Angeles. No dia 24 de abril o filme estreou em 30 países em diversos continentes. No Brasil, ele estreou no dia 25 de abril. Como esperado, o filme é um arrasa-quarteirão. A produção, que teria custado cerca de US$ 356 milhões, faturou, até o dia 5 de maio, cerca de US$ 619,7 milhões apenas nos Estados Unidos – e outros US$ 1,57 bilhão nos outros países em que o filme já estreou.

Ou seja, teria faturado algo em torno de US$ 2,2 bilhões até o dia 5 de maio. Isso já coloca o filme como a segunda maior bilheteria do cinema da história – atrás apenas de Avatar, segundo o site Box Office Mojo. Mas, pelo que tudo indica, será fácil do filme que fecha a saga da Marvel dos Vingadores passar para o primeiro lugar. Devastador.

Os usuários do site IMDb amaram o filme. Hahahaha. Prova disso é que Avengers: Endgame ostenta a impressionante nota de 8,9 no site. Os críticos que tem os seus textos linkados no site Rotten Tomatoes dedicaram 412 críticas positivas e 22 negativas para a produção, o que lhe garante uma aprovação de 95% e uma nota média de 8,29. Nota bastante alta para o padrão do site também. O site Metacritic apresenta um “metascore” 78 para o filme, fruto de 52 críticas positivas, de três medianas e de uma negativa.

Até o momento Avengers: Endgame não recebeu nenhum prêmio. Mas não vou ficar admirada se ele ganhar alguns no futuro – talvez até alguns técnicos no Oscar? Aliás, entre os aspectos técnicos do filme, vale destacar o excelente trabalho das equipes envolvidas nos Efeitos Visuais, nos Efeitos Especiais e na Maquiagem e Cabelo; assim como a dupla responsável pela edição, Jeffrey Ford e Matthew Schmidt; e o diretor de fotografia Trent Opaloch. A exemplo do roteiro e da direção, que achei um bocado previsíveis, achei o mesmo da trilha sonora de Alan Silvestri. Além deles, vale citar o bom trabalho de John Plas e de Charles Wood no Design de Produção; de Leslie Pope na Decoração de Set; e de Judianna Makovsky nos Figurinos.

Avengers: Endgame é um filme 100% dos Estados Unidos. Por causa disso, essa crítica acaba entrando na lista de textos que atendem a uma votação feita há tempos aqui no blog.

CONCLUSÃO: Meio que a conclusão sobre esse filme eu já apresentei na introdução, não é mesmo? 😉 Mas é exatamente aquilo o que eu penso. Avengers: Endgame é um belo entretenimento. O filme é bem conduzido, envolvente, tem ótimos atores em cena. Mas a história, em si, não é nada surpreendente. Ok, a questão Thanos ter sido “resolvida” logo no início da produção surpreendeu um pouquinho. Mas o que vemos depois, não foi tão surpreendente assim. Basta lembrar bem do filme anterior e de outras produções próximas para saber em que toada o filme deveria seguir. Ainda assim, vale o ingresso. Especialmente para quem acompanhou a saga até aqui.

Sobre Alessandra

Jornalista com doutorado pelo curso de Comunicación, Cambio Social y Desarrollo da Universidad Complutense de Madrid, sou uma apaixonada pelo cinema. Em outras palavras, uma cinéfila inveterada. Também tenho Twitter, conta no Facebook, Polldaddy, Youtube, entre outros sites e recursos online. Tenho 20 anos de experiência como jornalista e hoje trabalho com inbound marketing em Florianópolis (SC), Brasil.

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