Faroeste Caboclo

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Uma música corajosa que abalou o país quando foi lançada. E que fez diversas gerações cantarem os seus 159 versos sem pestanejar. Os fãs da banda Legião Urbana sempre tiveram “um filme” de Faroeste Caboclo na cabeça. E o sonho de que, um dia, alguém de fato transformaria aquela história para o cinema. E foi isso que o diretor René Sampaio fez com a produção homônima ao clássico da Legião. Demorou muito para este filho nascer. E ele não foi, exatamente, idêntico à obra original. Um problema para pessoas que, como eu, esperavam por um pouco mais de fidelidade com o trabalho de Renato Russo.

A HISTÓRIA: Close nos olhos de Santo Cristo (Fabrício Boliveira). Olhos estes que fitam ao seu  rival, Jeremias (Felipe Abib). A troca de ângulos lembra os clássicos do faroeste. Até que o tiro ecoa. E João relembra a sua vida desde a infância, quando pegava água em um poço ao lado da mãe. O herói desta história afirma que “nasceu com muitas contas para acertar”, e logo vemos ele, já adulto, queimando um policial após a morte da mãe. A partir daí, a história de João de Santo Cristo começa a se desdobrar.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso só recomendo que continue a ler quem já tenha assistido a Faroeste Caboclo): Logo no início deste filme, fiquei com uma pulga atrás da orelha. Afinal, na sequência inicial, parece que João leva um tiro de Jeremias após uma longa encarada. E um frente a frente ao outro. Mas só um pouquinho, e a música? Onde fica a história de Faroeste Caboclo, o clássico da Legião Urbana?

Porque se você conhece os versos originais como eu, sabe que João levou um tiro nas costas, e não de frente. Sem contar que, ao redor dos rivais, nada de povo, de bandeirinhas, de sorveteiro ou câmeras da TV. Mas como assim? Logo de cara pensei: demoraram tanto para filmar esta história e distorcem tudo, no final? Mas como era apenas o começo do filme, acreditei que talvez aquela fosse uma “licença poética”, como se os rivais tivessem se transportado para um ambiente de rivalidade “isolada” na hora do tiro, e que quando chegasse o momento, todo o circo estaria armado.

Mas qual nada. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Na Hora H, o final “intimista” entre os inimigos segue valendo. João é atingido pela frente, e não pelas costas – o que, na música, apenas reforça o quanto Jeremias era covarde. Além de perder um ponto fundamental da música com o tiro pela frente, o filme perde uma grande oportunidade de mostrar algo que a música trata: a dificuldade das pessoas em compreenderem histórias que lhe são estranhas. Ou, em outras palavras, como a maioria não consegue colocar-se no lugar do outro.

Na música, isso fica claro com o “circo” armado ao redor do duelo, assim como pela repercussão que a morte de João acaba tendo pela televisão. As pessoas não conseguem perceber a própria desgraça ao viverem em um país em que a falta de opção de quem nasce preto e pobre é uma verdadeira afronta ao crescimento de um Brasil mais igualitário e justo. Esta é a essência de Faroeste Caboclo, a música. Mas o filme, que trata do preconceito racial, roça pouco nas demais desigualdades e despreza toda a reflexão sobre a ignorância das pessoas que não conseguem compreender a sua própria realidade.

Mas não foi apenas este ponto que me incomodou nesta produção. Sério mesmo que, logo no começo do filme, presenciamos a um João assassino de policial? Isso que eu chamo de interpretação criativa dos roteiristas Victor Atherino, Marcos Bernstein e José Carvalho para a história de João. Na música, Renato Russo escreveu que “quando criança só pensava em ser bandido/ ainda mais quando com um tiro de um soldado o pai morreu”. Mas daí a João de fato matar um policial para vingar o pai… em momento algum a música afirma que ele sera um assassino.

Outras característica de João, por outro lado, são deixadas de lado. Como de que ele “comia todas as menininhas da cidade” e de que “ia para a igreja só para roubar o dinheiro/ que as velhinhas colocavam na caixinha do altar”. Uma coisa é ele roubar balas do dono de um bar. Outra muito diferente é pegar moedas em uma igreja. Ele aprontava, como qualquer criança, mas não consigo imaginá-lo como um ladrão para qualquer hora. Assim como nunca imaginei ele como um assassino vingador do pai.

Faroeste Caboclo, o filme, ignora completamente os sonhos de João – como sua vontade de conhecer o mar “e as coisas que ele via na televisão” – e a sua viagem para Salvador. Era vital o encontro do herói com o boiadeiro? Não. Mas para que ignorar uma parte da história assim, olimpicamente? Quem conhece a música também sabe que ele começou a trabalhar como aprendiz de carpinteiro por conta própria, antes de conhecer a Pablo (que no filme é interpretado por César Troncoso).

Novamente o filme ignora o jeito “pegador” de João, que gastava “todo o seu dinheiro de rapaz trabalhador” na zona da cidade. João trabalha como um cão, mas não consegue pagar as próprias contas – algo muito mais contundente do que ele apenas viver mais ou menos, como o filme mostra. Novamente, segundo a música, a TV aparece como algo importante – ele ouve o noticiário com promessas de políticos, o que lhe deixa ainda mais indignado.

O filme mostra ele virando traficante. Beleza. Mas não explora a forma com que ele acabou com todos os traficantes da região, e nem o mergulho que ele faz na noite da Asa Norte antes de conhecer Maria Lúcia. A produção igualmente ignora o roubo que faz ele ser estuprado e agredido – esta violência tem uma “releitura” muito mais inocente no filme. Na música, fica claro que ele revida ao ataque que sofreu com muita violência – algo que a produção de Sampaio ignora.

Só depois de ter vivido tudo isso, pela música de Renato Russo, é que João conhece Maria Lúcia. Até ali, ele fez e aconteceu como bandido. Causou terror, ficou rico, era “destemido e temido no Distrito Federal”. Diferente do filme, João abandona o crime e volta a ser carpinteiro – na história filmada por Sampaio ele não deixa o tráfico definitivamente depois que começa a fazer negócios com Pablo. O filme também ignora um personagem fundamental da música: o “senhor de alta classe com dinheiro na mão”.

Na canção de Renato, essa figura representa muitos interesses daquele país que começava a redescobrir a democracia – e que deixava para trás uma história de “bomba em banca de jornal” ou em “colégio de criança”. O tal rico garante que João está perdido, e de fato isso acontece. Na música, não fica claro como. Esse era um ponto interessante de explorar no filme que, infelizmente, ignora completamente o assunto.

Outro ponto importante da história: Jeremias aparece no local e resolve acabar com João. Muito diferente do filme, que mostra Jeremias como um sujeito consolidado e que acaba tendo o mercado “ameaçado” por Santo Cristo. Mais uma vez, Faroeste Caboclo, o filme, segue uma linha “pueril” e não mostra o lado “canalha” de Jeremias, que “desvirginava mocinhas inocentes/ e dizia que era crente mas não sabia rezar”.

Algo interessante que o filme faz a história avançar é de como Maria Lúcia “esqueceu” João e se entregou para Jeremias. Na música, essa “virada” da mocinha não fica clara – e sim a critério da interpretação de cada ouvinte. No filme, a justificativa é bastante plausível. Assim como é bacana todo o romance contado entre o carpinteiro João e a filhinha de político Maria Lúcia.

Finalmente, e ainda seguindo a história original da música, incomoda muito não ouvir João declamando a sua intimação para Jeremias, e todo o circo que segue a partir daí – incluindo o acerto de contas após ser atingido pelas costas. Finalmente, a música dá a entender que Maria Lúcia se mata após João ter sido acertado e Jeremias ser morto por ele. A sequência que o filme mostra também vai contra a narrativa da música.

Dito tudo isso, também comento que Faroeste Caboclo visto como um filme “western moderno”, até que funciona bem. Ele é bem filmado, tem interpretações convincentes e um roteiro que funciona em muitos momentos. Há ritmo nesta produção, e fidelidade ao gênero. Sem dúvida esta produção ganharia uma nota melhor se fosse um filme independente, sem uma história clássica por trás. Só que esta não é a verdadeira face de Faroeste Caboclo. Um filme que demorou tanto tempo para sair e que, após ter ficado pronto, apenas decepciona aos fãs da música pela falta de fidelidade com a obra original.

NOTA: 7,5.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Novamente, meus bons leitores, peço desculpa a vocês por demorar tanto para escrever um texto por aqui e, mesmo quando consigo fazê-lo, não publicar todos os detalhes de uma vez. Mas o tempo está curto. Por isso resolvi publicar esta crítica hoje, rapidamente, deixando para registrar curiosidades sobre esta produção em outro momento.

Corrupção policial é algo interessante de explorar em uma história. Mas o personagem de Marco Aurélio (Antonio Calloni) ganha uma relevância neste filme que a música não lhe dá na história original. Achei desnecessário.

Os protagonistas desta produção fazem muito bem o seu trabalho. Gostei de Fabrício Boliveira e, especialmente, de Isis Valverde, que me surpreendeu positivamente. Uma pena que o roteiro não lhes ajuda muito na construção de seus personagens.

Na música de Renato Russo, não fica claro que Maria Lúcia é uma menina de alta classe. Pelo contrário. Eu tinha, na verdade, a ideia de que ela era uma menina interiorana, bastante inocente e que, por isso mesmo, teria sido enganada por alguma história de Jeremias. O preconceito por classe social e por raça fazia parte da história por trás da música lançada pela Legião Urbana, mas estes não eram os fundamentos principais da história. Acho que o filme se prende demais a estes preconceitos e esquece todo o resto do retrato social que a música faz. Uma pena.

Apesar dos problemas no roteiro deste filme, é preciso registrar que a direção de René Sampaio tem algumas sacadas muito boas. Ele tem ritmo e sabe valorizar algumas cenas muito bem, com algumas inovações aqui e ali.

Além da página oficial do filme, que demorei um pouco a encontrar – porque achei que seria muito óbvio ter uma página faroestecaboclo.com.br – vale destacar a página oficial do filme no Facebook, que acompanha a trajetória da produção.

Da parte técnica do filme, vale destacar a direção de fotografia de Gustavo Hadba e o ótimo resgate de “época” encabeçado pelo diretor de arte Tiago Marques, com os figurinos de Valéria Stefani.

Bom comentar que este filme segue uma sequência de críticas focando o cinema brasileiro, pedido feito pelos leitores deste blog através do resultado de uma enquete feita por aqui.

CONCLUSÃO: Há duas formas de assistir a Faroeste Caboclo: apenas com uma produção brasileira ou como um filme que é fruto de uma das músicas mais conhecidas da banda Legião Urbana. Não sei vocês, mas eu consigo pensar nesta produção sob estas duas óticas. Por isso mesmo, para tentar ser justa, não dei uma nota mais baixa para o filme. Se eu fosse analisá-los apenas como uma grande fã da banda e das letras do Renato Russo, certamente, daria uma nota muito mais baixa. Talvez um 5.

Se eu fosse analisá-lo apenas como um filme nacional, possivelmente eu lhe daria uma nota um pouco maior, talvez um 9 ou um 9,5. Mas seria injusto avaliá-lo apenas por uma ótica. Faroeste Caboclo é um belo filme, bem trabalhado, cuidadoso nos detalhes, com uma fotografia muito bonita e cuidada e uma direção com vários momentos inspirados. Tem atores dedicados e um roteiro com vários acertos. Mas ao mesmo tempo, este filme perdeu uma ótima oportunidade de ser realmente fiel à obra de Renato Russo. Muito daquela música clássica do rock brasilis ficou de fora desta produção. O que, para mim, é algo incompreensível. Afinal, se demoraram tanto para filmar Faroeste Caboclo, por que não ser fiel à música? Os envolvidos nesta produção perderam uma ótima oportunidade de fazer história ao levar para as telas uma das canções mais cinematográficas do RR da forma correta. Uma pena, pois.

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Side Effects – Terapia de Risco

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Ótimos atores e um diretor sempre provocador nem sempre são garantia de uma produção envolvente e interessante. Este é o caso de Side Effects. A última produção de Steven Soderbergh carece de sintonia entre os atores e, principalmente, de um roteiro que convença. A psicologia e a violência embalam o filme que não tem nenhuma grande sacada ou estilo. Parece apenas mais uma produção para faturar algum dinheiro e dar trabalho para profissionais enquanto eles pensam em um projeto realmente diferenciado no qual eles podem embarcar.

A HISTÓRIA: A câmera desliza em um cenário urbano até aproximar-se lentamente de um prédio com muitas janelas e fixar-se em uma. Corta. Manchas de sangue sobre um piso branco e uma cadeira com o assento para baixo. O sangue segue para outros tipos de piso, e há marcas de pegadas também. Finalmente, a câmera pousa sobre um barco que está sobre uma poltrona. Corta. Três meses antes, Emily Taylor (Rooney Mara) termina de passar batom no espelho do carro. Ela está pronta para visitar ao marido, Martin (Channing Tatum) na prisão. No trabalho, ela comenta com a chefe (Polly Draper) que agora falta pouco. Martin sai da cadeia, mas Emily parece incapaz de vencer a depressão ou algum outro distúrbio psicológico. Após uma crise, ela conhece ao doutor Jonathan Banks (Jude Law), que começa a tratá-la em busca de melhora.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso só recomendo que continue a ler quem já assistiu a Side Effects): Honestamente, tive (e tenho) preguiça de escrever sobre este filme. Porque ele, na verdade, me parece o resultado de um trabalho preguiçoso. Ou melhor, de um trabalho destes para cumprir tabela.

Dizem que há novelas da Rede Globo com excesso de personagens que se justificam porque o autor ou autora tem uma certa “preocupação” em dar emprego para os seus amigos. Ou para gente que admira. Side Effects, para mim, parece seguir esta linha. Os produtores Scott Z. Burns, Lorenzo di Bonaventura e Gregory Jacobs parece que planejaram este filme para que ele reunisse nomes fortes e promissores de Hollywood com o simples objetivo de colocar mais uma produção nos cinemas e que ela desse, entrando em cartaz, lucro.

Antes de Side Effects, Scott Z. Burns havia produzido apenas um curta-metragem e o documentário An Inconvenient Truth. Jacobs tem 19 títulos no currículo como produtor, incluindo Magic Mike, Haywire, Contagion e The Informant!, enquanto di Bonaventura tem 26 filmes como produtor, incluindo Salt, The Last Stand, Man on a Ledge e The Devil Inside.

O que se pode concluir destas observações? Que Burns não tem muita experiência como produtor, que Jacobs gosta de trabalhar com Soderbergh e que os dois e di Bonaventura tem péssimos exemplos de filmes nos currículos. Claro que os produtores não são os únicos responsáveis pelo resultado de uma produção mas, como bem explicou Heitor Dhalia quando lançou Gone, eles tem um peso decisivo no resultado de qualquer filme de Hollywood. São raras as exceções e os projetos da indústria que não tem um bom peso do olhar dos produtores.

Ainda assim, claro, não dá para eximir os demais participantes desta produção pelo resultado abaixo do esperado de Side Effects. O filme, na verdade, começa bem. Com aquelas cenas provocativas de sangue e de violência sugerida, antes do famoso “três meses antes” surgir. E daí Rooney Mara aparece com toda aquela expressão frágil e parecendo uma bomba relógio prestes a explodir.

A primeira dificuldade de Side Effects é que Rooney Mara tem alguns momentos exuberantes, em que está linda e que parece uma bond girl (como na festa em que a sua personagem vai ao lado do marido antes de ter uma crise na frente de todos) mas, na maior parte do tempo, ela parece uma atriz esforçando-se demais em parecer frágil e descompassada. Mas sem convencer.

Como em diversos filmes deste gênero, aguardamos o momento em que algo ruim vai acontecer. E de fato, ocorre. Até aí, tudo bem. O roteiro de Scott Z. Burns (eis um bom motivo para ele ser um dos produtores deste filme) segue mostrando a falta de estabilidade da protagonista até que o fato que causa a ruptura na história aconteça. O problema é que, até ali, o roteiro não tem a tensão que deveria. E a partir daquele ponto, a ladeira segue para baixo.

Tudo indica, mas algo parece estranho nestas indicações, que a protagonista não se sente confortável em ter o marido, ex-presidiário, de volta para a sua vida. Ao invés de enfrentar o problema, Emily tenta um suicídio difícil de engolir – no qual, claramente, ela não queria morrer. Até aí, tudo bem, porque um psicólogo pode dizer que ela estava apenas querendo chamar a atenção. Mas mesmo sendo acompanhada e medicada por Banks, ela não parece manter o controle. Até que ocorre o fato que dá a quebra narrativa no filme.

Por mais que a gente esperasse que algo sinistro acontecesse, quando ocorre, ficamos naquela perplexidade de “tá, que coisa mais fake!”. Mas sim, é aquilo mesmo. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Emily mata o marido como se fosse um robô, e querem nos convencer que ela estava “sonâmbula”. Depois, o filme consegue piorar, com todo aquele esforço do enredo em “culpar” Banks. Quando finalmente fica evidente o relacionamento entre Emily e a Dr. Victoria Siebert (Catherine Zeta-Jones), fica ainda mais difícil de engolir aquele plano mirabolante de culpar Banks. Sério mesmo que elas acharam que ele seria massacrado publicamente e não faria nada para impedir aquilo?

E daí que o filme fica arrastado. Com Banks lutando para mostrar que não era culpado pelo tratamento de Emily ter dado errado ao mesmo tempo em que discutia o relacionamento com a mulher Dierdre Banks (Vinessa Shaw). Haja paciência! Difícil de engolir a estratégia pouco inteligente de Emily e Victoria e as respostas previsíveis de Banks. E em um filme como este, nada pior do que um roteiro que não convence, alguns atores com interpretações forçadas e umas estratégias previsíveis para seguir. O resultado, para mim, é um filme que me deu sono, e vontade alguma de comentá-lo.

Mas para não dizer que Side Effects é um perfeito desperdício, eu gostei de alguns momentos em que a direção de fotografia de Soderbergh junto com a trilha sonora angustiante de Thomas Newman e a interpretação cheia de desfaçatez de Rooney Mara conquistam a alquimia perfeita. São apenas alguns momentos do filme, mas eles se destacam. Também gostei da “ousadia” do romance entre Emily e Victoria, ainda que ele tenha sido um pouco difícil de acreditar – ou um pouco artificial demais. Mas estes raros momentos não fazem a produção ser um total desperdício. De qualquer forma, nada que valha realmente gastar o seu tempo.

NOTA: 5,6.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Voltei das férias trabalhando pra caramba. Isso é verdade. Mas admito que este filme também demorou tanto para sair aqui no blog porque ele me deu preguiça. Estou me livrando desta crítica agora, semanas depois de tê-lo assistido. E prometo terminar de colocar itens neste “obs de pé de página” em outro momento. E daí vamos virar a página, né? Assistir a um filme que faça a minha vontade de seguir com este espaço novamente – porque este não é o caso de Side Effects.

Os usuários do site IMDb deram a nota 7,2 para este filme. Uma avaliação muito boa, levando em conta o padrão do site. Os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes foram ainda mais generosos, dedicando 156  críticas positivas e apenas 28 negativas para a produção – o que lhe garantiu uma aprovação de 85% e uma nota média de 7,4.

CONCLUSÃO: Toda vez que um filme se esforça muito para dar uma reviravolta fundamental, desconfie. Afinal, para uma história convencer, mais que nada, ela precisa estar bem amarrada. Todos os elementos devem ser apresentados antes, mesmo que o espectador não tenha percebido. Hitchcock está aí para ensinar os incautos sobre isso. O pecado primordial de Side Effects é que a história, depois da reviravolta, vista de trás pra frente, não convence. E isso é fundamental.

Os nomes envolvidos nesta produção sabem trabalhar em Hollywood. Afinal, estão habituados àquele ambiente. Por isso, fazem bem os seus trabalhos. Mas sem nenhum rompante, nenhuma demonstração de esforço que realmente foi recompensado. Pelo contrário. Parece que diretor e atores apenas cumprem o seu papel. Como aquele trabalhador que se habituado a bater o ponto no início e no final de cada dia, mas que não se importa muito com o que acontece no tempo entre um momento e outro. O roteiro não convence, a direção é competente, mas nada excepcional. E os atores, especialmente Jude Law, estão bem. Ainda que Rooney Mara pareça um pouco perdida. Dispensável, pois, se você tiver qualquer outra opção no lugar desta.