7 – Filmes políticos e eleições


EPÍLOGO: Este é o sétimo texto que produzi para o site DVD Magazine e que reproduzo aqui no blog. Este artigo sobre os filmes políticos que foram lançados (ou estão para ser lançados ainda) perto das eleições para presidente nos Estados Unidos, assim como os demais artigos que você, caro leitor, poderá ler aqui, devem ser vistos – como sempre – levando em conta a data em que eles foram produzidos e publicados. Sempre que possível acrescentarei atualizações e comentários datados e posteriores, como faço com as críticas dos filmes.

DATA DE PUBLICAÇÃO: 8 de outubro de 2008.

TÍTULO: Eleições nos Estados Unidos: hora de sacar os filmes políticos da cartola

De tempos em tempos parece que uma “onda” surge no horizonte com uma verdadeira leva de filmes com determinada característica. Depois de uma “onda” de filmes de terror – a maioria adaptações de obras nipônicas – há alguns anos e de um 2007 com vários títulos tratando direta ou indiretamente da Guerra do Iraque, Hollywood parece receber a brisa quente de uma série de filmes políticos. E não apenas Hollywood, diga-se.

Coincidencia ou não, vários filmes com características políticas estão estreando nos Estados Unidos por estas semanas, perto das eleições presidenciais de 4 de novembro. Nenhum título bombástico ou que sinaliza qualquer ameaça para um candidato ou outro, é claro.

O primeiro filme político da temporada a estrear foi Battle in Seattle, com um elenco recheado de nomes potentes: Charlize Theron, Woody Harrelson, Ray Liotta, Channing Tatum, Joshua Jackson, Michelle Rodriguez, Martin Henderson, Connie Nielsen, entre outros. O filme mostra os cinco dias de protesto anti-globalização na cidade norte-americana que terminaram em um forte conflito com a policia em 1999.

Segundo os produtores, o filme mostra como um grupo pequeno de anarquista no meio de 50 mil manifestantes nas ruas provocou uma resposta exagerada de um governo despreparado para um evento daquela magnitude. Battle in Seattle tem roteiro e direção de Stuart Townsend, ator que estréia na direção com este filme.

O segundo a tirar o seu bolo do forno foi o sempre político diretor de documentários Michael Moore. No dia 23 de setembro ele lançou, direto pela internet, Slacker Uprising, um documentário sobre a campanha eleitoral passada, em que ele percorreu o país defendendo a mudança política para os Democratas.

O filme de Moore mostra a viagem do diretor por 62 cidades estadunidenses durante as eleições presidenciais de 2004. O documentário foi disponibilizado para ser baixado gratuitamente para residentes nos Estados Unidos e no Canadá. Junto com seu filme o diretor faz uma declaração em alto e bom som: espera que os jovens votem ao invés de abster-se e que mudem a cara de seu país.

No dia 3 de outubro veio o contra-ataque a Michael Moore. O diretor David Zucker lançou An American Carol, uma sátira livremente inspirada em Moore. O filme conta a história do diretor Michael Malone (Kevin P. Farley), que começa uma campanha nos Estados Unidos para abolir as comemorações do 4 de Julho – o feriado mais importante da Nação, porque marca a Independência dos Estados Unidos.

Em sua saga para abolir a data, o cineasta é visitado por três espíritos – que, pelo que eu vi dos personagens listados do site IMDb, devem ser John F. Kennedy, Mussolini e o general George S. Patton. Para quem não se lembra de David Zucker, ele é o responsável por comédias escatológicas como Apertem os Cintos… O Piloto Sumiu, Corra que a Polícia Vem Aí e dois dos filmes Todo Mundo em Pânico.

No mesmo dia em que foi lançado An American Carol chegou aos cinemas dos Estados Unidos um filme crítico sobre a religião – e, indiretamente, a um dos temas mais fortes do puritano presidente George W. Bush: Religulous. Nesta produção o comediante Bill Maher percorre várias partes do mundo para saber como anda o tema da religião, o conceito de Mal e da fé. Não escapa de sua lente alguns discursos de George W. Bush, claro. A direção é de Larry Charles, responsável antes por Borat.

Mas a estréia mais esperada é mesmo o novo filme de Oliver Stone: W. Segundo a produtora do filme ele nada mais é que uma crônica da vida e da gestão do duas vezes presidente George W. Bush. Segundo o diretor, ele não caiu no grupo dos “anti-Bush”. Seu filme trata “apenas” de momentos importantes da vida do político, explicando como ele conseguiu poder suficiente para chegar ao poder e permanecer nele por duas gestões. Ainda que o diretor discurse que não cai no grupo “anti-Bush”, dificilmente o filme será um elogio ao presidente.

O roteiro de W. é de Stanley Weiser, autor de Wall Street – também dirigido por Oliver Stone – e de filmes para a televisão como Canção da Liberdade, com Danny Glover. Mas depois de novembro, das eleições nos Estados Unidos, a onda parece que termina no país. Até o fim do ano não existe mais nenhuma estréia que pode ser classificada com alguma carga política.

Fora de Hollywood, outros filmes políticos marcaram o ano até agora. No Festival de Berlim em que Tropa de Elite se consagrou com o Urso de Ouro, o prêmio do júri foi para o documentário Standard Operating Procedure, de Errol Morris. O filme examina os fatos que envolveram os abusos e torturas praticados por soldados estadunidenses contra suspeitos de terrorismo na prisão de Abu Ghraib.

Em maio, o grande vencedor do Festival de Cannes foi Entre Les Murs, do diretor Laurent Cantet, um filme crítico sobre as reformas estudantis promovidas na França. O roteiro de François Bégaudeau mistura um tom documental com o de ficção para tratar da imigração no contexto das escolas francesas. Bégaudeau atua no filme e, antes, escreveu um livro sobre o tema.

Na mesma edição do festival francês foi premiado pelo júri o filme italiano Gomorra, que trata dos bastidores da máfia naquele país – o que envolve muito a política. O filme foi dirigido por Matteo Garrone. Outro premiado foi o filme Il Divo, de Paolo Sorrentino, que expõe os problemas pelos quais passaram o ex-premiê italiano Giulio Andreotti.

Em setembro o Festival de Veneza deu o Prêmio Especial do Júri para o cineasta Haile Gerima por seu Teza, um filme que conta a história de um intelectual africano que foi exilado na Alemanha e que decidiu retornar para o seu país durante o regime marxista de Haile Mengistu. O filme trata de vários temas políticos, incluindo a ignorância em que o povo é deixado pelos governantes que querem manter-se no poder, trata de racismo e de regimes totalitários.

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