BlacKkKlansman – Infiltrado na Klan

Um filme contundente, bem ao estilo de seu realizador. Mas nós precisamos de filmes assim, ao menos enquanto restarem pessoas intolerantes e racistas, do tipo que se acha superior a outros grupos e pessoas. BlacKkKlansman mergulha na diáspora racial dos Estados Unidos. Faz isso seguindo a lógica do “teatro do absurdo” sem deixar de lado o tom crítico político – com diversas citações a um governo que dá margem para brancos supremacistas acharem que a “hora deles chegou”. Por sua temática, crítica e narrativa envolvente, merece chegar até o Oscar 2019, sem dúvidas.

A HISTÓRIA: Começa com uma sequência de …E o Vento Levou, com Scarlett (Vivien Leigh) buscando o Dr. Meade em meio a diversos feridos. Depois de perguntar pelo médico algumas vezes, ela diz: “Que Deus salve a Confederação”. A sequência fecha na bandeira dos Confederados. Em seguida, a mesma bandeira aparece nas costas do Dr. Kennebrew Beauregard (Alec Baldwin), que diz que o país está sob ataque. Ele comenta que as pessoas estão vivendo em uma época marcada pela “integração e miscigenação” e que isso precisa ser combatido. Em um mesmo vídeo de propaganda, ele ataca os negros, os judeus e a Suprema Corte que “obrigou” crianças brancas a conviverem com crianças negras na escola.

Esse é o pano de fundo desse filme, que conta a história de Ron Stallworth (John David Washington), o primeiro policial negro de Colorado Springs. Cercado de policiais brancos por todos os lados e inserido em uma sociedade com muitos rasgos racistas, Stallworth tem a ideia, após ver a um anúncio no jornal, de entrar em contato com a Ku Klux Klan local. Ele começa a investigar o grupo e tenta “entrar” nele como “policial infiltrado”. Como ele é negro, ele acaba dividindo a sua “identidade” com o colega Flip Zimmerman (Adam Driver).

VOLTANDO À CRITICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a BlacKkKlansman): Na definição/categorização deste filme, ele aparece como “Biográfico, Crime, Drama”. Spike Lee acerta em cheio ao resgatar uma história realmente impressionante, de um homem que enfrentou todos os preconceitos e barreiras sociais e discriminatórias para se tornar o primeiro policial negro da sua cidade.

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Mas não apenas isso. Ele faz algo inacreditável: se voluntaria como um novo voluntário para participar da Ku Klux Klan local. Mesmo que você não saiba muito sobre esse grupo, é claro que você sabe que eles são um bando de supremacistas brancos que se acham superiores e detentores da “missão” de atacar negros e pessoas que defendem o direito de todos terem a mesmas oportunidades e conviverem nos mesmos locais. Assim, como um negro pode trabalhar como um infiltrado na KKK? Impossível, é claro.

Mas é justamente isso que o protagonista desse filme faz. Ele sabe como ninguém como pensam os brancos preconceituosos e como falar/lidar com eles. Então ele está mais que preparado para lidar com os líderes do movimento, mas sempre por telefone. Quando tem que conviver com o grupo, quem se passa por Ron Stallworth é o seu colega, um dos policiais brancos mais abertos à conviver com um negro na corporação, Flip Zimmerman.

O diretor e roteirista Spike Lee – que escreveu esse roteiro juntamente com Charlie Wachtel, David Rabinowitz e Kevin Willmott – acerta na mosca na construção interessante que ele faz sobre essa história. Ele começa com uma provocação sobre a influência cultural que reforça ou sugere uma justificativa para o preconceito racial – inclusive em clássicos como …E o Vento Levou e O Nascimento de Uma Nação, dois filmes com trechos reproduzidos em BlacKkKlansman – e prossegue com a gravação de uma propaganda criminosa que reproduz essas ideias segregacionistas.

A forma com que BlacKkKlansman é construída é muito interessante por isso. Porque o filme constrói a narrativa de forma direta, mostrando todo o absurdo daquela corrente supremacista branca que considera todos os negros “estupradores e assassinos”, como argumenta Beauregard, apenas pela cor de sua pele. Isso não tem o mínimo sentido, evidentemente, mas o filme conta sobre uma época em que isso era defendido através de vídeos, de manifestações públicas e por grupos como a KKK.

Ao mesmo tempo, temos a um negro que sonha em ser policial e que se “aventura” em meio a um grupo de brancos – com parte deles sendo racistas também. Inicialmente, ele é colocado em uma tarefa burocrática, mas ele logo manifesta o seu desejo, para o Chefe Bridges (Robert John Burke), de ser um policial infiltrado. Qual é a primeira missão que dão para ele? Dele se infiltrar em um encontro político negro para saber sobre as “intenções dos agitadores” e, ao investigá-los, evitar “distúrbios” na cidade.

Os negros tem que ser controlados e calados. No mínimo. Isso é o que a autoridade policial defende, também influenciada por uma cultura historicamente racista. Vale ponderar que Colorado Springs é uma cidade situada na região central dos Estados Unidos – ou seja, fica entre o limiar do Sul mais preconceituoso e o Norte mais “liberal”. Spike Lee explora esses conceitos e esse “pano de fundo” muito bem.

Diversos momentos do filme beiram ao absurdo. Ao menos, sob a ótica de alguém “normal” que sabe que negros e brancos são iguais, deveriam ter os mesmos direitos e oportunidades, e vêem como absurdo o discurso supremacista branco. Por isso mesmo é especialmente incrível observar aquelas linhas iniciais de Lee comentando que “essa parada é baseada em uma merda muito, muito real”. Porque sim, existiu um Ron Stallworth que vivenciou aquilo que vemos em cena e que escreveu um livro para contar a sua experiência.

A narrativa de Lee é envolvente e o roteiro explora bem a história que beira o absurdo – mas que também convence por seus contratempos e pequenos “deslizes” aqui e ali. Stallworth e Zimmerman são corajosos ao assumir aquela missão de se infiltrarem na KKK para saber o que eles estão planejando. No fim, a missão deles evita uma ou mais mortes. Mas o grupo vai continuar aterrorizando, inclusive com a conivência de autoridades locais (ou nacionais).

Nesse quesito, claro, Spike Lee não poderia se furtar de fazer uma referência clara ao “supremacista branco” que está governando o país novamente. Assim, BlacKkKlansman conta sim uma história específica, mas também não fecha os olhos para um dos maiores líderes da KKK, David Duke (Topher Grace) que é, adivinhem?, um dos mais efusivos apoiadores do atual líder máximo da nação.

É de arrepiar que essas e tantas outras pessoas defendam os “sagrados valores brancos protestantes”. Me desculpem o palavreado, mas essa é uma gente escrota e sem contato com a realidade. Sem a mínima noção do que estão falando ou defendendo. Mas é uma gente desequilibrada e perigosa, como BlacKkKlansman mostra bem. O grupo no qual Zimmerman se infiltra tem pessoas beeem desajustadas – e armadas.

O filme nos faz pensar, especialmente até quando essa queda de braços vai continuar. Enquanto houver um grupo falando em “supremacia branca”, certamente haverá um grupo pedindo por “empoderamento dos negros”. Essa é uma luta que nunca irá terminar enquanto tiver pessoas dividindo a sociedade dessa forma. Será que é tão difícil vivermos em uma sociedade em que as políticas públicas e as pessoas comuns realmente busquem por igualdade de oportunidades para todos, independente da cor da pele.

Claro que existe uma desigualdade histórica que precisa ser resolvida. Mas espero que um dia os policiais e as autoridades dos Estados Unidos parem de fechar os olhos para grupos criminosos, racistas e violentos como a KKK e os combatam de uma maneira mais efetiva. E que outras medidas sejam tomadas para educar as pessoas e buscar eliminar tanta ignorância no mundo. BlacKkKlansman trata destas questões de maneira franca e crítica. Precisamos de filmes assim, que coloquem o dedo na ferida e que não façam esquecermos dos absurdos que perduram.

NOTA: 9.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Spike Lee bebe de muitas fontes para fazer este filme. Apesar do foco dele ser o primeiro negro policial em uma cidade da área central dos Estados Unidos, ele também faz alusões a várias outras fontes de referência. Além dos filmes que ele “cita” na produção literalmente, ao reproduzir trechos das produções, ele faz “colagens” de rostos, ao estilo de filmes antigos que adotavam este tipo de transição para dar dinâmica para a narrativa, e também mergulha um pouco na cultura negra do final dos anos 1970 – quando o filme é ambientado.

Há quem tenha visto “comédia” nesse filme. Honestamente? Eu não vejo comédia em BlacKkKlansman. Esse filme nos conta histórias que fazem parte da realidade dos americanos até hoje. O conflito racial por lá é muito mais claro e mais extremo do que estamos acostumados no Brasil. Mas é bom falarmos sobre aquele nível de ignorância e sobre aquele preconceito que vemos em cena para evitar que isso aconteça por estas bandas. E sempre que vejo a um filme como BlacKkKlansman me pergunto: será quem um dia os Estados Unidos vão conseguir resolver este problema? Parece algo realmente complicado, especialmente no governo atual. O que é lamentável.

Bom ver Spike Lee em grande forma novamente. Acho que ele retorna em grande estilo para a temporada de premiações. Nesta produção, ele nos apresenta uma história realmente interessante e bem conduzida. Mérito dele, dos roteiristas que fazem o roteiro com ele e dos atores – especialmente John David Washington e Adam Driver estão muito bem.

Além de Washington e de Driver, grande responsáveis pelo sucesso desta produção, vale comentar o bom trabalho de diversos coadjuvantes, a começar por Robert John Burke como o Chefe Bridges, que está no limiar do racismo; Brian Tarantina em uma super ponta como o Oficial Clay Mulaney, apoiador de Stallworth e de Zimmerman; Ken Garito como o Sargento Trapp, outro que fica mais do lado de Stallworth do que contra ele – muitas vezes ele é “a voz da razõa” de Bridges; Frederick Weller como o policial racista Andy Landers; Laura Harrier como Patrice Dumas, a líder do movimento estudantil negro por quem Stallworth se interessa; Ryan Eggold como Walter Breachway, o líder local da KKK; Jasper Pääkkönen como Felix Kendrickson, um dos mais extremistas membros da KKK local, junto com a sua mulher Connie, interpretada por Ashlie Atkinson; e Paul Walter Hauser como o “bobão” Ivanhoe, outro membro da KKK sedento por puxar o gatilho e acertar alguns “negros”.

Acho impressionante como a galera “macho branca” retratada por este filme, tempos depois do final da Segunda Guerra Mundial, continua defendendo os “sagrados valores brancos protestantes”, classificando negros como inimigos e “estupradores e assassinos” que querem atacar as “mulheres brancas virgens” e atacando o que chamam de “conspiração judaica internacional”. Como alguém pode proferir estas palavras e ideias? E mesmo acreditar nisso? Honestamente, é algo ultrajante e que não faz rir, mesmo pelo absurdo, mas apenas lamentar e nos indignar.

Impressionante como Stallworth é “ensinado” a aceitar qualquer barbaridade que ele for escutar. Afinal, ele é a “minoria” que deve se adaptar. Sério? Sério mesmo? Não importa se você está sozinho ou se você é o único em uma batalha. Se você está certo e defende os valores certos, isso é o que importa.

Entre os aspectos técnicos do filme, destaque para a edição de Barry Alexander Brown; para a trilha sonora de Terence Blanchard; para a direção de fotografia de Chayse Irvin; para o design de produção de Curt Beech; para a direção de arte de Marci Mudd; e para os figurinos de Marci Rodgers.

Antes, eu falei, essencialmente, sobre os pontos positivos de BlacKkKlansman. Mas o filme não é apenas acertos. Para mim, apesar de ser uma história interessante e bem conduzida, o filme perde um pouco de força ao querer contar uma história “semi” de amor entre o protagonista e a sua protegida, assim como em querer “abraçar” toda a cultura negra da época. Algumas festas e inserção de música pode ter sido interessante, mas fica um bocado deslocado da história. Acho que o filme perde um pouco o interesse nesses pontos.

BlacKkKlansman estreou em maio de 2018 no Festival de Cinema de Cannes. Depois, até novembro, o filme participou de outros 14 festivais e mostras em diversos países. Até o momento, BlacKkKlansman ganhou 26 prêmios e foi indicado a outros 133 prêmios – incluindo quatro indicações ao Globo de Ouro. Ou seja, apesar de ter ganho alguns prêmios, ele foi mais derrotado do que saiu vencedor das premiações. Isso, acredito, mostre uma tendência. Do Globo de Ouro, por exemplo, ele saiu de mãos vazias.

Entre os prêmios que recebeu, destaque para o Grande Prêmio do Júri para Spike Lee e para a Menção Especial do Júri Ecumênico para o diretor no Festival de Cinema de Cannes; para o Prêmio da Audiência para Spike Lee no Festival Internacional de Cinema de Locarno; para o Prêmio de Melhor Filme Drama (Independente) no Satelitte Awards; e para nove prêmios como Melhor Roteiro ou Melhor Roteiro Adaptado. BlacKkKlansman também foi eleito, junto com outros nove filmes, com um dos filmes do ano segundo o AFI Award.

Agora, vale citar algumas curiosidades sobre BlacKkKlansman. Quem apresentou a história de Ron Stallworth para Spike Lee foi o produtor Jordan Peele. Lee achou a história do “homem negro que se infiltra na KKK” absurda demais, até que Peele garantiu para ele que a história era autêntica. Foi aí que Lee embarcou no projeto, porque achou que a história era ultrajante demais para ser ignorada. As únicas condições que Lee colocou para dirigir o filme foram de que ele pudesse incluir elementos cômicos e que pudesse fazer paralelo com questões raciais contemporâneas.

John David Washington é filho de Denzel Washington, ator que contracenou em quatro produções de Spike Lee.

O diretor Spike Lee recebeu uma ovação de seis minutos depois do filme ter estreado no Festival de Cinema de Cannes.

David Duke só descobriu que Ron Stallworth era negro em 2006, quando um repórter do Miami Herald ligou para ele para ouvir o seu lado da história. Lembrando que a história original do contato entre os dois remonta à década de 1970.

BlacKkKlansman é dedicado da Heather Heyer, uma garota que foi atropelada e morta em uma manifestação contra o movimento supremacista branco em agosto de 2017. Quando ela morreu, o filme estava sendo editado. Ao saber da história, Spike Lee quis incluir a homenagem no filme, lançando-o em circuito comercial um ano apos a manifestação “Unite the Right” e a morte de Heyer.

Esta produção é baseada no livro de memórias Black Klansman, lançado em 2014 por Ron Stallworth. Segundo Stallworth, o único arrependimento dele foi não ter exposto a história mais cedo, o que poderia ter mostrado o quão “bobo” foi David Duke nessa história e, com essa exposição, talvez ele teria prejudicado a carreira política do membro da KKK.

Os usuários do site IMDb deram a nota 7,6 para BlacKkKlansman, enquanto que os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 352 críticas positivas e 17 negativas para a produção – o que lhe garante uma aprovação de 95% e uma nota média de 8,3. O site Metacritic apresenta um “metascore” 83 para esta produção – fruto de 54 críticas positivas, de uma mediana e de uma negativa -, além do selo “Metacritic Must-see”.

De acordo com o site Box Office Mojo, BlacKkKlansman teria custado cerca de US$ 15 milhões e faturado, apenas nos Estados Unidos, pouco mais de US$ 48,5 milhões. Nos outros mercados em que o filme já estreou, ele fez outros US$ 40,9 milhões. Ou seja, na soma, fez pouco mais de US$ 89,4 milhões – um grande sucesso para Spike Lee e um filme com lucro para os realizadores.

BlacKkKlansman é uma produção 100% dos Estados Unidos – por isso esse filme entra na lista de produções que atendem a uma votação feita há bastante tempo aqui no blog.

Importante comentar que já faz mais de 10 dias em que eu assisti a esse filme. Estou meio “devagar” nesse início de ano, eu sei, mas é por causa da correria. Mas tentarei ver a mais filmes a partir de agora, até porque em poucos dias teremos os indicados ao Oscar. E, além deles, temos muitos bons filmes interessantes para assistir. Tentarei acelerar as publicações por aqui, prometo. 😉

CONCLUSÃO: Spike Lee sempre foi contundente em seus filmes. Em BlacKkKlansman isso não é diferente. Em certo momento, ele resume o que vemos em cena. Enquanto houverem pessoas gritando por “poder branco”, haverão pessoas gritando por “poder negro”. De forma bastante honesta, envolvente e com um discurso político acertado perpassando tudo, Lee nos apresenta um filme chocante sobre o atraso em que muitos vivem ainda. Pessoas que buscam se colocar em patamar superior e menosprezar as outras, em um país dividido e com dificuldades de superar esta questão de atraso. Bem desenvolvido, BlacKkKlansman precisa ser visto. Simples assim.

PALPITES PARA O OSCAR 2019: Muitos apontam BlacKkKlansman como um filme forte na corrida pelas estatuetas do Oscar. Acredito que o filme tem grandes chances de figura entre as 10 produções que vão concorrer na categoria principal, de Melhor Filme. Não seria uma surpresa também se a produção emplacasse ainda indicações de Melhor Diretor, para Spike Lee, e de Melhor Roteiro Adaptado.

No Globo de Ouro, o filme também emplacou as indicações dos atores John David Washington e Adam Driver – como Melhor Ator – Drama e Melhor Ator Coadjuvante, respectivamente. Não sei se eles terão apelo ou força para emplacar as suas indicações no Oscar também, mas é fato que ambos estão muito bem.

Agora, que chances o filme tem de ganhar nestas categorias? Difícil dizer, neste momento, porque faltam muitos filmes para serem vistos ainda. Mas acho que BlacKkKlansman, apesar de corajoso e com um tom político marcante, algo que está em voga na Academia nos últimos antes, não tem exatamente o perfil de um vencedor do Oscar de Melhor Filme. Seria uma surpresa, e bastante positiva, se a Academia tivesse a coragem de premiar a um filme crítico como este. Terei chance de opinar melhor após assistir a outras produções que estão cotadas para esta disputa.

Sobre Alessandra

Jornalista com doutorado pelo curso de Comunicación, Cambio Social y Desarrollo da Universidad Complutense de Madrid, sou uma apaixonada pelo cinema. Em outras palavras, uma cinéfila inveterada. Também tenho Twitter, conta no Facebook, Polldaddy, Youtube, entre outros sites e recursos online. Tenho 20 anos de experiência como jornalista e hoje trabalho com inbound marketing em Florianópolis (SC), Brasil.

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