Olá, minha gente!
Chegou o grande dia do Oscar, quando o Brasil vai aparecer quatro vezes na disputa das categorias da premiação anual da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood.
Depois de Cidade de Deus, essa é a primeira vez que um filme que representa o Brasil no Oscar tem tantas chances de levar uma estatueta para casa. Antes, O Beijo da Mulher-Aranha, uma coprodução dos Estados Unidos e do Brasil, dirigido por Hector Babenco, foi indicado em quatro categorias do Oscar e venceu na categoria Melhor Ator para William Hurt.
Como vocês sabem, o primeiro Oscar para o Brasil chamar de seu veio no ano passado, com Ainda Estou Aqui levando a estatueta dourada na categoria Melhor Filme Internacional. Mais do que merecido, eu devo dizer. Conforme opinei nesse texto, no qual eu comentei a entrega do Oscar do ano passado, Ainda Estou Aqui merecia ter levado pelo menos duas estatuetas para casa. Além do Oscar de Melhor Filme Internacional, Fernanda Torres merecia muito levar o Oscar de Melhor Atriz. Mas, sabe como é Hollywood… gostam de premiar os “seus”.
Dito isso, o que podemos esperar da noite de hoje? Temos filmes com muitas indicações nesse ano, como é o caso de Sinners, com 16 indicações, e o grande concorrente dessa produção na noite, One Battle After Another, com 13 indicações. O meu palpite é que teremos vários prêmios sendo divididos entre um grupo pequeno de filmes, enquanto corremos o risco sério de algumas produções serem “esnobadas” na premiação – como é o caso de Marty Supreme.
O Brasil, a meu ver, tem sua melhor chance em Melhor Filme Internacional. Wagner Moura merecia ganhar como Melhor Ator, mas acho muito difícil ele conseguir ganhar de Michael B. Jordan, de Sinners. Veremos.

Comecei a assistir a entrega do Oscar no horário em que a cerimônia começou a ser transmitida – 20h no horário de Brasília. Novamente temos Conan O’Brien apresentando o Oscar. E claro que ele começou com aquelas piadinhas que já viraram padrão da entrega da Academia. O apresentador brincou com alguns atores e atrizes, falou de alguns dos filmes indicados e também falou com a audiência.
Para não dizer que a apresentação do Oscar é apenas piadinhas sem graça, Conan O’Brien destacou a importância do Oscar reunir filmes de dezenas de países e de todas as partes do mundo. Sobre o tapete vermelho, fiquei feliz de ver o Brasil sendo representado por um time muito bacana, incluindo o diretor Kleber Mendonça Filho e os atores Wagner Moura, Alice Carvalho, Maria Fernando Cândido e Gabriel Leone.
A primeira categoria do Oscar a ser entregue na noite foi a de Melhor Atriz Coadjuvante. A atriz Zoe Saldaña subiu ao palco e homenageou todas as indicadas dessa noite. E o Oscar foi para… Amy Madigan, de Weapons. A atriz de 75 anos tinha sido indicada ao Oscar anteriormente há 40 anos. E agora sim, ela conseguiu levar a sua estatueta dourada para casa. Muito legal isso! Porque sabemos bem como Hollywood é um pouco cruel com quem envelhece.
O filme que ela estrelou é um dos que me falta da lista do Oscar desse ano. Mais uma razão para finalmente eu assistir a Weapons – que eu sei que foi uma das produções mais comentadas do ano passado. Amy Madigan falou bastante no discurso dela, agradecendo pessoas da equipe do filme, as outras atrizes que concorreram com ela e o marido Ed Harris. Bem fofa. Gostei.
Achei interessante como Amy Madigan ganhou de outros nomes fortes da categoria. Será que essa primeira derrota de Sinners, One Battle After Another e Sentimental Value pode nos sinalizar alguma predileção dos votantes da Academia nesse ano? Sei que é cedo para dizer, mas eu não vou mentir que estou torcendo por One Battle After Another ganhar algumas das categorias principais – incluindo Melhor Filme – e que estou torcendo contra Sentimental Value por ele ser o grande concorrente de O Agente Secreto nesse Oscar. 🙂

No retorno do primeiro intervalo, Conan O’Brien seguiu com suas piadinhas. E devo dizer que, pela primeira vez, mandaram bem ao brincar que no futuro o Oscar vai ser exibido exclusivamente no YouTube e que isso não vai mudar muita coisa, com o apresentador sendo interrompido por duas publicidades. Hahahahaha. Essa foi uma boa sacada, devo dizer.
Em seguida, os atores Will Arnett e Channing Tatum subiram ao palco para anunciar os indicados na categoria Melhor Animação. E o Oscar foi para… KPop Demon Hunters, produção dirigida por Chris Appelhans e Maggie Kang. Essa categoria tinha esse filme como favoritíssimo. Então deu o previsto mesmo.
Eu não assisti a KPop Demon Hunters, porque realmente faz tempo que eu não consigo parar para assistir a animações. Mas acho bacana um filme que é falado em inglês e em coreano e que não é óbvio ganhar nessa categoria por tanto tempo dominada por Disney e Pixar. Dessa vez foi a Netflix que levou o Oscar para casa. É bom ver outros estúdios apresentando produções do gênero e sendo premiadas.
Em seguida, a dupla de atores apresentou a categoria Melhor Curta Animação. E o Oscar foi para… The Girl Who Cried Pearls. O filme com 17 minutos de duração é dirigido por Chris Lavis e Maciek Szczerbowski. Eles agradeceram a equipe com a qual eles trabalharam e Chris comentou que eles trabalharam por cinco anos na produção. Em seguida, o Oscar apresentou o clipe de apresentação de Sinners.
Depois do clipe, o Oscar apresentou uma performance incrível da música “I Lied To You”, de Sinners, com a apresentação liderada por Miles Caton e Raphael Saadiq, tendo outros nomes importantes ao lado deles, como Misty Copeland, Eric Gales, Buddy Guy, Brittany Howard, Christone ‘Kingfish’ Ingram, Jayme Lawson, Li Jun Li, Bobby Rush, Shaboozey, Alice Smith, com participação de Josh Groban e Los Angeles Master Chorale.
Sinceramente? Arrasaram com a apresentação de “I Lied To You”. Tenho certeza que esse será um dos grandes momentos da noite. Capricharam esse ano nessa apresentação musical – hoje, mais cedo, eu pensei exatamente sobre isso, como fazia tempo que não víamos a apresentações musicais interessantes no Oscar. Pois bem, agora eles acertaram.
E no retorno de mais um intervalo comercial, o Oscar nos apresentou o clipe de Marty Supreme. Não sei, mas a minha aposta é que esse é um filme com grandes chances de sair de mãos vazias da cerimônia desta noite. Logo mais veremos se estou certa ou errada. E então Conan O’Brien apresentou as pessoas responsáveis pela música que foi apresentada durante a noite do Oscar. Em seguida, fomos apresentados ao trabalho da Academia de preservação de filmes antigos.
Em seguida, subiram ao palco as atrizes Anne Hathaway e Anna Wintour, que apresentaram os indicados na categoria Melhor Figurino. E o Oscar foi para… Frankenstein. A diretora do departamento de figurino do filme, Kate Hawley, subiu ao palco para receber a estatueta dourada. Em seu discurso, Kate falou em nome da equipe para agradecer a Academia, citou os outros indicados na categoria, agradeceu o diretor Guillermo del Toro e outras pessoas da equipe, assim como os familiares dela. Esse é o primeiro Oscar que ela ganha. Bacana.
Na sequência, Anne Hathaway e Anna Wintour anunciaram os indicados na categoria Melhor Maquiagem e Cabelo. E o Oscar foi para… Frankenstein. Subiram ao palco os responsáveis por essas características do filme, Mike Hill, Jordan Samuel e Cliona Furey. Mike foi o primeiro a falar, tirando do bolso um papel um bocado amassado. Ele agradeceu pessoas da equipe dele, o elenco de Frankenstein e o diretor Guillermo del Toro. Jordan tentou falar algo, mas logo subiram a música, e Cliona nem teve a chance de falar. Acho péssimo quando fazem isso, mas ok. Nada de novo aqui.
Até o momento, deu bastante o previsto. Inclusive essas premiações para Frankenstein – era nessas categorias que o filme tinha suas melhores chances. No retorno de mais um intervalo, fomos apresentados ao clipe de Hamnet. Olha, esse foi o meu filme preferido dessa temporada do Oscar. Mas, infelizmente, ele não deve ganhar quase nada – provavelmente apenas Melhor Atriz. Uma pena, porque ele merecia Melhor Direção e Melhor Filme também.
Na sequência, subiram ao palco Paul Mescal, Gwyneth Paltrow, Chase Infiniti, Wagner Moura e Delroy Lindo para cada um deles falar da categoria que está estreando nesse Oscar, a de Melhor Elenco (ou Direção de Elenco, como preferirem). Achei muito bacana que cada ator e cada atriz falaram sobre as pessoas responsáveis pelo trabalho de direção de elenco de seus filmes. Muito bacana.
Gostei demais. Um dos momentos mais bacanas da noite até aqui. Achei lindo como homenagearam esses profissionais, que são tão fundamentais para cada produção e que a partir desse ano começaram a ter seus trabalhos destacados no Oscar. E o Oscar de Melhor Elenco foi para… One Battle After Another. Cassandra Kulukundis ganhou nessa categoria super disputada. Aliás, achei muito legal como cada ator que eu citei antes falou diretamente com os diretores de elenco, a saber: Nina Gold, Jennifer Venditti, Cassandra Kulukundis, Gabriel Domingues e Francine Maisler.
Logo que subiu ao palco, Cassandra foi beijada pela atriz Chase Infiniti e agradeceu as pessoas da equipe, assim como o diretor Paul Thomas Anderson, de quem ela é parceira há várias décadas. Bacana. Se for para O Agente Secreto e Hamnet perder para alguém, honestamente, estou torcendo para eles perderem em Melhor Filme para One Battle After Another, um baita filme e especialmente importante para o cenário atual que vivemos nos Estados Unidos e no mundo.

No retorno de mais um intervalo, o Oscar nos apresentou o clipe de Sentimental Value. Gostei dessa forma da Academia apresentar as produções indicadas na categoria Melhor Filme desta forma mais objetiva e direta. Melhor do que formas anteriores de fazerem isso. Em seguida, Conan O’Brien apareceu com um soprador sobre o palco e chamou Matt Berry, ator e escritor britânico, que estaria falando diretor de Londres. Piadinhas sem graça sobre quem ele gostaria de ver, mas enfim… o Oscar ainda não se livra desse velho vício chato.
Na sequência, o ator Kumail Nanjiani subiu ao palco para anunciar os indicados na categoria Melhor Curta. E o Oscar foi para… segundo Kumail, houve um empate e ele ia chamar um vencedor de cada vez. E os primeiros a serem chamados foi The Singers. Subiram ao palco Sam A. Davis e Jack Piatt, que agradeceram a equipe e a Academia. Sam disse que o curta deles fala da importância da arte para unir pessoas.
E então Kumail anunciou o outro vencedor, que foi Two People Exchanging Saliva. Subiram ao palco Alexandre Singh e Natalie Musteata. Natalie disse que um empate só aconteceu quatro vezes na história do Oscar – eu não sabia disso – e que ela estava feliz de dividir o prêmio com The Singers. Alexandre tentou falar, mas cortaram o áudio e apagaram as luzes, mas ele conseguiu falar depois e agradeceu a equipe de diversas origens diferentes. Fiquei curiosa para ver esses curtas. Alexandre ainda falou sobre como a arte pode mudar a sociedade. Histórico isso. Eu nunca tinha visto um empate no Oscar antes. Bacana ver que é possível – e muito improvável, claro.
Na sequência, Kieran Culkin subiu ao palco para falar sobre os atores indicados na categoria Melhor Ator Coadjuvante. Uma categoria com atores muito experientes concorrendo com o jovem Jacob Elordi. E o Oscar foi para… Sean Penn. Uau! Essa, para mim, foi a primeira grande surpresa da noite. Sean Penn não estava presente, diferente dos colegas que concorreram nesse ano. Ele mereceu? Claro que sim. Sean Penn faz um baita trabalho em One Battle After Another. Mas acho que a maioria estava esperando que Stellan Skarsgård fosse o premiado da noite.
Essa foi a sexta indicação de Sean Penn no Oscar, mas a primeira vez que ele concorreu como Melhor Ator Coadjuvante. Antes, ele tinha vencido o Oscar na categoria Melhor Ator pelas produções Mystic River e Milk. Ou seja, esse é o terceiro Oscar de Sean Penn. Pena que ele não foi para a cerimônia do Oscar porque, tenho certeza, ele faria um discurso interessante e com uma carga de crítica política importante. Mas acho que ele não foi por não acreditar que ganharia.
Para mim, essa primeira surpresa da noite pode estar apontando para um Oscar que vai favorecer realmente One Battle After Another. E eu acho bom. Já que O Agente Secreto e Hamnet não vão ganhar em diversas categorias nas quais estão concorrendo, que pelo menos One Battle After Another faça isso. Sinners é um filme muito bacana, cheio de qualidades, mas acho One Battle After Another mais importante nesse momento. Por causa da crítica que a produção faz sobre diversos temas, especialmente o da imigração e da exclusão de pessoas nos EUA.
Voltando de mais um intervalo comercial, o Oscar nos apresenta o clipe de Bugonia. Uma produção que tem grandes chances de sair de mãos vazias da premiação dessa noite. Veremos. Conan O’Brien brincou sobre as surpresas da noite e sobre as orientações de alguns estúdios para que as partes importantes dos filmes sejam repetidas algumas vezes durante o filme para o público atual, com déficit de atenção, não se perder na história. Foi engraçada a regravação que fizeram de uma cena de Casablanca.
Na sequência, os atores Robert Downey Jr. e Chris Evans subiram ao placo para apresentarem as categorias de roteiro. Eles brincaram com improvisar e não seguir o script que eles precisavam declamar, uma forma de ressaltarem a importância do texto nos filmes. A primeira categoria que eles apresentaram foi a de Melhor Roteiro Adaptado. E o Oscar foi para… One Battle After Another.
E subiu ao palco o grande diretor e roteirista Paul Thomas Anderson. Ele comenta que o filme é uma adaptação de uma obra de um autor que ele gosta muito. Paul Thomas Anderson disse que escreveu o filme para pedir desculpas para os filhos dele e de Maya Rudolph, pelo mundo que está sendo entregue para eles, mas que ele tem esperança que essas novas gerações poderão arrumar algo ainda.
Em seguida, Robert Downey Jr. e Chris Evans apresentaram os indicados na categoria Melhor Roteiro Original. E o Oscar foi para… Sinners. Opa, aí sim! Mais que merecido esse Oscar. Se tem um filme original nesse ano é Sinners. O diretor e roteirista Ryan Coogler subiu ao palco, sendo super aplaudido – o mais aplaudido até agora. Ryan agradeceu a Academia por ter lembrado do filme deles, que foi lançado há quase um ano, agradeceu a equipe, o elenco e os produtores. Agradeceu a esposa, os pais e mandou uma mensagem para os filhos. Achei ele muito fofo e mereceu muito.

Falando nas categorias de roteiro, para mim o que realmente merecia ganhar em Melhor Roteiro Adaptado era Hamnet. Porque não era um filme simples e ele, de fato, foi uma adaptação de uma obra. Apesar de One Battle After Another ser um baita filme, mas ele não é uma adaptação realmente de Vineland. Tem muito de texto original nesse filme, então eu nem acho que ele deveria concorrer nessa categoria, mas ok. Sinners, por outro lado, merecia muito vencer, porque Ryan Coogler realmente escreveu o filme do zero, em um trabalho 100% original.
No retorno de mais um intervalo comercial, Conan O’Brien apareceu para falar sobre a homenagem da Academia para os artistas que morreram desde o último Oscar. Billy Crystal então subiu ao palco para homenagear Rob Reiner, diretor e roteirista que foi morto pelo filho junto com sua esposa em dezembro do ano passado. Fizeram uma bela homenagem para ele, que realmente fez ótimos filmes – um dos que mais me marcou foi Stand by Me. Muito bonita a homenagem que fizeram para Rob Reiner e Michele Singer Reiner. Vários atores de filmes de Reiner subiram ao palco para a homenagem. Bacana.
Em seguida, o Oscar apresentou um clipe com vários nomes que deixaram a Sétima Arte no ano passado e no início desse ano. Em seguida, o Oscar fez uma homenagem especial para atrizes que faleceram desde a última entrega de prêmios feita pela Academia, com um pequeno destaque para uma homenagem para Diane Keaton.
Foram homenageados também atores e outros profissionais que fazem parte da indústria do cinema. E então Barbra Streisand subiu ao palco para fazer uma homenagem especial para Robert Redford. Outro gigante que se foi. Achei legal ela falar sobre como ele não era apenas um grande ator e diretor, mas também um nome importante do cinema por ter criado o Instituto Sundance. Interessante que a Academia optou por um bloco inteiro da premiação para fazer essas homenagens. Achei significativo e importante. Mais uma ação inédita – eu, ao menos, não lembro nunca de terem dado todo esse destaque para quem já partiu.
No retorno de mais um intervalo comercial, Conan O’Brien falou que o Oscar está sempre buscando por um público mais jovem, fizeram uma piadinha um pouco sem graça e, na sequência, Sigourney Weaver e Pedro Pascal subiram ao palco para apresentar os indicados na categoria Melhor Design de Produção. E o Oscar foi para… Frankenstein.
Foram reconhecidas Tamara Deverell pelo Design de Produção e Shane Vieau pela Decoração de Set – essas duas categorias técnicas abarcadas pela categoria do Oscar que chamamos de Melhor Design de Produção. Tamara agradeceu a equipe, em especial o diretor Guillermo del Toro e seus familiares. Shane nem conseguiu falar – e não insistiu também.
Na sequência, Sigourney Weaver e Pedro Pascal anunciaram a categoria Melhores Efeitos Visuais. E o Oscar foi para… Avatar: Fire and Ash. Foram reconhecidos nessa categoria Joe Letteri, Richard Baneham, Eric Saindon e Daniel Barrett. Os vencedores agradeceram os familiares e a equipe com mais de 2 mil pessoas envolvidas na produção.
No retorno de mais um intervalo, o Oscar apresentou o clipe de Train Dreams, outra das produções indicadas na categoria Melhor Filme. Então surgiu no palco Jimmy Kimmel, que já apresentou o Oscar, mas que esse ano cedeu espaço para Conan. Ele brincou com o parceiro de cena dizendo que ele foi incinerado porque pegou um pouco de sol. Jimmy Kimmel disse que estava ali para apresentar as produções indicadas na categoria Melhor Documentário.
Ele destacou a importância dos cineastas que trabalham para mostrar a realidade de diversas partes do mundo. E a primeira categoria que ele apresentou foi de Melhor Curta Documentário. E o Oscar foi para… All the Empty Rooms. Subiram ao palco para receber o prêmio Joshua Seftel e Conall Jones. Joshua começou o discurso agradecendo a equipe e comentando sobre as quatro crianças que morreram em tiroteios em escolas e que são o foco principal do curta que eles produziram. A mãe de uma dessas meninas então falou sobre a perda da filha. Achei muito bacana darem esse espaço pra elas.
Em seguida, Jimmy Kimmel apresentou os indicados na categoria Melhor Documentário. E o Oscar foi para… Mr. Nobody Against Putin. Vejam só! Eis a segunda surpresa da noite! Essa produção não era a favorita do ano mas venceu. Subiram ao palco para receber o prêmio David Borenstein, Pavel Talankin, Helle Faber e Alžběta Karásková.
Gostei demais do discurso de David Borenstein, diretor do filme, que comentou que sua produção fala sobre como é possível perder um país, de como as pessoas devem resistir quando o governo começa a agir de forma totalitária. Em seguida, ele pediu para Pavel Talankin falar, já que ele era a personalidade central da produção, um cidadão comum russo que agiu contra o governo. Ele falou em russo, mas foi traduzido. Bacana. Estou curiosa para ver essa produção – e gostei que ela ganhou de The Perfect Neighbor, até então apontado como o favorito nessa categoria, porque não achei essa produção tão redonda assim.
No retorno de mais um intervalo, a Academia nos apresentou o clipe de F1. Conan O’Brien brincou que tem a mesma idade de Brad Pitt, dizendo que soube disso através da esposa, que chorou ao fazer esse comentário. Na sequência, um grupo de atrizes, entre elas, Rose Byrne e Maya Rudolph, brincaram sobre a duração da cerimônia e depois apresentaram os filmes indicados em Melhor Trilha Sonora. E o Oscar foi para… Sinners.
Merecido. Subiu ao palco para receber o Oscar o compositor Ludwig Goransson. Ele começou comentando sobre o pai dele, e de como ele o introduziu para a música, algo que foi fundamental para Ludwig depois. Ele agradeceu e homenageou também o diretor Ryan Coogler. Discurso curto, objetivo e bacana.
Na sequência, o grupo de atrizes apresentou a categoria Melhor Som. E o Oscar foi para… F1. Subiram ao palco Gareth John, Al Nelson, Gwendolyn Yates Whittle, Gary A. Rizzo e Juan Peralta. Eles fizeram aquele discurso básico, agradecendo a equipe, parceiros, familiares, e Gwendolyn disse que os filmes são feitos para as crianças e incentivou os pais a levá-las para o cinema.
Na sequência, a presidente da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, Lynette Howell Taylor, subiu ao palco para falar um pouco mais sobre o trabalho que eles desenvolvem, inclusive outros reconhecimentos que eles dão para as pessoas da indústria para além do Oscar.
Em mais uma volta de intervalo – porque sim, o Oscar tem uma porrada de propaganda, o que é um pouco cansativo também -, o Oscar nos apresentou o clipe de O Agente Secreto. Lindo demais ver o clipe do nosso filme lá, no palco da premiação mais importante da indústria do cinema. Lindo!
Na sequência, os atores Bill Pullman e Lewis Pullman, pai e filho, subiram ao palco para apresentarem os indicados na categoria Melhor Edição. E o Oscar foi para… One Battle After Another. Essa era uma categoria bem difícil, hein? Porque tínhamos ótimos trabalhos de edição na disputa. Subiu ao palco o editor Andy Jurgensen, que começou saudando os amigos que estão em um bar, pedindo para eles comemorarem, agradeceu pessoas da equipe, agradeceu o companheiro dele e comentou sobre a tia que era arquivista da Academia. Achei fofo.
Em seguida, a atriz Demi Moore subiu ao palco para apresentar a categoria de Melhor Fotografia. E o Oscar foi para… Sinners. Subiu ao palco para receber o prêmio a diretora de fotografia Autumn Durald Arkapaw, que começa agradecendo Ryan Coogler e fala sobre a generosidade dele. Em seguida, ela pede para todas as mulheres que estavam presentes para elas se levantarem, porque ela não chegou lá sem elas. Achei muito lindo isso. Um dos grandes momentos da noite. E sim, muito merecido esse Oscar para ela, porque a fotografia de Sinners é um dos pontos altos do filme. Quero ver mais trabalhos de Autumn. Ela também falou que o marido e os pais dela estavam lá.
Na sequência, a Academia nos apresentou a canção “Golden”, de KPop Demon Hunters, que contou com uma apresentação especial com Ejae, Audrey Nuna e Rei Ami, as vozes por trás das personagens que estrelam o filme que ganhou como Melhor Animação no Oscar deste ano. Bem legal a interação que rolou com a plateia do Oscar com globos de luz portáteis, que eram agitados conforme a música era apresentada.
No retorno de mais um intervalo comercial, vamos para o bloco mais importante da noite – pra gente, ao menos. Teremos Melhor Canção Original e Melhor Filme Internacional. Essa é a melhor chance do Brasil esse ano. Abrindo o novo bloco, o Oscar nos apresentou o clipe de One Battle After Another. Conan O’Brien apareceu comentando que Autumn foi a primeira mulher a ganhar na categoria Melhor Fotografia.
Na sequência, os atores Javier Bardem e Priyanka Chopra Jonas subiram ao palco para apresentar as produções indicadas em Melhor Filme Internacional. Javier Bardem improvisou falando “não à guerra” e pedindo por uma Palestina livre. E o Oscar foi para… Sentimental Value. É… esse filme, indicado nove vezes esse ano, acabou garfando o Brasil. Ele merecia? A meu ver, sem patriotismo, não. O Agente Secreto é um filme bem melhor. Mas ok, vamos ter que engolir – como em tantos outros anos do Oscar.
O diretor Joachim Trier que, sim, é um baita diretor e roteirista, subiu ao palco e agradeceu à equipe, disse que ele é um dos representantes do cinema de seu país, falou dos filmes importantes que foram indicados esse ano na mesma categoria.
Em seguida, Lionel Richie subiu ao palco, sendo bastante aplaudido, dizendo que retornou. Ele relembrar do Oscar que ele recebeu, há 40 anos, e brinca que hoje o tempo está passando voando. Lionel Richie então apresentou os indicados na categoria Melhor Canção Original. E o Oscar foi para… “Golden”, de KPop Demon Hunters. Subiu ao palco EJAE, Mark Sonnenblick, Joong Gyu Kwak, Yu Han Lee, Hee Dong Nam, Jeong Hoon Seo e Teddy Park. EJAE, que se apresentou antes, falou sobre como as pessoas riam dela quando ela era criança, mas que agora todos cantam a música dela. A pessoa da equipe que foi falar depois foi cortada, sem dó dessa vez, e o Oscar foi para novo intervalo.
No retorno, fomos apresentados para os indicados na categoria Melhor Direção. E o Oscar foi para… Paul Thomas Anderson, de One Battle After Another. Bem, eu amo Paul Thomas Anderson e sua forma de fazer cinema. Merecido? Sim, sem dúvida. Essa foi a quarta indicação dele na categoria Melhor Direção e a primeira vez que ele recebe um Oscar. Ele começou agradecendo um grande amigo, que já morreu, brincou que a Academia faz uma pessoa trabalhar muito até conseguir conquistar uma estatueta como aquela e agradeceu as pessoas que seguiram confiando nele. Muito bacana. Fico feliz por ele.

Em seguida, o ator Adrien Brody subiu ao palco, depois de Conan O’Brian brincar que ele foi o grande responsável por não deixar o Oscar do ano passado terminar mais cedo. Depois de brincar com vários papéis, Adrien Brody apresentou os indicados na categoria Melhor Ator. E o Oscar foi para… Michael B. Jordan, de Sinners. Realmente ele era a pessoa que poderia tirar o Oscar de Wagner Moura.
Pelo menos, dessa vez, não foi uma injustiça total como Gwyneth Paltrow com Fernanda Torres e Mikey Madison com Fernanda Torres. Acho sim que Wagner Moura merecia o Oscar, mas não é injusto Michael B. Jordan levar o prêmio porque ele está ótimo em Sinners. Essa foi a primeira indicação do ator ao Oscar e ele já ganhou o prêmio. Ele começou falando sobre a mãe dele, que estava ao lado do ator, depois falou do pai, de pessoas da equipe e das pessoas que vieram antes dele, citando vários atores e atrizes pretos, incluindo os gigantes Sidney Poitier e Denzel Washington.
E então chegamos no intervalo final do Oscar. A próxima categoria será Melhor Atriz (única em que Hamnet deve ganhar… assim espero, ao menos) e, depois, veremos a principal categoria da noite. Meu palpite é que One Battle After Another vai vencer. Veremos…
No retorno do intervalo, Conan O’Brien brincou sobre algum problema que eles podem ter tido no intervalo. Então ele chamou ao palco Mikey Madison, que apareceu em cena para apresentar as indicadas deste ano na categoria Melhor Atriz. E o Oscar foi para… Jessie Buckley, de Hamnet. Ufa! Mais que merecido. O filme merecia mais prêmios, mas como esse ano a Academia não quis premiar muito Hamnet, ao menos deram o prêmio para ela, essa atriz que dá a alma nesse filme.
Jessie Buckley ri muito, ao subir ao palco, e começa homenageando as outras atrizes da categoria, depois agradecendo os produtores de Hamnet, as amigas e os familiares. Ela agradeceu os pais por ensiná-la a sonhar e a abraçar a profissão, agradeceu o marido e a filha. Em seguida, ela agradeceu a diretora Chloé Zhao, que a permitiu mergulhar nessa personagem que é mãe e lembrou que hoje é o Dia das Mães no Reino Unido. Falou ainda que ela vem de uma linhagem de mulheres que seguem, apesar dos pesares. Linda. Muito bacana o discurso dela.

Fechando a noite, Nicole Kidman e Ewan McGregor subiram ao palco para apresentar a categoria Melhor Filme. Eles começaram brincando sobre o amor, fizeram referência ao filme que eles protagonizaram juntos, Moulin Rouge!, e Ewan comentou que os filmes indicados deste ano ajudam a explicar o amor que eles têm pelo cinema.
Em seguida, foram apresentados os indicados em Melhor Filme. E o Oscar foi para… One Battle After Another. Oh yeah! Se fosse para Hamnet e O Agente Secreto perder para alguém, tinha mesmo que ser para essa produção. Merecido, devo dizer. Uma galera subiu ao palco, e quem começou com o discurso foi a produtora Sara Murphy. Ela agradeceu a equipe toda e familiares.
E Paul Thomas Anderson lembrou os indicados em 1975 no Oscar. Apenas grandes filmes. Fez essa citação para dizer que não existe um filme melhor que outro, mas que existe um clima para cada dia. Como que dizendo que ele não considera que fez o melhor filme do ano, mas que o “clima” do país favoreceu One Battle After Another agora. E ele terminou dizendo para a galera tomar um martini, abrindo mão de fazer um discurso político. Francamente, senti falta disso. Será que por isso Sean Penn ficou de fora, porque ele não iria se conter de fazer um discurso político e meio que eles foram “proibidos” de fazer isso esse ano? Não duvido.
O Oscar então finalizou com uma referência ao Melhor Filme do ano, com Conan O’Brien sendo levado para uma sala, depois de dizerem que ele seria o apresentador do Oscar para resto da vida. E fim. Então, no geral, gostei da premiação, principalmente por Jessie Buckley ter recebido o Oscar por Hamnet e pelo reconhecimento de One Battle After Another. Mas senti falta de alguns discursos mais contundentes e, principalmente, de O Agente Secreto ter recebido o Oscar de Melhor Filme Internacional. Mas é isso aí. O Oscar sendo o Oscar.
O que eu vejo de vantagem sempre, a cada ano, do Oscar, é como essa premiação nos apresenta filmes muito bons. Temos umas safras melhores do que outras, isso é fato, mas sempre tem filmes bacanas que essa premiação nos apresenta. A safra desse ano eu achei, no geral, melhor do que a do ano passado. Mas o Oscar serve para isso mesmo, para nos apresentar produções de diversos níveis de qualidade. E sim, nem sempre os melhores ganham. Faz parte.
Não achei injusto Marty Supreme sair do Oscar sem nenhuma estatueta. Achei que Sinners ia ser um pouco mais reconhecido (ele ganhou em quatro categorias), mas esse foi realmente o ano de One Battle After Another, que terminou o Oscar com seis prêmios. No mais, Frankenstein levou realmente a maior parte das estatuetas nas categorias mais técnicas – venceu três vezes. Isso já era esperado.
É isso, meu povo! Chego ao final de mais essa temporada do Oscar com vocês comigo. A ideia é ainda assistir a alguns dos filmes indicados nesse ano e que eu acabei não tendo tempo de conferir antes da cerimônia acontecer. E, depois, é me lançar para outros filmes que não tem nada a ver com o Oscar. Convido vocês a seguir por aqui. Abraços e até o próximo post e até o Oscar do ano que vem!

Confira a lista com todos os premiados do Oscar 2026:
- Melhor Filme: One Battle After Another
- Melhor Ator: Michael B. Jordan (Sinners)
- Melhor Atriz: Jessie Buckley (Hamnet)
- Melhor Ator Coadjuvante: Sean Penn (One Battle After Another)
- Melhor Atriz Coadjuvante: Amy Madigan (Weapons)
- Melhor Direção: Paul Thomas Anderson (One Battle After Another)
- Melhor Elenco: One Battle After Another
- Melhor Animação: KPop Demon Hunters
- Melhor Documentário: Mr. Nobody Against Putin
- Melhor Filme Internacional: Sentimental Value
- Melhor Roteiro Adaptado: One Battle After Another
- Melhor Roteiro Original: Sinners
- Melhor Fotografia: Sinners
- Melhor Figurino: Frankenstein
- Melhor Edição: One Battle After Another
- Melhor Design de Produção: Frankenstein
- Melhor Maquiagem e Cabelo: Frankenstein
- Melhor Som: F1
- Melhores Efeitos Visuais: Avatar: Fire and Ash
- Melhor Trilha Sonora: Sinners
- Melhor Canção Original: “Golden” (KPop Demon Hunters)
- Melhor Curta: The Singers e Two People Exchanging Saliva
- Melhor Curta Documentário: All the Empty Rooms
- Melhor Curta Animação: The Girl Who Cried Pearls