Tomb Raider – Tomb Raider: A Origem

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Alguns filmes não conseguem fugir do óbvio. E pela proposta que eles têm, isso é meio que previsto. Esse é o caso de Tomb Raider, o novo filme sobre a personagem conhecida dos games e que retoma a origem de Lara Croft. Como um filme com esse perfil não terá exageros e “cenas impossíveis”? Como alguém que conhece a história da personagem não sentirá que está vendo, muitas vezes, trechos dos games na sua frente? Sim, Tom Raider é óbvio. Mas nem por isso ele deixa de ser um bom entretenimento.

A HISTÓRIA: Dia 17 de maio de 2009. Lord Richard Croft (Dominic West) conta a história de Himiko, uma “divindade” do Japão que ficou conhecida por usar magia negra e por matar exércitos com apenas um toque. Ela provocou muita desgraça, até que o seu próprio Exército a levou para uma ilha no Mar do Diabo para que ela fosse aprisionada lá. Mas Croft está obcecado em encontrá-la, e apenas lamenta ter que deixar a sua Lara para trás. Fim da animação que introduziu a lenda.

Em um ringue, Lara (Alicia Vikander) está dando o melhor de sim em um treinamento feroz. No fim, ela acaba sendo vencida. Falando com uma amiga, que diz que ela foi derrotada – ou massacrada -, Lara responde que não foi nada disso. O treinador lembra ela que ela está devendo, e que ninguém treina se não pagar. Saindo dali, Lara vai trabalhar como entregadora. Em uma entrega, fica sabendo de uma corrida de bikes. Como “lebre”, se ela escapar da perseguição, vai ganhar um dinheiro que lhe faz falta. Depois de se acidentar, ela é levada pela polícia, onde Ana Miller (Kristin Scott Thomas) lhe encontra. Em breve, a discussão sobre o pai de Lara a levará para locais distantes.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Tomb Raider): Inicialmente, esse filme não teria muitos atrativos para me chamar a atenção. Mas, entre os filmes que estavam em cartaz na semana passada, esse me pareceu o segundo mais atrativo – o primeiro foi o recentemente comentado por aqui Aus Dem Nichts. Depois, veio Tomb Raider.

Eu conheço e já joguei alguma das aventuras da senhorita Lara Croft. Então sim, conheço a personagem na sua versão original, dos games. Depois, assisti ao primeiro – e possivelmente ao segundo, mas não tenho certeza – filme da personagem estrelado por Angelina Jolie. Então sim, a história de Croft não é uma novidade para mim.

Esse filme, acredito, pode ser analisado sob duas óticas distintas: de pessoas com eu, que já conhecem a história da personagem tanto nos games quanto nos filmes anteriores; e a de pessoas que não tem esse conhecimento. Para o primeiro grupo, o filme é de uma obviedade gritante. Sim, não há nada realmente novo em cena.

O que temos, então, para destacar da produção? A competência nos efeitos especiais, o começo da história realmente bem feito e os ótimos atores em cena – com destaque especial para Alicia Vikander, uma Lara Croft bem mais interessante que Angelina Jolie. Gostei da pegada inicial da produção, em especial. O roteiro de Geneva Robertson-Dworet e Alastair Siddons e a direção de Roar Uthaug rejuvenesceram a personagem.

Assim, especialmente a Lara Croft que vemos em cena no início da história, parece conversar muito bem com os jovens da atualidade. Ela procura fazer o seu “caminho por sua própria conta”, trabalha como entregadora, participa de um “racha” de bikes, treina em uma academia e tem todos os predicados para ser uma jovem mulher com opinião forte e a clareza do que deseja ou não para si. Ou seja, o perfil de garota tão em alta nos nossos dias.

Por isso, aquele começo de Tomb Raider me pareceu bastante interessante. Especialmente a direção ágil e atenta aos detalhes de Uthaug. Depois, o filme mergulha um pouco demais no estilo Indiana Jones. Em vários momentos eu me senti assistindo a um filme estrelado por Harrison Ford no papel do arqueologista mais famoso do cinema. Além disso, claro, há cenas de ação “absurdas”, mas que são bastante típicas da personagem nos games.

Agora, o filme também pode ser assistido sob aquela segunda ótica, de quem não está familiarizado com a personagem. Para esse grupo, Tomb Raider é um filme atraente, movimentado, que apresenta algumas ideias já conhecidas de “aventura com requintes de arqueologia” e, principalmente, a velha busca da autoafirmação e das “pazes” com os pais – nesse caso, com o pai, porque nunca ouvimos falar da mãe de Lara Croft.

Então sim, assistimos a uma velha fórmula da menina que busca a admiração do pai – que, não por acaso, é uma figura ausente mas que vive no imaginário da “eterna criança” como alguém sempre marcante. Essa busca de Lara pela figura paterna, é um dos motes principais da história. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). No fim, ela encontra algumas respostas para as perguntas que tem, conhece um pouco mais de suas origens para, em seguida, e de forma muito rápida, ela logo romper o cordão umbilical.

Existe uma razão para isso acontecer. A personagem precisa ter aquela ausência do pai como uma motivação para os passos seguintes, assim como o compromisso de manter e preservar o legado do pai ausente. Tomb Raider foca na origem da personagem ao mesmo tempo que deixa claro que esta é apenas a primeira das muitas aventuras de Lara Croft.

O filme também apresenta uma “organização secreta” e que está espalhada por diversas partes do mundo. Ou seja, o típico elemento de “teoria da conspiração” que será importante para essa história despertar certo interesse no futuro. Tomb Raider, assim, cumpre bem o seu papel, seja por apresentar bem a personagem e as suas motivações originais como “aventureira”, seja por preservar boa parte da essência dos games.

Pena que Robertson-Dworet, Siddons e Uthaug tenham optado apenas por caminhos seguros e por referências que já conhecemos bem. Desta forma, eles tornaram Tomb Raider um filme seguro mas, ao mesmo tempo, nada ousado. Eles poderiam ter inovado mais, seja na forma, seja no conteúdo, para nos surpreender. Mas não.

Nada do que vemos em cena nos surpreende de fato. Apenas, talvez, a confirmação de algo que já suspeitávamos: que Alicia Vikander tem muito mais a ver com o papel do que outras atrizes que poderiam ter encarnado Lara Croft. Esse, ao menos, foi um belo acerto. Agora, é esperar os próximos filmes da grife para saber se alguém nos apresentará ao menos algo além do óbvio ou se seguiremos tendo “mais do mesmo” pela frente.

NOTA: 7,8.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Pelas características desta produção, um elemento que Tomb Raider deveria ter de destaque são os efeitos especiais e visuais. E, de fato, o filme atende bem as expectativas nesses quesitos. Como em praticamente todos os outros quesitos desta produção, os profissionais envolvidos nesses aspectos fazem um bom trabalho, mas nada além do esperado – e nada próximo de algo excepcional. Assisti ao filme na versão 3D e, como tantas outras produções recentes nesse formato, Tomb Raider não aproveita ao máximo esse recurso. Ou seja, você não perderá grande coisa se assistir ao filme em 2D mesmo.

Entre os aspectos técnicos dessa produção, vale então destacar os efeitos especiais que envolveram nove profissionais; a lista gigantesca que – chuto – deve ter contado com mais de 300 profissionais responsáveis pelos efeitos visuais de Tomb Raider. Sem esses efeitos, certamente não teríamos um filme frente aos nossos olhos – grande parte da produção depende dos efeitos visuais e especiais.

Além desses elementos, vale destacar a direção de fotografia de George Richmond; a edição de Stuart Baird, Tom Harrison-Read e Michael Tronick; a trilha sonora de Junkie XL; o design de produção de Gary Freeman; a direção de arte de Tom Brown, Anthony Caron-Delion, Claire Fleming, Simon Lamont, Tamara Marini, Tom Still e Alessandro TRoso; e os figurinos de Colleen Atwood e Timothy A. Wonsik; e a decoração de set de Raffaella Giovannetti e Maria Labuschagne.

Do elenco, o nome a destacar é realmente da atriz Alicia Vikander. Ela cai como uma luva para a personagem. Ela tem o estilo, o físico e a atitude perfeita para viver Lara Croft. Está muito bem em cena. Além dela, os destaques, pela importância dos personagens na história, são Dominic West como Lord Richard Croft, pai de Lara; Walton Goggins como Mathias Vogel, o chefe da missão escalada para encontrar a tumba de Himiko; Daniel Wu como Lu Ren, o piloto da embarcação que leva Lara para o seu desejado destino – e que acaba virando também o braço direito dela nessa missão; e Kristin Scott Thomas como uma esquisita Ana Miller, tipo de “gerentona” dos negócios do pai Croft.

Além deles, o veterano Derek Jacobi faz uma ponta como Mr. Yaffe, advogado da família Croft. Também vale citar a participação de Maisy De Freitas como a Lara Croft aos 7 anos de idade e de Emily Carey como a Lara aos 14 anos.

Tomb Raider estreou em première no dia 2 de março de 2018 em Berlim. No Brasil, assim como em grande parte do mundo, o filme estreou no dia 15 de março.

Agora, algumas curiosidades sobre essa produção. Tomb Raider é baseado na “reinicialização” da saga de Lara Croft feita nos jogos e lançada em 2013.

A atriz Alicia Vikander fez um grande esforço físico nessa produção porque ela queria que a sua interpretação fosse a mais realista possível da personagem. Entre outros detalhes, ela realmente estrela todas as cenas de ação e que exigem esforço físico. A atriz também era fã da história de Lara Croft nos games.

Especialmente a crítica não gostou muito de Tomb Raider. Os usuários do site IMDb deram a nota 6,9 para esta produção. O que, para os padrões do site, não está ruim. Mas os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 110 críticas positivas e 110 negativas para o filme, o que lhe garante uma aprovação de apenas 50% e uma nota média de 5,4. Os dois critérios são bastante baixos.

O site Metacritic, por sua vez, apresenta o “metascore” de 48 para Tomb Raider, utilizando 53 críticas para chegar nessa média. O “user score” do site está um pouco melhor, registrando 6,7 de média.

De acordo com o site Box Office Mojo, Tomb Raider teria custado cerca de US$ 94 milhões e faturado, nas bilheterias dos Estados Unidos, pouco mais de US$ 41,7 milhões até o dia 16 de março. Nos outros mercados em que o filme já estreou, ele teria feito outros US$ 170 milhões. Ou seja, até o momento, teria faturado cerca de US$ 211,7 milhões. Está conseguindo pagar as contas, tanto de produção quanto de distribuição, mas não está conseguindo aquele resultado maravilhoso que os realizadores idealizaram, certamente.

Tomb Raider é uma coprodução do Reino Unido com os Estados Unidos.

CONCLUSÃO: A história do surgimento da aventureira Lara Croft contada com alguns requintes de “modernidade”. Nesse filme, você não vai encontrar nada de original. Encontrará a essência da personagem, a sua origem, e lembrará, se tiver “bagagem” para isso, bastante dos filmes de Indiana Jones.

Se você conhece os games da personagem, também se sentirá em um deles, algumas vezes. No mais, tudo aquilo que já esperamos de um filme do gênero, mas com uma atriz que combina muito mais com o papel do que a anterior que encarnou o personagem. Um bom entretenimento, que só poderia ter aproveitado melhor o 3D para ficar um pouco melhor.

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Aus Dem Nichts – In the Fade – Em Pedaços

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A violência motivada pela ignorância é capaz de gerar os piores pesadelos. Temas atuais fazem parte de Aus Dem Nichts. Um filme potente, que nos faz pensar sobre o problema gigantesco que vem crescendo em diferentes países, que é o da intolerância e da incapacidade de muitas pessoas de aceitarem o que é diferente a elas. Quando alguém passa a se sentir superior a outra pessoa, quando se sente mais “merecedor” de viver do que um semelhante de carne e osso, vivemos dias de terror e uma era tenebrosa. E o efeito de tudo isso é um vazio sem fim.

A HISTÓRIA: Diversos começam a bater palmas. De uma cela, Nuri Sekerci (Numan Acar) surge vestido de terno branco e cumprimenta os colegas de cadeia. Ele está feliz e caminha em direção à saída do pavilhão. Quando ele passa pela pessoa que está filmando, ele diz que essa é a hora da verdade. Começamos a ouvir a música My Girl, e em uma sala próxima, Katja (Diane Kruger) está esperando ele para os dois casarem. Corta. Parte 1: A Família. O tempo passou, e agora Katja leva o filho Rocco (Rafael Santana) para passar um tempo com o pai no escritório. Os fatos que virão em seguida vão afetar para a sempre a vida dela.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Aus Dem Nichts): Eu estava “sedenta” para assistir a esse filme. Quem acompanha o blog com frequência, sabe que eu estava de olho no novo filme do ótimo diretor Fatih Akin porque essa produção tinha sido, por muito tempo, cotada como a favorita para levar o Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira.

No final das contas, para surpresa de muitos – e eu me incluo nesse grupo -, Aus Dem Nichts não chegou nem a figurar na lista dos cinco filmes finalistas na categoria Melhor Filme em Língua Estrangeira do Oscar 2018. Fiquei surpresa pela “esnobada”, à princípio, mas ao assistir ao filme eu entendi um pouco as razões para isso. Aus Dem Nichts é um bom filme. Ele é bem conduzido e trata de questões muito importantes nos nossos dias. Mas ele também tem alguns probleminhas que fazem com que ele não seja tão bom quanto poderia ser.

Mas antes de falar desses “probleminhas”, vamos falar sobre a história em si. Interessante como Fatih Akin começa a sua história sobre uma Alemanha moderna e ao mesmo tempo tão antiga. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Primeiro, somos apresentados aos personagens principais: uma universitária que se apaixonou pelo cara que lhe vendia maconha e que, depois que ele foi preso, seguiu se relacionando com ele, ao ponto dos dois se casarem na prisão em que ele estava.

Passa o tempo, e o casal tem um filho de seis anos, o super esperto Rocco. Até aí, esse pequeno núcleo familiar é parecido com tantos outros. Eles devem batalhar diariamente por sobreviver e, no caso de Katja e Nuri, em dar uma vida confortável e uma boa educação para o filho, Rocco. O filme começa mostrando os fatos determinantes para essa família: o casamento de Katja e Nuri e, anos depois, o dia em que Katja levou Rocco para passar algumas horas com o pai no escritório. Até aí, tudo normal.

Mas esse filme não aborda a normalidade, e sim, fatos lamentáveis que não deveriam fazer parte da vida de ninguém. Mas que, infelizmente, fazem. (SPOILER – não leia… bem, você já sabe). Enquanto Katja vai tranquilamente passar um tempo com a irmã Birgit (Samia Muriel Chancrin) em uma sauna, o marido e o filho dela estão sendo mortos em um ataque terrorista cruel e absurdo.

Achei interessante como o roteiro de Fatih Akin e Hark Bohm divide a história em três capítulos. Após a introdução em que o casamento de Katja e Nuri é mostrado, nós temos pela frente os capítulos A Família, A Justiça e O Mar. O primeiro mostra rapidamente o núcleo familiar de Katja, Nuri e Rocco e, com o atentado, as demais pessoas que fazem parte daquela família – os pais de Katja e de Nuri e a irmã de Katja.

Essa rede de apoio, junto com o advogado Danilo Fava (Denis Moschitto), amigo de Katja e Nuri, tenta dar um certo conforto e sustentação para Katja depois da morte trágica do marido e do filho. Mas, claro, nada disso adianta. Logo após a confirmação das mortes, Katja se lembra de uma possível suspeita que deixou uma bicicleta sem cadeado na frente do escritório que foi bombardeado. É feito um retrato falado, mas a polícia primeiro pensa na possível culpabilidade da vítima, Nuri.

Isso incomoda, e muito, mas é uma coisa bastante comum nos dias atuais. Não apenas a polícia, mas muitas “pessoas de bem” – odeio esse termo, devo dizer – saem julgando a vítima apenas pelos equívocos que ela cometeu antes. Como se alguém “merecesse” morrer porque foi preso antes. Assim, ao invés do inspetor-chefe Gerrit Reetz (Henning Peker) realmente ir atrás da suspeita apontada por Katja ou buscar outras fontes de informação, como câmeras de segurança – eis uma das falhas do filme, ao meu ver – para encontrar os criminosos, ele resolveu investigar a vítima.

Sim, porque por ser de origem turca e por ter sido preso durante quatro anos como traficante, Nuri deveria ter alguma “culpa no cartório”. Como Reetz diz com todas as letras para a viúva, Nuri deveria estar fazendo algo de errado e deveria ter desagradado a alguma das “máfias” existentes na Alemanha. Que beleza, não? Tudo bem a polícia trabalhar com todas as possibilidades e ter diversas linhas de investigação, mas daí a presumir a culpa da vítima apenas por causa do seu passado, me parece um bocado injusto demais.

Da sua parte, Katja acredita que algum neonazista foi o culpado pelo atentado. Apesar daquele certo apoio da família, ela não suporta a dor dilacerante de ter perdido, de uma hora para a outra, toda a felicidade que tinha com o marido e o filho. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Ela não vê mais sentido em viver e, quando está quase morrendo, após cortar os pulsos na banheira, ela escuta uma mensagem do advogado Danilo que lhe acende alguma vontade de seguir em frente.

Ele comenta, na mensagem que deixou na secretária eletrônica, que Katja estava certa. Que tinham sido neonazistas os responsáveis pelo atentado. Aí entramos na segunda parte do filme, quando Akin e Bohm encaram o capítulo da justiça. Julgamentos sempre são interessantes, e esse se revela especialmente dolorido pelos detalhes que são narrados sobre o que aconteceu com as vítimas. Uma crueldade inacreditável. E os acusados, o casal Edda (Hanna Hilsdorf) e André Möller (Ulrich Brandhoff), impassíveis frente a tudo que foi dito.

Algo que me chamou muito a atenção é que o casal só foi “descoberto” por causa da denúncia do pai de André, Jürgen Möller (Ulrich Tukur). Ou seja, não foi porque a polícia fez um bom trabalho, mas porque um cidadão comum e consciente resolveu denunciar o próprio filho e nora por algo abjeto que eles fizeram. Mais um exemplo de como a busca pela justiça varia muito conforme a vítima.

Durante todo o filme eu me perguntei como teria sido o desenrolar daquela história se a vítima tivesse sido Katja. Se Nuri tivesse sobrevivido, teria feito alguma diferença? Duvido muito, porque o que estava em jogo ali, me parece, é o fato de que nem ela e nem ele eram os “cidadãos modelo”. E a polícia e a Justiça, aparentemente, não tem um tratamento igualitário para todos os cidadãos. Isso fica claro também com o fim do julgamento – e vamos convir que essa história de “falta de provas” ou de “dúvida pró réu” muitas vezes é pura babela para proteger alguns perfis de pessoas e não outras.

Passado tudo aquilo, e com a segunda violência que Katja sofria em relação à sua família – primeiro a morte deles, depois, a falta de justiça para o caso -, entramos na terceira parte da história: O Mar. Esse é a parte em que Katja busca a justiça pelas próprias mãos, viajando para a Grécia, onde se hospeda a uma certa distância do alvo do início da sua investigação, o empresário grego neonazista Nikolas Makaris (Yannis Economides).

No julgamento dos Möller, Makaris mentiu a favor deles. Katja tem certeza que os dois serão protegidos novamente por Makaris e vai atrás deles na Grécia. Lá, ela busca a justiça por sua conta. Depois de uma investida um tanto maluca no hotel de Makaris, ela tem a sorte do neonazista ser burro o suficiente para ir no esconderijo dos Möller para avisá-los sobre a presença dela na cidade. Isso era tudo que ela precisava, saber sobre a localização deles.

Aí temos a segunda “bobeira” do roteiro. (SPOILER – não leia… bem, você já sabe). Primeiro, vemos aquela perseguição um tanto “ousada demais” da protagonista, que entra em uma estrada sinistra atrás de Makaris. Depois, e essa é a pisada na bola pior, a meu ver, ela acreditar que a forma mais interessante de matar o casal neonazista seria preparar uma bomba igual a que eles tinham feito para matar o marido e o filho dela.

Vamos lá. Falemos de vida real. Você localiza os dois canalhas que mataram a sua família. Qual seria a sua ideia de vingança? Certamente não seria preparar uma bomba caseira e levar ela em estradas de terra até o local do ataque, não é mesmo? Muito mais prática uma pistola ou até mesmo um fuzil. Tenho certeza que na Alemanha também existe um mercado ilegal de armas no qual ela poderia providenciar isso.

Muito mais difícil é ela tentar imitar uma bomba caseira só de saber os seus ingredientes e o seu “esquema”. Claro que Fatih Akin precisava dessa ideia de bomba para o seu “grand finale”. Mas vou dizer para vocês que essa “forçada de barra” me incomodou um pouquinho. Depois, achei no mínimo estranho aquela recuada dela antes do ato final. Ela desiste detonar a bomba na primeira vez. Daí eu pensei: “Ah, ela percebeu que matar eles não iria resolver nada. Que o marido dela e o filho continuariam mortos. Então o que ela vai fazer é terminar o que tinha começado na banheira”.

Pensei isso e achei que o título do terceiro capítulo, “O Mar”, tinha a ver com isso. Com a “solução final” que ela iria encontrar para aquele episódio sem solução satisfatória. Quando ela finalmente atende o telefonema do advogado, e meio que se despede dele, eu concluí que ela iria se matar. Mas aí temos o grande finale, em que tudo isso se junta – o desejo de morrer com o desejo de vingança e/ou “justiça”.

O filme é potente, e mostra que nenhuma violência ou extremismo leva a lugar algum. Apenas à morte e a mais destruição. Ninguém saiu melhor daquela história. Apenas diversas vidas foram jogadas fora e exterminadas por causa de ignorância, preconceito e um ódio reprimido que teve uma resolução desastrosa.

Quando eu penso nos títulos dos “capítulos” do filme, penso que Fatih Akin e Hark Bohm desconstruíram os três conceitos. A ideia de família, de justiça e a simbologia pacífica do mar são destruídas pelos acontecimentos que vemos em cena. Tudo que sobra no final é morte, destruição e sofrimento. Como eu disse antes, nada de bom. E tudo isso por qual razão mesmo? Porque alguns cretinos acreditam que são superiores a outras pessoas.

Infelizmente na Europa existem muitos grupos de xenófobos, preconceituosos e extremistas. Gente cretina que realmente provoca casos como o que vemos em Aus Dem Nichts. Por isso mesmo, esse filme é tão importante. Ele coloca o holofote nesta questão, e mostra com muita propriedade a dor insolúvel de quem fica – no caso, a personagem interpretada pela ótima Diane Kruger. Impossível não sentir a dor dela e se compadecer com o seu exemplo.

Antes, citei alguns pontos que me incomodaram na história. Sim, entendo as intenções de Fatih Akin. Mas ele poderia ter cuidado um pouco mais com alguns detalhes do roteiro – para que o filme não parecesse um tanto “largado” em alguns pontos. Vou citar as duas questões que mais me incomodaram. Uma das razões para Edda e André Möller terem sido absolvidos é porque não foi possível comprovar o depoimento de Katja que disse que viu Edda deixando a bicicleta na frente do escritório no bairro turco.

Gente, hoje em dia, que cidade de médio ou grande porte não está polvilhada de câmeras de segurança? E além dessas câmeras, o quanto não é frequente lojas, bancos e outros estabelecimentos terem câmeras que gravam, inclusive, parte das ruas? Então justamente na rua onde foi feito o ataque não havia uma santa câmera filmando que pudesse mostrar Edda ou alguém parecido com ela? Achei essa parte bem difícil de acreditar, mas entendo que Akin precisava disso para conseguir justificar o seu terceiro capítulo.

E aí o outro ponto que me incomodou foi a “solução criativa” que Katja deu para o seu plano de vingança. Sério mesmo que uma mãe que não tinha chegado a terminar a faculdade, que fazia uma carreira que não tinha nada a ver com eletrônica ou conhecimentos que pudessem lhe ajudar a fazer uma bomba poderia, com um bocado de facilidade, replicar uma bomba caseira como a que matou a sua família?

Para “justificar” o talento de Katja para os eletrônicos, ela foi mostrada em uma sequência do passado consertando um carrinho de controle remoto do filho. Novamente, achei exagerada a escolha de Fatih Akin para tornar o seu filme ainda mais potente. Não me parece que uma mulher com o perfil de Katja realmente faria aquilo – até porque, volto a dizer, seria muito mais fácil ela terminar com os neonazistas atirando neles, não é mesmo?

Então sim, o filme tem um belo propósito, é bem conduzido, faz o espectador se colocar no lugar da protagonista, mas ele poderia ter um roteiro um pouco mais bem cuidado. Aus Dem Nichts está entre os bons filmes dessa temporada, mas realmente eu não acho que ela era tão bom assim para ser um dos favoritos ao Oscar. Em outras palavras, não foi uma injustiça ele ficar de fora da disputa. Ainda assim, certamente ele merece ser visto.

NOTA: 9.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Pessoal, estou na correria e super cansada. Então eu vou parar a crítica por aqui e publicar ela hoje apesar de não ter feito essa parte das curiosidades sobre o filme. Prometo retomar essa parte logo que possível. Mas, agora mesmo, prefiro publicar a crítica do que ficar com ela semi-pronta. Espero que me entendam. 😉

Olá pessoal! Voltei. 😉 Então, vamos falar um pouco mais sobre Aus Dem Nichts. Entre os aspectos técnicos do filme que vale destacar, me chamou a atenção a direção de fotografia de Rainer Klausmann; a edição de Andrew Bird; os figurinos de Katrin Aschendorf; o design de produção de Tamo Kunz; e a direção de arte de Seth Aschenorf.

O diretor Fatih Akin faz um bom trabalho na direção, começando por um vídeo mais “amador”, naquela sequência no presídio – se passando, então, realmente por um cinegrafista amador -, e seguindo com uma câmera muito próxima dos atores e de suas entregas. O roteiro dele e de Hark Bohm também é bom, mas não é excepcional – ele tem algumas falhas já comentadas. Esse não é o melhor filme de Akin, mas também não deixa de ser bom.

Do elenco, sem dúvida alguma a grande estrela é Diane Kruger. Ela está excepcional no papel de Katja. Realmente a entrega dela é visceral, ao ponto de não deixar ninguém incólume ou sem passar ao menos alguns minutos na sua pele. Um belo trabalho, sem dúvida. Além dela, vale destacar o bom trabalho de Denis Moschitto como o advogado Danilo Fava; de Johannes Krisch como o “odioso” advogado de defesa do casal de neonazistas; de Numan Acar como Nuri – pena que o papel dele tenha sido tão pequeno; de Henning Peker como o inspetor-chefe Gerrit Reetz; e de Rafael Santana em praticamente uma ponta – mas com desempenho muito simpático – como Rocco.

Aus Dem Nichts estreou em maio de 2017 no Festival de Cinema de Cannes. Depois, o filme participaria, ainda, de outros 29 festivais em diversos países. Nessa trajetória, o filme conquistou 10 prêmios e foi indicado a outros 14. Entre os prêmios que recebeu, destaque para o Globo de Ouro de Melhor Filme em Língua Estrangeira; para o prêmio de Melhor Atriz para Diane Kruger no Bavarian Film Awards; para o prêmio de Melhor Atriz para Diane Kruger no Festival de Cinema de Cannes; para o prêmio de Melhor Filme no Festival de Cinema Vukovar; para os prêmios de Melhor Filme Estrangeiro e Melhor Atriz para Diane Kruger no Satellite Awards; e para três prêmios como Melhor Filme em Língua Estrangeira dados por associações de críticos.

Agora, uma curiosidade sobre essa produção. Como comentei antes, Aus Dem Nichts é dividido em três capítulos. Em cada uma dessas partes, o diretor de fotografia Rainer Klausmann usou um recurso diferente – justamente para diferenciar bem cada segmento. Na primeira parte do filme, ele filmou no modo “Super-16” com a intenção de obter um visual mais áspero. Na segunda parte, ele utilizou lentes anamórficas novas e filmou de uma maneira mais estática. E na terceira parte, ele utilizou lentes velhas vintage para conseguir imagens mais “suaves”. Os segmentos mais curtos de vídeos caseiros foram rodados com smartphones comuns.

De acordo com o site Box Office Mojo, Aus Dem Nichts faturou cerca de US$ 306 mil nos Estados Unidos. Uma bilheteria baixíssima e que revela o pouco interesse que o filme despertou no público daquele país.

Os usuários do site IMDb deram a nota 7,3 para esta produção. Uma avaliação boa se considerarmos o padrão do site. Os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 76 críticas positivas e 28 negativas para o filme, o que garante para essa produção uma aprovação de 73% e uma nota média de 6,7. Enquanto isso, segundo o site Metacritic, Aus Dem Nichts registrou um score entre os críticos de 64 (22 avaliações positivas, 7 mescladas e 1 negativa) e um “user score” de 8,1. Ou seja, no geral, o filme foi bem avaliado.

Aus Dem Nichts é uma coprodução da Alemanha e da França. Há muito tempo, ao fazer uma consulta aqui no blog, as pessoas pediram filmes da Alemanha. Por isso, essa produção entra na lista de filmes que atendem o pedido de vocês.

CONCLUSÃO: Um filme potente, com uma atriz fantástica como protagonista e com uma história bastante atual. Infelizmente. Muitos problemas são gerados pela falta de memória história e pela falta de conhecimento, de educação e de humildade. Aus Dem Nichts nos mostra de maneira contundente os efeitos práticos de um ataque terrorista. Apesar de ser interessante e de jogar luz em questões importantes, esse filme peca por alguns detalhes de roteiro. Nada que o desmereça, mas sem dúvida ele não foi o melhor estrangeiro da temporada. Prefiro ainda o vencedor do Oscar nessa categoria, o chileno Una Mujer Fantástica (comentado aqui). Mas todos merecem ser vistos.

Phantom Thread – Trama Fantasma

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O amor é um troço complicado. Especialmente quando tratamos do amor romântico, aquele que dilacera a pessoa, faz ela cometer atos até então impensados. Aquele amor que bagunça a tua vida e que muda a tua rotina. Digo que esse amor é complicado para não dizer que ele é aquela palavra que começa com F… Sim, porque ele é bem assim.

Phantom Thread, o último filme que me faltava para completar a lista dos 9 indicados na categoria Melhor Filme do Oscar 2018, me surpreendeu em alguns pontos e me tranquilizou em outros. Paul Thomas Anderson, diretor e roteirista de quem eu tanto gosto, continua mandando bem. Fiquei feliz (e tranquila) por isso.

A HISTÓRIA: Começa com um “depoimento” de Alma (Vicky Krieps), que diz que Reynolds (Daniel Day-Lewis) transformou os sonhos dela em realidade. Em troca, ela teve que entregar para ele tudo que ele desejava. Alguém lhe pergunta o que isso seria, e ela diz que cada pedaço dela. O seu interlocutor pergunta se ele é um homem exigente, e comenta que deve ser difícil estar com ele, e Alma diz que ele é, possivelmente, o mais exigente dos homens. Em seguida, vemos a Reynolds começando mais um dia, com todo o seu preparo para que ele esteja impecável.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Phantom Thread): Eu gosto de filme que parecem uma coisa e, depois, se revelam outra. Inicialmente, Phantom Thread parece uma produção sobre um sujeito que é admirado por seu talento, dedicação extrema ao trabalho e pela arte que ele produz com a ajuda de uma equipe de mulheres talentosas.

Ou seja, inicialmente esse filme parece tratar do estilista Reynolds Woodcock (Daniel Day-Lewis) e de sua arte com o design e os detalhes de cada vestido incrível que ele cria para as mulheres endinheiradas da Europa. Mas aos poucos vamos vendo que essa produção trata, em realidade, de outro tema. (SPOILER – não leia se você não assistiu a essa produção). Phantom Thread fala do encantamento, da paixão, do amor e de como tudo isso pode ser usado para a criação, para a dedicação de uma pessoa pela outra (ou por algo) ou para a destruição.

Gostei, nessa produção, especialmente, do roteiro do diretor Paul Thomas Anderson. Ele acertou tanto na apresentação dos personagens principais, adentrando na vida, em especial, do protagonista, quanto acertou em cheio na construção de alguns diálogos muito marcantes. Percebe-se que ele cuidou de cada linha da história, sem descuidar de nenhum detalhe. E o efeito disso tudo é que o seu filme é potente e, ao mesmo tempo, sutil. Curioso, não?

Não são muitos os filmes que tratam com o devido respeito e talento personagens com personalidade forte. Aqui, temos de maneira evidente, desde o princípio, o “sol” da personalidade de Reynolds Woodcock, um sujeito realmente exigente, talentoso e que não consegue mostrar fragilidade em momento algum, exceto quando está sobrecarregado pelo trabalho. Algumas vezes, todo esse nível de exigência, faz com que ele seja cruel com as pessoas – especialmente com as mulheres que, para ele, são um bocado “descartáveis”.

Mas, um belo dia, quando ele sai de Londres para “espairecer” um pouco pelo interior, ele se encontra com um mulher de sorriso fácil e encantadora, a jovem Alma. Ela vira o novo objeto de desejo dele, e o encantamento entre os dois fica evidente logo na primeira troca de olhares. O que descobrimos em Phantom Thread, e aos poucos, como deve ser, é que Reynolds encontrou em Alma uma mulher tão forte, determinada e apaixonada quanto ele. Só que de outra forma.

Eu já esperava por um belo trabalho do grande Daniel Day-Lewis, um dos meus atores preferidos. Mas, quem diria, ele tem uma atriz tão boa quanto ele com quem contracenar nessa produção. Até assistir a Phantom Thread, Vicky Krieps era uma desconhecida para mim. Mas que bela atriz, meus bons amigos e amigas do blog! Ela é encantadora, charmosa, carismática, perigosa e forte na medida certa.

Então, no fim das contas, Phantom Thread trata de tudo que eu comentei antes, mas, especialmente, sobre os ganhos, perdas e o preço alto que o amor romântico e extremo pode cobrar das pessoas. (SPOILER – não leia… bem, você já sabe). Alma realmente ama Reynolds, e ele gosta dela. Mas para conseguir manter a relação entre os dois, Alma descobre que precisa fragilizar o ser amado quando ele não está preparado para isso – e quase até o ponto dele morrer. No fundo, ela se revela mais forte do que ele, porque ela pode viver sem Reynolds.

Esse é um ponto interessante do filme. Ambos podem viver um em o outro, mas eles decidem não fazer isso. Ela, porque está obstinada por ser a pessoa mais poderosa da relação. Ele, porque fica fascinado pelo ponto extremo em que ela chega por causa dele. Esse amor extremo que eles cultivam chega a ser doentio, além de perigoso. Mas quem somos nós, público que gosta de uma boa história, para julgá-los?

O título é algo interessante, também. Inicialmente, quando pensamos na palavra “trama”, em português, ela nos remete à ideia de “enredo”, de “história”. Mas, no caso desse filme, acho que a história tem mais a ver com a trama de tecidos, com a trama de fios que acaba sendo a base de um vestido ou de uma peça qualquer que nos veste e que ajuda a nos definir e/ou identificar os nossos gostos e escolhas para o mundo.

E o que seria o “fantasma” do título? Para mim, esse “fantasma” tem a ver com a presença da mãe na vida de Reynolds. Essa presença é marcante, não apenas quando ele se lembra e fala dela, mas, principalmente, quando o protagonista não nota que ela esteja presente. E a mãe está presente em todo o momento. Inclusive porque ele a idealiza, a coloca em um pedestal, e a torna insubstituível – por isso mesmo a sua dificuldade de aceitar qualquer mulher em sua vida por longo tempo.

Até conhecer Alma, Reynolds se considera um “solteiro convicto”. Há um diálogo precioso entre ele e Alma, quando ele fala sobre isso e sobre como “as expectativas e as suposições” sobre o outro trazem mágoas. Que frase, meus amigos! E essa é uma entre várias marcantes. Ele está certíssimo. Nos defendemos e nos isolamos justamente porque não queremos sofrer, e o sofrimento muitas vezes acontece por expectativas não atendidas e por suposições sobre o que os outros são ou fazem equivocadas.

Isso acontece com praticamente todo mundo. Em maior ou menor grau, a mãe e/ou o pai de uma pessoa marcam presença na vida dessa pessoa para sempre. Ela notando ou não. Esse “fantasma” pode ser uma presença suave, compreensiva, que apenas nos deixa menos “solitários”, ou pode ser uma presença tão grande, marcante e “pesada” que tira o espaço de outras pessoas que estão vivas e ao nosso redor. Para mim, esse é um dos pontos que essa produção trata de forma muito sutil.

Assim, essa produção trata de amor e trata também do que nos define, do que forma o nosso caráter e de elementos que ajudam a explicar o porquê de fazermos o que fazemos. É um filme bastante humanista, no final de contas. E muito belo também. Paul Thomas Anderson selecionou a sua equipe à dedo e conseguiu nos apresentar uma obra detalhista, atenciosa em cada detalhe, capaz de nos fascinar pelo visual e pelas palavras também selecionadas à dedo.

Enfim, um filme muito interessante e que nos surpreende positivamente por não ser pretensioso ou arrogante. Na verdade, Phantom Thread pode parecer mais simples do que é, para quem não estiver atento a cada detalhe. Mas ele é cheio de sutilezas e de pequenos detalhes, como os vestidos que Reynolds cria. Um filme provocante, atraente, e que faz pensar. Bem acima da média, pois, e merecedor de ter chegado ao Oscar 2018 com seis indicações, incluindo a de Melhor Filme.

NOTA: 9,4.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Uma obra de cinema pode ser chamada dessa forma quando percebemos que cada detalhe da produção foi cuidado com esmero. E isso acontece com esse Phantom Thread. Todos os elementos dessa produção são perfeitos. Nenhum precisa de ajustes. Isso começa com a trilha sonora marcante e inspirada de Johny Greenwood, segue com as linhas do roteiro minuciosamente escritas por Paul Thomas Anderson, segue com o trabalho dedicado e inspirador dos atores e segue até os figurinos maravilhosos de Mark Bridges.

Isso apenas para falar dos elementos mais marcantes dessa produção. Mas todos os detalhes estão perfeitos e ajudam a contar essa história. Entre os aspectos técnicos, sem dúvida alguma os figurinos e a trilha sonora se destacam. Mas é possível destacar também a direção de fotografia maravilhosa de Paul Thomas Anderson; a edição de Dylan Tichenor; o design de produção de Mark Tildesley; a direção de arte de Chris Peters, Denis Schnegg e Adam Squires; a decoração de set de Véronique Melery; e a maquiagem feita por 19 profissionais competentes.

Entre outros elementos, Phantom Thread nos faz pensar sobre as nossas próprias manias, hábitos, e sobre o quanto estamos ou não abertos a abrir mão deles ou ceder para que outras pessoas façam parte da nossa vida. É especialmente interessante, por exemplo, como o protagonista tem hábitos bastante “marcados”. Como o café da manhã, que se não for silencioso e pacífico, pode “acabar” com todo o seu dia. Alma acaba se adaptando à rotina dele, mas ela também acaba alterando essa rotina aqui e ali, de forma sutil. E é isso, essa presença marcante de Alma, que não está ali para agradá-lo apenas, mas também para confrontá-lo, que acaba fascinando Reynolds.

Não sei vocês, mas acredito que isso seja verdadeiro em diversos aspectos da nossa vida. As pessoas mais marcantes não são aquelas que nos agradam, que estão tentando nos fazer “felizes” o tempo todo, mas aquela que nos fazem crescer, que nos questionam, que nos “confrontam”, mas que mostram que tem opinião e que tem talentos próprios. Pessoas que não são capazes de viver sob a sombra de ninguém, porque tem luz própria. Essas são as mais interessantes, não há dúvidas.

E o que dizer dos atores? Paul Thomas Anderson fez a escolha certa ao dar destaque, essencialmente, para o trabalho de três atores. Todos esperavam um belo trabalho de Daniel Day-Lewis. Ele realmente faz mais um trabalho primoroso, detalhista e marcante. Como lhe é típico. Mas outros dois nomes, de mulheres, acabam se destacando na produção: Vicky Krieps como Alma e Lesley Manville como Cyril, irmã do protagonista. Interessante como elas, de forma sutil algumas vezes, outras vezes de forma bastante explícita, marcam presença e fazem duetos entre si. Esse trio de atores vale cada minuto em que eles aparecem em cena.

Além dos protagonistas e de Lesley Manville, Phantom Thread tem apenas alguns personagens coadjuvantes que ganham um certo destaque. Nesse sentido, vale comentar o trabalho de Camilla Rutherford como Johanna, a mulher que está com Reynolds no início da produção – mas que logo será despachada por Cyril a pedido de Reynolds; Gina McKee como Henrietta Harding, uma das clientes fiéis de Reynolds; Brian Gleeson como o Dr. Robert Hardy, que tenta atender Reynolds e que “entrevista” Alma naquela sequência inicial da produção; Lujza Richter como a Princesa Mona Braganza; Emma Clandon como a mãe de Reynolds e Harriet Sansom Harris como Barbara Rose, a socialite um tanto sem limites que “não merecia” ficar com um vestido de Reynolds.

Phantom Thread estreou em première em Beverly Hills no dia 24 de novembro de 2017. Depois, o filme fez uma trajetória em que passou por cinco festivais de cinema. Até o momento, ele ganhou 45 prêmios e foi indicado a outros 93 – incluindo a indicação em seis categorias do Oscar, sendo que o filme saiu vencedor de uma delas.

Entre os prêmios que recebeu, destaque para o Oscar de Melhor Figurino; para o BAFTA de Melhor Figurino; para outros oito prêmios de Melhor Figurino; para sete prêmios de Melhor Diretor para Paul Thomas Anderson; para 12 prêmios de Melhor Trilha Sonora; para dois prêmios de Melhor Filme; para um prêmio de Melhor Atriz para Vicky Krieps; para dois prêmios de Melhor Atriz Coadjuvante para Lesley Manville; para três prêmios de Melhor Roteiro Original e para quatro prêmios de Melhor Ator para Daniel Day-Lewis.

Agora, algumas curiosidades sobre essa produção. O diretor Paul Thomas Anderson teve a ideia de fazer esse roteiro em um dia em que estava doente e de cama por causa disso. A esposa dele, Maya Rudolph, estava cuidando do diretor quando ele percebeu que ela lhe lançou um olhar tão cheio de ternura e de amor como há muito tempo ele não notava. Daí surgiu a ideia de Phantom Thread. Interessante.

Paul Thomas Anderson disse que a linha preferida dele do roteiro é aquela dita por Daniel Day-Lewis: “O chá está saindo, mas a interrupção permanecerá aqui comigo”. Hahahaha. Realmente a linha é ótima. E arrancou algumas risadas da plateia no cinema em que eu fui conferir essa produção.

Para se preparar para o filme, Daniel Day-Lewis assistiu a gravações de desfiles de moda dos anos 1940 e 1950, estudou designers famosos, consultou com um curador de moda e de têxteis no Museu Victoria e Albert em Londres e aprendeu sobre Marc Happel, chefe do Departamento de Vestuário do New York City Ballet. O ator também aprendeu a costurar e tentou costurar um vestido de bainha “Balenciaga” para a esposa Rebecca Miller. Não por acaso esse ator é tão bom em seu ofício. Ele realmente mergulha no personagem, vive por ele, e isso se nota na telona.

A atriz Vicky Krieps não se encontrou com o ator Daniel Day-Lewis até o primeiro dia de filmagens. Ela também foi orientada a sempre referir-se a ele como Reynolds, durante as filmagens, para que ela nunca perdesse da mente o personagem. Curioso que mesmo na fase de divulgação do filme, muitas vezes a atriz se referiu a Day-Lewis como Reynolds.

O ator Daniel Day-Lewis disse que Phantom Thread é o seu último filme. No dia 20 de junho de 2017 ele anunciou a sua aposentadoria. O cinema perde um grande ator, sem dúvidas.

A história do designer de moda espanhol Cristóbal Balenciaga, incluindo a sua dedicação ao trabalho e a sua vida um tanto “monástica” inspirou o diretor e roteirista Paul Thomas Anderson na construção do protagonista desta história.

As filmagens de Phantom Thread terminaram no dia 26 de abril de 2017, mesmo dia em que o amigo e mentor de Paul Thomas Anderson, o diretor Jonathan Demme, faleceu de câncer. Phantom Thread é dedicado para Demme. Outro grande diretor, diga-se de passagem.

De acordo com as notas de produção, o roteiro de Paul Thomas Anderson teve uma grande participação do ator Daniel Day-Lewis. Tanto que o diretor disse que, provavelmente, o mais correto é que o ator tivesse recebido algum crédito por isso.

O diretor italiano Luca Guadagnino, de Call Me By Your Name (com crítica nesse link), considerou Phantom Thread o melhor filme de 2017. Enquanto isso, Paul Thomas Anderson disse, no Reddit, que o seu filme favorito no ano foi Call Me By Your Name. Sim, os dois filmes estão acima da média e estão entre as boas pedidas do ano, mas eu tive outros que me chamaram mais a atenção em 2017. Ainda assim, considero que ambos mereceram chegar bem no Oscar, por exemplo.

Seguindo uma tradição que Paul Thomas Anderson lançou e seguiu nos seus três filmes anteriores, os materiais publicitários de Phantom Thread apresentam cenas que não vemos na versão final da produção. Achei essa ideia ótima, afinal, muitas vezes os trailers estragam a nossa experiência dos filmes aos nos apresentarem cenas que não deveríamos ver fora de contexto.

Phantom Thread não cita nenhuma data, mas há algumas indicações na história que apontam que ela teria ocorrido entre maio de 1953, quando um cliente compra um vestido de gala para uma Coroação e outubro de 1954, data de uma revista UK Vogue que aparece na reta final da produção. Interessante pensar que essa história se passa nos anos 1950, especialmente pelo que acontece com os atores – e pela força da personagem feminina Alma.

Algumas sequências desse filme foram rodadas nas aldeias de Lythe e de Staithes, que estão próximas de Whitby, na costa leste da Inglaterra.

Esse filme é uma coprodução do Reino Unido com os Estados Unidos.

Os usuários do site IMDb deram a nota 7,8 para esta produção, enquanto que os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 246 críticas positivas e 23 negativas para esta produção, o que garante para Phantom Thread uma aprovação de 91% e uma nota média de 8,5. Especialmente as notas dos dois sites chamam a atenção – elas estão bem acima da média.

De acordo com o site Box Office Mojo, Phantom Thread fez pouco mais de US$ 20,7 milhões nas bilheterias dos Estados Unidos e cerca de US$ 20,7 milhões nas bilheterias dos outros países em que estreou até 11 de março. No total, portanto, essa produção acumula pouco mais de US$ 41,4 milhões. Um dos melhores resultados já obtidos por um filme de Paul Thomas Anderson. Fico feliz pelo diretor. E também porque o filme merece ser visto.

CONCLUSÃO: Um filme sobre um tipo de amor sobre o qual parte da Humanidade nunca vai vivenciar. Ou conhecer. Ou mesmo “roçar”. Phantom Thread trata de um desses amores descabidos, que começam com uma grande admiração, flerte, e que avançam para um desejo que não tem muitas barreiras. Um filme bem narrado, com uma condução bem cadenciada, ótimas interpretações e, principalmente, alguns diálogos preciosos.

Fico feliz em ver que o diretor Paul Thomas Anderson continua centrado, escrevendo bem, e nos lançando algumas ideias interessantes. A provocação dele é sempre bem-vinda. Um belo filme. Um dos mais contundentes sobre a “loucura” do amor que tivemos a possibilidade de ver nos últimos tempos.

E o Oscar 2018 foi para… (cobertura online e todos os premiados)

Olá amigos e amigas do blog!

O tempo passou veloz, mais uma vez, e estamos aqui juntos para mais uma cobertura da premiação máxima da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. O querido Oscar chega aos seus 90 anos. A safra desse ano é interessante, apesar de algumas produções bacanas terem ficado de fora de algumas categorias importantes.

Mas quem acompanha ao Oscar há algum tempo, sabe que é assim mesmo. Os votantes da Academia muitas vezes acertam, outra vezes, nem tanto. Por isso alguns dizem que o Oscar tem as suas injustiças e promove as suas consagrações. É uma forma de encarar o que vemos no Oscar. Eu já prefiro pensar que em cada ano temos uma “onda” e uma “bola da vez” da indústria do cinema dos Estados Unidos.

E que nós, que fazemos parte do público, estamos alheios a tudo isso. E que acabamos fazendo as nossas escolhas com base apenas nos nossos gostos, experiências dentro e fora do cinema, independente do lobby e dos “bastidores” da indústria – que, no final de contas, é o que define os premiados, e não o gosto popular.

Dito isso, o que podemos esperar do Oscar 2018? Eu acredito que teremos uma noite muito interessante, com discursos fortes e com alguns “dedos na ferida”. Especialmente porque Hollywood vive um momento interessante, em que se discute mais respeito entre os profissionais que fazem parte da indústria e em que, mais uma vez, se discute uma maior igualdade – seja de gênero, seja racial.

Assim, Hollywood, mais uma vez, mostra-se “vulnerável” em relação às discussões sociais que correm fora de seus muros e estúdios. O que é muito positivo. Como Hollywood também dita tendências, nada melhor do que debater assuntos importantes e, quem sabe, influenciar positivamente algumas mudanças na sociedade, não é mesmo? Como a imprensa e a TV tem as suas responsabilidades com a sociedade, o cinema também.

Mas o que esperar, mais especificamente, sobre a entrega das estatuetas douradas? Acredito que teremos uma edição 90º do Oscar com entregas pulverizadas. Por baixo, acredito que 12 filmes e três curtas serão premiados. Mas quem se consagrará mais? Tudo indica que Dunkirk receberá a maioria dos prêmios técnicos e que Three Billboards Outside Ebbing, Missouri, tem grandes chances de ganhar uma boa quantidade dos Oscar’s principais – incluindo Melhor Filme, Melhor Atriz, Melhor Ator Coadjuvante e Melhor Roteiro Original.

Three Billboards Outside Ebbing, Missouri, pode perder o Oscar de Melhor Filme para Dunkirk ou The Shape of Water; e pode perder o Oscar de Melhor Roteiro Original para Get Out. A verdade é que não temos um filme inquestionável este ano para dominar a premiação. Há vários filmes muito bons na disputa, por isso não seria injusto que muitos saíssem ganhando alguma estatueta.

Por outro lado, acho que algumas indicações foram exageradas. Da minha parte, eu não teria indicado Lady Bird, Darkest Hour ou The Post para Melhor Filme. Por outro lado, acho que mereciam ter sido indicados nessa categoria filmes como I, Tonya e The Florida Project, produções muito mais marcantes e “potentes” do que esses outros filmes que acabaram sendo indicados.

Estou acompanhando o tapete vermelho desde pouco antes das 20h. Até o momento, nada de muito relevante para destacar. Apenas uma presença feminina expressiva, e com as mulheres marcando posição sobre os abusos sexuais e o sexismo que ainda distribui muitas cartas em Hollywood. Mas diferente do Golden Globes, as pessoas estão variando os seus modelitos no Oscar, colocando cores variadas no tapete vermelho – ou seja, não está predominando o preto, como ocorreu no Golden Globes, quando astros e estrelas usaram essa cor para marcar posição em relação aos abusos.

Algo que posso comentar, sobre o tapete vermelho, é que todos os astros e estrelas que gostamos de ver, estão marcando presença na entrega da premiação desse ano. Das entrevistas que ouvi até agora, as 20h45, a que eu destacaria seria a de Christopher Plummer, que elogiou muito o trabalho de Ridley Scott, a forma com que o diretor consegue imaginar um filme complexo com muitos detalhes e como ele valoriza o trabalho dos atores. Plummer é uma das melhores qualidades do mediano All the Money in the World.

Vale lembrar que o apresentador do Oscar, mais uma vez, será Jimmy Kimmel. Devo dizer que a experiência com ele no ano passado foi um tanto desastrosa. Achei ele sem graça, um tanto forçado. Vejamos o que ele tira da cartola essa noite. O que esperamos é que ele não faça nenhuma grande besteira, que a premiação tenha um ritmo melhor cadenciado e que, claro, ninguém troque o envelope de Melhor Filme mais uma vez. 😉

Entrevistada no tapete vermelho, a atriz Helen Mirren falou do “furacão” que está varrendo Hollywood e a indústria do cinema nos últimos meses. Ela disse que acompanha mudanças progressivas, mas lentas, há 10 anos. Disse também que essas mudanças maiores que estão acontecendo agora poderiam ter vindo antes. Sem dúvida. Mas aí é aquela história: antes “tarde do que mais tarde”, não é mesmo?

O ator Bradley Whitford, de Get Out – um dos belos filmes de 2017 e que está concorrendo em quatro categorias -, comenta que existe ainda muito preconceito nos Estados Unidos e que o filme trata sobre como as pessoas se sentem no meio de outras pessoas que lhe são “estranhas”, e que isso vai de forma mais profunda do que apenas a questão racial. Verdade. O filme trata muito bem sobre isso, mas também é sim um filme potente sobre como os negros continuam sendo explorados – nos Estados Unidos e em várias outras latitudes – em pleno século 21.

Falando em desigualdade e afins, no Oscar desse ano eu espero que alguns latinos se saiam bem. O mexicano Guillermo del Toro é o favorito na categoria Melhor Diretor, e o chileno Una Mujer Fantástica tem grandes chances de ganhar como Melhor Filme em Língua Estrangeira. Eu torço pelos dois. Ambos merecem, e muito. Del Toro, nem tanto por The Shape of Water, mas por sua filmografia até aqui. Entre os cinco estrangeiros indicados, sem dúvidas o meu favorito é Una Mujer Fantástica.

A cerimônia do Oscar começa as 22h. Vamos ver como a premiação vai começar. Qual será o nível de besteirol de Jimmy Kimmel. Alexandre Desplat, que é um gigante das trilhas sonoras, comentou no tapete vermelho que já teve uma banda que tocava bossa nova. Ou seja, ele ama a música brasileira. Francês querido, além de muito, muito talentoso. Ele é o favorito para ganhar o Oscar dessa noite de Melhor Trilha Sonora.

E a premiação começou lembrando que o Oscar 2018 celebra os 90 anos da premiação. Como eles fizeram isso? Com uma narrativa imitando uma rádio antiga e as cenas todas em preto e branco. Uma bela sacada, devemos dizer. Jimmy Kimmel foi bem no começo no estilo “histórico”. O início da apresentação foi bem formal, até que ele tirou sarro do erro do Oscar de 2017. Sugeriu que ninguém se levante logo quando tiver o nome citado… 😉

Depois, explicou como a Academia trabalhou para evitar que um incidente como aquele de trocarem o vencedor do Melhor Filme aconteça novamente. Kimmel mandou bem ao tirar “sarro” da estatueta do Oscar, dizendo que ele é um bom exemplo por ter as mãos unidas em um local em que todos podem ver, por não falar nada grosseiro e por não ter um pênis, claro. Em seguida, ele falou da expulsão de Harvey Weinstein e da importância de Hollywood não deixar mais abusos “passarem” e acontecerem.

Sim, o Oscar não tratou com leveza o tema. A Academia resolveu falar abertamente sobre isso e também sobre pessoas que estão fazendo história na premiação desse ano, como Rachel Morrison, a primeira mulher da história a ser indicada na categoria Melhor Fotografia; e para Greta Gerwig, a primeira mulher a ser indicada como Melhor Diretora em muitos anos.

Entre os destaques citados por Kimmel, ele destacou as primeiras indicações de Margot Robbie e de Timothée Chalamet nas categorias principais de atuação – e tirou sarro que Chalamet estava perdendo os desenhos dele por estar na premiação. Sim, ele foi bem nas piadas. Melhorou em relação ao ano passado. Destacou também a 21ª indicação dela no Oscar, mas sem ser grosseiro.

Kimmel brincou que as pessoas terão toda a liberdade de fazer os seus discursos no Oscar 2018, mas que quem fizer o discurso mais curto, levará um jet ski. Hahahahaha. Muito bom!

E como manda o figurino e a tradição do Oscar, a primeira categoria entregue da noite foi Melhor Ator Coadjuvante. Em uma noite de celebração da história da premiação, um vídeo relembrou vários dos ganhadores e seus desempenhos brilhantes. O favoritíssimo desse ano é Sam Rockwell, de Three Billboards Outside Ebbing, Missouri. E o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante foi para… Sam Rockwell.

No seu discurso, Rockwell agradeceu os seus colegas de elenco e os pais, por terem lhe passado tanto amor pelo cinema. Um querido, ainda mais porque terminou falando do seu love.

Na volta do intervalo, Kimmel brincou com os discursos longos. Disse que eles não vão subir a música para quem fizer um discurso muito longo, mas que o ator Lakeith Stanfield, de Get Out, vai entrar em cena gritando Get Out. Hahahahaha. Vamos combinar que as piadas estão melhores!

Em seguida, Armie Hammer e Gal Gadot apresentaram o Oscar de Melhor Maquiagem e Cabelo. E o Oscar foi para… Darkest Hour. Mais uma bola cantada e um favorito que levou o seu prêmio na noite. Realmente excelente o trabalho feito no filme nesse quesito. Uma das partes mais bacanas da noite veio na sequência, com a homenagem que fizeram para Eva Marie Saint, atriz com 94 anos de idade que apresentou os indicados em Melhor Figurino. E o Oscar foi para… Phantom Thread.

Achei fofo que Eva Marie Saint comentou que tem um pouco mais de anos que a Academia e que ela se sentia feliz de receber todo o carinho da plateia – ela foi aplaudida de pé – porque ela sentia muito a falta do marido, que morreu em 2017 após eles ficarem casados mais de 60 anos. Phantom Thread é outro favorito que ganha o seu Oscar. Os figurinos do filme são realmente incríveis. Seria injusto outro resultado. Até agora, o Oscar sendo bastante justo – e a cerimônia de entrega também bastante acertada. No tom certo.

Depois de mais um intervalo, Laura Dern e Greta Gerwig subiram ao palco para apresentar a categoria Melhor Documentário. O favorito é Faces Places, filme de Agnès Varda e JR. Veremos se teremos mais uma confirmação de um favorito recebendo o prêmio. E o Oscar foi para… Icarus. Eita! O filme que eu queria tanto assistir e não deu tempo… Agora, não terei mais jeito. Preciso ver. Ele trata do dopping no esporte, um tema tão importante e muito atual. Não dá para dizer que é uma zebra, porque o filme estava bem cotado também. Primeiro Oscar da Netflix nesse ano. 😉

“A importância de contar a verdade, hoje mais do que nunca”, disse Bryan Fogel, diretor de Icarus. Está coberto de razão. E não apenas pelo lado podre e de abusos do esporte, mas em toda as esferas. Precisamos falar disso. Em seguida, Mary J. Blige, primeira pessoa indicada por Melhor Canção e Melhor Atriz Coadjuvante em um mesmo ano, subiu ao palco para apresentar a música de Mudbound, “Mighty River”. Apresentação eletrizante, e com Blige dando um show particular. Linda música, muito bem apresentada e com uma encenação de palco também incrível.

Até o momento, o Oscar está dando um show. Muito melhor que em anos recentes. Bacana. Para os fãs do cinema, chega a ser um alívio. 😉 Dos filmes premiados até agora, eu só não assisti a Icarus. Acabei optando pelo favorito das bolsas de apostas e não cheguei a ter tempo de ver ao segundo colocado da lista… mas logo verei. Phantom Thread, apesar de ainda não ter rendido uma crítica por aqui, eu já assisti. Ele será o próximo a ser comentado.

Na volta de mais um intervalo, um novo vídeo sobre o encantamento do cinema, com várias cenas de produções fantásticas que fazem parte dessa arte centenária e que faz parte da nossa vida. “O cinema é uma máquina de empatia”, disse alguém no meio da sequência de cenas. Alguém tem uma definição melhor? Junto com essa, apenas que o cinema é arte pura. E que trata sempre sobre nós, nossos sonhos e vidas. Uma “máquina de empatia”, sem dúvidas. E o vídeo ainda deixou a mensagem da esperança. Importante nunca esquecermos dela.

Após o belo vídeo, que terminou com um agradecimento da Academia para o público que ajudou a fazer o cinema nessas últimas nove décadas, foram apresentados os indicados na categoria Melhor Edição de Som. E o Oscar foi para… Dunkirk. Favoritíssimo nessa categoria. E na próxima também, de Melhor Mixagem de Som. E o Oscar de Melhor Mixagem de Som foi para… Dunkirk. Essas duas premiações para Dunkirk eram bastante esperadas. O filme deve ganhar em mais alguma categoria técnica nessa noite, como Melhor Edição.

Depois de mais um intervalo, a Academia mostrou um resumo dos premiados na celebração que ocorre em paralelo, nas categorias técnicas. Em seguida, foram anunciados os indicados em Melhor Design de Produção. E o Oscar foi para… The Shape of Water. Outro favorito que saiu premiado. Esse deve ser o primeiro de alguns prêmios para o filme na noite.

Em seguida, Gael García Bernal apresentou outra música que está concorrendo na categoria Canção Original. Ele cantou “Remember Me”, do filme Coco. Na verdade, introduziu a canção, que foi apresentada realmente por Miguel e por Natalia Lafourcade. México mandando o seu recado.

Mais um intervalo, e na volta, Kimmel brinca com mais um prêmio para quem fizer o discurso mais curto – uma viagem para um lago onde o ganhador poderá usar o seu jet ski. Ok. 😉 Após uma apresentação de West Side Story, aparece no palco Rita Moreno. Ela fala da linguagem universal do cinema e apresenta os indicados na categoria Melhor Filme em Língua Estrangeira. A minha torcida vai para o chileno Una Mujer Fantástica. E o Oscar foi para… Una Mujer Fantástica. Oh yeah! Super merecido.

O diretor Sebastián Lelio foi lindo em seu discurso, especialmente por homenagear o elenco, dando destaque para Francisco Reyes e, principalmente, para Daniela Vega, que foi a inspiração para o filme. Em seguida, mais um vídeo cheio de mulheres poderosas em trabalhos marcantes do cinema. Que Oscar memorável, só por recordar de tantos momentos bacanas. Uma verdadeira viagem no tempo. Ah, o cinema…

Após o vídeo, Mahershala Ali apresenta as indicadas na categoria Melhor Atriz Coadjuvante. A minha favorita é Allison Janney, do ótimo I, Tonya. Veremos se ela leva. E o Oscar foi para… Allison Janney. Oba! Ela começou o discurso brincando ao dizer “Eu fiz tudo sozinha”. Arrancou risadas da plateia. Em seguida, ela agradeceu a toda a família de I, Tonya. Se vocês não assistiram ao filme ainda, assistam. Um dos melhores dessa temporada.

Depois do intervalo, uma apresentação feita por parte do elenco de Star Wars: The Last Jedi. Eles apresentaram os indicados na categoria Melhor Curta Animação. E o Oscar foi para… Dear Basketball. E eu estou devendo essa categoria para vocês, eu sei. Não consegui ver e comentar os curtas indicados desse ano, mas quem sabe eu ainda faça isso? Mesmo atrasada… me desculpem, mas a correria tem sido grande.

Realmente a Academia está cumprindo a sua promessa esse ano. Não estão subindo a música para apressar as pessoas. Deixaram Glen Keane, diretor de Dear Basketball, e Kobe Bryant, falarem em paz até o final. Muito bem! Em seguida, os indicados em Melhor Animação. O favoritíssimo é Coco. E o Oscar foi para… Coco. Bola cantadíssima. Em seu discurso, o diretor Lee Unkrich homenageou, claro, o México, afirmando que os Estados Unidos não seriam o país que eles são sem os mexicanos. Bacana. Coco é outro filme que ainda preciso assistir.

E uma das maiores provas que a Academia está avançando e acompanhando a sociedade, em seguida subiu ao palco a atriz transgênero Daniela Vega para apresentar outra música que está concorrendo na categoria Melhor Canção: “Mystery of Love”, de Call Me By Your Name, apresentado pelo compositor e cantor Sufjan Stevens.

Depois de mais um intervalo – sim, eles amam os comerciais 😉 – apresentaram os indicados a Melhores Efeitos Visuais. E o Oscar foi para… Blade Runner 2049. Opa! Essa foi um pouco uma surpresa. Fiquei feliz que Blade Runner 2049 ganhou, porque o filme merecia ao menos um Oscarzinho. Não badalaram muito a produção, mas a verdade é que é um filme interessante. Vale conferir.

Em seguida, o ator Matthew McConaughey subiu ao palco para apresentar os indicados na categoria Melhor Edição. E o Oscar foi para… Dunkirk. Previsível também. A expectativa era que esse filme ganhasse todas as categorias técnicas na qual estava concorrendo. Até agora, sem surpresa sobre isso. E ele ainda tem chances de levar Melhor Filme. Mas, para isso, terá que derrubar o favorito Three Billboards Outside Ebbing, Missouri.

Kimmel volta a cena para fazer uma boa piada sobre a categoria Melhor Edição. Ele disse que antes deles entrarem na sala escura de edição, Dunkirk era uma comédia romântica com Reese Whiterspoon. Hahahahaha. Ele realmente melhorou em relação ao ano passado. 😉 Na sequência, ele mostrou a plateia em um cinema que disse estar ao lado do Dolby Theatre e convidou uma comitiva de atores, atrizes e o diretor Guillermo del Toro para ir lá agradecer eles por “fazer o cinema”.

Na volta, Kimmel e Gal Gadot entram no cinema com alguns doces e falam que eles estão ao vivo no Oscar. Então a plateia da premiação e a do cinema acabam se vendo no telão. Kimmel brinca que há um grande cheiro de maconha no ar, e os outros astros entram em cena trazendo cachorros-quentes e mais doces. A brincadeira foi ótima. O povo do cinema realmente chocado.

Em seguida, foram apresentados os indicados a Melhor Curta Documentário. E o Oscar foi para… Heaven Is a Traffic Jam on the 405. Um resumo sobre esse curta vocês encontram nesse blog post em que falei sobre os indicados nessa categoria. Realmente parece interessante o curta. Em seguida, vieram os indicados da categoria Melhor Curta. E o Oscar foi para… The Silent Child. Eis outra categoria sobre a qual eu gostaria de ter feito um blog post. Quem sabe eu ainda não faça?

Achei muito legal que a roteirista Rachel Shenton fez o seu agradecimento na linguagem de sinais. Ela disse que prometeu isso para a atriz de seis anos que contracena com ela. O diretor Chris Overton agradeceu aos pais, que venderam cupcakes para que eles conseguissem terminar o filme. Essa é a vida real, minha gente. Muita gente lutando muito, muito mesmo para fazer cinema. Fiquei com ainda mais vontade de assistir a esse curta.

Na sequência, ouvimos a mais uma música indicada na categoria Melhor Canção. Dessa vez foi a vez de Common e Diane Warren arrasarem com “Strand Up for Something”. Canção eletrizante e muito bem interpretada e apresentada na premiação. Não por acaso a plateia ficou de pé. Bacana.

No retorno de mais um intervalo, Ashley Judd, Natalia Lafourcade e Salma Hayek subiram ao palco para falar sobre o movimento de igualdade que tomou conta de Hollywood. Então vários atores, atrizes e realizadores falaram sobre esse tema e sobre a importância de diversos filmes que estão rediscutindo o papel das pessoas originais no cinema. Sim, esse Oscar veio para marcar posição. E não teria como ser diferente, não é mesmo? Chegou a hora. Cinema não é só entretenimento. Quem acompanha esse blog sabe bem disso. 😉

Em seguida, os indicados na categoria Melhor Roteiro Adaptado. A minha torcida é por Call Me By Your Name. Essa é também a melhor chance desse filme. E o Oscar foi para… Call Me By Your Name. Aeeeehhhh!! Muito bom. Tenho certeza que os leitores do blog ficaram felizes com isso. E eu também. Realmente essa produção merecia.

O veteraníssimo James Ivory subiu no palco ajudado por uma bengala e agradeceu primeiro ao escritor André Aciman, afirmando que ele escreveu uma história sobre o primeiro amor, que muitas pessoas chegaram a vivenciar. Em seguida, agradeceu ao diretor Luca Guadagnino e ao elenco do filme. Que legal que o Ivory foi premiado. Há tempos ele merecia, mas esse foi o seu primeiro Oscar. Antes tarde do que mais tarde, pois.

Na sequência, a atriz Nicole Kidman apresenta os indicados na categoria Melhor Roteiro Original. Minha torcida fica entre Get Out e Three Billboards Outside Ebbing, Missouri. E o Oscar foi para… Get Out. Muito bem! Que bom que Get Out não vai sair de mãos vazias do Oscar. Ele não merecia. Um dos filmes mais originais dessa temporada. Nada mais justo do que o diretor e roteirista Jordan Peele ganhar essa estatueta dourada.

No retorno do intervalo, houve uma homenagem aos filmes que tratam sobre as batalhas que já foram travadas mundo afora em busca de um “mundo melhor”. Essa seria uma deixa para o Oscar 2018 premiar Dunkirk na categoria principal? Eu não me admiraria… Essa homenagem aos “homens e mulheres” que lutam nas Forças Armadas me pareceu um pouco deslocada do restante da premiação, mas beleza. Os Estados Unidos realmente adoram esse tema.

Na sequência, Sandra Bullock apresentou os indicados na categoria Melhor Fotografia. Disputa das boas, nesse ano. E o Oscar foi para… Blade Runner 2049. Opa, que legal! O grande Roger Deakins ganhou o seu primeiro Oscar depois de 14 indicações. Ele é responsável pela fotografia de grandes filmes que assistimos. Mais que merecido! E fico feliz também por Blade Runner 2049 ter sido premiado nessa noite.

Na sequência, ouvimos a última música da noite que concorre na categoria Melhor Canção. Interpretando “This Is Me”, Keala Settle soltou a voz e fez todos lembrarem do musical The Greatest Showman – mesmo que, como eu, não chegou a ver ao filme, apenas assistiu ao trailer. Essa filme é predominante na produção e acabou sendo bem marcante também na premiação do Oscar. Bastante vigorosa e contagiante. Settle deu um show.

Depois do intervalo e após um vídeo de The Deer Hunter, Christopher Walken apareceu em cena para apresentar os indicados na categoria Melhor Trilha Sonora. Ano com grandes concorrentes. Me arrisco a dizer, até, que esta é uma das categorias mais difíceis do ano. E o Oscar foi para… The Shape of Water. Alexandre Desplat realmente levou a estatueta para casa. Esse foi o segundo Oscar da carreira dele.

Na sequência, relembramos os indicados na categoria Melhor Canção. E o Oscar foi para… “Remember Me”, de Coco. Novamente um filme de animação dominando nessa categoria. Interessante. Na sequência, Jennifer Gardner apresentou o vídeo em homenagem aos falecidos no último ano. E quem cantou a música de homenagem? O meu querido, amado, Eddie Vedder. Bem, nem preciso dizer mais nada. Super emocionante. E para quem não assistiu a Into the Wild, com uma trilha de Eddie Vedder, super recomendo.

No retorno de mais um intervalo, a atriz Emma Stone apresentou os indicados a Melhor Diretor(a). E o Oscar foi para… Guillermo del Toro. Fico feliz pelo diretor, porque ele tem uma trajetória muito interessante, em primeiro lugar. Depois, por ser latino. The Shape of Water não é o melhor filme dele, mas algumas vezes o Oscar premia alguém que já deveria ter ganho antes por um filme “menor” depois. Sem problemas. Del Toro lembra que ele é um imigrante e que o cinema e a sociedade deveriam brigar pela inclusão. Ele merece como realizador, porque é um desses diretores com assinatura, com estilo e que faz suas produções com alma.

Até agora a noite foi muito boa para os latinos. O chileno Una Mujer Fantástica, Coco (sobre a cultura mexicana) e o mexicano Guillermo del Toro confirmaram os seus favoritismos. Bacana. Na volta do intervalo, Helen Mirren e Jane Fonda apareceram para apresentar o Oscar de Melhor Ator. O favoritíssimo é Gary Oldman. Vamos ver se mais essa bola cantada se confirma. E o Oscar foi para… Gary Oldman, de Darkest Hour.

Oldman agradeceu “profundamente” pela Academia e pelos seu votantes. Em seguida, falou de como viveu muito tempo nos Estados Unidos, falou da família, de ganhar o Oscar e de todos os que ajudaram ele na produção que lhe rendeu uma estatueta dourada. Agradeceu também a mãe, prestes a completar 99 anos de idade e que estava vendo ele no “sofá de casa”.

Na sequência, Jodie Foster e Jennifer Lawrence aparecem em cena para apresentar as indicadas na categoria Melhor Atriz. Foster, que apareceu de muletas, brinca que Meryl Streep deu uma de I, Tonya com ela. Momento engraçadinho. A favorita é Frances McDormand. Vamos ver se ela realmente leva. E o Oscar foi para… Frances McDormand. Oh yeah. Acho muito merecido. Ela está ótima no filme. E merecia mais que outras que estavam na disputa – especialmente Saoirse Ronan, festejada demais por Lady Bird.

Figura, ela fingiu que ia tropeçar e, depois, fingiu grande nervosismo. Agradeceu ao marido e ao filho e pediu para todas as mulheres indicadas se levantarem e se sentirem homenageadas com o Oscar dela, que ela colocou no chão. Ela comentou que todas essas mulheres tem histórias para contar e projetos para serem financiados. Brincou que os produtores não deveriam falar com essas mulheres na festa do Oscar, mas que depois deveriam chamá-las para conversar nos escritórios deles. Porque o que todos devem perseguir são roteiros de inclusão. Ela foi ótima. Um dos grandes momentos da noite, pela mensagem e pelo estilo “outsider”.

Finalizando a premiação, os apresentadores de Melhor Filme do ano passado – aquela entrega que deu o maior auê – voltam à cena. Faye Dunaway e Warren Beatty. Bela sacada de repetir os apresentadores. E quem vai levar Melhor Filme? Aposto em Three Billboards Outside Ebbing, Missouri, mas acho que pode rolar uma surpresa nesse final. Veremos… E o Oscar foi para… The Shape of Water. Ok.

O que dizer? Fico feliz pelo Guillermo del Toro. É um filme lindo, visualmente, mas a história não é tuuuuudo aquilo. Até porque o filme tem vários deslizes – vide a minha crítica por aqui – e, como muitos já falaram, repete várias e várias partes de outras produções, como Splash. Mas é o melhor filme do ano? Sem dúvida que não é. Assistam a todos os que concorreram – e ainda a I, Tony e a The Florida Project e depois me digam se The Shape of Water realmente é o melhor do ano.

Mas é isso aí. O Oscar pelo menos fez um grande trabalho em pulverizar os seus prêmios isso ano. Assim, muitos filmes bons saíram premiados, o que é muito mais junto e interessante do que apenas um filme “papar tudo”. Como eu previa, esse foi uma das premiações da Academia mais pulverizadas da história. Nada menos que 12 filmes foram premiados – além de três curtas. Independente se concordamos ou discordamos dos premiados, vamos seguir assistindo a belos filmes – inclusive os que a Academia nos “indica” a cada ano. Até a próxima, meus bons leitores!

Confira a lista com todos os premiados do Oscar 2018:

Melhor Filme: The Shape of Water

Melhor Ator: Gary Oldman (Darkest Hour)

Melhor Atriz: Frances McDormand (Three Billboards Ouside Ebbing, Missouri)

Melhor Ator Coadjuvante: Sam Rockwell (Three Billboards Outside Ebbing, Missouri)

Melhor Atriz Coadjuvante: Allison Janney (I, Tonya)

Melhor Diretor: Guillermo del Toro (The Shape of Water)

Melhor Animação: Coco

Melhor Filme em Língua Estrangeira: Una Mujer Fantástica

Melhor Documentário: Icarus

Melhor Roteiro Adaptado: Call Me By Your Name

Melhor Roteiro Original: Get Out

Melhor Fotografia: Blade Runner 2049

Melhor Figurino: Phantom Thread

Melhor Edição: Dunkirk

Melhor Design de Produção: The Shape of Water

Melhor Maquiagem e Cabelo: Darkest Hour

Melhor Edição de Som: Dunkirk

Melhor Mixagem de Som: Dunkirk

Melhores Efeitos Visuais: Blade Runner 2049

Melhor Trilha Sonora: The Shape of Water

Melhor Canção: “Remember Me” (Coco)

Melhor Curta: The Silent Child

Melhor Curta Documentário: Heaven Is a Traffic Jam on the 405

Melhor Curta Animação: Dear Basketball

Molly’s Game – A Grande Jogada

Um roteirista competente e que você gosta, protagonistas idem e uma indicação ao Oscar de Melhor Roteiro Adaptado. Molly’s Game tinha bons predicados para me atrair para o cinema. Mas, francamente, o filme consegue alimentar mais expectativas do que realmente entregar algo de qualidade. Longo demais, arrastado demais, esse filme só acerta mesmo no seu começo. E olha lá. Eu diria que Molly’s Game acerta na edição ligeira e em algumas linhas interessantes do roteiro no início mas, depois, ele se mostra muito mais vazio, arrastado e forçado do que seria desejado.

A HISTÓRIA: Uma pessoa desce uma colina cheia de neve munida de esquis. A narradora, Molly Bloom (Jessica Chastain) comenta que uma pesquisa feita com 300 atletas perguntou para eles o que de pior pode acontecer nos esportes? As respostas foram variadas, mas uma delas apontava para ficar em 4º lugar nas Olimpíadas. Molly afirma que esta é uma história real, mas que todos os nomes, exceto o dela, foram alterados. Por motivo que logo vamos entender. A própria Molly nos conta a sua história nesse filme, começando no momento em que ela tentou se classificar para as Olimpíadas de Inverno pela equipe americana.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Molly’s Game): Eu gosto dos Jogos Olímpicos. Muito mais dos tradicionais do que das Olimpíadas de Inverno. Mas, na verdade, gosto de todos os Jogos. Por isso, achei interessante aquele começo de Molly’s Game. Até porque aquele começo tem um roteiro ágil e uma edição das cenas muito competente. Mas depois daquele começo, esse filme se revela bastante irregular.

Ok, interessante a história de uma garota que poderia ter sido uma desportista brilhante, ou uma advogada talentosa, mas que acabou cedendo para o dinheiro fácil e que caiu em uma cilada que ela mesma armou para si. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). No fim das contas, apesar de tanto ir e vir na história e de uma tentativa clara do roteirista e diretor Aaron Sorkin de fazer um filme acima da média, Molly’s Game nada mais é do que uma produção sobre as escolhas que uma pessoa faz na sua vida e o resultado que estas escolhas tem na sua história.

Além disso, o filme tem algumas outras questões, como a ideia defendida pela sociedade americana de que os Estados Unidos é um país com oportunidade para todos – seja dentro ou fora da lei -; a relação entre pais e filhos e o alto nível de cobrança que os primeiros podem colocar nos segundos e os efeitos disso; assim como a ideia de que até os criminosos tem a sua “ética” e código de conduta.

Ou seja, nenhuma ideia nova sob o sol. Talvez a única parte mais interessante desse filme seja a forma com que Molly’s Game mostra como a Justiça americana – e de qualquer outro país – tenta pressionar e punir alguns criminosos “menores” para conseguir pegar os peixes maiores. (SPOILER – não leia… bem, você já sabe). Sim, Molly Bloom cometeu um crime, mas o FBI que a investigou e o governo americano que a processou estavam mais interessados no que ela sabia, nas pessoas que participavam da jogatina, do que realmente no crime que ela cometeu.

Informação é poder. Conhecer pessoas importantes e o que elas falam e sobre o que elas tratam era o real poder de Molly e o que interessava para quem a processou. Mas ela se manteve firme e não entregou ninguém – apenas pessoas que já tinham sido entregues antes por Brad (Brian d’Arcy James). Segundo uma linha do filme, ela estava preservando o próprio nome, a única coisa lhe restou e que lhe importava.

Agora, vamos falar dos pontos que me incomodaram nesse filme. Primeiro, a história se esforçar tanto em tornar uma garota como Molly como “heroína”. Até a linha da “ética” de criminosa dela me pareceu um tanto forçada. Apesar ser levemente interessante, a história dela não é, de fato, realmente surpreendente ou reveladora. Sorkin escreveu o roteiro desse filme baseado no livro escrito por Molly Bloom. Aparentemente, ela soube valorizar muito bem a própria história. E, para o meu gosto, a história dela não é tãooo interessante assim. Há outras histórias melhores por aí.

Depois, me pareceu um bocado mal desenvolvida a questão da real motivação da protagonista para ela ter feito o que fez. Em um dos raros diálogos de Jessica Chastain com Kevin Costner, que faz o pai dela, Charlie Jaffey, ele, como psicólogo, faz a filha “destrinchar” a sua história até achar as respostas para tudo que aconteceu. Possivelmente aquela é a parte mais interessante do filme, mas ela ficou restrita a um diálogo entre pai e filha. Muito pobre, a meu ver. Sorkin podia ter desenvolvido melhor a relação da protagonista do com o pai, já que este era um fator determinante. Mas não.

No lugar disso, ele gastou um grande, grande tempo mostrando as jogatinas entre ricaços e poderosos. Primeiro, em encontros orquestrado pelo chefe de Molly, Dean Keith (Jeremy Strong). Depois, nos encontros orquestrados pela própria Molly. Mesmo na segunda fase, quando ela realmente entra de cabeça no poker e passa a trabalhar com os viciados em jogo 24 horas por dia, ela não desce do salto. Está sempre bem, bonita, mesmo quando ela já está viciada em diferentes drogas. Quem realmente acredita que aquela mulher não ficou um tanto surtada tomando tantas coisas?

Esse é um dos pontos que me incomodaram em Molly’s Game. O filme acaba sendo “perfeitinho” demais. Parece que Sorkin ficou muito preocupado em render uma “homenagem” para a personagem e não quis torná-la vulnerável ou mais “humana” em momento algum. Assim, essa produção me pareceu um tanto longe da “história real” ou da vida como ela é. Outro ponto que me incomodou: o roteiro perde um longo tempo nas “negociações” e vai-não-vai entre Molly e o advogado Charlie Jaffey (Idris Elba). Realmente aquilo faz uma graaaande diferença para a história, para o filme? Acho que não.

Assim, tira um pouco daqui, explica melhor ali, simplifica acolá, Molly’s Game poderia ter, perfeitamente, 30 minutos a menos de duração. Isso teria ajudado a história e teria evitado que eu tivesse que lutar para não dormir no cinema. Olha, não cheguei a “pescar” ou a cochilar, mas que deu vontade, ah, isso deu. Filme bem mediano, para resumir. Poderia ser melhor, se fosse mais realista e desenvolvesse melhor os personagens – especialmente a relação pai e filha. Mas essa produção não faz isso, e o resultado é que ela facilmente provoca tédio e sono.

NOTA: 6,5.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Ah sim, antes que eu me esqueça. Esse filme trata de um outro aspecto além dos que eu citei antes. (SPOILER – não leia se você ainda não assistiu ao filme). Molly’s Game aborda muito bem todo o “submundo” da jogatina ilegal nos Estados Unidos. E que está presente em vários outros países também – incluindo o Brasil. Nestes locais, as pessoas cheias de dinheiro que não sabem como gastar as suas fortunas e precisam fazer algo para sentir emoção, se entregam em longas disputas movidas à dinheiro e adrenalina. Para alguns, não importa ganhar ou perder. Interessa fazer parte de um “clube seleto” em que eles entram apenas por estarem dispostos a gastar grandes quantidades de dinheiro.

O mundo é feito destes disparates mesmo. Enquanto aquele bando de ricaços de vários países e origens gastavam milhões de dólares sem propósito algum além de algumas horas de diversão e para saciar o seu vício por jogar, quantas pessoas estão por aí morando nas ruas, pedindo trocados nas esquinas e/ou mendigando qualquer trabalho que lhes dê o que comer? O quanto Molly ou qualquer outro que vemos em cena se importa com isso? E por que mesmo a gente deveria se importar com a história deles? Sim, não dá para ignorar que eles existem. Mas acho que tem histórias mais interessantes para conhecermos e para nos inspirarmos – até porque a história de Molly não me inspira para nada.

Molly’s Game marca a estreia de Aaron Sorkin na direção. Ele é bem conhecido como roteirista. Fez a sua carreira nessa área. Inclusive ganhou um Oscar de Melhor Roteiro Adaptado em 2011, pelo roteiro de The Social Network (comentado por aqui). O que comentar sobre ele como diretor? Que ele não faz nada demais. Faz uma direção “básica”, digamos assim. Focada nos atores, na dinâmica entre eles e contando as suas histórias de forma pincelada aqui e ali. Mas nada que realmente surpreenda.

Gosto de várias pessoas que estão nesse elenco. Mas não acho que ninguém está realmente brilhante nesta produção. Até porque o roteiro não ajuda muito, não é mesmo? Com um roteiro mais ou menos, não tem como um grande ator fazer um trabalho realmente memorável. Assim, todos estão bem, mas nada que você não possa esquecer após uma semana de ter visto a esse filme.

Entre os atores que fazem parte deste elenco, vale comentar o bom trabalho – mas não excepcional, volto a dizer – de Jessica Chastain como Molly Bloom; Michael Cera como Player X, o jogador que realmente define o sucesso ou o fracasso como organizadora de partidas da protagonista; Jeremy Strong como Dean Keith, o sujeito sem noção que introduz Molly na vida do poker; Brian d’Arcy James como Brad, o cara que sempre perde mas que continua jogando; Bill Camp como Harlan Eustice, um cara talentoso no poker, mas que perde a cabeça quando começa a perder no jogo; Idris Elba em um papel super morno como o advogado Charlie Jaffey; Kevin Costner em quase uma ponta como Larry Bloom, pai de Molly; Chris O’Dowd como Douglas Downey; Graham Greene em uma super ponta como o juiz Foxman; Samantha Isler como a jovem Molly e Piper Howell como Molly aos sete anos de idade.

Entre os aspectos técnicos do filme, vale destacar a edição de Alan Baumgarten, Elliot Graham e Josh Schaeffer – que realmente se mostra interessante no início do filme e, depois, cai um tanto no “lugar comum”; a trilha sonora de Daniel Pemberton; a direção de fotografia de Charlotte Bruus Christensen; o design de produção de David Wasco; a direção de arte de Brandt Gordon; a decoração de set de Patricia Larman; e os figurinos de Susan Lyall.

A única parte realmente interessante de Molly’s Game é quando Kevin Costner conversa com a filha sobre o que aconteceu com ela e sobre a sua motivação para ter chegado tão fundo no poço. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). No fim das contas, segundo a análise de Larry Bloom, tudo que Molly fez se explica pelo fato dela ter descoberto, ainda criança, que o pai traía a mãe dela (interpretada por Claire Rankin). Isso é interessante. Para as pessoas perceberem como algumas decisões muito equivocadas que elas podem tomar quando adultas tem, de fato, relação com decepções, traumas e descobertas ruins que elas tiveram na infância e/ou juventude. Especialmente quando o assunto está relacionado aos pais. No caso de Molly, ela se decepcionou com o pai, que deveria ser um exemplo para ela, e, como consequência, passou a encarar os outros, incluindo a sociedade, com um bocado de cinismo (e desprezo, até). E tudo porque ela não resolveu bem a questão da traição paterna. Interessante.

Molly’s Game estreou em setembro de 2017 no Festival Internacional de Cinema de Toronto. Depois, o filme participou de outros oito festivais. Nessa trajetória, o filme recebeu três prêmios e foi indicado a outros 41 – incluindo a indicação para o Oscar de Melhor Roteiro Adaptado. Entre os prêmios que recebeu, destaque para o Prêmio do Público como melhor filme dos EUA no Festival de Cinema de Mill Valley.

Agora, algumas curiosidades sobre essa produção. Dizem, nos bastidores, que existe uma grande probabilidade do Player X ser, na vida real, o ator Tobey Maguire.

Molly Bloom falou para o diretor e roteirista Aaron Sorkin que gostaria que o seu papel fosse interpretado por Jessica Chastain.

No filme, o advogado de Molly aparece lendo um dos exemplares do livro lançado por ela e que conta a sua história. Na vida real, o livro de Molly não foi publicado antes do julgamento dela ter terminado.

De acordo com Molly Bloom, a maior quantia que ela viu um jogador perder em uma noite foi de US$ 100 milhões. Esse mesmo jogador recuperou esse dinheiro no dia seguinte. Agora, vocês já pensaram uma jogatina significar prejuízo de US$ 100 milhões? Algo realmente inacreditável.

A quantidade de dinheiro que o FBI apreendeu de Molly e a multa que ela teve que pagar por fazer algo ilegal foi bem maior no filme do que na vida real.

Molly’s Game é uma coprodução dos Estados Unidos, da China e do Canadá.

Os usuários do site IMDb deram a nota 7,6 para esta produção, enquanto que os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 195 críticas positivas e 42 negativas para o filme – o que lhe garante uma aprovação de 82% e uma nota média de 7,2. Acho que os crítico e os usuários do site IMDb realmente viram mais qualidades nessa produção do que eu. 😉

Molly’s Game tem 140 minutos de duração – ou seja, 2h20. Tranquilamente, como eu disse antes, ele poderia ter meia hora a menos. Muito longo para o meu gosto.

De acordo com o site Box Office Mojo, Molly’s Game faturou pouco mais de US$ 28,7 milhões nos Estados Unidos. Não há informações ainda sobre os outros mercados em que a produção já estreou.

Essa é a última crítica que eu publico aqui no blog antes da entrega do Oscar. Logo mais, vou começar a cobertura da premiação aqui no site. A minha expectativa é que os prêmios sejam bem espalhados. Acho que vários filmes vão levar pelo menos um ou dois Oscar’s para casa. Será bacana de ver. Muita gente sairá feliz da noite de hoje. Quem vai levar Melhor Filme? Estou entre Three Billboards Outside Ebbing, Missouri (comentado por aqui); Dunkirk (com crítica neste link) e The Shape of Water (com crítica por aqui). Eu, francamente, votaria no primeiro. Mas não me surpreenderia se um dos outros dois desse uma de “zebra” e levasse o Oscar para casa.

CONCLUSÃO: Francamente, eu nunca indicaria Molly’s Game ao Oscar de Melhor Roteiro Adaptado. Se eu votasse e decidisse qualquer coisa na premiação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, é claro. Filme um tanto pretensioso demais, essa produção sofre mesmo por ser longa, repetitiva e arrastada. Honestamente? Há muitos, mas muitos mesmo filmes melhores no mercado.

Só perca o seu tempo com essa produção se você tem uma “tara” especial pelo roteirista, pelo diretor ou por algum dos atores em cena. Do contrário, faça uma escolha melhor e assista a uma outra produção melhor acabada – nessa lista, incluo inclusive o fenômeno Black Panther, que segue nos cinemas e é uma pedida bem melhor.

PALPITES PARA O OSCAR 2018: Molly’s Game ter sido indicado ao Oscar de Melhor Roteiro Adaptado já é um grande prêmio para Aaron Sorkin. Mas alguma chance do filme ganhar nessa categoria? Nenhuma. Concorrendo com Call Me By Your Name (comentado por aqui), The Disaster Artist, Logan (com crítica neste link) e Mudbound, Molly’s Game tem chance zero de levar a estatueta dourada para casa.

Para mim, o grande favorito nessa categoria é mesmo Call Me By Your Name. O filme merece levar o Oscar. Não assisti ainda a Mudbound e a The Disaster Artist, mas acho que depois de Call Me By Your Name, seria interessante ver Logan premiado – no caso do primeiro não ser, claro. Mas Molly’s Game não merece levar. Na verdade, como eu disse antes, nem merecia ter sido indicado. Mas o Oscar tem dessas coisas. Para mim, Molly’s Game foi indicado porque a Academia gosta de Sorkin. Nada mais.