10 anos do Crítica (non)Sense – O meu muito obrigado!

Olá meus bons amigos e amigas do blog Crítica (non)Sense da 7Arte!

Impossível ignorar a data de hoje, dia 28 de agosto de 2017.

Então eu vou pedir licença para vocês para, desta vez, não falar de um filme qualquer que eu assisti no cinema ou em casa. Vou falar sim sobre como este espaço chegou a sua primeira década de vida.

Há exatos 10 anos eu começava este espaço. A ideia era falar sobre cinema e compartilhar impressões com vocês. Receber críticas, sugestões, trocar ideias sobre filmes.

Naquela época, claro, eu não imaginava que este espaço chegaria tão longe. Nestes 10 anos, não foram poucas as vezes em que eu pensei em parar de escrever por aqui. Principalmente nos momentos em que o trabalho me consumia muitas energias e tempo…

Mas eu persisti. E muito – ou especialmente – por causa de vocês. Sei que este espaço têm a honra de ter alguns leitores fieis e que me acompanham há muito tempo. Sou especialmente grata a vocês. Assim como agradeço a cada novo visitante que me honra com a sua navegada nestas páginas.

Todos vocês são mais que bem-vindos(as). Saibam que é por vocês que este espaço continua sendo alimentado, mesmo com algumas temporadas de tempo escasso e de outras responsabilidades menos divertidas do que o prazer que eu tenho (e sempre tive) de falar sobre cinema.

Eu só tenho a agradecer pela visita esporádica ou costumeira que vocês costumam fazer por aqui. Muito, muito obrigada!

Não sei por quanto tempo este blog vai funcionar, mas eu espero, sinceramente, que ele ainda tenha uma vida longa. Aproveito também para pedir desculpas por alguns períodos sem novos posts e por estar com as respostas dos comentários de vocês tão atrasada… mas um dia eu coloco a nossa conversa em dia, eu prometo!

Vale também registrar, nestes 10 anos do Crítica (non)Sense da 7Arte, alguns números conquistados até este momento. Por aqui foram publicados 638 posts (este aqui é o de número 639) e o blog recebeu 1,86 milhão de visualizações de 795 mil visitantes.

Tenho a satisfação de ter 279 seguidores do blog pelo WordPress, 209 pessoas cadastradas para receber as novidades por e-mail e 396 pessoas que curtiram a página do blog no Facebook. Sem contar as pessoas que têm acessos aos posts através da minhas contas pessoais no Facebook, no Twitter e no Google+.

Novamente, o meu muito, muito obrigado por vocês fazerem parte desta história. E aguardo algumas sugestões de vocês sobre como podemos comemorar estes 10 anos do blog juntos. 😉

Um dos fieis leitores que ajudou a apoiar o blog há algum tempo foi sorteado e vai ganhar um presentinho do Crítica (non)Sense logo mais, mas eu aceito sugestões para nós todos celebrarmos de alguma forma.

Bem, por enquanto era isso que eu queria comentar. A partir do próximo post, volto a falar sobre filmes e o cinema que tanto amamos. Abraços apertados e beijos grandes em todo(as)! Vocês fazem este espaço ser especial. 😉

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The Wall – Na Mira do Atirador

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Existem filmes que você não deve assistir se estiver cansado(a) e/ou com sono. Este é um grande exemplar deste tipo de filme. Realmente não tente assistir a The Wall se você não estiver bem descansado(a) e desperto(a). E sim, recomendo isso porque este é um filme com pouca ação. Essa constatação pode parecer estranha, por se tratar de um filme de guerra, mas The Wall é tudo menos uma produção tradicional do gênero. Um tanto angustiante, um tanto maçante, The Wall nos faz pensar sobre as razões de um conflito e sobre o que parece ser um problema sem fim envolvendo o Oriente Médio. É interessante, mas está longe de ser um dos melhores ou mais interessantes do gênero.

A HISTÓRIA: Se passa no final de 2007, quando a Guerra do Iraque está na reta final. O presidente americano Bush declarou vitória e as operações de reconstrução do país já começaram. O alvo de um soldado examina um muro. O companheiro dele diz que não há mais nada, que quem disparou em quem eles estão examinando de longe já foi embora. Ele pergunta para o companheiro, Ize (Aaron Taylor-Johnson) há quanto tempo eles estão ali, no Iraque. Ize responde para o sargento Matthews (John Cena) que já fazem 20 meses. Ele acredita que um iraquiano profissional atingiu aqueles alvos: seis funcionários de uma empresa e dois seguranças. Matthews e Ize acreditam que o inimigo pode estar atrás de um muro.

Enquanto Matthews acredita que o perigo já passou, Ize afirma que o inimigo pode ser um profissional. Uma outra possibilidade é que o ataque tenha sido feito não por uma pessoa, mas por um grupo. Querendo sair logo dali, já que eles receberam a informação que a guerra acabou, Matthews decide descer da posição em que eles estão para conferir de perto como o ataque foi feito. Quando chega ao local ele percebe que todos foram mortos com tiros na cabeça. Logo ele também é atacado, e Ize tenta socorrer o companheiro, mas as alternativas para os dois são bastante complicadas.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a The Wall): Este não é um filme fácil. Em qualquer sentido. Primeiro, ele é bastante “lento” e sem ação. Bem diferente do que podemos esperar, normalmente, de um filme sobre guerra. Mas por isso mesmo The Wall se mostra, ao menos, uma produção diferenciada. No lugar de diversas cenas de ação, explosões, conflito e de muitos personagens sobre os quais praticamente ficamos sabendo nada, em The Wall temos nada menos que três personagens em cena durante o filme inteiro.

A figura central da produção acaba sendo o personagem Isaac, chamado também de Ize, interpretado com maestria por Aaron Taylor-Johnson. A câmera do diretor Doug Liman está nele praticamente o tempo todo. As ações de Ize é o que ditam o ritmo – ou a falta de ritmo – de The Wall. Ele trabalha em conjunto com o sargento Matthews, o segundo mais importante em cena. E há, claro, o personagem “oculto”, tão importante quanto Ize, mas que não aparece – falo do iraquiano que atira nos soldados e que está sempre à espreita para um próximo disparo certeiro.

Esse inimigo não aparece, mas a voz dele que Ize ouve – e nós, por consequência – é do ator Laith Nakli. Então o filme está centrado, 99% do tempo, neste três personagens. A relação entre eles é de conflito e de expectativa pela morte. Todos querem sobreviver, e não existe espaço para misericórdia. Assim, sem grandes cenas de ação, mas com uma longa expectativa para que algo aconteça – um resgate, um milagre ou o tiro fatal -, The Wall nos fala sobre alguns aspectos da guerra que o cinema não costuma retratar, mas que são muito reais.

O filme dirigido por Doug Liman e escrito por Dwain Worrell fala sobre como a guerra é cruel e solitária durante grande parte do tempo. Especialmente em fases do conflito como o que vemos em cena, quando as grandes operações já passaram e os soldados que sobraram tentam resolver problemas pontuais. Nestes casos, o conflito fica praticamente “mano-a-mano”, e a morte e o risco fazem parte do cotidiano dos homens que não têm nenhuma perspectiva de voltarem a ter uma vida normal novamente.

Em The Wall, chama muito a atenção diversos diálogos entre o “sniper” iraquiano e o soldado que ele não matou logo de cara para conseguir mais informações dele. Apenas com o tempo vamos entender porque um franco-atirador que matou a tantos com um tiro na cabeça não matou logo de cara Matthews e Ize. Certamente aquela tentativa quase kamikaze de Ize de ajudar Matthews seria facilmente aniquilada pelo matador profissional iraquiano. Então por que ele não fez isso?

(SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Apenas bem perto do final é que Ize vai descobrir e, nós também, que o inimigo é um matador em série muito, muito estratégico. Ele utiliza a comunicação dos soldados americanos para atrair cada vez mais vítimas. Este foi o caso de Ize e de Matthews. Ele utilizou um rádio para pedir um pedido de socorro falso e atrair eles para uma armadilha. E ele não mata Ize e Matthews logo de cara para conseguir mais informações deles, especialmente de Ize.

No início, achamos que o iraquiano está querendo conhecer melhor a sua vítima. Temos a impressão que ele, a exemplo dos soldados americanos, está ali para cumprir um “dever” e que, por ter um cotidiano muito solitário, ele resolve dar uma “sobrevida” para Ize para que ele tenha com quem conversar. Conforme a história avança, e especialmente no final, percebemos que ele poderia ter atirado na cabeça de Matthews e de Ize com muita facilidade. Mas ele não faz isso, diferente do que pensávamos no início, não para ter com quem conversar ou para conhecer melhor as suas vítimas, mas para ter mais informações delas que o ajudariam nas próximas estratégias de atração dos inimigos.

E este é um ponto especialmente interessante do filme. O roteiro de Worrell vai, pouco a pouco, revelando mais sobre este inimigo iraquiano. Enquanto Ize tenta defender a visão dos americanos dizendo que a guerra acabou e que o franco-atirador matou pessoas que estavam ali “apenas” para ajudar na reconstrução do país, o iraquiano mostra um ponto de vista muito diferente. Essa ótica é especialmente importante hoje, 10 anos após a história de The Wall se passar. Ize se esconde atrás do muro que fazia parte da propriedade de uma escola. Não sabemos os detalhes do que ocorreu por ali, mas podemos imaginar que um ataque “cirúrgico” dos americanos acabou com aquela escola e com diversos inocentes.

Então, como bem diz o franco-atirador iraquiano, a guerra não acabou. Pessoas como ele, que foram muito bem treinadas – possivelmente pelos americanos, quando era do interesse dos Estados Unidos treinar iraquianos para que eles fizessem o “trabalho sujo” em outra época -, querem vingança. Querem dar o troco para os americanos e todas as nações que ajudaram eles a invadir o seu país e a provocar tanto estrago e tanto atraso. E é isso que nós vemos hoje nos ataques terroristas em diversos países pelo mundo. A resposta cheia de ódio de pessoas que foram preparadas de alguma forma pelos próprios americanos em seus jogos de poder e de busca por riqueza.

Com tudo isso, não quero dizer que os ataques terroristas se justificam. Diferente do que iraquiano que aparece no filme comenta, não acredito na ideologia “olho por olho, dente por dente”. Isto faz parte de um Velho Testamente que foi superado por outra visão de Justiça e de Deus trazida por Jesus. O problema é que nem todos entenderam esta mensagem ou acreditam nela. E aí temos a realidade cruel e desumana que vamos por aí. Infelizmente. Sou da opinião que nada justifica a violência, e que existem outras maneiras de resolver os nossos conflitos e de buscar a justiça.

Mas o ciclo da violência para quem acredita nela como saída para os problemas parece ser interminável. The Wall nos apresenta, de forma bastante interessante, um bocado sobre isso. Sem muita ação, mas com um bocado de reflexão, este filme da dupla Liman e Worrell mostra com clareza e sem pender a “torcida” para um lado da balança, duas visões opostas sobre a Guerra do Iraque – análise esta que vale para vários outros conflitos no Oriente Médio.

(SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Algo que eu achei interessante nesta produção é que ela não apenas mostra com sinceridade alguns dos aspectos pouco mostrados pelo cinema sobre a guerra, como ele também não cai no lugar-comum de um “final feliz” para os americanos. Muito pelo contrário. Naquela situação mostrada pelo roteiro, assim como em várias outras da vida real, os inimigos dos americanos levaram a melhor. Mas o cinema normalmente não mostra isso.

É bom, para variar, um filme de guerra mostrar estes aspectos tão comuns nos conflitos e tão pouco abordados por Hollywood. Apesar de ser muito lento e um bocado cansativo, The Wall se revela, desta forma, acima da média da maioria de produções recentes deste gênero. É um filme interessante pelos diálogos e pelas cenas que nos ajudam a sentir quase na “pele” o que os soldados viveram na reta final do conflito no Iraque. O grande desafio é conseguir manter-se acordado até o final. 😉

The Wall é uma produção 100% dos Estados Unidos, por isso este filme atende a uma votação feita há tempos aqui no blog e passa a figurar na lista que atende a estes pedidos feitos por vocês, meus queridos e caros leitores. 😉

Esta é a última crítica antes do blog completar 10 anos. Só tenho a agradecer por cada um de vocês que passaram por aqui neste período. E agradeço, em especial, a todos que me acompanham há vários anos. Mantive este espaço por causa de vocês! Sei que estou devendo várias respostas a mensagens que vocês, meus bons leitores, deixaram aqui nestes anos todos. Mas um dia, eu prometo, vou conseguir colocar a nossa conversa em dia. Muito, muito obrigado a cada um de vocês! E vida longa – enquanto eu conseguir – para este espaço. Beijos e abraços grandes em cada um(a)! E até a próxima crítica. 😉

NOTA: 8,5.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: O roteiro de Dwain Worrell é simples, mas muito bem planejado. Tudo o que acontece em cena faz sentido e se parece com o que soldados realmente fariam naquelas situações. Os diálogos são precisos, assim como a ação. O filme, apesar de bastante lento, tem o ritmo exato que uma intervenção militar como aquela teria – por isso o filme nos lembra um pouco o tom de um documentário.

Não sabemos exatamente quantas horas se passam desde o início da história e até o final, porque o protagonista “apaga” algumas vezes, mas a espera dele por um resgate, pela morte ou por um milagre é angustiante e nos prende a atenção, apesar da falta de “ação” neste filme. Ize passa por momentos de solidão, de angústia, de desânimo e por rompantes de “renovada energia” que o fazem buscar uma saída para aquela situação-limite. Uma narrativa competente tanto do roteirista quanto do diretor. Um bom trabalho.

O destaque desta produção, em termos de atuação, é sem dúvida alguma Aaron Taylor-Johnson. O ator tem o filme para si. E faz um belo trabalho. Sem dúvida alguma ele se credenciou para estrelar outras produções interessantes a partir do que ele apresentou neste The Wall.

Da parte técnica do filme, sem dúvida, o destaque é a direção de Doug Liman. Ele procura sempre estar próximo de seus atores, com diversas cenas de close e de câmera muito próxima de “pequenas ações” que eles fazem. Lembrando que durante grande parte do filme temos um protagonista deitado ou sentado no chão, se arrastando, então tecnicamente é um desafio fazer uma produção interessante com variações de câmera sobre espaços tão limitados. Um belo trabalho de Liman, que tem uma longa carreira como produtor e 23 trabalhos como diretor – incluindo curtas, longas e séries para a TV. A estreia dele foi feita em 1994, com Getting In. Liman ganhou dois prêmios em sua carreira, ambos por Swingers, de 1996.

Ainda sobre os aspectos técnicos da produção, vale destacar a excelente direção de fotografia de Roman Vasyanov; a edição cuidadosa de Julia Bloch; a maquiagem de Jamie Kelman, Tami Lane, Francisco X. Pérez e Mike Smithson; e os 17 profissionais envolvidos com o departamento de som – que é um ponto fundamental da produção. Outros aspectos que vale citar, mas menos “destacáveis”, são o design de produção de Jeff Mann; a direção de arte de Cassidy Shipley; a decoração de set de Kelly Berry; e os figurinos de Cindy Evans.

Este filme me fez lembrar muito a All Is Lost, estrelado por Robert Redford. A exemplo de The Wall, em All Is Lost o filme é focado em apenas um personagem e há muitos e muitos momentos de pouca ou “nenhuma” ação. Também é um filme que pode dar sono e que não é simples de assistir, mas que tem algumas mensagens interessantes e que faz pensar. Comentei sobre ele neste link.

The Wall estreou em poucos cinemas do Canadá e dos Estados Unidos no dia 12 de maio de 2017. Depois, em junho, o filme participou do Festival de Cinema de Sidney. Filme de apenas um festival até agora, esta produção concorreu a apenas um prêmio, o de Melhor Filme Independente no Golden Trailer Awards, mas ele perdeu nesta categoria para Manchester by the Sea (comentado por aqui).

Não encontrei informações sobre os custos desta produção. Certamente eles foram bem baixos, pelas características do filme. Mas encontrei informações sobre o resultado do filme nas bilheterias conforme o site Box Office Mojo. Nos Estados Unidos, The Wall fez pouco mais de US$ 1,8 milhão, e nos demais mercados em que ele estreou ele fez outros US$ 2,2 milhões. Não é muito, claro, mas é um resultado bom para um filme independente e com as características nada óbvias que ele têm.

Durante grande parte desta produção, “nada acontece” – ou praticamente isso. Mas devo admitir que a reta final de The Wall faz o filme merecer a nota acima. Aquele final realmente foi especial. O que mostra que um filme precisa sim de um belo roteiro e, especialmente, de um grande final. Mais roteiristas/produtores/diretores deveriam se lembrar disso. O público agradeceria. 😉

Nicholas Irving, ex-US Ranger Sniper e autor do livro The Reaper, trabalhou como assessor técnico de The Wall. Irving recebeu o apelido “the reaper” durante as incursões que ele fez no Afeganistão. Ou seja, é um sujeito que entende bem do que acontece em cena em The Wall.

Agora, uma curiosidade que quem não viu o filme não deve ler. (SPOILER – não leia… bem, você já sabe). Inicialmente, o final de The Wall seria bem menos ambíguo. Nesta versão, o atirador iraquiano seria morto e Ize seria resgatado. Francamente? Teríamos o clássico “final feliz” para o exército americano. Gostei muito, mas muito mais da versão que The Wall acabou tendo. Ela era bem mais coerente com o “super” sniper iraquiano, não? Bom também ter um outro ponto de vista da história, porque na vida real, nem sempre, os americanos se dão bem.

Os usuários do site IMDb deram a nota 6,2 para esta produção, enquanto que os críticos que tem os seus comentários linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 70 críticas positivas e 32 negativas para a produção, o que garante para The Wall uma aprovação de 69% e uma nota média 6,1.

CONCLUSÃO: Assistir a The Wall denota um certo sacrifício. Sim, você deve vencer o sono ou a ânsia de ver algo de interessante acontecer para se colocar no lugar de um soldado como tantos outros da vida real. Filmes de guerra costumam mostrar grandes sequências de batalha e de morte, mas o que poucos mostram é o que realmente acontece na maior parte do tempo. The Wall se preocupa em nos revelar justamente isso. Este é um filme sobre pessoas comuns colocadas em situações complicadas e onde não existe espaço para bondade ou misericórdia. The Wall é bruto, angustiante, um tanto “maçante” e “sem sentido”. Como a guerra e os conflitos o são. Vale assistir se você gosta muito do gênero. Os demais podem passar adiante.

Dunkirk

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Diversos filmes já mostraram cenas de algumas das mais importantes batalhas da Segunda Guerra Mundial. Esta seara não é nova e já foi muito explorada, mas o diretor Christopher Nolan resolveu fazer a sua própria contribuição neste filão que parece inesgotável. Com Dunkirk, Nolan nos apresenta um filme tecnicamente bem acabado, cheio de qualidades e com uma narrativa um tanto “ousada”. Apesar de ser competente e de ter alguns grandes momentos, Dunkirk não consegue entrar na lista das melhores produções do gênero. Talvez porque, apesar de estar sempre próximo dos atores, ele realmente não contar nenhuma história em particular. E isso faz falta.

A HISTÓRIA: Um grupo de soldados caminha por uma rua enquanto folhetos esvoaçam pelos ares. A introdução do filme nos diz que o inimigo levou ingleses e franceses para o mar, os encurralando na orla. Os soldados destas duas nações que tentam conter os nazistas aguardam, em Dunkirk, por seu destino, por um resgate ou por algum milagre. Os papéis que estão esvoaçando pelas ruas pedem a rendição dos inimigos. Aquele punhado de soldados procura por restos de água ou de cigarros, até que os tiros começam a voar por todos os lados. Daquele grupo, apenas Tommy (Fionn Whitehead) consegue pular sobre um portão e escapar, chegando até a praia. Ali, milhares de homens estão esperando por um resgate.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso eu recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Dunkirk): Por um bom período de tempo os filmes sobre a Segunda Guerra Mundial contavam a história de alguns dos heróis que garantiram a derrota do nazismo. Eram produções essencialmente de batalhas, com muitas mortes, explosões, e algum drama humano pincelado aqui e ali. Sempre havia um nome de peso envolvido nestes projetos – na frente e por trás das câmeras.

Depois, com o passar do tempo e especialmente nos últimos anos, começaram a pipocar os filmes que mostravam mais o contexto social da época e a postura e o comportamento dos cidadãos comuns. Estas produções deixavam a questão dos campos de batalha para trás e focavam nas pessoas, no que acontecia nos guetos, nas cidades ou nas fazendas, na casa das pessoas.

Neste contexto, entre vários outros títulos, tenho comentado aqui no blog filmes impressionantes como Lore (comentado aqui), e outros menos impactantes, mas também interessantes e mais recentes, como Un Sac de Billes (com crítica neste link). Não tenho comentado aqui no blog, mas virou um marco neste tipo de filme que não tratava dos campos de batalha mas de “heróis anônimos”, o ótimo Schindler’s List – não tenho este filme comentado aqui, aliás, porque assisti ele antes de começar este blog.

Então o filme de Nolan, por mais competente que ele seja, na verdade não apresenta uma grande ideia nova. Por um lado, ele investe naquela fórmula clássica de filmes sobre a Segunda Guerra Mundial que apresenta a dureza e a crueldade de um campo de batalha – outros filmes fizeram isso com maestria, como Saving Private Ryan, outra produção exemplar de Steven Spielberg – a exemplo de Schindler’s List, que também leva a assinatura do diretor. E por outro lado ele investe no filão de valorizar a história de anônimos que fizeram a diferença no conflito e que viraram heróis – mesmo que ninguém lembre de seus nomes.

Fiz esta introdução para argumentar que Dunkirk não reinventa a roda e nem apresenta algo realmente novo nesta seara bem explorada de filmes sobre a Segunda Guerra Mundial. Ainda assim, como eu comentei lá no início e vou falar no final deste post, Dunkirk é um belo filme. Muito bem acabado, com técnica competente e feita com esmero. Sobre isso, não dá para criticar Nolan. Ele realmente mostra que é um diretor que entende muito, mas muito bem mesmo de seu ofício.

Nolan também escreveu o roteiro de Dunkirk. E é exatamente nesta parte do filme, em seu roteiro, que eu acho que esta produção deixa um pouco a desejar. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Verdade que não deixa de ser uma descoberta interessante quando percebemos que os três “capítulos”/partes desta produção não se desenvolvem no mesmo tempo. Ou seja, quando percebemos que Dunkirk não tem uma narrativa linear. Essa “sacada” do diretor/roteirista vamos perceber somente depois de um tempo da narrativa.

Esta cartada narrativa de Nolan é o que ele conseguiu de mais diferenciado nesta produção. Ainda que todas as narrativas apareçam para o espectador uma detrás da outra, dando a ideia inicial de que elas estariam ocorrendo de forma paralela, descobrimos, lá pelas tantas, que existe uma “sobreposição” de narrativas. Entendemos isso através do primeiro soldado resgatado por Mr. Dawson (Mark Rylance) do mar. Este soldado, apavorado com a ideia de voltar para a orla, e que é interpretado pelo ator Cillian Murphy, nos aparece em dois momentos distintos: primeiro, quando ele é resgatado, em uma cena de dia; e, depois, quando ele sofre o ataque que o torna um náufrago, sequência que ocorre à noite. Nesta hora percebemos que a linha temporal do filme está se desenvolvendo em momentos diferentes.

Em outras palavras, as narrativas da praia (em maior grau) e do mar estão um pouco “atrasadas” em relação ao que vemos ocorrendo no ar. Nolan divide a história em três linhas narrativas: o molhe, com uma semana; o mar, com um dia; e o ar, com uma hora. Uma sacada interessante. Mas o que cada identificação de tempo destas significa? (SPOILER – não leia… bem, você já sabe). Significa que tudo o que aconteceu na terra, toda aquela formação de soldados, a busca pela preservação do molhe e os preparativos para a partida dos ingleses rumo a casa exigiu uma semana de trabalho. O que vemos em cena em relação ao molhe levou uma semana de trabalho e preparativos.

Por outro lado, tudo o que o espectador vê acontecendo no mar, que é o grosso da narrativa, na verdade, teria ocorrido no período de um dia – e que, vamos concluir depois, começou na tarde de um determinado dia e terminou no final da tarde do dia seguinte – sabemos isso porque temos dois períodos de dia e um período de noite na narrativa. Finalmente, toda a ação do filme que envolve os caças, os bombardeios e os demais aviões no ar teria durado uma hora. Mas cada parte destas três “linhas narrativas” está interligada e influencia uma na outra.

Esta é uma parte interessante do roteiro de Nolan. A parte não tão interessante assim é que apesar desta boa sacada do roteiro e da narrativa competente de Nolan, o que temos na nossa frente é um ir-e-vir de ataques aéreos contra destróieres ingleses e a tentativa dos soldados em fuga daquela praia de se salvarem. Não saímos daí.

As interpretações são boas e os atores são competentes, e Nolan consegue algumas sequências realmente incríveis, mas o filme parece um tanto repetitivo e previsível. Também lhe falta um pouco mais de emoção e a capacidade de provocar uma empatia maior do público. Isso porque, ainda que acompanhemos a um par de soldados, não sabemos praticamente nada deles e não há espaço no roteiro para estes personagens desenvolverem realmente uma relação no meio daquela loucura toda.

Então temos sim muitas sequências interessantes de guerra e um punhado de atores que acaba ganhando um pouco mais de protagonismo em meio a tantos personagens, mas nada que realmente nos encante ou que nos sensibilize. Falta um pouco mais de contexto na história. Ainda assim, Nolan nos apresenta sequências eletrizantes, como quando Gibson (Aneurin Barnard) vê um torpedo chegando no barco em que ele está com outros rapazes – a maioria presa em um compartimento fechado com uma escotilha. Essa sequência, assim como algumas das cenas – não todas – de perseguições aéreas são o ponto forte de Dunkirk e do trabalho do diretor nesta produção.

Também achei interessante que Nolan equilibrou o seu elenco entre nomes conhecidos do grande público e atores desconhecidos, em uma evidente tentativa de mostrar que na guerra todos são iguais – e que pessoas anônimas acabam, muitas vezes, sendo os heróis que fazem a diferença entre a vida e a morte de alguém. O filme está carregado de boas intenções e tecnicamente funciona muito bem. Eu só esperava um pouco mais de um filme que leva a assinatura de Christopher Nolan. Acho que ele poderia ter caprichado um pouco mais no roteiro.

NOTA: 8,5.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Achei bacana a escolha de Nolan por atores um tanto desconhecidos como protagonistas desta produção. Ainda que outros personagens tenham relevância na história – e essa relevância vai ficando mais clara com o passar do tempo -, dois atores estão presentes na narrativa praticamente do primeiro até o último minuto de Durnkirk. E, claro, grande parte do filme é contado sob a ótica de um deles.

O protagonista realmente da produção, aquele que Nolan acompanha praticamente durante o tempo inteiro de sua trajetória – e que mais aparece em cena, consequentemente -, é o personagem Tommy, interpretado por Fionn Whitehead. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). O ator, que antes de Dunkirk havia estrelado apenas a minissérie de TV Him, que tem três episódios, dá vida ao soldado inglês que foge de uma saraivada de balas em um ataque inimigo nos primeiros minutos da produção e que segue a sua saga pela sobrevivência em terra e no mar.

Acompanhamos Tommy até a chegada dele “à casa”, quando ele vira um tipo de narrador de um “epílogo” que enaltece o espírito de resistência britânico ao ler uma notícia em um jornal. Ao lado de Tommy, em algumas das sequências no mar e na terra e neste retorno ao lar, está outro ator que ganhou destaque a partir de um certo momento da narrativa: Harry Styles, que interpreta a Alex, um dos soldados ingleses que são ajudados por Tommy e pelo outro ator de destaque desta produção, Aneurin Barnard, depois que o navio em que ele estava é afundado.

Na sequência, Alex é ajudado mais uma vez por Gibson, personagem de Barnard. (SPOILER – não leia… bem, você já sabe). Se não fosse o desconfiado/previdente Gibson, que decidiu ficar no convés do navio que acaba sendo bombardeado por um torpedo, Alex e Tommy teriam morrido junto com vários outros soldados presos na parte interior da embarcação. Mas nada disso impediu Alex de expor Gibson em um momento decisivo da produção, quando o barco deles à espera da maré começou a ser atingido por soldados alemães.

Aquela sequência, apesar de um tanto longa demais, acertou no tom claustrofóbico e de crueldade – elementos frequentes de qualquer guerra. Nem sempre os melhores, mais honestos ou preparados sobrevivem, seja na guerra, seja na vida “normal”. A Teoria da Evolução parece ter parado de ser válida depois que a Humanidade instrumentalizou os seus processos e práticas. Mas não vou falar muito sobre isso, porque o discurso seria grande. 😉

Voltando para o filme. Fionn Whitehead, Aneurin Barnard e Harry Styles acabam se destacando na produção, tanto pela densidade um pouco maior de seus personagens – pouco maior, devo salientar -, quanto pelo tempo que eles passam em cena. Outro núcleo importante é o formado por Barry Keoghan, que interpreta a George, amigo de Peter (Tom Glynn-Carney) e do pai dele, Mr. Dawson (Mark Rylance, o nome mais conhecido do elenco até então). George acaba sendo fundamental no resgate de diversos soldados e vira herói “local” por causa da homenagem do amigo Peter.

Mark Rylance se destaca no papel de “sujeito comum” que acaba fazendo toda a diferença, junto com tantos colegas pescadores, para a sobrevivência de milhares de soldados que conseguem voltar para casa por causa da interferência deles. Ainda na parte “do mar”, vale destacar o bom trabalho de outro “veterano”, o ator Cillian Murphy.

Além deles, vale destacar dois dos pilotos de caças – os quais vamos identificar realmente quando eles tiram os capacetes: Tom Hardy como Farrier, o sujeito que sabemos o nome apenas por causa do colega Collins, interpretado por Jack Lowden. Collins consegue se salvar de uma queda brusca ao fazer um pouso no mar e ao ser socorrido no último segundo por Mr. Dawson e Peter. Quando ele está no barco, ele fala o nome de Farrier, um dos heróis da produção também – e interpretado por um dos atores mais conhecidos do elenco.

Do núcleo “terrestre”, o destaque, sem dúvida, é o veterano e conhecido Kenneth Branagh e o seu personagem Comandante Bolton. O ator tem algumas sequências de puro deleite “estilístico”, como quando Nolan foca nas reações de Branagh com forma de nos deixar no “suspense” sobre o que ele estaria observando antes da ação propriamente dita nos ser mostrada. Além dele, na dinâmica terrestre vale destacar outro nome conhecido, de James D’Arcy, que interpreta o Coronel Winnant, uma espécie de braço direito de Bolton. Claro que existem muitos outros nomes no elenco, mas de personagens mais relevantes, vale citar estes.

Entre os aspectos técnicos do filme, sem dúvida alguma a direção de Christopher Nolan é o ponto a ser destacado. O diretor mostra todo o seu virtuosismo e a sua técnica em cenas de batalha e de foco no drama humana dos soldados que merece a experiência. Agora, como temos outros grandes diretores que fizeram o mesmo, como o Steven Spielberg que já citei por aqui – sem contar Martin Scorsese e uma grande lista de nomes -, fazer um grande trabalho de direção em um filme de guerra, atualmente, é quase uma obrigação. Então eu não daria um Oscar para Nolan, por exemplo. Ao menos não por Dunkirk – ele não faz algo suficiente bom para renovar o gênero, por exemplo.

Os outros aspectos técnicos que valem ser destacados são a ótima direção de fotografia de Hoyte Van Hoytema e uma trilha sonora espetacular do veterano Hans Zimmer. Em diversos momentos do filme eu fiquei pensando na trilha sonora e em como ela foi fundamental para Dunkirk. Sem ela, meus caros, teríamos um filme bem mais sem graça. Zimmer sim poderia merecer uma indicação ao Oscar. Acho que o filme está muito longe da “época boa” da premiação da Academia, mas nunca se sabe… qualidade o trabalho dele em Dunkirk tem para chegar lá.

Vale citar ainda o ótimo trabalho de edição de Lee Smith; o design de produção milimétrico de Nathan Crowley; os figurinos de Jeffrey Kurland; e toda a lista gigantesca de profissionais envolvidos em aspectos técnicos fundamentais para Dunkirk, como os 58 profissionais responsáveis pelo Departamento de Arte; os 35 profissionais envolvidos com o Departamento de Som; os 34 profissionais responsáveis pelos Efeitos Especiais; e os 132 profissionais envolvidos nos Efeitos Visuais – outro aspecto que poderia render uma indicação ao Oscar para Dunkirk.

Dunkirk teve a sua première em Londres no dia 13 de julho de 2017. Três dias depois o filme participou de seu único festival até agora, o desconhecido Galway Film Fleadh, na Irlanda. Esta é, sem dúvida alguma, uma produção mais comercial do que com o perfil de festivais.

Por tudo que vocês viram de Dunkirk, quanto vocês imaginam que este filme custou para ser produzido? Chutem alto. 😉 Bem, eu digo para vocês… Dunkirk custou a pequena fortuna de US$ 100 milhões. Aproximadamente. Nas bilheterias dos Estados Unidos o filme fez, até o dia 20 de agosto, segundo o site Box Office Mojo, pouco mais de US$ 165,4 milhões. Nos outros mercados em que o filme estreou, para a sorte de Nolan, ele acumulou outros US$ 229,7 milhões. Ou seja, até o momento, Dunkirk fez pouco mais de US$ 395 milhões. Ufa! Está dando lucro – lembrando que uma produção, contabilizando a divulgação e as cópias para o mercado global, normalmente custa o dobro do que o orçamento inicial.

Fico aliviada por Nolan porque ele conseguindo lucro com um filme caro e difícil como este, ficará ainda mais fácil dele fazer projetos “mais pessoais” no futuro. E como eu gosto do diretor, torço mais para que ele tenha liberdade criativa mesmo – seja para apresentar grandes filmes, seja para apresentar obras medianas.

Agora, aquelas tradicionais curiosidades sobre o filme. O diretor Christopher Nolan, juntamente com a mulher dele, Emma Thomas, e um amigo, decidiu fazer a travessia entre a Inglaterra e Dunkirk, que fica no litoral francês, para “sentir na pele” como teria sido a experiência dos soldados e dos civis que foram resgatá-los. As condições do mar adversas fizeram com que eles demorassem 19 horas para fazer aquele trajeto.

Sobre a importância do que vemos no filme, Nolan afirma que se a evacuação de Dunkirk não tivesse sido um êxito, a Grã-Bretanha teria que capitular e abandonar a guerra, o que faria a História ter tido um outro desfecho, certamente. “Militarmente, (Dunkirk) é uma derrota, mas no plano humano, é uma vitória colossal”, comentou o diretor.

O diretor Christopher Nolan recebeu um salário de US$ 20 milhões, o maior salário que um diretor já recebeu – exceto por Peter Jackson, que recebeu a mesma quantidade para filmar King Kong, lançado em 2005.

Seguindo a sua defesa do uso de películas no lugar de formatos digitais, Nolan utilizou uma combinação de 65/70 milímetros de filmes IMAX e 65 milímetros de Super Panavision para conseguir o máximo de qualidade de imagem possível. Este é o terceiro filme da década de 2010 que foi rodado essencialmente em 70 milímetros e exibido nos cinemas. Os dois anteriores foram The Master e The Hateful Eight.

Dunkirk utiliza pouco mais de 50 barcos simultaneamente no mar, um recorde para produções feitas para o cinema.

Esta produção utilizou cerca de 1 mil extras. Os créditos finais do filme afirmam que 12 embarcações que participaram da evacuação de Dunkirk em 1940 foram utilizadas nesta produção.

O retorno de 300 mil homens para casa não foi insignificante para o Exército britânico já que este número representava cerca de 25% do total na época da Segunda Guerra Mundial.

Dunkirk marca duas estreias de Nolan: em filmes baseados em histórias reais e em uma produção de guerra.

Esta produção teve cenas rodadas nos Estados Unidos, na França (em Dunkirk), na Holanda e no Reino Unido.

Até o momento Dunkirk recebeu um prêmio e foi indicado a outros dois. O único que recebeu foi o de Melhor Drama no Golden Trailer Awards.

Os usuários do site IMDb deram a nota 8,4 para esta produção, enquanto que os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 306 críticas positivas e 24 negativas para o filme, o que lhe garante uma aprovação de 93% e uma nota média de 8,7. Especialmente a nota dos críticos chama a atenção. Ela está bem acima da média do site. Eu não fiquei tão empolgada assim, como vocês perceberam. 😉

Dunkirk é uma coprodução do Reino Unido, da Holanda, da França e dos Estados Unidos – ou seja, de todos os países onde a produção teve alguma cena gravada.

CONCLUSÃO: O diretor Christopher Nolan fez algumas escolhas interessantes nesta produção. Ao abrir mão de grandes astros, ele quis evidenciar mais a narrativa e a ideia dos “anônimos” que são importantes. Apresentando um roteiro fragmentado e que vai se juntando como peças de um quebra-cabeça, sem uma linha temporal contínua, Dunkirk faz o espectador se surpreender com esta “jogada”, assim como apresenta um espetáculo de cenas de ação, mas nada disso impede que o filme seja um tanto arrastado e repetitivo. Sim, Nolan faz um trabalho competente. Os atores também estão bem, mas parece que falta um pouco mais de alma para esta produção. Isso não compromete a experiência no cinema, mas também não permite que Dunkirk figure na lista dos melhores do gênero. É bom, mas não é indispensável.

The Beguiled – O Estranho Que Nós Amamos

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Uma época de conflitos, de incertezas, o exato momento em que uma nação está se perguntando que tipo de futuro ela quer para si. The Beguiled nos transporta para o meio da Guerra Civil americana para nos fazer pensar em questões como a perda da inocência e o tipo de limite que uma pessoa aceita transpassar – e ensina outras a fazer o mesmo. Mais um filme belo, com direção de fotografia irretocável, e que leva a assinatura da diretora Sofia Copolla. Mais uma vez ela nos faz pensar que a beleza estética nem sempre encontra sintonia com a beleza “interior”. Um filme bonito, com interpretações competentes e que surpreende pelas mensagens intrínsecas e desconfortáveis.

A HISTÓRIA: Em meio a muitas árvores, ouvimos alguém cantarolando. Logo percebemos que se trata de uma garota. Vemos a natureza, ouvimos a voz da menina e passos antes de identificar alguém. Em um longo e belo caminho rodeado de árvores, a névoa ocupa parte do cenário que logo vai dar espaço para Amy (Oona Laurence). A menina está colhendo cogumelos na floresta, tranquilamente, até que ela encontra um “ianque”. O cabo McBurney (Colin Farrell) se apresenta e pede ajuda para Amy. A menina o ajuda a chegar até a escola onde ela e mais quatro meninas estão sob os cuidados de Miss Martha (Nicole Kidman) e Edwina (Kirsten Dunst). A chegada dele vai mudar a rotina do lugar definitivamente.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a The Beguiled): Eu gosto de filmes de época. Eles nos apresentam um tempo que não vivemos mas que, de alguma forma, segue influenciando os nossos dias. Nesta produção, voltamos para o ano de 1864, três anos após o início da Guerra Civil nos Estados Unidos, como o roteiro de Sofia Coppola, baseado no roteiro de Albert Maltz e de Irene Kamp e que tem o livro de Thomas Cullinan como fonte de inspiração, bem sinaliza logo no início da produção.

A diretora e roteirista, mais uma vez, demonstra como têm talento para nos apresentar histórias envolventes e particularmente belas. Sofia Coppola parece, a cada filme, construir uma carreira que agrada aos olhos na mesma medida em que questiona o que o conceito de belo esconde. The Beguiled faz isso. Ao mesmo tempo em que temos um visual fantástico a cada minuto da produção, com cenas cuidadosamente “pintadas” pela diretora, somos apresentados para uma história que pode parecer simples, na aparência, mas que guarda alguns questionamentos interessantes.

Antes de falar da história propriamente dita, vamos comentar os pontos fortes da produção. The Beguiled se destaca, como outros filmes de Sofia Coppola, pela direção de fotografia. A diretora, que sempre demonstra ter bom gosto, conseguiu com o diretor de fotografia Philippe Le Sourd encontrar o tom perfeito para retratar aquela época e para agradar aos mais exigentes críticos do elemento estético de um filme.

Algumas cenas, como quando as mulheres/garotas do filme estão rezando ou quando elas vão fazer uma apresentação de música, são uma verdadeira obra de arte. Aquelas sequências fazem o espectador habituado com museus a pensar em quadros de grandes pintores. Realmente o visual do filme é o seu elemento de destaque. Depois, temos os figurinos de época maravilhosos assinados por Stacey Battat. Quando assistimos a um filme do gênero, a expectativa é sempre de encontrarmos figurinos impecáveis, e isso é o que encontramos em The Beguiled.

Além destes elementos, devo destacar o competente trabalho feito com o elenco. Todos que aparecem em cena – e o núcleo da produção é reduzido – estão bem, mas eu destaco as interpretações de Nicole Kidman como a diretora do colégio, Miss Martha; de Elle Fanning como Alicia, uma das estudantes mais velhas e a mais “atiradinha”; Oona Laurence carismática e convincente como Amy, a menina que encontra o soldado inimigo; e até Colin Farrell, que já nos apresentou algumas interpretações questionáveis, nesta produção consegue se sair muito bem.

Estes são os pontos positivos da produção. O roteiro de Sofia Coppola, baseado na adaptação anterior da obra de Cullinan e que foi estrelada por Clint Eastwood no filme homônimo de 1971, também é um dos pontos fortes. Claro que não temos nenhuma grande surpresa na narrativa, e o filme gasta um tempo considerável naquele repetitivo jogo de “sedução” entre o único homem do pedaço e o seu pequeno “harém”. Honestamente, o filme poderia até ter uns 10 minutos a menos – mas se agradece, de qualquer forma, por ele ter 1 hora e 33 minutos de duração e não duas horas.

Digo isso porque esta história realmente deve ser mais curta – até para que ela não se torne chata e excessivamente repetitiva. Afinal, não temos “grandes” acontecimentos em cena. Resumindo, um soldado inimigo é resgatado por uma garota e levado para a escola dela para ser tratado por “misericórdia”. As duas mulheres adultas, as três adolescentes/pré-adolescentes e as duas crianças que vivem naquela escola de forma isolada enquanto o país se fragmenta por causa de uma guerra civil ficam mexidas com aquela presença masculina imprevista.

Como em outras produções de Sofia Coppola, aqui novamente nós temos o tema do amadurecimento e da perda da inocência. Interessante como The Beguiled aborda a quebra da rotina e da paz com a chegada de um elemento inusitado. Na vida mesma, sem pensar especialmente na Guerra Civil americana, volta e meia somos testados por acontecimentos imprevistos. E como respondemos a estes testes é o que faz uma grande diferença. Isso está presente nesta produção também.

Mas voltemos um pouquinho para falar da história específica de The Beguiled – antes de falarmos da “filosofia” por trás desta produção. Ainda que a escola que é o centro da produção estivesse um tanto isolada e “protegida” da disputa entre os soldados do Sul e do Norte, as sete mulheres/garotas que ali viviam não estavam realmente alheias ao que acontecia. Cada uma delas tinha um “partido” na questão – o do Sul, claro, onde elas tinham sido criadas e de onde elas vinham – e, além disso, havia uma certa “tensão” no ar.

Isoladas, sem poder voltarem para as suas famílias – ao menos as estudantes, porque Miss Martha era dona daquela propriedade -, as garotas aguardavam o fim do conflito e a vitória do Sul para poderem retomar as suas vidas. Enquanto isso, elas tentavam manter a rotina o mais “normal” possível enquanto rezavam para não serem descobertas por soldados sem escrúpulos. The Beguiled mostra muito bem o “espírito” do povo do Sul dos EUA naqueles dias… pessoas muito religiosas mas que, ao mesmo tempo, defendiam algo absurdo como a escravidão.

E aí entramos nas questões que The Beguiled trata em suas entrelinhas e que nos provocam um sério desconforto quando a produção termina. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Acho que a questão mais importante levantada pelo roteiro de Sofia Coppola e que me fez pensar logo na saída do cinema foi sobre que educação Miss Martha estava dando para aquelas garotas. Chama muito a atenção que a ideia dos cogumelos venenosos tenha vindo de uma das garotas mais “inocentes” do grupo, Marie (Addison Riecke).

Curioso que aquelas meninas aprendiam francês, assim como bons modos, sabiam se virar na costura e na horta, rezavam, estudavam e trabalhavam todos os dias e que, ao serem confrontadas com um perigo, tivessem na saída do assassinato a sua opção mais “coerente”. Como elas chegaram nisso? Como hoje tantas pessoas encontram na violência e na morte de outras pessoas a saída para os seus próprios conflitos e medos? Talvez estas sejam as questões mais relevantes deste filme.

De forma sutil, mas muito dura, Sofia Coppola nos faz questionar as “boas pessoas” que existiam naquela época e hoje em dia. Afinal, ninguém poderia falar uma palavra conta aquelas sete mulheres/garotas da escola sulista americana. Assim como muitos hoje vestem a camisa de “gente do/de bem” mas, quando têm uma oportunidade, caem no caminho fácil de pensar em si próprios primeiro. Sim, é verdade que o cabo McBurney perde o controle e parece uma figura ameaçadora. Mas será mesmo que elas não poderiam ter esperado um pouco mais e lidado com o problema de outra forma?

Alguns filmes, como o interessantíssimo Hacksaw Ridge (comentado aqui), nos mostram com muita propriedade, e tendo uma história real como base, que é sempre possível escolher “não matar”. Mesmo que a sua vida esteja em risco, você pode escolher este caminho. Por isso mesmo chama muito a atenção – e cria um grande desconforto – a forma “natural” com que aquele grupo de garotas do Sul dos Estados Unidos resolvem acabar com uma vida que, antes, elas tinham decidido “salvar”.

The Beguiled nos joga na cara o conceito de “coisificação” das pessoas. Elas interessam enquanto podem nos ser “úteis”. Quando isso não é mais assim, elas podem ser descartadas. Isso lhes soa atual? Sim, realmente é. O cabo McBurney era uma atração para aquelas mulheres e garotas. Para as adultas, especialmente Miss Martha e Edwina, ele poderia se converter em um “bom partido”. Claramente existe tensão e atração sexual entre os três, em um tipo de “triângulo amoroso” bastante sugerido durante a produção.

Além de Miss Martha e Edwina, a outra peça mais próxima da conquista amorosa é Alicia. A adolescente, bastante ousada para a época, sabe mexer com o “soldado inimigo” e flerta com ele sempre que tem uma oportunidade. As outras meninas, mais jovens, também ficam ouriçadas e/ou interessadas, mas nada que chegue ao ponto de criar uma “tensão sexual” com o único homem do pedaço. Então McBurney é interessante para aquele grupo, até que ele passa a ficar violento e fora do controle e aí ele já passa a ser descartável. Era essa a sociedade que o povo do Sul estava realmente defendendo naquela guerra?

Como pessoas que se dizem religiosas, que rezam todos os dias e que defendem a misericórdia podem orquestrar e executar um plano de assassinato de forma tão “natural”? O comportamento das garotas no jantar derradeiro e a calma com que elas lidam com a situação no dia seguinte fazem pensar. No fim das contas, o Sul perde a guerra. Mas até hoje o que eles defendiam e o que vemos no filme persiste em diversas partes – não apenas nos Estados do Sul daquele país.

Nem todos conseguem ser coerentes, mas a busca por um pouco mais de coerência poderia ser um bom objetivo a ser perseguido, não? Este filme, tão belo e com ótimas interpretações, nos deixa um gosto amargo e um tom de certa perplexidade no final. Causa desconforto. E que bom que é assim. Sofia Coppola nos mostra, mais uma vez, que as aparências enganam e que mais do que bons modos, deveríamos aprender a ser boas pessoas. Do tipo que realmente defende a misericórdia e o perdão e não do tipo que vê no assassinato de alguém uma saída para uma situação de medo ou perigo. Sempre existe uma alternativa, inclusive para o status quo. Basta querer encontrá-la e pagar o preço por isso.

NOTA: 9.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: The Beguiled têm um apelo estético fortíssimo. Antes, na crítica, eu já comentei as suas principais qualidades: a maravilhosa, belíssima direção de fotografia de Philippe Le Sourd e os figurinos igualmente maravilhosos de Stacey Battat. Mas há outros elementos que fazem toda a diferença para a produção. Destaco, neste sentido, o design de produção perfeito e lindo de Anne Ross; a direção de arte igualmente perfeita de Jennifer Dehghan; e a decoração de set de Amy Beth Silver. Esse trio faz um trabalho impecável, assim como os anteriormente citados.

Vale também comentar a bela trilha sonora de Laura Karpman e de Phoenix, e a competente edição de Sarah Flack. Notaram, aliás, a “supremacia” feminina. Interessante. 😉

Importante para a produção o trabalho do time de oito profissionais responsáveis pela maquiagem do elenco. Para algumas atrizes, essa maquiagem foi fundamental – assim como para Colin Farrell e as feridas de seu personagem. Vale também falar do importante trabalho da dupla Joseph Oberle e Wilson Tang nos efeitos visuais – que ajudaram a nos situar na época da Guerra Civil americana – assim como o departamento editorial que trabalhou com diversas restaurações digitais.

Os destaques do elenco, para mim, volto a comentar, foram Nicole Kidman – há tempos eu não via a atriz tão bem em um papel no cinema -, Elle Fanning e Colin Farrell. E olha que eu acho ele, muitas vezes, “canastrão”. Mas neste filme ele está muito bem – como há tempos eu não via também. Outra figura muito interessante foi Oona Laurence. Ainda que estes sejam os destaques, não dá para negar que fazem um bom trabalho Kirsten Dunst – me surpreendeu um pouco como ela “envelheceu” -, Addison Riecke, Angourie Rice (que interpreta Jane) e Emma Howard (que interpreta Emily). Elas fecham a lista das “sete” mulheres/garotas que vivem na casa e que abrigam o soldado inimigo.

O foco da produção são as garotas e o soldado que aparece em cena para mudar a rotina delas. Mas existem algumas outras figuras que fazem rápidas passagens na história e que merecem ser citadas, como Wayne Pére como o capitão confederado que passa pela escola; e Matt Story e Eric Ian como dois soldados confederados que também passam por ali.

The Beguiled estreou em maio de 2017 no Festival de Cinema de Cannes. Até agosto, a produção participou ainda de outros 10 festivais em diferentes países. Nesta trajetória o filme conseguiu conquistar quatro prêmios e foi indicado a outros 10. Os prêmios que a produção recebeu foram o de Melhor Diretora para Sofia Coppola no Festival de Cinema de Cannes; e Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Direção de Fotografia e Melhor Elenco no INOCA (International Online Cinema Awards). O prêmio para Sofia Coppola em Cannes teve um gosto especial porque foi a primeira vez em 50 anos que uma mulher ganhou como Melhor Direção – e na história da premiação, esta foi apenas a segunda vez que uma diretora conquistou esta honraria.

Talvez alguém que tenha gostado muito do filme possa se perguntar porque eu não dei uma nota maior para The Beguiled. Eu explico. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Ainda que o roteiro seja bem escrito, que o filme tenha boas interpretações e que o visual da produção seja ótimo, achei um tanto forçada a barra quando McBurney “perde a cabeça” e a consequente “solução” que seis das sete mulheres dão para o caso. Também um tanto estranha a forma com que ele se acidenta e um pouco arrastada a história em alguns momentos. Muitos antes do filme mudar de tom radicalmente, o espectador já espera que algo ruim vá acontecer – e isso não ajuda, exatamente, a produção a se sair melhor. Isso faz com que o filme, mesmo que seja bom, não seja inesquecível ou realmente marcante. Ele é bom, apenas isso.

Agora, aquelas rápidas curiosidades sobre a produção. A diretora Sofia Coppola pediu para a atriz Kirsten Dunst perder peso para o seu papel, mas a atriz se recusou dizendo que desprezava este tipo de preparo e que ela tinha acabado de sair de uma dieta feita para o filme Woodshock. Talvez tenha sido isso que me surpreendeu um pouco na atriz. Muitas vezes não sabemos que as atrizes que acompanhamos são colocadas em “regimes” para aparecer em cena… e como estou acostumada a ver Kirsten Dunst mais magra, talvez este tenha sido um ponto na presença dela em cena que me surpreendeu. Seria interessante vermos os atores mais em suas formas costumeiras, não?

Quando escreveu o roteiro de The Beguiled, Sofia Coppola tinha já a atriz Nicole Kidman para o papel principal. E após trabalhar com ela, Coppola disse que realmente a atriz é única, sendo capaz de apresentar cinco sentimentos diferentes em uma sequência. Ela tem razão. Nicole Kidman está em grande forma nesta produção. Para a nossa sorte. 🙂

Eu assisti a alguns trechos do The Beguiled de 1971 e algo me chamou a atenção: como uma personagem do filme original – e fiquei sabendo depois, da obra de Thomas Cullinan também – foi cortado da versão de Sofia Coppola. Essa personagem é Hallie, uma escrava negra que tem um papel importante nas obras originais. Segundo Sofia Coppola, ela decidiu cortar a personagem da sua versão porque ela considera o tema da escravidão muito sério e ela não queria tratá-lo de forma “suave”, por isso ela resolveu focar a história nas demais personagens da escola que estavam isoladas “do mundo”.

The Beguiled foi rodado em apenas 26 dias na Louisiana, em locais como a Madwood Plantation, em Napoleonville.

Este é o segundo filme de Elle Fanning com Sofia Coppola e a quarta produção que a atriz Kirsten Dunst faz com a diretora.

Colin Farrell e Clint Eastwood, atores que interpretaram o personagem do soldado ianque, fazem aniversário no mesmo dia, 31 de maio.

De acordo com Sofia Coppola, esta produção não é uma refilmagem do The Beguiled de 1971 e sim uma adaptação do romance de Thomas Cullinan.

Este é o primeiro filme de Sofia Coppola que não é produzido ou coproduzido pelo pai dela, Francis Ford Coppola. Ou seja, ela está desmamando. 😉

Esta versão de The Beguiled, assim como a de 1971, foram filmadas em Louisiana. Ainda assim, a produção de Sofia Coppola afirma que a história se passa na Virginia – e o romance que originou os dois filmes se passa no Mississippi.

The Beguiled teria custado US$ 10,5 milhões e faturado, apenas nos Estados Unidos e até o dia 10 de agosto, quase US$ 10,6 milhões. Nos outros mercados que o filme já estreou ele fez outros Us$ 5,3 milhões. Ou seja, está caminhando para cobrir os seus custos e começar a dar lucro.

Se você, como eu, ficou interessado(a) em refrescar um pouco a memória sobre a Guerra Civil americana, vale dar uma olhadela neste resumo do site História do Mundo e também neste link da Wikipédia que explica a origem do termo “ianque” – que é citado no filme em mais de uma ocasião para identificar o personagem de Farrell.

Os usuários do site IMDb deram a nota 6,9 para esta produção, enquanto que os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 181 críticas positivas e 49 negativas para o filme, o que lhe garante uma aprovação de 79% e uma nota média de 7,1. Especialmente a nota do Rotten Tomatoes chama a atenção – é bastante boa para o padrão do site.

Este filme é uma produção 100% dos Estados Unidos – por isso ele atende a uma votação feita há tempos aqui no blog e pela qual vocês pediam críticas deste país.

Volta e meio eu comento sobre os títulos dos filmes. A versão para o Brasil, a mesma da produção homônima de 1971, é para acabar… achei o título horrível. Nada a ver, mas tudo bem. O título original, The Beguiled, poderia ser traduzido para algo como “O Seduzido”. Também não é o melhor dos títulos, mas pelo menos achei melhor do que a versão para o Brasil.

CONCLUSÃO: A diretora Sofia Copolla segue em sua jornada de nos fazer questionar o que é belo e o que é puro. Os seus filmes, a exemplo deste The Beguiled, nos apresenta uma fotografia maravilhosa. Um deleite para os olhos. Mas o que se esconde além das aparências? Em The Beguiled descobrimos que uma escola de moças estudiosas e religiosas pode esconder bons princípios que não resistem à tentação ou a uma simples ameaça do “status quo”. Aquela escola representa muitos outros grupos e coletivos e, porque não dizer, a própria sociedade. Um filme muito bem acabado, tecnicamente, e que ainda surpreende por apresentar uma história com tanto desconforto e questionamentos sob “a pele”. Vale assistir, ainda que não seja o filme que vai mudar a sua vida. 😉

Hymyilevä Mies – The Happiest Day in the Life of Olli Mäki – O Dia Mais Feliz da Vida de Olli Mäki

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Qual é a medida do sucesso? Afinal de contas, o que significa vencer? O simples, belo e interessante Hymyilevä Mies (The Happiest Day in the Life of Olli Mäki no título internacional) nos apresenta estas questões de forma muito sutil. Enquanto alguns poderiam encarar o circo que orbita uma grande conquista como o ápice da trajetória e de tudo que eles fizeram, outros como o protagonista deste filme encontram sentido muito além daqueles holofotes e daquela pressão por resultados e apertos de mãos. Eis um filme singelo e muito, muito eficaz em sua mensagem. Uma grande produção que mereceu sim avançar na lista dos indicados ao Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira em 2017.

A HISTÓRIA: Olli Mäki (Jarkko Lahti) entra devagar no vagão do trem. Ele observa tudo, com atenção. Corta. Olli tenta fazer o carro pegar, e consegue fazer isso acionando o afogador. Ele retira as crianças do automóvel e parte para se encontrar com Raija Jänkä (Oona Airola). Ele percorre um bom caminho passando por bosques até que chega na casa de Raija. Ele cumprimenta o pai da garota e outras pessoas da família até que encontra Raija, que lhe diz que eles vão a um casamento. Durante a cerimônia, vários homens pergunta para ele sobre o seu peso e sobre a categoria em que ele vai disputar o cinturão de boxe. Em breve ele tentará fazer história em uma luta contra um norte-americano.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Hymylevä Mies): Este é um filme simples. Uma história de amor, no fim das contas, ambientada nos anos 1960. O protagonista é um lutador de boxe mas, pelo apelido que lhe deram, antes de assumir as luvas ele trabalhava como padeiro. Ou seja, ele não dedicou a vida inteira para a carreira de pugilista – foi amador durante boa parte da “carreira”, na verdade.

Com os pés bem estabelecidos no chão e vindo do interior, Olli Mäki é um sujeito simples que se vê enredado em uma trama de expectativas e de aparências que orbitam sobre a disputa de um título mundial de boxe. Logo nos primeiros minutos do filme, alguns elementos desta produção nos chamam a atenção. Para começar, a maravilhosa fotografia em preto e branco assinada por J.P. Passi.

Essa fotografia nos ajuda a não apenas nos transportamos para aquela época na qual a história se passa mas, principalmente, a focarmos no que realmente interessa – evitando as “distrações” das cores. Percebemos melhor, com o preto e o branco, as nuances das interpretações e do roteiro. Além disso, até parece que o romance entre Olli e Raija fica ainda mais bonito – e que o filme ganha uma aura de “atemporal”.

Com as distrações dos cenários e do vestuário, que poderiam ser muito chamativos, anulados pela fotografia en preto e branco, nos focamos na ação e nas relações entre os personagens. Como comentei antes, a história de Hymyilevä Mies parece simples. Acompanhamos a trajetória de um pugilista nos dias que antecederam a grande luta “definidora” da sua carreira até então. O treinador e agente dele, Elis Ask (Eero Milonoff), mudou o pupilo de categoria, colocando ele em um peso menor do que ele deveria estar para buscar a sua consagração como campeão mundial pena – tudo porque, aparentemente, ele não queria Olli “rivalizando” com ele próprio, o treinador, que tinha o mesmo peso que Olli quando ainda lutava.

Quando Olli viaja para encarar a reta final do treinamento e fica na casa de Elis, ele leva consigo a namorada Raija. Eles acabam ficando no quarto dos filhos de Elis, em camas separadas, mas a falta de “intimidade” – algo normal para a época – não muda nada para os dois. Apenas a presença de Raija anima Olli para seguir a sua trajetória em busca do cinturão. Ela lembra ao pugilista das suas origens e, mais que isso, o tipo de relação que ele tanto aprecia e que lhe dá sentido. Por outro lado, Elis se esforça em tirar o máximo de proveito da situação, fazendo todo um “jogo de cena” com patrocinadores e apoiadores para conseguir dinheiro.

Como Olli Mäki é o mais novo protótipo de “herói nacional”, ele é chamado a participar de jantares, reuniões e encontros orquestrados pelo agente e que tem como finalidade conseguir mais dinheiro para os dois – especialmente para Elis. Olli participa de tudo aquilo por inércia, mas claramente ele não está satisfeito com aquele circo. A história contada pelo diretor Juho Kuosmanen e pelo parceiro do diretor no roteiro, Mikko Myllylahti, trabalha esta dicotomia entre o que a maioria considera um sonho e o que pode ser considerado o “dia perfeito” pela ótica do indivíduo (e não da maioria). O que é bom para “todos” ou para a maioria pode não ser bom para uma pessoa que usa o cérebro e exerce a sua própria liberdade consciente.

O pugilista que protagoniza esta história deixa se levar pelas circunstâncias – como nós mesmos em tantas fases da nossa vida. Ele agarra as oportunidades que aparecem e ganha suficientes vezes para chegar até o momento que muitos consideram ser o ápice de sua carreira. O agente e treinador dele, ex-campeão de boxe, lhe diz que o dia da disputa do cinturão será o “dia mais feliz de sua vida”. Sob a ótica de Elis, assim como da maioria das pessoas, isso significa que ele vai ganhar e que terá um dia de glória, colocando o seu nome “na história”.

Mas realmente o dia mais feliz de uma pessoa é quando ela ganha um campeonato ou um prêmio que a distingue dos demais? O que este filme demonstra de forma muito natural e singela é que ser “melhor” ou “maior” muitas vezes não é sinônimo de felicidade – até porque é uma ilusão esta ideia de “maior” ou “melhor”.

A felicidade ou a realização não surge destas fontes. Muito pelo contrário. Olli Mäki quer tudo menos ser tratado de forma distinta ou especial. Ele apenas deseja ser igual a tantas outras pessoas que são felizes quando encontram e desfrutam da companhia de alguém que amam (especialmente quando este sentimento é correspondido, claro). Ser comum pode ser algo maravilhoso, especialmente se você desfruta a sua vida cuidando de si e dos outros, olhando cada pessoa nos olhos e se importando com os demais e com o que lhe rodeia.

Incomoda a Olli todo o circo que é montado ao redor da sua disputa. Ele vem de uma longa trajetória como boxeador amador – Elis cita, em uma entrevista, que apesar de Olli ter vencido apenas oito de 10 lutas como profissional, que ele tem um histórico de 300 lutas como amador. Ele não é um principiante, e isso fica claro no comportamento de respeito que ele tem com o esporte e com a sua preparação. Mas ele não gosta de todo aquele “jogo de cena” de adular pessoas, apertar mãos, simular sorrisos e pensar em respostas inteligentes para repórteres e a dupla de documentaristas contratados para acompanhar o novo “herói nacional”.

Ele se cansa de todo este teatro e percebe que a companhia de Raija incomoda Elis. A garota, simpática, sempre bem humorada e inteligente, também percebe como é deixada de lado sempre que possível pelo agente de Olli. Sentindo-se um tanto “peixe fora da água”, ela acaba voltando para casa, para o interior tão desprezado por Elis – e por tantas outras pessoas. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Olli sente a ausência da amada e vai atrás dela. Mesmo correndo o risco de se prejudicar antes da decisão do campeonato mundial, ele não pensa duas vezes em procurar a sua própria felicidade.

Interessante como Hymyilevä Mies se junta a vários outros filmes que nos mostram como a vida é feita de escolhas. Que até podemos chegar a um momento considerado dos sonhos pela maioria, mas que se aquilo não fizer sentido para a gente, de nada vai valer o sacrifício. De forma muito honesta o diretor Juho Kuosmanen apresenta um trabalho de desconstrução do que é considerado o “grande momento” da vida de alguém. (SPOILER – não leia… bem, você já sabe). No fim das contas, quando chega a hora H, tudo o que Olli deseja é que aquilo tudo termine logo. Ele quer se ver livre daquele compromisso, daquela pressão, e voltar para a vida que ele deseja.

Quem de nós não foi “levado pela vida” para situações de “prestígio”, de todos os “holofotes” voltados para nós e, nem por isso, nos encontrávamos satisfeitos. Algumas vezes, quando fazemos um trabalho excepcional e “damos o sangue” para um determinado projeto ou empresa, convites aparecem e acabamos aceitando desafios sem saber exatamente para onde um “não” nos levaria. Isso acontece com o protagonista desta produção. Ele se sai bem como boxeador e vai galgando posições até que chega, pelas mãos de Elis, a uma disputa de mundial.

Quando atinge aquele ponto, contudo, Olli percebe que não era exatamente aquilo que ele desejava. Mas ele não tem mais como fugir e, como Olli é um sujeito ético, ele vai cumprir o peso acordado com o agente/treinador mesmo que aquele peso não era o ideal para ele. Olli se sacrifica e atinge uma condição física deplorável apenas para ficar no peso que o treinador ambicioso estipulou para ele. Tudo que o protagonista quer é terminar logo aquele calvário para que ele possa voltar para a vida tranquila que ele tinha e para desfrutar o anonimato – ou quase isso – ao lado de Raija.

De uma forma bastante singela, mas interessante, Hymyilevä Mies nos mostra que não é um problema nos equivocarmos e deixarmos a “vida nos levar”. Não é ruim quando atingimos um estágio da carreira em que ganhamos evidência para que outros – e poucas vezes nós mesmos – se beneficiem. O problema não estava com Olli, mas com Elis e o circo de aparências ambicioso que se formou ao redor de um desafio da carreira do pugilista. O que seria um problema, naquele cenário, é se Olli se deixasse levar por tudo aquilo e perdesse o foco no que realmente era importante para ele.

Isso acontece com muitas pessoas. Especialmente nos esportes – não são poucos os talentos que saíram de uma carreira amadora no boxe, por exemplo, e se perderam na busca por títulos profissionais. Mas isso também pode acontecer em qualquer área. A falsa sensação de “riqueza”, “poder” ou “prestígio” pode levar as pessoas a cometerem atos absurdos, abjetos. Elas deixam “a vida” lhes levar para caminhos que elas nunca desejariam e a trilhar rotas que, em outras épocas, a “versão mais jovem” e honesta delas lamentaria. É a velha transformação do indivíduo pelo dinheiro, pelo poder ou pela vaidade.

Hymyilevä Mies nos apresenta uma história simples de resistência a tudo isso. O filme de Kuosmanen mostra que outras escolhas são possíveis. Ou seja, a noção de vitória e de êxito pode variar muito e ser muito diferente conforme os valores que colocamos na balança. É bacana um filme que leve este tipo de ponderação a sério sem que estas questões, filosóficas para alguns, sejam abordadas de forma pesada ou pretensiosa. Um verdadeiro alívio para estes tempos em que efeitos especiais a borbotões muitas vezes procuram substituir boas histórias. Isso nunca vai acontecer.

NOTA: 9,3.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Alguns aspectos técnicos de Hymyilevä Mies são de “encher os olhos”, mesmo quando eles não atendem exatamente ao nosso sentido visual. 😉 A qualidade mais “gritante” do filme, como comentei rapidamente antes, é a direção de fotografia de J.P. Passi. Em filmes como esse, ambientado nos anos 1960, faz todo o sentido ter uma fotografia em preto e branco e com uma certa “granulação”. É como se estivéssemos assistindo a um filme feito realmente naquela época. Muito interessante.

A trilha sonora desta produção, mais presente na parte inicial do filme, também é um elemento interessante de Hymyilevä Mies. Mérito do trio Laura Airola, Joonas Haavisto e Miika Snare. Eles ajudam o espectador a se ambientar no início dos anos 1960.

Os figurinos também foram escolhidos a dedo. Um belo trabalho de Sari Suominen. Da parte técnica do filme, vale ainda comentar a competente edição de Jussi Rautaniemi; e o design de produção de Kari Kankaanpää.

Curioso que nos agradecimentos do filme, os produtores e o diretor Juho Kuosmanen agradecem a Olli Mäki e a Raija Mäki. Até observar isso eu não sabia que esta produção era baseada em fatos reais. 😉 Mais uma razão para gostar do filme. Achei interessante como Kuosmanen homenageou o pugilista que “frustrou” uma nação no início dos anos 1960 e que, ao mesmo tempo, simbolizava tantos valores interessantes.

Hymyilevä Mies estreou em maio de 2016 no Festival de Cinema de Cannes. Depois, logo na sequência, o filme participou dos festivais de Munique, Karlovy Vary e Melbourne. Na sequência, a produção participaria, ainda, de outros 24 festivais pelo mundo.

Em sua trajetória, Hymyilevä Mies conquistou 12 prêmios e foi indicado a outros 11. Entre os prêmios que recebeu, destaque para o prêmio “Un Certain Regard” para Juho Kuosmanen no Festival de Cinema de Cannes; para o Gold Hugo na competição para jovens diretores no Festival Internacional de Cinema de Chicago; para o Descoberta Europeia do Ano para Juho Kuosmanen dado no European Film Awards; para o Prêmio de Melhor Filme Internacional no Festival de Cinema de Zurique; e para oito prêmios, incluindo o de Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator para Jarkko Lahti, Melhor Atriz Coadjuvante para Oona Airola e Melhor Direção de Fotografia no Jussi Awards, um tipo de “Oscar finlandês”.

Interessante que este filme não segue o estilo Rocky de ser… Nesta produção o sujeito não fica com o cinturão, com a vitória e com a garota. Respeito Rocky, mas é interessante ver a uma produção que apresenta outra proposta de “final feliz”.

Agora, algumas curiosidades sobre Hymyilevä Mies. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). No final desta produção, Olli e Raija estão caminhando ao lado do porto e passam por um casal de idosos. Raija inclusive pergunta para Olli se ele acha que os dois vão ficar assim, velhos e felizes juntos. Ele responde que sim. O casal de idosos com o qual eles se cruzam são o Olli e a Raija da vida real. Bonitinho, não? 😉

O diretor Juho Kuosmanen assistiu a uma peça sobre a vida de Olli Mäki no teatro de Kokkola em 2011. Na ocasião, o verdadeiro Olli estava na plateia. No final da peça, o diretor de teatro pediu para fazer uma foto com Olli. Foi então que Kuosmanen disse para Lahti que se um dia ele fizesse um filme sobre Olli, o papel principal seria dele. Lahti levou à sério a questão e começou a treinar como boxeador. Ele chegou a disputar algumas lutas oficiais de amadores. Quando Kuosmanen resolveu fazer o filme, ficou óbvio que o protagonista da produção seria Lahti.

Por falar em Kokkola, o diretor Juho Kuosmanen, o produtor Jussi Rantamäki, o ator Jakko Lahti, a atriz Oona Airola e o verdadeiro Olli Mäki, todos são originários desta cidade finlandesa.

Nos testes iniciais para este filme, o uso das cores se mostrou incapaz de capturar o “período de tempo” da história. Por isso o diretor resolveu filmar em 16 mm preto e branco, o que ajudou os realizadores a “esconderem” detalhes modernos através de um “look vintage”. Realmente funcionou.

O apartamento de Elis que aparece no filme é, na verdade, o apartamento onde mora o diretor Juho Kuosmanen.

Por falar no diretor, vale comentar que esta produção é apenas o segundo longa feito por ele. Antes, ele dirigiu a quatro curtas e ao longa Taulukauppiaat, este último de 2010. Ou seja, é realmente um jovem talento que está despontando no mercado. Vale acompanhá-lo.

Os atores principais, assim como a direção interessante de Kuosmanen, o seu roteiro despretensioso e as maravilhosas direção de fotografia e trilha sonora da produção são os pontos fortes de Hymyilevä Mies. Jarkko Lahti e Oona Airola estão ótimos em seus respectivos papéis. Eles convencem e são encantadores, apresentando uma sintonia exemplar. Além deles, vale citar o bom trabalho dos coadjuvantes Eero Milonoff e Joanna Haartti como, respectivamente, Sr. e Sra. Ask – treinar e a sua esposa – e de John Bosco Jr. como o pugilista Davey Moore. Os demais atores fazem papéis de menor relevância.

Hymyilevä Mies foi a produção escolhida pela Finlândia para representar o pais no Oscar 2017.

Aliás, falando no título original desta produção, como eu não falo finlandês 😉 eu fui procurar o que Hymyilevä Mies significa. Em uma tradução livre, o título significaria algo como “O Homem Sorridente”. Interessante, não? O título internacional foi respeitado na tradução para o Brasil, ou seja, “O Dia Mais Feliz da Vida de Olli Mäki”. Achei importante eles terem preservado este título – que, aliás, é muito bom.

Hymyilevä Mies foi totalmente rodado na Finlândia, mais precisamente na cidade de Helsinque, em lugares como a estação de trem central da cidade, o Olympiastadion (Estádio Olímpico), Vartiosaari e Kaivopuisto.

Este filme é uma coprodução da Finlândia, da Suécia e da Alemanha.

Os usuários do site IMDb deram a nota 7,3 para Hymyilevä Mies, enquanto que os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 46 positivas, em um raríssimo exemplo de um filme que obteve aprovação de 100% dos críticos. A nota média dada por eles no site foi de 7,6.

CONCLUSÃO: Para ser profunda, uma história não precisa estar cercada de diálogos difíceis ou de pirotecnia. Muito pelo contrário, Hymylevä Mies surpreende por nos questionar algumas das questões principais da vida. De qualquer um de nós. Afinal, como comentei no início, o que é ter sucesso? O que é vencer? Como se encontra a felicidade. O filme de Juho Kuosmanen nos mostra que não é atingindo o ponto alto de uma carreira, mas sendo coerente consigo mesmo e com os seus próprios sentimentos. Geralmente a vitória passa pelo amor. Seja ele na forma que for. Uma bela produção, feita com esmero e que nos apresenta uma história simples, mas com algumas mensagens potentes.