E o Oscar 2016 foi para… (cobertura online e todos os premiados)

Preparations continue Wednesday February 24, 2016 for the 88th Oscars® for outstanding film achievements of 2015 which will be presented on Sunday, February 28, 2016 at the Dolby® Theatre and televised live by the ABC Television Network.

 

Chegou a hora, minha gente!

Depois de ter o Oscar no horizonte nos últimos meses – quem acompanha o blog sabe que desde o final de 2015 este é o tema predominante no Crítica (non)Sense da 7Arte -, hoje finalmente vamos ter as nossas dúvidas respondidas.

Afinal, The Revenant vai mesmo levar o prêmio principal? Depois de ficar chupando dedo em cinco premiações do Oscar, desta vez Leonardo DiCaprio vai conseguir uma estatueta para a sua estante? As principais previsões serão confirmadas ou teremos alguma zebra pelo caminho?

O Oscar é fascinante antes da premiação e no dia da entrega das estatuetas. A diversão anterior é garantida pela lista de indicados. E neste sentido o Oscar 2016 é especial. Há muitos filmes bons que vão ganhar poucos prêmios e outros que vão sair de mãos vazias mas que merecem ser vistos. Nesta matéria que produzi para o jornal Notícias do Dia comento sobre isso, além de trazer a lista completa dos favoritos segundo as bolsas de apostas e a lista de filmes que eu acho que mereciam ganhar nas principais categorias.

Como eu comentei no texto para o jornal, o Oscar 2016 tem uma lista boa de indicados. Claro que sempre tem algum filme supervalorizado – neste sentido vejo Bridge of Spies e Steve Jobs, por exemplo. Mas a maioria dos filmes merece ser visto. Recomendo, em especial, os filmes indicados em Melhor Documentário e Melhor Filme em Língua Estrangeira, além de outras produções indicadas nas categorias principais. A seleção está boa este ano.

88th Oscars®, Nominees Luncheon,Mantendo a tradição dos últimos anos, vou começar a cobertura algum tempo antes da premiação começar. A ideia é acompanhar as melhores entrevistas no tapete vermelho. Vejamos quem aparece. Antes de falar de quem está desfilando em Hollywood, contudo, vale fazer um pequeno comentário: será que estes dois aí da foto vão conseguir a sua primeira estatueta esta noite?

Se a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood manter a ordem de apresentação dos prêmios do ano passado, Sylvester Stallone será o primeiro dos dois a conquistar a desejada estatueta dourada. Leonardo DiCaprio, por outro lado, terá que esperar quase até o final da cerimônia – normalmente a categoria Melhor Ator é a penúltima a ser entregue. Até lá, certamente, ele terá que ouvir um monte de piadas sobre estar na fila para o Oscar. Logo saberemos. 😉

Este é o nono Oscar que eu acompanho aqui pelo blog – no ano passado, na verdade, além do texto aqui no site eu acompanhei a premiação pelo site do Notícias do Dia. Este ano vou fazer o mesmo. Agora, faltando praticamente uma hora e meia para a cerimônia apresentada pelo ator Chris Rock começar, o tapete vermelho no Dolby Theatre at Hollywood & Highland Center em Hollywood começa a ficar mais agitado. O canal E! está desde o meio da tarde fazendo a contagem regressiva para a premiação, mas o tapete vermelho começou a ficar interessante há pouco tempo.

A atriz Alicia Vikander, favoritíssima ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por The Danish Girl comentou sobre o teste para o papel. Ela disse que foi uma das melhores experiências que já teve como atriz porque eles ficaram conversando por muito tempo e testando a química com Eddie Redmayne. Alicia disse que está super nervosa e que acha a situação de estar no Oscar muito surreal.

Muito simpática, honesta e humilde. Sem dúvida alguma estou torcendo muito por ela. Será merecido levar o Oscar pelo ótimo trabalho em The Danish Girl. E para completar ela está usando um lindo vestido amarelo da marca Louis Vuitton. Já concorre à lista de uma das mais bonitas da noite.

room1Agora em cena no tapete vermelho o talentosíssimo Jacob Tremblay, astro de Room junto com Brie Larson. Os dois estão ótimos no filme que, aliás, é um dos melhores do Oscar 2016.

Na entrevista para o E! o garoto deu um show. Brincou que estava vendo muitas pernas por ali. Comentou que vai torcer pela colega de cena, Brie Larson, e que deu um soco de brincadeira no Sylvester Stallone porque ele tirou o lugar dele na categoria de Melhor Ator Coadjuvante. Figuraça! E ele tem razão. Sem dúvida alguma merecia ter sido indicado ao Oscar este ano.

A exemplo de Black Swan no Oscar 2011, neste ano a minha torcida é toda para Room. Para mim, os dois filmes foram os mais surpreendentes em seus respectivos anos. Mesmo concorrendo a Melhor Filme, é claro que Room não tem chances neste ano. Mas ganhando em Melhor Atriz e em qualquer outra categoria já será uma alegria.

Vale lembrar que The Revenant é o filme mais indicado da noite, concorrendo em 12 categorias. Em seguida aparece o filme Mad Max: Fury Road, com 10 indicações; The Martian, com sete; Spotlight empatado com Carol e Bridge of Spies com seis; e The Big Short e Star Wars: The Force Awakens com cinco indicações cada.

Em número de estatuetas os destaques devem ser The Revenant e Mad Max: Fury Road – o primeiro ganhando várias das categorias principais e, o segundo, boa parte das categorias técnicas. Se algo acontecer além disso, será surpreendente.

Importante destacar também o filme O Menino e o Mundo. A produção brasileira dirigida por Alê Abreu marca a primeira indicação do Brasil para a categoria Melhor Animação. Vale torcer por ele, ainda que o favoritíssimo Inside Out deve levar a estatueta para casa.

A atriz Olivia Wilde aparece no tapete vermelho e comenta o curta Body Team 12 que ela produz e que está concorrendo na categoria Melhor Curta Documentário. Infelizmente nenhum dos concorrentes está disponível na internet, mas pelo trailer do filme, que trata de um grupo de pessoas que trabalhou recolhendo corpos vitimados pelo ebola, o curta parece ser uma baita produção. É considera a favorita na sua categoria na noite – ainda que a disputa está boa em Melhor Curta Documentário.

Faltando quase uma hora para a cerimônia da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood começar, fechei a votação aqui no blog sobre o filme que será consagrado esta noite. Obrigada por cada um dos votos, meus bons leitores e leitoras. 😉

therevenant1O favorito dos leitores aqui do blog é o filme The Revenant, com 34,23% dos votos. Em seguida aparecem Mad Max: Fury Road, com 19,82%; Room, com 17,12%; e Spotlight com 16,22%. Bacana. Muito bons os palpites.

No tapete vermelho, a atriz Saoirse Ronan fala sobre Brooklyn. Ela está linda e parece muito mais adulta do que ela tem aparecido no cinema – inclusive neste filme que lhe rendeu a sua segunda indicação ao Oscar. Para o Oscar ela vestiu um vestido Calvin Klein Collection.

Em cena o grande Eddie Redmayne, que está mais uma vez ótimo em The Danish Girl. Super elegante, como sempre, ele comenta sobre a preparação para o filme. “As pessoas foram muito generosas”, comenta Redmayne sobre a busca por mais informações e o laboratório que ele fez com transgêneros e com mulheres de diversos perfis. Ele sim é generoso. Inclusive porque elogiou muito Alicia Vikander, sua parceira de cena. Redmayne veste Alexander McQueen.

As atrizes Brie Larson e Rooney Mara estão lindíssimas. Certamente estarão também na lista das mais bonitas da noite. Não por acaso a cerimônia do Oscar interessa a tanta gente. De fato os astros e estrelas  de Hollywood capricham no visual – e movimentam as principais marcas de alta costura do mercado.

Agora no tapete vermelho do Oscar a ótima Brie Larson. Ela comenta que ser indicada ao Oscar é o ponto máximo da carreira de qualquer atriz e que desde criança ela sonhava com isso. Ela brinca que em premiações como o Oscar e o Golden Globes o pessoal passa fome antes, mas que ela viu as fotos dos quitutes deste ano e está louca para atacar os sanduíches e os Oscar’s de chocolate. Brie está usando um vestido Gucci azul belíssimo.

A transmissão do tapete vermelho do E! terminou e agora a bola passa para o canal TNT. Em cena agora Matt Damon, indicado a Melhor Ator por The Martian. Ele comenta que é fabuloso como o filme atinge a espectadores de várias idades. “Foi uma das experiências mais prazerosas que eu já tive”, comenta Matt Damon sobre trabalhar com Ridley Scott, diretor de The Martian. Um pouco irônico, ele brinca que não foi como fazer The Revenant – o filme de Alejandro González Iñarritu foi muito complicado de ser realizado, inclusive nos bastidores.

A atriz Julianne Moore, vencedora como Melhor Atriz no ano passado, aparece linda no tapete vermelho e comenta sobre a emoção do público com Sylvester Stallone. Julianne comenta que ele foi muito generoso com ela quando ela começou a carreira. Entre os filmes que a emocionaram neste ano ela cita Room.

Pessoal, a partir de agora começo a fazer a cobertura pelo Twitter do jornal Notícias do Dia. Acompanhem a hashtag #NDnoOscar. Também dá para acompanhar todas as atualizações pelo site do jornal.

 

88th Oscars®, Academy Awards, TelecastFinalizada a cobertura do Oscar pelo Notícias do Dia, volto aqui para o blog. Gostei da premiação deste ano. Tivemos quase todas as surpresas nos lugares certos, muitos discursos políticos adequados e uma velocidade um pouco maior na apresentação das diferentes categorias. No geral, eu gostei. Também por Spotlight levar o prêmio principal da noite, por Room ter consagrado Brie Larson e por ver DiCaprio finalmente ganhando uma estatueta. Um dos pontos altos da noite e fato que já entra para a história foi a consagração mais que merecida de Ennio Morricone.

Agradeço a quem acompanhou a cobertura da noite inicialmente por aqui e, depois, pelo Twitter do ND. Aproveito para reproduzir por aqui o texto de resumo da premiação que eu fiz para o jornal. Buenas noches y hasta la vista!

 

Em uma noite carregada de discursos políticos, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood promoveu a entrega do Oscar em Hollywood. Como esperado, Mad Max: Estrada da Fúria conquistou quase todos os prêmios técnicos, somando seis estatuetas no total, enquanto Spotlight: Segredos Revelados foi consagrado como o Melhor Filme. O Regresso, apontado por muitos como o favorito para Melhor Filme, venceu em Melhor Diretor, Melhor Ator e Melhor Fotografia.

Durante quase toda a noite o Oscar apresentado por Chris Rock debateu o racismo e a falta de indicados negros na premiação. O vice-presidente dos Estados Unidos Joe Biden fez uma aparição diferenciada para chamar a atenção para o problema da violência contra as mulheres e chamou ao palco Lady Gaga. Apesar de ser a favorita na categoria Melhor Canção Original, a artista perdeu o Oscar para a canção de Sam Smith. Ele, ao subir para fazer o discurso de agradecimento, levantou o terceiro tema relevante da noite: o respeito a gays e lésbicas.

Fechando a lista de discursos políticos, o diretor Alejandro González Inãrritu pediu para as pessoas encararem a cor da pele como algo irrelevante, já que todos são iguais, e o ator Leonardo DiCaprio pediu para que as pessoas tenham mais cuidado com o mundo e com a Natureza. “Não vamos ignorar o planeta e não vamos ignorar esta noite”, finalizou DiCaprio. O brasileiro Alê Abreu, indicado com O Menino e o Mundo na categoria Melhor Animação, perdeu a estatueta para o favorito Divertida Mente.

 

Confira, a seguir, a lista de todos os premiados no Oscar 2016:

– Melhor Filme: Spotlight

– Melhor Diretor: Alejandro González Iñarritu, por The Revenant

– Melhor Ator: Leonardo DiCaprio, por The Revenant

– Melhor Atriz: Brie Larson, por Room

– Melhor Ator Coadjuvante: Mark Rylance, por Bridge of Spies

– Melhor Atriz Coadjuvante: Alicia Vikander, por The Danish Girl

– Melhor Documentário: Amy

– Melhor Filme em Língua Estrangeira: Son of Saul

– Melhor Animação: Inside Out

– Melhor Roteiro Adaptado: The Big Short

– Melhor Roteiro Original: Spotlight

– Melhor Edição: Mad Max: Fury Road

– Melhores Efeitos Visuais: Ex Machina

– Melhor Fotografia: The Revenant

– Melhor Edição de Som: Mad Max: Fury Road

– Melhor Mixagem de Som: Mad Max: Fury Road

– Melhor Trilha Sonora: The Eight Hateful

– Melhor Maquiagem e Cabelo: Mad Max: Fury Road

– Melhor Design de Produção: Mad Max: Fury Road

– Melhor Figurino: Mad Max: Fury Road

– Melhor Canção Original: “Writing’s On the Wall”, do filme Spectre

– Melhor Curta: Stutterer

– Melhor Curta Documentário: A Girl in the River: The Price of Forgiveness

– Melhor Curta de Animação: Bear Story

 

E vale dar a foto história de Spotlight vencendo como Melhor Filme:

88th Oscars®, Academy Awards, Telecast

Curtas Documentário Indicados ao Oscar 2016

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Finalizando a contagem regressiva para o Oscar 2016, comento neste post os curtas que estão indicados na categoria Melhor Curta Documentário. Na categoria de Melhor Documentário o ano foi de uma boa seleção. Veremos agora se isso se aplica também em relação aos curtas.

Como comentei nos outros dois textos sobre os curtas indicados neste ano no Oscar, sempre acho bacana conferir estas produções indicadas porque, além da maioria delas ser de alta qualidade, elas também nos apresentam diretores e atores que podem despontar nos próximos anos em longas. Em outras edições do Oscar eu cheguei a comentar sobre os curtas finalistas em animação, mas nunca consegui, como agora, falar das três categorias premiadas pelo Oscar. Fico feliz de compartilhar isso com vocês.

Bem, feitos estes comentários, vamos aos curtas de documentário indicados neste ano.

 

1. Body Team 12

Este curta com 13 minutos da Libéria chega ao Oscar como favorito entre os apostadores. Com roteiro e direção de David Darg, Body Team 12 conta a história do grupo que dá nome ao curta e que é “encarregado de recolher os mortos durante o auge do surto de ebola”. De acordo ainda com os produtores do filme, este grupo de “coletores de corpos tem sem dúvida alguma o trabalho mais perigoso e horrível do mundo. Contudo, apesar da tensão de seu trabalho, eles atuam como heróis enquanto o filme explora a filosofia e a força do grupo”.

Para início de conversa, apenas lendo a premissa do curta, já achei incrível a escolha de Darg da história que ele iria contar. A epidemia de ebola foi uma das histórias mais complicadas e tristes da humanidade recentemente e, a exemplo da imigração massiva que a Europa está vivendo agora e que é outro tema vital, esse trabalho com a epidemia deveria render muitos curtas e filmes.

O curta não está disponível na íntegra, mas há o trailer da produção e alguns materiais paralelos com entrevistas com Darg que valem ser vistos porque dão uma boa ideia do material produzido por ele. As imagens são de arrepiar. Sem dúvida alguma é um curta forte e super necessário. Fiquei arrepiada apenas com as cenas que eu vi, imagina assistir aos 13 minutos! Na verdade, fiquei sedenta por ver a Body Team 12.

No trailer é possível ver a desgraça em estado puro. Muitas mortes, por todos os lados, e cada uma delas significando a perda de um ente querido para algum familiar. Como Darg diz na entrevista para a AFI, foi um curta difícil de ser feito tanto do lado físico quanto emocional. Sem dúvida alguma o diretor se arriscou para filmar Body Team 12 mas, ao fazer isso, ele deu um grande presente para todos nós. Nem vi ainda aos outros concorrentes, mas desde já concordo com o palpite dos apostadores de que este é o grande favorito.

Vi alguns vídeos com a atriz Olivia Wilde comentando Body Team 12 e só depois fui entender a razão dela divulgar o curta: ela é a produtora executiva da produção. 😉 Segundo Wilde, Darg teve que ser colocado em quarentena durante 45 dias após as filmagens por causa do risco de contaminação. Ele aproveitou este período para editar o curta. De acordo com o site oficial do curta, ele já recebeu três prêmios. Os usuários do site IMDb deram a nota 7,2 para esta produção. Achei uma avaliação um tanto baixa… mas falta assistir ele na íntegra para saber. Confira o trailer do curta por aqui:

 

E confira uma entrevista com o diretor feita para a AFI neste link:

 

 

2. Chau, Beyond the Lines ou War Within the Walls

Você acha que acabou de ver a um baita curta de documentário – não ver, exatamente, mas saber sobre – e daí, na sequência, aparece outro com uma história tão incrível quanto. Chau, Beyond the Lines é uma coprodução do Vietnã e dos Estados Unidos e conta a história de Chau, um adolescente de 16 anos que vive em um campo pacificado vietnamita para crianças incapacitadas pelo Agente Laranja. Segundo a sinopse dos produtores, ele “batalha entre a realidade e o sonho de um dia se tornar um design de moda profissional”.

Fala sério! Fiquei arrepiada só de ler sobre o curta. Esta produção dirigida por Courtney Marsh e baseada na história escrita por ela e por Marcelo Mitnik tem 34 minutos de duração. Não consegui encontrar ela na íntegra na internet, mas achei o trailer e um depoimento da diretora para a apresentadora Ondi Timoner do BYOD e que está disponível no canal do YouTube da TheLipTV (divulgo os dois abaixo).

Apenas o trailer já é de arrepiar. Achei importantíssimo um filme como esse chegar ao Oscar. Afinal, a premiação da Academia é a mais conhecida do cinema e, por estar em Hollywood, ganha outra visibilidade nos Estados Unidos. E foi justamente os Estados Unidos que deixaram aquele legado vergonhoso e de destruição ao usar o Agente Laranja na Guerra do Vietnã.

A realidade de Chau é dura, mas ele quer seguir com os sonhos, apesar de todos ao redor dizerem que é impossível ele conseguir o que deseja. Apenas o trailer já nos instiga a ver ao curta inteiro. Achei o trabalho da diretora Courtney Marsh fantástico. Este é o oitavo documentário dirigido por ela e o seu primeiro no gênero documentário. Sem dúvida é um nome a ser acompanhado. Chau, Beyond the Line já ganhou quatro prêmios. Na bolsa de apostas para o Oscar ele aparece em último lugar entre os cinco concorrentes. Os usuários do site IMDb deram a nota 7,1 para esta produção. Confira o trailer aqui:

 

Confira neste link um trecho da entrevista da diretora para o programa BYOD – nele ela comenta, entre outros pontos, como está Chau hoje em dia:

 

 

3. Claude Lanzmann: Spectres of the Shoah

Este curta com direção e roteiro de Adam Benzine se debruça sobre o trabalho de Claude Lanzmann, diretor do documentário Shoah, de 1985. Com 40 minutos de duração, o curta discute o processo de direção, produção, edição e narrativa adotado por Lanzmann.

O site da Variety contextualiza um pouco mais este curta: “Claude Lanzmann: Spectres of the Shoah começa colocando o monumental documentário de 10 horas do jornalista/documentarista sobre o Holocausto ‘Shoah’ em um contexto rápido com observações do crítico de cinema Richard Brody e o diretor Marcel Ophuls. Em seguida ele mergulha de cabeça em um estudo de sua criação, com Lanzmann contando a grande carga emocional dos sete anos de produção e cinco anos de edição feita por ele. É ao mesmo tempo um retrato fascinante de um homem abertamente pessimista sobre o mundo e uma destilação única de um processo criativo que produziu um dos mais poderosos documentos cinematográficos do nosso tempo”.

A exemplo dos dois curtas documentário comentados anteriormente, esta produção não está disponível na íntegra na internet. Mais uma vez o trailer do curta se vende bem. O depoimento de Lanzmann é provocador. Ele diz que Shoah não é um filme sobre sobrevivência, mas sobre morte e sobre a falta de humanidade. Interessante. Além do mais, bacana ver um curta que se debruçou sobre o processo de um diretor de documentário. Importante para quem gosta de cinema.

Na bolsa de apostas para o Oscar este curta aparece em segundo lugar entre os concorrentes – atrás apenas de Body Team 12. O tema de Claude Lanzmann: Spectres of the Shoah é um dos preferidos da Academia – que segue tendo uma parcela importante de votantes de origem judia. Outro filme que aborda o extermínio da Segunda Guerra Mundial é o favorito na categoria Melhor Filme em Língua Estrangeira: Son of Saul.

Antes de fazer este curta, o diretor Adam Benzine havia dirigido ao longa de documentário Lanzmann. Como não assisti a nenhum dos dois, fiquei curiosa para saber qual é a grande diferença entre eles, especialmente porque ambos, me parece, abordam o mesmo tema e personagem. Enfim, a conferir… Coproduzido pelo Canadá, pelos Estados Unidos e pelo Reino Unido, este curta recebeu a nota 6,9 pelos usuários do site IMDb. Confira o trailer da produção neste link:

 

E confira a entrevista de Benzine para a apresentadora Ondi Timoner do BYOD e que está disponível no canal do YouTube da TheLipTV – aliás, palmas para essa apresentadora que explora muito bem os indicados nesta categoria neste ano:

 

4. A Girl in the River: The Price of Forgiveness

A lista de indicados este ano na categoria Melhor Curta Documentário está realmente fortíssima. A experiente diretora Sharmeen Obaid-Chinoy concorre com este curta com 40 minutos de duração que aborda um caso seríssimo no Paquistão: a morte de pouco mais de 1 mil mulheres todos os anos naquele país em “nome da honra”. A Girl in the River: The Price of Forgiveness narra a rara história de uma vítima que se apaixonou e quase foi morta, mas conseguiu sobreviver para poder contar a sua história.

Produzido no Paquistão, este curta é o sétimo trabalho de Sharmeen Obaid-Chinoy. Ela estrou em 2011 dirigindo um episódios de uma série de documentários da TV. Depois, codirigiu outro curta documentário em 2012, um novo episódio para uma série de TV de documentários em 2013 e, finalmente no ano passado ela lançou o seu primeiro documentário com assinatura solo. No mesmo ano vieram outros dois longas e este curta.

A diretora não é uma estreante no Oscar. Ela já ganhou uma estatueta dourada em 2012 pelo curta documentário Saving Face que ela dirigiu junto com Daniel Junge. O novo curta da diretora aparece em terceiro lugar na lista de apostas para o Oscar. O trailer do filme, bem curtinho, não ajuda muito a termos uma ideia sobre a produção além daquela sinopse ali de cima. Os usuários do site IMDb deram a nota 8,4 para a produção – uma bela avaliação. Confira aqui o trailer deste curta:

 

 

5. Last Day of Freedom

Fechando a lista de curtas documentário indicados ao Oscar neste ano, temos a interessante proposta das diretoras Dee Hibbert-Jones e Nomi Talisman com este Last Day of Freedom. O curta com 32 minutos de duração conta a história do dilema de Bill Babbitt quando ele descobre que o seu irmão Manny tinha cometido um crime. Ele fica dividido entre fazer o certo e chamar a polícia ou ajudar o irmão que enfrenta os riscos de uma pena capital.

Produção 100% dos Estados Unidos, Last Day of Freedom marca a estreia das duas realizadores no cinema segundo o site IMDb. No site oficial do curta é interessante ler o depoimento da diretora Nomi Talisman. Ela trabalhava para uma organização sem fins lucrativos de mitigação em casos de julgamentos de pena capital. Ouvindo a história de várias pessoas envolvidas no processo, inicialmente ela pensou em fazer diversos registros e utiliza-los em uma instalação em galerias e museus.

Mas quando a diretora conheceu Bill Babbitt ela percebeu que precisava focar na história dele e fazer um documentário sobre aquela história complexa e dolorosa que envolvia veteranos de guerra, desordem provocada por estresse pós-traumático, racismo, as falhas do sistema americano da “injustiça criminosa”, laços familiares e pena de morte. Achei interessante o depoimento dela e também o material que eu vi de trailer e making off do curta. Gostei da criatividade e do tema das diretoras.

Na bolsa de apostas para o Oscar este curta aparece na penúltima posição. Segundo o site oficial da produção ela já ganhou 11 prêmios. Os usuários do site IMDb deram a nota 7,6 para este curta. Confira o trailer dele por aqui:

 

Confira também o making of de Last Day of Freedom:

 

E finalizando a divulgação, confira mais esta entrevista da apresentadora Ondi Timoner com os realizadores deste curta e também de Body Team 12:

 

 

PALPITES PARA O OSCAR 2016: Difícil avaliar quem vai levar a estatueta dourada sem ter visto, realmente, a nenhum dos indicados, apenas os trailers sobre eles e mais algum material extra da maioria. Mas o que eu posso dizer, de antemão, é que a disputa nesta categoria está boa, uma das mais acirradas da noite do Oscar, sem dúvida. Ainda que diversos destes títulos merecessem uma estatueta, apenas um deles sairá vencedor.

Ainda que o tema do Holocausto seja caro para Hollywood, acho que a disputa ficará mesmo entre Body Team 12 e Chau, Beyond the Lines ou Last Day of Freedom. O óbvio seria a Academia premiar Claude Lanzmann: Spectres of the Shoah. Seria corajoso se ela premiasse um documentário diferente na narrativa como Last Day of Freedom. Ficarei no meio do caminho, fugindo do óbvio e do ousado. Acho que o Oscar irá mesmo para Body Team 12. 😉

Curtas de Ficção Indicados ao Oscar 2016 – Avaliação

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Olá meus caros leitores e leitoras.

Sigo na missão do Oscar 2016. Desta vez resolvi comentar a todos os curtas que estão concorrendo à uma estatueta. Acho esta categoria tão importante quanto qualquer outra, apesar dela ser menos comentada – inclusive aqui no blog. Como a premiação já será feita amanhã, vale ainda hoje conhecer um pouco mais sobre os indicados nestas categorias.

Lembrando que apesar da dificuldade de encontrarmos os curtas indicados ao Oscar para assistir, vale a pena ficar de olho nos festivais pelo país e na internet para quando estas produções estiverem “liberadas”. Todo diretor que se preze um dia já fez um curta. Há muitas produções de qualidade neste formato. Vejamos os indicados na categoria Melhor Curta de Ficção:

 

1. Ave Maria

O trailer é instigante. Vemos a um grupo de freiras em voto de silêncio que acabam sendo surpreendidas por um acidente de carro de uma família. Sem dúvida alguma dá vontade de ver ao curta de 15 minutos inteiro para saber o que acontece na sequência.

Dirigido pelo israelense Basil Khalil, este curta tem roteiro assinado por Khalil e Daniel Yáñez Khalil. A sinopse do curta é a seguinte: “A rotina silenciosa de cinco freiras que vivem no deserto da Cisjordânia é interrompida por uma família de colonos israelitas que se acidenta em frente ao convento justamente quando o Sabá está começando. A família quer voltar para casa logo, mas a lei do Sabá proíbe que os israelenses utilizem o telefone. Por sua vez, as freiras estão com o voto de silêncio. Para sair daquela situação, eles devem procurar juntos uma alternativa nada ortodoxa”.

Lendo a sinopse e na própria descrição do curta ele está classificado como comédia. O trailer confirma essa impressão. Mas, sem dúvida, o filme utiliza a comédia para falar sobre diálogo inter-religioso, sobre fé e convivência social. Coproduzido pela Palestina, pela França e pela Alemanha, este curta já é a sétima produzida dirigida pelo jovem Basil Khalil, de 35 anos. No currículo ele já tem um documentário para cinema, dois documentários para a TV, um outro curta, um curta de documentário para a TV e o episódio de uma série de TV de documentários.

Até agora Ave Maria ganhou quatro prêmios e foi indicado a outros 12 – incluindo a indicação para o Oscar. O curta está na dianteira na bolsa de apostas para a categoria, mas no site IMDb ele tem apenas a avaliação 6,6. Confira o trailer do curta:

 

 

2. Day One

Vários filmes tem abordado a questão do Afeganistão – inclusive uma das produções indicadas este ano ao Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira. O curta Day One parece abordar a questão sob um ângulo até então não explorado: o de uma mulher envolvida no conflito e na tensão diária do país.

Segundo a sinopse do curta, Day One é “inspirado em uma história verdadeira de uma mulher afegã-americana que após sair de um divórcio se junta ao Exército dos EUA como intérprete. No primeiro dia de trabalho dela no Afeganistão, a unidade que ela integra investiga uma casa remota que seria de um fabricante de bombas. Quando a mulher do fabricante de bombas entra em trabalho de parto, a intérprete recém-chegada deve deixar o trabalho como militar de lado para fazer o parto”.

Tanto o trailer quanto a sinopse me parecem um pouco “sentimentalóides”, ou não? Ainda que eu tenha achado a premissa diferente, especialmente por abordar uma mulher naquela zona de conflito mas em uma posição privilegiada, me pareceu que o curta é um tanto dramático demais. De fato Day One se classifica como um curta dramático e de guerra.

Produzido 100% nos Estados Unidos, Day One é dirigido por Henry Hughes, um estreante na direção e no roteiro segundo o site IMDb. O curta tem 25 minutos de duração e recebeu, até agora, quatro prêmios. Como o próprio site oficial do filme comenta, a protagonista deste curta passa por situações em que as questões de gênero e religiosas acabam tendo uma importância grande.

Interessante ler o depoimento do diretor no site oficial do curta. Há uma foto dele de 2009, quando ele serviu ao Exército no Afeganistão, e ao seu lado uma intérprete. O curta é baseado na história dela. Hughes chama a sua ex-colega de Exército de “musa”. Nas bolsas de apostas Day One aparece na penúltima posição. Os usuários do site IMDb deram a nota 6,8 para o curta. Me chamou a atenção o elenco envolvido no projeto. Há pelo menos dois atores conhecidinhos no grupo: Layla Alizada (conhecida por séries de TV) e Navid Negahban (de muitos filmes, como American Sniper, Brothers e The Stoning of Soraya M.). Confira o trailer de Day One aqui:

 

 

3. Everything Will Be Okay

Este curta coproduzido pela Alemanha e pela Áustria é, claramente, um drama sobre as dificuldades da vida após o divórcio – tanto pela ótica de um pai quanto de sua filha. O trailer do curta deixa o espectador tenso imaginando o desdobramento dos fatos. Com 30 minutos de duração, Everything Will Be Okay é dirigido por Patrick Vollrath, um diretor que aos 30 anos já contabiliza sete curtas no currículo – incluindo este novo filme.

Originalmente intitulado como Alles Wird Gut, este curta tem a seguinte sinopse: “Um pai divorciado pega a sua filha de oito anos de idade, Lea, para eles passarem o final de semana juntos. Cada segundo do final de semana parece ser bonito, mas depois de um tempo Lea começa a sentir que tem algo de errado. A partir daí eles começam a experimentar uma viagem fatídica”.

Eu não sei o que se vende melhor, se o trailer ou a sinopse. hehehehehehe. Se por um lado eles despertam a curiosidade, por outro me pareceram não ter a força necessária para realmente fazer alguém ir atrás do curta. O filme é estrelado pelo veterano ator austríaco Simon Schwarz. Ele faz uma dobradinha com a jovem Julia Pointner.

Até o momento Everything Will Be Okay ganhou 18 prêmios e foi indicado a outros sete – incluindo nas indicações o Oscar. Na bolsa de apostas esta produção aparece em último lugar. No site do diretor há uma lista bem maior de prêmios do que a citada pelo IMDb. Por falar em IMDb, os usuários do site deram a nota 7,6 para este curta. Confira o trailer de Everything Will Be Okay aqui:

 

 

4. Shok

Outro país estreando nas indicações ao Oscar: Kosovo. O país, que lutou tanto para ser independente e que conseguiu ser reconhecido por metade dos países da ONU como tal a partir de 2008, chega pela primeira vez ao prêmio máximo da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood com o curta Shok, coproduzido pelo Reino Unido.

Para a nossa alegria o curta, que é bem forte, está disponível na íntegra no link abaixo. Antes de falar sobre ele após ter tido a sorte de assisti-lo, vou repassar o que os produtores divulgaram como sendo a sinopse de Shok: “A amizade de dois meninos é testada até os seus limite enquanto eles lutam pela sobrevivência durante a guerra de Kosovo”.

Vale contextualizar e relembrar um pouco a história de Kosovo. Depois de fazer parte dos impérios romano, bizantino, búlgaro, sérvio e otomano, no século passado Kosovo passou para as mãos do Reino da Sérvia, do império italiano e da Iugoslávia. Os problemas no território começaram em 1912, quando apesar do país ter a maioria da população de origem albanesa – 95% da população, aproximadamente -, ele passou a ser integrado pela Sérvia e não pelo principado da Albânia.

Apesar de rebeliões albanesas em dois períodos, o país se tornou parte da Sérvia até que entre 1941 e 1944 ele passou a ser anexado à Albânia durante a ocupação italiana. Após ser reintegrado à Iugoslávia, o território se tornou autônomo, ainda que integrado à república Sérvia.

Em 1991 o país declarou a independência, mas houve uma resistência forte do regime de Slobodan Milosevic e os conflitos internos começaram, até que em 1999 a OTAN atacou a Iugoslávia dando início a Guerra de Kosovo. Enquanto a OTAN atacava alvos iugoslavos, as guerrilhas albanesas se digladiavam com as forças sérvias. Por causa disso foram formados grandes contingentes de refugiados – algo que é mostrado em Shok.

Feita esta ponderação, um rápido comentário sobre o curta dirigido por Jamie Donoughue e que tem 21 minutos de duração. A história é bem construída e vai direto ao que interessa. Primeiro, apresenta com naturalidade e uma certa rapidez a grande amizade entre Oki (Andi Bajgora) e Petrit (Lum Veseli). Depois, esperando que o espectador lembre do que eu comentei acima sobre Kosovo, o diretor logo mostra o risco da proximidade dos soldados. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao curta). No final, o curta mostra que a guerra é cruel, desumana, e faz muita gente perder seus melhores amigos – não importa se eles são adultos ou crianças.

Acho que o Shok é muito competente na narrativa da história que ele quer contar. Mérito da direção e do roteiro de Donoughue que, antes, dirigiu a apenas um longa e codirigiu a um curta. Trabalham muito bem também os atores envolvidos no projeto, especialmente os garotos que dão a vida a Oki e Petrit.

Na bolsa de apostas para o Oscar, Shok aparece em segundo lugar – apenas atrás de Ave Maria. De acordo com o site IMDb, Shok recebeu, até o momento, 11 prêmios. Os usuários do site, aliás, conferiram a nota 8,5 para este curta. Achei uma boa avaliação. Eu ficaria entre 8,5 e 9. Confira o curta na íntegra por aqui – no idioma original e com legendas em espanhol:

 

 

5. Stutterer

Fechando a lista de indicados na categoria Melhor Curta de Ficção temos Stutterer, produção do Reino Unido com roteiro e direção de Benjamin Cleary. Os produtores divulgam a sinopse do curta desta forma: “Um tipógrafo solitário tem um discurso cruel de impedimento mas, ao mesmo tempo, uma voz interior eloquente lhe motiva a enfrentar o seu maior medo”.

Para a nossa sorte, a exemplo do representante de Kosovo, Stutterer está disponível integralmente na internet. Depois de assistir ao curta de 12 minutos, farei alguns comentários sobre ele. Para começar, o filme de Cleary tem muitas características ao mesmo tempo. No início, ele parece um filme um tanto angustiante, um tanto previsível. Até que ele nos apresenta uma sacada ótima.

A angústia está no protagonista, um jovem tipógrafo boa pinta que tem problemas sérios de comunicação. O próprio pensamento dele é repetitivo e um tanto desordenado. A fala, então… complicadíssima – para não dizer impossível. Por isso mesmo ele aprendeu a língua dos sinais e muitas vezes “foge” de se comunicar através dela. E justamente por causa disso o filme tem uma virada bonitinha e fofa no final.

No início, Stutterer parecia um filme muito singelo. Sobre a angustiante realidade de diversas pessoas que não conseguem se encaixar muito bem em uma sociedade com excesso de discursos. No final, ele ganha pontos pela “virada” do diretor, que deixa uma mensagem de esperança – todos, afinal, podem ser felizes. Ainda assim, perto de Shok, sem dúvida este filme é menor e corre por fora na disputa.

Além da boa sacada do diretor, que tem um roteiro bem inteligente e uma narrativa condizente com o seu texto, Stutterer tem a qualidade de ter um bom ator em cena. Gostei de Matthew Needham como Greenwood. Além dele, aparecem no curta Chloe Pirrie como Ellie e Eric Richard como o pai de Greenwood. Este é o terceiro roteiro de Benjamin Cleary e a estreia na direção dele. Sem dúvida alguma é um nome a ser acompanhado. Ele tem estilo.

Segundo o canal do diretor no Vimeo, Stutterer já ganhou 11 prêmios em diferentes festivais pelo mundo. Na bolsa de apostas sobre o Oscar o filme aparece em terceiro lugar entre os favoritos. Os usuários do site IMDb deram a nota 7,7 para a produção. Eu daria uma nota um pouco maior, talvez um 8 ou um 8,5. Confira neste link o curta na íntegra – com o idioma original em inglês:

 

 

PALPITES PARA O OSCAR 2016: Dois dos cinco filmes indicados na categoria Melhor Curta de Ficção estão disponíveis integralmente na internet para serem vistos antes da premiação. Isso é um presente. Mas o paraíso seria termos os cinco, não é mesmo? Tendo assistido aos curtas Shok e Stutterer na íntegra e apenas ao trailer dos outros três, posso comentar que realmente parece que a decisão ficará entre Ave Maria e Shok.

Ainda que Day One, Everything Will Be Okay e Stutterer tenham as suas qualidades, acho que eles não tem a força de Shok ou a criatividade de Ave Maria para conquistar uma estatueta dourada. Independente do resultado, mais uma vez o Oscar mostra abertura para produções com propostas muito diferentes e nos ajuda a conhecer novos diretores de diferentes partes do mundo. Isso, por si só, já é bacana.

Curtas de Animação Indicados ao Oscar 2016

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Olá, meus caros leitores e leitoras do blog.

Amanhã à noite vai terminar a nossa expectativa sobre os premiados do Oscar 2016. Em outros anos eu comentei sobre os curtas que concorrem à premiação anual da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. Nem sempre sobrou tempo para fazer isso, mas resolvi retomar os comentários sobre os curtas neste ano.

Infelizmente no Brasil não temos tanto o hábito de assistir a curtas quanto deveríamos. Afinal, este é um produto tão interessante quanto um longa e, geralmente, é nos curtas que grandes diretores e outros profissionais começam. Diferente dos longas, também é mais difícil de encontrar estes curtas para assistir – seja nos cinemas ou mesmo na internet. Por isso vou divulgar, por aqui, um resumo de cada curta e disponibilizar os trailers.

Vou começar os comentários sobre os curtas indicados este ano pela categoria Melhor Curta de Animação. Os cinco indicados são Bear Story (Historia de un Orso); Prologue; Sanjay’s Super Team; We Can’t Live Without Cosmos; e World of Tomorrow. Vamos falar um pouco de cada um deles.

 

1. Bear Story (Historia de un Orso) ou A História de Um Urso

Primeiro curta-metragem de animação produzido pelo Chile a concorrer a um Oscar, Historia de un Orso é dirigido por Gabriel Osorio Vargas. O curta com 11 minutos de duração marca a estreia do diretor na direção para o cinema – antes ele dirigiu apenas a série de TV Flipos.

De acordo com o site oficial do filme, Historia de un Orso é inspirado no exílio do avô de Osorio Vargas durante o regime militar chileno. No curta, um velho urso solitário conta a sua própria história através de um diorama mecânico. Ainda conforme o site oficial, a história é sobre “um urso que deseja voltar para a sua família, onde ele pertence”. Dirigido por Gabriel Osorio Vargas, o curta é produzido por Pato Escala.

Depois de estrear no Festival de Animação de Annecy, em 2014, o curta já contabiliza pouco mais de 50 prêmios em festivais mundo afora, incluindo reconhecimentos no Palm Springs Shortfest, Nashville, Cleveland Film Festival, Animamundi, além de prêmios do público em Zagreb, Florida Film Festival e Klik! Holland Festival de Animação.

No site oficial o diretor também escreveu uma mensagem contando o pano de fundo do filme e comentou: “Este curta-metragem é o resultado de mais de dois anos de trabalho duro. Alguns dos melhores animadores chilenos e artistas se uniram para fazer isso acontecer”.

Francamente eu não vi mais do que o que vocês vão ver abaixo. Ou seja, assisti apenas ao trailer do filme. Mas gostei muito do que eu vi. E ainda por ter essa mensagem de fundo, além de ser produto de um país do nosso continente, sinceramente a minha torcida amanhã irá para este curta. Para quem ficou interessado no curta, há ainda a página dele no Facebook. Na bolsa de apostas do Oscar, contudo, este curta aparece na terceira posição entre os favoritos. No site IMDb o curta tem a nota 7,6. Confira o trailer:

 

 

2. Prologue

Com seis minutos de duração, Prologue é ambientado há 2,4 mil anos e mostra uma violenta batalha entre dois grupos de espartanos e guerreiros atenienses. Esse curta é dirigido pelo experiente Richard Williams, um dos grandes nomes da animação dos Estados Unidos. Perto de fazer 86 anos, esse diretor nascido em Ontário, no Canadá, fez carreira em Hollywood.

Ele tem, no currículo, trabalhos como diretor de animação dos filmes The Pink Panther Strikes Again, Who Framed Roger Rabbit e The Thief and the Cobbler. Como diretor, ele tem nada menos que 10 curtas no currículo – como longas, apenas Raggedy Ann & Andy: A Musical Adventure e The Thief and the Cobbler. Por Who Framed Roger Rabbit ele ganhou dois Oscar’s em 1989.

Curta produzido no Reino Unido, Prologue tem apresenta uma técnica interessante, como de desenhos em stop motion, mas os comentários que eu li de pessoas que viram o curta é de que ele carece de uma boa história. É, basicamente, um trabalho de boa técnica e artístico.

Na bolsa de apostas para o Oscar ele aparecem em quarto lugar. Independente se o curta merece ou não ganhar, é bom ver um veterano como este ainda produzindo, filmando e chegando a ser indicado pela Academia. No site IMDb o curta tem a nota 6,1. Encontrei o vídeo abaixo que mostra um pouco da técnica do curta e também um depoimento de Richard Williams:

 

 

3. Sanjay’s Super Team ou Os Heróis de Sanjay

Nada como um bom material de divulgação. Faz toda a diferença para um curta não apenas ficar mais conhecido, mas também para ganhar votos. E isso é algo que a Pixar sabe fazer muito bem. Outro indicado na categoria Melhor Curta de Animação é este Sanjay’s Super Team, dirigido por Sanjay Patel.

O curta também tem uma história interessante por trás – com requinte um tanto autobiográfico, a exemplo do concorrente chileno. A sinopse de Sanjay’s Super Team é de que “um garoto indiano, entediado com as meditações do pai, imagina os deuses hindus como super-heróis”. Pelo que eu pude ver do trailer do filme e do vídeo com comentários do diretor, o curta vai além desta “brincadeira” inter-geracional.

Para começar, esta produção resgata as memórias afetivas do diretor, além da cultura de seus pais. Há uma reflexão interessante sobre as diferenças entre gerações e, pelo visto, um resgate interessante de diferentes culturas. A exemplo dos outros concorrentes eu não achei o curta completo na internet, mas encontrei o trailer e o depoimento do diretor, que já dão uma boa prévia da produção.

Com sete minutos de duração, Sanjay’s Super Team tem produção executiva de John Lasseter, um dos chefões da Pixar. Antes de estrear na direção com este curta, Patel tinha trabalhado no departamento de animação de 10 longas, incluindo Toy Story 2; Monsters, Inc.; The Incredibles; Ratatouille; e Monsters University. Este curta acompanha o lançamento da Pixar The Good Dinosaur.

No site oficial do curta, Sanjay’s Super Team comenta que o diretor utilizou a sua própria experiência para contar a história de um menino cujo “amor pela cultura pop ocidental entra em conflito com as tradições de seu pai”. Sanjay é fascinado por desenhos animados e por quadrinhos, e o pai tem um belo desafio para tentar apresentar para o filho as tradições da prática hindu.

A imaginação do menino transforma as divindades Hanaman, Durga e Vishnu em super-heróis, e o diretor se inspirou nas tradições das danças Bharatanatyam, Odissi e Kathakali para dar uma personalidade diferente para cada uma delas. Os usuários do site IMDb deram a nota 7 para o curta.

Confira um dos trailers do curta por aqui:

 

E neste vídeo o making off da produção – incluindo comentários do diretor:

 

 

4. We Can’t Live Without Cosmos

Com 16 minutos de duração, este curta russo conta a história de dois cosmonautas que são amigos e que batalham todos os dias, juntos, para realizar o sonho de viajarem para o espaço. O curta é dirigido por Kostantin Bronzit, 49 anos, que tem nove curtas no currículo como diretor, um longa e um episódio de série para a TV.

Esta é a segunda indicação de Bronzit para o Oscar na categoria Melhor Curta de Animação. Ele concorreu, antes, com Lavatory – Love Story, no Oscar de 2009. We Can’t Live Without Cosmos ganhou, até o momento, seis prêmios, e foi indicado a outros quatro – incluindo aí o Oscar.

Na lista das bolsas de apostas o filme aparece em último lugar. Não consegui assistir aos curtas na íntegra mas, pelos trailers, ele me pareceu um dos mais interessantes – junto com o curta chileno. Os usuários do site IMDb deram a nota 7,7 para esta produção.

Confira o trailer do curta:

 

E confira esta matéria da rede RT sobre a indicação da animação russa:

 

 

5. World of Tomorrow

Este curta finaliza a lista de indicados deste ano mostrando a diversidade de produções do mercado e a escolha igualmente diversificada do Oscar. World of Tomorrow é uma produção filosófica que promove o encontro de uma mulher com a sua versão mais nova, mostrando para a menina que um dia ela já foi que tipo de futuro ela terá.

Este curta com produção 100% dos Estados Unidos é dirigido por Don Hertzfeldt, diretor californiano de 39 anos que tem 12 curtas e um longa no currículo como diretor. O único longa dele até agora foi It’s Such a Beautiful Day, lançado em 2012.

Antes de ser indicado ao Oscar por World of Tomorrow, Hertzfeldt concorreu também a uma estatueta dourada da Academia por Rejected no Oscar de 2001. De acordo com o site da produtora do curta, World of Tomorrow já ganhou 42 prêmios, incluindo o Grande Prêmio de Curtas no Festival de Cinema de Sundance.

De acordo com as notas de produção, este é o primeiro curta animado digitalmente por Hertzfeldt. Os outros curtas dele foram filmados em 16 mm e 35 mm e animados com um tablet Cintiq, usando Photoshop e Final Cut Pro. O diretor disse que escolheu a animação digital porque a história se passa em um futuro abstrato e que teria sido muito demorado se ele fizesse a animação diretamente no filme.

Francamente, pelo trailer, achei este curta um dos fortes concorrentes do ano. Ele tem 17 minutos de duração. Na bolsa de apostas ele aparece em segundo lugar, atrás apenas de Sanjay’s Super Team. Os usuários do site IMDb deram a nota 8,2 para o filme. Confira o trailer aqui:

 

PALPITE PARA O OSCAR 2016: Difícil avaliar os curtas apenas pelos trailers. Não vejo a hora de conferir cada um deles na íntegra. Mas pelo que é possível ver da proposta de cada um dos curtas, levando em conta a proposta artística e narrativa de cada produção, os três mais interessantes são World of Tomorrow, Historia de un Orso e We Can’t Live Without Cosmos.

Os três me chamaram a atenção pela técnica e pela história. Minha torcida particular vai para os “hermanos” chilenos representados por Historia de un Orso. Ainda assim, neste caso, assim como na categoria de Melhor Animação, o favoritismo é do filme com maior recursos e uma marca forte por trás. Neste caso, leva vantagem Sanjay’s Super Team. Logo mais saberemos quem se sairá melhor.

Ex Machina – Ex_Machina: Instinto Artificial

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Desde que o homem se imagina sendo Deus pensamos como será quando as máquinas pensarem por si mesmas. Quando elas tiverem o controle. Antes veio 2001: A Space Odyssey e Blade Runner, divisores de água neste sentido. E agora vem se juntar a eles este Ex Machina. Provocador em outro sentido, menos sombrio mas com uma boas surpresas no caminho, este filme é mais uma produção acertada que o Oscar selecionou para estar entre os seus indicados neste ano.

A HISTÓRIA: Em uma empresa em que todos estão conectados, Caleb (Domhnall Gleeson) recebe a mensagem de que ele foi sorteado com o primeior prêmio. Na sequência ele manda uma mensagem para Andy T avisando que ele ganhou o prêmio. O amigo pede para ir junto com ele e, na sequência, várias pessoas cumprimentam Caleb pela conquista. Corta.

Um helicóptero rasga uma área de montanhas geladas. Caleb pergunta quando eles vão chegar na propriedade de seu chefe, Nathan (Oscar Isaac). O piloto ri e diz que eles já estão sobrevoando a propriedade há duas horas. Caleb desce e tem que andar até a casa de Nathan, com alta segurança. Lá ele vai conhecer Ava (Alicia Vikander), o mais recente experimento de Nathan e a consolidação de uma AI (Inteligência Artificial da sigla em inglês) humanoide pra valer.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Ex Machina): Não é uma tarefa exatamente simples fazer um filme de AI (Inteligência Artificial). Especialmente porque já temos ótimos filmes do gênero, inclusive os super clássicos 2001 e Blade Runner já citados. Apesar disso, Ex Machina assumiu este desafio e consegue um bom resultado com o que ele se propôs a fazer.

Ex Machina tem alguns diferenciais importantes em relação aos filmes anteriores. Ele acerta em apostar em um viés mais psicológico e conceitual, além de acrescentar algumas colheradas de apelo sexual na história. O caráter psicológico marcou 2001 e uma pitada de provocação sexual podemos encontrar em Blade Runner, mas sem dúvida alguma Ex Machina explora mais estes dois pontos – nos outros filmes há outras questões importantes em cena.

Mesmo não sendo muito inovador, Ex Machina introduz o tema dos “riscos” que a AI pode trazer para quem se arriscar a ser Deus para uma nova geração. Entendo porque muitos espectadores sem as referências anteriores devem ter ficado maravilhados com esse filme. Mas quem já assistiu aos clássicos, certamente, terá outra impressão. Menos eufórica e mais embasada. Ainda assim, preciso admitir, esse filme tem mais acertos que erros.

Para começar, gostei da atmosfera criada pelo diretor e roteirista Alex Garland. O clima de suspense começa a ser criado logo no início, especialmente na chegada do protagonista na “terra prometida” do seu chefe e ídolo. Todo aquele excesso de segurança, claro, esconde algo sinistro. Inicialmente Garland vende, acertadamente para o desenrolar da história, a ideia que aquele aparato todo é porque o empresário Nathan é um grande desconfiado.

Rico, famoso, ele está se preservando de problemas – como sequestros – e, principalmente, de ter os seus avanços tecnológicos “vazados”. Como pede a regra do bom cinema, o roteiro de Ex Machina vai crescendo com o tempo. Nos primeiros dias do teste que Caleb aplica em Ava o “gelo” vai sendo quebrado e a interação mais íntima entre os dois começa a ganhar corpo. Em paralelo, temos a perda de energia estranha do local – não demora muito para o espectador desconfiar sobre a fonte daqueles acontecimentos.

A conversa entre Caleb e Ava segue o roteiro esperado, até que ela larga algumas frases bem estranhas quando mais um blecaute acontece – neste momento as gravações e o monitoramento feito por Nathan acabam sendo interrompidos. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). A quebra da previsibilidade na conversa de Caleb e Ava é muito bem feita mas, cá entre nós, é difícil de acreditar que um cara tão controlador e metódico quanto Nathan aceitaria ficar tanto tempo sem ouvir tudo que os dois falavam, ou não?

Neurótico pela segurança e pelo próprio experimento, sem dúvida alguma Nathan não aceitaria facilmente ficar no “blecaute” tantas vezes. (SPOILER – não leia… bem, você já sabe). No final, na última pequena reviravolta do roteiro, Nathan comenta que instalou um sistema para registrar tudo independente dos blecautes. Só não fez muito sentido ele demorar tanto para fazer isso. Claro, para o roteiro de Garland foi importante isso acontecer apenas no final, mas é difícil acreditar que Nathan realmente daria tanta bobeira durante vários dias.

Depois das dicas de Ava, Caleb começa a observar tudo com uma dupla atenção. Em certo momento ele percebe que Nathan realmente tem um comportamento estranho. Na verdade, para o espectador um pouco mais atento, essa desconfiança está presente desde o início. Afinal, quem está sempre mergulhado em bebida tem que estar enfrentando algum problema sério, ou não? O problema pode ser transitório ou mais grave. A resposta para esta dúvida o espectador terá com o tempo – ao lado de Caleb.

Pouco a pouco o tom sinistro vai ganhando espaço e Caleb nos guia pela mente de Nathan. Afinal, tudo gira em torno do anfitrião do programador e criador de Ava. Mas a pessoa que dá um baile em todo mundo é a ciborgue – como manda o figurino do gênero, aliás. Até aí, nenhuma inovação. Os maiores acertos do filme estão mesmo no jogo psicológico entre os personagens – Nathan, Caleb e Ava – e na atuação provocativa de Alicia Vikander.

A atratividade da personagem, cuidadosamente planejada por Nathan, é um elemento provocador importante para a história. Finalizando os ganhos do filme, vale comentar a forma com que ele segue uma nova linha de produções que mostram as mulheres dando a volta por cima.

Vimos isso antes de forma marcante com Mad Max: Fury Road (comentado aqui). Depois veio Carol (com crítica neste link), Room (uma das grandes surpresas do Oscar, comentado aqui), Mustang (comentado neste link) e, agora, Ex Machina. Várias produções apostam as suas fichas na “libertação” feminina. Uma onda positiva que, esperamos, não seja apenas “modinha”. Ex Machina vem nesta levada sendo provocativo, sexy, psicológico e com a pitada adequada de suspense e esquisitice.

NOTA: 9.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Diversos elementos contribuem para este filme funcionar bem. Sem dúvida alguma uma das qualidades é o roteiro de Alex Garland que, descontados os pequenos erros, tem o ritmo adequado e as pequenas viradas de direção nos momentos certos. A direção dele também é bem competente, sempre próxima dos atores e da ação, distanciando-se apenas nos momentos em que isso interessa para a história.

Da parte técnica do filme, sem dúvida alguma os grandes destaques são o design de produção de Mark Didby; a direção de arte de Katrina Mackay e Denis Schnegg; a decoração de set de Michelle Day; o departamento de arte com 43 profissionais; o departamento de efeitos especiais com 11 profissionais e os efeitos visuais envolvendo nada menos que 148 profissionais. Destes filmes que empregaram muita gente nos bastidores e que exigiu muito trabalho além das câmeras.

Apesar de ser um bom roteiro, três pontos me incomodaram nesta produção. Vejamos. (SPOILER – não leia se você não viu o filme). Para começar, aquele ponto que citei na crítica: dificilmente o genial e um tanto neurótico por segurança e controle Nathan deixaria de ouvir as conversas durante os blecautes entre Caleb e Ava por tantos dias. Depois, segundo Caleb, ele havia invertido a lógica da segurança da casa quando os blecautes aconteciam. Quando Ava sai do local, aparentemente, a casa passa por novo blecaute. Segundo Caleb, naquele momento, as portas não deveriam todas abrir? Neste caso ele poderia sair do local tranquilamente. O terceiro ponto é a falha temporal da história. Quando Caleb e Nathan estão conversando, na cozinha, o dono da casa comenta que Caleb irá embora no dia seguinte às 8h. Aparentemente, logo depois, Nathan mostra que estava ouvindo as conversas entre Caleb e Ava mesmo nos blecautes, e toda a sequência seguinte se desenrola. Mas quando Ava sai da casa ainda é dia e ela logo vai pegar o helicóptero… é como se toda essa ação tivesse acontecido muito cedo na manhã da saída de Caleb. Mas não é isso que o roteiro nos apresenta. Teríamos dois dias diferentes para acompanhar – desde a fala de Caleb e Nathan e até a “manhã seguinte” em que Ava escapa. Ou seja, uma bela falha temporal na história. Descuido do roteirista.

Outros aspectos técnicos que valem ser citados é a trilha sonora de Geoff Barrow e Ben Salisbury; a direção de fotografia de Rob Hardy e a edição de Mark Day.

Como protagonista deste filme Domhnall Gleeson mostra, mais uma vez, que é um ator a quem devemos estar atentos. Ele sempre se sai bem em seus papéis e, parece, está em rota crescente de boas produções. O mesmo se pode dizer de Alicia Vikander que, ao que tudo indicada, deve levar o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante este ano por The Danish Girl (com crítica neste link). São dois jovens talentos em ascensão e que merecem ser acompanhados. Normalmente o ator Oscar Isaac não me chama muito a atenção. Mas admito que neste filme ele está muito bem. Possivelmente é o melhor filme que eu vi dele até agora.

Além dos atores citados, vale comentar o bom trabalho de Sonoya Mizuno como Kyoko. Ela literalmente faz um papel mudo, mas tem bastante expressão e momentos feitos para ela se destacar.

Ex Machina estreou em janeiro de 2015 no Reino Unido, na Coreia do Sul, na Irlanda e na Suécia. No final daquele mês ele participou do primeiro festival, o de Göteborg. Depois o filme participaria, ainda, de outros cinco festivais. Em sua trajetória o filme acumulou 51 prêmios e foi indicado a outros 114 – um número impressionante. Entre as indicações estão duas para o Oscar 2016.

Esta é uma produção que teria custado US$ 15 milhões e faturado, apenas nos Estados Unidos, pouco mais de US$ 25,4 milhões. No restante dos mercados em que o filme já estreou ele fez outros US$ 11,4 milhões. Ou seja, tem conseguido se pagar.

Boa parte de Ex Machina foi rodado na Noruega, mas houve cenas também rodadas no Reino Unido, nas cidades de Londres e Buckinghamshire.

Entre os prêmios que recebeu, destaque para os de Melhor Filme Independente Britânico, Melhor Diretor, Melhor Roteiro e Melhores Efeitos Visuais no British Independent Film Awards; e a escolha dele para figura na lista dos 10 melhores filmes independentes do ano pelo National Board of Review.

Agora, algumas curiosidades sobre a produção. Na visão do diretor Alex Garland o futuro de Ex Machina está a apenas “10 minutos” de distância da realidade que temos agora. “Se alguém como o Google ou a Apple anunciar amanhã que eles tinham feito a Ava, todos ficariam surpreendidos, mas eu não ficaria tão surpreso”, comentou.

O título é um derivado da expressão “Deus Ex-Machina”, que significa “um Deus para a máquina”, uma frase que tem origem nas tragédias gregas. Segundo a história original um ator interpretando Deus desceria por uma plataforma (a máquina) para resolver os problemas dos personagens, o que resultaria em um final feliz para todos.

Não comentei antes, mas o filme acerta em fazer diversas referências interessantes, que vão de Pollock até Robert Oppenheimer e o seu livro Prometheus Americano. A fala de Nathan pouco antes de dormir bêbado é um trecho de Gita que foi citado por Oppenheimer antes dos testes com explosivos que ele estava fazendo falhou.

Os três personagens principais deste filme tem os seus nomes inspirados em personagens da Bíblia – nada mais apropriado para um filme que trata dos riscos do homem querer tornar-se Deus. Ava é, claramente, uma alusão à Eva; Nathan era um profeta do tempo de Davi; e Caleb foi um emissário de Moisés para avaliar a Terra Prometida.

Outras referências interessantes no filme são um retrato de Margaret Stonborough-Wittgenstein pintada pelo artista Gustav Klimt no quarto de Nathan – Margaret era irmã de Ludwig Wittgenstein, autor de The Blue Book, mesmo nome do motor de busca criado por Nathan segundo a história de Ex Machina; e uma pintura de Ticiano que aparece do lado esquerdo na parede cheia de post-its de Nathan – a obra intitulada A Alegoria da Prudência tem três cabeças em três animais que podem ser interpretados pelos conceitos de memória, inteligência e perspicácia.

Este filme marca a estreia na direção de longas de Alex Garland. Sem dúvida nenhuma uma grande estreia!

Ex Machina seria uma releitura moderna da última peça de William Shakespeare, A Tempestade, na qual existe um “mestre mágico” no domínio da situação, a sua bela pseudo-filha que nunca havia conhecido outro homem além do “pai” e um homem jovem que acaba sendo ferido por ela.

Durante o filme as cores verde, vermelha e azul são valorizadas – o verde na floresta e nas plantas; o vermelho nos blecautes e o azul no teclado do sistema de segurança, por exemplo. Esta é uma referência para o padrão RGB utilizado para exibir imagens nos sistemas eletrônicos.

Agora, hora das curiosidades com SPOILER (não leia… bem, você já sabe). No final do filme aparece Sessão 7 – Ava, ainda que Caleb não esteja mais administrando o Teste de Turing e que Nathan seja morto. Essa parte dá a entender que no fim das contas quem estava aplicando o teste nos dois era Ava. Em certo momento Nathan provoco Caleb a pensar em uma cena da Jornada nas Estrelas. De fato Ex Machina se parece muito com Star Trek: Requiem for Methuselah, de 1969, episódio em que um gênio inventor cria um androide feminino e coloca o capitão Kirk como catalisador de uma experiência para descobrir se a androide poderia amar. Tanto o episódio de Star Trek quanto Ex Machina tem cenas em que aparecem vários robôs parcialmente inativos.

Quando está apenas como máquina, Ava não pisca. Ela só dá as primeiras piscadas quando veste a pele de outra androide e, com isso, termina de “construir-se” como mulher.

Os usuários do site IMDb deram a nota 7,7 para esta produção, enquanto os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 206 críticas positivas e apenas 17 negativas para o filme, o que lhe garante uma aprovação de 92% e uma nota média 8.

Esta é uma produção 100% do Reino Unido.

Apesar de ter sido bem elogiado e bastante premiado, Ex Machina foi praticamente ignorado no Globo de Ouro 2016. Praticamente, eu digo, porque ele acabou rendendo uma indicação a Melhor Atriz Coadjuvante para Alicia Vikander – ela perdeu para Kate Winslet. Menos mal que o Oscar fez mais jus ao filme e o indicou em duas categorias.

CONCLUSÃO: Um filme competente em sua proposta. A história vai crescendo conforme mergulhamos junto com o protagonista na relação com Eva. Há um par de quase-reviravoltas na história, e isso faz Ex Machina cair no gosto de quem gosta de ser surpreendido. E ainda que este seja um filme que caminha ao lado de outras produções que contam uma certa “revolução feminina”, ele não apresenta, realmente, um grande avanço no gênero. Apesar de ser competente, ele não tem o impacto para o público atual que antes os clássicos da Inteligência Artificial – os já citados 2001 e Blade Runner – tiveram para os seus públicos. É bom, vale ser conferido, mas não é genial.

PALPITES PARA O OSCAR 2016: Ex Machina está concorrendo em duas categorias do maior prêmio da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood que será entregue na noite deste próximo domingo, dia 28 de fevereiro. O filme concorre como Melhor Roteiro Original e como Melhores Efeitos Visuais. Sem dúvida alguma merecidas as duas indicações, ainda que eu tenha algumas ressalvas quanto à primeira indicação. Se bem que, devemos admitir, este ano está mais fraco em termos de Roteiro Original.

Ex Machina tem boas sacadas no roteiro, como eu comentei na crítica acima. Mas ele não consegue ir tão além no subgênero da AI a ponto de reinventar a roda. Ou seja, Ex Machina até ajuda a refrescar os filmes de inteligência artificial, ganha pontos na escolha de um texto mais psicológico e com provocação sexual, mas não chega a deixar o espectador maravilhado. Ainda assim, é bem conduzido e tem as surpresas desejadas no roteiro. Sendo assim, merece chegar entre os cinco finalistas em Melhor Roteiro Original.

Sobre ganhar… francamente prefiro o roteiro de Spotlight (comentado por aqui). E sobre originalidade, acho que até Inside Out (com crítica neste link) é mais original que Ex Machina – levando em conta os filmes anteriores dos dois gêneros. Sendo assim, acho que ele não deve levar esta estatueta – eu consideraria um pouco de zebra se isso acontecesse. Acredito que Spotlight será premiado nesta categoria.

Analisando a outra categoria, Melhores Efeitos Visuais, Ex Machina também mereceu a indicação. Não assisti a Star Wars: The Force Awakens, mas há outros três grandes concorrentes na disputa: The Martian (com crítica por aqui), The Revenant (comentado neste link) e, principalmente, Mad Max: Fury Road. Francamente, na maior parte das quedas-de-braço entre Star Wars: The Force Awakens e Mad Max: Fury Road eu acredito que dará o segundo. Neste caso, desconfio, Mad Max vai faturar. Um segundo possível vencedor seja The Martian – o filme merecia, mais que os outros quatro.

Para resumir, em Melhores Efeitos Visuais Mad Max: Fury Road é o grande favorito, mas The Martian pode faturar. Ex Machina ganharia apenas se tiver bom lobby e para não sair de mãos vazias – o que eu acho ser o resultado mais provável.