Shoot´em Up – Mandando Bala

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O filme começa com um close nos olhos de Clive Owen. O padrão na tela é facilmente identificado com um take clássico dos filmes de faroeste. Mas logo Shoot´em Up se revela com uma cenoura. O filme é uma brincadeira com vários filmes de ação, com claras referências de filmes de faroeste, de ação e um pouco de ficção científica. É um filme que se leva e ao mesmo tempo não se leva a sério, o que funciona bem, diga-se. Quando ele se leva a sério pode cansar um pouco, ainda mais os que buscam “lógica” em filmes de ação. Mas quando ele não se leva a sério, ou seja, quando aproveita para tirar sarro justamente de filmes como ele mesmo, ganha pontos.

A HISTÓRIA: Sr. Smith (Clive Owen) está sentado em um banco comendo uma de suas cenouras quando vê uma mulher grávida, perto de entrar em trabalho de parto, ser perseguida por um bandidão. Ele reluta uns segundos mas vai atrás do bandido e salva a mulher – tendo, antes, que enfrentar muitos outros bandidos. Enquanto enfrenta a gangue liderada por Hertz (Paul Giamatti), Sr. Smith ajuda no parto do filho da mulher e, depois que ela morre, foge com o bebê. A partir daí ele passa a ser incansavelmente perseguido por Hertz e seus comparsas. Em sua fuga, ele pede ajuda a Donna Quintano (Monica Bellucci) ao mesmo tempo em que tenta descobrir quem ele está protegendo e de quem.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – há partes da crítica a seguir que contam a história de Shoot´em Up, por isso recomendo que continue lendo só quem já assistiu ao filme): A sequência inicial do filme é genial. Quando você pensa que está assistindo um filme ao estilo faroeste, super sério, logo descobre que não. A parte da cenoura é muito cômica. Assim como a reação do Sr. Smith quando tem que sair da sua inércia para ajudar a mulher grávida que está sendo incansavelmente perseguida.

Claro que o filme é um exagero e superlativo, porque por mais que depois ele explique as “razões” que fazem a mulher grávida (interpretada por Ramona Pringle) ser tão incansavelmente perseguida, assim como o seu filho, é difícil acreditar que tantos “mundos e fundos” seriam movidos pelo fabricante de armas chamado Hammerson (Stephen McHattie) para conter os interesses políticos do Senador Rutledge (Daniel Pilon). Mas claro que as explicações do filme para tudo que acontece são o de menos. O filme merece os pontos que tem por várias cenas de ação muito, mas muito boas, e pelas ironias que Shoot´em Up faz de filmes do gênero.

Claro que existe umas “passadas” do limite, como a cena em que o Sr. Smith está transando com a prostituta Donna Quintano e os dois seguem na “atividade” enquanto ele mata um monte de capangas que invadem o quarto… e o detalhe é que eles continuam “gozando” enquanto rola o tiroteio. Foi um pouco demais… Também exageraram um pouco na dose ao repetir mais de uma morte “causada” pelas cenouras. Uma bastava, vamos!

Mas é aquela velha história: você está assistindo a um filme de ação, não pode esperar muita lógica. Claro que o Sr. Smith parece imortal e invencível, ao escapar de tantas balas sem levar um tiro. Mas isso sempre acontece em filmes do gênero. E me faz lembrar a vez que vi Missão Impossível 2 no cinema e teve alguém perto que reclamou porque era absurdo o que acontecia na tela, que era impossível se fazer algo assim. E daí eu pensei: “Heloooooow, que filme mesmo você está assistindo orelhudo?”. Claro que em um Missão Impossível, como o nome mesmo diz, vai rolar um monte de situações impossíveis. E em Shoot´em Up não é diferente.

Ainda assim, gostei em especial da sequência inicial, que satiriza um pouco os takes clássicos de faroeste; da brincadeira que eles fazem com os letreiros em neon depois da perseguição inicial; e da sequência em que o Sr. Smith mata um monte de gente em uma fuga de um prédio, com direito a deslizar por uma corda no meio de escadas e ir metralhando os bandidões. Também quero dizer que o Clive Owen está maravilhoso… além de lindérrimo, está perfeito no papel, andando sempre entre o “eu-sou-bom-pra-cachorro” e o cinismo. Paul Giamatti também está explêndido no papel do chefe dos bandidos, anunciado como “um cara mais em busca de pagar as suas contas”. Ele sempre falando com a mulher e tratando tudo como um simples assunto profissional são partes muito bacanas do filme. Mais uma vez ele está perfeito. Só a Monica Belucci que está razoável, parece que meio perdida em seu papel de puta italiana que é obrigada a virar babá e “ama de leite”. No lugar dela podia estar qualquer outra atriz, o que não é o caso de Owen e Giamatti, insubstituíveis.

O filme tem o roteiro e a direção do inglês Michael Davis, um diretor não muito conhecido mas que me impressionou com esse filme. Gostei muito também da arte dos cartazes do filme, assim como do cuidado com a sua divulgação.

NOTA: 9.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: No IMDb o filme ganhou uma nota 7,6. Uma avaliação boa, levando em conta que os usuários do site são meio duros nas críticas.

Uma pena que o filme não estourou nos Estados Unidos. Ele estreou por ali em 16 de setembro e, até o dia 7 de outubro tinha arrecadado pouco mais de US$ 12,7 milhões. Muito pouco. Uma pena, porque ele merecia ser mais visto e comentado. Mas esse desempenho fraco só mostra que o público americano em geral, ao menos o grande público, realmente não tem senso de humor apurado… preferem as comédias bobocas ou os filmes de ação que são pura pancadaria e nada mais.

No Brasil o filme tem data para estrear em 9 de novembro. Espero que em solo brazuca faça mais sucesso. Com Shoot´em Up fiquei ainda mais fã de Clive Owen e de Paul Giamatti. O segundo, especialmente, acho que pode arrancar uma indicação como coadjuvante para o Oscar do próximo ano.

E eu fico pensando… se Superbad bateu o recorde nos filmes com o uso da palavra “fuck”, acho que Shoot´em Up deve ter batido o recorde em tiros e em bandidos mortos. Caraca! Haja grana para tanta munição! Aliás, sem estragar o filme querendo que ele tenha muita lógica, mas de onde o Sr. Smith tira tanta grana para estar sempre armado e carregado de balas? Eis uma incógnita.