Green Book – Green Book: O Guia

Um filme sobre pessoas comuns, que normalmente não conviveriam, compartilhando uma viagem para dentro de um país segregado. Green Book é um filme singelo, sem muita inovação, mas que nos mostra, com muita simplicidade, como atitudes e crenças podem mudar com a convivência com o “diferente”. Em um país ainda marcado pelo preconceito racial, Green Book serve como um bom exemplo real de quebra de preconceitos sem grandes esforços ou firulas. Filme bacana, mas longe de ser excepcional.

A HISTÓRIA: Inicia afirmando que é inspirada em uma história real. Na cidade de Nova York, em 1962, vemos a movimentação em frente ao clube Copacabana. Lá dentro, o cantor Bobby Rydell (Von Lewis) saúda o público e afirma que está feliz de estar ali. Na noite de sábado no Copa, um dos seguranças do local, Tony Lip (Viggo Mortensen), acomoda um casal em um local privilegiado do salão e recebe uma “gorjeta” por isso. Na chapelaria, Sr. Loscudo (Joe Cortese) pede para a funcionária guardar o chapéu dele como se fosse a própria vida. Tony faz o chapéu desaparecer e, com a confusão que se forma no final da noite, o clube fecha por dois meses. Nesse período, Tony deve encontrar um outro trabalho, e é assim que ele vira motorista do Dr. Don Shirley (Mahershala Ali).

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Green Book): Estava com uma expectativa boa antes de começar a assistir a esse filme. Primeiro, pelos atores envolvidos no projeto. Gosto muito de Viggo Mortensen e de Mahershala Ali. Depois, pelas premiações que assisti até agora, fiquei sabendo um pouco sobre a história e ela me parecia interessante.

O filme não decepciona. A história é simples, como eu imaginava, mas relevante. Afinal, nunca é demais para os Estados Unidos e para todo nós lembrarmos da época em que havia locais para negros e para brancos. Esse passado é ainda recente e traz divisões para aquele país – e em outros locais, ainda que a segregação neles não tenha sido calçada por leis ou normas.

O filme está focado em um personagem e na sua “aventura” para o interior do país trabalhando como motorista de um músico conhecido e renomado. O protagonista é o “simplório” italiano vivido por Mortensen, Tony, que sempre viveu e continuará vivendo no bairro do Bronx, em Nova York. Ele não tem muitos estudos ou cultura, mas é o típico italiano grande, esperto e bom de briga. Por ter essas características, ele é sempre chamado para alguns “trabalhos”.

Não fica evidente no filme, mas sugerido, que Tony está cercado de vários “carcamanos”, homens que gostam de cobrar dívidas e de usar a violência para conseguirem o respeito para os seus chefões. Tony conhece essa realidade de perto, cresceu nela, mas não parece tão afeito a aceitar empregos que podem lhe levar até a crimes. Ele respeita todos esses italianos, mas não se deixa levar – ao fechar o clube em que trabalha para cair nas graças de um “chefão”, ele cogita voltar a dirigir caminhões de lixo antes de cair nos “trabalhos” de uma das máfias locais.

Como ficará dois meses “desempregado” e precisando arranjar qualquer dinheiro para pagar as contas da casa – especialmente o aluguel semanal -, ele aceita a sugestão de fazer a entrevista para ser o motorista de um médico. Chegando no local, ele conhece o diferenciado e um tanto extravagante Dr. Don Shirley que, logo ele vai descobrir, não é nenhum médico, mas um músico reconhecido e aclamado.

Gostei do roteiro simples de Nick Vallelonga, Brian Hayes Currie e Peter Farrelly. Eles apresentam o nosso “herói” de maneira muito simples, sem floreios ou tentando transformá-lo em um cara maior do que ele é. Tony é um sujeito simples, e é isso o que vemos em cena. Inicialmente, ele tinha preconceito com os negros – como parece que a maioria dos italianos do Bronx e/ou da família dele. Tony e os familiares dão a entender que não gostam de negros dentro de casa, trabalhando para eles, mas que aceitam se for necessário.

Precisando de dinheiro, ele topa trabalhar para Shirley. Por grande parte do filme, ele não entende o porquê do músico aceitar o preconceito que ele recebe na região Sul do país. Os músicos que formam o trio com Shirley, Oleg (Dimiter D. Marinov) e George (Mike Hatton), tentam explicar para ele as razões dele ter pedido por aquela turnê pelo território segregacionista do país.

Para mudar a realidade, não basta alguém ter talento, ele precisa ter coragem. Ou seja, enfrentar o preconceito e mostrar, com o seu talento e elegância, que um negro pode ser genial e único, inigualável em relação ao que faz. Além disso, acredito, Shirley queria experimentar na pele o que várias outras pessoas também vivenciavam. Como ele mesmo comenta, em certo trecho do filme – única parte um tanto “exagerada” da produção, já que não vejo como tão necessário o pedido dele de parar o carro e sair dele -, ele não se encaixava em nenhum grupo.

Para os brancos, ele era talentoso, até genial, mas não era branco suficiente para ser reconhecido desta forma; para os negros, ele vivia em um círculo de pessoas inacessível, ganhando dinheiro que eles nunca ganhariam na vida e sendo, desta forma, menos “negro” do que deveria. Em resumo, Shirley não era exatamente aceito entre os brancos e os negros e, por isso, ele se sentia sempre deslocado – e solitário.

A queda de preconceitos serve para o protagonista desta produção também. Tony acaba apreciando e admirando o talento de Shirley, enquanto o músico, com dois doutorados e um nível cultural muito maior que o do motorista, também aprende com o seu jeito simples e franco. Os dois olham verdadeiramente um para o outro e, na convivência diária, aprendem com as suas realidades diferentes e com as suas maneiras diversas de lidar com os problemas e com os desafios.

Interessante como Tony tem uma opinião bastante formada sobre o que os negros comem ou a música que eles escutam. Sim, de fato Shirley não fazia parte do “negro padrão” daqueles dias. Ele não tinha uma vida comum, não era um homem que trabalhava nos campos ou em um subemprego, como tantos outros daquela época. Então Tony aprende que não existe apenas um gosto por raça, assim como Shirley percebe como pode comer um frango frito com as mãos e sentir prazer com algo tão simples.

Naquela discussão no carro, Tony também fala como todos tem uma visão sobre os italianos – que todos comem pizza e falam alto. Bem, ele não parece fugir do padrão, mas isso não o impede de aprender com o diferente. Mesmo sem muita educação ou cultura, ele aprende com Shirley e também ensina algo para ele.

Mesmo Tony fazendo parte do padrão dos italianos do Bronx daquela época, certamente havia italianos que não seguiam aquele padrão, e isso acontece em qualquer parte, com qualquer cor de pele ou cultura. E mesmo quem segue um padrão, certamente se diferencia em algum aspecto. Eis um dos ensinamentos “naturais” desta produção. Nunca simplifique ou generalize demais.

Uma viagem vale sempre pelo que encontramos pelo caminho. Em Green Book, temos mais um exemplo sobre isso. O roteiro simples e honesto, baseado em uma história relativamente simples também, é uma das maiores qualidades da produção. Agradeço pelo trio Vallelonga, Currie e Farrelly não terem floreado muito a história, tentando torná-la mais complexa ou “comovente” do que ela é naturalmente. Isso é um ponto positivo. Por outro lado, a narrativa linear e a viagem um tanto “previsível” de Lip e Shirley prejudicam um pouco o filme, que acaba não mostrando nenhuma grande “inovação” ou reviravolta.

Sim, isso é compreensível para um filme com este perfil. Esse fato não desqualifica a produção, mas também não a torna inesquecível. Para resumir, Green Book é um belo filme, com ótimas interpretações e um trabalho bastante honesto dos roteirista e do diretor Peter Farrelly.

Dentre os concorrentes deste ano, sem dúvida alguma é o filme que apresenta a mensagem mais bacana e uma das mais importantes. Isso fará com que ele ganhe o Oscar de Melhor Filme? Talvez. Em um ano com uma safra meio fraca, como este, não seria ruim Green Book levar o prêmio principal da noite. Afinal, ele trata de americanos comuns, de um grande talento e de um país que ainda precisa resolver os seus problemas de divisão. Para os Estados Unidos, esta produção é especialmente importante. E, para todos nós, que não nascemos lá, ela nos faz pensar e valorizar bons exemplos. Apenas por isso, o filme merece o seu destaque e ser visto.

NOTA: 9.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Mahershala Ali tem recebido alguns dos principais prêmios por seu trabalho como Dr. Don Shirley. Ele realmente faz um belo trabalho, sem grandes rompantes, mas muito condizente com o personagem no qual ele deve se inspirar. A interpretação de Ali é elegante, cheia de pequenos detalhes e de imersão no personagem. Não podemos pedir nada mais para um grande ator como ele.

Ainda que menos premiado, Viggo Mortensen faz uma parceria perfeita com Ali. O personagem dele, do italiano que não para de falar e comer, é mais “espalhafatoso”, mas Mortensen também mergulha muito bem nos trejeitos e no jeito de falar dele. Interpretações realmente incríveis. Os personagens não poderiam ser mais diferentes, um do outro e, ainda assim, eles encontram pontos em comum e de convivência. Um exemplo para todos nós.

Não achei o roteiro de Nick Vallelonga, Brian Hayes Currie e Peter Farrelly excepcional, mas o trabalho deles é muito coerente com a história que lhes inspirou. Achei quase todo o material muito bem acertado, com o desconto de um ou dois trechos um tanto exagerados demais – especialmente aquele em que Shirley pede para o motorista parar em uma noite de chuva em que ele está falando como é mais “negro” que o músico porque vive em contato com as ruas. De fato, ele pode ter pedido para Tony parar o carro, mas achei a cena um tanto exagerada na versão final.

Os grandes nomes da produção são Viggo Mortensen e Mahershala Ali. Grande parte da história está centrada neles e na relação que ambos estabelecem durante a turnê do músico. Além deles, vale citar o bom trabalho dos coadjuvantes Linda Cardellini como Dolores, esposa de Tony; Sebastian Maniscalco como Johnny Venere, irmão de Tony; Dimiter D. Marinov como Oleg, que toca violoncelo no trio de Shirley; Mike Hatton como George, que toca baixo no trio; Joe Cortese em uma ponta como o mafioso Gio Loscudo; Maggie Nixon como a garota que guarda o chapéu de Loscudo no Copacabana; Von Lewis em uma ponta como o cantor Bobby Rydell; e os garotos Hudson Galloway e Gavin Lyle Foley como Nick e Frankie Vallelonga, filhos de Tony. Completam a família de Tony os atores Rodolfo Vallelonga e Louis Venere, respectivamente os avós Nicola e Anthony; e Frank Vallelonga como Rudy Vallelonga. Da família Venere, sobrenome de solteira da esposa de Tony, aparecem ainda Don DiPetta como Louie Venere; Jenna Laurenzo como Fran Venere; e Suehyla El-Attar como Lynn Venere.

Entre os aspectos técnicos desta produção, destaco a trilha sonora de Kris Bowers; a direção de fotografia de Sean Porter; a edição de Patrick J. Don Vito; o design de produção de Tim Galvin; a direção de arte de Scott Plauche; a decoração de set de Selina van den Brink; e os figurinos de Betsy Heimann.

Green Book estreou em setembro de 2018 no Festival Internacional de Cinema de Toronto. Depois, o filme participou de outros 21 festivais em diversos países pelo mundo até janeiro de 2019. Na sua trajetória até aqui, o filme ganhou 46 prêmios e foi indicado a outros 90 – incluindo a indicação em cinco categorias do Oscar.

Entre os prêmios que recebeu, destaque para os prêmios de Melhor Roteiro, Melhor Ator Coadjuvante para Mahershala Ali e Melhor Filme – Musical ou Comédia no Globo de Ouro 2019; para o de Melhor Ator Coadjuvante para Maheshala Ali no Prêmio BAFTA; para o prêmio de Melhor Ator Coadjuvante para Mahershala Ali no Screen Actors Guild Awards; e para outros 12 prêmios de Melhor Ator Coadjuvante para Mahershala Ali em diferentes premiações; 11 prêmios de Melhor Filme; 4 prêmios de Melhor Roteiro; 1 prêmio de Melhor Elenco e 4 prêmio de Melhor Ator para Viggo Mortensen.

Antes de filmar, Viggo Mortensen foi convidado para conhecer a família de Nick Vallelonga durante um jantar de seis horas. Ele passou mal porque ainda não tinha começado a engordar e a expandir o estômago. Durante o jantar, ele se sentiu “obrigado” a terminar cada prato, e a família não parava de servir para ele um prato novo. Depois de sair do jantar, ele andou um pouco com o carro e teve que se deitar no banco de trás para lidar com toda a comida que tinha ingerido. Realmente, os Vallelonga parece apreciarem muito a comida.

Agora, algo curioso sobre esta produção. Quando Green Book foi lançado, a família de Shirley se opôs à mensagem da produção dizendo que Tony e Shirley nunca tinham sido amigos, alegando que eles tiveram apenas uma relação “empregador-empregado”. Em janeiro de 2019, gravações de uma entrevista com Shirley surgiram em que ele fala sobre a relação com Tony: “Confiei nele implicitamente. Você vê, não era só o meu motorista, nunca tivemos uma relação empregador/empregado. Você não tem tempo para esta besteira. Minhas vidas estava na mão desse homem! Então você tem que ser amigável um com o outro”.

A peça de piano que Shirley toca no bar e emociona a todos é Etude Op. de Chopin 25 nº 11, “Vento de Inverno”, uma das peças mais difíceis de serem tocadas, com nota 9 (mais alta) na escala de Níveis de Dificuldade de Henle. Quando eu escutei, no filme, achei que fosse uma obra de um dos compositores clássicos, mas não sabia exatamente de quem ou qual. Foi bom ter essa informação de que era Chopin. 😉

Kris Bowers, o compositor do filme, foi o pianista de Mahershala Ali. A exemplo de Shirley, ele também só toca em pianos Steinway, todos feitos à mão. Segundo o pianista, porque esses pianos projetam o som como nenhum outro instrumento.

A cena da pizza é inspirada na vida real. Nick Vallelonga disse que Tony costumava pedir uma torta inteira de pizza, dobrá-la e comê-la. Ao ouvir sobre isso, Mortensen pediu para a cena ser incluída no filme, mas o diretor e roteirista Farrelly disse que já haviam cenas “alimentares engraçadas” demais na produção. Mas quando eles incluíram a cena e todos da produção começaram a rir, o diretor resolveu deixar ela no filme.

O filme é dedicado a “Larry the Crow”, um pássaro que pairava em torno do local das filmagens. O ator Viggo Mortensen cuidou dele depois que ele foi atropelado por um carro.

O título do filme é uma referência ao “Livro Negro dos Motoristas Negros”, conhecido também como “Livro Verde dos Viajantes Negros”. Publicado entre 1936 e 1966, o guia ajudava viajantes afro-americanos a encontrar locais em que eles poderiam dormir, comer e outros estabelecimentos comerciais que eles poderiam frequentar em locais que segregavam brancos e negros. Esse livro acabou cobrindo não apenas a América do Norte, mas também Bermudas e o Caribe.

Depois da viagem de dois meses que vemos em cena em Green Book, Tony e Shirley continuaram em contato. Depois da experiência que vemos no filme, eles entraram em uma turnê que durou quase um ano. Além disso, o músico pediu a Tony que se tornasse o seu motorista e guarda-costas durante a sua turnê europeia, mas Tony recusou o trabalho para não ficar mais tempo longe da sua família. Para Nick Vallelonga, Shirley era amigo da família.

Depois de assistir ao filme, o jazzista Quincy Jones comentou: “Eu tive o prazer de me familiarizar com Don Shirley enquanto eu trabalhava como arranjador em Nova York nos anos 1950, e ela era, sem dúvida, um dos maiores pianistas da América. Tão habilidoso músico como Leonard Bernstein ou Van Cliburn. Portanto, é maravilhoso que sua história esteja finalmente sendo contada e celebrada. Mahershala, você fez um trabalho absolutamente fantástico interpretando-o, e eu acho que a performance de Viggo Mortensen e dele se transformaram em uma grande amizade que foi capturada pelo filme”.

Viggo Mortensen realmente comeu os cachorros-quentes na cena da aposta. A equipe de produção forneceu para ele um balde no qual ele poderia cuspir as partes mastigadas após as tomadas, mas ele achou melhor engolir a comida, simplesmente. Nessa história, ele realmente comeu 15 cachorros-quente.

Este é o primeiro Drama dirigido por um dos irmãos Farrelly, mais conhecidos por sua carreira de comédias.

Existe pouca informação sobre Don Shirley. Embora alguns detalhes de sua trajetória sejam contraditórios, o que se afirma como mais seguro é que ele teria se juntado ao Conservatório Rimsky-Korsakov de São Petesburgo aos 9 anos de idade e que teria feito o seu primeiro concerto aos 18 anos de idade na Orquestra Boston Pops. Depois, ele conseguiu vários diplomas, doutorados e aprendeu diversas línguas. O primeiro álbum dele, Tonal Expressions, foi lançado em 1955. Stravinsky, um pianista legendário, disse que o “virtuosismo (de Shirley) era digno dos deuses”. Apesar de ter estudado todos os clássicos, Shirley foi dissuadido pelos líderes da indústria fonográfica a seguir esta carreira dos clássicos porque ele não seria bem aceito pelo público branco.

A família de Shirley questionou o filme, dizendo que o músico nunca teria sido amigo de Tony.

Os usuários do site IMDb deram a nota 8,3 para esta produção, enquanto que os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 228 críticas positivas e 59 negativas para o filme – o que lhe garante uma aprovação de 79% e uma nota média de 7,3. No site Metacritic, o filme ostenta o “metascore” 69, fruto de 37 críticas positivas, 13 medianas e 2 negativas. Interessante como a avaliação do público é bem melhor que a da crítica. Talvez porque as pessoas queiram mais histórias de pessoas comuns.

Segundo o site Box Office Mojo, Green Book faturou US$ 61,5 milhões nos cinemas dos Estados Unidos e outros US$ 44,6 milhões nos cinemas dos outros países em que a produção estreou. Assim, o filme que teria custado cerca de US$ 23 milhões faturou, até o momento, pouco mais de US$ 106,1 milhões. Um sucesso de bilheteria, sem dúvida.

Green Book é uma produção 100% dos Estados Unidos. Por isso, o filme passa a fazer parte da lista de produções que atendem a uma votação feita há algum tempo aqui no blog.

CONCLUSÃO: Uma parceria em cena incrível, entre dois atores, e uma história simples mas cheia de valor. Isto foi o que eu exprimi de Green Book. A história, evidentemente, faz uma homenagem a dois homens, um gênio da música e o outro uma pessoa simples que era boa em “resolver problemas”, que se aproximaram para uma viagem ao Sul segregacionista dos Estados Unidos. O contato entre eles e a amizade que surgiu em dois meses de viagem demonstram como todas as pessoas podem se entender e aprender uma com as outras, se assim o desejarem. Filme bacana, com uma história simples e envolvente e grandes interpretações, Green Book tem uma narrativa linear e previsível. Isso não chega a atrapalhar o filme, mas também não o transforma em uma obra acima da média.

PALPITES PARA O OSCAR 2019: Green Book concorre em cinco categorias no prêmio da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. Para começar, o filme concorre com Mahershala Ali na categoria Melhor Ator Coadjuvante.

Pelas premiações vistas até aqui, ele é o favoritíssimo para levar esse prêmio. E avaliando o trabalho dele nesta produção, com um desempenho equilibrado, honesto e bastante elegante, Ali realmente merece o prêmio. Falta assistir ainda a Richard E. Grant em Can You Ever Forgive Me?, mas entre Ali, Adam Driver, Sam Elliott e Sam Rockwell – já assisti a Vice, o próximo que vou comentar por aqui -, realmente fico com Ali. Considero quase impossível, pelo histórico conquistado pelo ator até aqui, ele perder nessa categoria. Então, temos 1 Oscar já para Green Book.

Depois, o filme concorre na categoria Melhor Edição. Um páreo duríssimo, mesmo sem First Man na disputa. Apesar da edição de Green Book ser boa, gostei mais do trabalho de Vice e The Favourite – ou até mesmo de BlacKkKlansman. Ainda preciso ver a Bohemian Rhapsody, mas acho que Green Book corre por fora nesta disputa.

Parceiro constante de Ali nesta produção, Viggo Mortensen foi indicado como Melhor Ator. Ele faz um belo trabalho, sem dúvida, mas terá um páreo duríssimo com Christian Bale, que está ótimo em Vice, e com Rami Malek, que já ganhou alguns prêmios por seu desempenho em Bohemian Rhapsody. Como acredito que a grande disputa está entre Bale e Malek, Mortensen corre por fora nesta categoria também.

Green Book também foi indicado como Melhor Filme. Não é impossível a produção vencer, porque este ano não existe, me parece, um franco favorito. Caso a Academia escolher Green Book, no lugar de BlacKkKlansman, por exemplo, seria a premiação de um bom filme, que trata de pessoas comuns e que critica o racismo nos Estados Unidos de forma mais branda do que a produção de Spike Lee. Francamente, até o momento, nenhum filme ainda realmente me convenceu de ser o melhor do ano, mas me parece que Vice e The Favourite são obras mais complexas e com maior ousadia – não sei se isso lhes torna melhores filmes, mas é um fato.

Finalmente, Green Book concorre também na categoria Melhor Roteiro Original. Parada duríssima também, já que a produção concorre com roteiros bastante complexos e interessantes, como Vice e The Favourite. Vai depender muito do gosto da Academia e no filme que querem consagrar nesta edição. Podem até premiar Roma nesta categoria – não seria uma surpresa. Gosto de Green Book, mas não sei se ele terá força para ganhar.

Em resumo, Green Book pode levar um prêmio para casa, o de Melhor Ator Coadjuvante, ou até 3, me parece – adicionando Melhor Filme e Melhor Roteiro Original. Tudo vai depender do gosto dos votantes da Academia. Difícil prever. O filme é bom e não seria um desperdício consagrá-lo, especialmente em um ano com uma safra relativamente fraca como é o caso deste ano.

Sobre Alessandra

Jornalista com doutorado pelo curso de Comunicación, Cambio Social y Desarrollo da Universidad Complutense de Madrid, sou uma apaixonada pelo cinema. Em outras palavras, uma cinéfila inveterada. Também tenho Twitter, conta no Facebook, Polldaddy, Youtube, entre outros sites e recursos online. Tenho 20 anos de experiência como jornalista e hoje trabalho com inbound marketing em Florianópolis (SC), Brasil.

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