Enemy – O Homem Duplicado

Imagine um sujeito que tem uma vida comum, ensinando os mesmos conceitos para estudantes dia após dia, mantendo uma relação morna com a namorada e repetindo os mesmos passos um após o outro. Até que ele quebra um pouco a rotina assistindo a um filme recomendado por um colega de trabalho e vê a própria imagem em um papel secundário na trama. Este é apenas o começo de uma reflexão sobre as escolhas que fazemos sobre a nossa própria vida e sobre as características que nos definem. Enemy trata disso e de muito mais. Um filme difícil de digerir no início, mas que vai ficando melhor conforme pensamos nele.

A HISTÓRIA: Imagens de uma cidade que parece parada. Em uma gravação, a mãe de Adam (Jake Gyllenhaal) agradece por ele ter mostrado para ela o seu novo apartamento. Na sequência ela emenda que está preocupada com ele e afirma que não sabe como o filho consegue viver daquela maneira. Ela pede para ele retornar e diz que o ama. Dentro do carro, Adam olha o movimento passar. Na cama, uma mulher grávida e nua olha para trás. Corta.

Uma frase vaticina: “Caos é a ordem ainda não decifrada”. Adam contempla uma chave que vai levá-lo a um local onde vários homens observam mulheres nuas sentindo prazer. Uma delas flerta com uma aranha. Corta. A cidade encoberta por uma névoa é revelada de perto. E o professor Adam fala para os seus alunos sobre controle. Em breve a vida organizada e controlada dele passará por um grande teste.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Enemy): Eis uma produção pesada. Não apenas nas mensagens, mas principalmente na narrativa e nos recursos “ambientais” (vide trilha sonora e direção de fotografia). Por isso mesmo a primeira sensação quando este filme acaba é de indecisão sobre o que assistimos. Afinal, do que este filme trata? E qual é a versão verdadeira – de algumas possíveis?

Procurando saber um pouco mais sobre a história depois que Enemy terminou, percebi que o roteiro de Javier Gullón foi baseado no livro O Homem Duplicado, do escritor português José Saramago. Lembro bem de quando a obra do português foi lançada. Ela dividiu opiniões e muita gente entendeu o que quis do livro. Então, meus caros, como esperar algo diferente de um filme inspirado em uma obra que já tinha, por essência, o desejo de fazer pensar sobre identidade e com isso, provocar confusão nas leituras a respeito do que foi narrado?

Dito isso, vamos ao que interessa: afinal, do que Enemy trata? (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Primeiro de tudo, esta produção aborda o sistema de vida atual de muitas sociedades modernas e urbanas. O protagonista deste filme é um sujeito que leva uma vida sem paixões e com muita rotina. Ainda que ele tenha um relacionamento com Mary (Mélanie Laurent), essa relação parece estar sempre próxima do fim – afinal, poucas vezes eles ficam mais tempos juntos do que na hora da cama. Há pouco diálogo e quase nenhuma convivência.

Quantas pessoas você conhece que vivem assim, cercadas de rotina e pouco sentimento? E mesmo o “antagonista” de Adam, o personagem de Anthony (o mesmo Jake Gyllenhaal), que em teoria tem uma vida bem mais “divertida” – afinal, ele é um ator que já conseguiu algumas pontas interessantes e que está procurando um lugar ao sol enquanto espera o primeiro filho ao lado da mulher Helen (Sarah Gadon) -, não tem uma vida exatamente “feliz”. Se fosse assim, ele não teria uma “vida dupla”.

E essa vida dupla não se manifesta apenas pelo clubinho de pervertidos do qual ele faz parte, mas também pelas traições dele no relacionamento – em certo momento Helen pergunta se ele vai ver a amante outra vez, apesar de ter prometido nunca mais fazer isso. Depois de ficar bem confusa com o filme, fui buscar mais informações sobre a obra de Saramago. E daí descobri que mais do que tratar de clonagem – essa foi a leitura de várias pessoas sobre a obra original -, o autor queria abordar a questão da identidade.

E quando ele trata dela, não está apenas discutindo o que, afinal, nos define ou não, mas também essa estranheza cada vez mais contaminante nos dias de hoje sobre o desconhecido, o diferente. Em uma sociedade individualista, cada vez mais as pessoas são “instruídas” a defender o seu próprio terreno, as opiniões e valores que tem, preservando estes conceitos sempre que se sente “ameaçada” por alguém que apresenta outras opiniões, valores e costumes.

O que você faz quando encontra alguém diferente ou muito parecida com você fala muito sobre a tua própria identidade. E afinal de contas é mais fácil lidar com alguém muito diferente ou muito parecido com a gente? Esta pergunta também aparece neste filme – e na obra de Saramago. Além disso, fica evidente como as duas obras – a cinematográfica e a literária – fazem uma crítica a essa vida “mais ou menos” que vai ocupando grande parte da existência do indivíduo. Ele não está satisfeito com a própria rotina ao mesmo tempo em que não consegue achar uma solução para este “estado das coisas”.

E o curioso do momento de “ruptura” da trama é a forma com que Adam e, principalmente, Anthony, flertam com a mudança radical da própria rotina para abraçar uma vida diferente. Claro que Anthony pensa em fazer isso rapidamente – trair a mulher com Mary e depois voltar para casa como se nada tivesse acontecido. Ele lida com os problemas da própria rotina desta forma, com pequenas escapulidas sem o “perigo” da ruptura radical.

Adam, por outro lado, não deseja mudar nada. Mas, ao mesmo tempo, quando encara a realidade da namorada sendo enganada por Anthony e traindo ele com o sósia egoísta, Adam não consegue ficar impassível. Resolve dar o troco, sem saber exatamente aonde está se enfiando. Ele faz isso mais por automatismo do que por vontade de alterar tudo radicalmente. O problema é que Saramago é um mestre da surpresa. Ele acaba com os planos dos próprios personagens que cria.

Não apenas Anthony tem um final surpreendente como Adam também cai em uma realidade que não tinha planejado. É isso o que acontece quando não pensamos bem a respeito dos nossos próprios atos. Com o acidente fatal de Anthony e Mary – o filme não deixa muito claro que eles morrem no carro, mas o livro de Saramago sim deixa isso claro -, Adam acaba assumindo o lugar do ator. Enemy termina antes do desfecho do livro – falarei dele mais abaixo.

Mas o importante desta produção é que ela mantém estas reflexões da obra original de Saramago. Com algumas pequenas mudanças feitas pelo roteirista Javier Gullón que tornam o filme um artigo independente. Vejamos. (SPOILER – não leia… bem, você já sabe). Para começar, durante grande parte do filme o espectador não sabe exatamente o que está acontecendo. Especialmente as falas da mãe de Adam, interpretada pela veterana Isabella Rossellini, colocam dúvidas na cabeça do público.

Primeiro, ela diz que está preocupada com o filho e que não entende como ele consegue levar a vida que está levando. Isso sinaliza que Adam não estaria agindo bem. Mas daí mergulhamos na rotina dele, bastante entediante e “normal”, e parece deslocada aquela preocupação toda da mãe – mas deixamos a leitura sobre isso para depois, porque há mães um pouco “preocupadas demais”, por assim dizer, e aquela sensação de que existe alguma coisa podre no reino da perfeição pode ser apenas uma ilusão.

O tempo passa, Adam vê a “si mesmo” – ou alguém igual a ele, já que aparentemente ele não tem lembrança nenhuma de ter participado de filmes como figurante – em produções pouco conhecidas e daí fica esboçada a ideia de que Anthony é uma cópia perfeita de Adam e não a vida dupla do protagonista. É isso o que o roteiro nos faz acreditar, ainda que aquele sujeito igual a Adam pareça estranho, um pouco difícil de acreditar.

A primeira ideia que tive na cabeça, tentando “matar a charada” antes da hora, é que Anthony fosse a identidade dupla de Adam. E que ao confrontar a própria imagem no filme indicado pelo colega de trabalho (interpretado por Joshua Peace), em uma indicação “cheia de malícia”, ele tem que enfrentar o “transtorno dissociativo de personalidade”, como gostam de chamar os psicólogos. E mesmo o encontro no motel, para mim, não me pareceu definitivo – afinal, alguém que tem este transtorno pode também fantasiar um encontro inexistente.

Ajuda nesta teoria o encontro de Adam com a mãe quando o filme beira quase uma hora de duração. Além dela insistir que Adam é seu filho único e que é impossível ele ter encontrado alguém exatamente igual a ele – deve existir alguma diferença, ela argumenta -, a mãe do protagonista confunde a todos quando diz que ele deve desistir de atuar em filmes de terceira linha. Como mais tarde a mulher de Anthony comenta que achou estranho ele chegar em casa mais cedo porque iria visitar a mãe, algum desavisado pode achar que era o ator que estava falando com a mãe.

O problema é que o filme mostra Anthony perseguindo a namorada de Adam até o trabalho com uma roupa de motociclista e o homem que fala com a mãe em um apartamento estranho está vestido como o professor Adam. Então se aquele homem que fala com a própria mãe é Adam, por que ela comenta que ele deveria desistir de fazer filmes de terceira linha? Ela está apenas fazendo uma piada ou realmente dando um conselho para o filme? E se for o segundo caso, afinal de contas, Anthony nada mais é que a outra personalidade de Adam?

O roteiro de Enemy dá a entender que as traições de Adam e Anthony ocorrem simultaneamente. Enquanto Adam se faz passar por Anthony e se aproxima de Helen, o ator está na cama com Mary e, depois, se acidenta de carro quando Helen decide consumar a traição. A diferença é que Helen sabe o que está fazendo – que Adam não é Anthony – enquanto Mary está sendo enganada. Mas quem nos garante que, de fato, os fatos são simultâneos? Será mesmo que Adam não poderia ter “atuado” como Anthony com Helen primeiro e depois ter “atacado” Mary? As duas mulheres serem loiras e bem parecidas – exceto pela gravidez – também ajudam na confusão – que, sem dúvida, é um dos objetivos da história.

O que contradiz esta teoria de que os dois homens seriam a mesma pessoa são três pequenos detalhes. Primeiro, a questão temporal. Ainda é dia quando Anthony pega Mary para um dia diferente e “romântico” e também é dia quando Adam vai para o apartamento que o ator tem com a mulher grávida. Depois, quando amanhece, Helen ouve no rádio a notícia do acidente que ocorreu na madrugada antes de mudar a estação – dificilmente Adam teria tempo de transar com as duas mulheres e chegar em casa a tempo de Helen não desconfiar. E, finalmente, a questão da marca da aliança. Mary identifica o impostor porque ele tem a marca de uma aliança – algo que Adam nunca teve.

Estes detalhes derrubam a tese de que Adam tinha dupla personalidade. De fato, ele e Anthony eram idênticos, mas dois indivíduos diferentes. E como seria possível algo assim? Para mim, ficou evidente que a mãe de Adam mente. Ainda que ela jure que ele não teve um irmão gêmeo, será isso verdade? E se ele realmente era filho único, em que momento e com que objetivo teriam feito uma cópia perfeita dele? Seria possível uma clonagem sem o conhecimento da mãe de Adam? Acho beeeeeeeeeeem improvável.

Da minha parte, analisando apenas o filme, acredito que Anthony era irmão gêmeo de Adam e que as famílias dos dois não foram francas com eles – por motivos que desconhecemos. Quando Adam vê uma pessoa igual a ele atuando em filmes, fica perturbado. Ele se pergunta quem é ele, quem é o outro? O que define e o que diferencia cada um deles? Fica perturbado, perplexo, mas acaba aceitando essa figura diferente e tão parecida com ele. Com a aparição de Anthony, Adam repensa a própria vida.

O problema é que quando ele está pronto para fazer decisões importantes em sua própria vida, Anthony decide estragar tudo ao pular a cerca com Mary. Para o ator, acostumado a ter uma vida dupla e a enganar a mulher, esta será apenas mais uma traição. Para Adam, o significa do ato de Anthony é muito diferente. Ele não consegue lidar com a ideia de Mary estar na cama com outro homem, e a vida perfeita e ordenada que ele tinha acertado em sua própria cabeça desmorona.

No final, Adam acaba assumindo a posição de Anthony – mesmo antes dele e de Helen saberem do destino trágico de seus parceiros. Essa solução parece um pouco estranha no filme, mas é melhor explicada no livro. Aparentemente, segundo o roteiro de Gullón, Adam não consegue lidar com a traição involuntária de Mary e diz que não pode mais encontrar a namorada. Tendo perdido a amada, para ele parece natural assumir a outra vida já desenhada – de seu “sósia” Anthony. Helen estava farta do marido inconstante e traidor, e vê em Adam uma nova oportunidade de recomeço.

Claro que na vida real estas saídas parecem um tanto improváveis. Mas é bom lembrar que esta é uma ficção. 🙂 Sendo assim, acho sim que aqueles dois sujeitos idênticos eram, de fato, muito diferentes entre si. Ainda que eles tivessem em comum algo fundamental: a facilidade de mudar radicalmente de vida quando tivessem uma oportunidade. De forma simbólica, quando Adam aceita repetir os passos de Anthony e fazer parte daquele clube de homens sádicos, no lugar de Helen ele encontra uma aranha gigante.

Esta aranha, que ocupa todo o quarto, simboliza o mesmo animal que entra dentro da mulher observada por um grupo de homens excitados e silenciosos. Ela provoca prazer e dor na mulher, assim como a vida dupla que Adam começa a assumir vai trazer para ele e para quem estiver próximo dele. Provocações interessantes do roteirista Javier Gullón e do diretor Denis Villeneuve.

Ainda assim, muitas perguntas que Enemy levanta não são respondidas pela produção. E se você, como eu, for atrás do original, do livro O Homem Duplicado de José Saramago, tampouco terá uma resposta esclarecedora. Em sua obra, Saramago deixa claro que Mary e Anthony morreram no acidente de carro. Isso fica esclarecido. Mas o final do livro abre outra pergunta que Enemy não levanta.

Depois de assumir a identidade de Anthony a pedido de Helen, Adam recebe um telefonema em casa. A exemplo do que ele fez antes, agora é um outro homem que está ligando para dizer que ele é igual a Adam (agora na pele de Anthony). Mesmo perplexo, Adam aceita se encontrar com o desconhecido. Mas desta vez ele sai para o encontro armado. Temendo ser substituído da mesma forma com que ele fez com Anthony ele vai encontrar a sua cópia para eliminá-la? Conseguindo isto, por quanto tempo ele continuará seguro? A sensação de risco permanente é outra “praga” contemporânea. Saramago acerta ao tratar disto.

Mas a origem destas cópias não é explicada no livro de Saramago. Seriam elas resultado de clonagem? E se afirmativo, porque esta seria a resposta mais “plausível” (o que por si só já é um bocado absurdo, convenhamos), como estas cópias teriam sido feitas? E quem, afinal de contas, seria cópia de quem? Certamente há muita mentira e segredos espalhados aqui e ali para que aquelas cópias existissem. E a ameaça delas será constante. Assim como na vida real, sem que tenhamos cópias nos ameaçando, são arriscadas as ameaças constantes da vida que nos colocam em xeque a nossa própria identidade. Trabalho inteligente, ainda que o filme seja um pouco confuso demais.

NOTA: 8,7.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Importante dizer que eu apenas entendi melhor a proposta de Enemy depois que busquei o original de Saramago. E ainda que isso seja interessante – essa ligação que muitas vezes o cinema faz com a literatura -, sou defensora da independência destas duas expressões artísticas. Por isso mesmo, acho ruim quando um filme como este exija do espectador que ele vá atrás da obra original para entender o que aconteceu – acho que ele deveria ser mais autoexplicativo.

Durante a exibição do filme, achei Enemy muito pesado. Não apenas pela história, que é um tanto confusa e tensa, mas também por causa das escolhas feitas pelo diretor de fotografia Nicolas Bolduc e pelos responsáveis pela trilha sonora, sempre densa e pesada, Danny Bensi e Saunder Jurriaans. Estes elementos ajudam no desconforto que a história quer provocar – assim como a obra de Saramago.

Por falar no original, no livro O Homem Duplicado, acho interessante citar o que o autor queria com a própria produção. Nesta entrevista para a Folha de São Paulo em 2002, na época do lançamento do livro, Saramago afirmava que tinha uma preocupação constante pelo outro e que O Homem Duplicado era um livro “engajadíssimo”. Apesar de comentar isso, ele não esclarece de forma clara o que queria com esta obra. Esboça, contudo, que a questão dos nomes tem uma importância menor – para as pessoas é importante dar nomes para tudo, ainda que isso não seja determinante sobre o que as coisas ou as pessoas são.

Gostei do título original do filme. Enemy. Afinal, o “inimigo” é aquele que aparece na vida do protagonista para confrontá-lo, vindo de fora, ou é ele próprio ao tomar as atitudes erradas? Seríamos nós mesmos os nossos maiores inimigos através da nossa consciência? Esta ideia também está, aparentemente, no original de Saramago.

Muito boa e segura a direção de Denis Villeneuve. Depois de dirigir o “fenômeno” Prisoners (comentado aqui), o diretor canadense marca mais uma dentro com Enemy. Novamente ele confunde o público com diversas pistas mas esclarece as dúvidas nos detalhes. Ou, pelo menos, tenta. 🙂 Eis um diretor para ficarmos de olho. Atualmente, ele trabalha na pré-produção de Sicario, previsto para ser lançado no próximo ano e tendo Josh Brolin, Benicio Del Toro e Emily Blunt no elenco; e também em Story of Your Life, previsto para 2016, com Amy Adams. Estaremos de olho.

Este é um filme com um elenco reduzido. A trama gira em torno dos personagens vividos por Jake Gyllenhaal – e por suas duas loiras. Além dos atores já citados, vale citar as pontas dos atores Tim Post, que interpreta o homem que trabalha na recepção do prédio de Anthony e que está louco para conseguir uma nova chave para a “diversão da turma”; e Kedar Brown como o segurança que entrega o envelope com a nova chave para Adam – correspondência destinada para Anthony. Os dois fazem pontas com certa relevância e que imprimem um pouco mais de mistério na história. Mas o grande trabalho fica mesmo com Gyllenhaal, muito bom em diferenciar os dois personagens/personalidades da história.

Da parte técnica do filme, além da trilha sonora e da direção de fotografia pesadas, vale citar o bom trabalho do editor Matthew Hannam e o figurino sutil e fundamental de Renée April.

Enemy estreou em setembro de 2013 no Festival Internacional de Cinema de Toronto. Depois, o filme participaria de outros 21 festivais – uma marca impressionante! Nesta trajetória o filme conseguiu abocanhar sete prêmios e foi indicado a outros seis. Entre os que recebeu, destaque para os de Melhor Fotografia, Melhor Direção, Melhor Edição, Melhor Trilha Sonora Original e Melhor Atriz Coadjuvante para Sarah Gadon na categoria Canadian Screen Award do Genie Awards, realizado em Ontario, no Canadá, neste ano.

De acordo com o site Box Office Mojo, Enemy teria conseguido pouco mais de US$ 1 milhão nos cinemas dos Estados Unidos. Pouco.

Enemy foi totalmente rodado nas cidades de Toronto e Mississauga, ambas no Canadá.

Agora, algumas curiosidades sobre este filme: o elenco assinou um contrato de confidencialidade que não lhes deixa dar entrevistas ou qualquer explicação sobre o significado das aranhas para a história. Interessante.

O protagonista foi oferecido para Javier Bardem, mas o ator achou que o personagem não “combinava” com ele. Estranho… pensar que alguns personagens não combinam com o ator. Depois, o papel foi oferecido para Christian Bale, que não pode aceitar devido a um conflito de agendas. Acho que ele teria se saído bem – só não sei se melhor que o Jake Gyllenhaal.

Os usuários do site IMDb deram a nota 6,9 para Enemy. Uma boa avaliação, ainda que apenas mediana perto de outros filmes que viraram “sensação”. Os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 60 textos positivos e 20 negativos para a produção – o que lhe garante uma aprovação de 75% e uma nota média de 6,7.

Esta é uma coprodução do Canadá com a Espanha.

CONCLUSÃO: No início, não gostei tanto de Enemy. Achei o filme um pouco arrastado, enquanto a história se desenrolava, e o roteiro também bastante confuso. Mas isso apenas em um primeiro momento. Conforme fui pensando na história e conheci o original de José Saramago, as peças foram se encaixando melhor. Não existe apenas uma forma de entender este filme – ou a obra original que o inspirou. E isso é sempre uma grande qualidade para qualquer história. Enemy carece de um pouco mais de ritmo, mas até essa forma de narrativa ajuda na sensação de incômodo – que é o foco principal desta produção. No fim das contas este filme incomum mexe com nossos conceitos, interpretações, e deixa muitas perguntas no ar. Vale uma conferida por causa disso.