E o Oscar 2012 foi para… (avaliação online dos premiados)

Boa noite, pessoal!

Repetindo a dose dos últimos anos, hoje vou comentar por aqui, com vocês, sobre os vencedores da premiação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood.

A ideia continua sendo a mesma: conforme os nomes dos premiados forem saindo, vou atualizando esta página.

Este ano, como não estou trabalhando no jornal, comecei a acompanhar os bastidores sobre a premiação mais cedo. Foi assim que eu soube da primeira ausência confirmada da noite: Halle Berry. A atriz, que apresentaria uma das categorias da noite ao lado de Tom Hanks, confirmou que estará ausente.

O motivo: ela continua com problemas de locomoção por causa do pé quebrado – conta a lenda que ela se acidentou ao correr para ajudar a filha, Nahla, quando ela estaria indo atrás – ou sendo perseguida? – por uma cabra na Espanha. Uma pena a atriz, premiada com um Oscar por Monster’s Ball, não comparecer ao Oscar. Afinal, todos os anos, ela aparece na lista das mais elegantes e bem vestidas.

Este ano a Academia inovou com uma cobertura interessante no Twitter. Por ali eles alimentam a curiosidade dos aficionados pela premiação com fotos interessantes, feitas com a ferramenta Instagram. A que abre esta página foi divulgada por este canal e mostra a primeira visão dos astros e estrelas quando eles chegam no local da premiação e desembarcam de suas limusines. Como vocês podem ver, o clima de “cinema antigo” não ficou restrito aos dois grandes indicados deste ano no Oscar, The Artist e Hugo, mas também em parte da decoração da festa. Hollywood parece mesmo mergulhada no passado cheio de autorreferência.

Dois canais de TV por assinatura e um canal de TV aberta transmitem a cerimônia do Oscar este ano. Logo mais, as 19h30min, o E! começa a transmitir ao vivo do tapete vermelho. O canal TNT fará o mesmo, a partir das 20h30min. A cerimônia de premiação está prevista para começar entre as 21h e as 21h30min. Assim que as primeiras informações começarem a surgir, farei novas atualizações.

Voltei, minha gente! Faltou energia elétrica na minha casa, vocês acreditam? Mas daí uma super amiga me ajudou, dando abrigo, conexão à internet, TV e até suquinho de uva. Então falemos de Oscar. 🙂

Agora estou acompanhando o tapete vermelho pela transmissão da E! Há pouco apareceu o George Clooney, elegantérrimo, como sempre. E agora, Viola Davis, com um vestido verde de Vera Wang e cabelos bem curtinhos. Os comentaristas de moda elogiaram o vestido justo de Davis, assim como os trajes de Stacey Clooney (dourado) e Rooney Mara (branco).

Há pouco, às 20h53min, no tapete vermelho esteve Michelle Williams em um vestido vermelho de Louis Vuitton. Linda. A atriz comentou que ao interpretar Marilyn Monroe ela descobriu muito sobre a diva, especialmente mais sobre o talento e a tristeza dela.

A favorita na categoria de Melhor Atriz Coadjuvante, Octavia Spencer, é entrevistada no tapete vermelho. Ela disse que amanheceu nervosa, e que não preparou nenhum discurso. Comenta que gosta de competir e que, caso ganhe, não deixará de falar nada. Spencer disse que fez uma festa com o elenco de The Help dois dias antes do Oscar.

Jean Dujardin apareceu agora, às 21h06min, comentando que estava um pouco nervoso e responde ao entrevistado, sobre ser o primeiro francês que pode ganhar um Oscar, que isso só vai se concretizar se ele ganhar. Bem humorado, ele não escondeu o nervosismo, mas estava muito elegante. Aliás, a disputa de melhor ator desta noite também é uma boa quebra-de-braço para saber qual dos dois maiores concorrentes – George Clooney e Dujardin – também estão mais bem vestidos.

O polêmico Sacha Baron Cohen chegou há pouco, por volta das 21h05min, vestido de ditador. Ele disse que está vestindo John Galliano. Com barba longa e óculos azuis, ele carregava uma urna com “as cinzas” do ex-ditador Kim Jong-il, da Coreia do Norte. Cohen descarregou “as cinzas” no apresentador do canal E!.

Jessica Chastain, uma das atrizes de destaque da última temporada, apareceu fazendo furor em um vestido preto e dourado. Bela naturalmente, ela ficou ainda mais destacada com a roupa. Pelos comentários de quem acompanha o Oscar, ela já está na lista das mais bem vestidas da noite.

O casal Melanie Griffith e Antonio Banderas apareceram agora, às 21h23min, no tapete vermelho. Banderas comenta que é um prazer estar na cerimônia do Oscar.

Um pouco atrasado o início da festa, que estava previsto para começar às 21h30min.

Colin Firth, que ganhou o Oscar de Melhor Ator no ano passado, comenta sobre o ritual de participar este ano entregando um prêmio. Ele comenta que há preparação para este momento, e que a vantagem é que a pressão deste ano não está sobre ele, mas sobre os novos indicados.

A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood disponibiliza neste link as fotos do tapete vermelho. Dá uma conferida lá e procure os seus atores e atrizes favoritas.

Penélope Cruz, com um sotaque muito acentuado e, consequentemente, com um inglês estranho, aparece com um vestido Giorgio Armani Privé. O traje é lindo, mas o cabelo dela me pareceu um tanto descompassado e/ou estranho demais para a ocasião.

São 22h, e não há sinal da premiação começar. Os apresentadores dos canais E! e TNT se desdobram para falar dos vestidos e das joias das estrelas enquanto o melhor da festa não começa. Segundo a contagem regressiva do canal TNT e da própria Academia, a entrega vai começar as 22h30min, mesmo horário do ano passado.

Na entrada do teatro, Gwyneth Paltrow também causou alvoroço com um vestido lindo de Tom Ford. Brad Pitt comenta que o tapete vermelho é muito mais simples para os homens. Em seguida, o TNT mostra Sandra Bullock, que este ano não se preocupou muito com a roupa com a qual deveria aparecer – ela não chamou muito a atenção e foi ofuscada pelas outras celebridades.

A dúvida para logo mais é sobre a ordem da entrega das estatuetas. Nos últimos três anos a ordem foi diferente. No Oscar 2011, a premiação começou com Melhor Direção de Arte e Melhor Fotografia. Em 2010, as primeiras estatuetas foram entregues para Melhor Ator Coadjuvante e Melhor Animação. E em 2009, com Melhor Curta de Animação e Melhor Atriz Coadjuvante.

Dentro do teatro, Natalie Portman, linda em um vestido longo vermelho, elogia Billy Crystal, apresentador do Oscar deste ano. Esta é a nova vez que o comediante assume o comando da premiação.

Agora sim, pontualmente às 22h30min, começou a apresentação do Oscar com Morgan Freeman. Ele comentou que a festa de 84 anos celebra o presente do cinema e relembra o passado.

Como manda o figurino, Billy Crystal apareceu parodiando os filmes que estão concorrendo ao Oscar de Melhor Filme. As “homenagens” começaram com The Artist e seguiram com The Descendants, quando Crystal assumiu o lugar da mulher do personagem do George Clooney e foi “beijado” na boa.

Depois, ele apareceu em Moneyball e Midnight in Paris, fazendo piada com Justin Bieber. Dali, ele migra para The Help, alimentando-se do bolo “delicioso” de Mimi. Passa então para o filme Hugo, satirizando como o 3D faz coisas – trazendo Tom Cruise para dentro da história, por exemplo. Crystal ainda brinca com Tintin, Harry Potter, The Tree of Life, The Iron Lady e todos os outros filmes indicados em alguma categoria desta noite.

Sobre o palco, ele lembra que esta é a nona vez em que ele apresenta o Oscar. Antes e a partir daí, ele brincou com os nomes dos filmes que concorrem na categoria principal, de Extremely Loud & Incredibly Close até War Horse. Claro que ele cantou, fazendo piada com Dujardin e Spielberg através de versões de músicas famosas. E seguiu nesta linha, resgatando seu velho estilo de apresentar a premiação. Como sempre, mais engraçado entre seus pares do que para o público.

Para apresentar o primeiro prêmio da noite, o ator e diretor Tom Hanks. Ele comentou que toda festa do Oscar é especial. Em seguida, foram apresentados os indicados ao Oscar de Melhor Fotografia… que foi ganho por Hugo (A Invenção de Hugo Cabret). Robert Richardson agradeu a todos que o ajudaram, especialmente Scorsese, e dedicou o prêmio a todos os cineastas do passado, do presente e do futuro.

Hanks também apresentou rapidamente os indicados em Melhor Direção de Arte. Outro prêmio para o filme dirigido por Martin Scorsese. O premiado, Dante Ferretti, agradeceu especialmente ao diretor de Hugo. Francesca Lo Schiavo, que também recebeu o prêmio, dedicou ele a Scorsese e para a Itália.

Como esperado, Hugo começou vencendo em categorias técnicas. Surpreendeu um pouco em direção de fotografia, já que ele tinha três grandes concorrentes este ano: The Tree of Life (A Árvore da Vida), The Artist (O Artista) e War Horse (Cavalo de Guerra). Essa era, aliás, a grande chance de The Tree of Life não sair do Oscar de mãos abanando.

A tendência é que Hugo ganhe quase todos os prêmios técnicos, mas que os principais sejam abocanhados por The Artist. Se isso não acontecer, talvez Hugo se consagre com um número expressivo de estatuetas.

Depois dos comerciais, Crystal brinca dizendo que o nome do teatro não pode ser dito – por causa da falência da Kodak. Independente disto, ele comenta que a magia do cinema continua. E daí começou o resgate de alguns clássicos do cinema, entre outros, Titanic, Ghost, Avatar, Tubarão, Indiana Jones, O Poderoso Chefão, O Exorcista, Star Wars, entre outros. Claramente uma edição do Oscar que olha e bate palmas para o passado.

Em seguida, o “sonho recorrente” de Crystal, a dupla Cameron Diaz e Jennifer Lopez apresentaram a categoria Melhor Figurino. E o Oscar foi para… The Artist, recebido por Mark Bridges. Ele agradeceu a todas as pessoas que fizeram parte do filme e lembrou a infância, dizendo que sempre sonhou em fazer filmes e agradeceu a Academia por tornar o sonho dele realidade.

Cameron Diaz e Jennifer Lopez apresentaram os indicados a Melhor Maquiagem. Viradas de costas, as atrizes revelaram os vencedores: Mark Coulier e J. Roy Helland, de The Iron Lady (A Dama de Ferro). Esperadíssimo esse prêmio, e bastante aplaudido. Os premiados agradeceram muito ao trabalho de Meryl Streep, que dá autenticidade para a personagem de Margaret Thatcher e sentido para o trabalho deles.

Começou então a passar um vídeo em que vários atores entraram em cena para falar sobre seus momentos especiais com o cinema. Entre outros, Morgan Freeman, Brad Pitt, Ben Stiller, Tom Cruise.

Até o momento, nenhuma grande surpresa. Exceto por Melhor Fotografia, que tinha como favorito o filme The Tree of Life. Mas também não se pode dizer que seja uma surpresa completa a Academia se esforçando para dar muitos prêmios para Hugo. Por este começo, podemos esperar um equilíbrio entre os prêmios para o filme de Scorsese e The Artist.

Na volta dos comerciais, Sandra Bullock apresentou os candidatos na categoria Melhor Filme em Língua Estrangeira. Ela brinca que falará também em outras línguas, mais especificamente em mandarim. Mas acaba falando sobre a beleza do cinema em alemão. E o Oscar foi para… A Separation (A Separação). Bola cantadíssima. Seria estranho se ele não tivesse levado. Merecido.

O diretor, Asghar Farhadi falou em nome dos iranianos que sofrem com privações e dedicou o prêmio a eles, assim como a todos os povos que passam por conflitos e dificuldades.

O belo Christian Bale apareceu em seguida para apresentar a categoria de Melhor Atriz Coadjuvante. As candidatas apareceram em cenas escolhidas e sentadas na platéia. Especialmente lindas Bérénice Bejo e Jessica Chastain.

E o Oscar foi para… Octavia Spencer. Ela foi amparada pelas pessoas que estavam ao seu redor, especialmente as outras atrizes de The Help (Histórias Cruzadas). Também foi aplaudida de pé e ovacionada. Como previsto na bolsa de apostas, ela chorou. 🙂 E agradeceu à Academia por colocá-la junto de um dos “caras mais bonitos” da festa. Agradeceu à família e ao elenco de The Help.

Vocês lembram da dinâmica do palco do Oscar no ano passado? Saiu de cena. A premiação este ano voltou para o clássico. Um palco com um telão, coberto a maior parte do tempo por uma grande cortina.

Na volta dos comerciais, Tina Fey e Bradley Cooper apresentaram os indicados em Melhor Edição. Os indicados, desta vez, falaram rapidamente sobre os seus trabalhos. E os premiados foram Angus Wall e Kirk Baxter, editores de The Girl with the Dragon Tattoo (Millenium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres). Eles já haviam sido premiados no ano passado por The Social Network (A Rede Social).

Os apresentadores anunciaram então os vencedores em Edição de Som: Hugo. Philip Stockton e Eugene Gearty subiram ao palco para agradecer às suas equipes. Tina Fey e Bradley Cooper emendaram com Melhor Mixagem de Som. E o Oscar foi para… Hugo. Subiram ao palco Tom Fleischman e John Midgley. Eles agradeceram, como manda a regra, para as suas equipes e Scorsese, em especial.

Até o momento, o placar marca Hugo 4 x 1 The Artist. Como as categorias entregues até agora foram técnicas, isso era esperado. Quando começarem as principais, poderemos ter uma ideia melhor sobre o resultado final da noite… se será equilibrado ou penderá para Hugo.

Na volta do comercial, a dupla Caco, o Sapo e Miss Piggy apareceram em cena. E depois deles, a melhor apresentação da noite, com o Cirque du Soleil reproduzindo algumas das melhores cenas da história do cinema. Trapezistas, malabaristas, dançarinos com acrobacias atléticas de todos os tipos deram um show.

Após a apresentação, Gwyneth Paltrow e Robert Downey Jr. apresentaram a categoria Melhor Documentário. Ele fez uma entrada extra dramática. E brincou que estava fazendo um documentário chamado O Apresentador. A melhor piada da noite. Downey Jr. pediu para ela não interrompê-lo porque ele teria que colocar o vídeo daquele momento no Netflix em seguida. Ele diz que recusou participar de The Descendants, e que está fazendo algo muito inovador: um documentário ao vivo. Paltrow responde que isso se chama noticiário. 🙂

E o vencedor foi… Undefeated, um documentário sobre um jogador que estava por baixo e que conseguiu dar a volta por cima. Subiram ao palco para receber o prêmio os diretores Daniel Lindsay, T.J. Martin e Rich Middlemas. O discurso deles foi interessante, mas longo demais – tanto que o áudio foi cortado.

Chris Rock, sempre exagerado – um tanto “over” – subiu ao palco para apresentar aos filmes que concorrem como Melhor Animação. E o favoritíssimo Rango ganhou a estatueta. O diretor Gore Verbinski discursou comentando que não sabe se o filme foi feito para crianças, mas que ele foi realizado por adultos que se sentem crianças. E seguiu agradecendo aos produtores e outras pessoas da equipe, assim como a mulher e a família.

Na volta dos comerciais, Billy Crystal aparece saindo do camarim, mas é interrompido, na porta, por Melissa McCarthy, que faz malabarismos com as pernas para impedir a saída dele da porta. Ben Stiller e Emma Stone subiram ao palco para apresentar a categoria Melhores Efeitos Visuais. Ela comenta que esta era a primeira vez dela no prêmio e quer prolongar o tempo sobre o palco.

Novamente os concorrentes foram apresentados por alguns de seus realizadores. E o Oscar de Melhores Efeitos Visuais foi para… Hugo. Subiram ao palco os vencedores Robert Legato, Joss Williams, Ben Grossmann e Alex Henning. Novamente, agradeceram muito o visionário Scorsese. Que deve receber, logo mais, a estatueta de Melhor Diretor – pelo menos este é o palpite principal das bolsas de apostas.

Melissa Leo subiu ao palco para apresentar os indicados ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante. Foram apresentados trechos de suas interpretações e a clássica cena deles na platéia. E o premiado foi… Christopher Plummer, por Beginners.

Aos 82 anos, ele foi aplaudido de pé e agradeceu com reverências. Olhando para a estatueta do Oscar, ele brincou que ela tem apenas dois anos a mais que ele. Disse que preparava o discurso desde pequeno. Agradeceu a vários atores e aos companheiros do filme que lhe rendeu o prêmio, assim como a quem lhe deixou fora da cadeia, e para a “sofrida” mulher, que lhe ajudou a ser salvo de si mesmo.

Agora, faltam poucos prêmios antes de serem anunciadas as categorias principais. E de sabermos se o Brasil vencerá em Melhor Canção. Antes, Billy Crystal anuncia Penélope Cruz e Owen Wilson. Ela com aquele cabelo estranhíssimo… Eles apresentaram trechos do trabalho dos compositores que concorrem em Melhor Trilha Sonora. Belo trabalho de apresentação, mostrando partituras inseridas em cenas dos respectivos filmes e interagindo com elas.

E o Oscar foi para… The Artist, para o compositor de Ludovic Bource. Que maravilha! Merecidíssimo. A trilha sonora de The Artist é fundamental para a produção. E assim, o filme favorito da noite ganha a sua segunda estatueta. Com um sotaque muito acentuado, ele fez um discurso emocionado, agradeceu muito à Academia e terminou mandando beijos para a mulher.

Os comediantes Will Ferrell e Zach Galifianakis chegaram vestidos de músicos de banda, todos de branco, para apresentar a categoria Melhor Canção Original. E agora o Brasil, com 50% de chance de ganhar… E o premiado foi Bret McKenzie por The Muppets. As bolsas de apostas já tinham cantado essa bola. McKenzie disse que sempre acompanhou os personagens, e agradeceu a todos os envolvidos no trabalho, assim como a sua família. E o Brasil, novamente, ficou sem a estatueta – na melhor chance que teve até hoje de conseguir uma.

Na volta, Billy Crystal se enrolou para apresentar Angelina Jolie, a “garota que tinha a tatuagem original do dragão”. Com uma voz macia e presença maravilhosa, a atriz comentou sobre o trabalho dos roteiristas, citando que aqueles que fazem adaptação, devem ser fiéis à obra original e, ao mesmo tempo, apresentarem identidade própria. Foram apresentados os concorrentes na categoria Melhor Roteiro Adaptado. E o Oscar foi para… The Descendants (Os Descendentes).

Subiram ao palco Alexander Payne, Nat Faxon e Jim Rash. Payne apresentou os outros roteiristas e brincou dizendo que apresentava o respeito deles aos outros nomeados. Agradece Clooney e a escritora do romance original. Muito bacana o discurso, aliás. Em seguida, ele agradece à mãe – uma parte, inclusive, em grego. Uma das melhores falas da noite. E os favoritos ganharam, mais uma vez.

Em seguida, Jolie apresentou os candidatos a Melhor Roteiro Original. Novamente, o favoritíssimo, Woody Allen, venceu pelo excelente roteiro de Midnight in Paris (Meia-Noite em Paris). Mas ele não apareceu para receber a estatueta, o que já era esperado também. Daí entraram os vídeos de mais atores comentando sobre os seus gostos no cinema. Entre outros, Reese Whiterspoon, Sacha Coen, Steve Carell, Brad Pitt e Morgan Freeman.

No retorno, a maravilhosa Milla Jovovich entrou em cena. Uma bela substituição de Angelina Jolie. Ela apresentou as novidades técnicas reconhecidas pelo Oscar em uma cerimônia especial e que sempre antecede a noite de gala. Crystal então chamou as seis atrizes que estrelam Missão Madrinha de Casamento. Elas apresentaram os candidatos nas três categorias de curtas-metragens do Oscar.

Como Melhor Curta-metragem venceu The Shore, dirigido por Terry George. Ele levou com ele, para o palco, a filha, produtora, e dedicou o prêmio para os irlandeses. Ela, dedicou-o à mãe. Em seguida, os indicados a Melhor Documentário em Curta-metragem. E o Oscar foi para… Saving Face, sobre mulheres que são atacadas com ácido no Paquistão. As sobreviventes lutam por justiça e pela recuperação de suas saúdes. Subiram ao palco Daniel Junge e Sharmeen Obaid-Chinoy. Os dois homenagearam os paquistaneses, especialmente aos médicos que trabalham para restaurar os rostos das mulheres atacadas. Eles foram bem aplaudidos – apenas o Morgan Freeman ficou impassível.

Para fechar a lista, os candidatos a Melhor Curta-metragem de Animação. O premiado foi The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore, que utiliza técnicas variadas e que faz uma ode de amor aos livros. Subiram ao palco William Joyce e Brandon Oldenburg. Eles se classificaram como contadores de histórias, e afirmaram que o cinema lhes tocou mais do que poderiam imaginar.

E agora sim, na volta dos comerciais, a reta final com as principais categorias da noite. Michael Douglas entra em cena para apresentar a categoria Melhor Diretor. Ele explica o trabalho do diretor, comentando sobre o trabalho exaustivo dele em tornar uma ideia original e visionária realidade.

Atores fundamentais em cada uma das produções que estão concorrendo nesta categoria falam sobre os seus diretores. E o Oscar foi para… Michel Hazanavicius. Ele é o primeiro francês a ganhar um Oscar.

E ainda que eu goste muito de Martin Scorsese, o favorito da noite, devo dizer que Hazanavicius merece esta estatueta. Muito! O trabalho dele é primoroso em The Artist. E a verdade é que, este ano, mais de um diretor merecia a estatueta.

Billy Crystal então brinca com Meryl Streep, a atriz indicada 17 vezes a um Oscar – e que, até agora, ganhou apenas em duas ocasiões. Em um vestido dourado e com óculos discretos, ela apresenta os Oscar’s honorários deste ano para Dick Smith, James Earl Jones e Oprah Winfrey. Os ganhadores dos prêmios especiais foram aplaudidos de pé pelo público.

Até agora, o Oscar seguindo como já era previsto em praticamente todas as categorias. A maioria dos prêmios técnicos ficando com Hugo e boa parte dos principais com The Artist.

Depois dos comerciais, mais um momento clássico da noite do Oscar: a homenagem às personalidades mortas no ano passado ou mesmo este ano, mas antes da noite de gala. Crystal começou homenageando dois antigos produtores da festa da premiação. E o telão seguiu mostrando outros nomes, como Jane Russel, Ken Russell, Donald Peterman, Whitney Houston, Peter E. Berger, Jack Hayes, Peter Falk, Cliff Robertson, Laura Ziskin, Sidney Lumet, Steve Jobs, Hal Kanter, Gary Winick, Jackie Cooper, Norman Corwin, Ben Gazzara e, fechando a apresentação, Elizabeth Taylor.

Na reta final, os vídeos-depoimento dos atores retornaram, com Julia Roberts, Philip Seymour Hoffman, Edward Norton, Robert Downey Jr., Jonah Hill, Robert De Niro, entre outros. Eles falaram sobre a experiência do cinema, agora como parte desta experiência. Juntando todos os depoimentos, foi um trabalho interessante. Porque mostrou astros como espectadores e como engrenagens da beleza que é a Sétima Arte. Crystal volta brincando que nunca sentiu nada parecido com aqueles depoimentos.

Apresentando a categoria Melhor Ator, Natalie Portman fez um discurso breve para cada um dos concorrentes. Começou com Demián Bichir, estrela de Uma Vida Melhor.

Depois, passou para George Clooney, de The Descendants, comentando que ele conseguiu o impossível: fazer todos acreditarem que ele era um homem comum.

O terceiro foi Jean Dujardin, de The Artist. Portman comentou que a estreia dele para o público dos Estados Unidos não poderia ter sido melhor.

Gary Oldman foi o seguinte, por seu trabalho considerado magistral em O Espião Que Sabia Demais. Portman comenta que esta foi a primeira indicação dele.

Fechando a lista, Brad Pitt, de Moneyball (O Homem que Mudou o Jogo). A atriz comenta que o talento e a inventividade dele fazem as pessoas esquecerem que o filme é sobre beisebol.

E o Oscar foi para… Jean Dujardin. Uau! Bacana. Fiquei feliz. Ele faz um grande, maravilhoso trabalho. Sem ele, O Artista não seria delicioso e carismático como ele é.

Dujardin homenageia Douglas Fairbanks, dizendo que o inspirou, agradece Hazanavicius, o elenco e equipe e, claro, a esposa. Feliz da vida, ele diz que se o personagem dele pudesse falar, agradeceria em alto e bom som – essa última parte discursando em francês.

Para apresentar a penúltima categoria da noite, a de Melhor Atriz, o ator Colin Firth. Ele começou com Glenn Close, de Albert Nobbs, chamando o seu trabalho de impressionante.

Depois, a favorita, Viola Davis, de The Help, uma interpretação emocionante.

A terceira apresentada foi Rooney Mara, de Millennium – Os Homens que não Amavam as Mulheres.

Depois, brincando com a expressão mamma mia (título de um filme que eles fizeram juntos), Firth apresentou Meryl Streep, citando o recordo dela de 17 indicações. “Você é boa demais. Qualquer papel que você faça eleva demais o nível, tornando o papel dos outros difícil”, disse o ator.

Fechando a lista, a luminosa Michelle Williams. Firth diz que ela deixou ele estonteado quando eles contracenaram juntos e ela tinha 12 anos.

E o Oscar foi para… Meryl Streep.

Ela não era a favorita nas bolsas de apostas, mas foi muito bacana vê-la subindo ao palco e os demais presentes aplaudindo-a de pé. Ela brinca que, ao ouvir o próprio nome, pensou nas pessoas dos Estados Unidos dizendo: “Ah não, novamente?”. Mas tanto faz, ela disse. Meryl começou agradecendo ao marido e, depois, o cabelereiro e maquiador que a acompanha há várias décadas. Brincando que acha que não vai aparecer ali novamente, ela pede mais tempo, e agradece a todos os seus amigos, novos e antigos. Emocionante. Ela fecha dizendo que o mais importante é o amor e a felicidade que eles sentem e despertam trabalhando no que eles trabalham.

Para apresentar a principal categoria da noite, a de Melhor Filme, Tom Cruise. E daí seguiram as apresentações curtas dos nove concorrentes da noite. Um quadro interessante e intercalado de algumas das melhores cenas de todos eles. A apresentação ressaltou, principalmente, a capacidade de encantar das produções concorrentes. A Academia considerou o Melhor Filme desta temporada… The Artist. E assim, se concretizou a profecia. 🙂 Mais uma vez, o Oscar olhando para o passado e conseguindo reinventar-se. Porque teve coragem, pela primeira vez, de dar um Oscar de Melhor Filme para uma produção de fora de Hollywood. Bem, muito bem.

Subiram ao palco o produtor principal do filme e, mais uma vez, o diretor Michel Hazanavicius. Também premiado esta noite, ele agradeceu a mulher e Billy Wilder. Bacana. Belo final de noite.

Agradeço a você, caro leitor, que mais uma vez esteve por aqui acompanhando os comentários da apresentação do Oscar. Este espaço se explica por tua causa. Abraços e inté!

ATUALIZAÇÃO (dia 27/02): Pessoal, não pude evitar de fazer este adendo hoje. Procurando fotos para ilustrar este post, olha quem eu encontrei na divulgação da noite feita pela Academia: o cãozinho Uggie.

Ele foi o assunto na semana que antecedeu a entrega das estatuetas. Todos perguntavam se iriam deixar ele subir ao palco, caso The Artist ganhasse.

Quando Dujardin levou a estatueta de Melhor Ator, os espectadores ficaram na expectativa… mas ele não foi autorizado a subir.

Ainda assim, ele estava lá, e apareceu nos bastidores fazendo pose. Lindo!

War Horse – Cavalo de Guerra

O céu se parece muito, pode até que seja o mesmo de Gone with the Wind. Mas a história… quanta diferença daquela de um dos maiores clássicos do cinema! War Horse é um filme que resgata aquele céu, apesar de ser ambientado em outra época, em outra local e com um foco muito diferente. O novo filme de Steven Spielberg tem um belo visual, uma trilha sonora poderosa e uma “atuação” de um cavalo poucas vezes vista no cinema. E isso é quase tudo. Spielberg já fez filmes melhores, não há dúvidas.

A HISTÓRIA: O sol nasceu há pouco, e a câmera percorre campos verdejantes no amanhecer. A luz vai iluminando as propriedades cada vez com mais força, até que chegamos a três homens que cuidam de um cavalo, enquanto Albert Narracott (Jeremy Irvine) observa tudo ajoelhado atrás de um portão. O garoto está fascinado. Os homens acalmam a égua, que acabou de ter um cavalo. O potro se levanta. O tempo passa, ele cresce e corre com a mãe pela propriedade, sendo observado por Albert. Mais tarde, os cavalos serão vendidos, e o pai do rapaz, o veterano de guerra e agricultor Ted (Peter Mullan), pagará caro pelo potro crescido. A partir daí, o filme acompanha a amizade entre o cavalo e Albert.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já leu a War Horse): As maiores qualidades deste filme ficam evidentes logo de cara. Para começar, a trilha sonora do veterano premiado John Williams. Sem o virtuosismo do trabalho dele e sua “malemolência” em brincar com algumas cenas – especialmente quando Ted Narracott aparece -, o filme não seria o mesmo. Outro elemento fundamental é a direção de fotografia do grande parceiro de Spielberg, Janusz Kaminski. Os dois trabalham juntos desde 1993, quando Kaminski respondeu pela fotografia de Schindler’s List – um dos pontos fortes da produção vencedora de sete Oscar’s.

Não demora muito também para aparecer o terceiro elemento fundamental desta produção: o personagem do cavalo Joey. Digo o personagem porque, o cavalo, propriamente, fica difícil de identificar. Segundo as notas de produção de War Horse, foram utilizados, no total, 14 cavalos para “interpretar” a Joey. Mesmo tantos cavalos tendo aparecido em cena, o que se “destacou” na interpretação se chama Finder, e foi o mesmo que apareceu no filme Seabiscuit.

A vantagem de War Horse é que ele apresenta logo as suas “armas”. Porque o restante do filme é bastante óbvio e sem surpresas. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Afinal, alguém duvidou, por um segundo que fosse, que Joey não reencontraria Albert? E que o cavalo não participaria de pelo menos uma cena espetacular, no melhor estilo de Dances with Wolves? Aliás, vocês lembram daquela cena emblemática da cavalgada? A diferença é que, desta vez, o que assistimos é um cavalo solitário, desesperado, que tenta simbolizar toda a necessidade de sobrevivência selvagem plasmada em cada centímetro das trincheiras e campos de batalha da guerra que for. Aquela cena é de “cortar o coração”, claro, porque o espectador vê aquele desespero e sabe que o animal está sofrendo. A brutalidade da cena, mais uma vez, simboliza o absurdo da própria guerra.

O curioso é que, como ocorre na vida real, os inimigos se comovem e se unem por causa de um animal. Vocês já viram como as pessoas se solidarizam e unem as forças quando é para defender um animal machucado ou abandonado? Impressiona. Com isso, não estou criticando a ação. Pelo contrário, acho válida. Mas só gostaria de ver a mesma convicção e paixão para defender a causa dos animais feridos e abandonados para agarrar outras causas igualmente válidas. Só acho irônico quando encontro pessoas tão apaixonadas pela causa dos animais, mas incapazes de estender a mal para uma outra pessoa, ou mesmo de ter paciência com o pai, a mãe, ou algum parente mais velho e que já não tem mais a mesma memória, ou a mesma saúde de outrora. Mas bueno, não é sobre isso que fala o filme, então voltemos a ele…

Sabemos que o reencontro vai acontecer. A surpresa fica com o que vai rechear o filme entre uma situação – a da venda de Joey no início da guerra – e a outra (o prometido reencontro). A maioria das situações são previsíveis, o que torna o roteiro de Lee Hall e Richard Curtis um tanto fraco – abaixo da força necessária para realmente criar tensão ou interesse permanente no espectador.

Baseado no livro de Michael Morpurgo, o roteiro busca mostrar as várias “facetas” de uma guerra. Enfoca o front do conflito (na primeira sequência, do ataque inglês aos alemães, quando os cavalos são utilizados como montaria), os “bastidores” da guerra (do lado alemão, com os cavalos sendo utilizados para puxar armamentos pesados) e nos “arredores” da luta armada (no descanso que os animais tem ao serem cuidados por uma garotinha órfã).

Estes momentos diferentes do filme tentam ampliar o drama humano da guerra. Mostram diferenças de tratamento e de postura. War Horse deixa claro que os vilões são os alemães, que parecem ser insensíveis e encarar os cavalos apenas como peças descartáveis. Os ingleses, por outro lado, parecem ter apego aos bichos – ainda que o “sensível” capitão Nicholls (Tom Hiddleston) e o “mais durão” major Jamie Stewart (Benedict Cumberbatch, protagonista da ótima série inglesa Sherlock) utilizem os cavalos em uma disputa juvenil, para ver quem pode mais. Os únicos mais “sensatos” parecem ser os franceses Emilie (Celine Buckens), que encontra e cuida dos cavalos, e o avó dela (Niels Arestrup).

A história começa e se desenvolve, por quase metade do filme, em terras inglesas antes da 1ª Guerra Mundial eclodir. Naquele cenário e ambiente, o espectador é apresentado a um tema que foi importante naquele clássico que eu citei lá no início, Gone with the Wind: a desigualdade social.

Spielber explora, nesta primeira parte do filme, as dificuldades vividas pela família Narracott, permanentemente ameaçada de ter que deixar as terras alugadas do rico Lyons (David Thewlis). Nesta primeira parte, a mãe do protagonista, Rose (a ótima Emily Watson), tenta mostrar para o filho que o pai dele não é apenas um bêbado, mas também um homem honrado que voltou atormentado da guerra da África. O filho acaba aprendendo a lição, mas muito tempo mais tarde, quando vive na própria pele as dificuldades e absurdos de uma guerra.

A outra metade do filme é ambientada em terrenos de conflito, no embate entre ingleses e alemães na França, entre 1914 e 1918. Daí surge aquela preocupação do roteiro em mostrar diversas facetas da guerra. Pena que nenhuma das facetas mostrada desperte uma grande novidade, interesse ou emocione. Apenas o trecho com Emilie parece um pouco mais interessante, por causa do carisma da atriz Celine Buckens e do ator Niels Arestrup.

E ainda que o filme mostre alguns momentos “difíceis”, como a morte dos irmãos, os ataques questionáveis de ingleses e alemães, a brutalidade e ineficácia do avanço de algumas tropas e, principalmente, a crueldade com os cavalos, tudo parece “bonito” demais. Cenas muito plásticas, bem conduzidas, e pouco eficazes no sentido de revoltar pela brutalidade das situações. Apenas as sequências com os cavalos me pareceram na medida certa.

Depois do filme perder a força com o “recheio” narrativo, voltamos para um “grand finale”, muito bem dirigido e bonito pela direção de fotografia. Os atores fazem um bom trabalho, mas o destaque fica, realmente, com os cavalos. A nota abaixo é uma homenagem a eles, muito mais que uma avaliação justa para a produção.

NOTA: 8.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: War Horse e Hugo são as duas mega produções que conseguiram um espaço na lista dos nove indicados ao Oscar de Melhor Filme este ano. Hugo é superior a War Horse, não apenas porque Martin Scorsese conseguiu inovar, pensando um filme que explorasse muito bem os efeitos 3D do cinema atual, mas também porque Spielberg não saiu do tradicional. Nada que ele apresenta aqui já não foi apresentado por ele mesmo em filmes anteriores ou por outros cineastas. Tanto é verdade que Spielberg não foi lembrado na categoria Melhor Diretor, mas Scorsese sim.

Todos os atores deste filme fazem um bom trabalho. Destaque para Jeremy Irvine, que está muito bem como o protagonista. Ele consegue expressar a emoção, a inocência e a maturidade do personagem de forma convincente. Depois, os veteranos Peter Mullan e Emily Watson fazem uma boa dobradinha. Niels Arestrup se destaca, mesmo em um papel relativamente pequeno, assim como a garota Celine Buckens, bastante carismática.

Além deles e dos demais citados, vale comentar o trabalho de coadjuvantes como Toby Kebbell, o soldado que encontra Joey; David Kross como Gunther, o irmão mais velho de Michael (Leonard Carow) e que resolve fugir com os cavalos; e Matt Milne como Andrew Easton, amigo de Albert.

Mesmo que o filme seja bastante previsível, algo temos que admitir: War Horse é uma bela reconstituição de época. Um trabalho ótimo e que movimentou milhares de figurantes. Na parte técnica do filme, e que lhe garantiu a qualidade que ele tem de reconstituição de época estão os ótimos trabalhos de Rick Carter no design de produção; a direção de arte da equipe de Andrew Ackland-Snow; a decoração de set de Lee Sandales e os figurinos de Joanna Johnston.

Esta nova produção de Spielberg foi exibida pela primeira vez em uma premiere em Nova York no dia 4 de dezembro. No dia 25 do mesmo mês ela entrou em cartaz nos cinemas dos Estados Unidos e do Canadá. Até o momento, o filme não participou de nenhum festival.

Ainda assim, War Horse ganhou cinco prêmios e foi indicado a outros 33, além de concorrer este ano a seis Oscar’s. Entre os prêmios que ganhou, destaque para o de filme do ano no AFI Awards; e os de melhor fotografia segundo a escolha da crítica do prêmio da Broadcast Film Critics Association e o Satellite Awards.

War Horse, pelas características da produção comentadas anteriormente, custou uma pequena fortuna: US$ 66 milhões. Apenas nos Estados Unidos o filme arrecadou, até 19 de fevereiro, pouco mais de US$ 78,7 milhões. No restante do mundo, a bilheteria somada até 21 de fevereiro chegou perto de US$ 133,5 milhões. Somadas, as bilheterias ultrapassam os US$ 200 milhões. Nada mal. E a garantia de que o filme pode ser considerado um sucesso – ainda que nenhum “arrasa-quarteirão”.

E uma curiosidade sobre o filme: ele foi totalmente rodado na Inglaterra. Mas especificamente em Devon, Surrey, Wiltshire e Bedfordshire. Foram rodadas cenas também no estúdio Twickenham, em Middlesex.

Esta produção foi baseada nos dois livros com nome similar publicados no Reino Unido em 1982 e de autoria de Michael Morpurgo, escritor de literatura infantil que recebeu, em 1999, o título M.B.E. (membro da Ordem do Império Britânico, em uma tradução livre).

Os usuários do site IMDb deram a nota 7,2 para esta produção. Nada mal, levando em conta que eles costumam ser bastante rígidos nas avaliações. Os críticos que tem seus textos linkados no Rotten Tomatoes foram um pouco mais generosos, dedicaram 150 críticas positivas e 46 negativas para a produção, o que lhe garante uma aprovação de 77% e uma nota média de 7.

Há um detalhe na produção que não faz diferença para a história mas que, mesmo assim, me incomodou um bocado: todos falarem inglês. Não seria muito mais lógico os alemães, quando falam entre si, falarem alemão e os franceses o francês? Claro que Spielberg preferiu simplificar as coisas e deixar todo mundo falando inglês para cair “melhor” no gosto do público que mais lhe interessava, o norte-americano. Ainda assim, achei uma falha.

O ator Jeremy Irvine, que antes deste filme só tinha trabalhado como ator na série Life Bites, estreada em 2009, vai começar a aparecer mais para o grande público. Depois de War Horse, ele atuou em Now Is Good, pronto mas ainda inédito; Great Expectations, em pós-produção, e The Railway Man, em fase de pré-produção.

Se existesse um Oscar para o cavalo mais sofredor do cinema, teríamos uma disputa boa entre os animais de War Horse e A Torinói Ló, filme húngaro que contou com recursos também da França, Alemanhã, Suíça e Estados Unidos. Eu votaria no de War Horse. 🙂

CONCLUSÃO: Steven Spielberg começou a carreira inovando e, entre os anos 1974 e 1998, ficou conhecido por destilar algumas obras-primas do cinema moderno. Mas de lá para cá, o diretor parece ter perdido aquela força inicial. War Horse, seu último filme, mostra isto. Ao invés de inovar, de ajudar o cinema a reinventar-se, Spielberg repete fórmulas para fazer um filme comovente, mas que não passa disso. Ele não apresenta novas ideias na forma e nem no conteúdo. Praticamente qualquer diretor mediano poderia chegar ao mesmo resultado. O filme trata de amizade, de aprendizado, de reconhecimento dos valores que importam, da mesma forma com que aborda a miséria e o preço alto exigido por uma guerra – neste caso, a 1ª Guerra Mundial. Mas poderia ser qualquer guerra… O melhor da produção é o cavalo “protagonista”, a trilha sonora e a direção de fotografia. Mas nada que faça alguém perder o sono ou sonhar além da conta. Algo básico. Muito distante dos melhores tempos de Spielberg.

PALPITE PARA O OSCAR 2012: War Horse está concorrendo em seis categorias nesta edição da maior premiação de Hollywood. Ele disputa como Melhor Filme, Melhor Direção de Fotografia, Melhor Direção de Arte, Melhor Trilha Sonora, Melhor Edição de Som e Melhor Mixagem de Som.

Como Melhor Filme ele não tem chances. Seria uma grande zebra ele levar a melhor frente a The Artist, Hugo ou The Descendants. Em Direção de Fotografia ele já tem alguma chance. Ainda que a disputa este ano seja acirrada… Kaminski terá que desbancar Emmanuel Lubezki, de The Tree of Life; Robert Richardson, de Hugo; e Guillaume Schiffman de The Artist. Difícil acertar nesta categoria, mas acho que Kaminski pode levar a melhor.

Em Melhor Direção de Arte a briga também será boa, especialmente porque estão no páreo The Artist, Hugo e Midnight in Paris. Outra vez difícil apontar o ganhador, mas acho que Midnight in Paris pode levar. Em Melhor Trilha Sonora, outra vez trabalhos excepcionais, de feras e veteranos. No páreo, junto com War Horse, estão The Artist e Hugo. Aqui eu votaria em The Artist.

Para fechar, as categorias de som. Em Edição de Som, vejo a vida de War Horse bastante difícil, porque ele concorre com Drive, Hugo, Transformers: Dark of the Moon e The Girl with the Dragon Tattoo. Destes, acredito que tenham mais chances Hugo, Drive e Transformers, nesta ordem. Em Mixagem de Som, outra batalha forte, com quase todos os indicados anteriores, exceto por The Artist, que sai de cena para deixar espaço para Moneyball. Difícil dizer o vencedor, mas talvez seja Hugo.

Se os palpites confirmarem, War Horse pode ganhar apenas o Oscar de Melhor Fotografia. Ou sair da premiação de mãos abanando – o que também não seria uma surpresa. Especialmente porque ele foi indicado em duas categorias do Globo de Ouro e não levou em nenhuma delas.

Extremely Loud & Incredibly Close – Tão Forte e Tão Perto

Como ensinar o seu filho, que tem medo de tomar determinadas atitudes que você tomava na idade dele sem pestanejar, a aventurar-se? E como uma criança deve lidar com o pior dos acontecimentos? Quando eu soube que Extremely Loud & Incredibly Close resgatava alguns dos sentimentos que circundaram os ataques ao World Trade Center, e que um garotinho narraria a história por sua ótica, fiquei com o pé atrás. Seria este mais um dramalhão? Outra desculpa para Hollywood fazer chorar com o seu drama, muito legítimo, do 11 de Setembro? Para a minha surpresa, este filme é mais que um dramalhão. Ainda que ele seja pensado para fazer o espectador chorar, ele também guarda algumas boas ideias e reflexões. Mais do que eu esperava (sim, minha expectativa era bastante baixa).

A HISTÓRIA: Um homem parece voar. O menino Oskar Schell (Thomas Horn) olha fixo para a frente e reflete sobre como, atualmente, um número maior de pessoas vive mais tempo, enquanto aumenta também o número de mortos. Ele comenta que se aproxima o dia em que não haverá mais espaço para enterrar tanta gente, e que será necessário construir edifícios submersos, cidades inteiras sob a terra para colocar estas pessoas mortas. Da imagem dele no quarto, saltamos para vê-lo no carro com a avó (Zoe Caldwell). Oskar assiste dali um enterro, e pergunta para a avó se ninguém sabe que o caixão está vazio. Ele não vê sentido no que chama de “funeral falso”. O garoto sai do carro e senta em um banco. Olha para a cidade, Nova York, e lembra do melhor dos desafios lançado por seu pai, Thomas (Tom Hanks): o sexto bairro da cidade. A partir daí, acompanhamos a rotina da família de Oskar, e sua busca pelo legado do pai.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Extremely Loud & Incredibly Close): A primeira qualidade que eu vi neste filme foi a busca do roteirista por destacar a missão de um pai em despertar a curiosidade e o encantamento de um filho. Algo muito bacana em Extremely Loud é que os “segredos” do filme vão sendo contados aos poucos. Para começar, não sabemos até que ponto aquele menino está ou não fora da curva. Ele é apenas muito inteligente ou tem alguma doença ou distúrbio? Também ficamos sabendo logo que o pai do menino morreu, mas demora um pouco para sabermos como foi esta morte.

Esta é uma ótima vantagem da história. O roteiro de Eric Roth, sem dúvida, é o ponto forte do filme. Ele destilou alguns diálogos simplesmente geniais – todos proferidos pelo protagonista. O garoto Thomas Horn também segura muito bem a responsabilidade e a complexidade de seu papel. Em alguns momentos, e falarei deles depois, ele chega a irritar. Mas isso, antes de mais nada, é uma responsabilidade do roteiro. Roth é o que o filme tem de melhor mas ele é, também, o responsável por suas derrapadas.

As dúvidas sobre a origem de toda aquela genialidade do menino duram exatos 30 minutos. Quando o filme chega neste ponto, Oskar conta sobre a origem de sua personalidade diferenciada para Abby Black (Viola Davis). Os minutos até ali guardam o tempo mágico do filme, quando ele funciona muito bem. Naquela meia hora, vemos a parceria entre Horn e Tom Hanks. O ator veterano e premiado incentiva a criatividade e a imaginação do filme. Pode parecer loucura, mas cheguei a ver, neste trecho, o mesmo incentivo ao encantamento e à imaginação feito por The Artist e Hugo, mas sem que o tema cinema fosse o foco desta vez.

Os jogos entre o pai e o filho foram mostrados de uma maneira encantadora. E se encaixam com perfeição para o novo desafio de Oskar, depois que o pai dele já tinha morrido. Com sua maneira peculiar de raciocinar, Oskar tenta reconstruir os minutos que separaram as mensagens deixadas pelo pai e o final de sua vida. O garoto demora um ano para entrar no quarto do pai e buscar “pistas” que ele pode ter deixado para ajudar o filho a entender o que aconteceu. Na tentativa de pegar uma máquina fotográfica, ele encontra uma chave, misteriosa. Referência bastante simbólica, pois. Decifrar o que aquela chave é capaz de abrir poderia ser o último jogo entre pai e filho, e essa possibilidade passa a mover Oskar.

Antes do minuto 30, o espectador dá risadas com a personalidade diferenciada de Oskar. Com os preparativos dele para sua nova e maior aventura. Mas pelas mesmas linhas do roteiro de Roth, o espectador também fica assustado com a lista de coisas simples que o menino acha complicado fazer, experiências que ele não consegue vivenciar – especialmente as listadas quando ele começa a buscar os Black pelas ruas de Nova York. Isso tudo seriam efeitos do trauma da perda do pai? Faria sentido… E daí surge um dos melhores momentos do filme, aquele em que Thomas estimula Oskar a experimentar a sensação de usar um balanço.

Este momento é a grande sacada de Extremely Loud. Afinal, ele nos faz refletir sobre esta geração pós-11 de Setembro. As crianças estão contaminadas com o medo que reinou no mundo logo após os ataques às Torres Gêmeas? Se estão, como incentivá-las a se arriscarem, a fazerem algo com a esperança de ter um futuro melhor? Como quebrar o medo da queda, de machucar-se, para que elas possam viver aventuras e sentir prazer em coisas simples? Até o minuto 30, estes parecem ser os questionamentos que começam a ser esboçados em Extremely Loud. A chave, os medos do garoto, tudo parece ser uma forma sugestiva de tratar de outros temas, mais profundos. Pena que isso mude pouco depois.

Porque quando Oskar conversa com a primeira pessoa Black que ele encontra, ele explica a origem de seus temores e de sua inteligência fora do comum: o garoto tem a Síndrome de Asperger. Essa informação é fundamental para entender o que se passa. Por isso mesmo, para o meu gosto, ela poderia ter sido dada muito depois – pela metade do filme, por exemplo, sem prejuízos para a história. Manteria o suspense e as leituras diferenciadas por mais tempo. Isso porque, ao saber que o menino tem Asperger, sabemos a origem de tudo.

Essa síndrome, mais comum entre garotos, é uma variação do autismo. Ela faz os portadores terem uma relação diferenciada com tudo. Uma das características da síndrome é que a criança desenvolve um interesse excessivo por determinados temas, concentrando toda a sua atenção e conversas nestes assuntos de interesse. Ela permite que a pessoa desenvolva um conhecimento profundo sobre aquilo que lhe chama a atenção mas, ao mesmo tempo,  dificuldade em lidar com outros temas que repudia. Reações ao extremo, pois. Isso explica totalmente Oskar, verdade?

Talvez uma boa parte dos espectadores não entenda isso logo de cara e pode ter ido buscar informações sobre a Síndrome de Asperger depois do filme terminar. Mas graças a Mary and Max, comentado aqui, a minha ficha logo caiu. E daí as outras leituras do roteiro evaporaram. Ainda assim, o texto de Roth e a ótima direção de Stephen Daldry seguram a atenção até o final.

Alguém pode ter se perguntado: “Mas caramba, não teria sido muito mais fácil Oskar perguntar para a mãe se ela sabia o que aquela chave poderia abrir?”. Claro, teria sido mais fácil. Mas no contexto do filme essa saída mais prática não faria sentido. Primeiro porque aquela busca era tudo que Oskar precisava para perdurar aquelas lembranças do pai, a sensação que ele passou a ter de que Thomas continuava lá, jogando com ele. Depois que para um portador da Síndrome de Asperger a lógica é sempre diferente do que a de uma pessoa comum. Para Oskar a mãe não teria a resposta, e seria uma bobagem perguntar isso para ela.

Claro que nós, adultos, duvidamos que aquilo poderá chegar a algum lugar. Torcemos, claro, porque o roteiro foi feito para isso, para que o espectador cruze os dedos para que aquele garoto consiga encontrar a resposta que ele tanto deseja. Mas daí lembramos daquelas frases famosas… “Um homem viaja o mundo à procura do que ele precisa e volta para casa para encontrar” (de George Moore), “Viajar é fazer uma jornada para dentro de si mesmo” (Dena Kaye) e, principalmente, aquele clássico de que o viajar é mais importante que chegar no destino.

Sim, porque Oskar vai colecionando histórias, alegrias e dores de pessoas com o sobrenome Black pelo caminho. Mesmo o foco dele estando na fechadura que seria aberta por aquela chave, ele aprende um bocado no caminho – especialmente quando a mãe dele, Linda (Sandra Bullock) repassa todas aquelas histórias com o menino, uma a uma. E daí surge a única reflexão que justifica o filme fazer referência ao 11 de Setembro – além daquela anterior, sobre a questão do medo das gerações mais jovens. A de que, apesar do que todos nós sabemos que cada uma das 2.606 pessoas mortas nos ataques às Torres Gêmeas farão falta, que cada uma de suas famílias entrou em luto e teve que batalhar para sair da dor, existem tantas outras histórias parecidas, de dor e de perdas, espalhadas por aí…

O filme não minimiza a tragédia do 11 de Setembro. Pelo contrário, mostra em detalhes o impacto que um fato como aquele pode ter na vida de uma família – e, em especial, no cotidiano de um menino como Oskar, com a Síndrome de Asperger. Mas também dimensiona o fato com um pouco de distanciamento, mostrando que tantas outras tragédias pessoas antecederam e continuam acontecendo em diferentes bairros de Nova York e, além daquele cenário, no mundo. Essa sim, parece uma reflexão com a marca do diretor, Stephen Daldry.

Pessoalmente, acho que o filme teria ganho mais pontos se contasse a história do menino, de sua perda e de sua busca pelo legado do pai sem colocar a tragédia do 11 de Setembro no meio. Compreendo a necessidade dos Estados Unidos de continuar retratando aquela dor e plasmando ela no cinema para a posteridade. Mas acho que o tema já está muito desgastado. Focar um garoto com a Síndrome de Asperger, tornando esta doença um pouco mais conhecida, é uma grande sacada. O restante… bem, ainda que aumente o drama e a tensão, achei um bocado desnecessário. E que aí sim, devo concordar, leva o filme ao patamar do melodrama. Não fazia falta.

Para finalizar, mais um detalhe sobre a busca do garoto. Interessante como ele tenta achar lógica no que aconteceu. Mas a mãe dele, lá pelas tantas, em uma das sequências que eu achei mais forçadas do filme, fala para o menino, aos berros, que é impossível chegar a uma explicação lógica para o que aconteceu. Para Oskar, esse é o maior drama. Porque o mundo precisa de lógica.

Difícil para qualquer mãe ou pai explicar para o filho ou filha que, muitas vezes, não há lógica, realmente. Explicações sempre existem. Mas, ainda assim, não há lógica. Como neste caso do 11 de Setembro. E em tantas outras perdas de familiares. De qualquer forma, e bastante sem querer, Oskar encontra a sua resposta final. E segue a vida. Eis a grande mensagem do filme, de que a vida continua, por mais absurdos que sejam alguns fatos.

NOTA: 8,3.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Não falei antes sobre os fatos um tanto irritantes da produção. Thomas Horn faz um grande trabalho, mas os momentos de descontrole de seu personagem, quando ele surta e atira coisas enquanto grita, acabam irritando. Eu sei, crianças agem assim em alguns momentos. Isso poderia ter acontecido uma vez no filme, sem maiores problemas de irritação. Mas repetir a cena, apenas para reforçar o drama e a empatia do espectador, foi forçado.

Gostei muito do trabalho do veteraníssimo Max von Sydow. (SPOILER – não leia se você ainda não assistiu ao filme). Para alguns, foi irritante aquela infindável exposição de bilhetes do avô de Oskar. Eu não achei exagerados. Eles foram inteligentes, alguns inusitados. E Sydow consegue tornar o personagem interessante, conseguindo afastá-lo da provável caricatura. Não é difícil matar este mistério. Um espectador um pouco mais atento descobre a ligação entre o hóspede da avó de Oskar e o garoto muito antes do próprio menino verbalizar a sua conclusão. Isso não estraga o filme, como o restante das surpresas reveladas antes da hora. Mas por ser previsível, poderia ter sido desvelada antes, talvez.

Viola Davis é um monstro. O papel dela neste filme não é muito grande e, mesmo assim, ela arrebenta. Não adianta, esta atriz se diferencia da maioria de sua geração. Está na hora, realmente, dela ganhar um Oscar. Por tudo que apresentou até agora em uma carreira relativamente curta, que soma quase 16 anos – e feita, no início, principalmente por trabalhos em séries para a TV.

Algo que irrita um pouco também nesta produção tem a ver com a personagem de Linda Schell. (SPOILER – não leia se você ainda não assistiu ao filme). Convenhamos, alguém engoliu aquela versão de que a mãe de Oskar poderia ser tão ausente ao ponto de deixar o filho sair a qualquer momento, com a desculpa esfarrapada que fosse, e tudo bem? Aquilo não se encaixava e a explicação final apenas ajustou algo que parecia absurdo. Não, aquela mãe não era tão desnaturada e nem estava tão imersa na própria dor a ponto de abandonar o garoto. Aliás, Roth poderia ter deixado pelo menos essa dúvida um pouco mais séria. Se mostrasse a mulher deprimida, por exemplo, ou entregue a algum vício, talvez pudesse ter preservado o suspense até o final. Do jeito que ele explorou a história de Linda, ficou só estranha aquela ideia do “abandono” – pelo menos até o final, redentor. Por outro lado, a explicação sobre os atos de Linda só tornou ainda mais evidente qual era a função daquela chave: provocar uma busca que não distanciou Oskar de Linda, mas que os aproximou e fez ambos superarem melhor o luto.

Muito inteligente o personagem de Thomas Schell. Com os jogos e desafios que ele propunha para o filho, sabendo que Oskar gostava daquelas “pesquisas”, ele estimulava o garoto a explorar a cidade e a interagir com as pessoas. Tentando minimizar o risco do isolamento social do menino.

Stephen Daldry é um grande diretor. Aqui, mais uma vez, ele ganha pontos pelos detalhes. Primeiro, pelo ótimo trabalho desenvolvido com o garoto Thomas Horn. Ele consegue tirar o melhor do menino, que é um estreante. E esta não é a primeira vez que ele consegue fazer isso. No ano 2000, ele revelou para o mundo o talento de Jamie Bell no lindo Billy Elliot. O diretor ganha o espectador também nos detalhes. Na busca do melhor ângulo da câmera e na captura das nuances da cidade, como quando ele foca Oskar do alto, mostrando uma revoada de pássaros abaixo da câmera e sobre o garoto. Por estas e por outras que Daldry é um diretor diferenciado.

Além dos atores já citados, vale citar John Goodman em uma super ponta, como o porteiro Stan, um tanto cômico – mas com uma participação fundamental para a história. Jeffrey Wright também faz uma ponta na história, aparecendo quase no final do filme – pelo menos com alguma relevância porque, antes, ele nem dá “as caras” direito – como William Black, ex-marido de Abby.

Da parte técnica do filme, vale citar o trabalho sempre acima da média de Alexandre Desplat na trilha sonora. Ele embala o drama e as aventuras de Oskar com precisão. Maximiza a mensagem da produção. A direção de fotografia de Chris Menges também valoriza o trabalho de Daldry, destacando Nova York com cores sérias e um tanto efêmeras. Finalmente, bom o trabalho de edição de Claire Simpson.

Extremely Loud & Incredibly Close se justifica de várias formas. Pelo sentimento do menino, cada vez que ele sai de casa e, com sua aventura, sente-se mais próximo do pai, enquanto parece tornar-se mais distante da mãe – e isso o deixa dividido – e, principalmente, pelo jogo de palavras que Oskar fazia com o pai, juntando expressões que parecem conflitantes. A tradução para o Brasil ficou horrível, claro, porque não dimensiona nem uma justificativa, nem outra.

O filme é uma adaptação do livro homônimo de Jonathan Safran Foer lançado em abril de 2005. Foer é o mesmo autor do genial Everything is Illuminated. Não li a nenhum dos dois livros, mas posso dizer que a versão para o cinema de Everything is Illuminated é – perdão o trocadilho que isso possa suscitar – brilhante.

Extremely Loud estreou nos Estados Unidos em circuito comercial no dia 1º de janeiro. De lá até o dia 12 de fevereiro, o filme acumulou pouco mais de US$ 29,4 milhões nas bilheterias. Não está mal, mas certamente está abaixo da expectativa do estúdio – especialmente por causa dos nomes estelares de Tom Hanks e Sandra Bullock no elenco.

A estreia do filme ocorreu em Toronto, no Canadá, e de forma restrita nos Estados Unidos no dia 25 de dezembro. Depois o filme começou a estrear mundo afora. Com uma carreira tão curta, até o momento, o filme participou apenas de um festival, o de Berlim.

Até o momento, Extremely Loud faturou seis prêmios e foi indicado a mais oito, incluindo dois Oscar. Três dos seis prêmios abocanhados pela produção foram para Thomas Horn. Mas nenhum, até agora, de grande relevância.

Entre os nove indicados como Melhor Filme no Oscar deste ano, Extremely Loud & Incredibly Close é o que registra a menor nota na avaliação dos usuários do site IMDb: 6,4. De fato, o filme não pode competir com outros que estão na lista. Mas como vocês sabem, analisando as outras críticas que publiquei por aqui, não considerei este o pior filme da disputa. Os críticos que tem seus textos linkados no Rotten Tomatoes foram ainda mais rígidos: publicaram 82 críticas negativas e 70 positivas para a produção, o que lhe garante uma aprovação de 46% e uma nota média de 5,6.

Agora, vou explicar a minha nota para Extremely Loud. De fato, o filme força a barra em alguns momentos e parece exagerar a dose no drama. Algumas de suas surpresas desaparecem muito rápido. Mas eu acho que as reflexões que ele suscita e, principalmente, o mérito dele em explorar a ótica de um menino com a Síndrome de Asperger torna as suas intenções superiores às falhas da produção. Eu gosto de boas intenções.

Stephen Daldry não é um diretor voraz. Depois de estrear no cinema em 1998, com o curta Eight, ele produziu apenas quatro longa-metragens. Os três que antecedem Extremely Loud são maravilhosos. Além do já citado Billy Elliot, estão The Hours e The Reader.

Para quem desconhece a Síndrome de Asperger, recomendo a animação citada anteriormente, Mary e Max. Muitos sites tratam da doença, mas achei este bastante direto e explicativo. Dá uma ideia geral e introdutória sobre a síndrome.

Ah sim, e uma explicação para uma das curiosidades do filme. Nova York tem cinco “boroughs” (bairros): Bronx, Brooklyn, Manhattan, Queens e Staten Island. Segundo o Censo dos Estados Unidos de 2010, a população da cidade chega a 8,17 milhões de pessoas.

CONCLUSÃO: Depois de mostrar as perdas dos ataques às Torres Gêmeas por diferentes ângulos, com a produção de diversos dramas e documentários, Hollywood volta ao tema a partir da ótica de uma criança. Os elementos estavam dados para Extremely Loud & Incredibly Close ser um dramalhão. Mas soma-se a isso algumas relações familiares complicadas e um garoto que foge dos padrões comuns, e temos pela frente uma história mais ampla. Dramas humanos acontecem por todas as partes, em todas as direções que se possa olhar. Interessante como a busca de um garoto pelo legado do pai nos mostra isso. Coloca a tragédia daquele 11 de Setembro em seu lugar. Porque a vida continua, nos conta o protagonista. Mesmo que seja preciso percorrer um longo caminho até sentir-se preparado para isto. Extremely Loud trata disto, e de como as diferenças podem ser compreendidas com um pouco de interesse e esforço. No fim das contas, este é um dramalhão, que simplifica muitas histórias e cai na repetição em muitos momentos. Mas o roteiro inteligente de Eric Roth faz a história não se perder e manter o interesse do espectador. Não é um filme brilhante ou inovador na forma ou conteúdo. Mas faz pensar enquanto tenta provocar o choro. Só por isso, ele já se diferencia um pouco do balaio de produções comuns.

PALPITE PARA O OSCAR 2012: Para muita gente, e eu me incluo neste grupo, foi uma surpresa Extremely Loud & Incredibly Close ter sido indicado ao Oscar de Melhor Filme este ano. Quando o nome dele apareceu na lista divulgada pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, todos reclamaram. Alguns apontavam este ou aquele como injustiçado. Outros simplesmente chamaram a indicação de absurda. De fato, nos moldes antigos do Oscar, quando apenas cinco filmes eram indicados para a categoria principal, Extremely Loud não chegaria tão longe. Mas agora os tempos são outros.

Esta produção foi indicada também em outra categoria: melhor ator coadjuvante pelo trabalho de Max von Sydow. Na indicação principal, como melhor filme, Extremely Loud não tem chances. Ainda que o filme trate de um tema importante para os Estados Unidos e que ele comece muito bem, a verdade é que esta produção não tem força – e nem méritos, convenhamos – para vencer os favoritos The Artist, The Descendants ou Hugo. Mesmo Sydow, que faz um ótimo trabalho neste filme, não deve ganhar. Primeiro, porque o favoritíssimo da noite é Christopher Plummer. Depois porque outros nomes, como Jonah Hill, tiveram um peso mais decisivo em seus respectivos filmes do que Sydow. Para resumir, Extremely Loud deve contentar-se com as indicações. Porque ele não tem chance de vencer nas categorias nas quais compete neste Oscar.

The Tree of Life – A Árvore da Vida

Alguns filmes exigem do espectador uma dose extra de paciência. Pedem boa vontade. Tudo bem quando o resultado final para isso é um projeto inovador, comovente ou que, pelo menos, convença. The Tree of Life exige uma dose super extra de paciência. O problema é que ele não nos leva muito além. Seu principal mérito é a direção de fotografia. Imagens belíssimas. Mas fora toda aquela beleza, descontada a forma, sobra pouco. Quase nada. Em outras palavras, o filme exige muito do espectador, e entrega pouco como prêmio.

A HISTÓRIA: Começa com uma citação da Bíblia: “Onde estavas tu, quando Eu lançava os fundamentos da terra?… Quando as estrelas cantavam juntas pela manhã, e todos os filhos de Deus bradavam de júbilo?”. Em seguida, o breu dá lugar a uma luz alaranjada. Alguém pergunta pelo irmão, chama pela mãe, e diz que foram eles que o guiaram até uma determinada porta. Corta. Aparece uma menina na janela. Uma voz feminina diz que o coração de um homem tem duas formas de encarar a vida. A forma da Natureza, e a forma da Graça. A mesma voz diz que nós devemos escolher a qual delas seguir. A partir daí, o filme mergulha em um redemoinho de reflexões sobre estes dois caminhos, o que eles significam e que retorno eles nos trazem. Trata de família, de perdas e de escolhas e, todo o momento, sobre a Criação e o entendimento do homem sobre Deus.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso eu recomendo que só continue a ler quem já assistiu a The Tree of Life): Tenho certeza que muitos de vocês vão discordar de mim. Paciência. Opiniões existem para isso mesmo, para alguns concordarem, para muitos discordarem. Mas The Tree of Life foi, para mim, uma das grandes decepções dos últimos tempos. Ele entrou naquela minha lista de “muito barulho por nada”. Achei pretensioso, maçante, enrolado.

O visual é maravilhoso. Não há espaço para discutir isso. A direção de fotografia do mexicano Emmanuel Lubezki é o que o filme tem de melhor. O diretor Terrence Malick também acerta em muitas escolhas, em ângulos de câmera diferenciados e em várias sequências de puro lirismo. Ok, tudo isso é verdadeiro e torna este filme diferenciado. O problema dele é que Malick não se contém e exagera na dose. Parece que ele primeiro fez algumas cenas focando a Natureza espetaculares e, depois, construiu um filme para tentar justificar aquelas imagens.

Porque a história, o roteiro, é sofrível demais. The Tree of Life começa tão, mas tão bem! Adorei aquela reflexão inicial da mãe, Sra. O’Brien (a fantástica Jessica Chastain). Ela resume o filme e sua “filosofia”. As cenas iniciais também são primorosas. Depois, entra em cena o personagem vivido por Sean Penn, Jack, já adulto. Ele olha para aquele mundo cheio de aço e vidro, arranha-céus e dinheiro, e não se reconhece. Parece estar preso em um lugar que ele odeia. Que valia à pena por um tempo, mas que esse tempo já passou.

Esse começo não é fenomenal? Certamente. Uma discussão filosófica profunda – entre formas conflitantes e primárias de enxergar o mundo e a vida – que valia para quando Jack era criança, no Texas dos anos 1950, e que continua valendo agora, nos tempos “pós-modernos”. O problema é que esta boa premissa inicial se perde completamente no caminho. Passados aqueles 20 minutos iniciais, quando são lançadas aquelas ideias iniciais, mais uma boa introdução para a dor, a perda e o quase óbvio questionamento de Deus, o filme mergulha em um transe difícil de engolir.

Primeiro, me desculpe quem adorou aquela parte, mas eu achei irritante tantas cenas sobre o cosmos, o universo e diferentes ângulos da Natureza. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Meu queixo caiu quando The Tree of Life retornou para a origem da vida e avançou até o surgimento dos dinossauros. Não, demorei pra acreditar. Achei que estava alucinando quando vi o primeiro dinossauro na praia. Sério? Pra quê, meus amigos? Para mostrar como as dores e questionamentos humanos são pequenos, irrelevantes? Tá, disso tudo nós já sabemos. Que por maior e mais magnifíco que seja um cenário, ele um dia teve um início e, um dia, terá um fim? Tá, tá… nesta hora, devo confessar, eu entendi porque alguns cinemas “VIP” servem champanhe para os espectadores. Eu gostaria tanto de ter assistido a esse filme, especialmente a partir do minuto 20, bebendo várias taças de champanhe… teria sido menos difícil de engolí-lo.

Depois de cerca de 15 minutos desta sequência que eu achei uma verdadeira “viagem”, e sem isso ser positivo, mergulhamos novamente na rotina da infância de Jack. Na verdade, acompanhamos a vida do casal O’Brien (Brad Pitt e a já citada Jessica Chastain) desde antes, quando ela fica grávida de Jack e, depois, dos outros filhos. A partir daí, é aquela velha história das relações humanas. O primogênito que tem que lidar com o ciúme da “concorrência” do outro irmão, até que ele cresce um pouco mais e vive a clássica hostilidade/rivalidade com o pai, vendo na mãe o carinho e o afago que não encontra em outra parte. Freud já tratou muito disto, não falarei mais que o óbvio.

Lá pelas tantas, Jack começa a revoltar-se contra o pai. Até chegar naquele momento em que percebe que tudo o que ele deseja é o reconhecimento do progenitor. Enquanto isso, ele admira a mãe, mas a vê muito frágil. Indeciso sobre que caminho daqueles dois seguir, o garoto fica dividido. No futuro, essa mesma divisão vai tomar corpo novamente. É a velha ciranda da vida, com momentos de formação da personalidade, outros de confrontar as origens, depois consolidar-se na sociedade e, lá pelas tantas, questionar tudo isso novamente. Histórias cíclicas. The Tree of Life trata disso, mas de uma maneira muito arrastada e sem linhas de roteiro interessantes. As imagens sim, fazem a diferença, mas não é o suficiente para tornar o filme atrativo ou mesmo fora da curva.

Ah sim, há outros temas imersos nesta história. Todos clássicos, também – não há inovação por aqui, pelo menos não no conteúdo, apenas na forma. Por exemplo: o pai frustrado, que não conseguiu ser o músico brilhante que gostaria e que imaginava ter potencial para tornar-se, e que pega pesado com os filhos. Ele é cruel, duro, exigente. Deixa os garotos com medo. Em alguns momentos, achei que o filme sugeriu que o abuso dele pudesse ter ido além… mas nada comprovou isso, então acho que não aconteceu. De qualquer forma, o pai durão provoca dor, medo, repúdio e fascínio nos filhos. A mulher, que acredita em outra forma de atuar, que tenta ressaltar sempre a importância do amor e da amizade para os filhos, não levanta a voz ou combate o marido. Submissa, outro clássico.

E nestas bases o filme se desenvolve. A história de Jack, o narrador deste filme, mostra como um garoto vai perdendo a sua inocência. Mostra aquele momento em que ele vê os pais sem filtros. Que os julga, tira conclusões e resiste ao que vê. No futuro, ele revê aquele momento com outros olhos, e pede desculpas para o pai. Percebe que acertou em algumas ações, mas que foi infantil em outras. O que acontece com todos nós, em um ou outro momento da vida. E este é o filme. Nada novo, apenas um olhar “poético” sobre estas obviedades.

Bem, The Tree of Life também trata daquela velha discussão sobre a importância ou desimportância do ser humano para Deus. Discussão perdida, devo dizer. Porque ou as pessoas acreditam em Deus, e tem a resposta para isto, ou não acreditam e jamais vão entender a outra versão. Quer dizer, jamais talvez seja um pouco pesado. Mas dificilmente entenderiam.

Achei cansativo e desnecessário todo aquele questionamento de Deus que o filme suscinta. De qualquer forma, há um momento em que este tema chega a um argumento razoável: quando o padre comenta que as pessoas boas também sofrem perdas, e que elas não devem lembrar de Deus apenas nestes momentos, mas quando recebem algo bom também. Ainda que o filme fale muito de Deus, meus amigos, não tratarei deste tema por aqui. Especialmente por causa de outras produções que levantaram discussões similares. E este não é um espaço para isto. Aqui tratamos de cinema. E este filme, como obra cinematográfica, achei longo demais, chato, arrastado e pretensioso. Outros filmes trataram de temas similares e de forma muito mais interessante.

NOTA: 5.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Grande parte desta produção é narrada pelo jovem Jack. Por isso, Sean Penn aparece pouco. No lugar dele, vivendo o seu personagem quando criança/pré-adolescente, está o ator Hunter McCracken. Ele faz um bom trabalho, mas algumas vezes ele parece ser incapaz de mudar a fisionomia. O que irrita um pouco.

Brad Pitt, que também é produtor de The Tree of Life, faz um pai durão. Ele fala com a boca sempre meio fechada, caminha com segurança, mesmo quando é derrotado. Está bem, mas nada fora do comum. Jessica Chastain sim, dá um show. Parte frágil da história, ela se rende tão bem aos momentos de tristeza quanto aos de alegria e suavidade. Está linda, solta, entregue à personagem. Junto com a direção de fotografia, é um ponto forte da produção.

Ao lado de Jack, brilham na produção como os irmãos do personagem os atores mirins Laramie Eppler como R.L. e Tye Sheridan como Steve.

Na parte técnica, além da direção de fotografia primorosa, vale a pena citar a trilha sonora de Alexandre Desplat e a edição feita por cinco profissionais: Hank Corwin, Jay Rabinowitz, Daniel Rezende, Billy Weber e Mark Yoshikawa.

The Tree of Life estreou em maio de 2011 no Festival de Cannes. Depois, ele participou de outros oito festivais, incluindo o Karlovy Vary e o Donostia, de San Sebastián. Em sua trajetória, o filme conquistou 58 prêmios e foi indicado a outros 40. O principal deles foi a Palma de Ouro no Festival de Cannes do ano passado. A vitória era considerada anunciada, porque o festival teria esperado dois ou três anos para que o filme ficasse pronto, segundo esta matéria. Ainda assim, metade do público vaiou o resultado.

Esta produção, com direção e roteiro de Terrence Malick, teria custado aproximadamente US$ 32 milhões. E foi mal nas bilheterias – o que não me surpreende. Apenas nos Estados Unidos, até o dia 23 de outubro do ano passado, quando ele saiu de cartaz, The Tree of Life tinha arrecadado pouco mais de US$ 13,3 milhões nas bilheterias. Mas no resto do mundo ele foi bem melhor: arrecadou pouco mais de US$ 54,3 milhões até o dia 27 de outubro. Somados, os resultados mostram que ele faturou pouco mais que o dobro do custo original. Não está mal, mas também está longe de ser um sucesso.

Os usuários do site IMDb deram a nota 7,1 para o filme. Os críticos que tem seus textos linkados no Rotten Tomatoes foram mais generosos: dedicaram 201 críticas positivas e apenas 37 negativas para a produção, o que lhe garante uma aprovação de 84% e uma nota média de 8,1. Bastante boas, pois. Eu teria me somado ao grupo minoritário. 🙂

CONCLUSÃO: Um filme com alta carga simbólica e que tenta mergulhar fundo em questões filosóficas e religiosas. The Tree of Life está carregado de pretensões. Chega a fazer um retrocesso na história de todos os tempos, mas fica a maior parte do tempo centrado nas relações de uma família. As linhas iniciais, que tratam sobre a simplificação do caminho que o Homem pode escolher, poderiam resumir toda a história. Podemos, segundo o filme, escolher entre o caminho da Natureza e o da Graça. Depois de alguns momentos de imersão nos devaneios do diretor, Terrence Malick, nos debruçamos nas relações de uma família, dividida entre estas duas visões de mundo. A história é contada por um dos filhos, que cansa. Se o protagonista cansa, e se Malick devaneia demais, a experiência de The Tree of Life é arrastada, difícil de aguentar. E não porque filmes cheios de simbologia e filosofia não sejam interessantes. Não. Mas no fima destas histórias, buscamos algo além do óbvio. Não é isso o que acontece aqui. A frase “só o amor é o que importa” resumiria tudo. E, para chegar a ela, não precisaríamos de tanta firula. Não gostei.

PALPITE PARA O OSCAR 2012: The Tree of Life está concorrendo em três categorias do Oscar deste ano. Como Melhor Filme, Melhor Direção de Fotografia e Melhor Diretor. Destas, sem dúvidas, ele merece a indicação e ganhar na categoria de Melhor Fotografia. Se o filme não é um verdadeiro desperdício, muito disto se deve à fotografia. E àqueles 20 minutos iniciais – se o filme tivesse terminado ali ou se o restante tivesse sido editado em 40 minutos, talvez o resultado tivesse sido muito melhor.

Não vejo nenhuma possibilidade de The Tree of Life ganhar como Melhor Filme. Para o meu gosto, ele está anos-luz distante de The Artist e, em segundo lugar, de Midnight in Paris. Mesmo The Descendants e Hugo mereciam ganhar a estatueta mais do que ele. E cá entre nós, se o Oscar não tivesse 10 candidatos, duvido muito que The Tree of Life chegasse a ser finalista entre os cinco que antes eram indicados.

O mesmo em relação a Melhor Diretor. Seria uma grande injustiça premiar Malick e deixar para trás Michel Hazanavicius (The Artist), Martin Scorsese (Hugo) ou Woody Allen (Midnight in Paris). Mesmo Alexander Payne (The Descendants) ganharia o meu voto antes de Malick.

Em melhor Direção de Fotografia The Tree of Life tem chances. Ainda que concorrem com ele, de igual para igual, The Artist e Hugo. Não assisti aos outros concorrentes, mas imagino que a fotografia do veterano Janusz Kaminski em War Horse seja de tirar o chapéu também. Ele pode ganhar nesta categoria, mas terá que, para isso, vencer a grandes concorrentes. Logo mais saberemos se ele será capaz.

SUGESTÕES DE LEITORES: Eu sabia! Nesta correria de muito trabalho e de concentração reforçada para o Oscar deste ano, esqueci de fazer uma menção fundamental: que The Tree of Life foi indicado aqui no blog há muito tempo pelo Lorenzo Lavati. Querido leitor, o Lorenzo pediu um comentário do filme no já distante dia 25 de setembro do ano passado. Eis aqui a crítica, Lorenzo. E aí, o que você achou do filme e do comentário acima? Abraços e obrigada por esta recomendação. Ah sim, e agora eu vi que o Mangabeira, fiel leitor do blog, também recomendou The Tree of Life, mas no início deste ano, no dia 2 de janeiro, para ser mais precisa. Mangabeira, como acabo de comentar na resposta para a tua recomendação, notei que você não gostou desta minha crítica… mas paciência. Inevitavelmente um dia isso acontecer. Afinal, impossível as pessoas concordarem sempre. Abraços e obrigada pela dica também.

Drive

Um filme com estilo. No conteúdo e na forma. Drive resgata um jeito de fazer cinema um tanto esquecido e presenteia o espectador com uma história bem contada e envolvente. Quem diria que um sujeito bom de braço no volante poderia ser tão versátil. E render tantas cenas instigantes muito além da ação. Drive lembra um pouco o estilo da boa fase de Quentin Tarantino. Mas não é uma cópia do estilo do diretor ou mesmo uma releitura. Ele tem criatividade e estilo próprio, com foco menor nos diálogos e uma atenção maior em outros quesitos.

A HISTÓRIA: Um homem (Ryan Gosling) comenta, por telefone e olhando por uma janela de hotel, que há milhares de ruas em Los Angeles. E que basta o interlocutor dizer hora e local, que ele dará cinco minutos para ele. Depois deste tempo, ele irá embora, não importa o que aconteça. Em seguida, ele diz que a pessoa não poderá falar mais com ele naquele celular. O homem pega uma bolsa e sai do quarto. Dirige pelas ruas iluminadas, até chegar em uma oficina e pegar um Chevy Empala, um carro mais básico e comum para ele dirigir. O dono da oficina, Shannon (Bryan Cranston) explica que este é o carro mais usado na Califórnia. O protagonista então dirige, escutando a transmissão do jogo entre Celtics e Clippers. Chega no lugar combinado, vê dois homens atravessando a rua e tira o relógio do pulso para colocá-lo no volante. Ele dá cinco minutos para eles fazerem o roubo e depois segue para a fuga. A partir daí, mergulhamos na vida deste motorista.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso só recomendo que continue a ler quem já assistiu a Drive): Uma pessoa nunca é uma coisa só. Um médico não é apenas um sujeito que tenta curar pessoas. Ele também pode ser um pai, sem dúvidas é um filho – ou já foi um -, um apreciador de bons vinhos, um especialista em mitologia grega, um ótimo pescador e tantas outras coisas… Da mesma forma, o protagonista de Drive não é apenas um ótimo motorista. Mas a habilidade dele para guiar com maestria um carro e seu conhecimento das ruas de Los Angeles fazem ele utilizar este diferencial para muitas funções.

No começo de Drive, ele parece ser apenas um motorista voraz e especialista em fugas espetaculares. E aí surge a primeira boa sacada da direção de Nicolas Winding Refn: mostrar como o ingrediente principal do protagonista não é a destreza, dirigir o carro de uma maneira enfurecida, mas a inteligência. Ele conhece como ninguém as ruas e quebradas de Los Angeles. Sabe como a polícia funciona. E, pouco a pouco, o roteiro de Hossein Amini vai nos mostrando que ele conhece também, com precisão, o funcionamento da bandidagem.

Um grande acerto do filme, para começar, é esta resistência em cair no lugar-comum de um filme de ação. Ainda que a destreza no volante seja fundamental para o protagonista, este não é o único elemento que o diferencia dos demais. A inteligência e o comportamento reto, centrado em proteger a Irene (Carey Mulligan) e seu filho, Benicio (Kaden Leos), e a manter-se vivo, contam muito mais. Então Drive acaba tendo elementos de filmes de ação, mas ele também abraça o drama e o suspense. Faz lembrar dos filmes noir, não apenas pelo estilo, mas pela lógica da produção, na qual o protagonista parece fadado a se dar mal – e tem que lutar para manter-se o mais limpo possível em um ambiente de contravenções e de um tipo de “submundo”.

Como em tantas outras produções, acompanhamos o protagonista em um momento de ruptura. Ele está deixando a vida de motorista de ladrões para abraçar apenas as suas outras duas profissões: dublê de astros em filmes de ação e mecânico. Neste momento, como manda a regra da roda-viva do cotidiano, ele também encontra outro motivo para mudar de foco: conhece a Irene e seu filho. Fica encantado por ela, e parece que o interesse é recíproco. Mas como nunca as coisas são fáceis, ele só se complica com esta ilusão de viver um grande amor.

Porque Irene é toda uma complicação. O protagonista não demora muito para saber que ela é casada com um cara que está na prisão. E ele, o marido, Standard (Oscar Isaac), também não tarda muito para dar as caras. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). E daí aquele primeiro lugar-comum básico: Standard é pressionado a fazer um “último trabalho” para pagar uma dívida contraída na prisão. E o protagonista se oferece para ajudar. Não por causa de Standard, claro, mas porque ele quer proteger Irene e Benicio. E como manda a regra de um filme que lembra o estilo noir, claro que algo vai sair errado. E sai.

A partir daí, o filme mergulha no submundo do crime, com os parceiros Bernie Rose (Albert Brooks, naquele que talvez seja o seu melhor desempenho em muito tempo) e Nino (Ron Perlman) assumindo os papéis de vilões no melhor estilo de mafiosos. O protagonista, sempre tão cuidadoso e cheio de regras – a principal delas, de não se envolver emocionalmente nos crimes – acaba se dando mal justamente quando perde o racionalismo. Drive, desta forma, também não deixa de ser um romance. Com elementos de ação, suspense e crime, mas um romance.

Assim, meio sem percebermos, adentramos na vida de um sujeito que simboliza as diferentes expressões de Los Angeles, dos Estados Unidos e, por que não dizer, de qualquer grande cidade e país do mundo? Esse motorista que dá título ao filme nos conduz pela história com maestria, revelando um pouco da simplicidade de quem enche as mãos de graxa, dos bastidores de uma indústria milionária como é o cinema, dos caminhos retos de quem trabalha muito e incorretos de quem busca a alternativa do crime para faturar muito em pouco tempo.

Los Angeles também é uma personagem da história. Se for olhado com uma lupa, Drive trata da busca tradicional do homem que parece perdido, sem sentimento, pela redenção, pelo amor, por um recomeço diferente. Ele quer mudar a lógica da roda que repete sempre a mesma fórmula. Vários filmes já trataram disto, é verdade. E ainda assim, Drive consegue contar esta história de forma diferente. E com muito estilo.

O personagem de Gosling é destes que há muito não vemos no cinema. Que cria fascínio pela personalidade, e porque nos colocamos muito próximos dele, ao mesmo tempo que desperta repúdio pelos crimes que comete ou ajuda a cometer. O ator dá um show. Convence e carrega o filme nas costas, ainda que os atores coadjuvantes também estejam muito bem. A direção de Refn, que nos aproxima sempre do protagonista e dos demais personagens, e que consegue criar a tensão exata nos momentos mais delicados, também é fundamental. Assim como o roteiro de Amini, que inova nos momentos precisos sem, para isso, tirar coelhos da cartola. A história parece realista, e esse tom é fundamental para que Drive funcione.

NOTA: 10.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Para funcionar tão bem, Drive tem na qualidade dos elementos técnicos um ponto fundamental. Além de dirigir muito bem as cenas de ação, o diretor Nicolas Winding Refn acerta em cheio na forma de dirigir as demais cenas. Em como criar a tensão exata quando o protagonista está sendo perseguido, e de como valorizar o trabalho dos atores e o texto bem escrito por Hossein Amini. Um grande trabalho do diretor.

Mas para o filme conseguir a nota máxima, ele precisou também que outros detalhes funcionassem com perfeição. O primeiro elemento que me chamou a atenção nesta produção é a trilha sonora. Envolvente, moderna, ela dita um ritmo importante para a produção, especialmente em seus momentos de “reflexão”, sem diálogos. Mérito de Cliff Martinez. Ele também é responsável por ficarmos com a música A Real Hero, de College, na cabeça. Ela também serve para “resumir” a mensagem do filme, de transformar aquele “sujeito comum”, suscetível a todos os acertos e erros possíveis, em um “herói”. Drive consegue fazer com que ele seja visto assim, e que o espectador torça por ele.

Depois da trilha sonora, palmas para a direção de fotografia de Newton Thomas Sigel, que consegue capturar a melhor luz de Los Angeles durante o dia e as cores artificiais da cidade pela noite com precisão. Além do olhar diferenciado de Refn, o filme se destaca por uma edição cirúrgica de Matthew Newman. Sem ele, o filme perderia bastante do ritmo.

Difícil escolher apenas algumas cenas de Drive para destacar. Há muitos momentos bem pensados e filmados nesta produção. Mas eu gostei de alguns mais do que outros. Por exemplo, a sequência do protagonista e de Blanche (Christina Hendricks, ótima atriz de Mad Men) no hotel e a descida de elevador dele com Irene pouco depois. Simplesmente, genial.

Este, sem dúvida, é o grande filme de Ryan Gosling. Agora sim, consigo entender porque Hollywood está badalando tanto este ator. Ele merece. Há muito tempo eu não via um intérprete se sair tão bem em um papel complexo, que alia o lado mais bandido com o de mocinho. Gosling é carismático. Está lindo em Drive. E consegue convencer em cada nuance do seu papel. Se ele acertar em outras escolhas de papel como esta, poderá tornar-se um dos principais nomes de Hollywood em pouco tempo.

Os demais atores desta produção também estão muito bem. Gostei de ver Bryan Cranston em cena. Lembrei do trabalho excepcional dele em Breaking Bad durante todo o tempo. Mas em Drive ele está muito mais como “cordeirinho”. 🙂 Carey Mulligan também está ótima. Frágil, observadora e carismática na medida. Ainda que em um papel muito menor que dos outros dois, achei que Christina Hendricks se destaca no filme.

Drive estreou no Festival de Cannes em maio de 2011. De lá para cá, a produção passou por outros 13 festivais mundo afora. Nesta trajetória, ganhou 39 prêmios e concorreu a outros 56. Números impressionantes. Entre os prêmios que recebeu, destaque para os de melhor diretor para Nicolas Winding Refn no Festival de Cannes; o de melhor filme americano no Robert Festival, na Dinamarca; e quatro prêmios no Satellite Awards, entregue pela imprensa de Hollywood. Nesta última premiação ele ganhou como melhor ator para Ryan Gosling; melhor ator coadjuvante para Albert Brooks; melhor diretor para Refn; e melhor som (edição e mixagem). Albert Brooks foi indicado ao Globo de Ouro como melhor ator coadjuvante, mas foi vencido pelo favorito também no Oscar, Christopher Plummer.

Esta produção demonstra, mais uma vez, como um ótimo filme não precisa custar mais de US$ 100 milhões. Drive teria custado cerca de US$ 15 milhões. Até o momento, ele arrecadou mais que o dobro apenas nos Estados Unidos. O acumulado nas bilheterias, até o dia 5 de fevereiro, chegou a pouco mais de US$ 35 milhões. Não é nenhum resultado fantástico, arrasa-quarteirão, mas também não é desprezível.

Curiosidades sobre Drive: Ryan Gosling assumiu o papel que seria de Hugh Jackman. Acho que o Wolverine teria se saído bem mas, certamente, teríamos uma produção muito diferente com ele. Refn também substituiu outro nome inicialmente cotado para o projeto, o diretor Neil Marshall. Durante a preparação para a produção, Gosling restaurou o Chevy Malibu de 1973 que o seu personagem iria utilizar na produção. Inicialmente, os personagens de Irene e Standard seriam latinos. Mas isso mudou com a entrada de Carey Mulligan no projeto.

O diretor Refn não tem carteira de motorista e falhou oito vezes em tentar obter uma. Ele também não conhecia muito Los Angeles. Para resolver esta questão, que poderia ser um problema para o filme, ele andou como carona do ator Ryan Gosling para cima e para baixo. O nome do protagonista não é revelado em momento algum, e os diálogos dele com Irene são tão raros porque os atores resolveram que os encontros dos personagens deveriam previlegiar o humor deles. Para tornar isso mais evidente, Mulligan e Gosling resolveram não falar muitas linhas do roteiro, apenas olharem um para o outro. Funcionou. E muito bem.

Drive faz uma referência à fábula do Sapo e do Escorpião, aquela em que um sapo aceita ajudar a um escorpião a atravessar um rio mas, no caminho, ele é picado pelo ferrão do escorpião e os dois acabam morrendo. Antes, o escorpião diz que ele não pôde evitar aquele gesto porque aquela é a sua natureza. Em Drive, o protagonista é o sapo, que dirige para os bandidos e acaba sendo “picado” por eles, arrastado para o lado destrutivo da vida por causa deles. Não por acaso ele usa aquela estilosa jaqueta com um escorpião – assim, ele leva sempre o animal perigoso nas costas. Ah, e o ator, Gosling, é do signo Escorpião. 🙂

Gostei do trabalho de Refn e fui buscar mais informações sobre ele. Dinamarquês, ele tem nove filmes no currículo, incluindo Only God Forgives, que está sendo filmado. Refn estrou nos cinemas em 1996 com Pusher. Em 2009 ele lançou o estiloso Valhalla Rising, que eu ainda não assisti. Agora é esperar para ver a Only God Forgives, estrelado novamente por Gosling e com Kristin Scott Thomas, entre outros, no elenco.

Os usuários do site IMDb deram a nota 8 para Drive. Não está mal, mas poderia ser melhor. Os críticos que tem seus textos linkados no Rotten Tomatoes foram mais generosos, dedicando 207 críticas positivas e apenas 16 negativas para a produção, o que lhe garante uma aprovação de 93% e uma nota média de 8,2.

O roteiro de Drive é inspirado no livro de James Sallis.

CONCLUSÃO: Estamos sempre ao lado do protagonista. Tão perto, fica difícil não compartilhar de sua adrenalina, ousadia, frieza e emoção. Drive acerta ao colocar o espectador em posição tão privilegiada. Filme de ação, mas com espaço para aprofundar nos sentimentos e desejos dos personagens, Drive entra em universos diferentes de Los Angeles para traçar um quadro interessante da cidade e de alguns de seus personagens. Com um ótimo estilo narrativo e visual, e com um desempenho irrepreensível de Ryan Gosling, Drive mantém o interesse do espectador do primeiro até o último minuto. E ainda que o roteiro tenha lugares-comuns um tanto inevitáveis, ele sabe dar as viradas narrativas no momento certo, tornando toda a aventura da história um belo achado. Uma forma diferenciada de fazer filme noir que dá gosto de assistir. Quem gosta de Quentin Tarantino, deverá curtir este filme. Drive lembra a melhor fase dele e de vários outros diretores que souberam recriar o estilo noir. Mas com a diferença deste filme ter um foco menor nos diálogos e maior nas características dos personagens e das situações vividas por eles.

PALPITE PARA O OSCAR 2012: Drive está concorrendo em apenas uma categoria: edição de som. Uma pena. Ele facilmente poderia ter sido indicado como melhor trilha sonora e edição, dois de seus pontes fortes. Mas ok, ele ficou apenas com edição de som. Nesta categoria, ele tem fortes concorrentes: The Girl with the Dragon Tattoo, Transformers: Dark of the Moon, War Horse e Hugo. Destes, assisti apenas ao último. Mesmo sem ter visto aos demais, acredito que os favoritos nesta categoria sejam Transformers e Hugo. Não vejo que Drive tenha muitas chances para vencer. Eu não apostaria nele.

SUGESTÕES DE LEITORES: Só depois de publicar o texto sobre Drive e começar a responder aos comentários de vocês, meus bons leitores, de janeiro, é que eu percebi que este filme tinha sido indicado pelo André Oliveira no primeiro dia deste ano. Grande dica, hein, André? Filmaço! Gostei muito. Estiloso, com um ritmo perfeito. Muito obrigada pela dica.