Free Solo

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Um feito incrível para um indivíduo e uma filmagem delicada e extremamente técnica. Free Solo tem esses predicados. É um excelente documentário? Para o meu gosto, não. Afinal, o que realmente interessa nesse filme, a parte mais interessante, está no final. Sim, a vida de Alex Honnold é interessante. Ele busca a perfeição em cada nova subida no “free style”, sem cordas ou qualquer segurança que não aquela propiciada por seu treino intenso e constante. O melhor do documentário é o registro de seu maior feito até então, a escalada do El Captain, no parque Yosemite. Um filme muito bem feito, tecnicamente, mas que carece de uma história mais rica e/ou de uma abordagem mais completa do retratado.

A HISTÓRIA: Começa com uma cena incrível. Subindo à uma altura impressionante, Alex Honnold utiliza apenas as mãos, os braços e os pés como recursos para manter-se preso à rocha em uma altura que arrepiaria a coluna da maioria dos mortais. Pouco a pouco, pacientemente, ele coloca as mãos e os pés nos locais certos e estratégicos e segue subindo. Na sequência, o trecho de um programa de TV anuncia o personagem retratado por esse filme. A apresentadora introduz Alex Honnold dizendo que ele é “um fenômeno em escalada livre”. Ela logo comenta: “Isso que eu não entendo. Um pequeno erro, um pequeno deslize e você cai para a morte”. Honnold apenas responde: “Sim, sim, você parece entender bem”. Essa é a história de Honnold e de sua aparentemente impossível missão de subir sem equipamentos o pico El Captain, que tem 914,4 metros de altura e que fica no parque Yosemite.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Free Solo): Sem dúvida alguma este é um dos documentários mais bonitos que eu já vi. As cenas captadas pelos diretores Jimmy Chin e Elizabeth Chai Vasarhelyi são realmente incríveis, maravilhosas, de encher os olhos. Para mim, esse é o maior mérito de Free Solo. As cenas captadas pelos diretores e pelos diretores de fotografia – somam-se ao trabalho de Chin, nesse quesito, os diretores de fotografia Clair Popkin e Mikey Schaefer.

Mais do que um documentário sobre um estilo de escalada e sobre um ícone desse método, Free Solo é um documentário sobre um grande feito. Alex Honnold já tinha subido picos com 2.000 feets de altura – correspondente a 609,6 metros. Pensar que ele faz isso apenas colocando as mãos e os pés em locais-chave já é algo incrível. Mas ele tinha um grande sonho, de escalar o dificílimo El Captain, um pico com 3.000 feets de altura – 914,4 metros – e com um grau de dificuldade altíssimo.

Desde 2009, ele comenta no documentário, ele pensa em escalar o El Captain. A cada ano, ele pensa que aquele será o ano. Mas ele precisa se preparar bem para isso e, como descobrimos em Free Solo, também sentir que o dia certo chegou. O documentário, portanto, é sobre este “namoro” de Honnold com este marco na sua carreira. Vemos em detalhes os seus preparativos para isso e as pessoas que o cercam.

O quanto Free Solo se aprofunda na personalidade e no retrato da trajetória e da vida de Honnold? Para o meu gosto, menos que o desejado. Ainda que tenhamos entrevistas com a namorada dele, Sanni McCandless, com um de seus grandes parceiros de escalada livre, Tommy Caldwell, que ajuda Honnold nos preparativos para El Captain, e com a mãe do retratado, no fundo não sabemos tanto sobre os gostos, as manias, a personalidade e a trajetória de Honnold. Muitos poderiam considerá-lo louco, por optar por um estilo de escalada extremamente mortal. Em algumas ocasiões ele explica a razão de fazer o que faz.

Para Honnold, aquele tipo de escalada, mais arriscada, cobra dele a perfeição. Ele deve ser exato, preciso, apresentar concentração e foco total naquele momento de subida. Isso traz satisfação para Honnold, assim como a sensação de estar realmente vivo naqueles momentos em que enfrenta o risco de subir em alturas impressionantes sem qualquer proteção de equipamentos de escalada.

Os diretores Jimmy Chin e Elizabeth Chai Vasarhelyi tentam se aprofundar um pouco na vida e na personalidade de Honnold mas, para isso, basicamente, eles entrevistam o retratado. Evidentemente que sempre teremos um retrato limitado quando ouvimos a própria pessoa sobre a qual estamos tentando descobrir “algo mais”. Então sim, senti falta de um pouco mais de profundidade sobre a vida e a personalidade de Honnold. Mas se encararmos Free Solo como uma produção sobre um grande feito, esse documentário cumpre bem o seu papel.

O problema do filme, contudo, é justamente o seu foco e objetivo. A melhor parte de Free Solo começa quando Honnold realmente resolve voltar para El Captain e encarar o desafio para valer – um ano antes ele tinha pensado em fazer o mesmo, mas acabou desistindo, inseguro com a escalada e incomodado (aparentemente) com a presença das câmeras. Quando ele realmente vai subir o pico em Yosemite, o documentário entra em sua melhor parte. Realmente é impressionante assistir o feito dele, com todo o seu risco e perigo, beleza e perfeição. Aquelas sequências valem todo o tempo dedicado para assistir ao documentário.

Comento que isso também é o ponto débil da produção porque fora os momentos de preparação para a escalada, as tentativas dos diretores de adentrarem mais na vida e na personalidade de Honnold não surtem o efeito desejado. Assim, depois de um começo interessante, temos a um grande “meio” da produção um tanto desinteressante até que chegamos ao ponto alto do filme. Acho que o documentário poderia ser um pouco mais curto, retirando alguns trechos que não são realmente relevantes para a história, ou poderia até ter a duração que tem, ou um pouco mais, se os diretores conseguissem explicar um pouco mais do fenômeno Honnold.

De qualquer maneira, pelas cenas incríveis que apresenta e pela perfeição técnica das filmagens, especialmente nos momentos de escalada, Chin e Vasarhelyi estão de parabéns – assim como Popkin e Schaefer. Um “plus” interessante da produção é quando os realizadores e o próprio Honnold questionam o trabalho de filmar esses feitos. Até que ponto as câmeras podem atrapalhar uma escalada que pode terminar com um acidente fatal? Até que ponto vale a pena arriscar-se para ter o seu feito documentado? Esses são questionamentos que valem para muitos documentaristas mas, especialmente, para pessoas envolvidas em projetos tão ousados quanto os de Honnold. Acho esse questionamento bastante pertinente e é um ponto extra do filme interessante.

Mesmo Free Solo carecendo de um desenvolvimento melhor, algo é preciso ser dito: é admirável o trabalho e a postura de Alex Honnold. Um dos maiores atletas de todos os tempos em um esporte que tem muitos nomes memoráveis e que já fizeram história, chama a atenção a simplicidade dele.

Mesmo depois de fazer um dos grandes – ou o maior – feitos da sua carreira, Honnold não perdeu o foco de continuar o seu preparo físico, que é constante. O exemplo dele realmente pode inspirar qualquer pessoa a focar-se em fazer o melhor na sua área, mantendo o foco, a concentração e o trabalho árduo para exprimir o melhor de si. Honnold, em si, é um belo exemplo em vários sentidos. A história dele nos lembra, como diversas outras de homens que buscaram a excelência, como o ser humano é capaz dos maiores feitos sempre que consegue se superar e deixar para trás todas as suas limitações.

NOTA: 8.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Quem acompanha o blog há algum tempo sabe que, para mim, o melhor documentário do ano foi injustiçado no prêmio da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. Won’t You Be My Neighbor? (com crítica neste link) nem chegou a ficar entre os cinco finalistas ao Oscar de Melhor Documentário neste ano. Para o meu gosto, o filme sobre Fred Rogers é muito mais rico, interessante e aprofundado do que o documentário que acabou levando a estatueta para casa. Mas, como vocês também devem saber, o Oscar tem dessas injustiças. Dificilmente existe algum ano da premiação em que o melhor filme ou intérprete não acaba perdendo a estatueta para alguém não tão bom. A injustiça do ano, me parece, foi em Documentário mesmo.

Alguém pode dizer – e talvez você esteja pesando isso: “Ah, Alessandra, mas como você é chata! Olha o feito incrível que o Alex Honnold fez e que Chin e Vasarhelyi nos apresentaram. Algo exuberante, incrível, maravilhoso!”. De fato, o que Honnold faz é inacreditável e fantástico, mas eu não consigo olhar para Free Solo apenas pela ótica do registro da conquista de Honnold. Olho para este filme como o que ele é, um filme, um documentário. Analisando sob esta perspectiva, de obra de cinema, Free Solo deixa a desejar justamente no desenvolvimento, na construção e no aprofundamento da história. Mas tecnicamente falando, como eu disse antes, ele é perfeito.

Entre os aspectos técnicos do filme, sem dúvida alguma o grande destaque de Free Solo é a direção de fotografia do trio Jimmy Chin, Clair Popkin e Mikey Schaefer. Eles fazem um trabalho realmente excepcional na captura das cenas envolvendo os treinos e escaladas de Alex Honnold. A direção de Chin e de Elizabeth Chai Vasarhelyi também é boa, mas acho que faltou um pouco mais de profundidade no trabalho deles de pesquisa.

Free Solo é apenas o segundo trabalho de Jimmy Chin como diretor. Antes, ele tinha dirigido a Meru, documentário de 2015 que mostra a jornada de três atletas que tem a obsessão de escalar o Monte Meru, no Himalaia. Ele fez o filme ao lado de Elizabeth Chai Vasarhelyi. Ela sim, com uma experiência maior na direção. Elizabeth estreou na direção em 2003 dirigindo o documentário A Normal Life. Além de Free Solo e Meru, ela dirigiu ainda Youssou Ndour: I Bring What I Love, Touba, Incorruptible e episódios das séries de documentário feitas para a TV Abstract: The Art of Design e Enhanced. Uma diretora a ser acompanhada.

Dá para destacar, deste filme, ainda, a trilha sonora de Marco Beltrami; a edição de Bob Eisenhardt; e o trabalho dos profissionais que integraram o Departamento de Câmera e Elétrica, formado por Chris Alstrin, Andrew Berends, Samuel Crossley, Greg Harriott, Jim Hurst, Matthew Irving, Keith Ladzinski, Cheyne Lempe e John Trapman.

Free Solo estreou em agosto de 2018 no Festival de Cinema de Telluride. Até março de 2019, o filme participou, ainda, de outros 11 festivais de cinema em diversos países. Nessa trajetória ele ganhou 19 prêmios, incluindo o Oscar de Melhor Documentário, e foi indicado a outros 44 prêmios. Além de ganhar o Oscar, Free Solo levou para casa o BAFTA e 9 prêmios de Melhor Documentário (muitos deles conferidos pelo público dos festivais e não pelos críticos).

Vale comentar uma curiosidade sobre o trabalho de Alex Honnold. Ao escalar El Cap, ele conseguiu a “tripla coroa” do Parque Yosemite. Antes ele já tinha subido Half Dome e o Monte Watkins.

Os usuários do site IMDb deram a nota 8,4 para Free Solo, enquanto que os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 125 críticas positivas e duas negativas para a produção – o que lhe garante uma aprovação de 98% e uma nota 8,22. O site Metacritic apresenta um “metascore” 83 para esse documentário, fruto de 24 críticas positivas e de 1 crítica mediana, além de conferir para ele o selo “Metacritic Must-see”.

Além de ser um sucesso de crítica, Free Solo é um sucesso nas bilheterias – especialmente para um documentário. De acordo com o site Box Office Mojo, o filme fez pouco mais de US$ 16,9 milhões nos cinemas americanos. Um resultado expressivo para um filme do gênero, o que mostra a popularidade de Honnold.

Free Solo é um documentário com produção 100% dos Estados Unidos. Por causa disso, o filme passa a fazer parte da lista de produções que atendem a uma votação feita há tempos aqui no blog.

CONCLUSÃO: Um filme bem produzido, filmado com esmero e que mostra, de quebra, alguns dilemas de quem faz um documentário no estilo de Free Solo. Ninguém quer colocar em risco o “retratado” ao mesmo tempo em que todos querem seguir fazendo o que amam. Qual é a equação para que tudo dê certo? Exatamente o que vemos na tela. Treinos infindáveis de Alex Honnold e a confiança dele, em um certo dia, de que tudo daria certo. Free Solo tem imagens incríveis e um feito realmente extraordinário como foco central da história. Pena que o retrato de Honnold tenha sido prejudicado pela proximidade dos realizadores do personagem. O filme poderia ser mais completo sobre o free style ou sobre Honnold. Deixa um tanto a desejar na sua profundidade. Por outro lado, é um exemplo de técnica. Vale ser visto, mas não considero o melhor documentário desta temporada.

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If Beale Street Could Talk – Se A Rua Beale Falasse

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Um dos filmes mais contundentes sobre a discriminação racial e a falta de igualdade de direitos nos Estados Unidos. If Beale Street Could Talk é uma história simples, mas muito bem escrita e com propósitos claros. Além de mostrar, sem meandros, como os negros nos Estados Unidos foram e continuam sendo tratados como seres inferiores, essa produção também foca em uma história de amor poderosa. Sem dúvida alguma, If Beale Street Could Talk tem muitas qualidades. Apesar disso, acho que ele poderia ser um pouco mais curto. Facilmente poderíamos tirar meia hora da produção sem que ela ficasse pior.

A HISTÓRIA: Começa com uma apresentação de James Baldwin sobre a Rua Beale: “A Rua Beale é uma rua em New Orleans onde o meu pai, Louis Armstrong e o jazz nasceram. Cada pessoa negra que nasceu na América nasceu na Rua Beale, nasceu no bairro negro de alguma cidade americana, seja em Jackson, Mississippi, ou no Harlem, New York. A Rua Beale é o nosso legado. Esse romance trata da impossibilidade e da possibilidade, a necessidade absoluta de dar expressão a esse legado. A Rua Beale é barulhenta. Deixo ao leitor a tarefa de discernir o sentido da batida”.

Na primeira sequência, o casal Tish (KiKi Layne) e Fonny (Stephan James) descem uma escada. Eles caminham de mãos dadas por um lugar tranquilo. Quando chegam próximos da avenida, eles se olham. Tish pergunta se ele está pronto. Fonny diz que ele nunca esteve tão pronto em sua vida. Eles se beijam. Na próxima cena eles se olham através de um vidro, porque Fonny está preso.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a If Beale Street Could Talk): Esse é o típico exemplo de uma produção que começa muito, muito bem e que depois acaba diminuindo a sua força com o passar do tempo. O melhor de If Beale Street Could Talk é o seu começo, quando temos uma presença maior do texto de James Baldwin através da narrativa de Tish Rivers. Do meio para o final, o filme acaba ficando um tanto repetitivo com a evolução lenta do caso de Alonzo “Fonny” Hunt.

Isso não tira o mérito da produção, que tem outras qualidades. Além do texto de James Baldwin, presente em seu romance adaptado pelo roteirista e diretor Barry Jenkins, o filme tem como ponto alto o trabalho dos atores envolvidos no projeto. Todos estão muito bem, mas destaco o trabalho de duas atrizes: KiKi Layne como a protagonista e Regina King como Sharon Rivers, a mãe de Tish. Elas roubam a cena cada vez que aparecem, é algo impressionante.

A história começa muito bem, com a problemática do casal Tish e Fonny sendo apresentada de forma franca e direta. Fonny acaba de ser preso, e Tish apresenta a ele, à sua família e a nós, espectadores, a sua gravidez. Isso logo nos primeiros minutos da produção. A expectativa e o drama estão armados porque nós – e nem os personagens –  sabemos ainda por quanto tempo Fonny ficará preso. Todos desejam que ele saia logo da prisão. Afinal, ele foi injustamente acusado de estupro. Mas, como Tish nos fala logo no início de If Beale Street Could Talk, essa história se passa nos Estados Unidos, um país que se acostumou a tratar os negros de forma diferente e desigual.

Então a problemática está toda armada. De forma inteligente, Jenkins equilibra a narrativa no “tempo atual” com o retorno no tempo através de flashbacks para conhecermos melhor a história do relacionamento de Tish e Fonny. Um dos pontos altos do filme é quando a família de Tish convida a família de Fonny para contar-lhes a novidade da gravidez de Tish. Nesse momento, temos um exemplo contundente como o fanatismo envolvendo a “fé” pode provocar mais danos do que trazer soluções.

A reação da mãe de Fonny, a Sra. Hunt (Aunjanue Ellis), ao saber que Tish está grávida do filho, é estarrecedora. Mas tão típica de quem se acha superior aos demais e usa a “fé” como desculpa para a sua própria crueldade e maldade. Eu poderia escrever um tratado sobre isso, mas não vou. De qualquer forma, vale comentar que este é um dos pontos altos do filme, porque nos faz refletir sobre como as pessoas se dividem e rivalizam em momentos em que elas deveriam estar buscando a união e a empatia.

Até esse momento, o filme vai muito bem. Mas depois que a família de Fonny sai do apartamento, seguimos naquela mesma levada de tempo presente e flashbacks que acabam sendo um tanto repetitivos. Acho que o filme poderia ter uma duração ligeiramente menor e que alguns trechos poderiam ser um pouco condensados. Dou como exemplo toda a narrativa envolvendo Fonny e o seu amigo Daniel Carty (Brian Tyree Henry). Certo que é interessante termos a narrativa de Daniel sobre os terrores da prisão e como ele também foi preso injustamente. Mas os encontros e as interações entre os amigos poderiam ter sido resumidos sem prejuízo para a história.

O mesmo eu vejo em relação ao romance de Tish e Fonny. Algumas sequências poderiam ter sido suprimidas sem maiores problemas. Também acho que a viagem de Sharon Rivers atrás da pessoa que acusou Fonny, Victoria Rogers (Emily Rios) poderia ter aparecido antes na história. Em resumo, If Beale Street Could Talk poderia ter entre 20 e 30 minutos a menos de duração. Isso faria bem para a produção.

Mas, no geral, o filme é muito bem narrado, apresenta uma história envolvente e interessante que perde um pouco de força no meio da narrativa mas que tem alguns grandes momentos. O destaque vai para o texto de Baldwin, geralmente bem trabalhado por Jenkins, e para o trabalho dos atores, que estão muito bem em seus papéis. Todos, sem exceção. É um filme necessário, especialmente pela franqueza com que ele trata o tema da injustiça contra os negros nos Estados Unidos. Algo histórico e que continua acontecendo. Infelizmente.

Além da questão racial, que é algo fundamental nesta produção, algo que gostei em If Beale Street Could Talk é como, no fundo, esta é uma história de amor. Tish simboliza toda a abnegação e determinação de uma mulher que ama. Lembrando trechos da Bíblia, podemos dizer que esta produção resgata todo aquele conceito de que o amor é paciente, de que ele suporta tudo e espera tudo. Como falo na conclusão, inclusive. 😉

Sim, esse filme nos mostra a essência do amor. Não aquele construído sobre falsos preceitos, mas aquele verdadeiro, de uma pessoa que conhece a outra em sua profundidade. Nesses parâmetros, a espera é difícil, mas é suportável. Porque Tish e Fonny, apesar do vidro e das grades, nunca se separaram. Estando juntos, mesmo que não o tempo todo, eles conseguiram suportar a injustiça e o desprezo. Apenas o amor é capaz disso. Nesse sentido, este é um belo filme. Porque nos conta uma história necessária, bela e também inspiradora.

NOTA: 8,8.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: O filme não deixa claro quando essa história se passa. Mas procurando saber um pouco mais sobre a produção, descobri que a história de If Beale Street Could Talk se passa nos anos 1960. Infelizmente, naquela época, sem a tecnologia que temos hoje de câmeras espalhadas pelas ruas, em lojas e equipamentos de monitoramento, realmente a palavra de um policial que queria ferrar um negro podia valer mais que os fatos. Alguns reclamam do estilo “big brother” em que vivemos atualmente, mas é melhor assim do que antes, quando a perseguição contra uma pessoa podia ser viabilizada porque o ônus da prova é de quem é acusado.

Certo que Fonny estava apenas com a namorada e um amigo ex-presidiário na hora em que o crime de Victoria foi praticado. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Mas nem Tish, a família deles ou o advogado Hayward (Finn Wittrock) poderiam ter conseguido alguma outra testemunha que tivesse visto Fonny entrando em casa e não saindo de lá ou alguém no local em que os fatos aconteceram com Victoria para dizer que um negro não saiu correndo em direção à Rua Beale depois do crime? Eles também poderia ter conseguido testemunhas para expor o preconceito do policial, não? Acho que alguns pontos faltaram ser explorados por essa história.

A grande surpresa desse filme, para mim, nem foi o ótimo trabalho de Regina King como Sharon Rivers, mãe de Tish. Depois dela ganhar todos os prêmios da temporada, inclusive o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante, eu já esperava que ela tivesse grandes momentos em If Beale Street Could Talk. Mas quem me surpreendeu pelo excelente trabalho foi KiKi Layne como Tish. Não lembro de ter visto a atriz em outro trabalho, então ela foi uma revelação para mim. Pela característica do filme, como ela é a narradora e também pelo fato do personagem de Stephan James estar preso, é KiKi Layne que aparece na maior parte das cenas. E ela dá um show. Faz uma parceria ótima com James.

Pelo que eu vi, KiKi Layne tem uma trajetória realmente recente. Ela estreou em 2015 no curta Veracity. Depois, ela fez um trabalho na série Chicago Med e estrelou um filme televisivo chamado Untitled Lena Waithe Project antes de estrelar If Beale Street Could Talk. Ou seja, ela praticamente estreia nessa produção. Logo, a veremos em vários outros filmes, começando por Native Son e Captive State, duas produções de 2019 já finalizadas. Acho que vale ficar de olho nela.

Além de KiKi Layne e de Regina King, que se destacam nas suas interpretações, vale comentar o belo trabalho de Stephan James como Fonny; de Colman Domingo como Joseph Rivers, pai de Tish; de Teyonah Parris quase em uma ponta como Ernestine, irmã mais velha de Tish; de Michael Beach também em quase uma ponta como Frank Hunt, pai de Fonny; de Aunjanue Ellis em uma interpretação potente de apenas uma sequência como a mãe de Fonny; de Ebony Obsidian e Dominique Thorne como Adrianne e Sheila, respectivamente, irmãs de Fonny; de Diego Luna também em uma ponta como Pedrocito, amigo de Fonny; de Finn Wittrock como Hayward, advogado contratado para defender Fonny; de Ed Skrein como o policial Bell, que resolve se vingar de Fonny acusando-o de um crime que ele não cometeu; de Emily Rios como Victoria Rogers, a mulher que acusa Fonny; de Dave Franco como Levy, o primeiro sujeito que trata Tish e Fonny como pessoas normais; de Brian Tyree Henry como Daniel Carty, amigo de Fonny e que está com ele quando o crime de Victoria acontece; e de Kaden Byrd como Alonzo Jr, filho do casal. Todos estão bem em seus papéis, sejam eles pequenos ou um pouco maiores do que algumas cenas.

Entre os aspectos técnicos do filme, vale destacar a ótima direção de fotografia de James Laxton e a trilha de sonora com uma pegada forte de jazz e muito presente durante a produção de Nicholas Britell. Também vale comentar a edição competente de Joi McMillon e Nat Sanders; o design de produção de Mark Friedberg; a direção de arte de Robert Pyzocha, Oliver Rivas Madera e Jessica Shorten; a decoração de set de Devynne Lauchner e Kris Moran e os figurinos de Caroline Eselin.

If Beale Street Could Talk estreou em setembro de 2018 no Festival Internacional de Cinema de Toronto. Depois, o filme participou, até março de 2019, de outros 13 festivais de cinema em diversos países. Na sua trajetória, o filme dirigido por Barry Jenkins ganhou 87 prêmios – incluindo o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante para Regina King – e foi indicado a outros 151 prêmios. Números impressionantes, realmente.

Além de ganhar o Oscar como Melhor Atriz Coadjuvante, Regina King ganhou o Globo de Ouro na mesma categoria, assim como 39 outros prêmios de Melhor Atriz Coadjuvante – impressionante! Destaque também para 8 prêmios de Melhor Filme, 3 prêmios de Melhor Diretor para Barry Jenkins, 13 prêmios de Melhor Trilha Sonora, 9 prêmios de Melhor Roteiro Adaptado e 2 de Melhor Atriz ou Melhor Performance para KiKi Layne. O filme foi indicado, no Oscar, ainda, para os prêmios de Melhor Trilha Sonora e Melhor Roteiro Adaptado.

Cliques de fotógrafos como Gordon Parks, Jack Garofalo e Paul Fusco foram fundamentais para que o diretor e o diretor de fotografia conseguissem restaurar o clima do final dos anos 1960 e do início dos anos 1970 de Nova York. As fotografias das prisões da cidade feitas por Bruce Davidson também foram usadas como referência. Para acertar na luz, Jenkins e o diretor de fotografia James Laxton analisaram o trabalho de Roy DeCarava. “Queríamos traduzir a linguagem de Baldwin e a energia limpa do Harlem também no visual e na fotografia”, comentaram os realizadores.

O primeiro trailer de If Beale Street Could Talk foi lançado no dia 2 de agosto de 2018, no aniversário de 94 anos do escritor James Baldwin.

If Beale Street Could Talk é dedicado para James Baldwin, que é o escritor preferido do diretor e roteirista Barry Jenkins. Publicado em 1974, o filme tinha rendido, antes, uma adaptação feita por Robert Guédiguian e lançada em 1998.

Os usuários do site IMDb deram a nota 7,5 para If Beale Street Could Talk, enquanto que os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 289 críticas positivas e 17 negativas para o filme – o que lhe garante uma aprovação de 94% e uma nota média de 8,62. O site Metacritic apresenta um “metascore” 87 para o filme, fruto de 52 críticas positivas e de 1 mediana – o site ainda apresenta o selo “Metacritic Must-see” para If Beale Street Could Talk.

De acordo com o site Box Office Mojo, If Beale Street Could Talk faturou US$ 14,6 milhões nas bilheterias dos Estados Unidos. Não é um super resultado, mas também não está mal.

If Beale Street Could Talk é uma produção 100% dos Estados Unidos, por isso esse filme passa a figurar na lista de produções que atendem à uma votação feita há algum tempo aqui no blog.

CONCLUSÃO: O filme começa muito bem e tem trechos realmente preciosos. Ao mesmo tempo, If Beale Street Could Talk acaba sendo um tanto lento e longo demais. Apesar disso, achei a história bonita, muito bem conduzida e com ótimas atuações. Os maiores acertos do filme envolvem o seu discurso, bastante sincero sobre o preconceito racial que atinge negros de forma cruel e desumana nos Estados Unidos – e em outras partes, certamente. Está na hora de falarmos sobre isso com franqueza e de pararmos de fugir do assunto. Além disso, If Beale Street Could Talk nos mostra, de forma muito franca e honesta, como o amor tudo suporta, tudo espera. Ele é forte, ele resiste, ele perdura. Quando é verdadeiro. Um belo filme, com mensagens importantes e muito bem apresentadas.

Can You Ever Forgive Me? – Poderia Me Perdoar?

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As oportunidades, infelizmente, não são para todos. Gostaríamos que fossem, mas não o são. Can You Ever Forgive Me? nos apresenta uma história cheia de verdade, de pontos críticos, de angústia e de alguma suavidade e beleza espalhado aqui e ali. Por isso mesmo, esse filme é tão próximo, tão “gente como a gente”. Enquanto muitos te dizem não, as tuas contas não param de aumentar. A saída para esse cenário caótico pode ser variada. Nesse filme, temos o talento sendo usado para algo ilegal. Um belo trabalho de Marielle Heller, na direção, e de Nicole Holofcener e Jeff Whitty no roteiro, assim como dos protagonistas Melissa McCarthy e Richard E. Grant.

A HISTÓRIA: Inicia em 1991, em um dia qualquer daquele ano, às 3h30. Lee Israel (Melissa McCarthy) está trabalhando, revisando um documento, acompanhada de uma bebida, quando duas mocinhas passam perto dela e uma delas (Lucy DeVito) comenta que Lee é mais velha que a sua mãe, e que ela se mataria se fizesse o que a outra faz na idade dela. Lee responde, mais para si do que para a garota, que já passou, que ela pode matá-la naquele momento se ela pedir com educação. A cena termina com Lee sendo demitida.

Ela vai para casa, onde encontra algumas moscas mortas sobre o travesseiro. Depois de tirá-las do local, ela se deita. Após descansar, ela alimenta o gato, que não parece ter forme. Naquela noite, ela vai para uma festa na casa de Marjorie (Jane Curtin), agente literária que não parece muito animada com um novo trabalho de Lee. Escritora, Lee vive um momento complicado, no qual ela não consegue fazer a nova obra sair e, ao mesmo tempo, vê as contas acumularem.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos do filme, por isso recomendo que continue a ler quem já assistiu a Can You Ever Forgive Me?): Um filme nu e cru, por assim dizer. Can You Ever Forgive Me? não doura a pílula. Muito pelo contrário. Ela nos apresenta uma protagonista ao mesmo tempo interessantíssima e tão pouco explorada pelo cinema.

A direção cuidadosa e focada no ótimo trabalho de Melissa McCarthy e de Richard E. Grant (que dá vida ao escritor Jack Hock, que se torna amigo de Lee) de Marielle Heller é um dos pontos fortes do filme. Ela conduz a trama com suavidade e esmero ao mesmo tempo em que não procura fazer uma direção cheia de “virtuose”. O que agradecemos. Porque uma das melhores qualidades do filme é o roteiro de Nicole Holofcener e de Jeff Whitty.

A dupla, certamente escrevendo um roteiro com base no livro de Lee Israel, nos apresenta uma história sensível e ao mesmo tempo ácida. Mérito da protagonista, que não procura agradar a ninguém. Ela prefere ficar sozinha em um bar e com o seu gato em casa do que ter que elogiar ou fazer média com quem ela acha que não merece. Lee também não tem muita paciência e chama de idiota quem tiver ouvidos para ouvir. Enfim, uma verdadeira peça.

Apenas a personagem, por si mesma, já valeria um filme. Mas Can You Ever Forgive Me? tem muito mais a nos apresentar que uma escritora de 51 anos de idade que não consegue mais emplacar o seu trabalho. Um dos grandes méritos do filme, me parece, é mostrar toda essa parte da sociedade, que não tem oportunidades e nem muito esperanças. Afinal, apesar do sol nascer para todos, todos os dias, nem todos tem o seu lugar ao sol. Essa é a dura realidade, mas que nem sempre o cinema – especialmente made in Hollywood – tem vontade de retratar.

Lee representa várias pessoas que, na vida real, também não tem oportunidade mais de trabalho. Tanto pela idade quanto pelo físico. A protagonista de Can You Ever Forgive Me? tem 51 anos, lançou alguns livros, mas prefere uma área que nunca tem grande sucesso – a das biografias. Além disso, ela não tem o visual de uma modelo – é baixinha e está um pouco acima do peso. Segundo a ex-agente dela, além de tudo isso, Lee não tem um comportamento amigável e nem é muito sociável. Ou seja, ela não “joga o jogo”.

Quantas pessoas por aí preferem ser assim do que se venderem para conseguirem pagar as contas? Honestamente? Elas tem o meu respeito. Admiro quem não joga o jogo porque se sente violentado(a) fazendo isso. Admiro pessoas como a Lee que vemos nesse filme, que preferem pensar por conta própria e viver a vida a sua maneira. Mas isso cobra alguns preços, claro – como já dizia Nietzsche com os seus “espíritos livres”.

Can You Ever Forgive Me? mostra como, na medida em que as portas se fecham, as contas não param de se acumular. Porque a vida adulta é feita disso, de várias contas e responsabilidades. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). No caso de Lee, mais do que o risco de ser despejada ou de não ter o que comer, o que a motiva a começar a falsificar cartas para conseguir dinheiro é a doença do seu gato. Quando ele passa a não comer direito e ela descobre que a veterinária só vai atendê-la se ela conseguir pagar ao menos metade da dívida, ela sabe que terá que arranjar dinheiro de qualquer maneira – e rápido.

Inicialmente ela vende alguns livros e uma carta que ela tinha na parede da casa e que pertenceu a Katherine Hepburn. Ao vender essa carta é que ela conhece Anna (Dolly Wells), dona de uma livraria. Esse é um dos ambientes preferidos de Lee. Em outro, no bar, ela conhece o escritor gay Jack Hock (Richard E. Grant). Ele, a exemplo dela, também não tem amigos e, por isso, os dois se aproximam. Após conseguir algum dinheiro, Lee volta a fazer pesquisas para o seu novo livro.

Em uma biblioteca, pesquisando sobre Fanny Brice, ela encontra dentro de um livro, um envelope. Dentro dele, duas cartas assinadas por Fanny Brice e direcionadas para Elaine Cohen. O correto, para qualquer pesquisadora séria, seria entregar as cartas para um museu ou para um arquivo público, mas como Lee está precisando de dinheiro, ela fica com as cartas e vende a primeira para Anna. Nesse momento, ela recebe um feedback da correspondência, de que ela era muito “branda”.

(SPOILER – não leia… bem, você já sabe). Antes de partir para o crime, Lee ainda tenta emplacar um novo projeto. Sem sucesso, ela resolve acrescentar um PS interessante na segunda carta de Fanny Brice. Intelectual e talentosa, Lee conhece muito bem o estilo, a vida e a trajetória de diversos escritores e artistas. Assim, não é difícil para ela criar correspondências que eles poderiam ter escrito. Pouco a pouco ela vai percorrendo todas as livrarias que compram e revendem essas correspondências e, com isso, ela consegue dinheiro para pagar todas as suas contas com folga.

Muitos dizem que a necessidade e a oportunidade fazem o ladrão. Isso parece se aplicar também no caso de Lee. Ela tentou ser honesta, mas não conseguiu. Poderia, claro, ter conseguido um subemprego e ter buscado, com ele, pagar as contas. Mas conhecendo o mundo dos ricos, que pagam uma boa quantia de dinheiro para ficar com um pedaço da intimidade de famosos, ela resolve explorar esse filão e tirar proveito dele com o seu talento.

Não digo que ela fez certo, claro. Mas que oportunidades realmente deram para ela? Parece justo que uma escritora com talento mas que não escreve exatamente o que é sucesso não tenha chance de ganhar dinheiro honestamente com o seu trabalho? O que fazer, no lugar dela, quando o dinheiro termina e as portas se fecham? Can You Ever Forgive Me? nos mostra com bastante propriedade e através de uma protagonista cheia de personalidade que a vida é cruel e injusta, muitas vezes e com várias pessoas.

Ainda assim, e isso eu achei realmente interessante, o filme não fica apenas no drama ou no tom pesado. Há um pouco de comédia, aqui e ali – mas algo inteligente e não forçado -, e também um pouco de romance e de amizade. Porque a vida é feita de tudo isso, não é mesmo? Temos o lado duro a vida para enfrentar, mas também temos amigos, companheirismo, amor e humor para tornar tudo um pouco mais equilibrado.

Esse filme nos apresenta tudo isso com bastante franqueza e naturalidade. Não é todo dia que vemos isso pela frente, então temos que agradecer. Roteiro inteligente, ótimos atores em cena e uma direção cuidadosa e que foca nos pontos mais importantes para que a história seja bem contada. Não precisamos mais.

Só não considero o filme perfeito porque acho que faltou um pouco de trabalho para caracterizar a atriz Melissa McCarthy como uma pessoa com 51 anos de idade – em diversos momentos vemos que ela não pode ter essa idade. Além disso, acho que algumas idas dela aqui e ali para vender as cartas poderiam ter sido poupadas, até porque elas não agregam grande informação nova para a história.

Como a história é contada sob a ótica de Lee, senti falta de saber um pouco mais sobre a investigação do FBI, que acabou levando à ela, e sobre como ela se virou para, depois de ser pega, sobreviver sem a falsificação das cartas e antes de lançar o livro sobre a sua história no crime. Esses detalhes contam alguns pontos negativos para a produção. Mas são apenas detalhes. Em geral, este é mais um belo filme apresentado pelo Oscar 2019.

NOTA: 9,5.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: A figuraça da protagonista de Can You Ever Forgive Me? prefere gatos do que pessoas. Ao menos na maioria das ocasiões. Eu não posso dizer que ela está errada. Muitas pessoas, de fato, são intratáveis e intragáveis. São boçais, preconceituosas, cruéis… para dizer o mínimo. Como gostar de pessoas assim? Alguém gosta delas, de fato? Elas gostam de alguém, verdadeiramente?

Há muito mais perguntas do que respostas, sobre isso eu não tenho dúvidas. Mas como diria os The Beatles, todos precisam de amor. Talvez se trabalharmos nisso, se expusermos mais essa ideia, não possamos, pouco a pouco, tornar as pessoas, em geral, tão bacanas quanto os gatos? 😉

Can You Ever Forgive Me? tem outro aspecto interessante. Ele nos mostrar essa coisa maluca do colecionismo de itens privados de pessoas famosas. Sim, muita gente não se importa com a origem dessas cartas e correspondências, com a ética envolvendo você comprar algo que deveria ser privado. Eles se importam só com o fato da carta ser legítima. O resto, não importa. Oras, cá entre nós, essas pessoas mereceram ser enganadas por Lee. Quem não tem ética não deveria exigir ética dos demais, não é mesmo? Mas, aparentemente, a lei protege alguns e condena outros. Então é isso que temos.

Eu não acompanho muito o trabalho da Melissa McCarthy, mas ouvi falar que, até Can You Ever Forgive Me? ela tinha feito, basicamente, comédias. Olha, acho que ela pode apostar em papéis mais sérios. Ela se saiu muito bem no papel mais complexo de Lee Israel. A atriz tem talento e consegue convencer muito bem em um papel que equilibra o humor e o drama. A parceria dela com Richard E. Grant, que está muito bem no papel de Jack Hock, é um dos trunfos desta produção.

Lee Israel começa, meio que sem querer, a sua caminhada criminosa. Mas existe um ponto realmente relevante desta trajetória. Um divisor de águas. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). No início, para valorizar uma das cartas que ela achou por acidente, ela faz um pequeno PS. Depois, utilizando todo o seu conhecimento dos famosos e o seu talento como escritora, ela ganha dinheiro às custas dos ricos que compram aquelas correspondências. Mas o divisor de águas acontece quando Jack Hock lhe dá a ideia de, na impossibilidade de seguir vendendo cartas falsas, ela começar a roubar as verdadeiras. Aí, realmente, ela vai até o fundo do poço. Afinal, ela não está ganhando dinheiro de ricos que não tem ética por comprar correspondências privadas de famosos. Ela está roubando documentos de locais que preservam essas correspondências por causa do interesse público. Algo muito mais grave, portanto.

Dos aspectos técnicos desta produção, vale comentar a direção atenta e cuidadosa de Marielle Heller, que mantêm a câmera sempre próxima dos atores; o roteiro muito bem equilibrado e sagaz de Nicole Holofcener e Jeff Whitty; a direção de fotografia de Brandon Trost; a edição de Anne McCabe; a trilha sonora de Nate Heller; o design de produção de Stephen H. Carter; a direção de arte de Marci Mudd; a decoração de set de Sarah E. McMillan e os figurinos de Arjun Bhasin.

Além do roteiro e da direção de Can You Ever Forgive Me?, os grandes méritos do filme estão no trabalho dos protagonistas, Melissa McCarthy e Richard E. Grant, que apresentam uma bela sintonia e um dueto exemplar. Além deles, vale comentar o bom trabalho dos coadjuvantes Dolly Wells, como Anna, uma das pessoas que compraram as cartas de Lee e que se aproximou dela como amiga/possível romance; Jane Curtin como Marjorie, ex-agente de Lee; Stephen Spinella como Paul, outro comprador das cartas de Lee; Christian Navarro como Kurt, um rapaz que se relaciona com Jack Hock; Marc Evan Jackson como Lloyd, advogado que defende Lee no tribunal; Shae D’lyn como Nell, outra pessoa que compra as cartas da protagonista; Anna Deavere Smith como Elaine, a ex-namorada de Lee; Joanna Adler como Arlene, mais uma pessoa enganada pelas cartas de Lee; e Mary B. McCann como a juíza que julga o caso de Lee.

Can You Ever Forgive Me? estreou em setembro de 2018 no Festival de Cinema de Telluride. Depois, o filme participou, ainda, de outros 13 festivais de cinema em diversos países – incluindo os de Toronto, Londres, Mar del Plata e Torino. Em sua trajetória, o filme conquistou 48 prêmios e foi indicado a outros 85 – incluindo três indicações ao Oscar 2019 (Melhor Atriz para Melissa McCarthy; Melhor Ator Coadjuvante para Richard E. Grant e Melhor Roteiro Adaptado) e duas indicações ao Globo de Ouro (Melhor Atriz – Drama para Melissa McCarthy e Melhor Ator Coadjuvante para Richard E. Grant).

Entre os prêmios que recebeu, destaque para os 24 prêmios de Melhor Ator Coadjuvante para Richard E. Grant; para os 9 de Melhor Roteiro e para os 9 prêmios de Melhor Atriz para Melissa McCarthy. Por outro lado, o filme saiu de mãos vazias do Oscar e do Globo de Ouro. Não que os atores não mereciam, mas realmente eles tiveram pela frente, neste ano, ótimos intérpretes em grande fase.

Vale citar algumas curiosidades sobre esta produção. Apesar de interpretar a um alcoólatra nessa produção, o ator Richard E. Grant é alérgico ao álcool.

Essa é a primeira vez que Melissa McCarthy interpreta a uma personagem real.

Algo que aparece no final do filme, na verdade, não aconteceu. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Na verdade, Lee Israel e Jack Hock nunca mais se encontraram pessoalmente ou falaram por telefone depois que o FBI prendeu Hock por agir como cúmplice de Lee. Poucos meses antes de Hock morrer por complicações da AIDS, Lee o viu na sala de espera de uma clínica médica em Manhattan destinada a atender pessoas pobres. Segundo a autobiografia de Lee, que inspirou o filme, ela teve vontade de “tropeçar” em Hock depois que ele se levantou da cadeira, mas acabou não fazendo isso. Hock não chegou a vê-la.

Os usuários do site IMDb deram a nota 7,2 para esta produção, enquanto que os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 266 críticas positivas e apenas seis negativas para o filme – o que lhe garante uma aprovação de 98%. O site Metacritic apresenta um “metascore” 87 para Can You Ever Forgive Me?, fruto de 52 críticas positivas e de 1 mediana – além do selo “Metacritic Must-see”.

De acordo com o site Box Office Mojo, Can You Ever Forgive Me? faturou US$ 8,77 milhões nas bilheterias dos Estados Unidos. Não é uma quantia desprezível, mas acho que o filme merecia ter faturado mais.

Can You Ever Forgive Me? é uma produção 100% dos Estados Unidos. Por causa disso, esse filme passa a fazer parte da lista de produções que atendem a uma votação feita há tempos aqui no blog.

CONCLUSÃO: Quem sempre teve dinheiro ou oportunidades na vida “facilmente” julga aqueles que não tiveram o mesmo. Can You Ever Forgive Me? nos apresenta a história de uma mulher que tem talento e que luta para trabalhar como escritora, mas que não consegue mais oportunidades ou emprego. Como qualquer pessoa comum, independente do seu talento, ela tem contas para pagar. Então o que fazer? Ela tem uma saída engenhosa para o seu problema. Isso não a impede de ser descoberta. Um filme duro, que nos faz refletir sobre a falta de oportunidades e as injustiças das nossas sociedades desiguais. Ao mesmo tempo, ele nos mostra a graça, a alegria, a amizade e a esperança que podem surgir e serem preservadas mesmo em cenários agrestes. Um belo filme.

E o Oscar 2019 foi para… (Cobertura online e lista com todos os premiados)

Olá povo, boa noite – ou bom dia, dependendo do seu caso! 😉

Pois sim. Mais uma vez, estamos aqui “juntos” para comentar sobre a maior premiação da indústria do cinema nos Estados Unidos. Hoje é o dia de assistir a um Oscar diferente.

A diferença começa até pela minha “animação” com as entregas dos prêmios nesse ano. Francamente? Para mim, esta é uma das safras de filmes mais fracas que tivemos nos últimos anos. Não assisti a nenhuma produção que realmente tenha me surpreendido ou me encantado. Assim, não terei um filme para realmente torcer.

Essa é uma das diferenças desta noite. Outra é que não teremos aquele apresentador – ou apresentadora – chato com várias piadas mais ou menos nos fazendo torcer para o discurso acabar logo e irmos para a parte que realmente interessa, que é a entrega dos prêmios e os discursos dos diretores, produtores, astros e estrelas de quem gostamos tanto.

Hoje à noite, como não teremos apenas um apresentador do Oscar e sim vários apresentadores – espalhados pelas diferentes categorias, acredito -, imagino que a premiação será mais “econômica” nas piadinhas e mais objetiva, mais dinâmica. Se isso acontecer, sairemos ganhando. Com menos discursos entre uma premiação e outra, espero que os vencedores também tenham mais espaço para falar. Afinal, os discursos deles costumam ser mais interessantes do que as piadinhas dos apresentadores.

E o que esperar dessa noite em termos de premiação? Honestamente, por ser um dos anos mais emblemáticos por não termos um grande favorito, praticamente tudo pode acontecer na premiação de hoje. Há ótimas disputas nas categorias de Melhor Ator e Melhor Atriz, assim como uma ótima disputa em Melhor Filme e em outras categorias.

O Oscar soube equilibrar muito bem filmes bastante populares – Black Panther (comentado aqui) e Bohemian Rhapsody (com crítica neste link) – com filmes que são mais densos e não muito populares – como Vice (comentado aqui) e The Favourite (crítica neste link). Durante a noite vamos saber se os melhores intérpretes e filmes irão realmente se consagrar ou se o Oscar terá uma ou duas injustiças para entrarem no seu histórico – dificilmente há algum ano da premiação em que isso não acontece. Veremos…

Acho que este será mais um ano, a exemplo de 2018, em que diversos filmes irão dividir os prêmios, sem termos um grande vencedor – esqueça a época em que uma produção ganhava os 5 principais prêmios. E falando em um Oscar diferente, algo muito interessante deste ano é como filmes estrangeiros conseguiram emplacar mais de uma indicação. Ou seja, eles não ficaram restritos à categoria Melhor Filme em Língua Estrangeira.

O maior exemplo disso está sendo Roma (comentado aqui), é claro. A produção de Alfonso Cuarón ganhou nada menos que 10 indicações ao Oscar. O filme é favoritíssimo para emplacar em Melhor Filme em Língua Estrangeira e em Melhor Diretor – dificilmente Cuarón não receberá o terceiro Oscar da carreira. Mas além dele, foi bonito ver Cold War (com crítica neste link) e Never Look Away emplacando outras indicações, como em Melhor Direção de Fotografia. Isso ajuda a mostrar que o Oscar está mais aberto ao mundo realmente – além de mais aberto à opinião do público e/ou blockbusters.

Estou acompanhando já o “tapete vermelho” do Oscar, mas nada de destaque para comentar até agora. Acho que o realmente interessante veremos quando a premiação começar, a partir das 22h. 😉

Algo interessante deste ano é que seis dos oito indicados a Melhor Filme são livremente inspirados em histórias reais. Ou seja, nunca o hóspede esteve tão próximo da realidade e longe da fantasia quanto neste ano. Apenas Black Panther e A Star Is Born não são baseados em fatos reais. Todos os outros (BlacKkKlansman, Bohemian Rhapsody, The Favourite, Green Book, Roma e Vice) sim, tem um fundo na realidade. Interessante.

Entrevistada no tapete vermelho, Yalitza Aparicio, estrela de Roma, comentou que não esperava que o filme chegaria tão longe e que seria tão prestigiado. Afinal, as pessoas não estão habituadas a assistir filmes em preto e branco. Além disso, Roma é uma produção muito pessoal sobre o diretor. Ela tem razão. Realmente é surpreendente como Roma se consagrou e está se consagrando ainda – mais entre os críticos do que entre o público, me parece.

Entrevistada em seguida, Marina de Tavira, que também estrela Roma e que também está indicada no Oscar, comentou que acha que o filme está encantando tantas pessoas por falar da infância, por resgatar um saudosismo desta época – saudosismo que todos têm. Marina disse que nunca imaginou conseguir uma indicação ao Oscar, mas que ela se sente agradecida por ter tido o seu trabalho visto pela Academia. Realmente, 10 indicações para Roma foi algo surpreendente. Quem já leu a minha crítica sobre o filme aqui no blog sabe que eu esperava mais da produção.

Vou pagar mico agora, com a permissão de vocês. Hahahaha. Ela não está concorrendo à nadica de nada nesta noite, mas eu não posso deixar de colocá-la por aqui. Afinal, Emilia Clarke é uma das estrelas de uma das minhas séries favoritas de todos os tempos, Game of Thrones… série essa que vai se despedir dos fãs(náticos) nesse ano. Então vou deixar ela aqui só por causa disso, tudo bem?

Agora sim, voltando para o tapete vermelho com pessoas indicadas nessa noite. Regina King disse que se identificou muito com o seu papel em If Beale Street Could Talk. Eis um filme que eu ainda quero assistir. Acredito que King deve estar arrebatadora por ter ganho premiações importantes por se papel até o momento. Caso ganhar, ela certamente fará um discurso bastante interessante. A conferir.

Entrevistado no tapete vermelho, o ator e diretor Bradley Cooper comentou sobre a emoção de se apresentar com Lady Gaga logo mais. A apresentação deles, assim como do Queen, certamente serão pontos altos da premiação de hoje. Não é todo dia que temos a grandes canções e astros assim em cena.

Alfonso Cuarón falou sobre Roma no tapete vermelho. Ele comentou que o maior desafio foi encontrar o tom e o tema da história. Falou também sobre a importância de falar do papel das domésticas e do racismo que existe no mundo – temas que surgiram a partir de Roma. Nos Estados Unidos, o filme está sendo utilizado inclusive pelas domésticas para buscar um “empoderamento” e a discussão sobre a sua função na sociedade.

Entrevistada no tapete vermelho, Glenn Close disse que nunca visitou o Brasil, mas que o genro dela é meio brasileiro. Ela comentou que a história de The Wife foi muito importante para ela porque ela se lembrou muito da mãe, e resgatou parte das histórias que ela contava para interpretar a sua personagem. Glenn também elogiou o trabalho da filha em The Wife e disse que espera que ela se desenvolva no trabalho dela. Francamente? Acho que esse é o ano de Glenn Close. Está na hora dela receber um prêmio de Melhor Atriz. Se não for para ela, torço por Olivia Colman, que está ótima em The Favourite. Ambas merecem.

Agora sim, vamos lá para a premiação. 😉 Começando com nada menos que apresentação do Queen. Aí sim, hein? Beeeem melhor que piadinhas sem graça de apresentadores. Curti. Bóra lá colocar rock para tocar, bebê! Hoje a noite é de rock. E será que Bohemian vai levar no final? Seria interessante. A plateia curtiu o micro show do Queen, ficando de pé no início da apresentação. Merecido. Melhor começo de Oscar do qual eu tenho lembrança. No final da apresentação, todos da plateia em pé novamente.

Do show, partimos para uma introdução um tanto estranha sobre os astros e estrelas que chegaram no tapete vermelho e que representam as produções indicadas como Melhor Filme do Ano. Além destas cenas de tapete vermelho, vimos a trechos de filmes que marcaram o ano – alguns indicados, outros não. Bacana eles terem citado um número maior de filmes no clipe, afinal, o cinema é feito de uma grande diversidade, algo que o Oscar nunca vai conseguir abarcar nas suas 24 categorias.

Depois de algumas piadas, algumas boas, outras razoáveis, tivemos a primeira entrega de prêmio da noite. E o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante foi para… Regina King, por If Beale Street Could Talk. Ela era a favorita, mas vamos combinar que esta categoria estava bem disputada este ano. Ainda preciso assistir a If Beale Street Could Talk, mas entre o trabalho das demais, acho que Emma Stone merecia o Oscar. Mas acredito que Regina King mereceu. A conferir.

Em seu discurso, Regina King disse que é surreal estar sobre o palco para representar um dos melhores artistas deste tempo, James Baldwin – autor do livro em que o filme foi inspirado. Ela disse que está certo dela estar ali porque ela representa o quanto o amor faz a diferença. Regina então agradeceu a mãe sobre ensinar o que é Deus estar em sua direção. Um discurso emocionado. Agradeceu também as demais atrizes que concorreram com ela, e que ela se sente honrada por estar com elas nessa categoria.

Em seguida, Helen Mirren brinca que os tempos mudaram, a ponto dela, uma inglesa, vestir uma cor parecida com um ator havaiano, Jason Mamoa. Os dois entregaram o Oscar para Melhor Documentário. E o Oscar foi para… Free Solo. A produção foi dirigida por Jimmy Chin e Elizabeth Chai Vasarhelyi. O casal agradeceu a National Geographic por dar espaço para a diversidade, e agradeceram a Dierdre Wolownick por ele ter inspirado eles a acreditarem no impossível. Começamos bem esse Oscar.

Dois filmes para eu assistir logo que possível. Free Solo e If Beale Street Could Talk. Estão na minha lista. A piada de Helen Mirren e Momoa é especialmente interessante para o Brasil, não é mesmo? Onde tem gente que ainda discute que cor de roupa meninos e meninas devem vestir.

Na volta do intervalo, todos viram o clipe de Vice. Para mim, um dos melhores filmes do ano. Denso, cínico, muito bem editado e dirigido, ele foge do óbvio e surpreende. Só por isso, tem a minha admiração. Logo na sequência, foi apresentada a categoria Melhor Maquiagem e Cabelo. E o Oscar foi para… Vice. Merecido. Realmente um grande trabalho dos artistas responsáveis por esse aspecto do filme. Sobre o palco, eles agradeceram ao diretor Adam McKay, aos atores e à diversas outras pessoas que fizeram parte da equipe e do trabalho. Uma pena, mas subiram a música antes da hora – além de cortarem o microfone. Pecado.

Na sequência, foram apresentados os filmes indicados a Melhor Figurino. E o Oscar foi para… Black Panther. Oh yeah! Parabéns para o filme, que já fez história. Sobre o palco, Ruth Carter, a primeira negra a receber um prêmio nessa categoria. Ela agradeceu pela Academia por homenagear a realeza africana e a força das mulheres na tela. Agradeceu também a equipe dela, que está espalhada no mundo todo.

Fico realmente feliz pelo filme. Ruth ainda agradeceu à mãe, que chamou da verdadeira heroína da história. Fofa. Antes de ganhar por Black Panther, Ruth Carter já tinha sido indicada em outras duas ocasiões ao Oscar – por Amistad e por Malcolm X (por isso agradeceu a Spike Lee, diretor do segundo filme).

Na volta do intervalo, Chris Evans e Jennifer Lopez apresentaram os indicados na categoria Melhor Design de Produção. E o Oscar foi para… Black Panther. Show! Sobre o palco, Hannah Beachler e Greg Berry. Ela, segundo os comentaristas do Oscar, a primeira negra a ser indicada e ganhar nesta categoria. Ela comentou que está naquele dia mais forte do que antes.

Ela agradeceu especialmente Ryan Coogler, o diretor de Black Panther, por ele ter feito ela um profissional e uma pessoa melhor. Aliás, Coogler não ter sido indicado no Oscar deste ano foi realmente estranho. No final, ela disse que quando alguém pensar que algo é impossível, deve pensar que fez o melhor que pode e isso é o suficiente. Bacana.

Na sequência, os indicados na categoria de Melhor Direção de Fotografia. Uma das minhas categorias favoritas. E o Oscar foi para… Roma. O primeiro – possivelmente de três – prêmios de Alfonso Cuarón nesta noite. O diretor começou comentando que o trabalho de construir cada quadro de um filme depende de muitas pessoas, e ele começou agradecendo às estrelas do filme. Ele agradeceu também ao México, mas não fez um discurso excepcional. Deve ter guardado o restante para depois.

Minha homenageada antes, Emilia Clarke apresentou uma das concorrentes em Melhor Canção do Oscar 2019. Sobre o palco, cantando “I’ll Fight”, a premiada Jennifer Hudson. A música dela aparece apenas nos créditos finais de RBG, mas a canção é realmente uma beleza. Um verdadeiro hino. E Jennifer Hudson deu um show no Oscar – como esperado. De arrepiar.

Na volta do intervalo, Serena Williams apresentou outro indicado a Melhor Filme. O público assistiu ao clipe de A Star Is Born. Outro filme que vai render uma apresentação muito interessante de música nessa noite. De fato, o melhor do filme é justamente a canção de Gaga.

Em seguida, vimos os indicados em Melhor Edição de Som. E o Oscar foi para… Bohemian Rhapsody. Bacana. Ganharam de First Man. Esse pode ser apenas um dos vários prêmios que a produção poderá vencer nessa noite. De fato, o som é um dos destaques da produção. Mas a disputa estava boa. Em seguida, descobrimos o vencedor de Melhor Mixagem de Som. E o Oscar foi para… Bohemian Rhapsody. Opa! O filme já não sairá de mãos vazias nessa noite. Fico feliz por Bohemian Rhapsody e por Black Panther, até agora. Dois filmes muito populares e que mereciam ser reconhecidos no Oscar.

Após um intervalo rápido – estou gostando do ritmo desta noite do Oscar -, Queen Latifah apresenta um outro indicado a Melhor Filme da noite, The Favourite. Um filme também diferenciado – mas que, infelizmente, não sustenta a sua força e tom surpreendente até o final. Mas é um bom filme. Veremos se ela ganha algo nessa noite ou sairá de mãos vazias.

Javier Bardem falando em espanhol… ai, pirei! Lindo! Guapo! Em seguida, os indicados a Melhor Filme em Língua Estrangeira. E o Oscar foi para… Roma. Como era mais que esperado. Ainda preciso assistir a outros filmes indicados nessa categoria este ano, mas não sei… Roma não me encantou como eu achei que iria. Mas ok. Hollywood realmente gosta de Cuarón. O diretor comentou que sempre se inspirou em filmes estrangeiros, e citou vários deles. Comentou também que alguns perguntam sobre a nova onda – de mexicanos, talvez? – mas que não existe uma nova onda, e sim um grande oceano de talentos. Isso é fato. Por isso amo tanto essa categoria.

Na sequência, assistimos à apresentação de outro concorrente em Melhor Canção Original. Beth Midler cantou “The Place Where Lost Things Go”, do filme Mary Poppins Returns. Uma bela escolha de intérprete, devo dizer. Diva. 😉 Até o momento, gostei das escolhas da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood sobre o tom da premiação. Tivemos apenas algumas piadinhas apresentadas no início da noite pelo trio Tina Fey, Maya Rudolph e Amy Poehler. Algumas piadas boas, outras nem tanto. Mas o melhor de tudo: sem prolongar isso a noite toda. Podiam repetir o formato de hoje nos próximos anos.

Só acho que o Cuarón, que já ganhou dois prêmios e deve levar o terceiro como Melhor Diretor, poderia ter compartilhado o palco na categoria Melhor Filme em Língua Estrangeira com o seu elenco, não? Do jeito que ele fez, subindo sozinho pela segunda vez mas “homenageando” as suas atrizes, ele me fez lembrar The Wife (entendedores entenderão #prontofalei).

Na volta do intervalo, o público foi apresentado ao clipe de outro indicado a Melhor Filme nesse ano, Black Panther e o seu Forever Wakanda. Realmente um belo filme baseado em HQ – possivelmente o melhor que vimos até o momento. Em seguida, fomos apresentados aos indicados de uma categoria mega concorrida. Michael Keaton apresentou os indicados em Melhor Edição. E o Oscar foi para… Bohemian Rhapsody.

Opa. Vejam só! Interessante. Com esse Oscar, estou achando que o filme pode ganhar até Melhor Filme, viu? Está ganhando disputas importantes. John Ottman agradeceu a mãe, em primeiro lugar, e depois disse que o filme é fruto do amor de todos os envolvidos, que foram reunidos por Freddie Mercury. Ottman dedicou os filmes aos pais… muito fofo também!

Em seguida, Daniel Craig e Charlize Theron apresentaram a categoria Melhor Ator Coadjuvante. E o Oscar foi para… Mahershala Ali. Posso dizer? Outro favoritíssimo e que mereceu ter ganho por seu trabalho em Green Book. Para mim, esse ano, essa era uma das categorias mais “tranquilas” da noite, já que os demais atores estavam bem, mas sem graaaande destaque. Bem, ainda preciso ver a Richard E. Grant. Mas fiquei feliz por Ali. Grande ator.

Sobre o palco, Mahershala Ali começou agradecendo pela Academia e também ao Dr. Don Shirley. Ele disse que foi um aprendizado trabalhar com Viggo Mortensen e agradeceu ao diretor Peter Farrelly, assim como Octavia Spencer. Também agradeceu a avó, que disse que ele deveria insistir mesmo que não tivesse sucesso, e que deveria sempre insistir. Agradeceu à esposa e à filha. Muito sóbrio e humilde. Realmente parece ser um grande cara.

Na volta do intervalo – mais um rápido -, Laura Dern apresentou o novo Museu da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. Momento para uma propaganda para a Academia. Achei justo. Na sequência, fomos apresentados os filmes indicados a Melhor Animação. E o Oscar foi para… Spider-Man: Into the Spider-Verse. Tenho que assistir. Eis outro favorito que foi confirmado nessa noite. Mais um grupo de premiados que teve o microfone cortado. Uma lástima.

Em seguida, vemos a apresentação de outra indicada a Melhor Canção Original, “When a Cowboy Trades His Spurs for Wing”, do filme The Ballad of Buster Scruggs. No retorno de mais um intervalo, Mike Myers e Dana Carvey apresentaram a outro indicado como Melhor Filme, Bohemian Rhapsody.

Na sequência, fomos apresentados aos indicados em Melhor Curta de Animação. E o Oscar foi para… Bao. A diretora Domee Shi e a produtora Becky Neiman subiram ao palco para agradecer quem lhes deu oportunidade de fazer o curta e às pessoas da equipe. Becky comentou que ela fez um filme sobre ser uma mãe quando ela também estava aprendendo a ser mãe.

Em seguida, os indicados a Melhor Curta Documentário. E o Oscar foi para… Period. End the Sentence. A diretora Rayka Zehtabchi, muito emocionada, disse que não estava chorando porque estava menstruada, mas porque achava incrível um filme sobre menstruação ganhar o Oscar. A produtora do curta, Melissa Berton, dedicou o filme para estudantes e professores do mundo inteiro – a produção parece ter surgido por iniciativa de estudantes. Bacana. Um dos momentos mais legais da noite.

Esse ano, com a correria que tem sido os meus dias, acabei não falando dos curtas indicados ao Oscar. Mas, quem sabe, faço um post ainda sobre os premiados? Veremos…

Em mais um retorno do intervalo, fomos apresentados ao clipe de outro indicador a Melhor Filme, a produção Roma. Filme que já levou dois Oscar’s nessa noite – e que deve levar mais um, de Melhor Diretor. Na sequência, fomos apresentados aos indicados em Melhores Efeitos Visuais. E o Oscar foi para… First Man. Opa! Gostei. Para mim, um dos melhores filmes do ano. Que ao menos aqui foi reconhecido com um Oscar. Os premiados agradeceram, entre outros, ao diretor Damien Chazelle. Grande diretor.

Em seguida, em uma bela entrada de músicos e de piano em cena, vimos a partir da parte de trás do palco a subida de Bradley Cooper e Lady Gaga até o palco. Os dois para apresentar à melhor parte de A Star Is Born, a música indicada como Melhor Canção Original, Shallow. De arrepiar, realmente. Se o filme merece ganhar algo, é o Oscar por essa música. E a apresentação… para ficar para a história da premiação. De arrepiar. Linda! Vão falar sobre essa apresentação por muitos anos ainda. Grande momento! Depois da apresentação, a plateia aplaudiu Cooper e Gaga de pé. Realmente… 🙂

Após mais um intervalo, fomos apresentados aos indicados em Melhor Curta. E o Oscar foi para… Skin. Sobre o palco Guy Nattiv fala sobre como ele veio há cinco anos de Israel e como a discriminação continua acontecendo e deve ser combatida. Estou bem curiosa para ver esse curta. Aliás, parece que todos os curtas esse ano eram interessantes.

Na sequência, Brie Larson e Samuel L. Jackson apareceram em cena para apresentar os indicados a Melhor Roteiro Original. E o Oscar foi para… Green Book. Será que essa produção vai levar Melhor Filme também? Veremos. Nick Vallelonga, Brian Currie e Peter Farrelly subiram ao palco para agradecer às suas famílias e ao elenco que foi fundamental para a produção.

Na sequência, Brie e Samuel apresentaram aos indicados na categoria Melhor Roteiro Adaptado. E o Oscar foi para… BlacKkKlansman. Vejam só! Bacana. Samuel L. Jackson comemorou muito com o amigo Spike Lee. E o diretor e roteirista foi aplaudido de pé e muito comemorado.

Logo de cara ele pediu para o microfone não ser desligado – o que aconteceu algumas vezes na noite. Lee falou sobre a história dos negros nos Estados Unidos e especialmente sobre a avó, a grande responsável por ele ter feito o cinema e ter feito uma carreira. Ele pediu para as pessoas se mobilizarem e para fazerem a coisa certa – inclusive porque uma nova eleição está se aproximando nos Estados Unidos. Discurso político e muito aplaudido.

Até agora, devo dizer, não achei nenhuma injustiça entre os vencedores. Ok que não assisti a todos os premiados – como Melhor Documentário e Melhor Animação -, mas me parece que havia um certo favoritismo e quase unanimidade nestas categorias. E nas demais, nas quais assisti aos concorrentes, tenho achado justo. E bacana ver uma pulverização de premiações. Já era esperado, aliás.

Passado mais um intervalo, fomos apresentados aos indicados na categoria Melhor Trilha Sonora. E o Oscar foi para… Black Panther. Muito bom! Mais um Oscar para um dos filmes favoritos do público em 2018. Ganhando em sua primeira indicação ao Oscar, Ludwig Goransson compartilha o prêmio com todos os artistas africanos que trabalharam com ele, assim como todos os músicos clássicos de Londres que gravaram a trilha. Agradeceu ainda a família. Singelo e bacana. Simpático.

Em seguida, relembramos os indicados em Melhor Canção Original. E o Oscar foi para… Shallow, de A Star is Born. Merecido. Se tem algo que o filme merecia era esse Oscar. Lady Gaga conseguiu a sua estatueta, portanto. 😉 Lady Gaga emulando a si mesma nas outras premiações, iniciou agradecendo muito os parceiros de composição, a família e Bradley Cooper. Gaga ainda falou para as pessoas que estavam em casa, comentando que o prêmio era o símbolo de ter trabalhado muito. E que não se tratava de ganhar, mas de insistir e de perseverar.

Na sequência, o presidente da Academia, John Bailey, fez uma homenagem os 212 indicados ao Oscar 2019 e à todos os nomes da indústria que morreram desde a última premiação. Diversos nomes muito conhecidos, como Burt Reynolds, Nelson Pereira do Santos, Milos Forman, Stan Lee, Bruno Ganz, Albert Finney, entre tantos outros.

No retorno do intervalo, tivemos um rápido resumo dos prêmios honorários e dos prêmios técnicos que são entregues antes da celebração televisionada do Oscar. Na sequência, Barbra Streisand subiu ao palco e foi ovacionada pela plateia. Ela comentou sobre BlacKkKlansman, de como ela se emocionou ao ver ao filme, e de como ele, apesar de fantástico, era baseado na verdade, e “a verdade é tão importante nos dias de hoje”. Ela diz que teve que elogiar o filme no Twitter e que a partir daí ela começou a trocar mensagens com Spike Lee.

De acordo com a atriz, o diálogo entre eles fluiu de forma natural porque ambos cresceram no Bronx, e brincou que ambos gostam de chapéus. Uma interessante homenagem a uma das produções indicadas a Melhor Filme neste ano. Em seguida, Allison Janney e Gary Oldman sobem ao palco para apresentar os indicados a Melhor Ator. E o Oscar foi para… Rami Malek, por Bohemian Rhapsody. Fiquei feliz. Ele é um grande ator e faz um excelente trabalho como Freddie Mercury.

Logo que sobre ao palco, Malek, que é genial em Mr. Robot, fala sobre a mãe, que está em algum lugar da plateia. Ele fala sobre o pai também, que não chegou a ver o filho fazer tudo isso, mas que o está vendo “lá de cima”. Malek também agradece a todas as pessoas que apostaram nele. Disse que ele não devia ser a escolha óbvia – ele foi o terceiro cotado para o papel, na verdade -, mas que acabou dando certo no fim. Agradeceu ao pessoal do Queen e disse que sempre terá uma dívida com eles. Agradeceu a equipe e o elenco do filme. Um fofo!

“Fizemos um filme sobre um homem gay, imigrante, e que viveu a vida sem pedir desculpas”, comentou. Falou sobre ele também ser americano de primeira geração e que o Malek criança ficaria fascinado de saber onde chegaria, já que ele tinha problemas de identidade no passado. No fim, agradece a Lucy Boynton, sua parceira de cena, que ele disse estar no centro da produção e que lhe roubou o coração. Tentem assistir a Malek em Mr. Robot, se ainda não assistiram. Fiquei feliz pelo ator, que tem uma carreira em pleno crescimento, já ser reconhecido com o Oscar. Realmente ele está gigante como Mercury. Fiquei feliz por ele.

No retorno do intervalo, fomos apresentados para o último indicado na categoria Melhor Filme, a produção Green Book. Um filme singelo, mas cheio de verdade e interessante. Na sequência, Frances McDormand e Sam Rockwell apresentam as indicadas na categoria Melhor Atriz. E o Oscar foi para… Olivia Colman, or The Favourite. Uau! De boas? Merecido, viu? Ela arrasou em The Favourite. Sem dúvida ela e Glenn Close mereciam a estatueta – pena que o Oscar não permite empate.

O filme The Favourite tem no seu elenco o seu grande trunfo, e Olivia está genial. Sobre o palco, ela começa dizendo que é muito estressante toda a situação, assim como hilária. Diz que precisa agradecer a tantas pessoas, começando pelo diretor Yorgos Lanthimos e pelas maravilhosas companheira de cena, Emma Stone e Rachel Weisz. Fala da admiração que sempre teve por Glenn Close e agradece aos familiares, inclusive aos filhos, que ela espera que estejam em casa. Um dos melhores discursos da noite. Engraçadíssima e fantástica em toda a sua emoção.

Olha, eu vou dizer para vocês. Até agora, nenhuma injustiça. Todos os que ganharam o prêmio até agora mereciam. Fiquei feliz pelos que não eram considerados favoritos, mas que venceram, como Malek e Olivia. Porque ambos mereceram. Roubam a cena e se superam nos seus filmes. Bacana. Acho que esse será um Oscar para lembrarmo por algum tempo ainda. Tivemos alguns grandes momentos da noite e muitos talentos reconhecidos. Dá para pedir mais?

No retorno do intervalo, Guillermo del Toro surgiu para apresentar os indicados a Melhor Diretor. E o Oscar foi para… Alfonso Cuarón, por Roma. E, assim, del Toro entregou a estatueta dourada para o seu amigo. Ele brincou que nunca se cansa de subir ao palco, e que espera que del Toro também nunca se canse. Para não variar, agradeceu às atrizes (zzzzz), aos produtores, aos amigos del Toro e Iñarritu e falou sobre o filme, que mostra a importância de não esquecer os “desprezados”. Ok, deu para ti Cuarón. Espero levar muitos anos para vê-lo novamente no Oscar.

Fechando a noite, a linda Julia Roberts subiu ao palco para apresentar os indicados a Melhor Filme. E o Oscar foi para… Green Book. Opa! Então, não é exatamente uma surpresa. O filme já tinha vencido o prêmio dos produtores – e isso costuma ser uma prévia. Bacana. Um filme simples e bem acabado que passa mensagens importantes nesse ano. Não foi injusto, em um ano com diversos filmes que poderiam ter ganho essa estatueta.

O produtor falou que o filme foi feito com carinho, com respeito e com amor. Uma bela mensagem. Peter Farrelly falou que tudo isso é verdade, e que o filme fala sobre como todos são iguais. Também destacou Viggo Mortensen e Mahershala Ali, afirmando que a produção não existiria sem eles. E assim, o Oscar 2019 conseguiu realmente distribuir vários prêmios. O que é sempre positivo e, especialmente este ano, sem um filme que realmente tenha sido arrebatador, bastante coerente.

Agradeço, mais um ano, por quem acompanhou o Oscar aqui pelo blog. Abraços e até o próximo ano! 😉

CONFIRA A LISTA COM TODOS OS PREMIADOS DO OSCAR 2019:

Melhor Filme: Green Book

Melhor Ator: Rami Malek (Bohemian Rhapsody)

Melhor Atriz: Olivia Colman (The Favourite)

Melhor Ator Coadjuvante: Mahershala Ali (Green Book)

Melhor Atriz Coadjuvante: Regina King (If Beale Street Could Talk)

Melhor Diretor: Alfonso Cuarón (Roma)

Melhor Animação: Spider-Man: Into the Spider-Verse

Melhor Filme em Língua Estrangeira: Roma

Melhor Documentário: Free Solo

Melhor Roteiro Adaptado: BlacKkKlansman

Melhor Roteiro Original: Green Book

Melhor Fotografia: Roma

Melhor Figurino: Black Panther

Melhor Edição: Bohemian Rhapsody

Melhor Design de Produção: Black Panther

Melhor Maquiagem e Cabelo: Vice

Melhor Edição de Som: Bohemian Rhapsody

Melhor Mixagem de Som: Bohemian Rhapsody

Melhores Efeitos Visuais: First Man

Melhor Trilha Sonora: Black Panther

Melhor Canção: “Shallow” (A Star Is Born)

Melhor Curta: Skin

Melhor Curta Documentário: Period. End the Sentence

Melhor Curta Animação: Bao

 

Bohemian Rhapsody

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Todo o vigor de uma banda de rock e o talento de cada um de seus integrantes. Demorei para assistir a Bohemian Rhapsody, mas acho que deixei o melhor para o final. Que filme vigoroso, meus amigos! Um verdadeiro deleite para alguém que gosta de rock, como é o meu caso. Direção impecável, edição primorosa e interpretações condizentes com uma história bem contada. Talvez o único “porém” do filme é que ele cuidou muito para agradar à gregos e troianos. Ou seja, tomou muito cuidado para não “expor muito” o homenageado. Mas descontado isso, sem dúvida alguma esse filme é uma bela homenagem do cinema a outra arte fenomenal, a música.

A HISTÓRIA: Começa com uma saudação em um show. Em seguida, com o braço de Freddie Mercury, que acorda, se levanta, tosse e começa a se preparar. Como um apresentar comenta, aquele é o dia do Live Aid em Londres, quando Wembley recebe as altezas reais e mais uma grande multidão para assistir a grandes nomes da música. Enquanto isso, Mercury passa por seus gatos e sai calmamente de casa. O público vai chegando até o estádio de Wembley enquanto escutamos a música do Queen ao fundo e vemos aos preparativos para o grande espetáculo que marcaria a história da banda. Começamos pelo fim, porque logo veremos o que fez o Queen ser tão esperado naquele dia e aquele dia ser tão importante para eles.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Bohemian Rhapsody): Acho que eu devo ter sido uma das últimas pessoas na face da Terra a assistir a esse filme, não? 😉 Piadas à parte, eu realmente demorei para assistir a Bohemian Rhapsody. O que acontece é que, logo que o filme estreou nos cinemas, eu não pude vê-lo. E depois, pouco a pouco, fui priorizando outras produções no lugar dessa.

No fim, acho que foi até bom eu fazer isso. Foi fundamental, por exemplo, eu ter assistido A Star Is Born (comentado por aqui) antes, até para poder comparar que filme trata melhor da questão musical e da construção do sucesso. Eu não tenho dúvidas sobre qual é o filme melhor sucedido nesse sentido. Bohemian Rhapsody, com certeza. Sou suspeita porque eu AMO o rock n’roll, então fiquei encantada com a forma com que o diretor Bryan Singer nos apresenta esse gênero e a construção de uma grande banca com esta produção.

A música é um ponto fundamental do filme, assim como, é claro, o personagem central desta produção. Eu diria que a direção de Singer, a edição de John Ottman e a interpretação de Rami Malek são os trunfos principais desta produção. O roteiro de Anthony McCarten, baseado na história criada por ele junto com Peter Morgan, acerta em cheio ao resgatar a história do Queen, dando protagonismo para a música deles e como ela foi construída.

Para quem gosta de música, especialmente de rock, Bohemian Rhapsody é um verdadeiro deleite por resgatar um “modus operandis” de bandas que não existe mais – especialmente agora, na era do streaming e não dos discos cuidadosamente construídos e lançados com uma proposta artística. Esse filme provavelmente fará muito mais sentido para quem viveu antes do streaming. 😉

Ainda que Malek seja, a exemplo de Mercury, a estrela da banda, Bohemian Rhapsody mostra a importância de cada um dos outros componentes do Queen. Mercury sozinho não teria feito história. Mas todos juntos, cada um com suas ideias e até as chispas que aconteciam entre eles fez o sucesso da banda. Fantástico também ver o processo de criação de algumas das músicas mais icônicas do rock. Impossível não amar tudo o que vemos em cena.

O roteiro, propriamente dito, é bom, mas não é excepcional. Ele segue a cartilha de um filme feito para agradar a maioria. Por isso, ele começa com um fato marcante, o show Live Aid, e depois faz um retrocesso na história até chegar à Londres de 1970, quando Freddie (ainda não Mercury) trabalha como apoio no aeroporto. Só depois ele assiste a um show de Brian May (Gwilym Lee) e Roger Taylor (Ben Hardy) pouco antes deles perderem o seu vocalista.

Vendo a potência de uma banda de rock em incluir os “excluídos”, como ele se sentia, Freddie adota o sobrenome Mercury e se convida para participar da banda de May e Taylor. E assim surge o Queen. O filme então conta como foi a trajetória deles e como, depois de fazer sucesso nos EUA, eles confrontam um executivo da EMI para lançar o álbum que eles desejavam – e que, convenhamos, não apenas não era unanimidade entre a crítica como, até hoje, é considerado bastante ousado.

Mas ignorando muitas perspectivas, o Queen decola após aquele álbum. Vemos essa ascensão, assim como as descobertas que Freddie Mercury faz sobre si mesmo. Verdade que ele sempre teve um grande amor por Mary Austin (Lucy Boynton), mas esse amor acaba não se consolidando porque ele descobre os prazeres e os exageros trazidos pelo sucesso. Nessa parte que eu acho que o filme acaba fazendo escolhas um tanto “convencionais” demais, para dizer o mínimo.

Segundo o filme, apenas o “manager” de Mercury, Paul Prenter (Allen Leech) era gay assumido e trazia diversos “rapazes” para orgias perto de Mercury. Mas convenhamos que isso deveria ser bem diferente na vida real. Algo nesse sentido é sugerido apenas quando, mais para o final do filme, Mary vai visitar Freddie e vemos ele dormindo em meio à várias drogas e Paul chegando pouco depois com vários rapazes. Ora, nem todos os presentes seriam só para ele, não é mesmo?

Mas o que eu acho que foram escolhas convencionais do filme, e sem necessidade – exceto para cair mais no gosto do público em geral -, tiveram a ver com isso, de não mostrar Freddie beijando ou se relacionando com diversos homens, assim como tendo mergulhado em drogas e afins, como deve ter acontecido. O que acontece é que Bohemian Rhapsody é um filme de homenagem e, sendo assim, melhor não mostrar os pontos mais “controversos” ou polêmicos do personagem.

Se isso tudo não é mostrado tão às claras como deveria ou poderia, por outro lado a solidão e as controvérsias do personagem central são bem explorados. Além deste mergulho na vida de Mercury, o realmente interessante do filme é mostrar como algumas músicas icônicas foram construídas e como o Queen se formou e cresceu – e quase terminou por causa de um assessoramento equivocado e egoísta oferecido por Paul.

Gostei muito da forma com que essa produção é construída e narrada. Acho que a direção e a edição contam muito para que tenhamos um filme com linguagem artística diferenciada. Sem contar o genial trabalho de Malek, que está realmente impressionante no papel. Enfim, Bohemian Rhapsody tem força, encanto e fascínio. Apesar de seu caminho que evita polêmicas e um mergulho realmente fundo no personagem, o filme entrega uma experiência musical, de interpretação e de reconstituição de época primorosos. Desta temporada, sem dúvida alguma, um dos melhores filmes – se não o melhor.

NOTA: 9,7.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Bohemian Rhapsody começa a se diferenciar já nos primeiros segundos, na introdução com acordes de guitarra na abertura do filme e na apresentação da música clássica do estúdio. Uma bela sacada, aliás.

Entre os elementos de destaque desta produção, sem dúvida alguma preciso falar da ótima e inspirada direção de Bryan Singer – praticamente não citado por ninguém por causa dos problemas que ele teve no set de filmagens, inclusive com Malek – e da excelente edição de John Ottman. Outro diferencial do filme é a interpretação vigorosa, atenta aos detalhes e sensível de Rami Malek como Freddie Mercury.

O roteiro de Anthony McCarten, baseado na história dele com Peter Morgan, tem muitos acertos, mas também uma certa dose de conservadorismo ou mesmo de covardia. Acho que o filme acerta na aposta na música, mas erra ao não se aprofundar na parte mais controversa de Mercury. Eu gostaria de saber mais da sua vida e das suas paixões além do verdadeiro amor que ele nutriu por Mary – de quem foi amigo até o final da vida.

Além do excelente – e digno de diversos prêmios – trabalho de Malek como Mercury, vale comentar o ótimo trabalho dos demais atores que interpretam aos demais componentes da banda. Estão muito bem, em seus respectivos papéis, Gwilym Lee como Brian May; Ben Hardy como Roger Taylor; e Joseph Mazzello como John Deacon. Bacana a forma com que a produção valorizou o talento de cada um deles e o seu papel em grandes sucessos do Queen. Esse é um dos acertos do filme, sem dúvida.

O bom trabalho, contudo, não acaba nos atores que interpretam as pessoas que deram vida ao Queen. Vale comentar ainda o bom trabalho de outros coadjuvantes, como Lucy Boynton como Mary Austin; Aidan Gillen como John Reid; Allen Leech como Paul Prenter; Tom Hollander como Jim Beach; Mike Myers como Ray Foster; Aaron McCusker como Jim Hutton – uma parte da história um tanto mal contada; Meneka Das como Jer Bulsara; Ace Bhatti como Bomi Bulsara; Priya Blackburn como Kashmira Bulsara; e Dermot Murphy como Bob Geldof.

Até o momento, Bohemian Rhapsody ganhou 23 prêmios e foi indicado a outros 65, incluindo 5 indicações no Oscar 2019. Entre os prêmios que recebeu, destaque para os de Melhor Filme – Drama e de Melhor Ator – Drama para Rami Malek no Globo de Ouro 2019; para os de Melhor Ator para Rami Malek e Melhor Som no BAFTA; o de Melhor Ator no Screen Actors Guild Awards; e para outros 10 prêmios de Melhor Ator para Malek.

Logo mais falarei de outros aspectos técnicos da produção e de curiosidades do filme. Por agora, estou correndo para publicar isso antes da premiação do Oscar. Complemento esses comentários de pé de página em outra ocasião. 😉 Agora sim, passado o Oscar e também aproveitando a folga do feriado, bóra lá complementar esse post.

Só faltou falar, por aqui, de algumas curiosidades envolvendo a produção de Bohemian Rhapsody. Então vamos à elas. A interpretação de Rami Malek é realmente algo impressionante. Para que ele tivesse um desempenho tão perfeito, especialmente nas “simulações” de apresentações de Freddie Mercury, a coreógrafa e treinadora de movimentos britânica Polly Bennett trabalhou de forma meticulosa com o ator para que ele conseguisse aperfeiçoar cada nuance dos maneirismos e movimentos de Mercury. Os olhares, as viradas de corpo, cada movimento no palco e ao microfone foram trabalhados de forma meticulosa. Percebemos isso nos cinemas.

O guitarrista Brian May e o baterista Roger Taylor, integrantes originais do Queen, fizeram o arranjo para a trilha de entrada do filme durante a apresentação do estúdio 20th Century Fox.

O cantor canadense Marc Martel emprestou a sua voz para o filme. O que ouvimos em cena, durante a produção, é uma mescla das vozes de Marc Martel, Rami Malek e do próprio Freddie Mercury. Em uma entrevista, Malek disse que o seu canto foi perfeitamente mesclado com os de Freddie e Martel.

O alcance vocal de Freddie Mercury se estendia a três oitavas, apesar de que houve rumores de que ele poderia se estender a quatro oitavas. Em 2016, um grupo de biofísicos e de pesquisadores médicos concluiu que as cordas vocais de Mercury se moviam mais rápido do que a média dos cantores.

O show do Queen no Live Aid é considerado, pela maioria dos críticos, como uma das melhores performances ao vivo da história do rock. Em uma pesquisa do Channel Four feita em 2005 e que envolveu mais de 60 artistas, jornalistas e executivos do setor musical, o Queen’s Live Aid foi considerada a maior performance ao vivo do mundo.

Mary Austin e Freddie Mercury realmente tiveram um envolvimento forte por grande parte da vida de ambos. Mesmo após o romance deles terem terminado, eles continuaram próximos. Tanto que Mercury deixou grande parte de sua propriedade e a mansão que ele tinha em Londres, a Garden Lodge, para Mary no seu testamento. De fato a música Love Of My Life foi feita por Mercury e dedicada a Mary.

Interessante a relação de Freddie Mercury com os seus gatos. Na biografia do artista escrita por Lesley-Ann Jones, amigos de Mercury contaram que ele costumava ligar para casa, durante as turnês, pedindo para falar com os gatos. Ele também pedia que a TV sempre estivesse ligada na transmissão dos seus shows ao vivo para que os gatos pudessem vê-lo no palco. Entre os gatos, Delilah foi a sua favorita, inclusive sendo homenageada com uma música no álbum Innuendo.

Antes da famosa apresentação no Live Aid, em julho de 1985, o Queen estava em certa decadência nos Estados Unidos. Um dos fatores que fizeram a banda perder terreno em solo americano foi o lançamento do clipe I Wanna Break Free, em que os músicos estavam vestidos como drag queens. O vídeo foi considerado “ofensivo” por várias redes conservadoras da época, que barraram a sua transmissão – inclusive a MTV se recusou a mostrá-lo. Por causa disso, a música conseguiu apenas a posição 46ª nas paradas americanas – enquanto nos países europeus ela ficou no top 10 – no Reino Unido ela ficou em 3º lugar.

Freddie Mercury costumava dizer que o Queen era uma banda composta por quatro artistas solo que decidiram colaborar em um único projeto.

Os colegas de banda de Mercury atribuíram a Paul Prenter, assistente pessoal de Mercury, a responsabilidade pelo fornecimento de drogas e do estilo de vida com festas constante de celebridade do rock que marcaram parte da trajetória do cantor. Em última análise, Prenter tornou-se o gerente pessoal de Mercury, recusando entrevistas e cuidando de ter uma influência grande nas decisões e na rotina do artista.

O show no Rio de Janeiro mostrado no filme ocorreu, na verdade, em janeiro de 1985 e não em meados dos anos 1970, como Bohemian Rhapsody sugere. No início de 1985 o Queen se apresentou durante duas noites no Rock in Rio. Cada noite destas com um público de cerca de 250 mil pessoas. No dia 11 de janeiro o show deles foi precedido por Whitesnake e Iron Maiden. No dia 18 de janeiro, por Go-Go’s e The B-52. A multidão cantando junto com Mercury, como o filme mostra, realmente aconteceu.

O videoclipe de I Want to Break Free é uma paródia da novela britânica popular Coronation Street. No Reino Unido, como o clipe foi entendido como uma paródia, a música chegou até a terceira posição nas paradas. Nos Estados Unidos esse contexto não foi entendido e o vídeo foi barrado por muitas emissoras.

Na década de 1960, Freddie Mercury diplomou-se em Arte e Design Gráfico na Isleworth Polytechnic em Londres. Ele é o responsável pelo design do logotipo do Queen, que apresenta os signos do zodíaco de cada integrante da banda.

O estádio de Wimbley foi remodelado, demolido e reconstruído várias vezes ao longo dos anos. Apesar disso, não haviam plantas ou desenhos remanescentes do estádio quando do show em 1985. Por causa disso a equipe de design de produção de Bohemian Rhapsody teve que estudar vídeos e as fotografias que foram tiradas na época para projetar e parcialmente reconstruir o estádio como ele era quando do Live Aid.

Paul Prenter foi expulso do círculo de Freddie Mercury em 1986, depois que foi descoberto que ele praticamente “dizimou” o apartamento de Mercury no Stafford Terrace após uma festa que saiu do controle e para a qual ele não tinha autorização para fazer – e que nem foi do conhecimento de Mercury.

De acordo com a BBC, a produção do filme foi difícil porque tantos os produtores quanto o astro Rami Malek começaram a se cansar dos atrasos e dos “desaparecimentos” cada vez mais frequentes do diretor Bryan Singer. Em 2017, após o feriado de Ação de Graças, veio a gota d’água. Depois de faltar durante três dias seguidos dos sets de filmagens, alegando que precisava resolver um assunto de família – período no qual o diretor de fotografia Newton Thomas Sigel assumiu a direção -, o estúdio resolveu demitir Singer. A Fox começou então a procurar um diretor que terminasse as filmagens – faltavam cerca de duas semanas para os trabalhos terminarem -, fizesse a pós-produção e possíveis refilmagens. Foi aí que entrou em cena o diretor Dexter Fletcher.

Jim Hutton era um cabeleireiro irlandês que conheceu Freddie Mercury em um bar gay em Londres. Na primeira vez em que se encontraram, Hutton recusou uma bebida que Mercury ofereceu para ele. Um ano depois, quando os dois votaram a se encontrar, Hutton aceitou tomar uma bebida com ele.

Roger Taylor foi o primeiro membro do Queen a se lançar em uma carreira solo. Em 1977 ele lançou um single solo e, em 1980, começou a trabalhar em um álbum solo enquanto o Queen estava na produção de seu oitavo álbum de estúdio, The Game.

O ator Rami Malek usa peruca e prótese dentária em todas as cenas do filme.

Ao contrário de fontes que dizem que Mercury descobriu que era HIV positivo apenas após o Live Aid, o repórter e amigo de longa data do músico, David Wigg, disse que Mercury soube que tinha AIDS sete anos antes de morrer, ou seja, ele descobriu o diagnóstico em 1984.

O filme mostra Freddie Mercury isolado em Munique para gravar o seu primeiro álbum solo. Mas, na verdade, enquanto ele trabalhava nesse álbum solo, ele também seguiu trabalhando com o Queen, com quem ele gravou vários álbuns entre 1979 (The Game) e 1986 (A Kind of Magic).

A família Bulsara emigrou para a Inglaterra quando Freddie tinha 17 anos de idade para escapar da Revolução de Zanzibar. Os pais dele, Bomi e Jer, vieram de Mumbai e se mudaram para a Tanzânia quando o garoto nasceu. Ou seja, viajaram bastante antes de fincar a bandeira definitivamente nos EUA.

A entrevista na TV de Paul Prenter mostrada em Bohemian Rhapsody é fictícia. Apesar disso, de fato Prenter deu várias entrevista para o jornal The Sun depois que foi demitido, revelando vários segredos que eram mantido por Mercury.

Freddie Mercury escondeu que tinha AIDS por muitos anos. Apenas quando a aparência dele começou a mudar com maior intensidade é que ele falou para os amigos da banda e para algumas outras pessoas próximas que ele estava doente.

Mercury e Roger Taylor não se conheceram apenas após uma noite em que a banda Smile tocou. Os dois tinham juntos uma barraca de roupas usadas no mercado de Kensington. Além disso, Brian May conheceu Mary Austin e começou a sair com ela, ao mesmo tempo em que Freddie a conheceu na loja Biba. Como May e Mary não deram muito certo, Freddie disse para ele que estava interessado nela e aí começou a investir no relacionamento com Mary. Os dois ficaram juntos e ela chegou a ser pedida em casamento, mas eles acabaram não efetivando essa união.

Antes de entrar na banda Smile, Freddie Mercury tinha participado de duas outras bandas: Ibex (que depois mudou de nome para Wreckage) e Sour Milk Sea. Essas bandas eram “amigas” de Smile, ou seja, Mercury já era conhecido dos dois antes de pedir para fazer parte da banda deles.

Os usuários do site IMDb deram a nota 8,1 para Bohemian Rhapsody, enquanto que os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 219 críticas positivas e 140 negativas para esta produção (o que lhe garante uma aprovação de 61% e uma nota média de 6,1). O site Metacritic apresenta um “metascore” 49 para Bohemian Rhapsody, resultado de 17 críticas positivas, 23 medianas e 10 negativas. Sem dúvida alguma, é o filme que concorre na categoria Melhor Filme do Oscar com o menor nível de aprovação entre os críticos nesse ano.

De acordo com o site Box Office Mojo, Bohemian Rhapsody, que teria custado cerca de US$ 52 milhões, teria faturado, apenas nos Estados Unidos, US$ 213,1 milhões e, nos outros mercados em que o filme estreou, outros US$ 647,7 milhões. Ou seja, no total, o filme teria somado quase US$ 860,9 milhões, um tremendo sucesso de bilheteria -e um belo lucro para os seus produtores. O filme só não teve um sucesso maior, entre os concorrentes ao Oscar de Melhor Filme, do que Black Panther, que conseguiu, a nível global, quase US$ 1,35 bilhão.

Bohemian Rhapsody é uma coprodução do Reino Unido com os Estados Unidos. Por ser uma produção também dos Estados Unidos, o filme atende a uma votação feita há algum tempo aqui no blog.

CONCLUSÃO: Toda a energia contagiante do rock em um filme exemplar sobre uma banda que entrou para a história. Temos muita música em cena, além de um roteiro que busca homenagear o líder dessa banda. Bohemian Rhapody é um filme tecnicamente perfeito, que valoriza muito bem a música mas que falha um pouco ao apresentar o seu personagem principal. O roteiro não mergulha no líder do Queen de maneira perfeita, porque o personagem acaba não sendo tão complexo quanto deve ter sido na vida real. Chama a atenção, especialmente, como o filme explora pouco a homossexualidade do personagem, evitando dele aparecer em alguma cena mais erótica com outro homem, assim como trata pouco de seu envolvimento com as drogas. Ainda assim, é um filme emocionante e que enaltece as qualidades do rock como poucos. Vale ser visto e apreciado. Para mim, o melhor filme desta temporada.

PALPITES PARA O OSCAR 2019: Bohemian Rhapsody está indicado em 5 categorias da premiação anual da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. O filme concorre em Melhor Edição; Melhor Edição de Som; Melhor Mixagem de Som; Melhor Ator para Rami Malek; e Melhor Filme. Não deixa de chamar a atenção que o filme não concorre em diversas categorias principais, com destaque para a sua ausência em Melhor Diretor e Melhor Roteiro Original.

Olhando, francamente, para as categorias em que o filme foi indicado, apesar dele ter me encantado e ter feito o mesmo com grande parte do público, acho, honestamente, que ele tem poucas chances de premiação. Pelo menos quando olhamos para a categoria principal, Melhor Filme. Honestamente? Nesta temporada do Oscar, que considero uma das mais fracas dos últimos anos – ou da última década -, acho que tanto Bohemian Rhapsody quanto Green Book (favorito por ter vencido o prêmio dos produtores) ou The Favourite tem chances de levar o prêmio principal.

Bohemian Rhapsody, apesar de “aliviar” bastante a barra do homenageado, tem muitas qualidades para ser considerado o Melhor Filme desta temporada. Seria o meu favorito, caso o meu voto valesse para algo. Mas falando de chances reais do filme… bem, em um ano tão incerto, ele até pode levar.

Mas acho que a maior chance do filme vencer está nas categorias Melhor Ator – ainda que Rami Malek tenha que vencer a queda de braços com Christian Bale, outro forte candidato por Vice (comentado por aqui) – e Melhor Edição (com fortes candidatos a vencer, como Vice e The Favourite, este último com crítica neste link).

E nas outras categorias, Melhor Edição de Som e Melhor Mixagem de Som? Mais uma vez, a concorrência é forte. Em Melhor Edição de Som, Bohemian tem que vencer First Man (comentado aqui), Black Panther (com crítica neste link) e A Quiet Place (comentado aqui), outros trabalhos excelentes nesse quesito. Em Melhor Mixagem de Som, os grandes concorrentes seguem sendo First Man e Black Panther. Difícil prever um vencedor – ainda que eu achei que First Man pode levar alguma vantagem na disputa.

Dito isso, acho que tudo vai depender do humor dos votantes da Academia. Eles podem tanto consagrar Bohemian Rhapsody com os prêmios de Melhor Filme e Melhor Ator como podem ignorar solenemente a produção. Nas categorias técnicas, novamente vai depender do humor dos votantes, porque há filmes tão bom ou melhores que Bohemian nos respectivos requisitos. Se eu fosse chutar, diria que Bohemian ganhará os dois prêmios principais, e que esse ano, novamente, teremos uma certa “partilha” e distribuição dos prêmios entre diversos filmes. Veremos logo mais. 😉