Superbad – É Hoje

Superbad - É Hoje 1

Sempre tenho curiosidade para entender o fenômeno da bilheteria de cinema nos Estados Unidos. Quando um filme vira “arrasa-quarteirão” sem ter uma premissa muito conhecida, chama a minha atenção. Quero saber o porquê dele ter lotado tantas salas e ter faturado tanto dinheiro. A mesma curiosidade tenho com os premiados em Oscar e afins. Afinal, acho que se percebe a tendência de um comportamento social ao buscar entender o que é valorizado em cada momento, seja com prêmios ou com uma audiência massiva. Isso tudo para dizer a razão para que eu tenha visto a Superbad – É Hoje, um filme que jamais atrairia a minha atenção por sua clara “idéia batida” e já contada um milhão de vezes e por sua tendência ao “besteirol”. Normalmente gasto meu tempo vendo filmes mais interessantes. Mas baixei Superbad porque esse filme ficou semanas em primeiro lugar nas bilheterias e segue agora, pouco mais de um mês depois de estreiar, em quarto lugar entre os mais vistos. Tem acumulado pouco mais de US$ 103,2 milhões arrecadados. Um fenômeno.

A HISTÓRIA: Dois adolescentes que estão prestes a se separar porque vão seguir estudando em lugares diferentes tentam desesperadamente participar de alguma festa de final de temporada para “se dar bem” com alguma garota. No colégio, Seth (Jonah Hill) é convidado para uma festa na casa de Jules (Emma Stone), que lhe dá a missão de conseguir bebidas alcóolicas para todos – nos Estados Unidos só os maiores de 21 anos podem comprar bebidas alcóolicas, e nossos “heróis” não tem essa idade. Enquanto isso, seu melhor amigo, Evan (Michael Cera) sofre para conseguir dizer algo que funcione com Becca (Martha MacIsaac), sua paixão de muito tempo. A partir do convite de Jules, Seth e Evan começam uma verdadeira “cruzada”, junto com Fogell/McLovin (Christopher Mintz-Plasse), por bebidas alcóolicas. No meio do caminho, Fogell/McLovin conhece a dupla de policiais aloprada Slater (Bill Hader) e Michaels (Seth Rogen, um dos roteiristas do filme), enquanto Seth e Evan participam de uma festa de adultos em que rola mulheres, bebidas e drogas.

VOLTANDO À CRÍTICA: Como eu disse antes, Superbad tem todos os elementos, primeiramente, para ser um “mais do mesmo”, ou seja, para ser mais um filme sobre “nerds que não se dão bem com nenhuma garota e que tentam desesperadamente transar”. Existem muitos filmes do gênero. Só que diferente dos demais, Superbad é ABSURDAMENTE politicamente incorreto. Não lembro de ter visto um filme que tenha tantos palavrões e frases de sacanagens, além de satirizar a todos que podem. Tenho certeza que a profusão de “fuck´s” e de outros termos é um dos ingredientes do sucesso do filme.

Além do fato de ser um filme recheado de palavrões, na verdade, poucos momentos valem o tempo desperdiçado com ele. Para mim as cenas da imaginação de Seth na loja de conveniência do que pode acontecer com ele se ele for pego pelo segurança do local, assim como a história de Seth sobre seus desenhos de “pênis” na infância são momentos que valem a pena. Assim como boa parte das cenas de McLovin com os dois policiais… aliás, o garoto Christopher Mintz-Plasse está perfeito no filme. Para mim, melhor que os protagonistas. Ah, e a atriz Martha MacIsaac, que interpreta Becca, também consegue uma presença na tela muito simpática – seu “duo” com Michael Cera funciona.

A nota que vou dar para o filme tem mais a ver com essas partes interessantes do que com o besteirol em si. Até porque se for avaliar seriamente o filme, nem o veria ou comentaria. Mas já que o vi e levando em conta os filmes do gênero, vou dar a nota seguinte. Mas que uma coisa fique clara: esse filme é puro besteirol, com alguns momentos de piadas muito boas e grande parte do tempo com “picardias juvenis”.

NOTA: 6.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Segundo o “trivia” do site IMDb, a palavra “fuck” é dita 186 vezes no filme. Uau! Isso que eu chamo de uma grande marca. hehehehehehe. E destas 186 vezes, 84 são de autoria do personagem Seth.

O filme é dirigido por Greg Mottola, que faz um trabalho-padrão, sem grandes idéias ou criatividade. Faz algo básico, por assim dizer. Se alguém tem o “mérito” pelo filme são os roteiristas, responsáveis por tanto palavrão e pelas piadas – algumas muito boas: Seth Rogen e Evan Goldberg. Rogen, só fui descobrir depois, interpreta um dos policiais do filme. Não por acaso os nomes dos protagonistas são Seth e Evan. Segundo o IMDb, a dupla de roteiristas começou a escrever a história quando tinham 13 anos – agora entendo algumas idéias bem juvenis do filme. hehehehhehehe