Take This Waltz – Entre o Amor e a Paixão

Você quase pode sentir aquele calor dominante no ar. E o frio do chão de madeira, pisado com os pés. Take This Waltz é um filme de sentidos. Ele nos transporta, se esforça para nos fazer vivenciar as sensações dos protagonistas. Não tem nenhuma história muito original. Aqui, o importante, além do conteúdo, que não é exatamente novo, é principalmente a forma. Aliás, muitas vezes é a forma o importante, não é mesmo? Como, e não o que. Liberte-se. Dos filmes anteriores que você viu a respeito de uma garota que vive um casamento que virou amizade e encontra outras tentações por aí. Deixe-se levar. Vai valer a pena.

A HISTÓRIA: Boa música, uma lente desfocada mostra uma mulher cozinhando. Está calor, porque ela seca o suor na testa. A cena entra em foco, e após ver a Margot (Michelle Williams) claramente, vemos os seus pés, caminhando descalços sobre o piso de madeira, e com o detalhe das unhas pintadas de azul. Ela vai e volta, na função de pegar ingredientes e preparar a sua receita. Experimenta, enquanto faz, parece distraída e algo insatisfeita. Coloca a receita no forno, e fica olhando pra ele. Como se não tivesse nada mais importante pra fazer. Ela desvia o olhar do forno e olha para um homem, que caminha até a janela. E ela permanece lá, olhando para dentro do forno. Corta. Margot caminha rápido com uma mala e uma bolsa. Chega em um quarto, parecendo cansada. Vemos a uma vila, e Margot acompanhando uma encenação histórica. Após flagelar um ator, ela conhece rapidamente a Daniel (Luke Kirby), um homem que vai alterar a vida de Margot.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso só recomendo que continue a ler quem já assistiu a Take This Waltz): Eu adoro o estilo da diretora Sarah Polley. Ela tem um olhar peculiar, diferenciado, um cuidado a cada cena que a diferencia dos demais. Atriz com 55 filmes no currículo, ela realizou apenas oito filmes como diretora. Mas o anterior, Away From Her, comentado aqui no blog, é maravilhoso. Uma preociosidade.

E sou destas pessoas que fica apaixonada por alguém com apenas uma peça de arte. Gostei tanto de Away From Her que guardei o nome de Sarah Polley e fiquei esperando a oportunidade de vê-la na direção outra vez. E ela não me decepcionou. Take This Waltz tem todos os elementos que me fazem adorar um filme: estilo, ritmo, diálogos interessantes, muitos momentos de tensão e de “encantamento”, atores carismáticos, uma direção de fotografia deliciosa e uma trilha sonora idem.

A levada do filme, como eu disse antes, é nos transportar para aquelas sensações. Somos convidados a sentir calor, a brisa do mar, o cheiro do frango, a perceber as cores do amanhecer, a ter uma certa angústia com os encontros familiares barulhentos… a provocação dos sentidos aparece volta e meia, para nos tirar da zona de conforto. Polley não quer que sejamos apenas espectadores, mas que nos envolvamos. E, para mim, ela consegue isso com maestria.

Claro que a história, você e eu, sabemos para onde vai. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Não demora nada, desde que Margot volta para casa, para percebermos que o casamento dela com Lou (Seth Rogen) virou a história de dois amigos dividindo o mesmo teto. Aliás, no início, fiquei um bom tempo pensando há quanto tempo eles estavam juntos… parecia, em alguns momentos, que estavam apenas começando. Porque há uma estranheza sobre ela morar ali, algumas vezes… parece que a casa é dele, e que ela está momentaneamente. Quando fica claro que eles estão juntos há cinco anos, daí cai o pano e torna-se evidente que o tesão acabou, restando apenas a amizade.

Evidente que não é um problema isso acontecer. Muitos dizem que os casamentos de longa data, inevitavelmente, caem nesta rotina. E que isso seria o amor. Como não estou casada há muito tempo, não posso falar a respeito. Do quanto acaba ficando difícil uma pessoa chegar na outra sem parecer invasão de espaço. De quanto a rotina pode fazer um achar que sabe tudo sobre o outro quando, na realidade, ele não tem a mínima ideia do que está acontecendo.

Se o cenário vai ficando claro rapidamente, o desenrolar da história é planejada matematicamente para nos “torturar”, dividir a nossa opinião sobre o que deveria acontecer. (SPOILER – não leia… bem, você já sabe). Tenho certeza que muita gente torceu para que Margot conseguisse se manter firme, e que Lou acordasse um pouco para a vida, para dar uma reviravolta naquela rotina morna e sem atenção real para a esposa dele. Chega a ser tocante o esforço de Margot em seguir firme. Afinal, todos os indícios nos levam a crer que Lou “não merece” ser traído e tudo o mais.

E quem merece? Mas nem sempre a vida é feita de merecimentos. E há quem diga que ele não soube cuidar do que tinha. De fato. Mas a vida, como vocês sabem, é mais complicada do que parece. Em muitas situações. E a piada a longo prazo pode ser aquilo que justamente a pessoa não observa que está se tornando – e não uma água fria jogada sempre no momento errado. Aliás, que bela simbologia esta. Como outras do filme.

Há uma antítese maior do que Lou e Daniel? O primeiro, um sujeito metódico que faz sempre a mesma variação de pratos em busca de um resultado culinário perfeito. Acostumado a uma determinada rotina, feliz por estar casado com a mulher que ama, ele já não observa oa matizes, as nuances, o que está de fato acontecendo com Margot. O segundo, Daniel, um cara que faz qualquer coisa para ganhar dinheiro e pagar as contas enquanto ele dedica o seu talento para a arte que não mostra pra ninguém. E o qualquer coisa que ele escolheu é algo inverso ao Lou que fica em casa: ele sai pelas ruas andando e correndo com um riquixá (tipo de táxi em que uma pessoa puxa uma carroça de duas rodas em que podem ser acomodadas uma ou duas pessoas).

Enquanto um engorda e sua com a barriga no fogão, o outro acorda cedo, tem horários diferenciados de todo mundo, e mantem o porte atlético porque corre pelas ruas da cidade. Mas a vantagem de Daniel não se limita apenas a escolha do que ele faz para viver, e de seu porte físico. No caso de Margot, uma jovem linda, mas um tanto confusa e/ou sensível demais, o que realmente faz a diferença é o olhar de um e de outro. Enquanto Lou olha pra ela como quem observa a mesa de jantar, ou seja, joga o olhar para algo conhecido e sem segredos, Daniel observa cada detalhe de Margot e tenta decifrá-la. A diferença de atenção entre um e outro é absurda, de tão gritante.

Neste aspecto, claro, Take This Waltz é um tanto canalha. Porque ele simplifica o estereótipo do marido acomodado e do possível amante apaixonado e, por isso, extremamente interessado. Além disso, Lou se esforça para parecer um verdadeiro pateta, com suas afirmações muitas vezes mal colocadas. Claro que esta é a forma da diretora e roteirista Sarah Polley nos convencer que Daniel é irresistível. Ainda assim, estou certa, muita gente vai odiar Margot, porque ela poderia ter evitado o contato, desviado do caminho de Daniel e se mantido próxima de Lou todo o tempo.

Mas e aí que graça Take This Waltz e tantos outros filmes do gênero teriam? O sentido destas produções é nos provocar, “fazer sonhar” com uma figura interessante como Daniel chegando assim, por acidente – mas com umas coincidências que alguns podem ler como destino. Faz parte destas produções simplificar os personagens, até para que exista o perigo e a tentação. Para que Daniel, assim como Margot, nos conquiste com os seus joguinhos de atração-repulsa. Neste caso, mais que o conteúdo, o que importa em Take This Waltz é a forma.

Essa simplificação dos personagens acaba não incomodando porque os atores principais realmente convencem com suas histórias, suas fraquezas e fortalezas. O medo de ter medo dela, visto como algo extremamente perigoso por ele, fala de cada um de nós. Porque podemos parecer fortes, cheios de certezas e muito “limpos” em nossas convicções, mas também temos pés de barro, medos, solidões e incertezas. E aceitar esta fraqueza como algo natural e presente é o que nos torna fortes. Como Margot se percebe forte ao, mesmo cheia de culpa, viver o que ela acha que tem que viver. E os outros personagens também se lançam em suas escolhas, e recebem as respostas a elas – sejam estes retornos desejados ou não.

Porque a vida é feita disto. De encontros, de desencontros, amores e desamores. E daí sim chegamos ao ápice desta história, e que torna ela mais interessante do que apenas outro filme sobre amor, fidelidade, atração e traição. Perto do fim, a um tanto irrelevante personagem Geraldine (Sarah Silverman) solta algumas pérolas que nos fazem pensar muito além da duração de Take This Waltz. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Após uma recaída, ela diz para Margot que ela não é melhor que ela, Geraldine. Afinal, ambas fizeram o que todos esperavam delas, e que significava a “fraqueza” de se entregarem a seus desejos/vícios. De fato, ao lembrarmos da cena inicial e que, só depois, vamos ter certeza que se tratava do avanço na “virada” na vida de Margot, é que percebemos que, provavelmente, ela viverá aquele mesmo tédio que tinha com Lou, mas agora com Daniel.

E qual será a solução para isto? Outra troca, outra traição? Algum dia isso terá fim? Daí que a sequência final é maravilhosa… porque ela mostra que esta nossa busca incessante por alguns momentos de felicidade e de prazer, talvez e possivelmente cada vez mais raros, nunca vai terminar. Sempre vamos buscá-los, seja de uma forma ou de outra. E essa incansável busca por felicidade, mesmo que em pílulas, é apenas uma forma de vencermos um pouco a nossa fragilidade e a condição humana finita. Um filme desprentensioso que nos faz sentir, vivenciar, e ainda pensar nestas questões essenciais sem forçar nenhuma barra e nem parecer “existencialista” é algo raro. E por isso mesmo, tão bom.

NOTA: 10.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Sou suspeita, como eu disse antes, para falar sobre Take This Waltz por duas razões: este filme é dirigido e escrito por Sarah Polley, de quem sou admiradora, e tem como protagonista a maravilhosa Michelle Williams, que a cada filme vem me conquistando mais. As duas fazem um trabalho fantástico. Polley com o seu jeito diferenciado de escrever uma história, seus diálogos “realistas” e inspirados e, em especial, nos pegar pela mão e levar história adentro. E Williams por sua entrega cada vez mais contundente em cada personagem. A atriz é, sem dúvida, uma das grandes responsáveis pelo êxito de Take This Waltz.

Os outros dois grandes “culpados” por este filme sensibilizar e criar empatia são Seth Rogen, que me surpreendeu com um papel engraçado, mas também bastante convincente; e o impressionante Luke Kirby, que acaba sendo magnético nesta produção. Curioso que o trio de protagonistas segue bem a linha de “pessoas comuns”. Nenhum deles é coberto de glamour, ou de um charme irresistível. Margot, Lou e Daniel parecem “gente como a gente”, figuras “ordinárias” e, por isso mesmo, elas conseguem ser reconhecidas e despertar paixões e torcidas.

Falando na escolha determinada de Polley em mergulhar em um estilo de filme realista, superinteressante a sequência na piscina e, em especial, do chuveiro pós piscina das garotas. Não há frase fora de contexto, neste filme. Todas foram pensadas com precisão. Por isso, interessante aquelas mulheres de mais idade ensinando para as garotas de várias gerações abaixo de que toda novidade passa. De fato. Mas os meus jovens não entendem isso, até que fiquem muito mais velhos e, daí sim, percebem que brigaram tanto, fizeram tanto, muitas vezes por tão pouco. Afinal, tudo que é novo, uma hora fica velho. Não importa o que. Ou quem.

Da parte técnica do filme, AMEI a direção de fotografia de Luc Montpellier, sempre com cores quentes, ou lentes “brilhantes”, que valorizam ainda mais a ideia de um clima sempre quente – vide os ventiladores que estão sempre ligados. Claro que este calor também remete à paixão, à conquista e ao risco da traição, da experimentação, da ousadia. Tudo está interligado e é reforçado pela fotografia. E outro elemento fundamental é a trilha sonora… deliciosa, destas que fazem a gente querer comprar o CD quando termina de assistir ao filme. Mérito de Jonathan Goldsmith, responsável pela trilha sonora.

Mas para não dizer que não falei das flores, outros nomes desta produção acabam deixando a sua digital no filme. Vale citar o trabalho de Matthew Davies no design de produção, de Aleksandra Marinkovich na direção de arte e o de Steve Shewchuk na decoração de set. Eles são os responsáveis, junto com Polley e Montpellier, pelo visual desta produção. Shewchuk, em especial, dá um baile na modificação de cenários e na “construção” do relacionamento/apartamento que surge nesta produção.

Finalmente, palmas pela ótima edição de Christopher Donaldson e para os figurinos de Lea Carlson. Todo o filme, por causa do trabalho de toda esta gente, funciona como em uma bela sinfonia.

Até o momento, Take This Waltz conseguiu uma bilheteria pequena nos Estados Unidos. O filme, que estreou em julho, conseguiu até o dia 23 de setembro pouco mais de US$ 1,2 milhão. Insignificante para os padrões dos Estados Unidos.

Take This Waltz tem participado de muitos festivais. O primeiro deles foi o de Toronto, no dia 10 de setembro de 2011. Depois ele esteve em outros 13 festivais, com destaque para o de San Sebástian, Vancouver, Hong Kong e Tribeca. Nesta trajetória, ele venceu um prêmio e foi indicado a outros oito. O único que ganhou, até o momento, foi o de Melhor Atriz em um Filme Canadense para Michelle Williams pelo Círculo de Críticos de Cinema de Vancouver.

Este filme, aliás, foi coproduzido pelo Canadá, Japão e Espanha. E para quem gosta de saber o local de filmagem das produções, ele foi rodado em Toronto e em Louisbourg, ambas cidades canadenses.

E uma curiosidade sobre Take This Waltz: em 2009, o roteiro deste filme foi colocado na The Black List – uma publicação anual que traz os melhores roteiros que não foram filmados naquele ano.

Os usuários do site IMDb deram a nota 6,5 para esta produção. Os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes foram um pouco mais generosos, dedicando 94 críticas positivas e 27 negativas para o filme, o que lhe garante uma aprovação de 78% e uma nota média de 7. Algo muito positivo para os padrões exigentes do site.

Ah sim, e uma observação importante: tenho certeza que não é por acaso que o filme comece e termine com apenas uma pessoa predominando em cena, apesar da história inteira estar focada, sempre, em duas pessoas. Certamente Polley quer nos dizer que, por mais que busquemos sempre alguém para dançar com a gente uma boa música, e por mais que vivamos grandes amores aqui e ali, no início e no final estaremos lá, sozinhos. Há mais em Take This Waltz do que a maioria talvez tenha percebido – vide a nota do IMDb.

CONCLUSÃO: Definitivamente este não é um filme com uma história muito original. Um casal que vive um momento de queda no relacionamento, em que uma das pessoas – no caso a mulher – está insatisfeita e vai percebendo, fora de casa, as cores, charme e graça que lhe falta dentro, não é narrado pela primeira vez. E nem será a última certamente, porque amores que se transformam – ou resumem, talvez – em amizade e que acabam resultando em algo diferente do que cada pessoa do casal imaginava no início sempre vão interessar as pessoas. Porque estas histórias acontecem mais do que gostaríamos. Mas a forma de Take This Waltz é o que torna o filme tão interessante. Cada escolha da diretora, a fluência de suas cenas, que parecem uma valsa do início ao fim, o carisma dos protagonistas e os diálogos interessantes tornam o conteúdo e a forma um dueto perfeito.

E para finalizar e justificar a minha nota, além de envolvente e interessante, bem acabado tecnicamente, este filme se revela, perto do final, um grande instigador filosófico. Afinal, por que seguimos fazendo o que fazemos, aquilo que todos esperam que um dia façamos outra vez, e outra vez, apesar de tentarmos desviar desta expectativa? Por que os erros se repetem? E eles, de fato, são erros, ou apenas passos inevitáveis? Existe algo inevitável? No final das contas, Take This Waltz nos fala muito bem sobre a nossa desventurada busca pela felicidade. E de uma forma singela, interessante, e nada presunçosa. Só por isso, merece os meus aplausos.

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Magic Mike

Entretenimento puro. Especialmente para as garotas. Magic Mike vai agradar a quem gosta de ver belos corpos rebolando. É um passatempo, nada mais que isso. Feito sob medida pelo diretor Steven Soderbergh, cada vez mais interessado em subverter histórias clássicas em ambientes pouco utilizados como cenário dos enredos de Hollywood. A fixação dele pelo sexo e a sensualidade continua. Desta vez, no lugar de uma garota de programa, acompanhamos a um grupo de strippers. Homens, é bom dizer. No mais, aquele filme no estilo de Soderbergh, com ótima fotografia, boa música, ritmo e estilo.

A HISTÓRIA: Algumas luzes focam no homem que provoca gritos de um grupo de mulheres excitadas. O restante do ambiente está no escuro. A lógica do ambiente resgata um quarto qualquer. As mulheres se divertem, enquanto o dono do pedaço, Dallas (Matthew McConaughey), as incentiva a tocar/não tocar. Corta. O mês é junho. E Mike (Channing Tatum) acorda após mais uma noite de diversão. Ele se despede rapidamente de Joanna (Olivia Munn), com quem se encontra com alguma assiduidade, e vai trabalhar na reforma de mais alguns telhados. Neste local é que ele encontra Adam (Alex Pettyfer), um jovem de 19 anos que não sabe muito bem o que vai fazer da vida. Mas que acaba mudando a rotina de Mike em pouco tempo.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso só recomendo que continue a ler quem já assistiu a Magic Mike): Algo que eu admiro no diretor Steven Soderbergh é seu domínio total das imagens e dos tempos. Percebam cada sequência de Magic Mike, como ela é pensada com exatidão. Não é por acaso que, além de direção do filme, Soderbergh assina a direção de fotografia e a edição de Magic Mike. Ele domina o ritmo e a identidade do filme do início ao fim.

Para os que gostam ou não dele, Soderbergh faz um cinema autoral. Ele gosta de ação, de ritmo, de cenas bem planejadas, de valorizar a trilha sonora, uma direção de fotografia com lentes que estilizem as imagens e, desde 2009, a jogar com a sexualidade do público. Naquele ano, Soderbergh investiu na atriz de filmes pornô Sasha Grey para interpretar uma garota de programa em The Girlfriend Experience. No ano passado, voltou a colocar uma bela mulher – e atriz de segunda – na frente de suas lentes, como protagonista: Gina Carano estrelou, assim, Haywire. Veja a crítica do primeiro e do segundo filme citado aqui no blog, respectivamente.

Se nestes dois filmes anteriores os homens se esbaldaram com belas mulheres, com Magic Mike Soderbergh foca as suas lentes em belos homens, com corpos esculpidos, para alegrar as moças que não tem vergonha de dizer que gostam de ver a beleza que existe no mercado. Diferente das produções anteriores, Magic Mike mergulha mais na história pessoal do protagonista. E, o que sempre faz toda a diferença, os atores principais desta nova produção tem talento. O que coloca Magic Mike em outro patamar, comparado com as produções anteriores em que Soderbergh apostou na sensualidade como elemento fundamental.

Verdade que grande parte de Magic Mike é uma desculpa para vermos lindos homens dançando – e muito, muito bem! – e tirando a roupa sobre um palco. Aliás, grande parte do mérito do êxito desta produção é do coreógrafo Alison Faulk e sua assistente, Teresa Espinosa. Ele e sua equipe garantem cenas incríveis e divertidas que preenchem grande parte da história.

Descontadas as apresentações de Magic Mike e dos demais strippers, este filme conta uma história de amor. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). E de forma totalmente “acidental”. Conta, também, como três meses podem mudar totalmente a vida de algumas pessoas. Soderbergh gosta de marcar o tempo em seus filmes, e em Magic Mike esta marcação é funcional. Porque faz pensar. Em três meses, o personagem de Adam dá uma guinada em sua vida. E de reboque, muda a rotina da irmã, Brooke (Cody Horn), e as perspectivas de Mike.

Porque a vida vai nos levando. Cada vez mais. O ano é curto, depois do Carnaval já aparece as férias do meio do ano e, em seguida, o Natal. Nesta vida acelerada, e ainda mais no ambiente retratado por Magic Mike, não é difícil entender como um homem se deixa levar. Especialmente se ele é a estrela do espetáculo. Nisto conhecemos Mike, que acumula trabalhos, nada que lhe dê realmente muito dinheiro, enquanto ele vai adiando o início de seu sonho, de ter um negócio próprio de designer de móveis. E deixar aquela vida de stripper.

Sem muito espaço para conhecer pessoas “de verdade” ou ter conversas sinceras, Mike se surpreende com Adam e sua irmã, Brooke. Ela, como qualquer mulher que consegue enxergar, fica perplexa com a beleza de Mike. Mas não confia no rumo que ele está dando para a própria vida. Ou para o caminho que o irmão está seguindo. Enquanto Mike e, principalmente Adam, se jogam em uma rotina de gandaia, Brooke fica a espera de que algo mude. E que, principalmente Mike, perceba o tempo que está gastando em um vida sem muito futuro. Afinal, aos 30 anos, ele está ficando “velho” para o trabalho de stripper.

Magic Mike mergulha na rotina, sonhos e desejos do protagonista. Revela os bastidores de um negócio como o que é mantido por Dallas. E com tantas músicas boas, mérito da trilha sonora supervisionada por Frankie Pine, fica fácil acompanhar esta história. Que tem o ritmo adequado e até passa rápido, levando em conta que assistimos a 1h50min de um filme sem grande moral ou reflexão. Puro passatempo, bem embalado e empacotado, como manda o padrão de Soderbergh.

No mais, além de ter um bom ritmo e de contar uma história sob a ótica de personagens pouco explorados no cinema, Magic Mike tem um bom roteiro. Diálogos interessantes e da “vida real” garimpados por Reid Carolin. Uma qualidade desta produção, além do estilo de Soderbergh. E os atores, é claro, dão um show à parte. Para mim, este é o melhor trabalho de Channing Tatum. E um dos melhores da carreira de Matthew McConaughey. Sim, o segundo exagera na dose. Mas o seu personagem é para ser assim mesmo, “over”. Gostei muito dos dois.

E como eles são a “fantasia” em pessoa, vivem seus “personagens” em tempo real, nada melhor que interpretações “suaves” e realistas como as de Cody Horn e Alex Pettyfer para contrabalancear. Junto com eles, muito bom ver a atriz Olivia Munn ganhando certa evidência. Gosto muito dela na série The Newsroom, por isso mesmo é bacana vê-la se destacando em um filme de Soderbergh também. Sem dúvida, o desempenho destes atores fazem a diferença nesta produção.

NOTA: 8,8.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Matthew McConaughey, em especial, tem um desempenho de arrepiar. Pelo sotaque, pela imersão em um personagem egocêntrico e cheio de moral – e de bobagens. Há tempos eu não via o ator abraçar tão bem um papel. Ele é o segundo nome do elenco, atrás apenas de Channing Tatum que, a cada filme, vem se firmando cada vez mais como um grande nome de sua geração. Ele tem carisma, é centrado no trabalho e convence no papel. Além de ser muito, muito bonito. Um ator precisa mais do que isso? Por um bom tempo ele não vai precisar.

Os outros strippers desta produção merecem ser citados. Eles fazem um ótimo trabalho. São eles: Kevin Nash como Tarzan, Joe Manganiello como Big Dick Richie, Matt Bomer como Ken, e Adam Rodriguez como Tito. Além deles, vale citar o trabalho de Gabriel Iglesias como Tobias, o DJ da casa de strippers e que também faz circular ecstasy em algumas festas para dar mais dinheiro para quem quer entrar no esquema.

Além deles, há superpontas de gente conhecida, como James Martin Kelly como Sal, que contrata jovens com ou sem experiência para reformar telhados pagando uma miséria; Camryn Grimes como a garota que faz 21 anos e ganha um convite especial de Mike e Adam; e Betsy Brandt como a bancária que nega mais um empréstimo para Mike.

Channing Tatum acreditou tanto nesta produção que colocou dinheiro nela. Ele é um dos produtores de Magic Mike.

Uma curiosidade sobre esta produção: o papel de Brooke, irmã de Adam e que conquista Mike, foi oferecido para Jessica Biel. Mas ela recusou o convite. Sorte de Cody Horn. 🙂

Inicialmente, Tatum tinha pensado no diretor Nicolas Winding Refn para conduzir esta produção. Mas o diretor não conseguiu conciliar este projeto com outro que ele tinha em andamento, Only God Forgives. Interessante saber disto porque fica evidente que Tatum tinha o projeto na manga antes de Soderbergh encarar a proposta. Lendo mais a respeito, soube que Magic Mike, na verdade, é um projeto muito pessoal de Tatum. Esta produção é baseada em algumas experiências do ator antes da fama, quando ele atuava como um “dançarino exótico”. Interessante.

Os atores que interpretam os strippers são, na verdade, profissionais do ramo. Kevin Nash, por exemplo, que interpreta a Tarzan, aparece em cena com uma cinta no joelho, algo que ele usa no seu trabalho normal, como stripper, porque tem muitos problemas no joelho na “vida real”.

Há um rumor, não comprovado oficialmente, de que Tatum não se deu muito bem com Alex Pettyfer, que interpreta Adam, no set de filmagens. O que pode ter ajudado no filme, já que um certo “estranhamento” realmente é visto em cena e justifica as ações dos personagens.

O logo da Warner Bros. usado na abertura do filme é uma releitura do logo desenhado por Saul Bass nos anos 1970. Curiosidade estilosa.

Magic Mike teria custado cerca de US$ 7 milhões. E faturado muito, muito bem até o momento. Apenas nos Estados Unidos, esta produção conseguiu pouco mais de US$ 113,7 milhões até o dia 23 de setembro.

Este filme estreou em junho e participou, até o momento, de apenas dois festivais: o de Karlovy Vary e o de Locarno.

Como a história mesmo sugere, Magic Mike foi filmado na cidade de Tampa, na Flórida. Colonizada desde 1823, 30 anos depois ela seria incorporada como cidade aos Estados Unidos. É uma cidade considerável… tem 335,7 mil habitantes, segundo o último levantamento, de 2010. É a 53a maior cidade dos Estados Unidos. Nada mal. Ela fica perto do Golfo do México, e a 451 quilômetros de Miami – ou quatro horas e meia de carro, aproximadamente.

Os usuários do site IMDb deram a nota 6,2 para o filme. Achei pouco, especialmente porque este é um filme divertido. Talvez a maioria dos votantes tenha sido de homens. 🙂 Ou as pessoas estavam buscando um filme mais sério. Vai saber… Os críticos que tem seus textos linkados no Rotten Tomatoes foram mais generosos. Eles dedicaram 148 críticas positivas e 38 negativas para a produção, o que lhe garante uma aprovação de 80% e uma nota média de 6,9.

CONCLUSÃO: Eis um passatempo com estilo. Bem ao gosto do diretor Steven Soderbergh. Verdade que grande parte de Magic Mike é uma desculpa para performances de strippers incríveis. Dá-lhe belos corpos dançando e tirando a roupa. Muitos homens devem torcer o nariz porque, claro, ao invés de mulheres serem as protagonistas, temos o outro lado “do balcão”. Magic Mike é feito para quem gosta de ver belos homens em cena. E de uma forma nada usual. Descontadas as várias cenas de dança, streap tease e festas regadas a bebida, alguma droga e um tanto de sexo, Magic Mike se revela uma história de amor. Bastante insinuada, no princípio, mas que se consolida no final. Soderbergh arriscou nesta escolha. E se não fossem os atores, que fazem um ótimo trabalho e tem carisma, provavelmente ele erraria nesta aposta. Porque a chance do tal romance parecer falso era grande. Mas acaba convencendo. O que só ressalta, ainda mais, o talento do diretor e dos protagonistas. Boa história, com ótimas coreografias, estilo e divertida. Quem precisa mais? Bem, algumas vezes precisamos. Mas daí deixamos isso para o próximo filme sério da lista. 🙂

L’art d’Aimer – The Art of Love – A Arte de Amar

Dois elementos essenciais da vida, o amor e a música, embalam L’art d’Aimer. Um filme simples, direto, singelo e com algumas ideias bem interessantes. Alguém pode dizer que ele não tem nenhuma grande inovação. Porque utiliza recursos já explorados por outros filmes, faz deles uma colcha de retalhos, e apenas isso. Mas quando essas referências são utilizadas com inteligência, há bom roteiro, ótimos atores, ritmo adequado e tudo funciona bem, qual é o problema? E é isso o que acontece com L’art d’Aimer.

A HISTÓRIA: Música clássica a um bom volume. Seguida da frase “sem música, não há amor”. Esse é o espírito do filme, que segue com um narrador explicando como, sempre que alguém se apaixona, uma música especial “toca” essa pessoa. Cores e músicas se sucedem, porque para ninguém a melodia se assemelha. O narrador comenta que para cada pessoa a música é diferente e que ela pode aparecer de forma inesperada. Em seguida, alguns dos personagens desta produção aparecem em cena. Começando por Vanessa (Élodie Navarre), que ouviu a música ao ajudar William (Gaspard Ulliel) com um problema. Depois, outra melodia acompanha a Zóe (Pascale Arbillot), Emmanuelle (Ariane Ascaride) e Paul (Philippe Magnan), chegando até o impaciente Laurent (Stanislas Merhar). A partir da última história, saimos da introdução do narrador e partimos para um mergulho nos contos emocionados, engraçados e interessantes de diversos perfis de amantes.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso só recomendo que continue a ler quem já assistiu a L’art d’Aimer): Depois de alguns filmes “pesados” e cheios de conceitos, nada como encontrar uma produção despretensiosa pela frente. Admito que eu gosto de filmes que seguem o conceito de “colcha de retalhos” de histórias. E quando essa colcha trata de amor e de música, sou suspeita demais para falar sobre ela. 🙂

Quem me conhece um pouco sabe que sou uma viciada em música. Estou escutando as mais diferentes canções e melodias o tempo todo. Sou destas que alguém fala uma palavra e, volta e meia, relaciono ela com uma música. Nem preciso dizer que uma das frases que eu mais gosto do grande Friedrich Nietzsche é “Sem música, a vida seria um erro”. Da mesma forma, acho que a mesma vida só tem sentido tendo o amor como principal medida e argumento. Sem amor… a vida também seria um grande erro.

E L’art d’Aimer trata de ambos. Em histórias muito diferentes, mas que dão um bom esboço de todos os nossos erros, acertos e caminhos escolhidos na busca pelo amor. Alguém pode dizer que o filme é bacana, mas que faltou acrescentar outras formas de amor. De fato, L’art d’Aimer é um filme que segue a linha tradicional. Não tem casais homo, bi ou suas variações. Mas também vejam as músicas escolhidas… todas seguem o clássico. É um filme tradicional, sim, mas nem por isso menos interessante.

Achei curiosa a escolha do diretor, roteirista e ator Emmanuel Mouret de começar a série de histórias com o “impaciente” Laurent. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme ainda). Afinal, ele exemplifica justamente a frustração do indivíduo em não conseguir ouvir a música. E, no final, o inesperado encontro de sua “canção individual” independente de uma mulher, de um par. Algo belo, e profundo, que poderia estar colocado mais no final da produção.

A escolha para esta ser a primeira história, contudo, me parece justamente mais uma forma de Mouret romper previsões. Afinal, ele já começou jogando com as nossas capacidades sensoriais mais evidentes – as visuais e auditivas – com o uso de cores e música logo no início da produção. Por que não utilizar a história mais triste e subversiva logo no começo?

Depois, o filme segue com histórias engraçadas, de flertes, encontros e desencontros, e ao menos uma emocionante e provocativa. Afinal, a vida, embalada pela música e o amor, tem muitas variantes. Como a trilha escolhida para esta produção, há momentos de suavidade e de ritmo acelerado. Tons mais introspectivos e outros momentos de pura catarse. L’art d’Aimer não chega a ter uma catarse, mas chega perto. E os dois momentos que eu achei mais intensos são conceituais, e não fisicos. O que é algo interessante, para um filme que trata de amor.

Esqueça Hollywood. Se esta produção tivesse sido rodada por um estúdio de lá, certamente a força da produção seriam os contatos físicos, as cenas eróticas e provocantes. Nesta produção francesa o cortejo, a sugestão e a dúvida que leva à angústia viram protagonistas, junto com algumas boas doses de humor.

Se começamos com um homem lindo, cortejado, mas que não consegue nunca ouvir uma sinfonia inteira, apenas partes dela em diferentes corpos e relações, na sequência somos apresentados a outra história de alguém com dificuldades em apreciar uma boa música/amor. Isabelle (a ótima Julie Depardieu) está há um ano sem sexo e começa a sonhar com alternativas para o seu drama. A forma acidental com que ela chega a uma resposta é fascinante, e nos apresenta um grande outro trabalho, o de Laurent Stocker como Boris.

Agora, o curioso é que este filme não trata apenas de amor e música. Mas de questões filosóficas também. Como a busca por um sentido na vida por parte de Amèlie (Judith Godrèche), uma mulher belíssima, que “tem tudo”, mas que busca no altruísmo o sentido que ela não encontra em outra parte. A parte mais cômica fica com mais um trabalho excelente de François Cluzet. Ele interpreta a Achille, um homem de meia idade solteiro e louco por começar um romance. E que encontra na inconstante, indecisa e insegura nova vizinha (Frédérique Bel) um novo e fascinante desafio.

Além de pessoas solteiras buscando as suas próprias músicas amorosas, L’art d’Aimer acerta o tom ao abordar a história de dois casais. Como não poderia deixar de ser, o desafio dele está na fidelidade. No desejo fora do casamento e de como, nestes momentos de música em possível descompasso, um casal pode atuar juntos para encontrar o tom novamente. Muito singela e bacana a história do casal maduro Emmanuelle e Paul. Mas, sem dúvida, os melhores desencontros e lições que as tentativas de equilibrar liberdade com comprometimento e dedicação podem nos dar estão na história do jovem casal Vanessa e William. Eis o cerne do romance. Lindos.

Assim como este filme, cheio de prelúdios, notas altas e baixas. E que de forma muito despretensiosa, embala os românticos e os cínicos por histórias interessantes, com alma, poesia e algum charme. Há alguns momentos bobos, espalhados aqui e ali, como a atitude um tanto “infantil” de Isabelle e Boris lá pelas tantas, quando as respectivas “máscaras” caíram. Mas que, na vida, também não agiu de maneira besta quando estava apaixonado(a)? L’art d’Aimer flui com suas histórias diversificadas, nos faz rir, nos emocionar e lembrar de nossas próprias músicas. Cumpre, assim, seu papel com louvor. E a nota só não é melhor porque senti a falta de algumas notas nesta sinfonia. Um pouco mais de variação, e a experiência da história e da própria música ir além do clássico.

NOTA: 9.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Os recursos utilizados neste filme, como frases de tempos em tempos, assim como músicas, para marcar a levada da história e apresentar os personagens não são novos. Ainda assim, funcionam bem. O roteiro é inteligente, e aposta, de forma acertada, nos diálogos. Consequentemente, a direção de Emmanuel Mouret foca nos personagens, na interpretação dos atores, mas com o cuidado também de buscar sempre belas paisagens e lugares.

A aura de “arte” está espalhada por todo o filme. Não apenas pela música, mas pelas citações literárias e pelas galerias de artes e lugares que os personagens vão visitando no decorrer da história.

Filme de qualidade como este consegue concentrar alguns dos grandes atores da atualidade na França. Bom ficarmos atentos a eles e acompanhar as suas novas apostas.

Na parte técnica desta produção, destaque para a direção de fotografia “luminosa” de Laurent Desmet e para a edição bem feita e cuidadosa de Martial Salomon. Ele, junto com Mouret, é o responsável pelo bom ritmo da produção.

L’art d’Aimer estreou em agosto do ano passado no Festival de Locarno. Depois, o filme participou de outros seis festivais, incluindo os de Hamburgo e Londres, além de um par de eventos de pouca relevência. Nesta trajetória, ele ganhou o prêmio de Melhor Roteiro no Festival de Cinema do Mundo de Montreal, onde foi indicado ao prêmio de melhor filme no Grande Prêmio das Américas, ao qual ele não levou.

O diretor e roteirista Emmanuel Mouret interpreta a Louis em L’art d’Aimer. Louis é o homem que flerta com a compromissada Vanessa. Está apaixonado por ela, e a convida para uma noite de amor, antes que ele se vá para… o Brasil. 🙂 Papel bobo, quase uma ponta, mas que coloca tempero na história.

Aos 42 anos, Mouret tem 10 filme no currículo como ator, oito produções como diretor e apenas três como roteirista. Até agora, o cinema dele não foi muuuuito expressivo. Mas vale acompanhá-lo.

Os usuários do site IMDb deram a nota 6,2 para L’art d’Aimer. Uma nota justa, se o filme for visto com frieza. Mas não foi o meu caso, o que eu deixei evidente antes. Por tratar de temas que eu gosto e, especialmente, porque eu esperava um filme para quebrar a “seriedade” da sequência anterior, dei uma nota bem melhor que esta. E se não fosse por estes elementos, e sim por uma análise “fria” da produção, talvez eu lhe desse um 7,5. 🙂 Por enquanto, não há críticas sobre o filme no site Rotten Tomatoes.

CONCLUSÃO: Um filme divertido, provocante, leve, delicioso. Que trata de formas diferentes o amor, até porque ele, como as matizes das cores e a própria música, esta última tão protagonista nesta produção quanto os seus atores, é rico em variações, tonalidades e composições. Alguém pode comentar que nem todas as variações deste sentimento, tão fundamental, foram retratadas nesta produção. De fato, L’art d’Aimer segue uma linha tradicional, clássica, inclusive nas formas de quebrar a narrativa. Pausadas, como em um compasso musical. Se você está buscando uma colcha de retalhos de histórias bacanas, algumas delas que nos fazem refletir sobre nossas próprias escolhas e “vícios” amorosos, eis uma boa pedida.