What Happens in Vegas – Jogo de Amor em Las Vegas

Ok, lá vou eu comentar mais um filme “bobinho”. Admitou que andei buscando ultimamente filmes mais descontraídos para assistir – sem nenhum motivo especial, eu juro… não ando deprimida e nem nada. Simplesmente aconteceu. Prometo que logo vou assistir algum filme mais “sério”. [;)]

Mas antes de mais nada, queria comentar que dos filmes “bobinhos” que assisti ultimamente, este foi o melhor. Comédias tem que fazer rir. E se falamos de “comédias românticas”, um elemento indispensável é a alquimia entre o casal em cena. What Happens in Vegas acerta em cheio no humor e no casal. Cameron Diaz e Ashton Kutcher realmente tem sintonia e carisma juntos. Na verdade, das últimas comédias, esta foi a que me fez passar pouco mais de uma hora e meia do meu tempo de maneira mais leve e divertida. Gostei. Acho que no fundo precisava de um filme assim – para rir e não “complicar a vida”. Algumas vezes isso é bacana de se fazer. E, claro está, o filme é isso mesmo, um divertido passatempo – nada mais, nada menos. Ah, e uma recomendação: se ainda não assistiu ao filme, não veja o trailer, porque ele estraga boa parte da história e das piadas – que, sem contextualizar, parecem simplesmente idiotas.

A HISTÓRIA: Joy McNally (Cameron Diaz) é uma mulher linda e que tenta ser perfeita. Não apenas para se “enquadrar” na vida do namorado Mason (Jason Sudeikis), mas também porque sua própria rotina lhe exige – ela trabalha no competitivo ambiente da bolsa de valores. Jack Fuller (Ashton Kutcher), por sua vez, não tem grandes preocupações na vida e gosta que ela siga assim. Solteiro, trabalha em uma fábrica de móveis em que seu pai (Treat Williams) é seu chefe direto. Os dois opostos acabam se encontrando em uma noite de loucuras em Las Vegas, para onde eles vão com seus amigos Hater (Rob Corddry) e Tipper (Lake Bell) depois que Joy é abandonada pelo noivo e de que Jack é despedido pelo pai.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso as navegantes que boa parte do texto à seguir conta trechos importantes do filme, por isso só recomendo que continue a ler quem já assistiu a What Happens in Vegas): O bom do filme dirigido pelo escocês Tom Vaughan e com roteiro bem escrito por Dana Fox é que ele não perde muito tempo com grandes “contextualizações” dos personagens. Sim, é verdade que logo de cara conhecemos as figuras que logo se tornarão um casal, mas a apresentação deles é rápida e direta. Em seguida já ocorre a “ruptura” em suas vidas que os fará viajar para Las Vegas. O bom é que não se perde muito tempo na história… até porque vamos descobrir mais deles quando eles são obrigados a viverem juntos. E, como a vida de qualquer um ensina, nada mais interessante do que o contraste de personalidades para fazer as pessoas amadurecerem e ficarem mais interessantes.

Pois acho que esta é um dos pontos interessantes do filme – ainda que ele, como eu disse antes, não pretende ser mais que um bom passatempo: a idéia de que nos tornamos pessoas melhores quando estamos convivendo com pessoas diferentes. E isso é bem verdade. Ok que tem muitas pessoas que se “encontram” como casal ao se relacionarem com pessoas muito parecidas. Mas acho que as grandes histórias e os grandes relacionamentos realmente se desenvolvem com pessoas que tem alguma semelhanças mas que, mais que isso, tem grandes diferenças que acabam convivendo bem. Afinal, é difícil dois sujeitos criados por famílias diferentes, em contextos diferentes, conseguirem ter mais elementos similares que diferentes. E conviver e, mais que isso, aprender com alguém que é diferente da gente é o que realmente parece ser interessante e bacana.

Então os personagens do filme acabam se encontrando em Las Vegas, depois de sofrerem duas grandes decepções – Joy perder o noivo para o qual fazia de tudo e Jack receber mais uma vez a mensagem de “você é um fracassado” do pai. Os dois tiveram sorte de ter amigos loucos como Hater e Tipper (ele amigo de Jack, ela de Joy) que lhes incentivaram a “despirocar” em Las Vegas. Em uma cidade gigante como aquela, os dois acabam se cruzando no mesmo quarto… era a coincidência que faltava. A partir daí eles começam a competir e a se conhecer, revelando “segredos” próprios que alguns só tem coragem de revelar assim, em uma noite de festa, para quase desconhecidos. E a noite não acaba, os dois viram todas, ficam bêbados, trêbados e… se casam.

No dia seguinte da noitada, os dois pensaram no inevitável “o que eu fiz?” e, claro, resolvem se separar. Só que Jack acaba usando uma moeda que Joy deixou para trás e acaba ganhando US$ 3 milhões. A partir daí começa a luta para que os dois se separem sem perder o dinheiro… na verdade, cada um se acha na razão de ficar com toda a bolada. E a decisão de um juiz de que eles devem tentar ficar juntos como casal antes de se divorciarem acaba colocando a dupla jamais planejada em convivência sobre o mesmo teto. A maior parte do filme passa neste contexto, em que cada um tenta passar a perna do outro para garantir a sua bolada, até que… bem, acho que o resto se podia adivinhar desde o princípio, não é mesmo? E, ainda que se saiba onde tudo vai acabar – como em 99,9% das comédias românticas – o filme não perde o gás e nem se torna chato.

Jack realmente é muito infantil diversas vezes e eu, no lugar de Joy, teria matado ele enforcado. hehehehehe. Mas ela também se torna insuportavelmente “perfeitinha” e “quadrada” em muitos momentos, o que deve provocar a mesma idéia de assassinato em qualquer homem. [;)]. De fato a roteirista Dana Fox tira da cartola muitos estereótipos e idéias já utilizadas anteriormente. O que faz a diferença, realmente, é a interpretação de Cameron Diaz e Ashton Kutcher, assim como dos atores que interpretam seus “fiéis escudeiros”. Além deles, vale citar o ator que interpreta o pai de Jack e o também veterano Dennis Farina como Richard Banger, o chefe de Joy. Os dois realmente roubam a cena sempre que aparecem. Faz parte do elenco ainda Deirdre O’Connell como Judy, mãe de Jack; Michelle Krusiec como a chata Chong, adversária de Joy para ser promovida no trabalho; Queen Latifah como a psicóloga Dra. Twitchell, apontada pela Corte para acompanhar o casal nos seis meses que o juiz determinou para que eles tentem dar certo; e Zach Galifianakis como Dave, o amigo de Jack louco para “pegar” a Joy.

NOTA: 8.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Gostei do filme. Me diverti com ele. E só não dei uma nota maior, tipo um 9, porque acho que comédias românticas neste estilo realmente já estão meio batidas e que uma nota maior merece alguma idéia “nova” neste gênero – o que, convenhamos, é muuuuuuuuuuuito difícil de encontrar.

O filme estreou nos Estados Unidos conseguindo pouco mais de US$ 20 milhões. Até o dia 17 de agosto ele tinha acumulado pouco mais de US$ 80,1 milhões nas bilheterias. Não está nada mal.

Para minha surpresa What Happens in Vegas foi indicado a três prêmios e ganhou dois deles: melhor ator de comédia para Ashton Kutcher e melhor “comédia satírica” no Teen Choice Awards – um prêmio organizado pela revista Seventeen desde 1999 e que, anualmente, premia os melhores do cinema pelo gosto do público jovem.

Ainda que seja divertido, o filme foi mal na opinião do público: conseguiu a nota 5,7 pelos usuários do site IMDb. Os críticos do Rotten Tomatoes também torceram o nariz: publicaram 92 críticas negativas para ele e apenas 34 positivas. Pelo visto só eu achei graça na história… hehehehehehe.

Falando em achar graça, um dos melhores momentos foi a história da porta do banheiro. hahahahahaha. Dei muitas risadas com a cara-de-pau do personagem Jack naquela hora. Isso que eu chamo de golpe baixo para a convivência com qualquer mulher.

Sei que virou lugar-comum já criticar os títulos que as distribuidoras resolvem dar para os filmes no Brasil… mas não seria muito mais legal traduzir o filme para “O que aconteceu em Las Vegas?” do que para este xarope “Jogo de Amor em Las Vegas”? Ai, sei lá viu… mas achei muito brega.

O filme foi todo rodado em Nova York, com algumas cenas em Las Vegas – mais precisamente no hotel e cassino Planet Hollywood. As cenas do final de semana com o “retiro” da empresa de Joy foram feitas no Oheka Castle onde, anteriormente, foram filmadas cenas de filmes como Cidadão Kane e Os Outros.

E pensar que Ashton Kutcher é casado com Demi Moore

E sim, realmente os dois lembram personagens que interpretaram anteriormente… mas quem se importa? Se funciona, que sigam!

CONCLUSÃO: Uma comédia romântica que não foge de vários estereótipos e lugares-comuns mas que, ainda assim, é divertida e apresenta um dos casais com melhor sintonia dos últimos tempos. Perfeita para dar umas risadas e para “torcer” para a dupla. Também ganha pontos por não cair em piadas preconceituosas – algo tão comum em várias comédias recentes. Não revoluciona a fórmula, tem uma ou duas “morais da história” bacaninhas e, mais que isso, diverte. Sem compromissos maiores.

Sex and the City – O Filme

Sempre que alguém resolve adaptar uma série televisiva para o cinema eu – e a torcida do Flamengo – fico com o pé atrás. Afinal, o histórico de adaptações não deixa dúvidas: geralmente o resultado na telona se mostra inferior ao que estávamos acostumados a ver na televisão. Sex and the City, uma das séries de maior êxito da HBO, marcou uma era na televisão e, ainda que eu não fosse uma adepta de todos os seus capítulos, devo dizer que o que eu assisti, aqui e ali, fez com que eu comprovasse que os idealizadores da trama realmente tinham talento. Afinal, pela primeira vez alguém tinha coragem de colocar a sexualidade feminina – em algumas de suas diferentes formas – como tema principal de uma série. Além disso, a moda e uma série de outros fatores importantes do final dos anos 90 estavam presentes na trama como temas importantes e não apenas secundários – que era o mais comum na época. O problema é que tentaram transportar a mesma originalidade da série 10 anos depois de sua estréia na tevê para os cinemas e o que descobrimos é que o quarteto de amigas perdeu um bocado de seu charme e de sua originalidade. No final do filme (que também tem um blog) a impressão que ficou para mim é que a piada perdeu o seu momento de ser contada.

A HISTÓRIA: O filme começa quatro anos depois do fim da série, ou seja, quatro anos depois que Carrie Bradshaw (Sarah Jessica Parker) teve o seu final feliz com John James Preston, mais conhecido como Mr. Big (Chris Noth). Após situar o espectador na vida dela e de suas amigas Samantha Jones (Kim Cattrall), Charlotte York (Kristin Davis) e Miranda Hobbes (Cynthia Nixon), a narradora Carrie nos remete a Nova York atual, mais precisamente na difícil busca de um apartamento “dos sonhos” para ela e o namorado. A partir daí mergulhamos nas desventuras do quarteto de amigas, duas casadas – Miranda e Charlotte – e duas comprometidas – Carrie e Samantha.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta partes importantes do filme, estragando surpresas para quem ainda não o assistiu, por isso SÓ recomendo que continue a ler quem já viu a Sex and the City): Não quis contar mais sobre o filme na sinopse pelos motivos óbvios: todos querem saber se afinal a bendita Carrie casa com o bendito Mr. Big – a grande pergunta que não quis calar por boa parte da série e que ficou “sem resposta” (como se isso realmente importasse) quando ela terminou. Pois bem, no fundo o filme realmente gira em torno disso. Na verdade, inicialmente, você até pensa que esta história se resolverá logo, afinal, não demora muito para que o Mr. Big peça Carrie em casamento e para que comecem todos os mil preparativos para o tal grande dia.

O problema é justamente que o que parece acaba não sendo. (NÃO leia se não assistiu ao filme). Para ser franca, achei até que o filme vai razoavelmente bem até o tal dia do casório… depois, quando o Mr. Big resolve ter uma “crise” na hora H, o caldo realmente entorna. Para mim, a partir daí, tudo o que de melhor a série tinha vai para o ralo. Afinal, termina o humor e o sarcasmo da narradora, que cai em “depressão”, e nem as férias com as amigas rendem boas piadas. Vamos convir que a história de “cagar nas calças” foi bem ridícula, vai. Mas enfim…

No fundo o filme abre mão do que a série tinha de melhor: o sarcasmo e a vontade de falar abertamente de sexo, amor, consumismo e tudo o mais que fazia o grupo destas mulheres tão diferentes se darem tão bem. Ok, o filme resolve ressaltar justamente a amizade entre elas. Até aí tudo bem, achei bacana. Mas daí a querer fazer a gente acreditar que a Samantha realmente agiria da forma que agiu… ou seja: insatisfeita com o namorado, com um baita vizinho dando sopa e ela fiel?? Huuuuummmmm, o filme acabou tornando as personagens caretas demais. Alguém pode dizer que as mulheres depois dos 40 ficam mais conservadoras e quadradas… mas será mesmo que cinco anos de diferença na vida das quatro mulheres as tornariam realmente tão diferentes do que eram antes? Admito que as pessoas se acomodam, que acabam “sossegando mais o facho” quando o tempo passa, mas a própria Samantha prova, no final, que ela não mudou. Então parece mais lógico ela dar o pé na bunda do namorado e não pular a cerca, como sempre fazia? Huuuummm, realmente acho que o que mudou foi a preocupação do produtor executivo da série e agora diretor do filme, Michael Patrick King, em agradar a gregos e troianos – o que não parecia ser exatamente a sua preocupação antes.

Resumo da ópera: o que as antes “liberadas” e independentes amigas de Nova York nos ensinavam sobre ter a rédea de suas vidas nas mãos agora ficou ofuscado pela idéia de que as mulheres realmente tem que perdoar os homens para possibilitar que o amor dê certo. Uma idéia um tanto antiga, não parece? Pois sim… fora Charlotte, que realmente vive (aparentemente) uma relação segura e feliz no casamento; e Samantha, que acaba descobrindo que realmente ser fiel não é sua praia; as outras duas amigas do quarteto acabam tendo que perdoar traições das gordas. E dizendo isso eu não quero argumentar que o perdão não é recomendado e necessário, mas que achei um pouco demais a forma com que ele surgiu de parte das duas – especialmente por parte de Carrie. Enfim, aquela cena final, com todos felizes, me lembrou demais um novelão. Algo que a série, pelo menos os episódios que eu assisti, não me fazia lembrar.

Fora o fato de que as personagens viraram “quadradas” e que perderam boa parte da graça e da originalidade, o filme peca também por personagens masculinos bastante apagados. Ok que isso já acontecia um pouco na série, mas acho que no filme esse carácter se ampliou. Não gostei do roteiro do diretor que, na minha opinião, sempre preferiu a saída mais fácil para os problemas das quatro amigas. Sei lá, mas acho que a vida é um pouco mais complicada e interessante do que o que ele tenta mostrar – e imagino que ainda mais em Nova York. Mas para não dizer que tudo é horrível, gostei da trilha sonora e de boa parte do figurino – características que também marcavam a série.

Além dos atores já citados, vale comentar a participação de Jennifer Hudson como Louise, a assistente vinda de St. Louis que acaba colocando a vida de Carrie nos eixos – ainda que, até agora, eu não entendi realmente porque ela precisava de uma assistente; David Eigenberg como Steve Brady, o marido de Miranda; Evan Handler como Harry Goldenblatt, o marido de Charlotte; Jason Lewis como Jerry Jerrod, mais conhecido como Smith, o ator e namorado aparentemente fiel de Samantha; e Gilles Marini como Dante, o vizinho “boazudo” de Samantha.

NOTA:4.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Antes que chovam pedras neste blog, quero comentar que eu dei a nota acima para o filme em respeito às atrizes que interpretam as quatro amigas e levando em consideração a trilha sonora e o sempre competente trabalho de figurino… porque se fosse levar em conta apenas o roteiro ou a direção, a nota seria ainda pior. Sei lá, digam o que disserem, mas eu acho que o “espírito” da série se perdeu no caminho e nem chegou a entrar no filme, o que é uma pena. Faltou ousadia.

Segundo as informações do estúdio, Sex and the City, o filme, teria custado aproximadamente US$ 65 milhões. Apenas na semana de estréia nos Estados Unidos a produção já tinha faturado US$ 56,8 milhões. Nada que uma boa propaganda não ajude a vender, não é mesmo? Até o dia 17 de agosto o filme tinha arrecadado pouco mais de US$ 152 milhões somente nos Estados Unidos. O que me dá medo, porque se eles quiserem fazer uma continuação… ai, só por Deus! Daí acho que serei obrigada a fazer algo que odeio: evitar de assistir a um filme (até porque meu lema é que todos, mesmo os piores, precisam ser vistos).

Como na história, o filme foi todo rodado em Nova York e na Califórnia (em Los Angeles e em Malibu).

Os usuários do site IMDb deram a nota 5,4 para o filme, enquanto que os críticos que tem textos publicados no Rotten Tomatoes também ficaram divididos: publicaram 84 críticas favoráveis e 81 negativas. Francamente eu esperava do filme um pouco mais de tempero e ousadia – como eu acho que a maior parte da série tinha se desenvolvido.

Para quem não se lembra ou caiu meio que de “páraquedas” no que é Sex and the City, relembro que tudo surgiu em 1998 pelas mãos de Darren Star. No início, a série reunia quatro amigas muito diferentes que se encontravam para compartilhar de suas histórias mais íntimas – especialmente em suas buscas pelo amor e todos os problemas que advém deste tipo de procura. Declaradamente consumistas dentro de realidades bem diferentes, estas mulheres passaram por histórias das mais engraçadas. A série durou de 1998 até 2004 e, neste tempo, ganhou um total de 44 prêmios – incluindo oito cobiçados Globos de Ouro e sete Emmy. Ela foi indicada ainda a outros 125 prêmios – algo impressionante. A série foi um marco na questão da moda e na reflexão sobre a liberdade sexual feminina – em uma época em que poucos tratavam o tema de forma tão aberta. A atriz Sarah Jessica Parker se consagrou através da série, assumindo a postura de ícone de moda e estilo no final dos anos 90 e início dos anos 2000. As outras atrizes também ganharam fama com Sex and the City, assim como Chris Noth e Willie Garson, os únicos atores que participaram da série desde a primeira temporada – ainda que eles tenham conseguido uma projeção muito menor que elas, afinal, essa é uma série de “meninas”.

Algo que me incomodou no filme, já que se trata de uma “superprodução”: a quantidade de vezes em que aparece aquele baita microfone negro formato picolé gigante em cena… especialmente nas sequências em que está Carrie e sua assistente. Acho que um pouco mais de cuidado da produção não seria pedir demais, né não? hehehehehehehe

CONCLUSÃO: Mais um exemplo de série que perde força quando chega aos cinemas. O filme tem qualidades técnicas e boas interpretações, mas deixa a desejar na ousadia. Para mim faltou sal e pimenta no roteiro – algo que na série era mais frequente. Ok que as personagens envelheceram e deixaram de lado várias “bobagens” dos 30 e poucos, mas não esperavam que elas se tornassem tão “normaizinhas” assim rapidamente. Se puder, assista a série e não o filme – especialmente as primeiras temporadas. E antes que os leitores deste blog se desesperem, prometo que só vou assistir a mais um filminho fraquinho e que depois retomo os filmes bons, ok? 😉

The Life Before Her Eyes – Sem Medo de Morrer

O Estados Unidos sofre com algumas chagas. Se a Alemanha insiste em lembrar os crimes nazistas, o Estados Unidos parece sempre querer relembrar os seus assassinos em série e/ou demais loucos que acabam matando gente inocente. Dentro deste “universo”, acho incrível como rendem novos casos e histórias os assassinatos em colégios, escolas ou universidades daquele país – como o de Columbine, talvez o mais conhecido caso ocorrido nos últimos anos. Pois é sobre um caso destes que gira a história de The Life Before Her Eyes. Até assistir ao filme eu não tinha me dado conta que ele é o novo trabalho do diretor ucraniano Vadim Perelman, responsável anteriormente pelo interessante House of Sand and Fog (Casa de Areia e Névoa). Neste seu segundo filme ele volta a tratar da perda e da violência de uma maneira um bocado fora dos padrões – ainda que, para mim, desta vez ele não tenha conseguido um efeito tão interessante.

A HISTÓRIA: Acompanhamos dois momentos na vida de Diana McFee (Uma Thurman): quando ela era uma colegial (interpretada por Evan Rachel Wood) um tanto popular e rebelde; e adulta, como mãe de família e esposa de Paul McFee (Brett Cullen). Na adolescência, Diana está buscando sua independência, assim como o que pretende fazer da vida após o colégio, enquanto alimenta uma forte relação de amizade com Maureen (Eva Amurri) e começa a descobrir a sua sexualidade. A vida das amigas muda radicalmente no dia em que Michael Patrick (John Magaro), um colegial como elas, chega na escola matando quem ele encontra pela frente. A partir daí a história faz várias voltas para contar o que aconteceu com Diana.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta trechos importantes de The Life Before Her Eyes, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu ao filme): Tiros em Columbine, documentário-panfleto do diretor Michael Moore, talvez seja o filme mais conhecido sobre um massacre em uma escola dos Estados Unidos. Mas além dele existem outras produções que tratam do tema, como Elefante, filme de Gus Van Sant que ganhou a Palma de Ouro em Cannes em 2003. O único fio que une estes filmes com The Life Before Her Eyes é que todos tratam de massacres em escolas. Mas as semelhanças terminam aí.

O novo filme estrelado por Uma Thurman pretende ir além do massacre propriamente dito e busca explorar o que seria a vida de uma sobrevivente de um acontecimento trágico como este. Algo interessante é que desde os primeiros segundos, com o bonito jogo de cores e flores da parte dos créditos iniciais, o filme se apresenta como uma narrativa um tanto irreal, de sonho.

(NÃO LEIA se não assistiu o filme). E depois esse sentido de irrealidade vai se ampliando até que descobrimos, quase no final, que o que parece ser a realidade de Diana não é nada mais nada menos que o seu “purgatório”, a idéia que ela teve de um futuro que poderia ter acontecido e que nunca poderá se concretizar. Essa reviravolta no filme – que sempre deu a entender que a sobrevivente do banheiro teria sido Diana – realmente é curiosa, mas achei que existe um excessivo jogo de vai-e-vem no roteiro que acaba cansando um pouco. Talvez até essa “eterna volta” a cena anterior ao tiro fatal de Michael Patrick faça parte do “purgatório” em que está metida Diana.

Existem, claro, várias interpretações para o filme. (NÃO leia se não assistiu a The Life Before Her Eyes). A idéia de que existe uma “realidade” inventada, uma projeção no futuro depois que morremos, pode ser entendida apenas como um estado da consciência – ao qual não saberíamos se duraria muito ou pouco tempo, quizás segundos depois da morte -, ou mesmo como a realidade em que um espírito passa a habitar depois que seu corpo não tem mais vida. Eu vi a projeção de uma vida futura de Diana quase como seu purgatório, afinal, ela não vivia exatamente uma vida feliz com o marido e a filha, e sim uma realidade de culpa e permanente sentido de “cobrança” – assumindo praticamente a idéia de vida “perfeita” da amiga Maureen, sem ter conseguido sair da cidadezinha em que não queria morar. Então tudo que ela nos conta é confuso e nebuloso porque está baseado em sua memória e percepção – o que vamos descobrindo que se altera conforme ela faz o esforço de entender aquele massacre e de repassar a sua própria vida.

Na verdade, por tudo isso que comentei, achei um filme bem interessante. Mas tem várias coisas nele que me incomodaram um pouco. Primeiro, o que eu tinha comentado antes: achei um pouco cansativo aquele frequente vai-e-vem da história para a cena do banheiro com as duas amigas e o assassino. Ok que isso se justifica pela “tomada de consciência” da personagem, mas ainda assim cansou um pouco. Depois achei um tanto desnecessária para a história uma “sutil” porém constante sugestão de um interesse sexual entre Diana e Maureen. Não sei se apenas eu percebi isso e, na verdade, a idéia de “atração” entre as personagens não ser algo planejado pelo roteirista, Emil Stern – baseado no livro de Laura Kasischke -, mas se foi planejado, sinceramente, achei desnecessário.

No fundo é um filme interessante, especialmente pela reviravolta no roteiro, mas ele termina sem, na verdade, ter convencido de todo. Achei que mais para a parte final do filme o roteirista e o diretor “correram” para tornar a história mais acelerada e contar rapidamente tudo o que queriam – do aborto até o desvelo do que realmente ocorreu naquele banheiro do colégio. Assim, o filme não mantêm um ritmo constante e acaba sofrendo por um pouco de atropelo. Os atores em geral estão bem nos seus papéis, com destaque para as jovens Diana e Maureen – especialmente para Eva Amurri, que me surpreendeu por seu carisma. Evan Rachel Wood acaba “levando” o filme, já que a maior parte da interpretação fica com ela – pelo menos a maior parte da “complexidade” da personagem principal acaba caindo no seu colo. Uma Thurman está bem até a parte final, quando a tal “correria” no roteiro acaba prejudicando um pouco a sua interpretação. Os demais atores realmente são secundários, inclusive a simpática garotinha Gabrielle Brennan, que interpreta Emma McFee, filha de Diana e Paul.

NOTA: 6.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: O filme não custou muito para os padrões de Hollywood: US$ 8 milhões. Ainda assim, até agora, teve um desempenho pífio nas bilheterias dos Estados Unidos: de abril até junho ele arrecadou pouco mais de US$ 303 mil. Um dos motivos é que o filme nunca passou de 48 salas de exibição – na maior parte das semanas ele não chegou a ser exibido nem em 10 cinemas. Pelo visto a distribuidora não apostou nele, seja pelo número de cópias (baixa) ou pela campanha publicitária. Em teoria o filme tem um tema para ser bem procurado nos Estados Unidos – ainda que a narrativa possa desagradar a muita gente. Afinal, é um filme mais focado na existência de uma pessoa do que no massacre puramente dito.

A nota que eu dei para o filme leva em conta o trabalho competente do diretor, mas acaba sendo baixa porque achei o roteiro um tanto fraco e confuso – e na maior parte do tempo as interpretações também não me convenceram ou emocionaram. A idéia de explorar a vida de pessoas que sofreram com um massacre como este, um tanto “comuns” nos Estados Unidos é interessante e foge um pouco do que foi feito até agora, mas achei que a narrativa fragmentada acaba cansando e fazendo as pessoas se perderem um pouco – assim como a constante dúvida se o que estamos vendo é o que aconteceu ou uma fantasia da narradora. Falando nos massacres, achei em dois textos – este e este – um material interessante a respeito (que fala, por exemplo, que naquele país ocorreram nos últimos 10 anos pelo menos 10 casos em que mais de cinco pessoas foram feridas em tiroteiros em colégios ou universidades.

Os usuários do site IMDb confereriram a nota 6,8 para o filme, enquanto que os críticos que têm textos publicados no Rotten Tomatoes foram mais duros com The Life Before Her Eyes: 52 textos são negativos e apenas 18 se mostram positivos a produção.

Uma curiosidade: o filme foi todo rodado em Connecticut, especialmente na escola Sheridan e com alguma cena na Universidade de Yale.

Ainda que o filme acabou não conseguindo o efeito que eu acho que ele poderia ter conseguido, o que acho interessante é que o diretor continua trabalhando em um crítica ao “american way of life”, ou seja, ao estilo de vida dos Estados Unidos. Acho importante que alguns cérebros pensantes continuem fazendo isso.

Além do diretor e do roteirista, já citados, acho importante comentar o trabalho competente do diretor de fotografia polonês Pawel Edelman e da trilha sonora do veterano James Horner.

CONCLUSÃO: Um filme com potencial e muitas qualidades técnicas – especialmente de direção e de fotografia  – mas que acaba derrapando em alguns excessos de roteiro e em uma constante ida-e-volta no tempo presente e passado que acaba cansando. Não deixa de ser curioso para ser assistido, ainda mais porque tenta contar de maneira diferente a experiência de um massacre em uma escola dos Estados Unidos, mas acaba ficando abaixo do que poderia de fato ser. Na verdade, é praticamente dispensável.