The Kids Are All Right – Minhas Mães e Meu Pai

Ah, como um roteiro bem escrito faz toda a diferença! Depois de alguns filmes “conceituais”, eu queria me largar em um suspense, em um filme cabuloso de dramático. Acabei colocando The Kids Are All Right na frente da lista depois que vi que esta produção foi indicada a quatro prêmios no Globo de Ouro. Um bom sinal. Me chamou a atenção, especialmente, que Julianne Moore e Annette Bening foram indicadas ao Globo de Ouro de Melhor Atriz na categoria Comédia/Musical. Mesmo que a produção não deve chegar com toda essa força no Oscar, coloquei ela na frente de outras. E não me arrependi.

A HISTÓRIA: Dois adolescente, um de skate e outro de bicicleta, andam a toda velocidade por algumas ruas. O que está de skate, Clay (Eddie Hassell) se comporta como um idiota e vai derrubando lixeiros pelo caminho. O outro, Laser (Josh Hutcherson) apenas observa sem falar nada. Em seu quarto, Joni (Mia Wasikowska) joga Palavras Cruzadas com um amigo, Jai (Kunal Sharma) enquanto sua amiga desbocada Sasha (Zosia Mamet) especula sobre os caras bonitos que a garota vai encontrar logo mais, quando começar a faculdade. Enquanto isso, Clay oferece cocaína para Laser. Os rapazes brigam na frente do pai de Clay, que dá um “sossega leão” no garoto. À noite, em casa, Laser mexe os dedos freneticamente, na mesa, irritando a irmã, Joni. Neste momento, chega em casa a mãe dos garotos, Nic (Annette Bening) que, ao lado de Jules (Julianne Moore) tenta educar os jovens da melhor maneira possível. Mas incentivada por Laser, Joni busca o doador de esperma que possibilitou o nascimento dos dois – em outras palavras, o pai biológico deles, Paul (Mark Ruffalo). A aproximação deles altera a rotina da família.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso eu recomendo que só continue a ler quem já assistiu a The Kids Are All Right): Interessante como alguns filmes recentes tem se debruçado sobre as novas configurações de algumas famílias contemporâneas. Depois de Juno (que tem aqui uma crítica no blog), que tratou de forma precisa questões como pais divorciados, gravidez na adolescência e seus derivados, surge este inteligente The Kids Are All Right. Gostei muito da direção e do roteiro de Lisa Cholodenko. Um trabalho surpreende e interessante, com alguns diálogos verdadeiramente inteligentes e que bebem diretamente da realidade.

O roteiro, a melhor qualidade do filme juntamente com as interpretações, foi escrito pela diretora e por Stuart Blumberg. Com todos os méritos o texto deles está indicado ao próximo Globo de Ouro. E ainda que o filme não tenha muito lobby para chegar ao Oscar, eu acho que ele merecia um espaço entre os cinco indicados nesta categoria – com muito mais méritos que Inception, para dar apenas um exemplo.

Claro que o filme não é perfeito. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Para começar, um tanto óbvio demais colocar uma das duas mulheres do casal como a “calculista”, racional que está muito centrada no trabalho e no sustento da família e não percebe mais a companheira. Ok, esta é a razão principal de 90% dos problemas nos casamentos mundo afora mas, aqui, achei que o problema poderia ser um pouco menos simplificado. Se bem que, por outro lado, é interessante perceber que este tipo de questão afeta a todos os casais, sejam eles hetero ou homossexuais. Outro ponto que questiono é a forma “fácil” com que Jules sucumbe (e repetidamente, o que é pior) a Paul. Acho que teria sido mais interessante se eles tivessem tido algumas relações, mas não a ponto dele “achar que estava se apaixonando por ela”. Dispensável.

Se fosse um filme francês as coisas seriam diferentes. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Certamente uma lésbica francesa teria um sofrimento muito maior do que a personagem interpretada por Julianne Moore. Ela ficaria com o cara, ok, mas se martirizaria muito mais depois. Além disso, ok que ela queria ser desejada. Mas acho que seria mais interessante – e convincente – se ela tivesse se interessado pela ajudante de Paul, por exemplo. Afinal, pelo que tudo indica, ela não tinha dúvidas sobre a própria sexulidade. Era lésbica e não bissexual. Ainda que, até por isso, o roteiro se mostra interessante. Flertando com a ideia de que a sexualidade humana não é tão definida e classificada como alguns gostam de defender. Uma lésbica pode sucumbir a um hetero, assim como um hetero pode ter relações homossexuais. Esta parece ser a ideia principal por trás da infidelidade revelada pelo filme.

No mais, esta produção trata de um tema interessante de forma totalmente inovadora. Muitas reportagens em revistas e jornais já trataram sobre os filhos de casais homossexuais – sejam eles homens ou mulheres. Mas ninguém abordou esta questão de forma mais complexa, revelando as angústias, relações, dúvidas e alegrias de adolescentes que foram criados por estes casais e sua busca, no caso de uma concepção através de uma doador de esperma, do responsável paterno.

Interessante a forma honesta com que o roteiro trata as duas rupturas de realidade na família de Jules e Nic. (SPOILER – não leia… bem, você já sabe). A saída de casa de Joni, para ir para a faculdade, explica boa parte da fragilidade e da crise vivida pelo casal. Soma-se a isso a insegurança da chegada de uma figura como Paul para a convivência familiar e o desgaste até então pouco aparente entre as duas mulheres e temos um barril de pólvora prestes a explodir. Muito interessante como o roteiro vai tratando estas mudanças, a aproximação de Joni e de Paul e, depois, a dele com Jules. Quando eles se beijam, não é algo forçado. Pelo contrário. Assim como a primeira transa. O que não convence é a continuidade da relação por mais tempo.

Para dar mais caldo à confusão, Paul é um sujeito que se descobre pai de dois adolescentes de uma hora para a outra. Satisfeito com sua vida de solteiro, ele só percebe o quanto seria bacana ter uma família quando descobre que faz parte de uma sem querer. Pelo menos é isso que ele interpreta quando se aproxima do casal e dos filhos adolescentes. Há muitas novidades a serem digeridas por pouco tempo. E sentimentos até então guardados acabam aflorando. Para todos e cada um, o que torna a história ainda mais realista e interessante.

Quando a vida das pessoas passa por rupturas poderosas, muitos sentimentos escondidos e camuflados surgem até a superfície. Isso, mais o esforço de Jules e Nic em manter a família unida em uma fase complicada – a dos filhos adolescentes – dá um caldo bem interessante. Algo que gostei muito nesta produção é que ela trata as relações de forma honesta. Jules e Nic tem os problemas de um casal qualquer, depois de muito tempo educando os filhos, lidando com problemas, com contas para pagar… como Jules comenta em certo momento importante, o tempo passou e elas pararam de se olhar como se olhavam antigamente. Isso ocorre com praticamente todos. Como lidar com estas questões é que o problema. O amor resiste, no final das contas, e sai vivo de crises e traições? O filme aposta que sim. E eu também.

Além de um roteiro maravilhoso, com algumas sacadas verdadeiramente preciosas – especialmente aquelas “largadas” pelo casal de adolescentes e por alguns diálogos entre Jules e Nic -, a direção de Lisa Cholodenko tem o ritmo e a cadência certos. Ela acelera e se mostra jovial em relação aos adolescentes ao mesmo tempo em que veste uma roupagem casual e romântica nos momentos em que Jules, Nic e Paul estão juntos (em um triângulo amoroso, no mínimo, curioso e acidentado). Cuidadosa nos detalhes, a diretora dá o espaço adequado para as interpretações, arrancando emoção dos atores e, consequentemente, dos espectadores. Ela sabe focar nas expressões deles quando preciso, assim como está atenta para os toques de mãos e os demais detalhes que fazem a diferença em uma história cheia de nuances que precisa desta atenção.

Gostei muito das interpretações. De todos. Julianne Moore está bem, ainda que, em alguns pontos, parece que lhe falta um pouco mais de naturalidade. Annette Bening, por sua vez, consegue um tom acima e chega à perfeição. Não há o que colocar ou tirar de sua interpretação. Gosto muito da jovem atriz Mia Wasikowska que, mais uma vez, faz uma interpretação iluminada, convincente e, em certa parte, emocionante. Mark Ruffalo acha o tom exato de seu personagem que também tem que enfrentar seus próprios medos e incertezas, enquanto Josh Hutcherson se mantêm firme no papel do garoto um tanto “deslocado”. Todos muito bem – o que, certamente, também é, em parte, mérito da diretora.

Um filme ousado e contemporâneo que trata sobre os conflitos de relações de um casal nada ortodoxo. Rupturas causam estranhamento. Curiosidades podem provocar saias justas. Proximidades e distâncias causam trocas de cadeira e de papel. Tomadas de consciência provocam revisões de valores e comportamentos. No final, o amor provoca reações sinceras, pedidos de perdão e, finalmente, a resposta surge naturalmente. Com algumas linhas de ironia, algumas pitadas de provocação, em um filme que trata de uma época interessante. Quando os valores continuam definindo realidades e a educação, assim como o amor e o respeito, precisam sempre ser renovados – e compreendidos.

NOTA: 9,5.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: O primeiro elemento que me chamou a atenção neste filme foi a trilha sonora. Muito, muito boa. Perfeita para o contexto da história. Mérito do trio formado por Carter Burwell, Nathan Larson e Craig Wedren. O segundo ponto foi a direção de Cholodenko, bastante ajustada e no ritmo certo para a história. Depois, claro, vieram os diálogos espertos, ágeis, e a interpretação dos atores. Um conjunto muito bem acabado e que resulta em um filme interessante, que não baixa o ritmo e que se configura com um desenvolvimento bastante linear e constante.

Todos falam de Julianne Moore. Eu já havia visto comentários de pessoas que apontavam a atriz como indicação certa no próximo Oscar. Mas, cá entre nós, gostei mais de Annette Bening do que de Moore. A atriz está bem, que ninguém me entenda de forma errada. Mas não acho que é a sua melhor interpretação. Está longe disso, aliás. E nos momentos mais críticos da produção, por assim dizer, Bening se mostra mais firme na interpretação. Me emocionou, é a verdade.

Gosto demais também da menina que interpreta a Joni. Mia Wasikowska tem um magnetismo interessante em cena. Ela hipnotiza e revela bastante domínio do emocional de sua personagem. Sem dúvida uma atriz que merece ter a carreira acompanhada.

Além dos atores já citados, vale comentar a interpretação da coadjuvante Yaya DaCosta como Tanya, a pseudo-namorada de Paul. Da equipe técnica, merece ser citado o diretor de fotografia Igor Jadue-Lillo e, principalmente, o editor Jeffrey M. Werner.

The Kids Are All Right estrou em janeiro no Festival de Sundance. Depois, participou do Festival de Berlim, no mês seguinte. Até agora, passou ainda por outros nove festivais – incluindo os do Rio de Janeiro e de São Paulo. Ganhou o prêmio Teddy no Festival de Berlim, como melhor filme. A premiação, como explica este texto do jornal Deutsche Welle, é entregue desde 1987 no festival para produções “de e sobre gays e lésbicas”. Além deste prêmio, The Kids Are All Right foi indicado a outros 20 – incluindo quatro Globos de Ouro, cinco prêmios do Independent Spirit Awards e três do Screen Actors Guild Awards (entregue pelo sindicato dos atores de Hollywood). A grande concorrente de Annette Bening nas premiações que serão entregues até o Oscar – e nele próprio – é a atriz Natalie Portman. Todos estão babando sobre o seu desempenho em Black Swan. Tudo indica que o páreo será apertado.

Filme totalmente independente, The Kids Are All Right teria custado a “bagatela” (para os padrões de Hollywood e tendo um elenco como este) de US$ 4 milhões. Até o momento, a produção tem sido um sucesso. Faturou, até outubro deste ano, apenas nos Estados Unidos, pouco mais de US$ 20,8 milhões. Ou seja, cinco vezes o que custou. Nada mal, hein? E eu diria que de forma merecidíssima. Sinal de que ele ultrapassou o público gay e lésbico e chegou até um público maior. Bacana.

Além de ir bem de público, este filme tem se saída bem com a crítica. Os usuários do site IMDb deram a nota 7,5 para ele. Os críticos que tem seus textos linkados no Rotten Tomatoes foram mais generosos. The Kids Are All Right foi aprovado por 94% deles – ou seja, a produção recebeu 181 críticas positivas e apenas 11 negativas.

Um dos críticos que aprovou The Kids Are All Right foi Eric D. Snider, da Film.com (a crítica dele pode ser lida, em inglês, neste link). Ele escreveu que, apesar da relação no centro da história não ser ortodoxa, ela é retratada de forma mais realista do que a maioria dos relacionamentos mostrados pelos filmes. E Snider tem razão. Este provavelmente é um dos grandes méritos de The Kids, tratar os relacionamentos como eles verdadeiramente são – e não como as pessoas gostam de esboçar. “Acontece que você pode ser amoroso e comprometido e ainda assim ter divergências. Nem sempre um parceiro é imaturo e egoísta enquanto o outro é santo; algumas vezes ambos são falhos. Algo surpreendente, mas verdadeiro!”, escreveu o crítico. E, com isso, ele resumiu a essência desta produção.

Após este elogio para a produção, Snider comenta que gostaria que os conflitos mostrados pelo filme fossem menos estereotipados. Ele está certo, mais uma vez. O crítico classifica The Kids como um “drama de relacionamentos sofisticado e divertido” que perde um pouco da força depois que a premissa incomum é devidamente explorada. Snider comenta ainda que o filme não é político ou estridente, que os jovens criados pelas lésbicas, como o título sugere, estão bem, e que os problemas residem mesmo nos adultos. Ele destaca ainda como as atrizes principais fazem com que o espectador se familiarize com elas – mesmo que ele/a tenha um relacionamento muito diferente.

O ótimo crítico Tom Long, do The Detroit News, comenta neste texto que The Kids Are All Right é um dos “filmes mais honestos e cativantes do ano”. E ele está certo. Para Long, esta produção coloca “definições de amor, família e amizade” à prova “com humor e ternura”. Ele destaca ainda o elenco “extremamente talentoso” e o roteiro que traça um “retrato da família moderna” que toca em muitos pontos interessante sem, contudo, ficar martelando em nenhum deles.

Para Long, a diretora e roteirista combina os elementos mais modernos – a sexualidade, o estilo de vida alegre da Califórnia, a “santidade” orgânica de Paul e suas tendências de Peter Pan – de forma bastante hábil. O crítico destaca, em especial, a interpretação de Julianne Moore, afirmando que ela está muito solta no papel, jogando-se de “corpo e alma em uma personagem que está ao mesmo tempo perdida e centrada”. Long comenta que o filme escorrega um pouco perto do final mas que, ainda assim, ele mantem a “fé no poder da família e do amor”. Para o crítico, a produção merece chegar ao Oscar pelo menos na categoria de Melhor Atriz e pode ser considerada como “o melhor filme sobre famílias do ano”.

Não vou escrever mais, porque este texto já está grandinho, mas para quem quiser ter acesso a outras opiniões, sugiro este texto escrito por Rick Groen, do The Globe and Mail, um dos poucos que achou esta produção “maçante”; e este outro texto, assinado pelo sempre ótimo Ty Burr, do The Boston Globe, que destaca, em especial, as interpretações de Annette Bening e Julianne Moore.

CONCLUSÃO: Ter filhos adolescentes é, hoje em dia, mais do que algumas temporadas atrás, barra pesada. Este filme trata disso e de outro elemento curioso de nosso tempo: a criação de garotos e garotas em lares “nada convencionais” segundo a ótica tradicional. Ou seja: por casais de lésbicas ou gays. Com diálogos inspirados e um roteiro envolvente, The Kids Are All Right trata de assuntos conhecidos por muitas famílias, como podem ser os desafios de lidar com jovens em fase de amadurecimento, a ruptura da saída do primeiro filho de casa e a crise de um casamento que vinha em uma levada morna há algum tempo. A diretora Lisa Cholodenko consegue captar com muita fidelidade o convívio de um casal de adolescentes com suas mães lésbicas e o problema causado pela entrada de um homem nesta equação – o pai biológico dos garotos. Os diálogos, assim como a trilha sonora e as interpretações são o ponto forte desta produção envolvente. Um foco interessante sobre uma realidade até agora pouco explorada pelo cinema. E, mais do que isso, um filme realista sobre o quanto difícil podem ser as relações humanas – e que não existem fórmulas para um casamento ou a felicidade, mas que estas realidades são construídas cotidianamente e em conjunto/parceria.

PALPITE PARA O OSCAR 2011: Como em todos os outros anos, as indicações ao Globo de Ouro servem como um termômetro para o Oscar. Desta vez isto não será diferente. The Kids Are All Right conseguiu emplacar as suas duas atrizes principais no Globo de Ouro, além de conquistar indicações como Melhor Filme na sub-categoria Musical ou Comédia e como Melhor Roteiro. Francamente, uma das duas atrizes deve chegar até o Oscar – dificilmente as duas.

Pelo histórico de indicações da Academia, Julianne Moore leva uma certa vantagem. Mas por méritos, por ter conseguido uma interpretação mais complexa, bem acabada e emotiva, eu acredito que Annette Bening merecia a vaga. Só o tempo dirá qual das duas chegará até o Oscar. Meu voto seria por Bening – ainda que eu goste muito da carreira e do estilo de Moore. Seja uma ou outra, elas terão que ganhar a estatueta em uma disputa acirrada com Natalie Portman, até agora apontada como a favorita na disputa por seu papel em Black Swan – como comentei anteriormente. Não sei a quantas anda a disputa por Melhor Atriz Coadjuvante, mas se Mia Wasikowska fosse indicada por seu papel em The Kids, eu não me surpreenderia.

O filme tem boas chances também de emplacar na categoria de Melhor Roteiro, mas tenho minhas dúvidas se ele terá cacife para chegar entre os 10 indicados como Melhor Filme. Primeiro, por tratar-se de uma produção independente, de baixo orçamento – se bem que, neste ano, Precious se encaixava nos mesmos requisitos. Além do mais, 10 vagas é bastante coisa… Acredito que esta produção estará concorrendo pela nona ou décima vaga, tendo que deixar para trás filmes menos “óbvios” na disputa, como Biutiful, London Boulevard, Miral e Alice in Wonderland. Talvez ele chegue, mas é difícil apostar nele agora. De qualquer forma, mesmo que consiga estar entre os 10, ele não tem chances de levar o Oscar principal. É muito independente – e, cá entre nós, não tem o apelo necessário – para isso.