Filmes que valem a pena – Eu recomendo!

Meus bons leitores, eu sou uma cinéfila de carteirinha. Antes mesmo de escrever sobre cinema como jornalista, eu era louca por assistir a filmes. De todos os tipos. Documentários, dramas, de terror, comédias, de ação, suspense, thrillers, filmes-B, cinebiografias… enfim, todos que eu pudesse encarar pela frente. Filmes de Hollywood, da Índia, da Espanha, do Japão, da Argentina, do Canadá, da França, de onde viesse. Filmes bons, filmes lixo. Não importa. Todos merecem ser vistos. Desde os cults até os malditos. Desde aqueles que todos falam até aqueles que ninguém nunca ouviu falar.

Pois eu sigo atualmente com o mesmo gosto por cinema. Escrevendo agora para um blog e não para um jornal – estou de “férias” da profissão até terminar o meu doutorado -, continuo consumindo tudo que eu posso assim que me sobra tempo. Esse blog, falando nele, acho que não expliquei ao que ele vem. A idéia é escrever aqui sobre todos os filmes que eu vou assistindo, na ordem em que assisto. Por isso por aqui se encontram filmes bons e ruins. É como um “diário” – nem tão diário assim – de filmes, como um “caderno de anotações” do que eu ando assistindo. Espero que interesse a alguns e, mais que isso, que seja um ponto de encontro para falar sobre cinema.

Mas o objetivo deste post é comentar e indicar filmes bons que eu vi antes de criar este blog. Afinal, nos últimos anos apareceram vários filmes bacanas e que merecem ser visto. Como não vou falar deles por aqui – exceto se os assisto novamente, mas daí seria quase uma quebra de “regras” para esse blog -, resolvi listá-los e indicá-los.

Acho que todos os filmes abaixo merecem ser vistos – ou revistos. Bom proveito e bons filmes para todos!

Filmes que vi nos últimos dois anos e que recomendo:

Guardiões da Noite (Night Watch)

O Jardineiro Fiel (The Constant Gardener)

Minha Vida Sem Mim (My Life Without Me)

Flores Partidas (Broken Flowers)

Boa Noite, e Boa Sorte (Good Night, and Good Luck)

Uma Vida Iluminada (Everything is Illuminated)

Fora do Mapa (Off the Map)

Johnny & June (Walk the Line)

O Mestre das Armas (Huo Yuan Jia)

V de Vingança (V for Vendetta)

Nine Lives

Casa de Areia

Down in the Valley

Querida Wendy (Dear Wendy)

La Educación de las Hadas

Xeque-Mate (Lucky Number Slevin)

Obrigado por Fumar (Thank You for Smoking)

Pequena Miss Sunshine (Little Miss Sushine)

O Ilusionista (The Illusionist)

Babel

Paris Je T´Aime

As Bonecas Russas (Les Poupées Russes)

O Labirinto do Fauno (El Laberinto del Fauno)

Notas sobre um Escândalo (Notes on a Scandal)

300

Sicko

O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias

O Vigarista do Ano (The Hoax)

Essa lista é dos que recomendo. Deixei para lá, sem citar, todo o restante. hehehehehe

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American Gangster – O Gângster

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Eu tinha escrito minha crítica de American Gangster antes. Agora há pouco. Mas apaguei. Fui sendo sincera e dizendo na lata tudo o que achei do filme nessas primeiras linhas. Erro fatal. Eu não gostaria que alguém me dissesse o que eu ia escrevendo aqui antes de vê-lo. Por isso vou respeitar você, caro leitor, que chegou aqui. Não falarei nada aqui que possa comprometer o filme ou revelar o quanto gostei dele. Afinal, a expectativa é o pior aliado antes de uma experiência. E eu não quero que ninguém, absolutamente ninguém seja afetado por muita expectativa antes de ver esse filme. Só quero que algo fiquei claro: vá assistir a American Gangster. Nada mais. Vá assistí-lo na primeira oportunidade. Depois termine de ler essa crítica. Só depois.

A HISTÓRIA: O filme começa com Frank Lucas (Denzel Washington) acompanhando e observando o seu “mestre” Ellsworth “Bumpy” Johnson (Clarence Williams III) no Harlem em 1968. Bumpy é como uma “unanimidade” na região, um líder respeitado e admirado que vive do tráfico. Quando ele morre, Frank Lucas vê a calma do Harlem terminar, com todos os demais traficantes brigando por cada centímetro do bairro, todos explorando todos e terminando o “respeito” entre os criminosos. Assistindo ao telejornal um dia, sobre como as drogas estão dominando, enfraquecendo e corrompendo os soldados americanos no Vietnã, Lucas tem uma idéia. Ele, um negro pobre que migrou da Carolina do Norte para o Harlem e trabalhou para Bumpy por pouco mais de 15 anos, decide tomar as rédeas de sua vida. Lucas liga para seu primo, um oficial do Exército em Bangok, e viaja para o Vietnã, onde passa a fazer negócio diretamente com o fornecedor primário de drogas na região. Utilizando os aviões do Exército norte-americano que saem do país em guerra, Frank Lucas constrói o maior império do tráfico de Manhattan. Em paralelo, o filme conta a história do investigador Richie Roberts (Russell Crowe), um dos poucos policiais honestos da cidade. Quando o governo dos Estados Unidos – com direito a declarações de Richard Nixon sobre o tema na TV – percebe que as drogas são um de seus maiores câncer, Roberts é chamado para formar um grupo novo de investigação especializado em prender os “grandes” do tráfico na cidade. As histórias de Lucas e Roberts vão se cruzar inevitavelmente.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – advirto aos navegantes que este é o maior SPOILER de todos, ou seja, extremamente não recomendado para quem não assistiu a American Gangster ainda… se for o seu caso, não leia!): Talvez você esteja pensando algo que eu também pensei antes de assistir a American Gangster: “Mais um filme de gângsters, mais um filme de mafiosos… o que pode nos contar de novo?”. Bem, até um certo ponto é verdade que esse filme não reinventa a roda. Muito da história realmente já vimos em outros filmes, desde Os Bons Companheiros, Operação França até Traffic. Ok, já ouvimos também histórias sobre corrupção policial, traficantes que vão subindo até se tornarem reis da máfia (Al Pacino em Scarface) e tal, mas poucos filmes misturam tantos elementos em um e, ainda assim, parecem nos contar algo novo. Esse American Gangster é isso, e mais.

O filme é uma mescla de vários gêneros, nos remete a várias outras histórias. Mas isso só depois, quando começamos a racionalizar o que vimos e a “puxar” referências, porque antes, enquanto American Gangster está sendo projetado na frente dos nossos olhos, nada mais importa. Nenhum outro filme interessa. O diretor inglês Ridley Scott comprova, de uma vez por todas, porque aos 70 anos ele é um dos grandes cineastas vivos em atividade. Faz um trabalho muito maior e melhor do que Martin Scorsese em seu The Departed (que, para mim, foi muito celebrado sem merecer. E eu já achava isso antes de assistir a American Gangster, tanto que me surpreendi com ele recebendo o Oscar – para mim, mais um “acerto de contas” da premiação com alguém que deveria ter recebido o Oscar antes, e nada mais).

O peso de cada elemento em American Gangster parece ter sido medido em uma balança de precisão destas que os traficantes utilizam para faturar mais em seu negócio. Nessa história temos em doses certas o drama, o suspense, a cinebiografia, o policial, a comédia – por que não? – e a ação. Boa parte da culpa disto, além da direção precisa de Scott, é do roteirista Steven Zaillian, que escreveu a história baseado em um artigo do jornalista Mark Jacobson.

O filme é realmente impressionante. Um de seus muitos acertos é desmascarar, por exemplo, a última cortina a respeito da Guerra do Vietnã. Eu sabia que durante a guerra os soldados norte-americanos estavam mais preocupados com drogas, rock e demais distrações do que em lutar, mas não sabia que a guerra tinha sido utilizada para trazer toneladas e toneladas de heroína e de outras drogas para os Estados Unidos. Interessante e impressionante.

Assim como é interessante e impressionante a história de Frank Lucas, um negro norte-americano que soube erguer um império do tráfico e que só caiu por ter se rendido a luxúria – como explicar que um homem como ele, tão cuidadoso em não aparentar o poder que ele tinha, sucumbir ao casamento com uma ex-Miss Porto Rico (Lymari Nadal)? E, pior, aceitar um casaco de peles como aquele de presente e utilizá-lo em uma luta de boxe tão visada? Ele caiu em aquele momento, em nenhum outro. Luxúria, ambição… o filme mexe também com o “sonho americano” e todos os valores que aquela sociedade acredita que está fundada. E tudo o que esses valores trazem de podre quando são utilizados para justificar qualquer ação.

O novo do filme? Justamente o que eu comentei: ele olha de uma maneira direta e crítica para os “valores” em que a sociedade estadunidense firmou os seus pilares. A Guerra do Vietnã não é uma chaga só porque eles perderam a guerra ou porque fizeram atrocidades durante o tempo em que estiveram lá… também não é um problema porque marcou a vida de tantas famílias e de tantos “veteranos” de guerra que voltaram para lá marcados para o resto da sua existência recente. É uma chaga por todo o demais, é uma vergonha pela corrupção e pelos problemas que migraram para dentro dos Estados Unidos “pelo subsolo”, como as drogas. O filme trata disso de uma maneira muito honesta e interessante.

Falando nisso, um dos melhores momentos do filme para mim é quando o “superior” de Richie Roberts lhe dá uma dura, logo depois que ele abre um dos caxões de um soldado que está voltando para casa morto logo depois que é declarado o fim da guerra. Quando o “superior” diz que é um absurdo a investigação de Roberts porque ela demonstraria que o Exército estaria trazendo drogas para dentro do país e que era uma “piada” ainda maior dizer que ele estava atrás de Frank Lucas, um negro norte-americano que seria mais poderoso no tráfico do que os tão conhecidos clãs familiares de italianos e similares, quase bati palmas. Essa é a tradicional ironia dos Estados Unidos que me faz, na verdade, ter pena daquele país e da maioria das pessoas que vivem lá. Afinal, acho que poucos ignoram a verdade com tanta convicção do que eles ou conseguem ser tão cínicos. Não digo todos de lá, desde logo, mas a maioria.

American Gangster é um soco no estômago dos Estados Unidos. Fala de verdades que o nosso Tropa de Elite nos conta sobre o Brasil.

Eu teria que escrever um livro para falar de todos os aspectos, temas e pontos interessantes do filme. A corrupção policial, a luta pelo poder, a noção de justiça… são muitas leituras possíveis. Interessante também como Lucas, querendo ou não, cuida de seus negócios e de sua família como um verdadeiro gângster italiano, ainda que ele não tenha sido inspirado por um. O filme merece ser visto e apreciado, em cada nuance e interpretação. Todos fazem o seu trabalho muito bem. E eu torço para que a justiça seja feita e esse filme ganhe vários e vários Oscars. Ele merece.

NOTA: 10.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: American Gangster me impressionou tanto que todos os outros filmes deste blog terão que sofrer as consequências. Quem acompanha o que eu escrevo há mais tempo já deveria ter notado que eu tinha dado notas 10 para alguns filmes. Todos realmente muito bons. Mas agora, nenhum outro receberá esse 10. Baixei a nota de todos. Por enquanto e até outro filme me impressionar tanto, só American Gangster receberá 10 por aqui.

Eu sou fã de filmes que mexem com as pessoas, que fazem elas pensarem além de “reagirem” instintivamente com o que estão vendo. Claro que gosto de comédias e de um ou outro besteirol de vez em quando, mas nada como um filme que te “atinge o estômago”. Gosto de filmes com filosofia, carisma ou até um pouco existenciais, por que não? American Gangster não é existencial, mas tem vários elementos que me fazem amar um filme. Eu sou fã de Os Bons Companheiros e de vários outros filmes sobre mafiosos. Mas esse, realmente, é o melhor do gênero em muito tempo. Bati palmas quando Denzel Washington diz que bebida ele quer no final das investigações de Russell Crowe. Maravilhoso!

Falando em equipe do filme, acho que está na hora – ou melhor, passou da hora – do Oscar se render pela terceira vez ao talento deste homem: Denzel Washington. Ele merece mais uma estatueta na sua estante. E acho também que Ridley Scott e o roteirista deste filme merecem outras duas. Espero mesmo que American Gangster seja indicado a muitos prêmios e que ganhe todos ou, pelo menos, quase todos.

Além de Denzel Washington e Russell Crowe, dois nomes que merecem destaque do elenco: Chiwetel Ejiofor como Huey Lucas, um dos irmãos e o braço direito do personagem de Washington; e Josh Brolin como o detetive corrupto Trupo.

O filme ganhou dos usuários do site IMDb a nota 8,8.

American Gangster teria custado aproximadamente US$ 100 milhões. Ele teve uma première em Nova York no dia 19 de outubro. No dia 2 de novembro American Gangster estréia oficialmente nos Estados Unidos, Canadá, Bulgária e outros países, chegando no dia 14 de novembro à França e Bélgica e nos demais dias aos outros países. O filme deve estreiar no Brasil apenas no dia 25 de janeiro de 2008.

EXTRA EXTRA: Inicio aqui outra “seção” nos comentários de filmes… sempre vou colocar como “extra extra” quando atualizo algum comentário, como agora.

Pois acho inevitável comentar que o filme American Gangster estreou nesse final de semana nos Estados Unidos e arrasou! Já contabiliza a bilheteria de US$ 46,3 milhões. Se seguir nesse ritmo – e tem tudo para isso, porque é um excelente filme – vai passar tranquilamente dos US$ 100 milhões. Para se ter uma idéia, American Gangster conseguiu logo na estréia mais dinheiro que o filme Michael Clayton – comentado aqui no blog antes – em todas as semanas em que ele está em cartaz. Michael Clayton faturou até agora US$ 33,2 milhões e segue diminuindo o faturamento.

PALPITE PARA O OSCAR: Como comentei antes, no post original deste filme, American Gangster tem o meu voto para todas as principais categorias do Oscar. Acho realmente que ele irá concorrer como Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Roteiro, Melhor Ator e, quem sabe, em algumas outras categorias secundárias, como Melhor Edição, Melhor Trilha Sonora, etc. Não assisti ainda a There Will Be Blood, um filme que vêm crescendo nas apostas nos últimos tempos, mas comparando aos demais filmes que estão na lista dos especialistas (e que comento neste blog), acho que American Gangster é o que merece levar as principais estatuetas, incluindo filme, direção, roteiro e ator. Talvez mude a minha opinião ao ver o filme de Paul Thomas Anderson, mas acho difícil. (OBS: post atualizado no dia 19 de dezembro, depois das indicações ao Globo de Ouro)

Away from Her – Longe Dela

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Todas as pessoas que já amaram alguém na vida pensaram no viver juntos até ficarem velhinhos. Mesmo que para alguns essa idéia seja apavorante – a idéia de planos para o “resto da vida” -, sem dúvida, quando estavam amando, pensaram nessa possibilidade. Alguma vez, pelo menos. Pessoalmente, de vários anos para cá eu tenho achado muito mais bonitos os casais de velhinhos enamorados do que os jovens enamorados. A cada ano eu acho mais isso. E eu não estou perto dos 60, ainda não sai da casa dos 20 – ainda que me falte pouco. Mas a questão não é essa, a idade. Quanto mais uma pessoa vive e admira a vida, percebe as nuances e aprende consigo e com os outros, mais suscetível está as delicadezas da vida, mais percebe o difícil que é amar uma pessoa por tanto tempo. E por tudo isso, talvez, que eu ache os velhinhos enamorados os mais belos casais do mundo.

Ao mesmo tempo, a vida me ensinou a pensar na velhice de outra maneira. Por experiência própria, de visitar velhinhos em asilos e com a informação cada vez maior do Mal de Alzheimer, há alguns anos reflito sobre o complicado que deve ser viver muito e viver mal. A maioria das pessoas que eu conheço querem viver muito, mas poucos se perguntam o que prefeririam: viver muito e com a possibilidade de estar doente, talvez muito doente no final; ou de viver menos, mas com saúde. Quase todos pensam apenas em viver muito. Pois eu penso também em conseguir viver dignamente, em viver com o mínimo de saúde e lucidez – existe um filme muito bom que também reflete sobre isso: Mar Adentro. Gostaria muito disso, para mim e para as pessoas que eu amo. E já me imaginei sofrendo de uma doença como o Alzheimer. Ainda que, na minha opinião, ela seja mais cruel para quem está a nossa volta do que para nós mesmo, em caso de sofrermos com ela. Mas enfim, toda essa introdução para falar de Away From Her, um filme maravilhoso sobre o amor e sobre viver (e deixar viver) dignamente.

A HISTÓRIA: O casal Grant (Gordon Pinsent) e Fiona (Julie Christie) estão casados há 44 anos. Eles continuam fazendo tudo juntos e desfrutando bons e alegres momentos. Mas, ao mesmo tempo, Fiona percebe gradativamente, dia após dia, que o Mal de Alzeheimer está se tornando mais forte do que ela mesma. Grant percebe e sofre por assistir a sua esposa “desaparecer” na frente dos seus olhos, mas ele reluta em aceitar a realidade e prefere acreditar que a doença pode estagnar ou que ela tem apenas “altos e baixos”. Mas percebendo o que está acontecendo, Fiona encoraja Grant a lhe internar em uma clínica especializada. Ali, enquanto permanece “isolada” um mês de Grant – sob determinação da direção do local -, Fiona conhece a Aubrey (Michael Murphy), um outro paciente com quem acaba desenvolvendo o que parece, inicialmente, ser uma forte amizade.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Away from Her): Logo que vi o nome da diretora, pensei: “Eu conheço essa mulher”. Mas acertei na trave. Pensei que fosse a diretora de Minha Vida Sem Mim e A Vida Secreta das Palavras… mas acertei na trave porque ela não foi a diretora destes filmes (a diretora é a maravilhosa Isabel Coixet), mas sim a atriz principal. Oh yeah, a maravilhosa atriz Sarah Polley além de interpretar a personagem principal nos dois filmes mencionados – os quais adoro, especialmente o primeiro – também dirigiu agora esse Away From Her. Ganhou um bilhão de pontos!

Mas voltando ao filme. A história realmente é linda e narrada de uma maneira perfeita. Aliás, o roteiro também é assinado por Polley, inspirada na história curta The Bear Came Over the Mountain, de Alice Munro. Mas como eu ia dizendo, um tema tão forte quanto esse, do “desaparecimento” de uma pessoa em sua própria mente, o que alguns classificam como “morte em vida”, e tudo o que isso pode significar para quem essa pessoa “deixa”, é tratado de maneira natural e poética pela diretora e roteirista. E os atores, ah os atores! Nem preciso dizer que Julie Christie e Gordon Pinsent estão maravilhosos. Para mim, dignos de Oscar e do prêmio que quiserem inventar.

Além deles, temos a sorte de ver na tela Olympia Dukakis como Marian, a mulher de Aubrey; Alberta Watson como a diretora do hospital, Dra. Fischer; e Kristen Thomson como a chefe de enfermagem Kristy – responsável por algumas das melhores frases do filme. Michael Murphy também emociona em uma interpretação muito difícil na pele de Aubrey. Realmente é um elenco afinadíssimo e que “conspira” em favor do roteiro.

Mas deixando a parte “técnica” do filme um pouco de lado, queria comentar sobre a história mesmo. Sei que muitas pessoas podem discordar de mim, mas além do tema difícil do Mal de Alzeheimer, o filme trata, ao meu ver, de como o amor é desigual e de como é difícil encarar a perda de alguém que se ama. De um lado, temos a coragem de Fiona, que decide o que é melhor para ela e para o seu marido, acreditando que sua decisão irá “facilitar” a despedida dos dois e que evitará que ele sofra tanto com o que ela sabe que vai acontecer. Ela encara o seu destino com perseverança, com uma segurança e uma coragem que só as pessoas que estão frente a morte creio que são capazes. Ou as grandes pessoas frente a outros desafios da mesma magnitude – ou quase.

Pois Fiona olha para o futuro, sabe que vai “perder a si mesma” e a tudo que conhece mas, ainda assim, segue em frente, obstinada. Grant, por outro lado, reage de maneira egoísta. É o amor que eu acho que a maioria dos homens vive: um amor de “pertencer”, um amor de “estar junto a qualquer custo” – ainda que na mentira, um amor mais egoísta. Por que digo isso? Porque ele age de uma maneira totalmente egoísta, na minha opinião, todas as vezes que tenta fazer Fiona lembrar de uma vida que ela já perdeu, todas as vezes que ele tenta afastar ela de Aubrey para que continue com ele em uma realidade que não existe mais. Ok, eu sei que é extremamente duro ver e sentir o que ele vê e sente, mas ele demora muitíssimo para aceitar o que está acontecendo com a sua mulher. E o pior: faz ela sofrer no meio do caminho. Egoísta. Mas mais que compreensível. Afinal, são as pessoas que amam os doentes de Alzheimer que lhes vê “morrendo lentamente”.

Cito um momento para comprovar o que eu digo: quando ele diz para Fiona que é o seu marido e que ela está vestindo uma blusa que não é dela. Aquilo me partiu ao meio. Acabou com Fiona. Ou, como ela disse em outro momento, ela gostava de Aubrey porque ele não a deixava confusa. Deus! É de matar. Ao mesmo tempo, é claro, ele foi corajoso em ficar com ela até o final, ainda que muitos fatos lhe fizessem querer fugir. Independente se reagindo de maneira egoísta por grande parte do tempo ou não, Grant vivia seu grande amor, o amor de sua vida. E é difícil, reamente, ver algo assim desaparecer. Ainda que não desapareça, na minha opinião, mas se modifica. Nada mais.

NOTA: 9,7.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Esse filme é uma produção canadense e não estadunidense. Isso porque Sarah Polley, Gordon Pinsent, Alberta Watson, Kristen Thomson e boa parte das demais pessoas envolvidas no projeto são canadenses. Sem contar que o filme foi rodado todo em Ontario, no Canadá. Uma maravilha! Mas eu não viveria rodeada de tanta neve, nem me pagando! hehehehehehe

Como muitos e muitos filmes bons da nova safra, Away From Her faturou pouquíssimo nos Estados Unidos: pouco mais de US$ 4,5 milhões. Mas o espantoso é o quanto ele teria custado: US$ 3,4 milhões! E depois tem muita gente que acha que precisa gastar os tubos para fazer um filme bom… Fora dos Estados Unidos ele teria faturado mais quase US$ 1,4 milhões. Só espero que as pessoas vão descobrindo ele na locadora ou com a propaganda boca-a-boca.

Até buscar mais sobre a atriz Julie Christie, magnífica com seus 66 anos, eu não sabia que ela tinha nascido na Índia. Mas, claro, como filha de pais com dinheiro na década de 50, ela foi mandada para a Inglaterra e depois para a França para estudar. Ela começou a atuar na televisão e no cinema no início dos anos 60. Magnífica!

O filme ganhou nota 8 dos usuários do site IMDb. Eu, novamente, dou uma nota maior. Mas acho que é porque eu estou meio “generosa” com os filmes ultimamente. Vai ver que é porque eu tenho uma vaga idéia, por ter visto a produção de curtas, do quanto difícil é fazer algo do gênero. Acho que por isso que sou tão generosa com os filmes e só dou abaixo de 7 para os ruins, os ruins mesmo!

The Heartbreak Kid – Antes Só do que Mal Casado

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Os irmãos Farrelly são especializados em filmes de comédia escrachados. E eles não perderam a mão com esse The Heartbreak Kid – com o título horrível de tão pessimamente óbvio e sem graça em português de “Antes Só do que Mal Acompanhado”. O problema é que o tipo de humor deles parece já meio “vencido”, ou seja, chega uma hora que cansa. Pois nesse filme eles continuam acertando em algumas cenas muito boas de tão absurdas, mas grande parte dele parece nada mais que um “repeteco” de histórias anteriores. Ou seja: você fica com aquela sensação de deja-vù ou de “eu acho que já vi esse filme antes”.

A HISTÓRIA: Eddie Cantrow (Ben Stiller) é um cara que olha para os lados e vê todos os seus amigos casados. Além disso, ele tem que aguentar a pressão do pai, Doc (Jerry Stiller, que, com o sobrenome mesmo diz, é o pai do ator Ben Stiller), para que case ou, pelo menos, transe com alguma mulher. Depois de ir no casamento de uma ex-namorada e receber mais conselhos de seu melhor amigo, Mac (Rob Corddry), Eddie decide começar a buscar uma mulher para se apaixonar. Pouco depois, ele está caminhando por uma rua quando vê Lila (Malin Akerman) ser assaltada. Ele tenta evitar que o ladrão escape mas consegue apenas ser ferido com perfume nos olhos. Eddie então tem uma rápida conversa com Lila que, dias depois, lhe procura na loja de artigos desportivos que ele tem ali perto. Os dois começam a namorar e poucas semanas depois, quando ela diz que precisa mudar-se para Amsterdã por trabalho, todos aconselham Eddie a finalmente “jogar-se” em um casamento. E é o que ele faz. O problema é que na viagem de lua-de-mel ele descobre que se casou com uma mulher totalmente diferente do que ele imaginava. E, para complicar sua vida, no México ele acaba conhecendo a Miranda (Michelle Monaghan), uma mulher aparentemente encantadora e que passa a ameaçar o seu casamento.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que no texto à seguir conto partes importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a The Heartbreak Kid): Como ia dizendo antes, o filme tem várias cenas muito engraçadas. Além do mais, os irmãos Farrelly tem como hábito fazer um humor inteligente, cínico e ácido, o que é mais interessante que a média das comédias de Hollywood. Um exemplo: eles primeiro “cutucam” a ironia quando, no casamento da ex-namorada que vai Eddie, seu amigo Mac lhe diz que para “saber como a sua mulher ficará no futuro, basta olhar para sua mãe”. Voilà, tempos depois, quando Eddie casa tempestivamente com Lila, ele tem a primeira decepção com a sua nova condição ao conhecer a mãe da garota, uma verdadeira “tribufú” – interpretada por Kathy Lamkin. Mas esse é só um exemplo, porque o filme tem dezenas deles.

Os irmãos Farrelly fazem um humor escrachado, destes que até uma criança entende, como a cena da bicicleta. E, ao mesmo tempo, fazem um humor cínico, como a piada sobre a “mulher de Eddie que foi morta por um louco com um picador de gelo”. Eles são muito bons! Ainda assim, como comentei no início dessa crítica, as piadas deles já parecem meio gastas, porque sempre seguem a mesma linha de humor. Uma das melhores sequências para mim é a viagem de carro do casal Eddie e Lila até o México… a menina cantando toda santa música e não calando a boca é de matar! hehehehehehe. Detalhe que ela tem uma voz ótima, mas ninguém aguentaria toda santa música outra pessoa ao lado cantando! Ainda mais por horas.

Só achei que a maioria das piadas envolvendo a família de Miranda não tem graça. Talvez a do nome do tio dela, mas essa como muito. O restante das piadas foram bem, mas bem fraquinhas. Aliás, achei algo curioso nesse filme. Além dos irmãos Bobby e Peter Farrelly dirigirem o filme e escreverem o roteiro, como é de costume, eles dividiram a tarefa de escrever a história com outros três roteiristas: Scot Armstrong, Leslie Dixon e Kevin Barnett. Talvez tanta gente junta não tenha sido de todo proveitoso.

Mas para relaxar e dar uma ou outra risada, o filme cumpre o seu papel. Ainda que não seja assim uma Brastemp ou tão bom quanto Quem Vai Ficar com Mary? ou Eu, Eu Mesmo e Irene, por exemplo.

NOTA: 7.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Fiquei sabendo depois, ao olhar os créditos dos roteiristas, que esse filme é uma refilmagem de The Heartbreak Kid, uma produção de 1972 com Cybill Shepherd como a mulher que encanta o homem recém-casado – nesse outro filme, com roteiro de Neil Simon. Os dois filmes, este de 2007 e o outro, de 1972, são baseados em um conto de Bruce Jay Friedman. Fiquei surpresa em saber que os irmãos Farrelly sucumbiram ao “câncer” das refilmagens. Eu quase sempre acho uma perda de tempo refilmar filmes, mas tudo bem. Agora entendo ainda melhor porque ele é meio “fraquinho”.

Ben Stiller está muito bem em seu papel. Para ser franca, não gosto muito dele. Melhor dizendo, não sou fã e nem ele chega a me irritar. Só acho que normalmente ele faz as mesmas caras e bocas e interpreta todos os papéis da mesma forma. Mas juro que neste filme ele está ainda melhor. A cena do carro mesmo é tão divertida por causa dele, essencialmente. Se bem que admito que Malin Akerman como Lila está realmente bem, muito bem. A mulher é muito psicopata! hehehehehe. Quando ela conta do seu vício pela cocaína também vale o filme. hehehehehehe. Muito bom!

Aliás, alguém pode explicar como uma mulher tão linda quanto Lila poderia ficar com um cara como Eddie. Só podia ser porque ela não era tão perfeita assim… hehehehehe.

Em duas semanas em cartaz – do dia 7 ao dia 14 de outubro – The Heartbreak Kid arrecadou só nos Estados Unidos pouco mais de US$ 25,8 milhões. Nada, nada mal. O filme estréia no Brasil no dia 9 de novembro.

No site IMDb o filme contabiliza a nota 5,7.

Habana Blues

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Sempre me fascinou Cuba. Não apenas pela óbvia questão política e de resistência, mas pela cultura – uma parte muito bem retratada por filmes como Buena Vista Social Club, do diretor alemão Wim Wenders – e por todas as questões sociais oriundas justamente do bloqueio imposto desde a Revolução Cubana. Além do já citado Buena Vista Social Club, que é um documentário, outro filme que tinha me impressionado sobre um artista em Cuba é Before Night Falls, do diretor Julian Schnabel. Mas agora, tempos depois, assisto a esse Habana Blues. Mais despretensioso que os outros dois, esse filme me surpreendeu ao tocar em vários pontos do cotidiano das pessoas comuns – ainda que retrate um entorno de artistas – em Cuba que lutam por sobreviver e por uma vida melhor. Parte deles sofrendo para sair do país e parte sofrendo para ficar. Realmente um filme despretensioso que vale a pena, especialmente pela música variada que apresenta e pela falta de discurso político – ainda que, inevitavelmente, ele não fuja dele totalmente.

A HISTÓRIA: Ruy (Alberto Joel García Osorio, ou apenas Alberto Yoel) e Tito (Roberto Sanmartín) sou dois amigos que lutam para fazer música em Havana, Cuba. Junto com outros amigos e músicos, eles acabam de gravar o seu primeiro CD por conta própria e preparam um concerto para celebrar o seu trabalho em conjunto em um antigo teatro ameaçado de fechar. Enquanto correm atrás para divulgar o seu trabalho, eles conhecem dois produtores espanhóis, Marta (Marta Calvó) e Lorenzo (Roger Pera), para quem acabam apresentando a cidade e outros artistas. Quando são chamados pelos produtores a assinarem um contrato, os amigos ficam divididos pelas escolham que devem fazer. Enquanto isso, Ruy também sofre com a possibilidade de ver a sua ex-mulher, Caridad (Yailene Sierra) sair de Cuba com seus dois filhos, Lucía (Mayra Rodríguez) e Carlitos (Ernesto Escalona) em busca de uma vida melhor nos Estados Unidos.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que parte da crítica à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só prossiga lendo quem já assistiu a Habana Blues): O interessante do filme é que ele tem vários níveis de compreensão, discussão e temas. Mas, mais que isso, ele mostra uma Havana não muito visível aos olhos do mundo. Se vê muito as ruas e as pessoas comuns da cidade, em takes que parecem quase de documentário. É um elemento a mais de uma história que é ficcional mas que poderia ser real.

Como dizia antes, sempre me interessou Cuba, mas nunca tive a oportunidade de viajar até aquele país ou de conhecer cubanos, até que vim viver em Madrid. Aqui, logo que cheguei, dividi apartamento com um cubano. Depois, trabalhando como garçonete, conheci outros cubanos com quem tive a oportunidade de falar sobre Cuba e a vida naquele país. Vendo a Habana Blues lembrei de muitas conversas com essas pessoas.

O filme realmente tem muitos nuances interessantes. Ele só é o que é porque foi produzido por três países: Cuba, Espanha e França. Digo isso porque, se fosse um filme apenas cubano, talvez caísse no erro de ser um discurso político, poderia apenas defender a “causa da revolução” ou a bandeira cubana. E para ouvirmos um discurso político não faz falta um filme, basta procurar as declarações de Fidel ou de outros políticos cubanos. Mas o que interessa mesmo, na minha opinião, são os discursos, a vida e os sonhos das pessoas comuns de Cuba. E boa parte disso se vê em Habana Blues.

O filme fala desde a luta para sobreviver no país até a vontade de muitos em sair de lá, de se verem livre de uma realidade em que eles não tem muitas opções ou conforto. Ao mesmo tempo, eles sentem orgulho de serem cubanos, vivem a sua pátria, ainda que os personagens principais não queiram sabem de política ou de revolução. Eles são, na verdade, pessoas comuns que buscam melhorar de vida. Se por um lado há pessoas como Ruy, Tito e todos os demais músicos, que vivem por cantar as suas músicas e buscam serem reconhecidos, há outros que lutam simplesmente por dar uma vida melhor para seus filhos, como Caridad.

Mas além do tema de como se vive em Havana, existe outros temas por detrás, como com que tipo de arte se pode viver – com a comercial, dos “vendidos”, para que se sobreviva, ou com a arte “marginal”, “maldita”, dos que não se rendem ao mercado e que fazem isso para sobreviver a sua maneira também -; ou que tipo de preço uma pessoa está preparada a pagar para conseguir ter uma oportunidade de crescer; ou sobre o controle do governo na vida das pessoas a ponto de dizer o que acha que é de interesse da maioria ou não – mas sem consultar ninguém, especialmente os interessados, a respeito. Também está aí, nas entrelinhas, o gosto de muitos cubanos pela bebida, pelas festas, pelas telenovelas… assim como a necessidade prática de comprar comida, roupa e demais necessidades “por fora”, pagando mais do próprio bolso, porque de outra maneira não se consegue. Assim como o envio de dinheiro fundamental das pessoas que estão fora do país para quem ainda permanece lá. Enfim, são muitos temas muito reais que o filme trata.

Na minha opinião, um filme assim só poderia ter sido feito por cubanos. Por isso a minha surpresa ao saber que grande parte dos atores é, de fato, cubana, mas que os nomes principais envolvidos na história são espanhóis. O diretor, Benito Zambrano, por exemplo, é espanhol, de Sevilla. Ele faz um trabalho muito bom, é muito competente no manejo da história e no destaque que dá para a “vida comum” de Havana. Ele é o responsável pelo roteiro junto com Ernesto Chao, outro espanhol, nascido em Ribadavia, na Galícia. Muito interessante como os dois, sem serem cubanos, entenderam tão bem o espírito do cotidiano das pessoas comuns de Cuba – ao menos penso isso ao lembrar das histórias que meus amigos contaram de lá, já que eu, pessoalmente, ainda não conheço Cuba.

Mas o elenco é praticamente todo formado por cubanos: desde os já citados Alberto Joel García Osorio, Roberto Sanmartín e Yailene Sierra, até os demais atores que interpretam os diferentes músicos da história.

Outro tema interessante que o filme aborda é como os “extranjeiros” interessados nos artistas cubanos buscam colocá-los, na maioria das vezes, dentro de estigmas, ou seja, dentro de um discurso pré-fabricado político anti-sistema cubano. Essa parte crítica do filme achei bem interessante. É o único discurso mais político do filme. O curioso é que tenta “purgar” a culpa dos produtores espanhóis dizendo que o parceiro da produtora, dos Estados Unidos, é que está pedindo que os músicos que assinarem o contrato sejam “independentes”, que se finjam de “malditos” e que, desta forma, possam vender um discurso político contra o seu próprio país. Nesse momento que Ruy questiona o contrato e coloca na balança uma decisão que ele sabe o que vai acarretar: a proibição de no futuro voltar ao seu país. Isso já aconteceu com muita gente e continua acontecendo. E eu só consigo imaginar o quanto duro deve ser você abrir mão pra sempre do seu país.

Um filme completo e divertido, com algumas realmente muito boas, com sonoridade e letras emocionantes. Vale a pena.

NOTA: 9,8.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Habana Blues é um filme, como eu disse anteriormente, de co-produção cubana, espanhola e francesa. Ele foi lançado em 2005 – e eu, cabeçona, o havia baixado faz tempo mas me havia esquecido dele.

Como diz nos créditos finais, o filme todo foi filmado em Havana e em Cienfuegos (a parte do teatro).

A produtora responsável pelo filme, a Maestranza Films, foi responsável também por uma série de filmes que parecem interessantes produzidos desde 1990. Entre eles, ouvi falar bem – mas ainda não assisti – a Solas e Los Aires Dificiles. A conferir.

Habana Blues recebeu uma nota 7,3 dos usuários do IMDb. Acho pouco. Merecia, pelo menos, um 9.

Essa produção participou de vários festivais e ganhou alguns prêmios. Entre eles, destaque para alguns prêmios como melhor música e, no caso dos Prêmios Goya, da Espanha, também para a edição feita por Fernando Pardo.