Indicados ao Oscar 2019 – Lista completa e avaliações no dia 22/01

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Olá turma!

Coloquem na agenda: nessa próxima terça-feira, dia 22 de janeiro, a partir das 11h20 (horário de Brasília), o mistério sobre todas as produções, astros e estrelas que serão indicados ao prêmio anual da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood chegará ao fim.

Nesse dia, a exemplo dos anos anteriores, a Academia vai anunciar os indicados nas 24 categorias da sua premiação em duas sessões curtas que serão transmitidas pela internet. Às 11h20, serão divulgados os indicados nas categorias Melhor Ator Coadjuvante, Melhor Atriz Coadjuvante, Melhor Figurino, Melhor Edição, Melhor Trilha Sonora, Melhor Curta de Animação, Melhor Curta, Melhor Edição de Som e Melhor Mixagem de Som.

Dez minutos depois, às 11h30, serão divulgados os indicados nas outras categorias. A saber: Melhor Ator, Melhor Atriz, Melhor Animação, Melhor Direção de Fotografia, Melhor Diretor, Melhor Documentário, Melhor Curta Documentário, Melhor Filme em Língua Estrangeira, Melhor Maquiagem e Cabelo, Melhor Filme, Melhores Efeitos Visuais, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Roteiro Original, Melhor Canção Original e Melhor Design de Produção.

Essa foi a ordem das categorias divulgada pela Academia em nota enviada por e-mail para quem cobre a premiação. Mas a ordem de divulgação dos indicados não deve seguir exatamente esta sequência. De qualquer forma, antes do meio-dia de terça-feira, já saberemos quem conseguiu emplacar ou indicação e quem ficou de fora. Os apresentadores do dia, que vão acabar com o mistério sobre os indicados ao Oscar, serão os atores Kumail Nanjiani e Tracee Ellis Ross.

Zebras e “esquecimentos” – alguns chamam de “injustiças” – sempre acontecem. É normal da indústria do cinema. Além disso, nunca vamos conseguir um consenso sobre quem merece ou não chegar ao prêmio máximo de Hollywood. Ainda assim, acho que teremos algumas indicações bastante previsíveis e que seguirão às premiações recentes.

Devem receber um número importante de indicações filmes como Rhapsody Melody, Black Panther, Green Book, Vice, Roma, The Favourite, A Star is Born e BlacKkKlansman. Outras produções buscam o seu lugar ao sol e emplacar as suas indicações. Veremos o quanto as premiações anteriores irão se repetir no Oscar – como eu disse, sempre há uma margem de surpresa que deve ser considerada.

E como vai funcionar a “cobertura” aqui no blog? Como estarei trabalhando naquele horário, vou apenas divulgar, logo depois das categorias terem sido anunciada, a lista dos indicados. Apenas no final da noite, provavelmente, eu vou conseguir atualizar esse blog post com os meus pitacos e opiniões sobre cada categoria. Então é isso.

Vou deixar esse post aqui, inclusive com o link para a transmissão que será feita pela Academia, para que os fanáticos como eu possam acompanhar o evento. E prometo atualizar esse blog post duas ou mais vezes até o final daquele dia. Abraços e até logo mais!

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RBG

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Certa vez, alguém disse que o Papa era pop. Mas quem diria que uma juíza da Suprema Corte dos Estados Unidos poderia ser pop? RBG traz essa novidade para quem vive fora dos Estados Unidos – porque quem vive lá, certamente, sabe que a juíza é pop. Através desse documentário, que faz parte da “lista curta” de produções pré-indicadas ao Oscar de Melhor Documentário – saberemos se ele chegará na lista de finalistas na próxima terça-feira -, conheci a história da juíza Ruth Bader Ginsburg. Um documentário muito interessante para quem gosta de Direito, da luta por igualdade de direitos e para quem precisa entender que em diversas partes do mundo dividimos problemas semelhantes – inclusive com tribunais superiores que “sofrem” com distintos vieses políticos.

A HISTÓRIA: Começa com diversas cenas de Washington, capital dos Estados Unidos. Em seguida, diversas pessoas começam a criticar uma mulher, chamando de “bruxa”, de uma pessoa que não tem respeito à Constituição ou aos costumes americanos. Outro afirma que ela é uma “verdadeira desgraça para a Suprema Corte”. São diversos os xingamentos, que incluem “antiamericana” e “zumbi”. Todos endereçados para Ruth Bader Ginsburg. Mas afinal, quem é essa mulher? Após as opiniões mais que críticas à ela, Ruth Bader Ginsburg começa a sua fala citando alguém que ela admira, e que diz: “Não peço nenhum favor ao meu sexo. Tudo o que eu peço aos meus irmãos é que deixem de oprimir-nos”. Essa é a história sobre essa juíza que virou ícone pop nos EUA.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso só recomendo que continue a ler quem já assistiu a RBG): Esse filme, dirigido por Julie Cohen e Betsy West, cai como uma luva para um tempo em que muitos valores voltaram a ser discutidos. No mundo, como bem previu o grande Zygmunt Baumann, vivemos um novo ciclo de “conservadorismo”, das pessoas preferindo abrir mão da liberdade conquistada para voltarem a ter mais “segurança”.

Nesse cenário, em que diversos avanços sociais voltam ao debate e em que, na visão de alguns, estamos tendo alguns retrocessos na defesa dos direitos humanos e da igualdade entre as pessoas, RBG aparece como um filme necessário. Primeiramente, para mostrar para as novas gerações de americanos – em especial, mas não apenas para eles -, quem é esse ícone pop inusitado que virou meme nas redes sociais. Como uma juíza da Suprema Corte dos Estados Unidos caiu tão bem no gosto popular e “viralizou”?

RBG nos conta essa história. E é uma história importante de ser contada, porque em 2019 não parece que, há algumas décadas atrás, tivéssemos uma compreensão equivocada sobre tantos fatos. Parece incrível, mas há apenas 40 anos milhares de mulheres em diversos lugares do mundo estavam pedindo por mais direitos. As manifestações nas ruas foram importantíssimas, mas pessoas como Ruth Bader Ginsburg foram fundamentais ao levar toda aquela discussão e comoção popular para dentro dos tribunais.

Afinal, não era necessário apenas mudar a compreensão da sociedade sobre o que é termos um coletivo justo e igualitário, para homens e mulheres, mas, sobretudo, mudar o marco legal que permitia que injustiças acontecessem. Nesse sentido, RBG é um filme interessante e fundamental. Pessoalmente, para mim, que sempre amei o Direito e o debate jurídico, o marco legal que acaba guiando as nossas sociedades, esse filme é especialmente interessante.

Não lembro de outro documentário que eu tenha visto e que aborde uma pessoa que ajudou a mudar, pouco a pouco, leis injustas em um país. Então, apenas por isso, essa produção já é diferenciada. Além de apresentar uma história interessante que envolve o Direito, RBG tenta se aprofundar na história de uma mulher incrível, que a sua maneira – bastante discreta, mas firme e obstinada – e com muito trabalho contribui para mudar uma sociedade.

Admiro muito, muito mesmo todas as mulheres da geração de Ruth Bader Ginsburg – ou que vieram um pouco antes ou um pouco depois do que ela – e que, de forma corajosa, ajudaram a mudar a nossa sociedade, empoderando as mulheres e mostrando que o sexo feminino não é “menor”. Acho que o trabalho das diretoras Cohen e West fazem um resgate importante da trajetória de Ginsburg, contando um pouco da sua origem, dos seus estudos e do apoio decisivo que ela recebeu do marido, Martin D. Ginsburg.

Por muito tempo, se disse que “por trás de um grande homem, sempre existe uma grande mulher”. Um grande homem ou uma grande mulher podem “se fazer” sem o apoio de uma outra pessoa – ao menos de um parceiro ou parceira mas, certamente, sempre vão precisar do apoio de outras pessoas. Mas RBG nos mostra que uma grande mulher pode se fazer tendo um grande homem “por trás”. Na verdade, nunca acho que o homem ou a mulher estão um atrás do outro, enquanto visão de um ser mais importante que o outro, mas um casal deve sim se apoiar e, através desse apoio, ajudarem-se mutuamente a fazerem a diferença nas suas respectivas realidades.

RBG é um filme do estilo homenagem. Ou seja, ele não chega a ignorar as críticas que são feitas para a pessoa retratada, mas, certamente, as diretoras focam a sua narrativa e o seu trabalho em construir uma “heroína” chamada Ruth Bader Ginsburg. De fato, ela é uma mulher admirável, por tudo que fez e que continua fazendo. Mas acho que o filme poderia montar um perfil um pouco mais aprofundado sobre ela, seja com entrevistas mais densas com a própria retratada, seja com as pessoas que conviveram com ela.

Por que, por exemplo, não são entrevistadas as pessoas que “combateram” (ou seguem combatendo) Ginsburg? Desta forma, talvez, teríamos um perfil um pouco mais completo. Outro documentário no estilo biografia que está buscando a estatueta dourada do Oscar, Won’t You Be My Neighbor? (com crítica neste link), me parece ter mais sucesso nessa busca por um perfil aprofundado do “homenageado”.

Não apenas nos aprofundamos mais no fenômeno de Fred Rogers, como também conhecemos mais sobre as críticas feitas à ele e sobre a sua filosofia de vida. Temos em RBG, acredito que na parte alta do filme, alguns trechos de argumentações e de defesas de causas feitas por Ginsburg. Mas senti falta de ter mais opiniões dela sobre o seu estilo, sobre os seus valores e, até, sobre a sua vida pessoal. Ginsburg fala de alguns pontos, mas ela fala menos do que seria realmente interessante para um perfil mais completo.

Por tratar sobre a evolução de questões importantes para a sociedade e sobre como guinadas recentes “à direita” podem nos levar a retrocessos; por tratar sobre a busca por mais igualdade na sociedade – entre homens e mulheres, negros e brancos, heterossexuais e homossexuais e um longo etcétera; por resgatar a história de um mulher discreta, inteligente, à frente do seu tempo e que sempre defendeu valores fundamentais; e por nos lembrar que é sempre possível defender o que é certo, mesmo quando a maioria está defendendo o que é errado, RBG vale 1h30 do nosso tempo.

Quem dera que mais pessoas como Ruth Bader Ginsburg “viralizasse”. Quem dera que mais Ginsburg virasse “meme” e se transformasse em ícone pop. Pessoas como ela, que defendem valores importantes, que continuam trabalhando enquanto o corpo lhes permitir, porque acreditam em um ideal, deveriam ser realmente os ícones da nossa sociedade. Isso se quiséssemos avançar, é claro. Mas cada sociedade é fruto do que deseja e do que acredita importante. Infelizmente, em diversas partes do mundo, muitas pessoas estão em fase de idiotização e, neste processo, transformando as nossas sociedades em locais mais duros para se viver.

Diante deste cenário, apesar de RBG não ser tão complexo ou completo quanto poderia ser, ele se torna um filme importante. Espero, honestamente, que mais documentários nos lembrem de causas importantes e de histórias inspiradores. Acredito que todos nós estamos precisando delas. Ah sim, e outro aspecto que achei interessante deste filme: como não é apenas no Brasil em que o Supremo Tribunal Federal se dividi entre juízes mais ou menos conservadores, mais ou menos liberais. Isso acontece nos Estados Unidos e, acredito, em todos os países que funcionam sob esse regime.

Essa é uma outra questão levantada pelo filme que me pareceu muito interessante. Ainda que os juízes devem basear-se na legislação nacional – ou local -, eles são indivíduos, formados por ideias e valores. Como a lei não é formada de letras incontestáveis, os juízes tem a função de interpretar esta lei. Eles devem ser isentos? RBG e a realidade nos mostram que essa isenção não existe.

Eles podem – e devem – tentar ser justos, mas eles sempre terão a interpretação da lei influenciada por suas visões de mundo. E isso acontece com os jornalistas e com qualquer outra profissão, por mais que alguns tentem defender a isenção. Na prática, ela não existe. Isso se aplica também à todo e qualquer texto aqui no blog. Posso tentar ser justa com os filmes mas, no fim das contas, a minha leitura sobre qualquer produção estará influenciada por minha história, por meus valores e crenças. Quem nega isso, essa influência, na sua própria vida e decisões cotidianas, está negando a realidade. E tenho dito! 😉

NOTA: 8,5.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Eu acho impressionante, de verdade, pessoas que passam dos 80 anos de idade e que continuam trabalhando. Eu não tenho metade desta idade ainda e gostaria, honestamente, de levar uma vida mais tranquila, sem tanto trabalho e uma rotina mais de “aposentada” – que, para mim, é sinônimo de você fazer apenas o que você deseja. Então acho impressionante a história de Ruth Bader Ginsburg e de outros que parecem amar tanto o trabalho e/ou a “missão” que eles acreditam que o trabalho tem para eles e seguem atuando no mercado mesmo muito depois do que seria o seu direito de se aposentar. Admirável e surpreendente, ao mesmo tempo.

Para mim, a melhor parte de RBG é quando o filme resgata os casos importante na trajetória de Ginsburg. Como amo o Direito e o que ele prevê, achei o resgate dessas histórias o ponto alto da produção. Assim, RBG parece nos vender a ideia que o que realmente interessa em Ginsburg é o seu trabalho – a sua vida pessoal está em segundo plano. Sim, ainda que ela focou grande parte da vida no trabalho, eu acho que o filme poderia tentar explorar outros aspectos das opiniões, dos valores e dos sentimentos da retratada. Senti falta disso.

As diretoras Julia Cohen e Betsy West utilizam recursos interessantes para contar a história de Ginsburg. Muitos deles, clássicos para documentários, como entrevistas com pessoas que conheceram a retratada e, inclusive, vídeos e depoimentos exclusivos para o filme da própria biografada. Elas também resgatam áudios de audiências e reproduzem reportagens, fotos e vídeos relacionados com a narrativa. Só senti falta delas entrevistarem mais pessoas, inclusive críticos da biografada, assim como aprofundar nas entrevistas com Ginsburg. Se tivessem feito isso, talvez teríamos um perfil mais completo dela.

A pessoa mais interessante que aparece em cena, sem dúvida alguma, é a própria Ginsburg, uma mulher que, após os 80 anos de idade, segue na ativa. RBG resgata a sua trajetória através de fotos e filmagens antigas, assim como pela reprodução de áudios de sessões na Suprema Corte e depoimentos de familiares – dos dois filhos e de uma neta -, amigos antigos e colegas de profissão. Entre outros nomes, temos a aparição de pessoas muito conhecidas, como Bill Clinton, o presidente que a indicou para a majoritariamente masculina Suprema Corte. Bacana, ao resgatar a casos antigos da juíza, quando ela ainda era advogada, foi o fato das diretoras trazerem os “requerentes” à cena novamente. Bacana ouvir as suas histórias de forma direta.

Entre os aspectos técnicos do filme, vale comentar a trilha sonora de Miriam Cutler; a direção de fotografia de Claudia Raschke e a edição de Carla Gutierrez. Repararam em algo? Sim, na predominância de mulheres nessa produção. Achei isso muito interessante. Por que mais produções não buscam ao menos um equilíbrio entre profissionais dos dois sexos? É possível, sem dúvida. Basta o interesse dos envolvidos.

RBG estreou em janeiro de 2018 no Festival de Cinema de Sundance. Depois, o filme participaria, ainda, de 19 festivais de cinema em diversos países. Na sua trajetória, o documentário ganhou nove prêmios e foi indicado a outros 36, inclusive uma indicação ao BAFTA. Entre os prêmios que recebeu, destaque para o prêmio de Melhor Documentário segundo o National Board of Review e para os prêmios de Melhor Documentário Político e Melhor Documentário sobre uma Pessoa Viva dados pelo Critic’s Choice Documentary Awards.

Agora, uma curiosidade sobre esta produção: As diretoras Julie Cohen e Betsy West já tinham trabalhado em alguns projetos que incluíam Ginsburg até que, em 2015, elas decidiram fazer um documentário focado exclusivamente na juíza. Em 2016, as diretoras acompanharam Ginsburg em diversos eventos, reuniões e discursos em que ela participou, incluindo eventos nas cidades de Chicago e Washington. No total, as diretoras tinham 20 horas de filmagens para trabalhar. A entrevista com Ginsburg feita “cara a cara” foi realizada em 2017.

Os usuários do site IMDb deram a nota 7,6 para esta produção, enquanto que os críticos que tem os seus textos linkados no site Rotten Tomatoes dedicaram 145 críticas positivas e oito negativas para RBG – o que lhe garante uma aprovação de 95% e uma nota média de 7,5. O site Metacritic apresenta o “metascore” 71 para esse documentário, fruto de 28 críticas positivas, três medianas e uma negativa.

De acordo com o site Box Office Mojo, RBG faturou US$ 14 milhões nas bilheterias americanas. Para um documentário, esse resultado pode ser considerado excelente. Com certeza, por ser um “ícone pop” nos Estados Unidos, Ginsburg atraiu muitas pessoas para o cinema para conhecer um pouco mais sobre a sua história. Interessante.

Eu não sei se o Supremo Tribunal Federal permite “votos dissidentes” registrados como tal, como RBG mostra que acontece nos Estados Unidos, mas isso seria algo interessante de ser feito por aqui também. Ficar registrado, em algumas decisões, as opiniões contrárias e bem argumentadas de alguns juízes.

RBG é uma produção 100% dos Estados Unidos, por isso o filme vai fazer parte da lista de produções que atendem a uma votação feita há tempos aqui no blog. Mais um para a lista. 😉

CONCLUSÃO: Não importa se a maioria está defendendo algo errado e se o seu voto sempre é vencido. O importante é que você está defendendo o que é certo e deve ter o direito de verbalizar isso. Essa é uma das principais mensagens que RBG passa. Um filme sobre uma personagem muito interessante. Bem conduzida e interessante, essa produção só peca um pouco por investir mais na “curiosidade” sobre a personagem do que no aprofundamento sobre ela. Senti falta de ouvir mais opiniões da magistrada ou mesmo depoimentos de pessoas que esboçassem um retrato mais rico dela. Ainda assim, é um filme interessante pelas mensagens que ele passa. Vale ser visto e compartilhado, especialmente porque a mulher retratada é um grande exemplo, de fato.

PALPITES PARA O OSCAR 2019: Difícil fazer um prognóstico da categoria Melhor Documentário para a premiação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood deste ano. Especialmente porque tenho muitos títulos para conferir ainda. Ainda assim, considerando que a Academia gosta de ter a sua presença “política” nos Estados Unidos, não seria nenhuma surpresa que um filme como RBG fosse indicado ao prêmio.

Agora, ele tem chance de ganhar? Se a Academia estiver em um ano de crítica maior, digamos assim, ao cenário político americano, certamente. O filme é bom o suficiente para levar um Oscar? Não acho. Acho sim que RBG é um filme importante por resgatar uma história inspiradora e por nos mostrar, em perspectiva, como podemos avançar ou retroceder enquanto sociedade. Mas acho que como produção cinematográfica, RBG poderia ser melhor.

Assisti, como vocês sabem, a apenas dois documentários desta temporada – além de RBG, assisti a Won’t You Be My Neighbor? (comentado por aqui). Francamente, achei o filme sobre Fred Rogers muito mais bem acabado, completo, envolvente e emocionante. Entre os dois, o meu voto iria para Won’t You Be My Neighbor?, sem dúvidas. Mas, claro, eu ainda preciso assistir a outras produções que estão na disputa para realmente poder opinar. Sigamos em frente, portanto! 😉

BlacKkKlansman – Infiltrado na Klan

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Um filme contundente, bem ao estilo de seu realizador. Mas nós precisamos de filmes assim, ao menos enquanto restarem pessoas intolerantes e racistas, do tipo que se acha superior a outros grupos e pessoas. BlacKkKlansman mergulha na diáspora racial dos Estados Unidos. Faz isso seguindo a lógica do “teatro do absurdo” sem deixar de lado o tom crítico político – com diversas citações a um governo que dá margem para brancos supremacistas acharem que a “hora deles chegou”. Por sua temática, crítica e narrativa envolvente, merece chegar até o Oscar 2019, sem dúvidas.

A HISTÓRIA: Começa com uma sequência de …E o Vento Levou, com Scarlett (Vivien Leigh) buscando o Dr. Meade em meio a diversos feridos. Depois de perguntar pelo médico algumas vezes, ela diz: “Que Deus salve a Confederação”. A sequência fecha na bandeira dos Confederados. Em seguida, a mesma bandeira aparece nas costas do Dr. Kennebrew Beauregard (Alec Baldwin), que diz que o país está sob ataque. Ele comenta que as pessoas estão vivendo em uma época marcada pela “integração e miscigenação” e que isso precisa ser combatido. Em um mesmo vídeo de propaganda, ele ataca os negros, os judeus e a Suprema Corte que “obrigou” crianças brancas a conviverem com crianças negras na escola.

Esse é o pano de fundo desse filme, que conta a história de Ron Stallworth (John David Washington), o primeiro policial negro de Colorado Springs. Cercado de policiais brancos por todos os lados e inserido em uma sociedade com muitos rasgos racistas, Stallworth tem a ideia, após ver a um anúncio no jornal, de entrar em contato com a Ku Klux Klan local. Ele começa a investigar o grupo e tenta “entrar” nele como “policial infiltrado”. Como ele é negro, ele acaba dividindo a sua “identidade” com o colega Flip Zimmerman (Adam Driver).

VOLTANDO À CRITICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a BlacKkKlansman): Na definição/categorização deste filme, ele aparece como “Biográfico, Crime, Drama”. Spike Lee acerta em cheio ao resgatar uma história realmente impressionante, de um homem que enfrentou todos os preconceitos e barreiras sociais e discriminatórias para se tornar o primeiro policial negro da sua cidade.

Mas não apenas isso. Ele faz algo inacreditável: se voluntaria como um novo voluntário para participar da Ku Klux Klan local. Mesmo que você não saiba muito sobre esse grupo, é claro que você sabe que eles são um bando de supremacistas brancos que se acham superiores e detentores da “missão” de atacar negros e pessoas que defendem o direito de todos terem a mesmas oportunidades e conviverem nos mesmos locais. Assim, como um negro pode trabalhar como um infiltrado na KKK? Impossível, é claro.

Mas é justamente isso que o protagonista desse filme faz. Ele sabe como ninguém como pensam os brancos preconceituosos e como falar/lidar com eles. Então ele está mais que preparado para lidar com os líderes do movimento, mas sempre por telefone. Quando tem que conviver com o grupo, quem se passa por Ron Stallworth é o seu colega, um dos policiais brancos mais abertos à conviver com um negro na corporação, Flip Zimmerman.

O diretor e roteirista Spike Lee – que escreveu esse roteiro juntamente com Charlie Wachtel, David Rabinowitz e Kevin Willmott – acerta na mosca na construção interessante que ele faz sobre essa história. Ele começa com uma provocação sobre a influência cultural que reforça ou sugere uma justificativa para o preconceito racial – inclusive em clássicos como …E o Vento Levou e O Nascimento de Uma Nação, dois filmes com trechos reproduzidos em BlacKkKlansman – e prossegue com a gravação de uma propaganda criminosa que reproduz essas ideias segregacionistas.

A forma com que BlacKkKlansman é construída é muito interessante por isso. Porque o filme constrói a narrativa de forma direta, mostrando todo o absurdo daquela corrente supremacista branca que considera todos os negros “estupradores e assassinos”, como argumenta Beauregard, apenas pela cor de sua pele. Isso não tem o mínimo sentido, evidentemente, mas o filme conta sobre uma época em que isso era defendido através de vídeos, de manifestações públicas e por grupos como a KKK.

Ao mesmo tempo, temos a um negro que sonha em ser policial e que se “aventura” em meio a um grupo de brancos – com parte deles sendo racistas também. Inicialmente, ele é colocado em uma tarefa burocrática, mas ele logo manifesta o seu desejo, para o Chefe Bridges (Robert John Burke), de ser um policial infiltrado. Qual é a primeira missão que dão para ele? Dele se infiltrar em um encontro político negro para saber sobre as “intenções dos agitadores” e, ao investigá-los, evitar “distúrbios” na cidade.

Os negros tem que ser controlados e calados. No mínimo. Isso é o que a autoridade policial defende, também influenciada por uma cultura historicamente racista. Vale ponderar que Colorado Springs é uma cidade situada na região central dos Estados Unidos – ou seja, fica entre o limiar do Sul mais preconceituoso e o Norte mais “liberal”. Spike Lee explora esses conceitos e esse “pano de fundo” muito bem.

Diversos momentos do filme beiram ao absurdo. Ao menos, sob a ótica de alguém “normal” que sabe que negros e brancos são iguais, deveriam ter os mesmos direitos e oportunidades, e vêem como absurdo o discurso supremacista branco. Por isso mesmo é especialmente incrível observar aquelas linhas iniciais de Lee comentando que “essa parada é baseada em uma merda muito, muito real”. Porque sim, existiu um Ron Stallworth que vivenciou aquilo que vemos em cena e que escreveu um livro para contar a sua experiência.

A narrativa de Lee é envolvente e o roteiro explora bem a história que beira o absurdo – mas que também convence por seus contratempos e pequenos “deslizes” aqui e ali. Stallworth e Zimmerman são corajosos ao assumir aquela missão de se infiltrarem na KKK para saber o que eles estão planejando. No fim, a missão deles evita uma ou mais mortes. Mas o grupo vai continuar aterrorizando, inclusive com a conivência de autoridades locais (ou nacionais).

Nesse quesito, claro, Spike Lee não poderia se furtar de fazer uma referência clara ao “supremacista branco” que está governando o país novamente. Assim, BlacKkKlansman conta sim uma história específica, mas também não fecha os olhos para um dos maiores líderes da KKK, David Duke (Topher Grace) que é, adivinhem?, um dos mais efusivos apoiadores do atual líder máximo da nação.

É de arrepiar que essas e tantas outras pessoas defendam os “sagrados valores brancos protestantes”. Me desculpem o palavreado, mas essa é uma gente escrota e sem contato com a realidade. Sem a mínima noção do que estão falando ou defendendo. Mas é uma gente desequilibrada e perigosa, como BlacKkKlansman mostra bem. O grupo no qual Zimmerman se infiltra tem pessoas beeem desajustadas – e armadas.

O filme nos faz pensar, especialmente até quando essa queda de braços vai continuar. Enquanto houver um grupo falando em “supremacia branca”, certamente haverá um grupo pedindo por “empoderamento dos negros”. Essa é uma luta que nunca irá terminar enquanto tiver pessoas dividindo a sociedade dessa forma. Será que é tão difícil vivermos em uma sociedade em que as políticas públicas e as pessoas comuns realmente busquem por igualdade de oportunidades para todos, independente da cor da pele.

Claro que existe uma desigualdade histórica que precisa ser resolvida. Mas espero que um dia os policiais e as autoridades dos Estados Unidos parem de fechar os olhos para grupos criminosos, racistas e violentos como a KKK e os combatam de uma maneira mais efetiva. E que outras medidas sejam tomadas para educar as pessoas e buscar eliminar tanta ignorância no mundo. BlacKkKlansman trata destas questões de maneira franca e crítica. Precisamos de filmes assim, que coloquem o dedo na ferida e que não façam esquecermos dos absurdos que perduram.

NOTA: 9.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Spike Lee bebe de muitas fontes para fazer este filme. Apesar do foco dele ser o primeiro negro policial em uma cidade da área central dos Estados Unidos, ele também faz alusões a várias outras fontes de referência. Além dos filmes que ele “cita” na produção literalmente, ao reproduzir trechos das produções, ele faz “colagens” de rostos, ao estilo de filmes antigos que adotavam este tipo de transição para dar dinâmica para a narrativa, e também mergulha um pouco na cultura negra do final dos anos 1970 – quando o filme é ambientado.

Há quem tenha visto “comédia” nesse filme. Honestamente? Eu não vejo comédia em BlacKkKlansman. Esse filme nos conta histórias que fazem parte da realidade dos americanos até hoje. O conflito racial por lá é muito mais claro e mais extremo do que estamos acostumados no Brasil. Mas é bom falarmos sobre aquele nível de ignorância e sobre aquele preconceito que vemos em cena para evitar que isso aconteça por estas bandas. E sempre que vejo a um filme como BlacKkKlansman me pergunto: será quem um dia os Estados Unidos vão conseguir resolver este problema? Parece algo realmente complicado, especialmente no governo atual. O que é lamentável.

Bom ver Spike Lee em grande forma novamente. Acho que ele retorna em grande estilo para a temporada de premiações. Nesta produção, ele nos apresenta uma história realmente interessante e bem conduzida. Mérito dele, dos roteiristas que fazem o roteiro com ele e dos atores – especialmente John David Washington e Adam Driver estão muito bem.

Além de Washington e de Driver, grande responsáveis pelo sucesso desta produção, vale comentar o bom trabalho de diversos coadjuvantes, a começar por Robert John Burke como o Chefe Bridges, que está no limiar do racismo; Brian Tarantina em uma super ponta como o Oficial Clay Mulaney, apoiador de Stallworth e de Zimmerman; Ken Garito como o Sargento Trapp, outro que fica mais do lado de Stallworth do que contra ele – muitas vezes ele é “a voz da razõa” de Bridges; Frederick Weller como o policial racista Andy Landers; Laura Harrier como Patrice Dumas, a líder do movimento estudantil negro por quem Stallworth se interessa; Ryan Eggold como Walter Breachway, o líder local da KKK; Jasper Pääkkönen como Felix Kendrickson, um dos mais extremistas membros da KKK local, junto com a sua mulher Connie, interpretada por Ashlie Atkinson; e Paul Walter Hauser como o “bobão” Ivanhoe, outro membro da KKK sedento por puxar o gatilho e acertar alguns “negros”.

Acho impressionante como a galera “macho branca” retratada por este filme, tempos depois do final da Segunda Guerra Mundial, continua defendendo os “sagrados valores brancos protestantes”, classificando negros como inimigos e “estupradores e assassinos” que querem atacar as “mulheres brancas virgens” e atacando o que chamam de “conspiração judaica internacional”. Como alguém pode proferir estas palavras e ideias? E mesmo acreditar nisso? Honestamente, é algo ultrajante e que não faz rir, mesmo pelo absurdo, mas apenas lamentar e nos indignar.

Impressionante como Stallworth é “ensinado” a aceitar qualquer barbaridade que ele for escutar. Afinal, ele é a “minoria” que deve se adaptar. Sério? Sério mesmo? Não importa se você está sozinho ou se você é o único em uma batalha. Se você está certo e defende os valores certos, isso é o que importa.

Entre os aspectos técnicos do filme, destaque para a edição de Barry Alexander Brown; para a trilha sonora de Terence Blanchard; para a direção de fotografia de Chayse Irvin; para o design de produção de Curt Beech; para a direção de arte de Marci Mudd; e para os figurinos de Marci Rodgers.

Antes, eu falei, essencialmente, sobre os pontos positivos de BlacKkKlansman. Mas o filme não é apenas acertos. Para mim, apesar de ser uma história interessante e bem conduzida, o filme perde um pouco de força ao querer contar uma história “semi” de amor entre o protagonista e a sua protegida, assim como em querer “abraçar” toda a cultura negra da época. Algumas festas e inserção de música pode ter sido interessante, mas fica um bocado deslocado da história. Acho que o filme perde um pouco o interesse nesses pontos.

BlacKkKlansman estreou em maio de 2018 no Festival de Cinema de Cannes. Depois, até novembro, o filme participou de outros 14 festivais e mostras em diversos países. Até o momento, BlacKkKlansman ganhou 26 prêmios e foi indicado a outros 133 prêmios – incluindo quatro indicações ao Globo de Ouro. Ou seja, apesar de ter ganho alguns prêmios, ele foi mais derrotado do que saiu vencedor das premiações. Isso, acredito, mostre uma tendência. Do Globo de Ouro, por exemplo, ele saiu de mãos vazias.

Entre os prêmios que recebeu, destaque para o Grande Prêmio do Júri para Spike Lee e para a Menção Especial do Júri Ecumênico para o diretor no Festival de Cinema de Cannes; para o Prêmio da Audiência para Spike Lee no Festival Internacional de Cinema de Locarno; para o Prêmio de Melhor Filme Drama (Independente) no Satelitte Awards; e para nove prêmios como Melhor Roteiro ou Melhor Roteiro Adaptado. BlacKkKlansman também foi eleito, junto com outros nove filmes, com um dos filmes do ano segundo o AFI Award.

Agora, vale citar algumas curiosidades sobre BlacKkKlansman. Quem apresentou a história de Ron Stallworth para Spike Lee foi o produtor Jordan Peele. Lee achou a história do “homem negro que se infiltra na KKK” absurda demais, até que Peele garantiu para ele que a história era autêntica. Foi aí que Lee embarcou no projeto, porque achou que a história era ultrajante demais para ser ignorada. As únicas condições que Lee colocou para dirigir o filme foram de que ele pudesse incluir elementos cômicos e que pudesse fazer paralelo com questões raciais contemporâneas.

John David Washington é filho de Denzel Washington, ator que contracenou em quatro produções de Spike Lee.

O diretor Spike Lee recebeu uma ovação de seis minutos depois do filme ter estreado no Festival de Cinema de Cannes.

David Duke só descobriu que Ron Stallworth era negro em 2006, quando um repórter do Miami Herald ligou para ele para ouvir o seu lado da história. Lembrando que a história original do contato entre os dois remonta à década de 1970.

BlacKkKlansman é dedicado da Heather Heyer, uma garota que foi atropelada e morta em uma manifestação contra o movimento supremacista branco em agosto de 2017. Quando ela morreu, o filme estava sendo editado. Ao saber da história, Spike Lee quis incluir a homenagem no filme, lançando-o em circuito comercial um ano apos a manifestação “Unite the Right” e a morte de Heyer.

Esta produção é baseada no livro de memórias Black Klansman, lançado em 2014 por Ron Stallworth. Segundo Stallworth, o único arrependimento dele foi não ter exposto a história mais cedo, o que poderia ter mostrado o quão “bobo” foi David Duke nessa história e, com essa exposição, talvez ele teria prejudicado a carreira política do membro da KKK.

Os usuários do site IMDb deram a nota 7,6 para BlacKkKlansman, enquanto que os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 352 críticas positivas e 17 negativas para a produção – o que lhe garante uma aprovação de 95% e uma nota média de 8,3. O site Metacritic apresenta um “metascore” 83 para esta produção – fruto de 54 críticas positivas, de uma mediana e de uma negativa -, além do selo “Metacritic Must-see”.

De acordo com o site Box Office Mojo, BlacKkKlansman teria custado cerca de US$ 15 milhões e faturado, apenas nos Estados Unidos, pouco mais de US$ 48,5 milhões. Nos outros mercados em que o filme já estreou, ele fez outros US$ 40,9 milhões. Ou seja, na soma, fez pouco mais de US$ 89,4 milhões – um grande sucesso para Spike Lee e um filme com lucro para os realizadores.

BlacKkKlansman é uma produção 100% dos Estados Unidos – por isso esse filme entra na lista de produções que atendem a uma votação feita há bastante tempo aqui no blog.

Importante comentar que já faz mais de 10 dias em que eu assisti a esse filme. Estou meio “devagar” nesse início de ano, eu sei, mas é por causa da correria. Mas tentarei ver a mais filmes a partir de agora, até porque em poucos dias teremos os indicados ao Oscar. E, além deles, temos muitos bons filmes interessantes para assistir. Tentarei acelerar as publicações por aqui, prometo. 😉

CONCLUSÃO: Spike Lee sempre foi contundente em seus filmes. Em BlacKkKlansman isso não é diferente. Em certo momento, ele resume o que vemos em cena. Enquanto houverem pessoas gritando por “poder branco”, haverão pessoas gritando por “poder negro”. De forma bastante honesta, envolvente e com um discurso político acertado perpassando tudo, Lee nos apresenta um filme chocante sobre o atraso em que muitos vivem ainda. Pessoas que buscam se colocar em patamar superior e menosprezar as outras, em um país dividido e com dificuldades de superar esta questão de atraso. Bem desenvolvido, BlacKkKlansman precisa ser visto. Simples assim.

PALPITES PARA O OSCAR 2019: Muitos apontam BlacKkKlansman como um filme forte na corrida pelas estatuetas do Oscar. Acredito que o filme tem grandes chances de figura entre as 10 produções que vão concorrer na categoria principal, de Melhor Filme. Não seria uma surpresa também se a produção emplacasse ainda indicações de Melhor Diretor, para Spike Lee, e de Melhor Roteiro Adaptado.

No Globo de Ouro, o filme também emplacou as indicações dos atores John David Washington e Adam Driver – como Melhor Ator – Drama e Melhor Ator Coadjuvante, respectivamente. Não sei se eles terão apelo ou força para emplacar as suas indicações no Oscar também, mas é fato que ambos estão muito bem.

Agora, que chances o filme tem de ganhar nestas categorias? Difícil dizer, neste momento, porque faltam muitos filmes para serem vistos ainda. Mas acho que BlacKkKlansman, apesar de corajoso e com um tom político marcante, algo que está em voga na Academia nos últimos antes, não tem exatamente o perfil de um vencedor do Oscar de Melhor Filme. Seria uma surpresa, e bastante positiva, se a Academia tivesse a coragem de premiar a um filme crítico como este. Terei chance de opinar melhor após assistir a outras produções que estão cotadas para esta disputa.

Won’t You Be My Neighbor?

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Nós somos seres gregários e que gostamos de nos comunicar. Ao menos, na maior parte do tempo. Quando nos comunicamos, podemos investir em algo bom, propagar os melhores valores. Como o amor, o respeito, a empatia e a solidariedade. Mas nem sempre é isso que acontece quando nos comunicamos ou nos aproximamos. Por isso é tão bom conhecer uma história maravilhosa como a contada pelo documentário Won’t You Be My Neighbor? Por muitos anos e para milhares – ou milhões – de crianças, Fred Rogers foi uma referência. Para a gente, no Brasil, não. Mas conhecer a sua história nos enche de esperança e de reflexão. Um grande filme.

A HISTÓRIA: Fred Rogers está sentido em um piano e pede para que o cinegrafista se aproxime. Ele está falando com cada um de nós, os seus expectadores. Ele comenta que tem tido algumas ideias sobre modulação. Ele comenta que existem diferentes temas na vida. Vemos a Fred Rogers em 1967. Ele comenta que uma de suas principais missões é, através dos meios de comunicação de massa, ajudar as crianças com as modulações difíceis das suas vidas.

Rogers então comenta como é fácil passar de algumas notas para outras, enquanto que outras variações são bem mais difíceis. Então ele comenta sobre a importância de ter alguém que lhe ajude a passar pelos momentos mais difíceis. Essa é a história sobre este apresentador de programas feitos para o público infantil, em especial, e que também trabalhou em um programa para o público adulto.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Won’t You Be My Neighbor?): Depois que a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood divulgou a lista de produções que avançaram em busca de uma vaga em nove categorias do Oscar 2019, algo que comentei neste post, fui atrás de tentar assistir aos filmes pré-indicados em Melhor Filme em Língua Estrangeira e Melhor Documentário.

Antes mesmo dessa lista ser divulgada, eu já tinha visto muitos especialistas no Oscar e críticos apontando Won’t You Be My Neighbor? como um dos fortes concorrentes do ano na categoria de Melhor Documentário. Eu não sabia sobre o que o filme tratava, mas foi uma grata surpresa perceber que ele abordava a trajetória de um ícone da TV infantil para o público americano. Fred Rogers marcou a cultura dos Estados Unidos a partir de 1968.

E que trajetória impressionante a dele! Uma trajetória narrada com perfeição pelo diretor Morgan Neville em Won’t You Be My Neighbor?. Para contar a história de Fred Rogers, Neville intercala diversos trechos de entrevistas do apresentador com trechos de seus programas, assim como trechos de animação e entrevistas com pessoas da família dele, pessoas que trabalharam com ele, amigos ou especialistas em sua história.

Para mim, o maior ganho de Won’t You Be My Neighbor? e da trajetória de Rogers é nos mostrar a infância sob uma outra perspectiva. Da minha parte, de quem nem sempre tem “paciência” com as crianças, provavelmente porque eu não consigo entendê-las como eu deveria ou poderia, Won’t You Be My Neighbor? foi uma lição e um aprendizado.

Rogers tinha um olhar profundo, compreensivo e amoroso para as crianças. Elas eram o foco de seu trabalho e de sua preocupação. Ao conhecer a sua história e a sua proposta para um programa de TV, passei a repensar a minha própria forma de olhar e, quem sabe, até de agir em relação às crianças. Como Neville busca também elementos na infância de Rogers para explicar o seu estilo e personalidade, somos motivados a fazer isso a respeito de nós mesmos.

Assim, Won’t You Be My Neighbor? se revela um filme muito humano e sensível. Ele conta não apenas a história de um ídolo para muitas crianças americanas mas, também, nos faz refletir sobre as nossas próprias infâncias e sobre o universo das crianças. Um universo muito mais complexo e amplo do que a imagem que estamos acostumados a imaginar ou pensar. Essa reflexão e esse outro olhar sobre a infância e as crianças foram dois dos pontos que mais me marcaram deste filme. Mas não foram os únicos.

Como profissional formada na área de Comunicação, Won’t You Be My Neighbor? me fez lembrar o que me motivou a estudar essa área. A crença que a comunicação pode ser usada para o bem, para melhorar a nossa realidade. Rogers fez isso durante toda a sua vida. Ele batalhou por uma televisão pública de qualidade e por apresentar questões importantes para as crianças. E um ponto fundamental para ele buscar isso foi respeitando a inteligência e os sentimentos das crianças – e não as tratando como pessoas que ainda não cresceram, como muitos de nós fazemos.

Won’t You Be My Neighbor? nos faz pensar ainda mais sobre que tipo de televisão e de sociedade da informação nós temos hoje em dia. Para nós, adultos, e para as nossas crianças também. Que tipo de informação e lazer estamos consumindo? E as crianças do nosso país e de outras nações, que tipo de programas e de informações elas estão tendo? Won’t You Be My Neighbor? é um aprendizado também para quem ama a comunicação e atua nessa área.

Além de tudo isso, Won’t You Be My Neighbor? me impressionou por abordar e reforçar constantemente os valores e a “missão” que Rogers acreditava que tinha pela frente. Ele falava de amor, de valorizar o olhar compreensivo e compassivo, de perdão, de compreensão e de respeitarmos a todas as pessoas – especialmente as crianças. Falava sobre a importância de protegermos e apoiarmos as crianças. Abordava uma série de valores fundamentais e que nem sempre são lembrados com a constância e a força com que deveriam.

Por tudo isso, achei esse filme excepcional. Não apenas por nos contar uma história inspiradora, mas por nos mostrar que sim, podemos fazer mais e melhor do que estamos fazendo. Que é possível sempre buscar o bem, mesmo quando fatos ao nosso redor nos mostram retrocessos. Além disso, apesar de Won’t You Be My Neighbor? ser claramente uma homenagem para Rogers, Neville não foge de alguns temas controversos do personagem retratado.

Ou seja, diferente de outras produções que eu já comentei por aqui e que sofriam por serem apenas uma homenagem para a pessoa retratada, Won’t You Be My Neighbor? aborda os questionamentos feitos sobre Rogers. Temos tanto os programas que o parodiavam quanto os questionamentos sobre ele ser gay ou apoiar/não apoiar os gays – sendo que um ator de sua equipe, François Scarborough Clemmons, era gay e foi incentivado a se “esconder” por Rogers. Neville poderia ter “ignorado” estes fatos mas, acertadamente, ele não fez isso.

No fim das contas, Won’t You Be My Neighbor? é um filme bastante profundo. Que nos faz refletir sobre diversos valores e atitudes. Que nos faz pensar sobre o nosso próprio processo de amadurecimento e sobre como enfrentar as dificuldades e os temas difíceis e delicados da vida. Um documentário que estimula o olhar generoso e atento, que nos estimula a ser melhores ou a incentivar essa procura.

Bem conduzido, envolvente, apresentando uma narrativa profunda e, ao mesmo tempo, pontuada com diversos momentos de ternura e engraçados, Won’t You Be My Neighbor? é um filme inesquecível. Impressiona por sua humanidade, por sua sensibilidade e por sua capacidade de nos fazer refletir. Sou franca em dizer que ele também me emocionou. A narrativa segue em um crescente que pode levar muitos às lágrimas no final – algo que aconteceu comigo. Veja de coração aberto e se deixe levar. É uma bela, bela produção. Das melhores do gênero.

NOTA: 10.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Eu nunca vi alguém tratar as crianças com tanto respeito e sensibilidade. Para Fred Rogers, não havia assunto que não pudesse ser tratado com as crianças. E ele estava certo sobre isso. Desde os anos 1960 ele sabia que as crianças eram bombardeadas pelos fatos bons e ruins da vida. Por causa da televisão, nos anos em que ele atuou e, mais recentemente, por causa da internet, as crianças não estão alheias a nada que acontece no mundo. Mas como tratar assuntos difíceis com as crianças? Rogers tem ensinamentos importantes para qualquer pai e mãe ou para qualquer pessoa interessada nesse tema e que seguem muito válidos até hoje.

Gostei muito do trabalho do diretor Morgan Neville. Ele constrói a narrativa de Won’t You Be My Neighbor? de maneira primorosa, não apenas pelos elementos que ele intercala para contar essa história mas, especialmente, pela forma com que ele vai se aprofundando no seu “personagem”. Esse filme é, no fundo, um grande estudo de personalidade. Por isso o filme é tão humano e sensível. Porque ele não apenas conta uma trajetória, mas também se aprofunda na personalidade, nos sentimentos e nas intenções do biografado.

Won’t You Be My Neighbor? se apresenta como uma produção muito envolvente, com uma edição primorosa de Jeff Malmberg e de Aaron Wickenden e que, acertadamente, mescla momentos de humor, narrativa, drama e emoção. As diferentes impressões das pessoas sobre Fred Rogers, o contexto que eles ajudam a montar sobre ele e o próprio trabalho e opiniões do biografado montam um perfil bastante completo sobre o homenageado.

Além da direção de Neville e da edição de Malmberg e Wickenden, vale destacar, nesta produção, o trabalho da direção de fotografia de Graham Willoughby; a trilha sonora de Jonathan Kirkscey; o departamento de arte comandado pelo designer gráfico Scott Grossman; e o departamento de animação comandado pelos animadores Ariel Costa e Rodrigo Miguel Rangel.

Algo interessante sobre Won’t You Be My Neighbor? é que o filme, apesar de ter uma narrativa quase toda linear – fora os momentos em que o filme fazia rápidas imersões na infância do retratado -, foge um pouco do modelo “clássico” de documentário focado em um biografado.

Comento isso porque, apesar de ouvirmos os depoimentos da esposa e de dois filhos de Rogers, o documentário não conta propriamente a história deste núcleo familiar. Não sabemos quando eles se casaram, como eles se conheceram e quando nasceram os filhos. Essa “ausência” de informações, para mim, tem um propósito: nos deixar focados na mensagem e na missão de Rogers e nem tanto na sua vida privada ou em particularidades da sua vida que acrescentariam pouco para entendermos as suas intenções. Interessante essa escolha de Neville.

Um outro detalhe que eu pensei sobre a história de Rogers: como ele soube aproveitar as condições especiais que ele teve pela frente para tirar o melhor proveito possível de seus recursos. Comento isso porque justamente em Pittsburgh foi nascer uma TV pública que poderia dar espaço para ele desenvolver um programa infantil com aquela preocupação social e com a psicologia das crianças e onde também foi feito um trabalho importante (eu diria fundamental) sobre as fase de desenvolvimento humano e sobre o aprendizado infantil. Dois fatores importantes para que ele tivesse tanta qualidade no seu trabalho.

Durante a sua trajetória, Fred Rogers ganhou 12 prêmios e foi indicado a outros 57 – inclusive a indicação a três prêmios Emmy. Entre os prêmios que recebeu, destaque para os Emmy’s recebidos em 1980, em 1985, em 1997 e em 1999; para o Peabody Awards recebido em 1993 e para o seu nome colocado na Calçada da Fama em 1998. A estrela dele na Walk of Fame está na 6600 Hollywood Blvd. com a inscrição “To Mister Rogers”.

Como sempre, você pode entender ou não uma mensagem. Quando Rogers disse que todas as pessoas são especiais e perfeitas como elas são, ele não quis dizer que você terá tudo fácil e que não precisará fazer nada para se aperfeiçoar. Ele quis relembrar conceitos cristãos de que Deus ama a todos e que todos são perfeitos para Ele. Tem pessoas que conseguem entender isso, e tem outras que preferem não entender. E beleza sobre isso. Mas Rogers dizer isso repetidamente para as crianças, foi algo maravilhoso e muito corajoso.

Fred Rogers nasceu na cidade de Latrobe, no Estado da Pennsylvania, no dia 20 de março de 1928. Ou seja, no ano passado, quando Won’t You Be My Neighbor? foi lançado, se ele estivesse vivo, ele teria 90 anos de idade. Rogers comandou o programa Mister Roger’s Neighborhood entre 1967 e 2001 – no primeiro ano, em uma emissora de Pittsburgh e, a partir de 1968, na PBS, com transmissão em nível nacional. Rogers morreu em 2003 após uma rápida batalha contra um câncer no estômago. Ele se casou com Joanne Rogers em 1952 – eles ficaram casados até a morte dele. Com ela, ele teve dois filhos – os dois aparecem no documentário, John e Jim Rogers.

Até hoje, nos Estados Unidos, 305 dos 895 episódios de Mister Roger’s Neighborhood continuam sendo reprisados. Que sorte dos americanos por terem tido um programa como esse para as suas crianças! Os valores transmitidos por ele e plasmados neste Won’t You Be My Neighbor? são, para mim, pura preciosidade.

Os usuários do site IMDb deram a nota 8,5 para esta produção. Não encontrei a página sobre este documentário no Rotten Tomatoes, mas no site Metacritic o filme é classificado com o “metascore” 85, fruto de 39 críticas positivas e de duas medianas, e com o selo “Metacritic Must-see”.

Won’t You Be My Neighbor? estreou em janeiro de 2019 no Festival de Cinema de Sundance. Depois, até outubro do mesmo ano, ele participaria de outros 17 festivais em diversos países. Nessa trajetória, o filme ganhou 33 prêmios e foi indicado a outros 28. Entre os prêmios que recebeu, destaque para os 25 prêmios de Melhor Documentário conferidos por diferentes associações de críticos. Além disso, ele foi considerado, ao lado de Minding the Gap, Free Solo, Crime + Punishment e Three Identical Srangers, um dos cinco melhores documentários do ano pela National Board of Review – mas quem venceu nesta categoria foi outro filme, RBG.

Agora, algumas curiosidades sobre essa produção. Em determinado momento do filme, vemos a um encontro de Rogers e o gorila Koko. Mas aquela situação do gorila tirar os sapatos de Rogers não é explicada no documentário. Quando Koko morreu, em junho de 2018, vários detalhes sobre a sua vida vieram à tona. Por exemplo, o fato de que o gorila assista ao programa de Rogers todos os dias e que ele tirou os sapatos do apresentador porque isso era o que ele fazia no começo de cada programa.

O diretor Morgan Neville foi parcialmente inspirado a contar a história de Rogers quando, ao entrevistar Yo-Yo Ma sobre como ele tinha lidado com a sua fama, ele ter respondido que aprendeu com Rogers que ele poderia usar a sua fama para o bem.

Betty Aberlin, que vemos contracenando com Rogers em muitos momentos do programa dele, foi convidada para participar do documentário, mas ela se recusou porque fazia muito tempo que ela não dava entrevistas e se sentiu insegura de aparecer novamente frente às câmeras.

Além de ser um sucesso de crítica, Won’t You Be My Neighbor? teve um ótimo resultado nos cinemas americanos. O filme fez US$ 22,6 milhões nas bilheterias segundo o site Box Office Mojo, um ótimo resultado para um documentário, sem dúvida. Certamente esse resultado foi puxado pela popularidade do apresentador.

Se vocês ficaram interessados sobre saber mais sobre os estudos a respeito do desenvolvimento humano e infantil, vale dar uma olhada no trabalho de Erik Erikson. Uma boa introdução pode ser esse texto do site Pensar Contemporâneo. #ficaadica

O diretor Morgan Neville tem 25 trabalhos no currículo como diretor, incluindo documentários, filmes para a TV e episódios de séries de documentário feitas para a TV. Em 2014 ele ganhou o Oscar de Melhor Documentário por Twenty Feet from Stardom (comentado neste link).

Não tenho dúvidas que esse filme “bate” de maneira muito diferente para nós, que não crescemos assistindo a Fred Rogers, e para o público americano, que teve um contato muito mais próximo e afetivo com ele. Ainda assim, acho que Won’t You Be My Neighbor? tem uma linguagem universal e pode tocar a qualquer pessoa que acredite nos mesmos valores que o biografado – e que esteja aberto a observar as crianças de uma outra maneira. Fascinante.

Won’t You Be My Neighbor? é um filme 100% dos Estados Unidos, por isso ele entra na relação de produções que atendem a uma votação feita há tempos aqui no blog.

CONCLUSÃO: Um filme, para ser grande, deve nos envolver, nos surpreender, nos fazer pensar e nos emocionar. Uma produção que consiga tudo isso é algo difícil de encontrar. Mas é exatamente isso que o documentário Won’t You Be My Neighbor? proporciona. Esse filme resgata uma história inspiradora que precisa ser mais difundida, especialmente para que repensemos a forma com que olhamos e com que tralhamos a nossa relação com as crianças. Sejam as que nos rodeiam, sejam as crianças que ainda podem estar nos habitando. Um filme imprescindível, especialmente para os dias atuais, em que, muitas vezes, nos perguntamos para onde estamos indo enquanto coletivos. Impecável, muito bem narrado e conduzido, não nos faz apenas pensar, mas também sentir.

PALPITES PARA O OSCAR 2019: Won’t You Be My Neighbor? foi um dos 15 filmes que avançaram na disputa por uma vaga na categoria de Melhor Documentário, conforme comentei neste post. Ou seja, cada um dos filmes que avançaram na disputa vão deixar outros dois para trás – afinal, apenas cinco produções realmente serão indicadas nesta categoria.

Como quem acompanha o blog sabe, Won’t You Be My Neighbor? é o primeiro filme da lista de documentários que avançaram na disputa que eu assisto. Não consigo compará-lo ainda com os concorrentes, portanto, mas devo dizer que torço muito para ele chegar entre os cinco finalistas nessa categoria na premiação máxima da indústria cinematográfica norte-americana. Simplesmente porque eu acho que ele é um grande filme, cheio de boas intenções e muito bem narrado e construído.

Por ter tantas qualidades, acho que Won’t You Be My Neighbor? merece chegar entre os finalistas e, quem sabe, inclusive ganhar a estatueta dourada? Claro que precisarei assistir a outros concorrentes para falar melhor a respeito, mas acho que seria muito bacana que esse filme chegasse tão longe. Quem sabe assim, mais gente não se interessa em assisti-lo? E isso seria algo importante, especialmente pelas mensagens que essa produção passa. Acho sim que ele chegará entre os finalistas. Agora, sobre ele ter chances de ganhar, ainda é cedo para dizer.