Paul, Apostle of Christ – Paulo, Apóstolo de Cristo

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Algumas mensagens não perdem a importância ou desbotam com o tempo. Muito pelo contrário. Algumas mensagens são mais atuais do que nunca. Ainda assim, muita gente não estava preparada há 2018 anos para ouvi-las e não está preparada hoje, ainda, para realmente entender o que foi dito. Paul, Apostle of Christ tem mensagens essenciais para qualquer indivíduo mas, apesar disso, não é indicado para qualquer pessoa. Infelizmente. Assista especialmente se você tem a fé cristã ou se, ao menos, está aberto(a) a conhecer um pouco mais sobre essa fé. Do contrário, passe longe.

A HISTÓRIA: Começa em Roma, no ano 67 depois de Cristo. Metade da cidade foi arrasada por causa de grandes incêndios. Nero, o Imperador de Roma, culpa Paulo (James Faulkaner), seguidor de Cristo, pela tragédia. Como represália ao que aconteceu, Nero atira, de tempos em tempos, cristãos em sua arena, para que eles sejam mortos por suas feras. Nas ruas, os cristãos também são queimados vivos, como “velas” para “iluminar” a cidade. Escondido, Lucas (Jim Caviezel) entra em Roma para procurar Paulo e contar a sua história enquanto ele está vivo na cadeia.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Paul, Apostle of Christ): Me desculpem pela sinceridade da introdução acima. Mas realmente isso é o que eu penso sobre essa história e esse filme. Respeito todas as religiões e inclusive as pessoas que não tem fé alguma. Todos tem o direito de fazer as suas escolhas. Como cristã, eu atribuo isso à vontade de Deus, que nos deu como o nosso maior presente a liberdade de escolher – inclusive de acreditarmos ou não Nele.

Dito isso, esse filme é recomendado e faz um grande sentido para quem é cristão – ou para quem tem interesse por essa religião. Para os demais, que desprezam o cristianismo ou que simplesmente não acreditam em Jesus Cristo, o mais recomendado mesmo é nem “perder tempo” assistindo a esse filme. Possivelmente muitos cristãos vão discordar de mim. Vão comentar que esse é um belo filme para “tocar” e, quem sabe, “converter” os que não tem fé. Até pode ser verdade, mas eu prefiro recomendar que apenas os mais abertos à essa fé gastem o seu tempo nesse filme.

Feitas essas observações, quero dizer que fiquei realmente encantada com essa produção. Paul, Apostle of Christ não é um filme do estilo “bíblico”, apesar de ter muitos elementos da Bíblia – evidentemente. Mas ele não segue a “cartilha” de filmes do gênero. E isso faz dele uma produção fora da curva e torna essa história tão interessante. Porque temos, além dos ensinamentos que podemos buscar na Bíblia, também um belo resgate histórico das primeiras décadas do cristianismo e toda aquela perseguição que foi feita contra os seguidores de Cristo.

Por ter esse resgate histórico, Paul, Apostle of Christ não é um filme exatamente “fácil” de assistir. O diretor Andrew Hyatt, que escreveu o roteiro ao lado de Terence Berden, escolheu mostrar a realidade do tempo de Paulo e de Lucas sem filtros. Assim, assistimos a mais de uma cena de pura crueldade contra os cristãos da época, com pessoas virando tochas humanas, literalmente, nas ruas romanas. Não por acaso, os cristãos viviam escondidos, procurando sobreviver. E havia um bocado de dissidência entre os irmãos e irmãs que viviam a mesma fé.

Como católica interessada em sempre buscar mais detalhes sobre a minha fé, eu já sabia sobre parte daqueles acontecimentos. De fato, as primeiras décadas após a morte de Jesus Cristo não foram nada fáceis. Os cristãos foram perseguidos, maltratados e mortos. Até hoje existem pessoas que morrem pelo mundo por professar a fé cristã – mas, evidentemente, em número muito menor do que naquela época próxima do início da fé cristã.

Assim, Paul, Apostle of Christ tem o mérito de mostrar muito bem aquele momento da história do cristianismo. Como foram valentes pessoas como Aquila (John Lynch) e Priscilla (Joanne Whalley), que lideravam uma comunidade cristã em Roma. Eles resistiram por muito tempo, mas aumentava cada vez mais a insegurança daquele grupo que eles protegiam. Parte das pessoas queria ficar ali, para dar alternativa para os pobres e os esquecidos de Roma, mas parte queria sair da cidade para conseguir sobreviver.

De fato esse era o contexto da época. Assim, Hyatt e Berden conta uma história que intercala esse resgate histórico e os ensinamentos de Paulo repassados para as comunidades cristãs através do médico Lucas, seu companheiro de tantas caminhadas. Muito especial, e emocionante mesmo – eu me emocionei, ao menos -, acompanhar a relação de irmandade entre Paulo e Lucas. Paulo, preso mais uma vez, sabendo que os seus dias estavam chegando ao fim, ainda se sentia “perseguido” pela própria consciência. Pela época em que ele próprio era um perseguidor de cristãos.

Lucas, por sua vez, foi convertido através de Paulo. E como um discípulo dele, procurava absorver o máximo possível dos ensinamentos do homem que se converteu ao presenciar Cristo em uma viagem. Como comentei antes, a comunidade cristã estava dividida na época. Não apenas sobre a questão de permanecer ou fugir de Roma, mas também sobre como comportar-se frente à tanta injustiça e assassinatos de cristãos.

Quando Paulo responde a um grupo dissidente, para mim, chegamos ao ponto alto do filme. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). O próprio Lucas, frente à tanta violência – inclusive a morte de uma criança de quem todos gostavam -, também apresenta dúvidas, mas isso não acontece com Paulo. No melhor momento da produção, Paulo fala sobre a essência do ensinamento de Cristo: que o único caminho é o amor. E isso vale para todos, não apenas para quem gostamos ou para as pessoas com as quais concordamos.

O amor deve valer para todos, inclusive (ou especialmente) para aqueles que são diferentes da gente, para aqueles com os quais não concordamos ou para aqueles que nos fazem mal. Esse é maior desafio, sem dúvida alguma, do ser humano. Superar-se ao ponto de amar o inimigo e/ou quem lhe faz mal. Mas esse é o maior exemplo de Cristo, algo que Paulo compreendeu muito bem e soube propagar em pouco mais de 30 anos de evangelização.

Interessante também acompanhar como o livro Ato dos Apóstolos surgiu, através daquela experiência de Lucas visitando Paulo na prisão. Lucas percebeu – ou foi induzido por Deus – a importância de contar a história dos apóstolos enquanto Paulo ainda estava vivo. Sem essa iniciativa, não teríamos um dos livros mais importantes do Evangelho. Além disso, o filme resgata algumas das cartas de Paulo, aqui narradas pelo próprio apóstolo através de diálogos que ele teria tido com Lucas.

Claro que o filme não é 100% histórico. É uma narrativa sobre aqueles fatos que busca sintetizar os ensinamentos de Paulo e a presença marcante de Lucas na comunidade cristã. Independente do filme não ser 100% fiel aos fatos, para mim ele cumpriu com maestria o papel ao qual ele se propôs. Além de resgatar parte da história, os ensinamentos de um dos maiores apóstolos de Cristo e, por consequência, os próprios ensinamentos de Cristo, esse filme conta com um elenco diferenciado.

Um dos pontos fortes de Paul, Apostle of Christ é justamente a dupla de protagonistas. James Faulkaner como Paulo e Jim Caviezel como Lucas estão – me perdoem o trocadilho – divinos. Ambos interpretam com precisão papéis que são complicados. Mas eles humanizam os apóstolos e nos aproximam daquele momento histórico de forma impecável. Além deles, o elenco de apoio também faz um belo trabalho. Honestamente, não consegui ver nenhum defeito nessa produção. Encontrei sim uma bela história, muito bem narrada e que emociona.

NOTA: 10.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Assisti a esse filme há umas duas semanas. Mas aí veio uma temporada de muito trabalho, Dia das Mães, e acabei conseguindo parar para falar de Paul, Apostle of Christ apenas hoje. Me perdoem se eu não tinha mais o filme tão “vivo” na minha lembrança do que se tivesse escrito sobre ele logo em seguida, mas tentei resgatar na memória os principais fatores que me fizeram dar a nota 10 para ele após tê-lo assistido.

Os três pontos altos do filme, para mim, são o roteiro de Andrew Hyatt e Terence Berden, que equilibra muito bem o resgate histórico com os ensinamentos de Paulo e de Cristo através das vozes de Paulo e de Lucas; o elenco da produção e a produção que faz um resgate histórico bastante interessante.

Do elenco, o grande destaque é mesmo o trabalho da dupla James Faulkaner e Jim Caviezel. Além deles, vale citar o belo trabalho de Olivier Martinez como Mauritius, o militar romano que é “desprestigiado” ao assumir a direção do presídio em que Paulo é colocado; Joanne Whalley como Priscilla, líder da comunidade cristã em Roma e que resiste a deixar a cidade; John Lynch como Aquila, parceiro de Priscilla e um líder dividido entre ficar ou sair de Roma; Yorgos Karamihos como o jovem Paulo – da fase em que ele perseguia os cristãos; Antonia Campbell-Hughes como Irenica, esposa de Mauritius e que cobra do marido, a todo momento, a cura da filha do casal; Alessandro Sperduti como Cassius, um dos líderes entre os cristãos do movimento que busca “revanche” e a tomada de armas contra os perseguidores romanos; Alexandra Vino como Octavia, uma das vítimas da violência romana; e Manuel Cauchi como Ananias, o homem que recebe Paulo e que o ajuda a conhecer melhor a Cristo.

Como comentei antes, o resgate histórico de Paul, Apostle of Christ é um dos pontos fortes da produção. Por isso vale bater palma para diversos elementos técnicos dessa produção, começando pela direção de fotografia de Gerardo Madrazo; o design de produção de Dave Arrowsmith; a direção de arte de Ino Bonello; a decoração de set de Craig Menzies; os figurinos de Luciano Capozzi; a maquiagem de Lara Licari; o departamento de arte de Jon Banthorpe, Cesco Bonello, Sven Bonnici, George Farrugia, Dylan Gouder, John Gouder e Matthew Pace. Além deles, vale citar a trilha sonora de Jan A. P. Kaczmarek e a edição de Scott Richter.

Paul, Apostle of Christ estreou no Canadá, na Espanha, nas Filipinas e nos Estados Unidos no dia 23 de março de 2018. A produção não participou de nenhum festival de cinema ou ganhou qualquer prêmio até o momento.

Os usuários do site IMDb deram a nota 7,1 para esta produção, enquanto que os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 19 críticas negativas e 14 positivas para esta produção, o que lhe garante uma aprovação de 42% e uma nota média de 5,5. No site Metacritic, o filme registra o metascore 49, resultado de sete críticas medianas, duas positivas e uma negativa.

De acordo com o site Box Office Mojo, Paul, Apostle of Christ teria custado cerca de US$ 5 milhões e faturado, apenas nos Estados Unidos, US$ 17,5 milhões. Nos outros países em que o filme estreou, ele teria feito outros US$ 3,4 milhões. Na soma, o filme teria faturado cerca de US$ 20,9 milhões. Ou seja, apesar das críticas negativas, o filme está conseguindo um bom lucro.

Paul, Apostle of Christ é uma produção 100% dos Estados Unidos. Assim, esse filme atende a uma votação feita há algum tempo aqui no blog.

CONCLUSÃO: Um filme que funciona à perfeição para atender o propósito estabelecido. Paul, Apostle of Christ tem ótimos atores, um roteiro muito competente e conta uma história potente para todos os cristãos. Assim, cumpre o seu papel com esmero e sem necessidade de retoques. Claro que essa conclusão tem tudo a ver com a minha própria fé. Por isso, como eu disse na introdução, assista a esse filme apenas se você realmente tem apreço pelo tema. Se não, certamente o efeito desse filme será muito diferente. Ainda que eu ache que, independente da fé da plateia, todos vão concordar que essa produção é competente – mas, talvez, para quem não compartilha da mesma fé, ela não mereça a nota acima. Mas, para mim, o filme merece.

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Please Stand By – Tudo que Quero

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Todos merecem o direito de sonhar. De desenvolver os seus talentos, mesmo que todas as pessoas ao redor achem que aquela pessoa não tem “nada demais” para oferecer. Please Stand By foca em uma protagonista diferente, que tem os seus próprios desafios cotidianos para enfrentar mas que, apesar deles, acredita em seu próprio potencial para fazer algo incrível. Uma bela homenagem para as pessoas que “fogem do comum” e para uma das franquias do cinema mais admiradas por quem gosta de ficção científica.

A HISTÓRIA: De olhos fechados, ela escuta algo no fone de ouvido. Em seguida, abre os olhos e começa a imaginar uma história que envolve o espaço. Em seguida, ela imagina Spock em seu último gesto de bravura e de sobrevivência. Wendy (Dakota Fanning) é fascinada por Star Trek e está trabalhando em uma história que envolve esse universo. Scottie (Toni Collette) chega ao trabalho e cumprimenta vários moradores da residência que abriga muitas pessoas com seus desafios particulares. Ela toca um apito e entra no quarto de Wendy, que responde com outro apito. Scottie então comenta que a irmã de Wendy virá para visitá-la, e ela pergunta como ela se sente a respeito. Wendy tem muitos desafios para enfrentar no dia a dia e, em breve, vai passar por uma grande aventura.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Please Stand By): Olá pessoal! Me desculpem a longa ausência. Mas tive Dia das Mães e muito trabalho nesse período. Assisti esse filme há umas duas semanas, então lembro do que eu vi, claro, mas sem toda aquela “vivacidade” que eu teria se tivesse conseguido tempo de escrever sobre Please Stand By antes. Peço desculpas por isso.

Assisti a esse filme sem grandes expectativas. Como vocês sabem, isso é algo importante. Pelo cartaz de Please Stand By, conclui, claro, que a produção fazia uma homenagem ou ao menos fazia uma bela referência para Star Trek. O que eu não sabia era que o filme teria um olhar tão generoso para pessoas “não comuns” da nossa realidade. Dizem que de médico e de louco todo mundo tem um pouco. Mas as pessoas nem sempre pensam sobre isso. Sobre como todos nós somos frágeis e podemos passar por dificuldades físicas ou mentais sem poder prever isso ou evitar que isso aconteça.

E quem define o que é “ser normal”? E quem disse que as pessoas diferentes e “especiais” não fazem a nossa civilização ser especial? Diferente do que alguns ditadores já tentaram defender na nossa História, não acho que ganhemos nada – absolutamente nada, na verdade – eliminando as pessoas que tem algum problema ou dificuldade, seja ela física ou mental. Todos nós podemos um dia passar por isso, e podemos aprender muito com as pessoas diferentes da gente ou que fogem da “normalidade”.

Mas para aprender com elas, é preciso ter um olhar cuidadoso, atento e generoso. Perceber que ninguém é melhor que ninguém e que todos tem o seu valor. Todos podem contribuir e devem ter o direito e sonhar e de buscar a própria superação. Não para ficarem parecidos com alguém ou para servirem de modelo seja para quem for. Mas para sentirem o prazer próprio desse gesto de superação – só alguém que já fez isso sabe do que estou falando.

O que eu achei bacana de Please Stand By é que esse filme trata com respeito e com carinho exatamente esse cenário não comum para muitas pessoas. Cada família tem a sua realidade e cada pessoa a sua trajetória. Talvez você nunca tenha conhecido ou convivido com uma pessoa que tem algum problema mental. Então para você esse filme será uma bela introdução – se assim você desejar, é claro – para esse universo diferenciado. Se você já conviveu ou convive com alguém que seja “diferente”, certamente essa produção fará um sentido todo especial.

O bonito desse filme dirigido por Ben Lewin e com roteiro de Michael Golamco é que ele trata com respeito e com um olhar afetuoso essa realidade sempre desafiadora de alguém que foge da “normalidade”. Wendy é a protagonista, mas conseguimos ver também as pessoas que orbitam ao redor dela. Assim, observamos também como as pessoas “normais” lidam com o que foge da sua compreensão. Alguns são mais generosos e atentos, outros, nem tanto. E isso não acontece apenas nesse filme, mas na vida real. Mas Please Stand By está aí para nos fazer pensar a respeito.

Gostei da sensibilidade e da naturalidade com que essa história é contada. Esse é um ponto forte do filme. No fim das contas, Please Stand By é a história de uma pessoa que busca realizar um sonho apesar de todos os elementos que jogam contra esse desejo e também um road movie. Acompanhamos a protagonista em sua jornada de superação, e esse tipo de história sempre é bacana de ser contada e de ser vista.

Um outro ponto alto desta produção é o belo trabalho dos atores. O destaque, claro, vai para Dakota Fanning como a protagonista. Ela convence no papel em cada detalhe da sua interpretação. Depois, ao lado dela, estão belos trabalhos de Toni Collette e Alice Eve (que vive a irmã mais velha de Wendy).

Além de ser uma produção sobre a jornada particular de uma pessoa diferenciada e que vive os seus próprios “dilemas” e “limitações” – não sou uma grande especialista, mas me parece que a protagonista é autista, certo? -, Please Stand By faz uma bela homenagem para o universo Star Trek. Wendy é apaixonada pelo universo do filme e da série de TV e, evidentemente, se sente “próxima” de Spock, que também deve enfrentar o desafio de lidar com as pessoas (como ela). Spock não entende muito bem os humanos, assim como precisa aprender a sentir. Desafios que parecem muito comuns com a protagonita de Please Stand By.

Alguns filmes, como o interessantíssimo documentário Life, Animated (comentado aqui), mostram como o cinema pode ajudar as pessoas a se encontrarem e a superarem os seus próprios dilemas. No fundo, o cinema nos aproxima – se você estiver disposto(a) a isso, é claro. Nos apresenta histórias, realidades e pontos de vista diferentes. E esse Please Stand By é um exemplo disso.

A história em si não é muuuuito surpreendente. A aventura de Wendy é linear e um bocado previsível, mas isso não importa tanto quanto a mensagem que o filme quer nos passar. De que todas as pessoas, como comentei antes, tem talentos, tem qualidades, limitações e o direito de sonhar e de realizar-se.

Mesmo quem se acha perfeito, certamente, tem algo que pode melhorar, tem algum defeito – ainda que não seja capaz de enxergar isso ao olhar-se no espelho. Então, devemos ser mais cuidadosos uns com os outros, mais generosos e ter mais respeito, especialmente com o que é diferente da gente. Esse tipo de mensagem é sempre bem-vindo, e isso é algo que esse filme faz.

Sobre a previsibilidade da história, como manda o clássico modelo de “trajetória do herói”, claro que Wendy tem que passar por uma série de desafios e de contratempos em sua jornada. Sim, o mundo nem sempre é simples. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Expulsam ela do ônibus porque ela está com um cachorro – porque, afinal, as regras são mais importantes que as pessoas, em muitos lugares – e ela é assaltada. Mas ela consegue terminar a jornada, superando-se. E no final, pouco importa se ela conseguiu ou não ser reconhecida pelo roteiro criado para Star Trek. O mais importante de uma viagem é o caminho e não o destino e/ou a vitória final.

NOTA: 8,5.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Esse filme tem uma série de mensagens bacanas. Como que as pessoas diferentes e relativamente distantes podem se aproximar se tiverem uma motivação ou interesse para isso. Vemos isso no caso das irmãs Wendy e Audrey e também entre Scottie e o seu filho, Sam (River Alexander). Audrey percebe que a irmã consegue fazer muito mais do que ela imaginava, e que ela tem talento, enquanto Sam se aproxima da mãe quando ele decide viajar com ela para procurar Wendy. É Sam quem explica para a mãe a “graça” por trás de Star Trek. Bacana.

Como Sam resume com precisão na conversa que tem com a mãe no carro, a grande “graça” de Star Trek são os seus personagens. E, da mesma forma, a parte mais interessante de Please Stand By são também os personagens e os atores que foram escalados para a produção. Golamco acerta ao dar destaque para poucos personagens – assim, conseguimos nos aprofundar melhor neles, nas suas histórias e relações. Não adianta, é isso que dá a graça para uma produção.

Como comentei antes, Please Stand By tem uma série de qualidades. Só não dei uma nota maior para a produção porque ela é, temos que admitir, bastante previsível e não apresenta nenhuma grande “inovação” ou sacada diferenciada. Esse é um filme um pouco no estilo Sessão da Tarde. Não é mega recomendado, mas pode ser visto sem grandes pretensões e, desta forma, representar uma bela surpresa para o espectador. Cheio de boas mensagens e princípios, ele só não é surpreendente ou inovador. Por isso, acredito, merece uma nota boa, mas distante da avaliação máxima – essa nota é apenas para os filmes realmente imperdíveis.

O destaque dessa produção é o trabalho de Dakota Fanning como a protagonista. A atriz, que vem fazendo uma bela carreira desde a infância, demonstra como segue trilhando um belo caminho na profissão. Vejo ela como muito potencial para seguir fazendo ótimos trabalhos no futuro – se fizer as escolhas certas, é claro. Além dela, estão muito bem nos papéis secundários a veterana Toni Collette e Alice Eve.

Além deles, merece ser citado o bom trabalho, como coadjuvantes, de Tony Revolori como Nemo, o colega de Wendy na lanchonete e que tem uma “caidinha” por ela; e do veterano de séries e de pontas Patton Oswalt como o policial Frank, um fã de Star Trek que tem a sensibilidade de falar com Wendy em klingon – ou seja, ele foi a primeira pessoa a falar com ela de uma forma cuidadosa e bacana desde que ela começou a sua viagem para Hollywood. Outra veterana de pontas e de séries, a atriz Robin Weigert também merece ser citada pela ponta como a policial Doyle. Também vale citar o trabalho de Farrah Mackenzie como a jovem Wendy e de Madeleine Murden como a jovem Audrey.

O filme é bacana, cheio de boas intenções, mas me incomodou um pouco a forma com que ele “exagerou” um pouco na falta de sensibilidade das pessoas com Wendy. Ok que vivemos em uma época de muito individualismo e egoísmo, mas ninguém nunca ter se disposto a ajudá-la me pareceu um pouco exagerado – como quando ela não tem dinheiro para pagar um ônibus que a leve para a Paramount Pictures. Segundo esse filme, todos estão muito presos a regras e burocracias. Ainda que isso seja em parte verdade, acho que existe mais margem para o improviso e para a solidariedade no dia a dia do que o filme nos mostra.

Entre os elementos técnicos desse filme, vale destacar a trilha sonora de Heitor Pereira; a direção de fotografia de Geoffrey Simpson; o design de produção de John Collins; a direção de arte de Lindsey Moran; a decoração de set de Tamar Barnoon e os figurinos de Annie Bloom. Ben Lewin faz um bom trabalho na direção, mas não apresenta nada muito diferente da normalidade e do padrão.

Please Stand By estreou em outubro de 2017 no Festival de Cinema de Austin. Depois, o filme passou pelos festivais de Roma e da Virgínia. Nessa trajetória, o filme não foi indicado a nenhum prêmio.

Agora, algumas curiosidades sobre essa produção. As falas trocadas entre Kirk e Spock na história criada por Wendy são as mesmas que os dois personagens falam no episódio The Tholian Web, de 1968.

As equipes de Star Trek Deep Space Nine e Star Trek Voyager nunca promoveram um concurso de roteiros. Ainda assim, elas permitiram que alguns fãs das séries escrevessem roteiros. Parte desse material foi, de fato, utilizado nas séries enquanto elas eram transmitidas.

As montanhas que aparecem nos sonhos de Wendy são as Vasquez Rocks localizadas em Agua Dulce, na Califórnia. Esse local foi usado, de fato, em diversos filmes e séries da grife Star Trek, inclusive no episódio Arena, de 1966.

Os usuários do site IMDb deram a nota 6,6 para esta produção, enquanto que os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 17 críticas positivas e 11 negativas para Please Stand By – ou seja, o filme tem uma aprovação de 61% e uma nota média de 5,8. No site Metacritic, o filme apresenta um metascore de 49, resultado de quatro críticas positivas, sete medianas e uma negativa. Ou seja, o filme é considerado mediano – o que é o meu parecer também.

Please Stand By é uma produção 100% dos Estados Unidos. Assim, esse filme atende a uma votação feita há algum tempo aqui no blog, na qual os leitores podiam filmes desse país. Mais um para a lista, pois. 😉

CONCLUSÃO: Um filme singelo, mas muito bem conduzido e com atuações convincentes. Sempre bato palmas para produções que dão voz e que destacam pessoas especiais mas para quem muita gente não dá a mínima bola. Todos nascem com talentos e com capacidade, basta olharmos com um pouco mais de carinho e de generosidade para aqueles que são diferentes da gente. Please Stand By consegue fazer um cruzamento interessante de histórias ao mesmo tempo que presta uma bela homenagem para o próprio cinema e um clássico da ficção científica. Despretensioso, merece ser visto. Um filme leve e que, ao mesmo tempo, tem uma bela mensagem.

Entebbe – 7 Days in Entebbe – 7 Dias em Entebbe

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O conflito israelense e palestino já rendeu bastante pano pra manga. Não apenas histórias, contadas em livros, filmes, séries e em outras plataformas, mas, sobretudo, já rendeu muitas mortes, sofrimento, dor. Entebbe conta um dos episódios desse conflito que parece não ter fim. O filme dirigido pelo brasileiro José Padilha é bem filmado e tem bons atores, mas a narrativa é bastante cansativa e previsível. Na verdade, Entebbe dá sono. A parte mais interessante do filme é vermos a alguns personagens históricos importantes daquele cenário em ação.

A HISTÓRIA: Em um palco, várias pessoas estão dispostas em um semicírculo. A música e o ensaio começam. A introdução comenta como, em 1947, Israel consegue se estabelecer como nação, enquanto os palestinos resistem à falta de território e consegue o apoio de diversos grupos de esquerda espalhados pelo mundo. A história dessa produção, em si, começa no dia 27 de junho de 1976, considerado o primeiro dia da ação.

Wilfried Böse (Daniel Brühl) não está passando bem no banheiro, mas ele se recompõe e sai para o saguão do aeroporto para se encontrar com Brigitte Kuhlmann (Rosamund Pike). Quando eles saem, dois outros homens olham para eles. Todos estão juntos. Eles entram no avião da Air France que está saindo de Tel Aviv com destino a Paris. Em breve, eles vão entrar em ação e entrar para a História.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Entebbe): Dessa vez eu prometo não falar muito sobre esse filme. Até porque eu acho que Entebbe não merece uma grande avaliação. Por uma razão muito simples: esse filme deveria ter rendido um curta e não um longa. E se fosse para render um longa, que ele fosse muito, mas muito melhor contextualizado.

Da maneira com que Entebbe foi desenvolvido, não precisaríamos gastar tanto tempo no cinema. Afinal, o roteiro de Gregory Burke é simplório e previsível. Fora um breve momento de retorno na história para mostrar a preparação dos sequestradores para a operação envolvendo o avião da Air France, a narrativa é linear e com um desenvolvimento um bocado lento. Como comentei no início dessa crítica, com bastante facilidade esse filme dá sono.

Apesar de ter poucos personagens de destaque, Entebbe realmente não desenvolve bem personagem algum. Os atores principais, que podem ser considerados Daniel Brühl e Rosamund Pike, fazem um bom trabalho, mas, apesar disso, não sabemos quase nada de seus personagens. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Afinal, qual era a origem de Böse e de Kuhlmann. Sabemos que Kuhlmann se responsabiliza pela prisão – e posterior morte – de Ulrike Meinhof na prisão, mas não sabemos muito mais do que isso da personagem.

Presumimos, com a cena em que Brigitte Kuhlmann fala da morte de Ulrike Meinhof na prisão, que ela fazia parte do grupo Baader Meinhof – ou RAF (Fração do Exército Vermelho) – e que planejava, com aquele sequestro do avião francês com dezenas de israelenses à bordo, resgatar parte do grupo que estava preso. O mesmo presumimos de Böse, mas tudo não passa de suposições. Afinal, Entebbe realmente nos fala pouco destes personagens. E o mesmo a respeito dos outros sequestradores.

Assim, Entebbe deixa tudo muito sugerido e pouco realmente claro. Ao menos envolvendo os sequestradores. Porque a respeito de Israel e de seus líderes, claramente Entebbe praticamente lhes rende uma homenagem. Em partes, ao menos. Claramente percebemos uma postura, por parte de Shimon Peres (Eddie Marsan), de não ceder aos sequestradores sob circunstância alguma. O primeiro ministro Yitzhak Rabin (Lior Ashkenazi), por sua vez, parece ter muito mais dúvidas do que certezas.

Se algo esse filme tem de interessante, é mostrar como as preocupações políticas de algumas lideranças – ou seria de todas? – está acima de vidas humanas e de interesses maiores que não sejam os seus próprios projetos de poder. Peres parece estar sempre preocupado com o “custo político” das ações que o governo israelense pode tomar. Claramente ele é um sujeito ambicioso e combativo, que acredita piamente na filosofia “nós contra eles”.

Enquanto isso, Rabin parece ser um sujeito muito mais ponderado e pacifista. Ele percebe, já na segunda metade dos anos 1970, que não adianta Israel sempre optar pelo combate e pelo enfrentamento. Em algum momento, o país deverá ceder e dialogar, chegar a um acordo – e, para isso, abrir mão de algo, seja de um pouco de poder, seja de um pouco do território. Naquele momento já existiam questões que seguem válidas mais de 40 anos depois – infelizmente.

Para resumir, se temos algo de interessante nesse filme, é justamente esse bastidor político e de jogo de poder. Vemos a dois personagens importantes da história – Peres e Rabin – em momentos de debate e de decisão. Essa é a parte que faz esse filme valer o tempo gasto. O restante, o sequestro e o resgate dos reféns, em si, são desenvolvidos de maneira simplória e um tanto desorganizada.

No fundo, pelo que o filme nos conta, não nos aprofundamos na história e na motivação dos sequestradores e nem nos aprofundamos na história e nas intenções dos outros envolvidos naquela situação. A parte melhor desenvolvida, digamos assim, é a dos personagens de Israel. Sobre o ditador Idi Amin (Nonso Anozie) sabemos pouco. Apenas, por exemplo, que ele é uma pessoa dúbia e com motivações não muito claras – parece que ele faz um jogo duplo.

Um problema de Entebbe, a meu ver, é que ele é uma produção muito “chapa branca”. Ou seja, basicamente, o roteiro de Gregory Burke assume a versão dos fatos de Israel. Eles são os heróis, no fim das contas – ainda que a direção do brasileiro José Padilha mostre que a operação “heroica” de resgate dos reféns foi mais atabalhoada e desastrada do que a história oficial costuma mostrar.

Enfim, aquele foi um episódio importante para Israel e para os palestinos, mas pareceu mais que o sequestro do avião teve a ver com interesses paralelos ao interesse palestino – como o dos apoiadores da RAF, por exemplo, e de outras pessoas que tem a motivação pouco clara no filme, como o líder do núcleo de terroristas e que negocia diretamente com o ditador de Uganda. Afinal, qual era a real motivação daquele cidadão? O filme não deixa isso claro.

Para resumir, Entebbe fraqueja mais por tudo que ele não mostra e não explica do que se sustenta por aquilo que apresenta. As diversas cenas que buscam apresentar a tensão do sequestro acabam sendo bastante repetitivas, e alguns personagens não dizem ao que vieram. Falta contextualização e falta um roteiro que apresente uma versão dos fatos mais crítica e um pouco menos “chapa branca”.

Um exemplo de parte do roteiro que não convence é quando Böse insisti dizendo que nem ele e nem Brigitte Kuhlmann eram nazistas (ou neonazistas). Que a motivação deles não era matar e/ou combater judeus. Certo. Nesse sentido, além de mostrar a “operação heroica” de Israel, Entebbe parece querer convencer a audiência de que a dupla alemã era inocente na história.

Aparentemente, segundo o roteiro, Böse e Brigitte estavam sequestrando um avião cheio de pessoas, inclusive judeus, achando que todos renderiam o resgate de “aliados” de seu movimento “libertário”. Ora, não sejamos inocentes. Eles sabiam que eram alemães e que no voo haveriam muitos judeus. Em que planeta o gesto de alemães ameaçando de morte judeus não faria lembrar a Segunda Guerra Mundial e o extermínio comandado por Hitler? Então o roteiro de Burke me pareceu um tanto estranho e um bocado “parcial”.

No fim das contas, achei esse filme bastante cansativo e pouco explicativo. Valeu por conferir a mais um trabalho do diretor José Padilha que, desta vez, nos entrega um resultado apenas “ok”. O ponto fraco do filme é realmente o roteiro. A ponto de mesmo os atores principais fazerem um trabalho mediano, mas sem realmente nos convencer do que eles estão fazendo.

Para mim, tudo muito mediano. Ou seja, um filme que está longe de ser fundamental. Há muitos outros no mercado bem mais interessantes. Agora, se você, como eu, gosta do diretor José Padilha e de alguns atores em cena, talvez vale a pena investir o seu tempo nesta produção. Mas sabendo que você não verá nada demais em cena.

NOTA: 6.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Para quem ficou curioso sobre o grupo Baader Meinhof, recomendo duas leituras e conteúdos. O primeiro é o filme Der Baader Meinhof Komplex, comentado por aqui no blog. E o segundo material que eu recomendo é esse super resumo feito pela Deutsche Welle sobre a história da RAF. Vale aprofundar-se nesse contexto para entender melhor a “motivação” da dupla de alemães que fazem parte do sequestro mostrado em Entebbe.

Falando em contexto, como Entebbe não é muito preciso ou mesmo contextualiza muito bem a história do sequestro, os seus antecedentes e desdobramentos, pode ser interessante ler a alguns textos que relembram aqueles fatos. Vale consultar desde esse artigo da Wikipédia até essa matéria curta da revista IstoÉ, essa reportagem do Acervo de O Globo e essa outra matéria da Folha de S. Paulo.

Ainda bem que muito mudou em relação à aviação civil no mundo nas últimas décadas, não é mesmo? Evoluímos muito em questão de segurança, por exemplo. Nunca hoje um grupo de terroristas entraria com tanta facilidade em um avião com armas dentro das bolsas de mão. O filme também me fez lembrar o tempo em que era permitido fumar dentro dos voos – não que isso seja mostrado em Entebbe, mas esse tipo de falta de controle e de “noção” sobre riscos para o voo veio à minha mente ao ver o sequestro “fácil” do avião que é mostrado nessa produção.

O diretor José Padilha faz um bom trabalho, valorizando as cenas de ação e o trabalho dos atores, mas ele realmente não consegue entregar uma grande produção porque falta para isso um roteiro melhor. Achei o trabalho de Gregory Burke abaixo da média. Infelizmente.

Como o roteiro não ajuda os atores, eles fazem em cena o melhor que eles podem, mas sem nenhum grande destaque. Ainda assim, vale comentar o sempre competente trabalho de Daniel Brühl como Wilfried Böse; de Rosamund Pike como Brigitte Kuhlmann; de Eddier Marsan como Shimon Peres; de Lior Ashkenazi como Yitzhak Rabin; de Ben Schnetzer como Zeev Hirsch, um dos soldados que se destaca no resgate dos reféns; de Nonso Anozie como o ditador de Uganda, Idi Amin; de Mark Ivanir como o general israelense Motta Gur; de Juan Pablo Raba como Juan Pablo, um personagem muito deslocado e mal desenvolvido mas que seria o namorado de Brigitte que pula fora da operação antes dela começar; Denis Ménochet como Jacques Le Moine, o engenheiro da aeronave que se destaca entre os representantes da tripulação do voo; e Angel Bonanni como Yonatan Netanyahu, comandante da operação de resgate.

Falando em roteiro bem mais ou menos, achei uma viagem a história de pelo menos dois personagens: Zeev Hirsch e Juan Pablo. O primeiro, a exemplo do personagem de Jacques Le Moine, “representante” da tripulação da aeronave sequestrada, parece ter sido destacado apenas para que o espectador se sinta mais “próximo” ou familiarizado com o grupo de militares israelenses. Zeev, assim como a sua namorada, aparecem um bocado na história sem ter, realmente, uma relevância grande para o que aconteceu. Eles, como tantos outros, tem a mesma “importância”, digamos assim. Então por que só eles foram destacados? O mesmo sobre o personagem de Juan Pablo, um bocado deslocado na história. Se ao invés de gastar tempo com esses personagens o roteirista tivesse contextualizado mais a situação do sequestro, certamente o filme seria melhor.

Filme arrastado e um bocado longo para o meu gosto. Para ter a entrega que teve, poderia ser um curta ou ter, pelo menos, uns 20 minutos de corte. Há muitas sobras nessa produção ao mesmo tempo em que falta uma contextualização para o filme funcionar melhor.

Entre os aspectos técnicos do filme, vale citar a trilha sonora de Rodrigo Amarante; a direção de fotografia de Lula Carvalho; a edição de Daniel Rezende; o design de produção de Kave Quinn; a direção de arte de Charlo Dalli; a decoração de set de Stella Fox; e os figurinos de Bina Daigeler.

Entebbe estreou em fevereiro de 2018 no Festival Internacional de Cinema de Berlim. Depois, o filme participou do Festival BCN. E nada mais. Em sua curta trajetória em eventos, ele não recebeu nenhum prêmio ou indicação.

Os usuários do site IMDb deram a nota 5,7 para esta produção, enquanto que os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 58 críticas negativas e apenas 17 positivas para esta produção – o que lhe garante uma aprovação de 22% e uma nota média de 5,2. Realmente eu não tenho como discordar dos usuários do site IMDb ou dos críticos. O filme talvez mereça mesmo estar na faixa da nota 5.

No site Metacritic o filme registrou metascore 49, resultado de 6 críticas positivas, 19 críticas medianas e 2 negativas. Acho até que o site foi “bonzinho” com essa produção – especialmente se comparamos com outros metascores. Segundo o site Box Office Mojo, Entebbe faturou US$ 3,2 milhões nas bilheterias dos Estados Unidos e quase US$ 3 milhões nas bilheterias dos outros países em que estreou. Ou seja, o filme teria feito quase US$ 6,2 milhões. É pouco para Hollywood, mas como não há informações sobre o custo da produção, fica difícil de saber o tamanho do “prejuízo” do filme para os produtores.

Talvez você esteja se perguntando porque eu assisti a esse filme se ele tinha tão pouca aprovação nos sites que eu sempre consulto. Olha, sou franca em dizer que eu resolvi encarar essa produção, basicamente, por duas razões. A primeira, porque eu queria ver ao novo filme do diretor José Padilha. Eu gosto do diretor brasileiro – acho um dos melhores da sua geração. Depois, porque esse filme ainda estava em cartaz no cinema no feriado de 1º de maio e eu resolvi aproveitar ao máximo a minha carteirinha do cinema – incentivo importante do Beiramar Shopping de Florianópolis para pessoas como eu, que ajudam a difundir os bons (ou nem tão bons) filmes que estão em cartaz.

Dito isso, sim, estou em uma fase no estilo “ver o que está passando nos cinemas”. Mas, em breve, quero resgatar os comentários sobre filmes clássicos e/ou históricos que estão fazendo aniversário nesse ano e também ver a outros filmes mais alternativos e que nem sempre passam nos cinemas comerciais. Em breve, meus caros, vou conseguir equilibrar esses três perfis novamente aqui no blog.

Espero que o José Padilha tenha mais sorte em sua próxima produção em Hollywood. Espero que ele conte com um roteiro melhor para trabalhar – ou que ele próprio consiga emplacar um roteiro por lá. Do contrário, ele pode apenas queimar o próprio filme ou cair na “vala comum” de tantos diretores que não emplacaram naquele super competitivo mercado de realizadores.

Entebbe é uma coprodução do Reino Unido com os Estados Unidos. Por ser tão “chapa branca”, até achei que poderia ter grana de Israel no meio. Mas não.

CONCLUSÃO: Entebbe trata de uma história real para nos ensinar como o idealismo muitas vezes sofre com o pouco contato com a realidade. Ao mesmo tempo que é verdade que não é justo o que Israel historicamente faz com os palestinos, também é verdade que não adianta atacar civis israelenses que não tem nada a ver com isso para tornar a balança “mais justa”. Atacar civis nunca pode ser considerado algo correto.

Bem filmado, mas com um roteiro bastante enfadonho, Entebbe sofre com um ritmo lento e uma história por si só pouco interessante para um longa. Poderia render um belo curta ou, talvez, ficaria melhor em um formato de até 1h30. Mais que isso, é exigir demais do espectador. Apenas mediano, e ainda sendo generosa na avaliação.

The Leisure Seeker- Ella e John

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Muitas vezes os filhos pensam que sabem o que é melhor para os pais. Mas não, eles não sabem. Casais que estão há muitas décadas juntos compartilham uma história que ninguém sequer é capaz de imaginar. O belo The Leisure Seeker trata de um desses casais. Dois idosos que já estão enfrentando uma série de problemas de saúde e que decidem ignorar o que os filhos acham que é bom para eles. Um filme sensível, engraçado em vários momentos e que faz o espectador refletir sobre o quanto estamos – ou não – preparados para os problemas que podem surgir com a idade avançada.

A HISTÓRIA: Começa no dia 29 de agosto de 2016 em uma cidade do Estado americano de Massachusetts. Em uma rua qualquer, ouvimos um carro de som reverberando a propaganda eleitoral de Donald Trump, na qual ele promete que a “América será grande outra vez”. Acompanhamos uma caminhonete Ford, muito americana, por um bairro também muito americano. Will Spencer (Christian McKay) chega na casa dos pais, chama pela mãe e diz que fez um bolo para o pai. Ele procura em tudo, vai até a garagem, e percebe que os pais saíram. Ella (Helen Mirren) e John (Donald Sutherland) foram viajar e tem outros planos diferentes ao dos filhos.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a The Leisure Seeker): Poucos filmes tratam sobre o processo de envelhecimento de forma realista. Por isso é um verdadeiro deleite quando vemos a uma produção como The Leisure Seeker. Esse filme pode ser encarado sob diversas óticas, mas eu vou começar por duas delas.

Para começar, The Leisure Seeker é uma bela história de amor e também um road movie diferenciado. Não temos como protagonistas um jovem casal, mas duas pessoas que estão juntas “a vida inteira”. Eles já viveram o suficiente e compartilharam tantos momentos que Ella e John não tem mais papas na língua. Não. Eles falam o que pensam. Além disso, através das lentes do diretor italiano Paolo Virzi, passamos a ser testemunhas do que há de mais sincero, bonito e algumas vezes cruel na convivência de um casal.

Achei bacana o roteiro de Stephen Amidon, Francesca Archibugi, Francesco Piccolo e Paolo Virzi, que escreveram essa história baseados no livro de Michael Zadoorian, explorar de forma tão franca a relação de um casal com tanta bagagem e com diversos pontos em comum e diferentes. Como o filme é, essencialmente, focado em Ella e John, conseguimos conhecer muito bem esses dois personagens – os outros atores em cena são coadjuvantes, orbitando ao redor dos grandes Helen Mirren e Donald Sutherland.

Acompanhando a viagem dos protagonistas, percebemos como Ella é uma mulher simples, que busca sempre o diálogo e conhecer as pessoas. Ela ama viajar, gosta de uma boa conversa – e de falar bastante – e de apreciar a natureza. John, por sua parte, é um sujeito mais do estilo intelectual. Ele foi professor, por muito tempo, e gostava de viajar para “ampliar os horizontes intelectuais” – seja isso o que for, comenta Ella em um de tantos momentos engraçados do filme.

The Leisure Seeker acerta a mão ao nos apresentar, logo nos primeiros minutos do filme, um belo resumo do que veremos em seguida. Essa produção mergulha na “América profunda”, no jeito de ser, de fazer e de pensar americano. Quando vemos o casal Ella e John em seu Leisure Seeker – veículo no qual eles viajam e que é uma espécie de “caça-lazer” -, com ela comentando para ele que ele está muito elegante, mas que exagerou na colônia, quando ele também pergunta se ela peidou e ela fica indignada com esse questionamento, identificamos o estilo da produção.

Até o final do filme, teremos muitos momentos de conversa franca entre os dois. Mas não apenas nisso. Além de acompanhar o bonito e o “feio” que toda aquela intimidade proporciona, também mergulhamos em fatos nem sempre explorados pelo cinema sobre o envelhecimento. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Por um lado, Ella está em um processo de câncer avançado, sentindo muita dor – e tendo que tomar medicação forte o tempo inteiro para amenizar um pouco o sofrimento – e tendo que segurar “a onda” da melhor forma que ela consegue. Por outro lado, temos John em um processo relativamente avançado de Alzheimer.

Assim, vamos descobrindo aos poucos que a viagem planejada por Ella é uma “road trip da despedida”. Ela quer fazer uma última viagem com o seu grande amor, para que eles fiquem juntos uma última vez. Nesse caminho, ela quer fazer várias coisas que os dois desejam – como comer hambúrguer e passar por locais conhecidos dela – e, a cada noite, revisitar a vida que os dois tiveram juntos exibindo slides nas paradas do Leisure Seeker.

Muito bonito o amor que um tem pelo outro e o cuidado e respeito que ambos nutrem em décadas de convivência. E o bacana de The Leisure Seeker é que o filme não explora apenas isso, mas também o humor e uma certa dose até de “crueldade” que um casal que está há muito tempo junto acaba adquirindo. Isso é inevitável com a longa convivência.

Um tema recorrente no filme é o “esquecimento” que John passa a ter com cada vez mais frequência. Na maioria das vezes, Ella lida bem com a situação, mas tem vezes, como na vida real de quem convive com alguém que está 100%, ela também se cansa e perde a paciência. E quem não passa por isso? Somos humanos, falhos, capazes de grandes gestos de generosidade e de compreensão na mesma medida que somos capazes de atos de egoísmo e de falta de paciência. Isso é normal e um ponto bem mostrado nessa produção.

A intimidade, o companheirismo e o amor vivenciado pelo casal de protagonistas é o que há de mais valoroso nessa produção. Assim como a reflexão que o filme incentiva sobre o envelhecimento, quando é mais comum surgir diferentes tipos de doenças e de fragilidades. Enquanto o casal de filhos de Ella e de John, Will e Jane (Janel Moloney), acreditam que o melhor para os pais seria Ella passar por um tratamento no hospital e John ser cuidado por um dos filhos – possivelmente com o apoio de um profissional -, Ella tem outros planos para o “grand finale” dos dois.

The Leisure Seeker nos faz refletir que os pais, não importa que problemas eles tenham – físicos ou mentais -, sempre sabem o que é melhor para eles. Os filhos podem se preocupar, podem querer “defender” e “proteger” os pais, mas, no fim das contas, apenas eles sabem por tudo que ele passaram na vida e o que faz mais sentido para eles.

O difícil, muitas vezes, é aceitar determinadas escolhas que eles podem fazer – como a que Ella faz no final dessa produção. Mas por mais difícil que seja a despedida, devemos saber que é inevitável que um dia ela aconteça e que devemos, acima de tudo, respeitar e amar os nossos pais. Independente das escolhas que eles façam. Nesse sentido, The Leisure Seeker nos dá belas lições e uma importante reflexão sobre como a “melhor idade” nem sempre surge com a melhor das condições para quem envelhece – e isso faz parte da vida, não é culpa de ninguém.

Apesar de ter tantas qualidade, The Leisure Seeker também dá algumas derrapadas. Os atores que fazem os personagens principais, Helen Mirren e Donald Sutherland, estão divinos. Excelentes. Mas os personagens que eles estão interpretando passam por algumas situações com tintas um tanto exageradas.

Em especial, achei um pouco forçada – e meio “melodramática” – a reação de Ella para a descoberta do envolvimento de John com Lilian (Dana Ivey) quando eles eram jovens. Sim, é verdade que a protagonista já estava, naquele momento, em uma fase com muitas dores e pouca paciência, mas me pareceu exagerada a reação dela e o que ela fez com John naquele momento.

Também me pareceu um tanto difícil de acreditar o final, com aquela reação tão “tranquila” de Will, Jane e os demais sobre o ato final de Ella e John. Tudo bem que eles aceitassem a escolha feita por Ella, mas daí a todos reagirem tão bem e de forma tão “tranquila” a respeito daquilo. De um dia para o outro os filhos deixaram de ter os pais presentes. Me parece que a reação deles mais coerente – conforme o perfil dos personagens – seria um bocado mais sentimental e que mostrasse o impacto da notícia, não?

Enfim, no geral, o filme é muito bom. Sensível, com belas mensagens e sentimentos. Mas existe um certo exagero no roteiro aqui e ali, revelando pontos que não fazem muito sentido no contexto geral do filme. Descontados esses momentos, essa é uma produção com ótimas atuações dos protagonistas e um equilíbrio quase exato entre romance, drama e comédia.

O roteiro inteligente tem muitos momentos engraçados – destaco, entre todos, o do “apedrejamento” de John quando Ella torce o pé e ele, após tentar ajudá-la, cai no chão e acaba dormindo. Enfim, para resumir, eis um filme bacana, bem equilibrado e com um grande trabalho dos grandes, gigantes Helen Mirren e Donald Sutherland. Sem dúvida alguma, merece ser visto. Não porque vai mudar a sua vida, mas porque pode fazer você olhar para a velhice e os seus pais de uma outra forma. Com muito mais respeito e carinho, o que sempre nos faz falta.

NOTA: 9,2.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Esta produção tem diversos momentos deliciosos. Além da narrativa central, o filme tem a inteligência de tocar em outros pontos muito atuais. Por exemplo, The Leisure Seeker trata da “América profunda”, do “american way of life” e do que isso representou no caso da campanha de Donald Trump.

Enquanto temos uma pessoa como Ella, que se interessa por todas as pessoas que ela encontra, inclusive um casal de imigrantes que atende no posto de gasolina onde eles sempre passavam, temos um bando de gente fazendo parte da campanha de Trump – na qual John se “infiltra” sem se dar conta do que estava fazendo – e pedindo para os imigrantes irem embora. Esse é o momento em que vivemos, com as pessoas cada vez mais divididas em duas fronteiras: a da generosidade e a da intolerância. Essa é a América, mas é outros países também.

Também achei muito interessante como o filme trata sobre o “jeito de viver” das pessoas. O que faz sentido para um, pode não fazer o mínimo sentido para outro. E tudo bem. Nem todos precisam gostar de amarelo. Apesar disso, achei especialmente interessante a fina ironia com que os realizadores tratam essa “bagunça” e “espetacularização” da vida, ou seja, que tudo tem que ser (ou parecer, muitas vezes) uma festa.

O exemplo disso no filme foi a visita tão desejada e sonhada à casa do escritor Ernest Hemingway. A maioria das pessoas que estavam lá, seja participando da festa de casamento, seja visitando o local, certamente não sabia muito sobre a vida e a obra do escritor. Ella e John eram a exceção no local, e isso deixou a protagonista perplexa. Mas basta viajar por aí para vermos a mesma coisa em todas as partes. As pessoas estão muito mais preocupadas em fazer centenas, até milhares de fotos – incluindo muitas selfies – em locais famosos do que em realmente vivenciar a magia de cada local e de mergulhar em sua história. Novamente, um retrato cheio de ironia sobre o momento atual.

Os grandes nomes dessa produção são dos atores Helen Mirren e Donald Sutherland. Eles estão divinos e perfeitos nos papéis de Ella e John. Muito convincentes, nos entregam interpretações sensíveis e belas, muito belas. Além deles, vale comentar o sensível trabalho de Janel Moloney. O ator Christian McKay está bem, mas o personagem dele, um tanto exagerado sempre, é que lhe atrapalha um pouco. A veterana Dana Ivey está bem, mas em uma super ponta. Além deles, vale citar a ponta também de Dick Gregory como Dan Coleman, namorado da juventude de Ella.

Entre os aspectos técnicos do filme, vale destacar a competente e firme direção de Paolo Virzi e o bom roteiro escrito por ele, por Stephen Amidon, por Francesca Archibugi e por Francesco Piccolo. Para ficar melhor, eles apenas poderiam ter reduzido um pouco as tintas e o tom um tanto “melodramático” de algumas sequências. Afinal, o filme vinha tão bem em seu tom “sem filtro” e realista, que esse tom poderia ter sido preservado sempre.

Além deles, vale destacar a trilha sonora de Carlo Virzi; a direção de fotografia de Luca Bigazzi; a edição de Jacopo Quadri; o design de produção de Richard A. Wright; a direção de arte de Justin O’Neal Miller; a decoração de set de Eve Cauley; e os figurinos de Massimo Cantini Parrini.

The Leisure Seeker estreou em setembro de 2017 no Festival de Cinema de Veneza. Depois, o filme participou de outros 15 festivais em diversos países pelo mundo. Nessa trajetória, recebeu dois prêmios e foi indicado a outros quatro – incluindo a indicação de Melhor Atriz – Comédia ou Musical para Helen Mirren no Globo de Ouro. Venceu como Melhor Elenco no Festival Capri e como Melhor Filme segundo a escolha da audiência no Festival Internacional de Cinema de Sofia.

Esse é o primeiro filme do diretor italiano Paolo Virzi feito na língua inglesa. Ou seja, marca a estreia dele em Hollywood. Aqui no blog, do diretor, vocês podem conferir – se já não conferiram, claro – a crítica de Il Capitale Umano. Um filme muito, muito interessante, e que eu recomendo. Tudo indica que Virzi é um sujeito que merece ter a sua obra melhor conhecida – e que vale ser acompanhado.

Os usuários do site IMDb deram a nota 6,5 para esta produção, enquanto que os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 58 críticas negativas e 31 positivas para o filme, o que lhe garante uma aprovação de apenas 35% e uma nota média de 5,2. Normalmente eu não vejo a um filme que tenha uma nota baixa no Rotten Tomatoes, eu admito. Mas optei por The Leisure Seeker porque este filme estava em cartaz no cinema da minha cidade e porque eu gosto muito dos atores e do diretor. Então, apesar da crítica ter sido negativa para a produção, gostei de ter optado por assisti-la.

The Leisure Seeker registra o metascore 45 no site Metacritic. Essa avaliação pondera 2 críticas positivas, 17 medianas e 4 negativas que o filme recebeu. Parece que o público, pela nota no IMDb e nos outros sites, gostou mais desta produção do que a crítica.

Não encontrei informações sobre o custo de The Leisure Seeker, mas o filme tem o perfil de ser uma produção independente e relativamente “barata” – comparada aos blockbusters, ao menos. De bilheteria, segundo o site Box Office Mojo, o filme conseguiu um resultado pequeno, pouco menos de US$ 3 milhões nos Estados Unidos.

The Leisure Seeker é uma coprodução da Itália com a França.

CONCLUSÃO: O final da vida nunca é fácil. Pela própria natureza desse momento. Mas como cada um vai encarar a velhice e como cada um chegará até lá depende vários fatores mas, no final das contas, de uma mistura de casualidade com escolhas próprias. The Leisure Seeker é um belo filme que trata, ao mesmo tempo, de uma linda história de amor, de uma road trip e de uma leitura bastante carinhosa e amorosa sobre o processo do envelhecimento. O filme me surpreendeu. Tem muitos bons momentos e poucos “tropeços”. Além de contar com dois protagonistas geniais. Vale ser visto, sem dúvidas.

Avengers: Infinity War – Vingadores: Guerra Infinita

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Tudo o que os fãs dos super heróis esperam para um filme estrelado por eles encontramos em Avengers: Infinity War. Para começar, o que há de melhor em efeitos visuais e virtuais. As imagens mais incríveis criadas por artistas com a ajuda da tecnologia vemos em cena. Depois, temos alguns dos personagens mais amados das HQs reunidos e um super vilão – possivelmente o mais temido de todos os tempos – para ser combatido. Embalando tudo isso, um roteiro recheado de cenas de ação, de algumas piadas perspicazes e de certo drama pincelado aqui e ali.

A HISTÓRIA: Uma nave de refugiados está sendo atacada. Famílias de asgardianos estão sendo mortas, e um pedido de socorro percorre o Universo. Dentro da nave, Ebony Maw (Tom Vaughn-Lawlor), um dos mais fieis seguidores e aliados de Thanos (Josh Brolin), diz para as vítimas que elas devem se alegrar, porque elas serão sacrificadas em nome do equilíbrio do Universo. Thanos, por sua vez, diz que o destino sempre chega, e exige que Loki (Tom Hiddleston) lhe entregue o cubo de Tesseract para que Thor (Chris Hemsworth) não seja morto.

Thor diz que não adianta Thanos pedir por Tessaract porque ele foi destruído em Asgard. Mas Loki mostra o cubo e entrega uma das Joias do Infinito que Thanos tanto queria. Apesar de ceder, Loki diz que eles continuarão a ver a luz do dia, e afirma que eles tem o Hulk (Mark Ruffalo). Ele ataca Thanos, mas acaba sendo vencido. Antes de Hulk ser morto, contudo, Heimdall (Idris Elba), que está caído no chão, consegue enviar o gigante verde para a Terra. Agora, Thanos tem duas Joias do Infinito. Em breve, ele seguirá atrás das outras quatro, incluindo duas que estão na Terra.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Avengers: Infinity War): Eu prometo tentar não escrever um texto gigante sobre esse filme, beleza? 😉 Como já comentei antes em algum texto aqui no blog, eu sempre fui uma grande fã de HQs. Li bastante, especialmente na adolescência. Hoje, leio mais The Walking Dead, apenas – e, eventualmente, alguma outra HQ mais antiga.

Dito isso, claro que eu já tinha visto os principais heróis da Marvel em ação antes. Dos vários filmes da grife lançados no cinema, assisti a alguns – mas a maioria, acredito, eu perdi. Dito isso, quero dizer sim que eu me lembrei de todos os personagens principais desse filme – exceto Thanos e seus aliados, dos quais eu não tinha lembrança.

Acho importante para você que, como eu, talvez não tenha assistido a todos os filmes de heróis da Marvel dos últimos 10 ou 15 anos, dar uma olhada nessa matéria do jornal O Globo. Nela, são citados os sete filmes mais importantes que você deveria assistir antes de conferir Avengers: Infinity War. O quarto e o sétimo filme da lista me parecem os mais importantes – os demais são bacanas também, mas para quem conhece bem os personagens dos quadrinhos, talvez eles não sejam tãoooo fundamentais assim.

Dito isso, comento que sim é possível assistir a Avengers: Infinity War sem ter visto aos sete filmes listados pelo O Globo ou mesmo às outras produções da Marvel que envolvem Os Vingadores e que não estão na lista. O importante mesmo é você conhecer relativamente bem os personagens, as suas personalidades e a importância de cada um naquela constelação de heróis. Fui assistir ao filme em um cinema 3D logo na primeira sessão de sábado, e qual a minha surpresa em conseguir um dos últimos ingressos para a sessão.

O cinema estava praticamente lotado – exceto pelas fileiras bem na frente, que ninguém quer. Tive sorte em consegui entrar. E gostei muito do que eu vi. Para começar, Avengers: Infinity War tem aquela pegada de uma nave no espaço sendo atacada que faz os fãs de cinema e da cultura nerd lembrarem imediatamente de Star Wars. Logo essa impressão desaparece quando vemos ao vilão Thanos, a Loki e Thor, o que nos faz “cair” rapidamente no universo da Marvel.

O começo de Avengers: Infinity War é ótimo. Com bons diálogos e uma luta bacana entre Hulk e Thanos que serve como um “cartão de visitas” do que veremos depois. Essa qualidade inicial do filme também acaba sendo um problema depois. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Isso porque você acaba esperando um filme cheio de cenas de ação, de disputas e de muita adrenalina, mas temos várias partes da história com “cenas emotivas” entre dois ou mais personagens.

Sim, há cenas de ação que todo fã espera, mas talvez em menor número do que gostaríamos. No fim das contas, a narrativa mostra Thanos, que acredita que tem como “missão” exterminar metade da vida no Universo para que o equilíbrio seja reestabelecido, em busca das cinco Joias do Infinito que lhe faltam – ele começa a narrativa já com a Joia do Poder. Se Thanos conseguir o seu objetivo, ele se tornará onipotente e poderá, com um estralar de dedos, exterminar metade da vida nos planetas Universo afora.

Sobrevivem àquela cena inicial do filme os heróis Thor e Hulk. Cada um deles parte em uma direção para buscar aliados para tentar impedir Thanos. E aí que a narrativa se fragmenta, com um núcleo na Terra liderado por Hulk, Doutor Estranho (Benedict Cumberbatch), Tony Stark/Homem de Ferro (Robert Downey Jr.) e Peter Parker/Homem Aranha (Tom Holland) tentando proteger a Joia do Tempo que está com o Doutor Estranho, enquanto outro grupo, liderado por Thor e os Guardiões da Galáxia busca atacar Thanos em duas frentes.

Mesmo o grupo da Terra também acaba se dividindo. Depois de Doutor Estranho ser atacado por Ebony Maw e sequestrado por ele, o Homem de Ferro e o Homem Aranha conseguem embarcar na nave e seguir o vilão para tentar resgatar o Doutor Estranho, enquanto o Hulk, que ficou na Terra, entra em contato com Steve Rogers/Capitão América (Chris Evans).

Quando o Visão (Paul Bettany), que tem a Joia da Mente, passa a ser o novo alvo dos aliados de Thanos, o herói e a sua companheira Wanda Maximoff/Feiticeira Escalate (Elizabeth Olsen) acabam sendo socorridos por Steve Rogers, Sam Wilson/Falcão (Anthony Mackie) e Natasha Romanoff/Viúva Negra (Scarlett Johansson). Enfim, isso tudo vocês sabem, vendo o filme.

Mas fiz questão de contar toda essa fragmentação da narrativa para comentar como a história, que é linear e parece bastante “simples” no direcionamento da narrativa, acaba ganhando em velocidade e em fragmentação ao se dividir em algumas linhas de ação. Não temos apenas a Thanos perseguindo Joia por Joia. O tempo dos heróis fica mais curto porque enquanto Thanos persegue algumas Joias, os seus comparsas atacam outras frentes para conquistar as demais.

O objetivo dos heróis, por outro lado, é tentar preservar as Joias que estão no poder de dois membros desse grupo: Doutor Estranho e Visão. (SPOILER – não leia… bem, você já sabe). Enquanto isso, boa parte da turma dos Guardiões da Galáxia – com exceção de Groot (voz de Vin Diesel) e de Rocket (voz de Bradley Cooper), que acabam seguindo a direção de ajudar Thor a forjar um novo martelo para combater Thanos -, incluindo a “filha adotiva” do vilão, Gamora (Zoe Saldana), tentam impedir Thanos de conseguir as duas Joias que estão em outros lugares do Universo.

Como os fãs dos heróis da Marvel sempre esperam dos filmes que buscam honrar os personagens das HQs, Avengers: Infinity War tem ação, humor e suspense nas doses certas. Essa produção rende algumas boas risadas, em tiradas um tanto sarcásticas com as quais estamos acostumados. As cenas de ação são ótimas, mas talvez o filme poderia ter um pouco mais desse elemento.

A narrativa, que na maior parte do tempo se apresenta bem envolvente e ágil, tem algumas desaceleradas importantes – e, algumas vezes, elas me pareceram um tanto forçadas – para explorar o lado “sentimental” dos personagens. Sim, é bacana ver a tantos personagens importantes em cena. Também faz sentido que o roteiro de Christopher Markus e de Stephen McFeely explorasse as relações entre os personagens, mas algumas sequências entre eles me pareceram um tanto previsíveis e exageradas – especialmente as sequências entre Visão e Wanda Maximoff e entre Thanos, Gamora e Nebulosa (Karen Gillan).

Mas ok, nem sempre dá para um filme tão complexo como esse, com tantos personagens e tanta narrativa contada em diversos HQs e resumida em apenas uma produção, ser totalmente coerente ou equilibrado. O que importa, no fim das contas, é que Avengers: Infinity War atende a grande parte da expectativa dos fãs do gênero. Para começar, o filme é impecável nos efeitos especiais e visuais. Depois, para os fãs, é inegável o efeito de êxtase que uma produção com tantos astros e estrelas juntos, interpretando os seus personagens preferidos, desperta.

Também são importantes – e os pontos altos do filme – as cenas de batalha, luta e as de humor. Para arrematar tudo isso, ainda temos o final dessa produção. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Assim como um dos arcos narrativos do HQ conta, em uma das realidades possíveis – o Doutor Estranho viu pouco mais de 4 milhões de alternativas ao viajar “no tempo” -, Thanos consegue todas as Joias do Infinito e faz realmente a limpa que ele gostaria no Universo.

Não deixa de ser emocionante e até de nos arrepiar quando vemos, no final de Avengers: Infinity War, diversos heróis sumindo na nossa frente após o sucesso de Thanos. É de doer o coração ver a T’Challa/Pantera Negra (Chadwick Boseman), o Homem-Aranha, Doutor Estranho, Peter Quill/Senhor das Estrelas (Chris Pratt) e tantos outros partirem tão repentinamente. Quando o filme acaba, a plateia fica se perguntando se aquilo realmente aconteceu.

Bem, avaliando as HQs que tratam sobre esse assunto, sim, em um dos arcos narrativos Thanos conseguiu exatamente o que queria. E se metade da população do Universo foi exterminada com o estrelar de dedos dele, é de se presumir que metade – ou um pouco menos – dos heróis também passaria pelo mesmo, não é?

Ainda assim, segundo o próprio Doutor Estranho comentou ao viajar no tempo, havia uma possibilidade – entre mais de 4 milhões – dos heróis vencerem o vilão. Quem sabe essa possibilidade realmente não aconteceu em alguma realidade paralela e os heróis conseguem reverter o que sucedeu nas demais linhas narrativas?

Estou apenas fazendo uma especulação aqui. Mas mesmo que o final seja aquele mesmo, interessante ver a um filme da Marvel que não termina com os heróis se dando bem – afinal, nem sempre é isso que acontece. Uma outra possibilidade que vejo no desdobramento desse filme é que na próxima produção os Vingadores e os Guardiões da Galáxia que restaram realmente unam as forças (talvez até com a adição de outros heróis) e, ao derrotar Thanos, eles consigam “restabelecer” a vida com a Manopla do Universo e as suas Joias. Afinal, se um estralar de dedos mata metade da população do Universo, por que um novo estralar de dedos não poderia “reviver” as mesmas pessoas? A conferir, pois.

Pensando na cena que vemos após os créditos e que mostra Nick Fury (Samuel L. Jackson) também desaparecendo, mas, antes, enviando uma mensagem de Código Vermelho, podemos presumir que o alerta será respondido por alguém. Provavelmente pelos heróis que restaram – e que devem se reunir para enfrentar Thanos. Então muito mais virá pela frente ainda.

Finalizando essa crítica, comento que esse filme me agradou, mas que ele teve um impacto menor do que outra produção recente que assisti baseada em HQs: Black Panther (comentada por aqui). Se, por um lado, Avengers: Infinity War agradou pelos efeitos visuais e especiais e por fazer desfilar tantos astros e personagens legais na nossa frente, por outro lado essa quantidade de personagens torna a narrativa menos rica. Diferente de Black Panther, que teve muito mais espaço para desenvolver os personagens e suas relações.

Apesar disso, vale comentar como Avengers: Infinity War trata de um assunto que parece exagerado mas que já fez parte da nossa história no passado e que volta à tona agora, com o recrudescimento de posturas de direita extremista: o desejo de alguns de determinar quem deve viver ou morrer e de, movidos por essa ânsia, promover “limpas” e/ou genocídios de contingentes importantes em nome de um “equilíbrio” da sociedade.

Hitler, antes, defendia o extermínio de vários grupos que não eram da “raça superior”. Vários políticos, atualmente, querem fechar fronteiras para refugiados, tirar do próprio território pessoas que eles consideram “indignas” de estar no país e outros tipos de exclusão/extermínio por causa de raça ou credo.

Muitos, a exemplo de Thanos, defendem essas práticas em nome do “equilíbrio” e como solução para o crescimento da população e a diminuição dos recursos finitos da Terra. Assim, guardadas as devidas proporções de um filme de ficção e baseado em HQs, Avengers: Infinity War nos faz pensar sobre questões bastante reais e que fazem parte da nossa realidade – mesmo que não estejamos inseridos (ainda) em regimes de exceção. Mas vale o alerta – e a reflexão.

Dito isso, devo comentar que sim, Avengers: Infinity War e Black Panther são estilos de filmes bem diferentes, com propostas igualmente diferenciadas. Mas, inevitavelmente, sempre comparamos as nossas experiências com o cinema. Assim, sendo, gostei sim de Avengers: Infinity War, mas não tanto gostei de Black Panther. Dito isso, quero dizer que vale muito a pena assistir a Avengers: Infinity War em 3D e nos cinemas, é claro.

NOTA: 9,2.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Eu li a algumas histórias de Thanos. Mas não sou nenhuma especialista no super vilão e em suas peripécias envolvendo Os Vingadores e demais heróis das HQs – como o Surfista Prateado. Mas do que eu conheço e do que eu li, me parece que Avengers: Infinity War toma diversas “licenças poéticas”, digamos assim. Parece que o filme não é muuuuito fiel aos quadrinhos. E beleza os realizadores produzirem algo diferente, mas fico me perguntando se o filme ficou melhor que o original. Se tiver algum especialista por aqui que puder comentar, agradeço.

Falando em Thanos e as suas peripécias, se você, como eu, não é um(a) especialista no assunto, sugiro dar uma conferida em dois sites que ajudam a nos situar sobre esse personagem e as suas narrativas na Marvel. A primeira leitura que eu recomendo é essa, do site Universo HQ, que dá uma bela resumida no personagem e em suas aparições em gibis da Marvel. Depois, sugiro a leitura desse texto do site Aficionados que traz um bom resumo sobre as Joias do Infinito, incluindo a função de cada um delas e os seus atuais e antigos detentores. Leituras bastante recomendadas e que ajudam a rememorar e/ou conhecer alguns fatos envolvendo Thanos e as Joias.

Enquanto eu via o vilão Thanos na minha frente, era impossível para mim não lembrar de personagens da mitologia grega como Thánatos e Hades. Quem já ouviu falar deles – quem sabe em uma música da Legião Urbana – sabe que eles estão ligados à morte e à destruição. Ou seja, faz muito sentido o nome de Thanos, que acredita que tem como “missão” matar para colocar equilíbrio no Universo. Quem quer saber um pouco mais sobre Thánatos e Hades, pode encontrar uma boa introdução nesse texto da Wikipédia.

O roteiro de Christopher Markus e Stephen McFeely é inspirado em uma série de personagens criados por alguns dos grandes gênios da história das HQs. Vale citar toda a inspiração dos roteiristas: eles se inspiraram nos quadrinhos de Stan Lee e Jack Kirby; no personagem do Capitão América criado por Joe Simon e Jack Kirby; no Senhor das Estrelas (Star-Lord) criado por Steve Englehart e Steve Gan; no Rocket Raccoon criado por Bill Mantlo e por Keith Giffen; no Thanos, Gamora e Drax criados por Jim Starlin; no Groot criado por Stan Lee, Larry Lieber e Jack Kirby; e na Mantis criada por Steve Englehart e Don Heck.

Como comentei antes, um dos destaques de Avengers: Infinity War é o elenco estelar da produção. Entre os vários nomes em cena, destaco as atuações de Chris Hemsworth, de Mark Ruffalo, de Benedict Cumberbatch, de Zoe Saldana, de Josh Brolin e de Chris Pratt. Aparecem bastante na produção, mas achei que com um nível de interpretação um pouco menor, os atores Robert Downey Jr., Chris Evans, Scarlett Johansson e Tom Holland. Eles estão bem, mas acho que se destacam menos que os anteriores.

Além deles, vale citar o bom trabalho de Scarlett Johansson, Don Cheadle, Chadwick Boseman, Karen Gillan, Paul Bettany, Elizabeth Olsen, Vin Diesel, Bradley Cooper, Benedict Wong e Letitia Wright. Eles aparecem um pouco menos que os atores citados anteriormente, mas fazem um bom trabalho. Estão bem no filme, mas em papéis ainda menos – quase de pontas – os atores Tom Hiddleston, Anthony Mackie, Sebastian Stan, Idris Elba, Danai Gurira, Peter Dinklage, Pom Klementieff, Dave Bautista, Gwyneth Paltrow, Benicio Del Toro, Winston Duke e Florence Kasumba.

Os diretores Anthony Russo e Joe Russo fazem um belo trabalho com Avengers: Infinity War, especialmente nas cenas de ação. Pena que o roteiro não acompanhou tão bem o talento dos diretores.

Avengers: Infinity War teve a sua première em Los Angeles no dia 23 de abril de 2018. No dia 25, dois dias depois da première, o filme estreou nos cinemas de 25 países. No dia 26, estreou em outros 28 países, incluindo o Brasil. Assisti ao filme ontem, dia 28 de abril, em uma sessão praticamente lotada.

O filme deve consagrar-se com uma das grandes bilheterias de todos os tempos. Segundo o site Box Office Mojo, Avengers: Infinity War faturou, até o dia 29 de abril, US$ 250 milhões nos Estados Unidos e outros US$ 380 milhões nos outros países em que o filme estreou até essa data. Ou seja, em poucos dias, ele faturou US$ 630 milhões. Se seguir nessa pegada, logo ele será um filme com faturamento bilionário. Impressionante. Quem mesmo disse que as pessoas não vão mais nos cinemas? Para determinados filmes, não faltará público e lucro.

Agora, algumas curiosidades sobre essa produção. As filmagens de Avengers: Infinity War começou em janeiro de 2017 e terminou em janeiro de 2018. Essa produção foi rodada simultaneamente ao novo filme Avengers, que dá continuidade a Infinity War mas que ainda não tem o título definido e que deverá estrear nos cinemas em 2019.

De acordo com o presidente da Marvel Studios, Kevin Feige, a formação dos Vingadores vai mudar substancialmente entre esse filme lançado em 2018 e o próximo que será estrelado pelo grupo de heróis. Dá para entender o porquê disso assistindo a Avengers: Infinity War. 😉 Ainda segundo Feige, Avengers: Infinity War é o ponto alto de toda a saga dos super heróis da Marvel porque esta produção seria o “resultante” de todos os filmes anteriores.

Nesse filme, os atores Robert Downey Jr. e Chris Evans completam nove produções em que eles interpretam os personagens Homem de Ferro e Capitão América, respectivamente. Assim, eles empatam com Hugh Jackman, que também interpretou em nove filmes o personagem Wolverine. Mas tanto Downey Jr. quanto Evans demoraram muito menos tempo que Jackman para chegar a esse marco de nove produções interpretando o mesmo herói de HQ. Enquanto Jackman demorou 16 anos para somar esses nove filmes, Evans demorou sete anos e Downey Jr. demorou 10 anos.

Avengers: Infinity War é o primeiro filme – sem ser um documentário – totalmente filmado com câmeras IMAX.

O primeiro trailer de Avengers: Infinity War registrou 200 milhões de visualizações em 24 horas, o que estabeleceu um novo recorde para visualizações de um trailer em um único dia.

Quando eu estava no cinema, eu achei o filme um tanto longo… mas só agora eu me dei conta que Avengers: Infinity War tem 156 minutos de duração, ou seja, 2 horas e 36 minutos! Uau! No cinema, ele parece longo, mas não dá para perceber que ele tem mais de duas horas e meia. Por ter toda essa duração, Avengers: Infinity War é o filme baseado em HQs mais longo da história do cinema.

De acordo com os produtores do filme, Avengers: Infinity War está inspirado em três marcos narrativos das HQs da Marvel: The Infinity Gauntlet, The Thanos Imperative e Infinity. O enredo Civil War das HQs da Marvel, contudo, não tem nada a ver com a narrativa do filme. Que bom que esclareceram isso, porque realmente me pareceu estranho as HQs e o filme terem o mesmo nome mas não terem nada a ver uns com os outros.

Os usuários do site IMDb deram a nota 9,1 para esta produção, enquanto que os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 226 críticas positivas e 42 negativas para o filme, o que lhe garante um nível de aprovação de 84% e uma nota média de 7,5. Especialmente o público está amando essa produção – mais do que os críticos. Reação mais que compreensível dos super fãs do Universo Marvel. No site Metacritic, Avengers: Infinity War apresenta um metascore de 68. Esse indicador resume 38 críticas positivas, 13 medianas e uma negativa.

Avengers: Infinity War é uma produção 100% dos Estados Unidos. Assim, esse filme atende a uma votação feita há bastante tempo aqui no blog.

CONCLUSÃO: Todos esperavam pela estreia de Avengers: Infinity War. Os fãs de HQ “raiz”, os fãs dos filmes que estão arrasando as bilheterias a cada nova estreia e mesmo aqueles que não são tão fãs assim desse gênero. Afinal, tanto se falou dessa produção… Como filmes do gênero competentes foram lançados recentemente, ficou difícil para esse filme superar toda essa expectativa. Então sim, Avengers: Infinity War é uma bela experiência de cinema. Um show de efeitos especiais e um belo desfile de astros e estrelas. O filme também agrada por não acabar de maneira óbvia, mas está longe de ser uma produção inesquecível. Vale pelo entretenimento e pelo visual. Mas isso é tudo.