Inception – A Origem

Todo filme que vira “sensação” muito rápido me deixa com um pé atrás. Especialmente aqueles que são acompanhados por muitos comentários de espectadores boquiabertos dizendo que tal produção é “revolucionária”. Convenhamos que, depois de mais de 110 anos de história do cinema, dificilmente é possível encontrar uma única produção “revolucionária”. Antes de assistir a Inception, eu havia escutado opiniões conflitantes. Uns haviam amado a produção, considerando-a uma das melhores do ano – ou dos últimos anos. Outros, comentavam que havia “muito barulho por nada”. Me recuso a ir para um ou outro extremo. Inception é um bom filme, mas nada além disso. Christopher Nolan comprova mais uma vez que é um diretor e roteirista diferenciado mas, ainda assim, não considero este o seu melhor trabalho. Memento, sem dúvidas, é superior – e mais original. Inception me fez lembrar demais os conceitos de Abre los Ojos, com a adição da lógica de filmes como Ocean’s Eleven e um “tiquinho” de Matrix. Por isso mesmo, por mesclar ideias que antes foram melhor desenvolvidas, ele me pareceu longo demais, um tanto repetitivo e, assim, cansativo.

A HISTÓRIA: Um homem acorda exausto na praia enquanto cenas de duas crianças surgem em sua mente. Pouco depois, ele é arrastado até uma sala dourada, na qual um homem idoso assiste pacientemente o primeiro homem se recompor. Só então o idoso pergunta se ele apareceu para matá-lo. Corta. O mesmo homem que acorda na praia aparece, na mesma sala, em outro tempo. Cobb (Leonardo DiCaprio) tenta convencer o poderoso Saito (Ken Watanabe) que ele deve investir em ferramentas para proteger a sua mente de ladrões de ideias que atuam por meio dos sonhos, roubando-as enquanto a pessoa está dormindo. Pouco depois, Saito consegue se livrar de um golpe do próprio Cobb e seu parceiro, Arthur (Joseph Gordon-Levitt). E lança um desafio para o primeiro: se ele conseguir implantar uma ideia na mente de seu principal concorrente, Robert Fischer (Cillian Murphy), Saito conseguirá uma maneira de levar Cobb novamente para os Estados Unidos, para que ele possa a viver com seus filhos.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso só recomendo que continue a ler quem já assistiu a Inception): Algumas verdades sobre este filme são indiscutíveis: ele é bem dirigido, tem um ritmo bem planejado e é muito bem feito. Tem efeitos especiais e conceitos de imagens que aproveitam os melhores recursos que o cinema atualmente propicia. E isso é praticamente tudo. Ok, o elenco trabalha afinado. E só. O roteiro de Christopher Nolan faz um apanhado de várias ideias desenvolvidas por outros diretores e roteiristas anteriormente, coloca tudo no liquidificador e apresenta uma batida que pode cair no gosto da maioria. E inclusive me agradou, por um tempo. Mas depois esta mistura me pareceu um bocado óbvia, repetitiva e cansativa.

Sei que provavelmente nove em cada 10 leitores deste post discordarão da minha crítica. Mas paciência. Como sempre, não escrevo para agradar ou polemizar, para cair na simpatia ou na ira das pessoas. Escrevo o que eu penso e sinto, mesmo que a maioria discorde. Comento isso porque muitas pessoas próximas, no meu ambiente de trabalho, simplesmente ficaram “horririzadas” ou muito surpreendidas com meus primeiros comentários no Twitter falando que não tinha achado o filme nada demais. Como outras produções que viraram “cult” (cultuadas) por um grande número de pessoas, Inception parece ter virado quase uma religião – e ai de quem discorde da “grande obra”.

Bem, como eu disse, não escrevo para agradar ou desagradar. E não vou dizer que achei Inception brilhante quando, para mim, ele não passa de um produto bem pensado e sem inovação. Feito para justamente cair no gosto do grande público, mas sem ousadia de ideias, conceitos ou mesmo forma de conduzir a história. Ainda que recheado de efeitos especiais e de cenas muito bem construídas, este novo filme de Nolan segue uma lógica bastante linear – mesmo com as “quebras” de sonhos dentro de sonhos. Sobra pouco espaço para a surpresa, porque o espectador sabe, desde o início, sobre o plano de “ataque” da quadrilha de Cobb à mente de Fischer. Neste aspecto, Inception me lembrou muito Ocean’s Eleven. Primeiro, porque sabemos bastante do plano do grupo antes dele ser concretizado. Depois, porque cada um dos integrantes e seus “pontos fortes” nos são apresentados logo de cara.

Ao lado de Cobb e Arthur, forma o time de “especialistas” na construção de mundos imaginários – e oníricos – Ariadne (Ellen Page), Eames (Tom Hardy) e Yusuf (Dileep Rao). Cada um deles, como manda a regras de filmes sobre “equipes” que trabalham juntas para um golpe, é praticamente insubstituível. Um ponto importante para acrescentar “tensão” à trama. O protagonista, para seguir mais alguns lugares-comuns, é ao mesmo tempo motivado e atormentado por questões familiares. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Mesmo quando o “grande segredo” de Cobb envolvendo a esposa morta/presente Mal (Marion Cotillard) é revelado, o espectador não se surpreende tanto assim. DiCaprio cuida de deixar evidente, muito antes, que uma certa culpa/responsabilidade sobre o suicídio da esposa lhe acompanha.

Quando um filme, mesmo na “grande revelação” de sua história não surpreende, o que esperar do restante? Muita ação, perseguições, tiroteios, imagens extraordinárias de mundos criados pela imaginação e algumas pontas de luxo. Como Michael Caine interpretando a Miles, antigo mentor e avô dos filhos de Cobb. Ou Pete Postlethwaite como o moribundo Maurice Fischer, pai de Robert. Aliás, mais uma ideia antiga explorada em filmes como Star Wars e tantos outros que entrou no liquidificador do diretor e roteirista: a da atração/repudio de um filho em relação a seu pai, desta vez configurada na relação conflituosa entre Robert e Maurice.

Talvez a grande surpresa deste filme tenha sido, ao menos para mim, a interpretação de Tom Berenger para Peter Browning, o “conselheiro” dos Fischer. Fiquei surpresa mesmo é de como o ator mudou com o passar dos anos – talvez podendo ser comparado apenas com a mudança ocorrida com Mickey Rourke? Mas voltando para a história de Inception… se o filme tem a lógica de produções como Ocean’s Eleven (e tantas outras) na medida em que um grupo de “especialistas” é reunido por um “líder” para uma missão “quase impossível”, ele busca sua alma e filosofia em poços inspirados como os de Abre los Ojos (que, refilmado em Hollywood, renderia Vanilla Sky) e Matrix.

Do filme espanhol dirigido por Alejandro Amenábar, Inception empresta a ideia da capacidade do indivíduo em escolher a sua própria realidade, podendo viver em um permanente “sonho”, ou seja, realidade criada, para preservar determinadas relações ou sentimentos. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Toda a relação de Cobb e Mal, me desculpem os sensíveis, me pareceu uma cópia “falcatrua” da relação vivida por César e Sofía. Seja pela falta de originalidade da ideia e de seu desenvolvimento, no filme de Nolan, seja porque Eduardo Noriega e Penélope Cruz apresentaram mais química que DiCaprio e Cotillard. Depois, a ideia de ações “impossíveis” em um mundo irreal no qual algumas pessoas têm consciência e outras não desta irrealidade, assim como o poder das pessoas “se defenderem” ou “escolherem” a fantasia em lugar da verdadeira realidade bebe totalmente do conceito dos irmãos Andy e Lana Wachowski explorados na série Matrix. Até algumas cenas de Inception lembram os filmes dos Wachowski – sem contar alguma referência estilística e até de escolha de ambientes e desenvolvimento de filmes do Kubrick, especialmente 2001.

Antes que alguém comente sobre isso, sei que o cinema hoje é feito muito de “recriações” ou, e outras palavras, “chupinhadas” de ideias alheias desenvolvidas anteriormente. Mas como assisto a muitas escolas e produções de cinema que incluem, mas não se limitam a Hollywood, ouso dizer que esta ideia de “nada se cria, tudo se copia” algumas vezes se aplica, outras não. Porque existem sim – para a sorte do cinema e de quem gosta dele – ideias inovadoras ou, pelo menos, formas diferenciadas de falar de antigos temas no cinema mundo afora. Então, me desculpem, mas me cansa um pouco quando um cara talentoso como o Nolan prefere o caminho mais fácil, que é o de juntar uma série de conceitos explorados anteriormente para fazer um filme divertido (por um bom tempo, mas não durante todo o tempo), bem feito, e só isso.

Mas uma qualidade de Inception, devo admitir, é que esta é uma produção com final aberto. (SPOILER – não leia… bem, você já sabe). Produções deste gênero, que deixam dúvidas no espectador, parecem ter retomado fôlego nos últimos tempos – vide The Book of Eli. Uma bela – e antiga – ferramenta utilizada por criadores para provocar uma discussão além do filme – o que, normalmente, só alimenta a curiosidade sobre ele – e a ida das pessoas aos cinemas mais de uma vez. De qualquer forma, em Inception esta “cilada” funciona bem. Basicamente, o espectador tem duas escolhas de final para fazer: 1) a de que Cobb efetivamente conseguiu explicar a Saito o que eles deveriam fazer para voltar para a realidade e que, ao voltar, ele conseguiu rever os seus filhos; 2) a de que Cobb não conseguiu o dito anteriormente e que, por isso, “recriou” em seu mundo de sonhos (limbo) dito reencontro.

(SPOILER – segue a parte que você não deveria ler caso não assistiu ao filme). O que poderia responder a isto seria o bendito peão de metal que aparece rodopiando sobre a mesa na sequência final de Inception. Se ele caísse, o reencontro seria realidade. Do contrário, seria sonho. Sabiamente Nolan não mostrou Cobb e Saito voltando em cada camada do sonho. Apenas na “volta” para a realidade – que poderia ser algo sonhado, já que sempre que alguém chega a um lugar sem saber exatamente como, sem conhecer todo o caminho que lhe levou até ali, esta pessoa pode estar, na verdade, sonhando. O final, assim sendo, fica ao gosto do cliente. Pessoalmente, acho que Cobb estava sonhando, mergulhado no limbo, e que nunca, na verdade, conseguiu sair dali – digo isso não apenas por não termos visto o “caminho” de volta dele, mas especialmente pelas reações um tanto “forçadas” de todas as pessoas ao seu redor.

NOTA: 8,2.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Mais uma vez eu gostei do desempenho do ator Cillian Murphy. Para mim, ele rouba a cena todas as vezes em que contracena com DiCaprio. Gordon-Levitt também está bem, ainda que apareça pouco. Os demais se saem bem, mas sem nenhum grande destaque.

Inception tem 148 minutos de duração… eu cortaria, facilmente, pelo menos uns 20 minutos do filme. Achei muitas ideias repetidas e sobram explicações sobre o que o grupo irá fazer em seguida. Sem contar as cenas de perseguições na neve, que poderiam durar metade do tempo.

Com todos os efeitos especiais e o elenco estelar envolvido na produção, Inception custou a pequena fortuna de US$ 160 milhões. Mas conseguiu, até o dia 12 de setembro, mostrar o seu êxito ao faturar, apenas nos Estados Unidos, US$ 282,2 milhões. Sem dúvida é uma das grandes bilheterias do ano e uma das produções que caíram, definitivamente, no gosto popular.

Dois nomes haviam sido sondados pelo diretor para fazer parte deste filme: James Franco para o papel de Arthur e Evan Rachel Wood para Ariadne. A atriz não quis o papel, que passou a ser cogitado para Emily Blunt, Rachel McAdams e Emma Roberts. Gosto muito do James Franco mas, sem dúvida, Ellen Page foi uma escolha muito melhor do que Wood.

Este é o primeiro filme criado de forma original totalmente por Nolan desde Following, de 1998 – todos os outros que vieram depois foram baseados, de alguma forma, em outros materiais, como livros, histórias curtas ou quadrinhos. Para marcar a referência a Following, o personagem de DiCaprio recebeu o mesmo nome que o protagonista do filme de 1998.

O conceito de Inception surgiu na época de Insomnia, de 2002, quando Nolan começou a negociar a produção com a Warner Bros. Mas o diretor levaria ainda oito anos para concluir o projeto e conseguir lançá-lo.

Uma curiosidade: o “paradoxo da escada” que Arthur explica para Ariadne é uma referência à litografia do artista M.C. Escher de 1960 chamada de “Ascending and Descending” ou “The Infinite Staircase”. Escher é conhecido por trabalhar com conceitos como ilusão ótica, matemática e filosofia para criar imagens fantásticas.

Segundo o diretor de fotografia Wally Pfister – que faz um belo trabalho, diga-se -, o estúdio tentou convencer Nolan a fazer um filme 3D, mas o diretor recusou a ideia afirmando que uma produção deste tipo tiraria a atenção das pessoas para a história do filme. Honestamente? Acho que ele perdeu uma boa oportunidade, com essa escolha, de fazer um filme mais interessante – pelo menos eu teria ficado mais envolvida.

Nolan fez uma série de homenagens para alguns de seus ídolos quando pensou o nome dos Fischer. Robert Fischer teria sido inspirado no campeão de xadrez Bobby Fischer, enquanto que seu pai, Maurice Fischer, faria referência ao artista M.C. Escher (que se chamava Maurits Cornelis Escher) e que, segundo o diretor, teria inspirado o estilo visual e muitos dos efeitos de Inception.

O nome de Ariadne é inspirado na personagem da mitologia grega que encontrou uma forma de sair do labirinto do Minotauro. Eames, por sua vez, é inspirado no sobrenome do casal Charles e Ray Eames, conhecidos pelo pioneirismo no design arquitetônico e produção de documentários. E o nome de Cobb, segundo o IMDb, significa “sonho” em sânscrito, hindu, urdu e punjabi – Nolan cheio de “referências”, pois.

Da parte técnica, vale destacar a trilha sonora envolvente e precisa do veterano Hans Zimmer e a ótima edição de Lee Smith. Impressiona a lista gigantesca de profissionais envolvidos com os efeitos especiais. Aliás, este filme, desde já, é um forte concorrente ao próximo Oscar em categorias técnicas como esta – assim como edição de som, efeitos especiais e similares.

A crítica e os espectadores em geral gostaram muito do filme. Tanto que os usuários do site IMDb deram a impressionante nota 9,1 para a produção. Os críticos que tem textos linkados no Rotten Tomatoes, por sua vez, publicaram 227 críticas positivas e apenas 34 negativas, o que garante uma aprovação de 87% para Inception. Um verdadeiro êxito.

Entre os críticos que gostaram do filme, destaco este texto de Lisa Kennedy, do Denver Post. Para ela, Nolan assume a postura de arquiteto e sonhador (líder) da produção, apresentando um filme “maravilhoso construído com coragem e inspirado na arquitetura paradoxal”. Na opinião de Kennedy, Inception se revela um “ensaio emocionante sobre a atração, o poder e a sedução do cinema”, esta conhecida “fábrica de sonhos”. Sem dúvida ela ficou fascinada pela produção. 🙂 Na opinião da crítica, o início de Inception é “desorientador”, e as “emoções simples que nos prendem mais – como a tristeza, o arrependimento, a vontade de estar em casa – são o combustível da ação e imprimem o ritmo” do filme. Kennedy vai ainda mais longe, afirmando que a produção é uma “façanha filosófica”, porque mergulha em uma pós-graduação de efeitos especiais sobre questões como a “dúvida, a segurança, a paranóia e a confiança” e, além de tudo isso, a própria questão “do cinema”. Ela destaca ainda o uso dos efeitos especiais como metáfora, e a forma com que o filme faz o espectador refletir “sobre coisas cartesianas, de Jung e Freud”. Ah, então tá.

E entre os que não gostaram tanto assim, cito este de David Denby, do The New Yorker. O crítico afirma que Inception é um “espanto, um feito de engenharia e, finalmente, uma loucura”. Para Denby, Inception foi criado para dobrar e redobrar sequências de ação que, utilizando o que há demais moderno em tecnologia, acabou fazendo a história de Inception “passar do ponto”. No texto, Denby critica os exageros da produção – da música até os sonhos dentro dos sonhos e ações de diferentes níveis que acabam fazendo de Inception um filme “deslumbrante que se perde em meandros fabulosos, um filme dedicado a seu próprio funcionamento e pouco mais”.

Denby cita ainda parte da obra de Buñuel, que pode trabalhar com a ideia de sonhos sem ter que lidar com um orçamento de US$ 160 milhões. Sem dúvida existe um universo de distância entre a criatividade do primeiro e a “eficácia” comercial de Nolan. Até porque o grande público, cá entre nós, nunca conheceu e nem gostaria de Buñuel. Melhor mesmo ficarem com Nolan e seu Inception – muito mais fáceis e “divertidos”.

Ah, e quase ia me esquecendo… achei dispensável aquela “construção” do limbo de Cobb e Mal ser tão evidentemente “inspirada” (o que é inspiração, o que é cópia?) de uma das cenas mais emblemáticas do cinema, aquela que mostra o mundo apocalíptico visto pelo Coronel George Taylor no Planet of the Apes de 1968.

Bem, devo dizer que tenho um pouco de preguiça de buscar mais críticas para indicar. E agora, me desculpem, mas vou voltar a buscar um filme que não seja tão “comercial”, porque depois de Salt e Inception, preciso de algo, preferencialmente, um pouco menos “mais-do-mesmo”.

CONCLUSÃO: Um filme que explora as possibilidades do sonho e do controle da mente para a criação de realidades e a prática de “crimes”. Mesclando uma série de ideias e conceitos explorados em produções anteriores, Inception se mostra um bom entretenimento. Bem dirigido, com ritmo que tenta equilibrar a ação com uma certa “profundidade” de personagens, o filme de Christopher Nolan apresenta o que há de mais atual em efeitos especiais e “invenção” de realidades. Ainda assim, se revela longo demais, um bocado previsível e repetitivo. Para o meu gosto, poderia não apenas ser mais curto, mas também “explicar-se” menos. De qualquer forma, ganha pontos por deixar o final aberto, com a conclusão a escolha do cliente. Recomendado para quem gosta de ficção científica, da carreira do diretor e/ou de filmes de ação recheados de efeitos especiais. Agora, se você está esperando um pouquinho além do “óbvio-ululante” e tem um pouco de preguiça com ideias requentadas, talvez seja bom pensar duas vezes – ou, pelo menos, estar preparado para um filme competente, mas longe de ser excepcional.

PALPITE PARA O OSCAR 2011: Com este filme, começo a dar palpite para a próxima premiação-mor de Hollywood. Para mim, Inception sai na frente para disputar – e talvez ganhar – algumas das principais categorias técnicas da premiação. Entre outras, destaco Melhor Edição de Som, Melhor Mixagem de Som, Melhores Efeitos Especiais e Melhor Edição.

SUGESTÕES DE LEITORES: Inception estava na minha mira para ser assistido mas, francamente, com tanto “burburinho”, tinha deixado ele para depois na fila… só coloquei ele novamente na frente porque recebi alguns pedidos para assistí-lo. Destaco dois pedidos aqui  no blog feitos pelo Enzo – finalmente comentei o filme, meu bom!  – e, pelo Twitter, recebi uma recomendação do Reinaldo de Oliveira. Agora está na vez de vocês – e outros – comentarem o comentário. 😉 Ah, e um adendo importante: nesta história de demorar meses para responder a todos os recados, não tinha visto que a Pat, no dia 10 de setembro, tinha também recomendado A Origem. Falha minha, Pat! Pois que conste aqui, mesmo que atrasado, que a Pat sugeriu este filme, afirmando que tinha achado ele “chato, comprido e careta”. Pois, sou obrigada a concordar contigo. hehehehehe. Obrigada!

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Salt

Lábios carnudos, pancadaria, saraivadas de tiros, perseguições, uma sorte para desviar de disparos que daria inveja ao Tom Cruise de Mission Imposible, russos versus estadunidenses, espionagem e contra-espionagem. Salt congrega todos os ingredientes para qualquer fã de filme de ação (e da antiga fórmula que fez o Bond, James Bond famoso) ficar satisfeito. De quebra, apresenta uma e outra reviravolta que quase surpreende. Bem conduzido, com algumas cenas primorosas e uma que outra surpresa, este filme estrelado por Angelina Jolie adiciona uma boa colherada na receita que reafirma a atriz na rota dos filmes de ação. Mas pode desagradar a alguns pelo fato de terminar sem um final – uma continuação, é bom saber, torna-se mais que inevitável.

A HISTÓRIA: Na Coréia do Norte, dois anos antes dos eventos deste filme se desenrolarem, um mulher magra, loira, com calcinha, sutiã e diversos hematomas, cortes e sangue pelo corpo é arrastada e presa com cordas para voltar a ser torturada. Ela insiste em dizer para os guardas que não é uma espiã, e sim uma executiva de uma multinacional do ramo de petróleo e gás. Corta. Vestida, tempos depois, a mulher cheia de machucados é recepcionada por Ted Winter (Liev Schreiber) e volta para os Estados Unidos. O disfarce da agente da CIA Evelyn Salt (Angelina Jolie) caiu, ela foi pega, apanhou, foi torturada, e sua libertação não tem a ver com a resistência que ela teve em manter a boca fechada. Temendo que suas ações de espionagem caíssem na opinião pública, a CIA resolveu promover uma troca para libertá-la por pressão do cientista Mike Krause (August Diehl), apaixonado por ela – e com quem Salt se casaria pouco depois. Em Washington, nos “dias atuais”, a paz do casal Salt e Krause está prestes a terminar quando um espião russo se entrega à CIA e revela um plano de ataque fantástico contra os Estados Unidos que, segundo ele, será iniciado pela própria Salt.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso só recomendo que continue lendo quem já assistiu a Salt): Pressinto que muitas pessoas irão se queixar da “falta de originalidade” deste filme. Mas meus amigos e amigas, francamente, quantos filmes de ação atualmente se mostram realmente originais? Ou, mais especificamente, quantos filmes de “espionagem”, envolvendo a CIA e/ou estadunidenses e russos podem ser inovadores depois de tantas produções batendo nestas teclas?

Então o que importa em filmes de ação, para mim, não é a originalidade, mas a eficácia da trama. Que as cenas sejam bem dirigidas, que o roteiro cuide para que a história tenha a velocidade adequada e que, dentro do que um filme assim permite de “interpretações”, que os atores se saiam bem em seus papéis. Salt é muito eficaz nas cenas de perseguições e tiroteios – levando em conta, claro, que nestas produções as lógicas físicas e de probabilidade são totalmente ignoradas. O roteiro de Kurt Wimmer também consegue prender o espectador. E os intérpretes… bem, digamos que Angelina Jolie e Liev Schreiber, que são os protagonistas da história, dão conta do recado – ainda que algumas vezes a Sra. Brad Pitt chegue a irritar um pouco nas cenas de “romance” com pouca química. Ela também cansa ao exagerar na busca da “falta de expressão” que, segundo manda o manual de filmes de espionagem, parece ser um elemento básico dos vilões – especialmente dos russos.

O roteiro de Salt, aliás, segue todos os passos dos “clássicos” do gênero. Além de falar de conspiração, espionagem e contra-espionagem, estunidenses versus russos, o filme trata ainda de um projeto audacioso, mirabolante e de “treinamento” de super bandidos desde a infância surgido (adivinhem quando?) em plena Guerra Fria. O “espião-mestre” russo Vassily Orlov (Daniel Olbrychski) começa contando uma historinha de 1975 que introduz a essência do programa de treinamento de “clones” russos para substituir cidadãos estadunidenses chamado KA.

Forçadinha de barra, aliás, o início de sua história com um romance entre um atleta de luta livre e uma grande enxadrista – em uma tentativa evidente de aliar, desde o início, os temas da espionagem e do romance (o que se repete com Salt, evidentemente). Depois, ele passa a afirmar que o início do ambicioso projeto remonta à figura de Lee Harvey Osvald que, segundo Orlov, teria imigrado para a Rússia e, posteriormente, substituído por um sósia – e este seria o responsável pelo assassinato de JFK. Um belo aditivo – e um tanto cômico – para as teorias da conspiração.

Propositalmente exageradas as cenas que mostram o “treinamento” em solo russo e reproduzem a história contada pelo “espião-mestre”. O filme todo, aliás, aposta nestes exageros de uma forma bastante evidente – talvez como uma forma de autocrítica? O que reforça a minha teoria neste sentido é que, geralmente, depois que uma sequência cheia de lugares-comum era mostrada, o roteiro cuidava de apresentar uma pequena pílula de ironia, como quando Salt diz para o “espião-mestre” que ele é entediante. Eu não poderia resumir a historinha dele melhor. 🙂

Segundo o grande Orlov, Salt desencadeará os acontecimentos do Dia X quando, após viajar para Nova York (e que outra cidade?), mataria o presidente da Rússia no enterro do vice-presidente dos EUA. Com este ato, a agente da CIA desencadearia uma crise mundial, reacendendo as ameaças de guerra nuclear entre estadunidenses e russos. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Claro que a partir desta “revelação” de Orlov, a história se divide entre a negação de Salt e a desconfiança de Peabody (Chiwetel Ejiofor) e de outros agentes de Defesa e da CIA de que ela realmente pode ser uma russa infiltrada com uma missão maluca para cumprir. Quando ela “efetivamente” mata o presidente russo, não sei vocês, mas eu me perguntei: por que, ela sendo realmente uma russa infiltrada, seu “mestre” apareceu para dedurá-la na CIA e tornar tudo mais complicado? Qual seria o objetivo de dificultar o próprio caminho de Salt, sua pupila?

Que ninguém me diga que foi uma maneira de chamar a atenção para ela porque, afinal, com este ato Orlov não estaria tirando a atenção de nada mais importante. (SPOILER – não leia… bem, você já sabe). Pelo contrário, estava preparando todos para o fato principal de sua trama “diabólica”. Estranho, muito estranho… e sem sentido. Que Salt virasse alvo depois daquele crime – e antes de tentar matar o presidente dos Estados Unidos, Lewis (Hunt Block), tudo bem. Mas antes? Alguém pode argumentar que Orlov estava apenas querendo demonstrar a superioridade de Salt, sua pupila mais querida, colocando ainda mais pedras em seu caminho – e com a certeza que ela superaria cada uma delas. Também alguém pode comentar que esta provação talvez fosse uma forma de Orlov “penalizar” Salt por ela ter se casado e/ou comprovar a fidelidade da agente com a “causa” ao tornar a sua missão mais complicada. Ainda que estes argumentos possam ser válidos, francamente, eles não me convencem muito.

Mas vamos adiante… Quase funciona a “incerteza” sobre as intenções de Salt. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Mas o pouquinho de “dúvidas” que alguém poderia ter sobre ela atacar ou não o presidente russo terminam logo. Afinal, depois de perceber que o marido tinha sido sequestrado, por que mesmo ela iria viajar justamente para Nova York, local em que o crime que abriria uma crise internacional deveria ocorrer? A partir do momento que ela aparece no ônibus viajando para aquela cidade, terminam as dúvidas sobre o que ela irá fazer em seguida – e quando ela assume uma postura de “Nikita“, pintando o cabelo e se preparando para uma guerra, tudo fica ainda mais evidente. Aliás, impossível não lembrar de produções anteriores estreladas por Jolie no qual ela caminhava por aí com casacos dando porrada e tiros em uma cambada – vide Mr. & Mrs. Smith e Wanted. E para os atentos, até a cena da aranha ajuda a matar uma das charadas (e surpresas?) finais da produção.

As perseguições e cenas de luta são bem feitas, bem filmadas, mas não surpreendem – especialmente porque nada neste gênero realmente surpreende, convenhamos. (SPOILER – não leia… bem, já sabes). Certo que o fato de Salt/Chekov seguir com os planos do “espião-mestre” até o final, mesmo depois de tê-lo matado – e a todos os seus ex-companheirinhos – se “justifica” por sua vontade de, na verdade, proteger o presidente dos Estados Unidos e terminar com os demais agentes KA. Ok, mas ninguém me convence que ela teria feito isso tudo apenas como represália e como “vingança” pela morte do marido. De verdade que uma super espiã como ela se arriscaria tanto, mataria tanta gente apenas para garantir que não houvesse uma guerra mundial? E toda aquela panca de mulher-fatal-insensível? No fundo ela era uma romântica, uma especialista de coração duro que foi modificada pelo amor? Ah, me poupem!! Esta justificativa final, assim como aquela que explicaria o “dedo-duro” Orlov não me convencem – e me parecem bastante idiotas.

Ainda assim, acho que o filme ganha pontos pela agilidade e pelas autoironias espalhadas aqui e ali. Nem todas as produções do gênero conseguem este resultado básico. Então, entre lugares-comum, justificativas idiotas para acontecimentos um tanto absurdos e uma e outra reviravolta que funciona, Salt se revela um bom entretenimento – especialmente indicado para aqueles dias em que você não quer assistir filmes que façam pensar ou que possam contribuir com algo para a sua vida ou de quem for.

NOTA: 7,8.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Certamente vão rolar comentários detonando as cabeleiras estranhas da Sra. Pitt. Ela fica melhor com a juba escura, sem dúvida. Mas o mais ridículo – realmente – é quando ela se disfarça de homem. Convenhamos, qualquer um teria matado aquele disfarce rapidinho. Ela parecia tudo, menos um homem…

Como qualquer filme envolvendo estadunidenses e russos, tinha que aparecer um homem com uma cicatriz, não é mesmo? hahahahahahaha. A vez em Salt foi assumida por Corey Stoll, que faz quase uma ponta como Shnaider. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Sua morte é das cenas mais absurdamente cômicas da produção. Aliás, não tem como levar esse filme a sério, gente. A saída, para curtí-lo, é realmente dar risadas das cenas e lugares-comum. No fim, ele é divertido por tudo isso.

Há pelo menos uma cena muito boa na parte final da produção: (SPOILER – não leia para não estragar a surpresa) aquela do ataque mútuo entre Salt e Winter.

Fiquei curiosa para saber qual será a continuação do filme. Salt irá contra-atacar na Rússia? Ou aproveitarão os altos orçamentos de Hollywood para levá-la para diferentes partes do mundo, quase que transformando a personagem em uma versão feminina de Ethan Hunt?

Salt estreou nos Estados Unidos e em outros 27 países – incluindo o Brasil – em julho. Como era de se esperar, o filme tem conseguido uma boa arrecadação nas bilheterias – especialmente devido aos fatores Angelina Jolie e filme de ação. Mesmo custando absurdos US$ 110 milhões, Salt conseguiu se pagar e, aparentemente, embolsar algum dinheiro. Apenas nos Estados Unidos, até o dia 5 de setembro, a produção havia conseguido arrecadar pouco mais de US$ 115,5 milhões. Somadas as bilheterias no resto do mundo, sem dúvida Salt dará lucro.

Curioso que Salt foi originalmente escrito para ter um homem como protagonista. E, o mais cômico, é que a figura de Tom Cruise havia sido apontada para estrelar a produção – e dá-lhe Mission Imposible! Posteriormente, contudo, reescreveram a história e Jolie assumiu o papel principal.

Ainda que a produção nunca deixe evidente quando seria o “tempo presente” da história, uma cena de TV mostrada durante o funeral do vice-presidente dos Estados Unidos revela que o ano daquelas “ações” seria o de 2011.

O site IMDb traz uma lista um bocado longa de erros identificados na produção – muitos de continuidade. Um dos que achei interessantes tem a ver com a granada jogada por agentes da CIA no apartamento de Salt… ela faz com que todas as janelas do apartamento virem estilhaços, mas os espelhos e demais objetos de vidro do interior da casa continuam intactos. hehehehehehehe

E algo curioso para os cinemaníacos: Salt reproduz, entre a protagonista e Winter, dois diálogos do filme Star Trek: Generations, de 1994. Na produção de ficção científica, o comandante Pavel Chekov fala para o capitão Kirk “I was never that young”, e Kirk responde “You were younger”. Em Salt o mesmo diálogo é reproduzido – detalhe que Salt, na verdade, se chamaria Chekov. Mais ironias do roteiro, pois.

Phillip Noyce faz um bom trabalho na direção. Mas vale destacar, ainda, a direção de fotografia ajustada de Robert Elswit e, especialmente, a trilha sonora envolvente do normalmente ótimo e experiente James Newton Howard.

Como era de se esperar, com tantos lugares-comum, Salt não se saiu bem na opinião do público e da crítica – até porque eu acho que nem todos entendem ironias sutis. Os usuários do site IMDb deram a nota 6,6 para a produção, enquanto que os críticos que tem textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 127 críticas positivas e 80 negativas para a produção – o que lhe confere uma aprovação de 61%.

Entre as críticas, destaco esta de Nigel Andrews, do Financial Times, que define Salt como um filme “bobo, absurdo e engenheso, tudo na velocidade do som”. Para o crítico, cada nova surpresa da história sucede/elimina a anterior. Que bom que ele foi convencido pelo roteirista desde o início, não? Fiquei pensando que as pessoas que embarcaram na história de Kurt Wimmer desta maneira devem ter se divertido ainda mais. Agora, quem procura sempre “adiantar” as ciladas de roteiro – como eu -, aproveitou um pouco menos. Ainda que, no fundo, me divirto quase da mesma forma – culpa do Hitchcock e da Agatha Christie. Andrews destaca ainda a velocidade da direção de Noyce, a trilha sonora em volume alto constante e as surpresas do roteiro, finalizando ao afirmar que Salt se mostra bem próximo de um “grande entretenimento”.

Destaco, com especial ênfase, este texto de David Denby, da The New Yorker, que comenta sobre o trabalho duro que Angelina Jolie teve com esta produção. Ele comenta também que Salt revela um esforço do estúdio Columbia para criar um substituto feminino à altura da série de filmes Bourne. Concordo quando ele diz que a fórmula é semelhante – ainda que, cá entre nós, os filmes de Bourne eram melhores. Adorei, especialmente, quando Denby comenta que Angelina Jolie não pisca e, assim, lembra Leonardo DiCaprio – e se pergunta se as crianças comportadas são ensinadas a fazer isso para se tornarem estrelas de cinema. hahahahaha. Genial!

O texto inteiro de Denby está muito bem escrito e carregado de ironias. Quem tiver a oportunidade de lê-lo inteiro, vale a pena. Gostei quando ele ironiza os russos como os “vilões” revividos do momento – após a temporada de terroristas do Oriente Médio -, e quando ele compara o “mestre-espião” a um Fu Manchu que fala inglês. O crítico classifica Salt como um filme convencional, ainda que bem dirigido seguindo uma linha de pop caótico. Ele afirma ainda que o “roteiro complicado fica trancado em respostas puramente funcionais”, e que o diretor não consegue dar dois minutos de espaço para que seus atores se desenvolvam um pouco além do básico. Ele está certo nas duas observações. “Tratar a espionagem como uma fantasia liberta os filmes de ação, mas uma dramatização de como a espionagem funciona atualmente seria algo mais interessante”, comenta Denby.

Neste outro texto, David Edelstein, da New York Magazine, comenta que Salt não pode ser analisado, e que a sua falta de coerência se apresenta, na verdade, como a sua força centrífuga. Para ele, não importa o que a protagonista faz ou irá fazer, mas a certeza que Angelina Jolie dá para as intenções de sua personagem. “A certeza da atriz é diabólica”, comenta. Edelstein ironiza todas as referências que Salt faz o espectador lembrar: de Bond, Bourne, Bauer até McGyver. hahahaha. Muito bom! O crítico define Salt como um filme eficiente, rápido, baseado em um movimento contínuo de avanço.

CONCLUSÃO: Um filme carregado de lugares-comuns mas que, ainda assim, não irrita. Com narrativa veloz, como se pede para um filme de ação, Salt acerta nos momentos em que ironiza a si mesmo. Planejada como entretenimento, esta produção cumpre o seu papel ao resgatar elementos bastante batidos em Hollywood, como são os temas da espionagem, contra-espionagem, estadunidenses versus russos, teorias da conspiração e afins. Nas interpretações, apresenta uma boa parceria entre os protagonistas, ainda que Angelina Jolie algumas vezes canse pelo esforço exagerado em se mostrar “sem expressões”. Com muitas cenas de perseguições, tiroteiros e pancadaria, não é indicado para quem não gosta deste estilo de produção. E mesmo para os que apreciam este tipo de filme, é bom que fique claro que Salt não reinventa roda alguma… apenas utiliza os velhos recursos para apresentar um novo produto. Mas faz isso bem, apesar de alguns tropeços, poucas surpresas e algumas linhas de roteiro que não convencem. No fim das contas, é um bom passatempo para quem não quer saber, neste momento, de um filme muito “sério” ou “complexo”.