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Di Qiu Zui Hou De Ye Wan – Long Day’s Journey Into Night – Longa Jornada Noite Adentro

O que é cinema e o que é sonho? O cinema, em última análise, não passa de sonho? O quanto das nossas memórias realmente aconteceram e o quanto do que achamos que aconteceu não passa de ilusão, de “armadilhas” ou de “sonhos” que a nossa mesma mente criou? Todas as questões parecem embalar Long Day’s Journey Into Night, filme chinês que mistura muito bem a questão do sonho, das memórias e do cinema. O filme é alternativo, importante você saber. Ele tem um ritmo bastante lento e, claramente, muitas vezes, ele nos desafia a entender se o que está acontecendo é realidade ou não. Um filme “diferentão” mas que tem uma proposta visual e de estilo bem interessante.

A HISTÓRIA: Um microfone e uma bateria ao fundo. Luo Hongwu (Jue Huang) diz que sempre que a via, ele sabia que estava em um sonho novamente. Ele então comenta que quando você sabe que está sonhando, é uma experiência extracorpórea. Ele também se perguntava, quando estava nesses sonhos, se seu corpo era feito de oxigênio e questionava as próprias memórias. Então ele acorda. Ele está em um quarto de bordel.

A mulher que sai do banho comenta que ele estava falando enquanto dormia, e pergunta com quem ele estava sonhando. Ele diz que com alguém que desapareceu. Ele diz que sempre que está prestes a esquecê-la, ele sonha com ela novamente. A garota pergunta se ela é a sua amante. Ele diz que acha que sim, mas que nunca soube a sua idade ou nome verdadeiro, muito menos o seu passado. Ela diz que parece uma história do livro de capa verde que ele sempre carrega. Ele vai embora enquanto ela segue secando o cabelo. Em breve veremos Luo Hongwu em uma jornada própria que mistura passado, presente, sonho e realidade.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Long Day’s Journey Into Night): Eis um filme com uma proposta interessante. Como a essência mesmo do cinema, que parece ser um pouco sonho, fantasia e um pouco realidade, Long Day’s Journey Into Night também mistura tudo isso em uma história que, no fundo, conta a busca de um homem pela mulher dos seus sonhos, pelo amor, o que, na verdade, marca a busca dele pela própria mãe.

Parece algo freudiano, não é mesmo? E não deixa de ser. Mas afinal, o que é realidade e o que é sonho em Long Day’s Journey Into Night? (SPOILER – não leia se você não assistiu a esse filme). Para mim, grande parte da produção é sonho, imaginação e delírio do protagonista, Luo Hongwu. A direção de fotografia de David Chizallet, Jingsong Dong e Hung-i Yao é algo incrível, um dos pontos altos da produção. Ela mostra o protagonista em seu sofrimento em busca de respostas. Para mim, apenas o início da produção e o encontro dele com a amiga da mãe que o abandonou podem estar mais próximos da realidade. O restante mescla desejos e sonhos dele.

Interessante como o filme dirigido e com roteiro de Gan Bi acompanha o protagonista em suas desventuras atrás de respostas e do amor. No caso, aquele amor originário, que ele teve da mãe que o abandonou e de quem ele nunca soube quase nada – exceto o livro de capa verde que conta histórias que acabam embalando parte da narrativa. O momento que nos leva a acompanhar Luo Hongwu em sua aventura é quando ele volta para a cidade natal, Kaili, para o velório do pai, de quem ele herda uma antiga van.

Com esse veículo ele transita para cá e para lá procurando suas respostas. O quanto do que vemos em cena é realidade ou fantasia, me parece, vai depender do gosto de cada espectador. Para mim, a realidade acompanha o personagem até a cena em que ele encontra a fotografia da mãe escondida no relógio que era do pai. Outro momento de realidade é o encontro dele na prisão com a antiga amiga da mãe (amiga interpretada por Yanmin Bi).

Mas ele realmente se encontra com a ex-namorada do amigo morto Wildcat (Hong-Chi Lee)? Até pode parecer que sim, que ele teve algum encontro com ela. Mas em qual momento realmente ele encontrou e se apaixonou pela namorada do homem que o matou, Wan Qiwen (Wei Tang)? Quando vemos estas cenas, a meu ver, elas estão no passado e fazem parte das reminiscências do protagonista. Assim como quando ele lembra da mãe, quando ainda era jovem.

Ainda que parte do que vemos pode ter “bebido” na realidade, acho que maioria das memórias dele sobre a mulher amada também eram carregadas de fantasia. Na narrativa inicial do filme, Luo Hongwu nos diz que ele nunca imaginou que voltaria para Kaili. Que algo marcante em sua vida ali foi quando o amigo, Wildcat, foi morto.

Naquele ocasião, Luo Hongwu deveria ter ajudado Wildcat a carregar algumas maçãs, mas ele havia acabado de se divorciar, na época, e estava um pouco perdido. Quando se deu conta do compromisso com o amigo, ele já havia sido morto e as maçãs estavam apodrecendo. Ao limpar o carrinho, ele encontrou uma arma e diz que, após encontrá-la, ele sempre passou a ser “atraído pelo perigo”. Isso teria acontecido antes da morte do pai, aparentemente, que é o que faz ele voltar para a cidade.

Então o que vemos em cena, dele procurando a ex-namorada e tudo o mais, o que seria? Me parece um retorno do personagem ao passado, um resgate dos fatos que aconteceram mas, claro, com uma boa dose de fantasia no meio. Ele realmente se apaixona por Wan Qiwen, mas acaba tendo que abrir mão dela quando Zuo Hongyuan (Yongzhong Chen) retorna para a cidade. Ele é o bandidão do pedaço, responsável pela morte de Wildcat, e nem o protagonista e nem a sua “donzela indefesa” parecem ter chance contra ele.

Quando retorna para Kaili, parece que Luo Hongwu está cercado de lembranças, memórias, de sentimentos de culpa, frustração e amor não completamente realizado. A busca dele por respostas, que acaba envolvendo o seu “grande amor” e também a busca pela mãe, acaba nos fazendo mergulhar em um grande sonho que ele acaba tendo. Entre uma lembrança e outra, o acompanhamos em sua busca por respostas – quase em uma investigação policial.

Entre aquele início, dele voltando para a cidade natal, e a parte mais onírica da produção, vivemos constantemente entre o presente e o passado do protagonista, com ele buscando as suas respostas ao mesmo tempo em que mergulha em suas lembranças.

Depois sim, ele embarca completamente em um sonho. E talvez essa seja a parte mais interessante do filme, quando ele fantasia com Kaizhen (também Wei Tang) e se reencontra com a figura materna através da Red-hair Woman (Sylvia Chang). Interessante, realmente.

Então o filme é esse grande jogo entre um brevíssimo presente do personagem, suas lembranças passadas com uma certa dose de fantasia e seus sonhos mesclados com desejos do que poderia acontecer. Uma viagem, realmente, que nos convida para sair do cinema focado na realidade para entrar em um cinema de fantasia e “realismo fantástico”. Uma proposta diferenciada que é visualmente muito interessante, mas que acaba cansando um pouco por diversos trechos de pouco significado para a história.

Achei Long Day’s Journey Into Night um tanto longo demais e com uma preocupação muito grande de Gan Bi de torná-lo essencialmente artístico. Ok o filme ter uma proposta diferenciada. Esse não é o problema. Mas quando as imagens e o estilo do filme contam mais pontos do que a história, a produção acaba sendo um pouco vazia, hermética ou longa demais. Acho que este filme sofre um pouco com isso.

Ainda assim, ele não deixa de ser uma experiência interessante. Vale ser conferido, especialmente se você se interessa por estilos de cinema de outras latitudes, como, neste caso, o cinema chinês. Gostei do filme, mas é preciso estar bem desperto para acompanhá-lo sem dormir no processo. 😉

NOTA: 8.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Dois elementos se sobressaem nesta produção: a sua direção de fotografia e trilha sonora. Excelente o trabalho de construção visual realizado pela direção de fotografia de David Chizallet, Jingsong Dong e Hung-i Yao, assim como o design de produção de Qiang Liu e a decoração de set de Yonghua Li, Dong Li Wang e Changhua Wu. Todos esses elementos ajudam o diretor Gan Bi a construir esta história. Bastante pontual, mas muito marcante também a trilha sonora de Chih-Yuan Hsu e Giong Lim. Essa trilha nos embala em muitos momentos, reforçando a ideia de mistério e de sonho da produção. Marcante, realmente.

Interessante que quando o protagonista entra no seu grande sonho, que o leva na tal longa jornada pela noite, ele mistura todos os elementos que tem a ver com os seus sentimentos – incluindo culpa, curiosidade e desejo. Não por acaso essa parte da história começa em um mina, justamente o local em que o seu melhor amigo, Wildcat, foi encontrado morto. Depois, claro, ele mergulha nas lembranças da cidade, seus eventos e encontros.

O ator de destaque da produção é Jue Huang, que vive o protagonista atormentado e um tanto delirante Luo Hongwu. Depois, além dele, o grande destaque vai para Wei Tang, que interpreta as duas “paixões” da sua vida, Wan Qiwen e a garota dos sonhos dele, Kaizhen. Vale também comentar o bom trabalho, ainda que em cenas bastante específicas, de Sylvia Chang como a mãe de Wildcat e como a Red-hair Woman; de Hong-Chi Lee em praticamente uma ponta como Wildcat; de Yongzhong Chen também em um único momento do filme como Zuo Hongyuan; de Feiyang Luo como o jovem Wildcat, em uma troca interessante com o protagonista no fundo do túnel da mina; e de Yanmin Bi como a amiga da mãe do protagonista.

Além dos elementos técnicos já comentados, vale comentar a boa edição de Yanan Qin; e os figurinos de Hua Li e Chu-Chen Yeh.

Talvez você se pergunte: “Puxa, mas se o filme tem tantos pontos positivos, por que você deu apenas a nota 8 para ele?”. Long Day’s Journey Into Night é um filme interessante e, principalmente, muito bonito e estiloso. Mas quem me acompanha aqui no blog há tempos sabe que, para mim, não basta um filme ter uma proposta interessante e ser visualmente incrível. A história, o roteiro é o que mais me interessa e, nesse sentido, achei esse filme apenas mediano.

Long Day’s Journey Into Night estreou no dia 15 de maio de 2018 no Festival de Cinema de Cannes. Até abril de 2019, o filme participou, ainda, de outros 22 festivais em diversos países pelo mundo. Nessa trajetória, o filme ganhou cinco prêmios e foi indicado a outros 13. Os prêmios que ele recebeu foram o de Melhor Direção de Fotografia, Melhor Trilha Sonora Original e Melhores Efeitos Sonoros no Festival de Cinema Golden Horse, evento que acontece na cidade de Taipei, em Taiwan; o Special ICS Award conferido pelo International Cinephile Society Awards; e prêmio dado pelo júri estudantil do Tokyo FILMeX.

Agora, vale citar uma curiosidade sobre esta produção. A comercialização de Long Day’s Journey Into Night gerou controvérsia. Isso porque o marketing do filme, lançado no circuito comercial no dia 31 de dezembro de 2018 como “um bom evento para celebrar o Ano-Novo”, foi direcionado para o público em geral, sem deixar claro que esta produção tratava-se de um filme de arte. Isso fez com que muitos internautas criticassem a produção, inclusive chamando ela de “falso artístico”. O filme ganhou US$ 38 milhões no primeiro dia de exibição, mas já no segundo dia a bilheteria da produção caiu em 96%. Sem dúvida alguma que essa produção não é um filme para quem não aprecia outras escolas de cinema. Certamente não vai agradar quem curte apenas Avengers. 😉

Long Day’s Journey Into Night apresenta a nota 7,2 no site IMDb. No Rotten Tomatoes, o filme ganhou 49 críticas positivas e apenas quatro negativas, o que confere para o filme uma aprovação de 92% e uma nota média de 7,92. No site Metacritic, o filme registra um “metascore” 88, fruto de 16 críticas positivas e de uma mediana, além do selo “Metacritic Must-see”.

Essa é apenas a quarta produção lançada pelo diretor Gan Bi. Ele estreou em 2012 com o curta-metragem Jingang Jing e lançou o primeiro longa em 2015, Lu Bian Ye Can – conhecido no mercado internacional como Kaili Blues. Depois, em 2016, ele lançou o curta Mi Mi Jin Yu e, agora, em 2018, esse Long Day’s Journey Into Night. Pelo que eu li sobre Kaili Blues, produção que também misturava passado, presente e futuro, o novo filme do diretor parece ser praticamente uma sequência desse seu primeiro longa. Até o momento, Gan Bi coleciona 16 prêmios no seu currículo – além de outras 24 indicações.

Long Day’s Journey Into Night é uma coprodução da China com a França. Bacana ver a um filme chinês, para variar. Apesar deles não terem um cinema tão tradicional quanto o japonês ou como o francês, mas vale acompanhar o que eles nos trazem daquela latitude. O filme todo é falado em mandarim.

CONCLUSÃO: Um filme muito interessante, especialmente em seu visual e no trabalho dos atores, mas que não apresenta um grande roteiro. Sim, Long Day’s Journey Into Night nos faz pensar sobre as questões que apontei no início dessa crítica, mas a história em si conta a trajetória do protagonista, Luo Hongwu, em busca do próprio passado, do seu amor perdido e da figura da mãe que ele nunca teve. O retorno do protagonista para a cidade na qual ele cresceu abre quase um portal no tempo que o leva a misturar passado e presente, assim como sonhos e desejos.

No final, ele tem o desfecho fantasioso de sua história preferida, mas pouco sabemos sobre o que realmente aconteceu. É um filme bonito, mas um tanto vazio de significado – apesar de nos fazer pensar sobre realidade, sonhos, desejos e como alguém pode viver preso em algo irreal. Apesar de apreciar filmes com pegada artísticas e lentos, achei essa produção um tanto cansativa demais. Vale assistir se você tiver interesse pelo cinema chinês e se estiver com vontade de ver a um filme mais onírico, artístico e que joga bem com a ideia de cinema e sonho.

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Amanda

As crianças têm muito a nos ensinar. Da sua forma singela, meiga e diferente da nossa. Amanda nos conta uma destas histórias de aprendizado. Um filme simples, bastante franco e que nos faz pensar sobre a crueza, a brutalidade, a beleza e a simplicidade da vida. Estas questões que nos passam desapercebidas, muitas vezes, porque estamos correndo mais de um lado para o outro do que observando o que realmente se passa ao nosso redor.

A HISTÓRIA: Algumas árvores, locais vazios e o sinal de uma escola. Os estudantes saem, conversam e se despedem. Aos poucos, todos vão embora, menos Amanda (Isaure Multrier), que fica esperando sozinha alguém. Em outro lugar, David (Vicente Lacoste) comenta que as pessoas que ele estava esperando estão atrasadas. A família acaba chegando, e David os recepciona, levando o grupo até o apartamento onde ficarão hospedados. Na escola, Amanda diz que está esperando que David a busque, e uma das responsáveis pelo local pede para ela entrar. David corre para buscá-la e, mais tarde, receberá uma bronca da irmã, Sandrine (Ophélia Kolb).

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Amanda): O cinema francês é sempre delicioso. Franco, humano, sensível. Amanda é mais um filme no melhor estilo francês. Por isso, vale assisti-lo com atenção e com tempo. Com o cuidado que a própria história oferece.

De forma tranquila, sem “fogos de artifício” ou momentos planejados para fisgar o espectador pela surpresa, Amanda nos apresenta uma história cheia de elementos do nosso tempo. (SPOILER – não continue lendo se você não assistiu ao filme ainda). Para começar, a constituição da família que temos no centro da história e a vida de seus personagens. Amanda é filha de uma mãe solteira. A relação dela com a mãe é maravilhosa, mas Sandrine, ainda jovem, não deixa de “curtir a vida” e de buscar o amor.

Apesar disso, não existe a presença masculina de forma visível na vida da mãe ou da filha. A presença masculina na vida de Amanda é do tio, que ela não chama de tio, mas de irmão da mãe. Aliás, eles tem uma relação interessante a esse respeito. Quando os irmãos falam dos pais, geralmente citam eles como referência da outra pessoa também. Um exemplo: quando David fala da mãe dele, cita Alison (Greta Stacchi) como a mãe de Sandrine. Volta e meia os próprios irmãos se chamam pelo nome, assim como Amanda os chama pelo nome. Interessante.

Ainda que esta forma de se referirem uns aos outros pareça um tanto impessoal, David, Sandrine e Amanda tem uma relação muito próxima e afetuosa. Os irmãos claramente cresceram juntos e se mantém unidos apesar das diferenças de gênio ou de vida que possam ter. Acompanhamos eles pela cidade, especialmente David – que é o narrador desta história. Os irmãos circulam por Paris de bicicleta, então temos muitas chances de ver a bela cidade durante esta produção – aliás, esta é uma das qualidades do filme.

Outra qualidade é a forma honesta e simples de conduzir esta história do diretor Mikhaël Hers. Ele é também o roteirista do filme, juntamente com Maud Ameline. Ambos conduzem o roteiro de forma franca, honesta e simples. Assim, nem parece que estamos vendo a uma ficção na nossa frente, e sim quase um documentário. Tudo é contado sob a ótica de David, que é surpreendido pelos fatos como se nós mesmos estivéssemos envolvidos por aquelas situações.

O personagem de David também nos fornece alguns elementos interessantes da vida típica dos nossos dias. Aos 24 anos, o jovem não tem exatamente uma vida segura. Como tantos outros jovens europeus – e de outras partes do mundo – ele não tem um emprego fixo. David vive em um apartamento que não é seu em troca de seu trabalho de administrar um prédio para o seu proprietário. Assim, ele tem que se desdobrar para receber hóspedes e inquilinos e, em troca deste trabalho, ele tem um local para morar.

Algumas vezes, quando é necessário, ele também trabalha para a prefeitura podando árvores. Mas esse trabalho não é regular, então não é algo com o que ele possa contar no seu dia a dia. Além disso, ele vive o seu cotidiano próximo da irmã e da sobrinha e saindo com os amigos. Uma vida bastante normal, por assim dizer, até que um fato chocante acontece e muda as suas perspectivas.

(SPOILER – não leia… bem, você já sabe). Em um dia de folga, Sandrine marca de fazer um encontro com amigos em um parque da cidade e, justamente naquele local e naquele dia, ocorre um ataque terrorista. Ela e várias outras pessoas são mortas, e isso muda a vida de Amanda, de David e de vários outros. Eis outro tema bastante contemporâneo. A partir deste momento, vemos como um ato terrorista tem um efeito devastador e marcante na vida de pessoas comuns.

Muito interessante e potente a forma com que este filme nos mostra o “day after” da tragédia. A cidade está bastante vazia, alguns locais estão fechados para visitação turística mas, no demais, tudo parece seguir “normal”. E isso é o que Amanda nos mostra com muita franqueza. Enquanto a vida de algumas pessoas muda radicalmente, como a da própria Amanda, que nunca mais terá a mãe por perto e não sabe bem com quem ela seguirá vivendo, para a cidade e seus habitantes a vida continua praticamente igual.

Isso nos mostra a particularidade dos acontecimentos. No nosso microcosmo particular, tudo pode mudar, enquanto no resto do mundo, do país, da cidade e até da sua rua tudo pode continuar praticamente igual. Chama a atenção, nesse filme, como muitas vezes os locais estão vazios. Seria uma reflexão sobre a vida normal na cidade extremamente turística de Paris ou uma forma do diretor simbolizar para o vazio das cidades e como a vida realmente acontece no interior das famílias?

Independente da resposta que esta produção desperte em você, algo é fato: Amanda nos mostra como a vida continua e como é sempre possível sorrir e ser grato à vida como a menina que dá nome a este filme nos ensina. Na sua inocência, delicadeza e franqueza, Amanda acaba não falando da mãe que perdeu e de tudo que mudou na sua vida, mas sempre tem um sorriso para dar ao cumprimentar uma pessoa. Ela está aberta ao que lhe acontece e segue adiante, mesmo sem saber todas as respostas. Inspirador, não é mesmo?

Quem dera que a gente preservasse esse olhar de Amanda por grande parte da nossa vida. Quando viramos adultos, temos muitas responsabilidades, contas para pagar, tarefas que fazer… e nos esquecemos de algumas das emoções e dos olhares mais importantes. Esse filme nos ensina que sim, é importante amadurecer (vide David e suas escolhas), mas que é fundamental também preservar o olhar e os sentimentos de quando éramos crianças (vide Amanda).

A vida acontece enquanto fazemos planos… quanto antes nos damos conta disso, menos acreditaremos na ilusão de que temos tudo sob o nosso controle. Importante sim fazer planos, sonhar, buscar realizar esses planos e sonhos, mas é preciso saber que muito pode acontecer no caminho e que precisamos nos adaptar às mudanças. Como Darwin já nos ensinou há muito tempo, sobrevivem os que conseguem se adaptar. Amanda nos conta muito bem sobre isso, de forma franca, sincera e direta. Um belo filme.

NOTA: 8,3.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Um filme com poucos personagens no centro da trama e atores muito competentes em cena. A produção dirigida com delicadeza e atenção aos detalhes por Mikhaël Hers nos mostra, mais uma vez, que não é preciso pirotecnia ou muitos personagens para contar uma bela história. Se você quer se aproximar das pessoas, dos seus sentimentos e de sua vida, não pode olhar para muitos lados ao mesmo tempo, mas manter o foco em uma ou duas pessoas por vez. Esse olhar atento e próximo faz parte do DNA de Amanda.

Gostei da direção de Mikhaël Hers e do roteiro que ele escreveu junto com Maud Ameline. Eles conseguiram um texto e uma condução muito verdadeiros, como se estivessem acompanhando uma história real e capturando os seus fatos. Um trabalho como este não pode ser feito “sob encomenda” ou de forma paralela a vários outros roteiros. Certamente eles se debruçaram nesta história e a lapidaram até que ela tivesse o tom verdadeiro que vemos em cena. Um presente para quem gosta de uma boa história e simpatiza com o cinema francês.

Como comentei antes, Amanda é focado em poucos personagens. Assim, impossível escapar de um belo trabalho como intérprete. Grande parte do filme está focado em David e Amanda. Assim, sem dúvida alguma, os atores Vincent Lacoste e Isaure Multrier são o destaque da produção. Especialmente a menina, que é realmente encantadora e que garante muita legitimidade para a produção. Lacoste também se sai muito bem nisso.

Além dos dois, merecem destaque, neste comentário, os atores Stacy Martin, que interpreta a Léna, uma inquilina que é recepcionada por David e que acaba se relacionando com ele; Ophélia Kolb como Sandrine Sorel, uma atriz também inspirada e que, infelizmente, por causa da história, acaba aparecendo menos em cena do que gostaríamos; Marianne Basler como Maud Sorel, tia de David; Jonathan Cohen como Axel, amigo de David que também é atingido no parque; Nabiha Akkari como Raja, companheira de Axel; Greta Scacchi como Alison, mãe de David e Sandrine.

Fazem pontas na produção os atores Bakary Sangaré, diretor do orfanato/casa de abrigo que é visitado por David; Claire Tran como Lydia, amiga de David e de Sandrine que volta para Paris sem saber do que aconteceu; Elli Medeiros como Eve, mãe de Léna; Zoé Bruenau como a assistente social que orienta David após a perda da irmã; e Lily Bensliman como a repórter que tenta fazer uma reportagem sobre o perfil das vítimas e encontra David em um café.

A história de Léna e de David tem o seu toque de complicação. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Vejamos. Léna só estava no parque porque conheceu David e porque ele a convidou para estar na confraternização com a irmã. Assim, ela quase morreu por ter conhecido ele, indiretamente. Abalada com o atentado – e como não estar? – ela acaba voltando para a casa da mãe. Percebe-se que ela não sabe lidar muito bem com o que aconteceu e com a relação que tem com David. Mas como o tempo ajuda a curar tudo e como David procura por ela, eles voltam a se reaproximar. Gostei da forma com que a história deles foi conduzida.

Entre os elementos técnicos da produção, destaque para a sensível e bastante presente trilha sonora de Anton Sanko, para a direção de fotografia de Sébastien Buchmann e para a edição de Marion Monnier. Também vale comentar o design de produção de Charlotte de Cadeville e os figurinos de Caroline Spieth.

Amanda estreou em agosto de 2018 no Festival de Cinema de Veneza. Depois, o filme participou de festivais em Bordeaux, Tokyo, no Canadá e na Polônia. Em sua trajetória, Amanda ganhou três prêmios e foi indicado a outros sete. Os prêmios que recebeu foram o de Melhor Filme e Melhor Roteiro no Festival Internacional de Cinema de Tokyo e o Magic Lantern Award no Festival de Cinema de Veneza.

O diretor francês Mikhaël Hers estreou na direção em 2006 com o curta Charell. Depois, ele dirigiu mais dois curtas antes de estrear na direção de longas com Memory Lane, em 2010. Antes de Amanda, ele dirigiu a outro longa, Ce Sentiment de L’Été, lançado em 2015. Pelos outros longas, ele foi indicado a prêmios, mas os primeiros prêmios que recebeu foram dados por seu trabalho com Amanda. Um diretor jovem, de 44 anos, que merece ser acompanhado. Pode render ainda belas produções.

Os usuários do site IMDb deram a nota 7,1 para esta produção, enquanto que os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram oito críticas positivas. Como não há críticas negativas no site, Amanda conseguiu, por enquanto, uma aprovação de 100% no Rotten Tomatoes – e uma nota média de 6,75.

Amanda é um filme 100% francês.

CONCLUSÃO: Um filme que nem parece uma produção de cinema. Amanda lembra mais a um documentário, apesar de ser uma obra de ficção. Mérito, especialmente, dos roteiristas e do diretor Mikhaël Hers, que contam essa história com muita franqueza e com um olhar cuidadoso e sem pressa. A história é forte e faz pensar. Sobre a vida, a morte, a família, a necessidade que todos nós temos de nos adaptarmos e de seguirmos adiantes. Um filme singelo mas muito bacana e sensível. Um trabalho muito bem conduzido por todos, com destaque para os atores principais. Mais um belo exemplar do sempre diferenciado cinema francês. Vale ser visto.

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Avengers: Endgame – Vingadores: Ultimato

A saga foi longa e os fãs da grife Marvel nos cinemas estavam sedentos. Avengers: Endgame veio para fechar um ciclo e colocar um pingo final em uma trajetória que pedia por isso. Mas o filme é excepcional? Destes que serão citados por você quando fores indicar um filme para alguém? Bem, eu diria que Avengers: Endgame cumpre o seu papel, mas não vai além disso. A história é um bocado previsível, mas o filme entrega o que promete. Há sequências incríveis, há momentos engraçados e um pouco emocionantes e, claro, efeitos especiais e visuais excelentes. Mas é isso. Nada fora do normal ou do que você já estava esperando.

A HISTÓRIA: Lila Barton (Ava Russo) está aprendendo com o pai, Clint Barton (Jeremy Renner), mais conhecido como Gavião Arqueiro, como aperfeiçoar os seus disparos de arco e flecha. O local em que eles estão é tranquilo e paradisíaco. A família Barton está vivenciando um dia tranquilo, com a esposa de Clint, Laura (Linda Cardellini) preocupada em saber quem vai querer maionese, mostarda ou ketchup no hot dog. Tudo parece perfeito, até que Lila e os demais, menos Clint, desaparecem.

Em uma nave sem condições de retornar para a Terra, Tony Stark (Robert Downey Jr.), mais conhecido como Homem de Ferro, grava mais uma mensagem para a sua amada Pepper Potts (Gwyneth Paltrow). Ele sobreviveu aos fatos ocorridos com Thanos (Josh Brolin) com ajuda de uma das “filhas” do vilão, Nebulosa (Karen Gillan). Como ele conta, se passaram 22 dias desde que Thanos ganhou a batalha e destruiu metade da vida na Terra. Agora, Stark espera o oxigênio da nave acabar e a vida dele terminar, consequentemente. Mas aí aparece em cena Carol Danvers (Brie Larson), mais conhecida como Capitã Marvel, que resgata o Homem de Ferro. A partir daí, vamos acompanhar a busca dos Vingadores por reparar o mal que foi feito por Thanos.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Avengers: Endgame): Quando eu vi que esse filme tinha três horas de duração, eu pensei: “Puxa, eles terão fatos para contar!”. Claro que mais que uma história rica e cheia de detalhes interessantes o que temos em cena é um roteiro planejado com esmero para agradar aos fãs do Universo Marvel. Assim, temos sim o reencontro de diversos personagens queridos pelo público com os seus passados e, porque não dizer, com um vislumbre do que seriam os seus futuros.

O tempo é algo interessante nesta produção. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Não apenas porque contamos com uma viagem no tempo durante a história, com personagens como Tony Stark e Steve Rogers (Chris Evans) revendo os seus próprios passados e tendo reencontros emocionantes com pessoas que eles tiveram que deixar para trás, mas também porque algumas histórias nos fazem refletir sobre como construímos o nosso futuro.

A parte boa do filme é quando o roteiro de Christopher Markus e Stephen McFeely, baseados nos HQs criados por Stan Lee, Jack Kirby e Jim Starlin, exploram os aspectos mais pessoais dos personagens. Seja pela sequência inicial, que é visualmente muito bem construída e emocionalmente marcante, do Gavião Arqueiro vendo tudo que ele ama desaparecer na frente dos seus olhos, seja depois, no “futuro”, quando Tony Stark está com uma família constituída, esses momentos de proximidade com os atores são o ponto forte da produção, a meu ver.

Gosto sempre que um filme se aproxima dos personagens, de suas escolhas e sentimentos. Acho que as histórias de HQ transportadas para a telona funcionam muito bem quando buscam essa profundidade maior dos personagens – vide Logan (comentado aqui) e Black Panther (com crítica neste link). Quando Avengers: Endgame investe nesta proximidade com os personagens, o filme ganha em sentimento. Mas claro não é apenas isso que o público espera e nem é só disso que o filme é feito.

As grandes cenas de batalha precisam existir, e elas são feitas com esmero. Ainda assim, há pouca surpresa quando a batalha acontece. Mas antes de falar deste ponto do filme, vamos voltar um pouco para o desenvolvimento da história dirigida por Anthony Russo e Joe Russo.

As escolhas sobre a narrativa até que foram interessantes. Afinal, quem poderia esperar que logo aniquilariam Thanos? Quando Thor (Chris Hemsworth) acaba com o vilão, após ele ter destruídos as Joias do Infinito (apresentadas no filme anterior, comentado aqui), que poderiam, em tese, retornar com as vidas perdidas, o que poderia seguir na produção?

Bem, como o filme estava no início, certamente teríamos uma reviravolta na história. Quem assistiu a Ant-Man and the Wasp (com crítica neste link), logo relacionou A com B e sabia que a solução para o problema viria através da descoberta de Scott Lang (Paul Rudd), conhecido como Homem-Formiga. Ou seja, não demora muito para você matar praticamente toda a charada de Avengers: Endgame. Isso é bom para o filme? Definitivamente não.

Mas beleza, o que nos resta quando não somos surpreendidos pela história? Nos resta curtir os encontros e reencontros dos personagens, ver aquela constelação de estrelar surgir na nossa frente e, claro, nos divertirmos com as piadinhas, com algumas tiradas boas, sequências emocionantes e com os efeitos visuais e especiais sem fim que aparecem em cena. Por tudo isso, Avengers: Endgame é exatamente o que se esperava dele: um grande entretenimento.

Os fãs, acredito, em geral, vão amar. Afinal, o filme apresenta todos os elementos que já esperamos, naturalmente, de filmes da Marvel. Mas para mim, que sou fã das HQs, dos personagens e dos filmes da Marvel – especialmente dos melhores -, mas, especialmente, sou fã do bom cinema, Avengers: Endgame deixou um pouco a desejar. Especialmente pelo roteiro, que me pareceu estrategicamente medido para agradar aos fãs da Marvel e não necessariamente feito para agradar aos fãs do cinema.

O fato do roteiro ser bastante previsível tira um pouco da graça do filme para mim. Mas no demais, claro, Avengers: Endgame é maravilhoso. Sempre bacana ver tantos atores bons juntos, assim como nos aproximarmos destes heróis depois que eles foram “derrotados”.

O grupo, então, se divide essencialmente em duas partes: em figuras como o Capitão América e Natasha Romanoff (Scarlett Johansson), conhecida como Viúva Negra, que, apesar de não negarem o luto, tentam seguir a vida buscando ajudar uns aos outros; e, de outro lado, em figuras como Thor e Gavião Arqueiro, que se enchem de desesperança, de bebida ou de ânsia assassina, respectivamente, e que não conseguem ver um horizonte pela frente.

Nesse aspecto o filme é interessante. Ao nos lembrar que mesmo os heróis são diferentes e agem de maneira diversa quando perdem tudo. Avengers: Endgame os humaniza de uma forma mais ampla, apesar de não ter tempo de se aprofundar muito na história e nos sentimentos de ninguém – afinal, é um grupo grande para retratar. No geral, contudo, Avengers: Endgame se apresenta um filme com tempo adequado, bom desenvolvimento de personagens, ótimas cenas de ação e de batalha e alguns acontecimentos feitos sob medida para emocionar os fãs.

Tenho certeza que a despedida de alguns personagens que, aparentemente, partiram para sempre, e alguma passagem de “bastão” entre personagens mexeu com os espectadores. É fato que em certos momentos, como aconteceu antes com Logan, alguns personagens precisam se despedir do público. Faz parte.

Quem sabe eles não ensinem, desta forma, os jovens a entenderem um pouco mais sobre a finitude da vida? Porque por mais que os super-heróis estejam aí para nos inspirar e nos fazer pensar, a maioria deles é mortal. Que graça teria se eles não fossem assim?

O único problema de Avengers: Endgame, a meu ver, e infelizmente esse não é um problema pequeno, é que sua narrativa é bastante previsível. Dá para você matar a maioria das charadas bem cedo na história. Ainda que ser surpreendido não é algo fundamental, e sim é mais importante ser coerente, agradecemos quando ao menos um pouco de surpresa acontece em cena. Mas Avengers: Endgame não tem espaço para isso. Uma pena. Ele poderia ser melhor se tivesse procurado ousar um pouco mais.

NOTA: 8,5.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Não vou mentir para vocês. Eu não assisti a toooodos os filmes da Marvel lançados até agora. Perdi um aqui, outro acolá, mas, me parece, assistindo a esse filme de “arremate” de todas as produções lançadas até agora e que faz um divisor de águas entre o que passou e o que virá no Universo Marvel, acho que não perdi nada de importante ou realmente fundamental. Menos mal. 😉

Em outros textos sobre filmes da Marvel eu já comentei sobre o meu apreço pelas HQs. Quando era criança e adolescente, eu lia muuuitos HQs – 90% das vezes, da Marvel. Da DC Comics, basicamente, me interessava as histórias do Batman – mas algumas, não todas. Assim, gosto sim de ver os filmes com essa galera em cena, ainda que nem sempre eles me pareçam tão fascinantes quanto as HQs eram para mim no passado – hoje, só continuo lendo mais The Walking Dead em HQ. Claro que, na fase adulta, li a outros quadrinhos, geralmente obras mais densas do que os filmes da Marvel. 😉

Impossível falar do elenco inteiro de Avengers: Endgame que tem algum destaque na produção. Ainda assim, inevitável falar do excelente trabalho do elenco principal, formado por figuras que já se conhecem e trabalham há muitos anos juntas, como Robert Downey Jr., Chris Evans, Mark Ruffalo, Chris Hemsworth, Jeremy Renner, Scarlett Johansson e Paul Rudd. Eles são os personagens que tem mais relevância nessa história.

Além deles, como “segundo time” que aparece bem no filme, estão Don Cheadle, Brie Larson, Karen Gillan, Elizabeth Olsen, Zoe Saldana, Rocket (com voz de Bradley Cooper), Gwyneth Paltrow, Josh Brolin e Chadwick Boseman. Aparecem menos, mas com relevância na história, Benedict Cumberbatch, Tom Holland, Evangeline Lilly, Anthony Mackie, Sebastian Stan, Tom Hiddleston, Danai Gurira, Benedict Wong, Letitia Wright, John Slattery, Tilda Swinton, Jon Favreau, Michael Douglas, Michelle Pfeiffer, Sean Gunn, Hiroyuki Sanada, Robert Redford, Chris Pratt, Lexi Rabe (como Morgan Stark). Além desse povo todo, temos ainda Stan Lee em sua última aparição como motorista de um carro. Esse é o verdadeiro herói desta história toda. 😉

Avengers: Endgame estreou no dia 22 de abril em uma première em Los Angeles. No dia 24 de abril o filme estreou em 30 países em diversos continentes. No Brasil, ele estreou no dia 25 de abril. Como esperado, o filme é um arrasa-quarteirão. A produção, que teria custado cerca de US$ 356 milhões, faturou, até o dia 5 de maio, cerca de US$ 619,7 milhões apenas nos Estados Unidos – e outros US$ 1,57 bilhão nos outros países em que o filme já estreou.

Ou seja, teria faturado algo em torno de US$ 2,2 bilhões até o dia 5 de maio. Isso já coloca o filme como a segunda maior bilheteria do cinema da história – atrás apenas de Avatar, segundo o site Box Office Mojo. Mas, pelo que tudo indica, será fácil do filme que fecha a saga da Marvel dos Vingadores passar para o primeiro lugar. Devastador.

Os usuários do site IMDb amaram o filme. Hahahaha. Prova disso é que Avengers: Endgame ostenta a impressionante nota de 8,9 no site. Os críticos que tem os seus textos linkados no site Rotten Tomatoes dedicaram 412 críticas positivas e 22 negativas para a produção, o que lhe garante uma aprovação de 95% e uma nota média de 8,29. Nota bastante alta para o padrão do site também. O site Metacritic apresenta um “metascore” 78 para o filme, fruto de 52 críticas positivas, de três medianas e de uma negativa.

Até o momento Avengers: Endgame não recebeu nenhum prêmio. Mas não vou ficar admirada se ele ganhar alguns no futuro – talvez até alguns técnicos no Oscar? Aliás, entre os aspectos técnicos do filme, vale destacar o excelente trabalho das equipes envolvidas nos Efeitos Visuais, nos Efeitos Especiais e na Maquiagem e Cabelo; assim como a dupla responsável pela edição, Jeffrey Ford e Matthew Schmidt; e o diretor de fotografia Trent Opaloch. A exemplo do roteiro e da direção, que achei um bocado previsíveis, achei o mesmo da trilha sonora de Alan Silvestri. Além deles, vale citar o bom trabalho de John Plas e de Charles Wood no Design de Produção; de Leslie Pope na Decoração de Set; e de Judianna Makovsky nos Figurinos.

Avengers: Endgame é um filme 100% dos Estados Unidos. Por causa disso, essa crítica acaba entrando na lista de textos que atendem a uma votação feita há tempos aqui no blog.

CONCLUSÃO: Meio que a conclusão sobre esse filme eu já apresentei na introdução, não é mesmo? 😉 Mas é exatamente aquilo o que eu penso. Avengers: Endgame é um belo entretenimento. O filme é bem conduzido, envolvente, tem ótimos atores em cena. Mas a história, em si, não é nada surpreendente. Ok, a questão Thanos ter sido “resolvida” logo no início da produção surpreendeu um pouquinho. Mas o que vemos depois, não foi tão surpreendente assim. Basta lembrar bem do filme anterior e de outras produções próximas para saber em que toada o filme deveria seguir. Ainda assim, vale o ingresso. Especialmente para quem acompanhou a saga até aqui.