Indicados ao Oscar 2017 – Lista Completa e Avaliações

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Olá meus amigos e amigas do blog!

Mais uma vez estamos juntos em uma cobertura do Oscar. Desta vez, eu não pude publicar pela manhã a lista dos indicados e alguns comentários sobre eles, mas compartilhei na conta do blog no Twitter (@criticanonsense) um texto que eu produzi logo após os indicados serem anunciados no site do jornal para o qual eu trabalho, o Notícias do Dia.

É pelo site do jornal que eu devo, mais uma vez, acompanhar a entrega do Oscar deste ano. Farei ou mesmo pela conta do Twitter do blog, é claro. Bem, a divulgação dos indicados deste ano foi um pouco diferente do usual. Desta vez a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood abriu mão do formato de dois atores e/ou um(a) ator(atriz) e um(a) diretor(a) anunciando os nomes ao vivo em transmissão direta de um teatro para abraçar a ideia de vídeos produzidos para a data.

A proposta de dividir a lista de indicados – 24 categorias no total – em duas partes continuou valendo este ano. Nos dois trechos, um representante de diferentes categorias que compõe a fauna Hollywood – um roteirista, um diretor, um ator, uma atriz e uma cantora – se intercalaram falando sobre a emoção de serem indicados a um Oscar e enalteceram, claro, a premiação e a indústria do cinema.

Como era esperado, La La Land saiu com o maior número de indicações. O filme tem 14 chances de emplacar em 13 categorias da premiação. É verdade que ele é o favorito, até porque defende uma indústria autossuficiente e que precisa reafirmar a “máquina de sonhos” que ela representa em uma era de Donald Trump no poder. Ainda assim, não é certo que o filme vai levar o prêmio principal da noite.

Pela frente ele tem importantes concorrentes em diversas categorias. Com oito indicações cada um estão Arrival e Moonlight, dois grandes filmes desta temporada, cada um com as suas particularidades. O que estas duas produções tem em comum – e La La Land nem tanto – é um ótimo roteiro que sustenta os outros recursos que jogam à favor dos respectivos filmes.

Em seguida, aparecem com seis indicações Manchester by the Sea e Hacksaw Ridge. A verdade é que os votantes da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood souberam reconhecer a ótima safra que o cinema americano e de outros países soube produzir nesta temporada.

Praticamente todos os grandes filmes desta boa safra foram indicados – sempre há algum esquecimento, como Gleason, Cameraperson, Deadpool, Tom Hanks e, depende dos gostos, Finding Dory ou Captain America: Civil War. Da minha parte, fiquei feliz com a lista dos indicados. Para mim, é um raro ano de uma grande safra que acaba sendo reconhecida por seus valores e qualidades.

Entre os destaques individuais, vale destacar a 20ª – sim, a vigésima! – indicação ao Oscar da gigante Meryl Streep, e o resgate quase do ostracismo de Mel Gibson, que volta a ser indicado como Melhor Diretor após ter ganho um Oscar por Braveheart há nada menos que 21 anos.

Depois da Academia ser duramente criticada por não indicar atores e diretores negros, neste ano os votantes foram justos e indicaram todos os nomes que mereciam chegar lá – independente da raça deles. Desta forma, o Oscar 2017 tem um recorde de atores, atrizes e diretor negro indicados em uma única edição do prêmio. Vivemos novos tempos, ao menos no Oscar, e isso é um bom sinal.

Aliás, claramente a Academia quer dar uma mensagem para o mundo e para os americanos com os filmes que escolheu nas diferentes categorias deste ano. Há filmes sobre pacifismo, histórias que destacam o poder da comunicação e do diálogo, produções que tratam de violência, de desigualdade social e de segregação racial e, claro, o maior indicado que defende a busca pelos sonhos por todos – além de defender Hollywood.

As mensagens estão muito claras, e a entrega do Oscar deste ano promete ser dominada por discursos políticos e cheio de princípios. Será normal ver realizadores, astros e estrelas e diferentes profissionais defendendo a arte, a igualdade de oportunidades para imigrantes/migrantes de qualquer parte, respeito com as mulheres e todas as raças. Será uma premiação interessante, sem dúvida.

Acertei, até o momento, ao ter assistido a vários dos indicados deste ano – entre os nove finalistas como Melhor Filme, aqui no blog eu já comentei sobre cinco deles. Também acertei em quatro dos cinco documentários e em três dos cinco filmes em língua estrangeira. Agora a missão é assistir aos filmes que faltam desta ótima lista. Para quem não começou esta empreitada ainda, recomendo começar e seguir nela. A safra é boa.

Confira a lista de todos os indicados ao Oscar 2017:

Melhor Filme:

Avaliação: La La Land é um filme exuberante. Tecnicamente falando, perfeito. Mas a história… como eu gosto de filmes com um ótimo roteiro, para o meu gosto, La La Land deixa a desejar no roteiro. Não achei ele tão bom ou tão surpreendente quanto eu gostaria. Ele é o grande favorito deste ano, mas não é garantido que leve nesta categoria – vale lembra que no ano passado o “papa-prêmios” e favoritíssimo The Revenant perdeu na categoria principal para Spotlight. Pode acontecer novamente. Da lista de indicados, até agora, torço para Moonlight e Fences, com reais chances para o primeiro. Mas ainda preciso assistir a quatro da lista.

Melhor Ator:

Avaliação: Todos os atores da lista são ótimos, não há dúvidas. Andrew Garfield é estreante na categoria, enquanto Denzel Washington soma a sua sétima indicação. Admito que conforme a lista acima ia sendo divulgada neste 24 de janeiro de 2017, eu estava preocupada que Denzel não aparecia… para o meu alívio ele foi o último nome citado. Com isso, já revelo o meu favorito neste ano. Ele tem boas chances pelo ótimo trabalho em Fences, ainda que os apostadores apontem para Casey Affleck como favorito. Ainda preciso assistir a alguns desempenhos para realmente bater o martelo, mas neste momento o meu favorito é Denzel – acho que ele é sempre o meu voto, na verdade. 😉 Um dos grandes atores de sempre.

Melhor Atriz:

  • Isabelle Huppert (Elle)
  • Ruth Negga (Loving)
  • Natalie Portman (Jackie)
  • Emma Stone (La La Land)
  • Meryl Streep (Florence Foster Jenkins)

Avaliação: Lista incrível, vamos combinar! Alguns dos grandes talentos da história do cinema, como Meryl Streep e Isabelle Huppert, ao lado de jovens talentos já consagrados – Natalie Portman – e outros que ainda buscam uma primeira estatueta, como Emma Stone e Ruth Negga. A favorita é Emma Stone. E a verdade é que ela é o ponto alto de La La Land, junto com as qualidades técnicas do filme, é claro. Meryl Streep sempre merece um Oscar, mas não deve levar, mais uma vez. Quem tem mais chances de ganhar a estatueta da favorita Emma Stone, aparentemente, é mesmo Natalie Portman. Da minha parte, acho que se Emma Stone ganhar, não terá sido injusto. La La Land é o filme da vida dela.

Melhor Ator Coadjuvante:

Avaliação: Novamente grandes nomes na disputa. Da lista, só não conheço o trabalho de Lucas Hedges – ou não lembro dele, ao menos. Os outros quatro são geniais. Mas o favoritismo é claramente de Mahershala Ali. Quem pode roubar a estatueta dele é o veterano Jeff Bridges, que realmente é um dos pontos altos de Hell or High Water. Ainda preciso ver a alguns dos trabalhos para poder “votar”, mas inicialmente o meu voto iria mesmo para Mahershala Ali, ainda que Bridges também mereça.

Melhor Atriz Coadjuvante:

Avaliação: Mais uma categoria de alto nível este ano. Todos os nomes já demonstraram que tem talento de sobra. Naomie Harris está ótima em Moonlight, mas Viola Davis é outro nível em Fences. Sou suspeitíssima para falar, mas eu estou com a maioria que coloca ela como favorita nesta categoria – e eu votaria ainda por Denzel Washington, parceiro dela no filme, para Melhor Ator. Em sua terceira indicação no Oscar, sem nunca ter levado uma estatueta dourada para casa, eu estou na torcida por Viola Davis. Quem ameaça a vitória dela, me parece, são mesmo Naomie Harris e Michelle Williams.

Melhor Animação:

Avaliação: Ah, fiquei muito feliz que Kubo and the Two Strings chegou aqui. E não apenas nesta categoria, mas foi indicado também em outra – que virá na lista depois. O filme merece. É maravilhoso! Zootopia, sem dúvida, é o favoritíssimo nesta disputa. Ele tem um grande estúdio e a força da maior bilheteria entre os concorrentes a seu favor. Preciso ver aos outros três, mas acho que tanto Kubo quanto Zootopia merecem, cada um por razões diferentes. O primeiro, por sua proposta artística; o segundo, por tratar de forma inteligente e envolvente assuntos importantes.

Melhor Direção de Fotografia:

Avaliação: Mais uma categoria com grandes indicados. La La Land é o favorito, e com méritos. Realmente a fotografia do filme é um de seus pontos altos. Possivelmente o fator que faz a experiência valer o ingresso – junto com Emma Stone. Mas a fotografia de Arrival e, depois, de Moonlight, também são ótimas. Acredito que a estatueta dourada vá para La La Land, com Arrival correndo por fora.

Melhor Figurino:

  • Allied
  • Fantastic Beasts and Where to Find Them
  • Florence Foster Jenkins
  • Jackie
  • La La Land

Avaliação: Esta é uma das categorias em que estou mais desinformada, eu admito. Assisti a apenas um dos filmes da disputa. Ainda assim, sei que Jackie era, até há pouco, o favoritíssimo a ganhar nesta categoria. Com a avalanche de prêmios recebidos por La La Land no Globo de Ouro, o filme passou a ser também um forte concorrente. Eu ficaria dividida entre os dois, e mesmo sem ter assistido a Jackie – apenas vi fotos da produção. Mas La La Land, em uma noite de “papa-tudo”, pode levar aqui também.

Melhor Diretor:

Avaliação: Apenas grandes trabalhos apareceram nesta lista. Impossível não bater palma para cada realizador. O favorito na disputa é Damien Chazelle. Ele merece, até porque teve a visão criativa por trás da exuberância visual e narrativa de La La Land. Mas, da minha parte, torço um pouco por Barry Jenkins ou Denis Villeneuve para serem a “zebra” da noite. 😉 Mas não será injusto se Chazelle confirmar o favoritismo.

Melhor Documentário:

Avaliação: Filmes muito bacanas estão nesta lista. Fiquei muito feliz, em especial, por 13th ter chegado lá. Fire at Sea é um filme necessário, mas não é tão bom quanto poderia ser. Life, Animated é tão necessário quanto e melhor realizado, sem dúvidas. Apesar da qualidade destas produções, o favoritíssimo da categoria é O.J.: Made in America, um filme muito, muito americano. Ele conta uma história especialmente importante para os nascidos naquele país, ainda que, com um pouco de esforço, se veja um recorte “universal” na história mais que conhecida de O.J. Simpson. Senti a falta de Gleason, que seria o meu voto. Da lista que chegou na reta final dos indicados, torço por uma zebra, com vitória de 13th.

Melhor Curta Documentário:

  • Extremis
  • 4.1 Miles
  • Joe’s Violin
  • Watani: My Homeland
  • The White Helmets

Avaliação: Ainda não assisti a nenhum dos curtas desta categoria, mas pretendo fazer isso em breve e compartilhar com vocês as minhas impressões.

Melhor Edição:

Avaliação: Mais uma vez, grandes filmes na disputa. Difícil escolher o melhor, porque o trabalho de edição de todos é uma aula do ofício. Ainda assim, me parece, La La Land corre na frente. É o favorito, mais uma vez – algo normal para um filme tão bom tecnicamente. Se ele ganhar, será justo. Mas podem estragar a festa dele Arrival ou Moonlight. Pouco provável, no entanto, que isso aconteça.

Melhor Filme em Língua Estrangeira:

Avaliação: Esta era, realmente, uma grande safra de filmes nesta categoria. Interessante a ascensão de Tanna. O filme roubou a vaga de outros fortes concorrentes, inclusive do limado com antecedência, com a divulgação da lista dos nove pré-finalistas, de Elle. Preciso assistir ainda a The Salesman que, segundo todos que andei lendo, é o único filme que pode roubar a estatueta dourada do favorito Toni Erdmann. Ainda que o filme alemão seja bom, prefiro A Man Called Ove ou Land of Mine. E tenho uma tendência muito grande de gostar de The Salesman porque eu admiro muito o trabalho do diretor Asghar Farhadi. Mas a estatueta deve ficar mesmo entre Toni Erdmann e The Salesman.

Melhor Maquiagem e Cabelo:

Avaliação: Única categoria com menos de cinco indicados, esta disputa parece ter um favoritíssimo: o sucesso de bilheterias e fracasso de críticas Suicide Squad. Me surpreendeu a indicação de A Man Called Ove, mas eu gostei dele ter emplacado em mais uma categoria além da anterior.

Melhor Trilha Sonora:

Avaliação: Só assisti a dois dos concorrentes, mas posso dizer que as indicações de La La Land e Moonlight foram justíssimas. As trilhas sonoras dos dois filmes são deliciosas e fundamentais para as duas histórias. Ainda assim, me parece, por razões óbvias, que esta categoria é praticamente uma barbada para La La Land. Não será injusto. O único realmente veterano entre os competidores é Thomas Newman por Passengers.

Melhor Canção Original:

  • “Audition (The Fools Who Dream)” – La La Land
  • “Can’t Stop the Feeling” – Trolls
  • “City of Stars” – La La Land
  • “The Empty Chair” – Jim: The James Foley Story
  • “How Far I’ll Go” – Moana

Avaliação: As músicas de La La Land são favoritíssimas. Da minha parte, gosto muito das duas, mas me parece que City of Stars é a que tem mais chances de levar a estatueta dourada. Corre por fora as canções dos filmes de animação, que por muitos anos dominaram nesta categoria, e que em 2017 são representadas por Moana e Trolls. Da minha parte, torço pelas músicas de La La Land – e meu voto iria com a maioria, desta vez.

Melhor Design de Produção:

  • Arrival
  • Fantastic Beasts and Where to Find Them
  • Hail, Caesar!
  • La La Land
  • Passengers

Avaliação: Mais uma vez, grandes competidores – não conheço apenas o trabalho de design de Hail, Caesar!, mas dos demais eu posso dizer que são trabalhos impecáveis. Novamente o favoritismo é de La La Land. Gosto muito também do design de produção de Arrival, um dos pontos fortes do filme. Mas não será injusto La La Land levar. O meu voto, provavelmente, também iria para ele.

Melhor Curta de Animação:

  • Blind Vaysha
  • Borrowed Time
  • Pear Cider and Cigarettes
  • Pearl
  • Piper

Avaliação: Mais uma vez esta é uma categoria em que eu ainda não assisti aos indicados. Mas em breve eu quero fazer aqui um post sobre eles.

Melhor Curta:

  • Ennemis Intérieurs
  • La Femme et le TGV
  • Silent Nights
  • Sing
  • Timecode

Avaliação: A exemplo da categoria anterior, ainda preciso assistir aos indicados para poder opinar. Quero fazer isso em breve.

Melhor Edição de Som:

Avaliação: Nesta categoria não esqueceram de Sully. 😉 Isso porque era quase que inevitável lembrar da edição de som feita nesta produção, claro. A concorrência é fortíssima. Todos são excelentes trabalhos na edição de som. Se a noite for para um filme “papar todas”, certamente La La Land vai levar nesta categoria também. Da minha parte, prefiro ainda o excepcional trabalho de Arrival ou, em segundo lugar, de Sully.

Melhor Mixagem de Som:

Avaliação: Três dos cinco indicados na categoria anterior estão indicados novamente por aqui, o que não é raro de acontecer. Quando um filme tem uma excelente edição de som, não raras vezes ele tem uma mixagem de som igualmente brilhante. O favoritismo, novamente, é de La La Land pela razão que comentei no item anterior. Meu voto, até por não ter assistido aos outros concorrentes, iria para Arrival.

Melhores Efeitos Visuais:

Avaliação: Aqui está a outra indicação de Kubo. 😉 Fiquei feliz pelo filme. Novamente, grandes filmes nesta disputa. Não conferi à maioria, por isso não me sinto exatamente na posição de opinar aqui, mas talvez este seja o caso de premiar Doctor Strange ou Rogue One: A Star Wars Story. Me parece. De qualquer forma, grandes sucessos nas bilheterias concorrem por aqui.

Melhor Roteiro Adaptado:

Avaliação: Como comentei na crítica de Moonlight, para o entendimento de alguns este filme deveria concorrer como Melhor Roteiro Original, enquanto para outros o certo seria Melhor Roteiro Adaptado. Na divulgação dos indicados feita pela Academia, a lista de Original saiu antes da de Adaptado e levei um susto ao não ver lá Moonlight. Sem dúvida alguma este filme merece estar lá. Tem um dos grandes roteiros do ano. A lista é forte. Acredito que os favoritos sejam Arrival, Moonlight e Fences, nesta ordem – ou não. Difícil escolher, já que são histórias tão diferentes. Eu ficaria mesmo entre Moonlight e Arrival – nesta ordem de preferência.

Melhor Roteiro Original:

Avaliação: Como muitas vezes acontece no Oscar, a categoria Melhor Roteiro Original apresenta filmes mais “fracos” do que na categoria anterior. Isso não é novidade. Desta lista, acredito que os favoritos sejam Manchester by the Sea e La La Land, possivelmente nesta ordem. Claro que se o musical estiver em uma noite de “papar tudo”, ele leva aqui também. Acho o roteiro do filme um de seus pontos fracos, mas sabem como é… quando a Academia quer premiar alguém, ela não é, exatamente, justa. Gosto muito também do roteiro de Hell or High Water.

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Moonlight – Moonlight: Sob a Luz do Luar

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Sobrevivência. Ela nem sempre é um processo simples. E sem dúvida alguma ela é menos que o necessário para qualquer pessoa. Moonlight nos revela a história de uma dura luta pela sobrevivência. O filme também nos mostra como os efeitos da ignorância e da violência podem perdurar, ainda que eles nunca sejam o suficiente para realmente mudar aquilo que uma pessoa tem como essência. Grande filme. Mais uma bela descoberta desta temporada pré-Oscar.

A HISTÓRIA: Juan (Mahershala Ali) chega com o seu carrão e estaciona na calçada. Ele pega um cigarro, coloca sobre a orelha e caminha lentamente até cumprimentar a um de seus “homens”. Ele acompanha a conversa dele com um viciado que não tem dinheiro para comprar a droga. Enquanto o vendedor e o usuário discutem, Juan fica por perto. Ele pergunta como tudo está, e o vendedor diz que tudo está tranquilo.

Juan está fazendo a sua ronda normal pelo bairro que ele controla. Quando ele começa a voltar para o carro, passam por eles alguns moleques. Little/Chiron (Alex R. Hibbert) está na frente, sendo perseguido por alguns garotos. Little acha um local no qual ele pode se proteger. Depois de algum tempo da perseguição, aparece por ali Juan, que oferece comida para o garoto. Neste momento começa uma amizade entre os dois.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso eu recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Moonlight): Que filme, meus amigos e amigas! Uma produção extremamente sincera e sensível. Que revela, entre outros pontos, como a violência pode ser determinante na vida de uma pessoa sensível e que vira alvo de babacas.

O diretor e roteirista Barry Jenkins, que trabalhou sobre uma história original de Tarell Alvin McCraney, nos apresenta aqui uma narrativa interessantíssima e muito, muito necessária. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). A produção começa mergulhada na mais pura realidade, de um local em que as drogas e a violência são elementos presentes. Neste contexto, temos uma palhinha sobre a “desculpa” dos meninos em perseguir Chiron logo no início.

Quando os moleques passam correndo na frente de Juan, eles xingam Chiron de “viado”. O garoto não é forte, mas magro e frágil, e não entra no ciclo de agressões dos outros moleques. Por isso ele vira o saco de pancada dos garotos e logo é taxado de “viado”. Gostei da forma honesta com que a narrativa é construída. Aliás, diferente do favoritíssimo La La Land (comentado por aqui), Moonlight tem como um de seus destaques, justamente, o seu roteiro.

Este filme nos faz refletir por várias razões. Jenkins tem a coragem de quebrar uma série de lugares-comum e de subverter a crença comum e preconceituosa sobre comunidades marginalizadas. Logo no começo ele faz isso ao mostrar o respeito e o cuidado que o traficante Juan tem com um moleque frágil e acossado que cruza o seu caminho.

Enquanto isso, em casa, Chiron não tem nem um pouco deste cuidado. A mãe dele, Paula (Naomie Harris), conhecida no bairro por fazer programas em troca de qualquer trocado ou droga, não consegue dar o exemplo para o filho. E, mais que isso, não consegue dar o apoio ou o cuidado básico que se espera de uma mãe. Então temos, de um lado, o vendedor da “desgraça” que consegue ter sensibilidade com aquela história difícil e a mãe do garoto que é vítima da dependência de drogas – duas pontas de um mesmo problema, pois.

Bacana também como Moonlight é dividido em três atos. O primeiro mostra o protagonista na fase em que ele era conhecido como Little – entendido como “moleque”. Nesta fase, o garoto frágil considerado “esquisito” por muitos, inclusive pelo amigo Kevin (Jaden Piner), vira saco de pancadas dos valentões de sua idade e do colégio.

Cada vez mais ignorado pela mãe, que vai ficando pouco a pouco mais dependente das drogas, Little encontra algum apoio no casal Juan e Teresa (Janelle Monáe). Sem uma figura paterna em quem se espelhar, ele fica fascinado por Juan, que lhe ensina a beleza do mar e lhe conta algumas histórias, como quando ele andava descalço sob a luz do luar (o “moonlight” que dá nome ao filme).

Quando Juan encontra o garoto o esperando em casa, ele não o expulsa ou lhe dá uma bronca. Ele dedica um pouco de seu tempo para Little porque percebe que falta atenção e um pouco de carinho para o garoto. Juan e Teresa fazem isso de forma descompromissada, mostrando que nem sempre o traficante que pensamos ser pura crueldade é apenas isso. Todos tem as suas histórias, e todos deveriam poder contá-las para alguém.

Nesta fase, há uma sequência realmente preciosa – uma das melhores do filme. Ela acontece depois que Little percebe um pouco melhor a realidade que o cerca e, em uma sequência marcante na casa de Juan e Teresa, ele faz uma série de perguntas decisivas. Ele quer saber o que é um viado, se a mãe dele usa drogas e se o seu novo herói/referência, Juan, vende drogas. De arrepiar – e o ponto forte do trabalho de Mahershala Ali.

Na segunda fase do filme, quando o protagonista já é conhecido como Chiron (interpretado aí por Ashton Sanders), pouca coisa muda para ele. Chiron continua sendo perseguido e maltratado pelos garotos de sua idade e escola. Mas é nesta fase, um pouco mais crescido, que Chiron começa a dar uma direção para a vida dele.

É neste momento em que, em uma noite de luar, Chiron se encontra com o amigo Kevin (nesta fase, Jharrel Jerome) na praia, sem querer, e os dois tem o primeiro envolvimento amoroso. No fundo, Chiron não tem certeza que é gay, mas para ele é natural e faz sentido o que ele sente por Kevin. Enquanto isso, na escola, se aproxima o momento em que ele vai levar a grande surra da sua vida até então.

Finalmente, após o protagonista parar com a sequência de violências, ele é punido pela lei e aí o filme entra em sua terceira e última fase. Chiron agora é Black (Trevante Rhodes), um cara forte e livremente inspirado em seu ídolo Juan. O mundo foi cruel com Chiron, e ele aprendeu, finalmente, a se defender. Ora, se a melhor forma de ser respeitado seria transformar-se em um traficante temido, é isso que ele faz, ele se torna um deles.

Mas o interessante de Moonlight é que, a partir do momento em que Black recebe o telefonema da mãe, internada em um local que a ajuda a ficar “limpa”, e uma ligação de Kevin, percebemos que ele não deixou de ser aquele garoto sensível do início. Como ele mesmo conta para Kevin, ele não deixou de ser quem ele é, apesar de agora também assumir a figura de um traficante musculoso, rico e respeitado.

Por tudo isso, Moonlight nos mostra como a falta de estrutura e de proteção de uma criança, que é o que acontece com Chiron, pode ajudar a definir a uma vida, mas esta simplificação da narrativa não é tudo. Black é um cara que, a exemplo de Juan, está sempre no alvo, pode virar uma vítima fatal a qualquer momento, mas apesar dele lidar com a violência o tempo inteiro, ele não deixou de ser quem ele era desde o princípio.

Sobre violência, aliás, ele conhece bem. Na infância e na adolescência ele foi vítima dela, não teve escolha. Depois, quando pode revidar, ele escolheu seguir no mesmo círculo de violência, virando a figura de um traficante que, ironicamente, ajudou ele a chegar ali – seja vendendo drogas para a mãe dele, seja lhe dando apoio quando ele mais precisava.

A realidade das drogas é muito complicada. Moonlight mostra isso de forma muito transparente. Falta educação, cuidados médicos e amparo para pessoas que vivem neste círculo do tráfico. Além disso, falta cuidado em casa para que as crianças saibam se respeitar, independente de quem ou do que elas sejam.

Todos merecem receber amor e cuidados, mas quando as pessoas não recebem valores e educação em casa para fazer escolhas certas desde o princípio, temos vítimas como Chiron espalhadas por todos os países do mundo. Por tudo isso este filme é tão necessário, e potente. Ele faz todos pensarem um pouco mais sobre esta realidade complicada que nos cerca.

Precisamos achar soluções para estes cenários, e elas passam por famílias melhor estruturadas, por educação e por mais informações para as pessoas sobre os efeitos daninhos das drogas. Não vejo outra maneira. E essa é uma responsabilidade que deveria ser de todos.

Começando pelas famílias, passando pelas escolas e pelas outras pessoas que tem contatos com pessoas que são marginalizadas. Afinal, a exemplo de Juan, todos podemos estender a mão e ajudar um pouco a quem precisa, nem que for lhes garantindo um pouco de alegria e de afeto. Grande filme, muito bem realizado, com grandes atores e um roteiro impecável.

NOTA: 9,7.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Um dos elementos deste filme que me chamou a atenção logo no início foi a excelente trilha sonora de Nicholas Britell. Grandes escolhas para a produção, que tem músicas destacadas de forma cirúrgica aqui e ali, valorizando a história e os momentos importantes dela. Muito bacana.

Da parte técnica do filme, também gostei muito da direção de fotografia de James Laxton. Apesar destes elementos funcionarem muito bem, sem dúvida alguma é o roteiro e a direção de Barry Jenkins que tornam este filme especial. O texto é sincero, envolvente e bem direto. Tem algumas sequências surpreendentes e muito potentes, além de um aprofundamento sensível na realidade e nos sentimentos do protagonista de poucas palavras. Na direção, Jenkins procura estar sempre muito próximo dos atores de seu ótimo elenco, com uma câmera atenta e que lembra um pouco a dos documentários, muitas vezes.

Ah, e o elenco desta produção! Nenhum ator extremamente conhecido, mas todos muito bons. Claro que o destaque são os três atores que interpretam o protagonista nas três fases de sua vida. O garoto Alex R. Hibbert, o jovem Ashton Sanders e o ator Trevante Rhodes dão um show em seus respectivos momentos na produção. Difícil destacar apenas um deles, ainda que os garotos tenham um apelo um pouco maior que Rhodes. Mas estão todos muito bem.

Além deles, claro que se destacam na produção os personagens que estão mais próximos dos protagonistas, com destaque para o momento relativamente curto que está na produção para Mahershala Jenkins, para a estonteante e sempre interessante Janelle Monáe e para a esforçada Naomie Harris.

A personagem dela, como mãe de Chiron, é a que menos desperta simpatia, por razões óbvias. Mas ela realmente está muito bem nas diferentes fases da história. De sua maneira muito torta e errática ela tenta “fazer o certo” com o filho, lhe dando teto, comida e insistindo para que ele estude. Mas isso é tudo. Todo o restante necessário para o garoto, especialmente o carinho, o amor, a atenção e o exemplo, ficam de fora.

Em um momento tocante do filme ela se arrepende e pede perdão, mas no caso do filho dela, ficou um pouco tarde para esse arrependimento ter efeito. Por isso mesmo a importância das pessoas pensarem muito bem antes de terem filhos, até para perceberem se tem ou não condições para isso. Nem todos tem.

Vários garotos perseguem o protagonista. (SPOILER – não leia… bem, você já sabe). Mas o principal algoz dele, na fase Chiron, é o covarde Terrel (Patrick Decile) que, como muitos perseguidores, não tem coragem dele mesmo encarar a sua vítima. Ele utiliza outros garotos, sobre os quais ele exerce influência através do medo, para fazerem o “serviço”. Claro que a origem do problema está na educação que o jovem recebeu em casa, mas a escola também deveria coibir esse tipo de atitude. Quando o pior acontece e estendem a mão para Chiron, já é tarde. Evidente.

Barry Jenkins acerta ao apostar em um número reduzido de personagens. Desta forma a história pode se concentrar mais no protagonista e na relação dele com as pessoas que lhe cercam e que são importantes para ele. Isso torna a história ainda mais legítima porque sabemos que figuras tímidas e oprimidas como Chiron realmente tem, normalmente, poucas pessoas como as mais próximas.

Da parte técnica do filme, vale destacar, ainda, a edição de Joi McMillon e Nat Sanders, a maquiagem de Doniella Davy e de Gianna Sparacino, e os 18 profissionais envolvidos no departamento de câmera e elétrica. Eles são fundamentais para contar esta história como o diretor e roteirista Barry Jenkins a imaginou e idealizou.

Moonlight estreou no Festival de Cinema de Telluride em setembro de 2016. Depois, o filme participou de outros 15 festivais em vários países no período de dois meses. Em sua trajetória até agora o filme ganhou impressionantes 141 prêmios e foi indicado a outros 222.

Entre os prêmios que recebeu, destaque para o Globo de Ouro de Melhor Filme – Drama e para nada menos que 22 prêmios como Melhor Filme; 19 conquistas de Barry Jenkins como Melhor Diretor; 31 prêmios como Melhor Ator Coadjuvante para Mahershala Ali; quatro prêmios para Naomie Harris como Melhor Atriz Coadjuvante; 11 prêmios para o conjunto do elenco e 11 prêmios como Melhor Roteiro. Impressionante.

Alguns podem se perguntar porque eu não dei uma nota 10 para esta produção. Olha, admito que foi por causa de detalhes. (SPOILER – não leia… bem, você já sabe). E quais foram estes detalhes? Pois bem, acho que o filme evitou de mostrar uma certa violência necessária. Qual é ela? Para Juan e Black se tornarem os chefes do tráfico que eles se tornaram, certamente eles tiveram que se impor de alguma forma. Esta parte da história foi deixada totalmente de lado. A morte de Juan é citada, mas não é explicada. Ok que a intenção do diretor e roteirista era mostrar o lado bacana destes personagens, mas acho que ele ignorou uma parte importante da história e isso fez com que eu não desse uma nota melhor para a produção.

Não comentei antes, mas achei especialmente bonito o final. Quando Kevin e Black se reaproximam, é algo potente e muito belo, especialmente quando Kevin coloca a música para Black ouvir. Quem sabe o amor não possa dar uma nova chance para o protagonista do filme, fazendo ele escolher um caminho diferente a partir deste encontro? Afinal, agora ele é um adulto e não precisa ter mais medo do que ele sente. Cada um pode imaginar o desenrolar do fatos usando a sua imaginação.

Esta produção foi totalmente rodada na Flórida, em locais como Miami, na Liberty City e na Miramar High School, em Miramar.

Moonlight teria custado US$ 5 milhões. Ou seja, é um filme de baixo orçamento se levarmos em conta o padrão de Hollywood. Apenas nos Estados Unidos o filme fez quase Us$ 15,2 milhões nos cinemas. Ou seja, já entrou na lista de filmes que estão fechando com lucro.

Antes de filmar Moonlight, Barry Jenkins tinha apenas sete títulos no currículo como diretor, sendo cinco deles curtas-metragens, um deles um episódio de série de TV e apenas um longa, o filme Medicine for Melancholy, de 2008. Ou seja, é um diretor relativamente “iniciante” e que merece ter o seu trabalho acompanhado, certamente.

Agora, algumas curiosidades sobre Moonlight. Quando Juan ensina Little a nadar, o ator Mahershala Ali realmente está ensinando o jovem Alex R. Hibbert a nadar, porque o garoto não sabia fazer isso até então.

Em uma entrevista, o diretor Barry Jenkins disse que os três atores que interpretam a Chiron não se conheceram durante as filmagens. Essa foi uma determinação do diretor, que queria que cada um deles construísse a sua própria versão do protagonista. A mesma tática foi usada com os atores que interpretam a Kevin. Aliás, não comentei antes, mas todos estes atores que interpretam a Kevin são ótimos – a citar, Jaden Piner, Jharrel Jerome e André Holland, respectivamente aos nove, 16 e na fase adulta.

Em algumas premiações o filme foi reconhecido como tendo o melhor roteiro original, enquanto em outros ele foi reconhecido como roteiro adaptado. Nas notas de produção eu entendi a razão disso. O roteiro original de Barry Jenkins é inspirado na peça que não foi produzida “In Moonlight Black Boys Look Blue” de MacArthur Fellow Tarell Alvin McCraney. Ou seja, o filme teve um material original no qual ele se inspirou mas, ao mesmo tempo, não é uma adaptação, até porque o original não chegou ao mercado. Pode ser, assim, classificado tanto de uma forma quanto de outra, dependendo do entendimento da premiação.

Moonlight foi rodado em apenas 25 dias entre outubro e novembro de 2015. A atriz Naomie Harris filmou toda a sua participação na história em apenas três dias, em um intervalo da divulgação de Spectre.

A exemplo do personagem de Chiron, o diretor Barry Jenkins também tinha uma mãe que era viciada.

Cerca de 80% da produção foi rodada em Liberty City, bairro de Miami que é considerada uma das áreas mais atingidas pela pobreza nos Estados Unidos. Inicialmente, a produção do filme ficou um pouco apreensiva por gravar no bairro, com receio pela segurança da equipe, mas tudo melhorou quando foi espalhado pelo bairro que o diretor Barry Jenkins, a exemplo de Tarell Alvin McCraney, era originário do bairro. A partir daí a comunidade acolheu e recebeu muito bem a equipe do filme.

A inspiração para a estrutura narrativa de Moonlight veio do diretor Hsiao-Hsien Hou em Zui Hao de Shi Guang, de 2005.

Moonlight marca a estreia de Alex R. Hibbert nos cinemas.

Os usuários do site IMDb deram a nota 8,4 para a produção, enquanto os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 193 críticas positivas e apenas três negativas para a produção, o que lhe garante uma aprovação de 98% e uma nota média 8. Especialmente o nível de avaliação dos críticos surpreende e coloca o filme em um patamar muito difícil de ser batido no Rotten Tomatoes.

Esta é uma produção 100% dos Estados Unidos, por isso esse filme entra para a lista de produções que atende a uma votação feita aqui no blog há tempos atrás.

CONCLUSÃO: Um filme potente e muito duro. Assim como a realidade de muita gente. Moonlight revela como o acosso de um jovem frágil e que não é protegido por quem ele deveria ser no momento mais importante pode resultar em cicatrizes duradouras. Apesar de ser muito duro, Moonlight também tem uma mensagem muito bonita e importante. De que não importa o que façam contra a gente, se mantivermos o nosso coração protegido, podemos seguir a vida respeitando quem somos apesar de tudo.

Em uma época em que ainda existe muita ignorância e perseguição de homossexuais, Moonlight faz pensar sobre a violência que é praticada contra aqueles que não entendemos. Afinal, para que tanta agressão? Por que para alguns é tão difícil respeitar o que é diferente de si mesmos? Filme sensível, forte e muito interessante. Das boas descobertas do ano.

PALPITES PARA O OSCAR 2017: Não tenho dúvidas de que Moonlight vai chegar bem na premiação da Academia de Artes e Ciências de Hollywood. Os indicados para a premiação deste ano vão sair na próxima terça-feira, e acredita que Moonlight tem boas chances de ser indicado em seis categorias.

Ele deve ser indicado a Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator Coadjuvante e Melhor Roteiro Original, e tem boas chances de emplacar em Melhor Atriz Coadjuvante e Melhor Trilha Sonora. De todas estas categorias, vejo que as melhores chances do filme são mesmo em Melhor Filme, Melhor Ator Coadjuvante e Melhor Roteiro Original, ainda que será uma dura tarefa da produção vencer ao favorito La La Land na categoria principal da premiação.

Da minha parte, sei que Moonlight é menos “vistoso” e tecnicamente mais “simples” que La La Land. Mas se vamos falar de história, do trabalho do elenco, de roteiro e da importância do que é contado, Moonlight é mais filme que La La Land. O musical é mais um de seu gênero. Bem feito, mas apenas isso. Moonlight não, ele trata de temas fundamentais e apresenta eles com muita força, tornando o filme um dos melhores entre os que entraram em temas tão áridos antes.

Preciso ainda assistir a Manchester by the Sea e a outras produções cotadas para o Oscar, mas até o momento eu acharia mais interessante e justo Moonlight ou mesmo Fences levar o prêmio de Melhor Filme do que La La Land. Mesmo achando isso, tenho quase certeza que a Academia vai preferir o musical, por tudo que ele representa para a indústria do cinema. Mas o meu voto, sem dúvida, iria para Moonlight.

PEQUENO AVISO: Meus caros leitores aqui do blog, eu vou seguir com as publicações normais até o Oscar 2017, para seguir uma tradição aqui do blog. Mas passada a premiação, se eu não tiver conseguido uma boa adesão na campanha de apoio ao blog, eu vou dedicar mais tempo para outras atividades que me deem retorno financeiro e vou tornar as atualizações aqui mais escassas ou bem mais sucintas. Se você quer ajudar o blog a continuar como ele está agora ou até a ampliar a frequência de publicações, sugiro o apoio a este projeto:

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Gleason – A Luta de Steve

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Uma das histórias mais inspiradoras que eu já vi em um filme é contada em Gleason. Diferente de outras produções, em que roteiristas inspirados nos fazem pensar na nossa própria vida e na nossa realidade com toda a complexidade que a condição humana abriga, neste filme a inspiração vem de uma história real. Por isso mesmo Gleason é tão forte, tão potente. Além de inspirar, o documentário revela em detalhes sobre a progressão de uma doença complicadíssima. Imperdível.

A HISTÓRIA: Steve Gleason olha direto para a câmera, bem perto dela, e diz que está na hora dele falar do filho, que estará em um berço às costas dele em seis semanas, mais ou menos. Ele para e olha para o lado. Em seguida, comenta que o principal objetivo dele é compartilhar um pouco sobre quem ele é enquanto ele pode. O vídeo tem um pouco o tom de despedida, e conforme a história avança nós vamos saber o porquê.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Gleason): Achei este filme um dos mais interessante que eu já assisti sobre amor, dedicação, devoção, desejo de ser melhor e de fazer de sua vida uma passagem pela Terra com significado. Pelos desafios que esse filme apresenta, e não apenas para Gleason, ele também é uma grande lição para cada um de nós.

Nada na vida é simples, e algumas vezes as pessoas são surpreendidas por notícias realmente desafiadoras. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). O que você faria se alguém lhe dissesse que você tem poucos anos de vida? Na música “O Último Dia”, Paulinho Moska pergunta “O que você faria se só te restasse esse dia?”.

Pois bem, na vida real, não é exatamente um dia que resta para o personagem título deste documentário, mas ainda assim o diagnóstico é de deterioração da vida até a morte eminente em alguns anos. Mas voltemos um pouco na história. Gleason começa com aquele depoimento de Steve para a câmera e, em seguida, sabemos de forma rápida quem era, afinal, aquela pessoa.

Interessantes as escolhas do diretor e roteirista Clay Tweel. Por exemplo, ele não perde muito tempo com com as histórias de Steve e, na sequência, do relacionamento dele com Michel Varisco-Gleason. Nos primeiros minutos do filme, após o trecho do depoimento de Steve, em poucos minutos temos um resumo da trajetória dele. Basicamente, mostrando como ele se tornou uma figura conhecida e admirada por muita gente.

Como aconteceu com vários outros jovens americanos, Steve Gleason se destacou pelo desempenho que teve no futebol americano. Primeiro, entre 1997 e 2000, como linebacker (posição de defesa do território do time contra passes curtos e que ataca o quarterback) da liga estudantil jogando pelos Cougars. Depois, entre 2001 e 2008, Steve atuou na liga profissional (a NFL, National Football League) defendendo o Saints.

Um jogo marcante no Superdome 13 meses após a devastação em New Orleans (cidade do time) do furacão Katrine e no qual Steve teve um papel decisivo é mostrado na produção. Em 2008, aos 31 anos de idade, Steve resolveu deixar o futebol americano. O documentário mostra isso rapidamente e, em seguida, mostra cenas de Steve e de Michel e como eles se conheceram e se apaixonaram.

Sempre complementando as cenas da história, muitas vezes com imagens de TV (no caso da carreira no esporte) ou vídeos caseiros (como na história do casal) estão depoimentos de pessoas próximas, especialmente familiares de Steve ou Michel. Novamente Tweel gasta poucos minutos para contar aquela história. Até que o filme chega rapidamente no ano 2011, quando Steve ganha vai ao médico depois de ter alguns sintomas estranhos e acaba recebendo o diagnóstico de ELA (Esclerose Lateral Amiotrófica).

A partir deste momento o filme desacelera. Junto com o diagnóstico da doença, surgem algumas informações básicas sobre a ELA, e o prognóstico de dois a cinco anos de vida para Steve. Pouco depois, Michel descobre que está grávida, e o casal fica feliz com a notícia porque os dois queriam ter filhos. Agora, com o diagnóstico de doença degenerativa, sem cura e que vitimará Steve em alguns anos, parece fazer ainda mais sentido para eles terem um filho.

As intenções são as melhores possíveis, mas a realidade é muito mais dura do que os desejos ou os sonhos. Para mim, esta é uma das belezas de Gleason. Este é um filme que mostra a realidade como ela é, inclusive com algumas cenas bem fortes na fase final da produção, quando a doença deixa Steve realmente muito debilitado. Michel, que é um exemplo de amor, de comprometimento, de dedicação e de doação, tenta dar conta de tudo sozinha, mas é claro que em certo momento isso se torna impossível.

É realmente tocante, impressionante e inspirada a história deste casal. Cada um nos ensina muito a sua maneira. Steve dá uma aula de doação, não apenas ao filho, mas também a todos que recebam o diagnóstico da doença. Michel dá um exemplo maravilhoso sobre a força da mulher e de como o amor e a doação são os sentimentos mais incríveis que alguém pode demonstrar na vida.

Aliás, Gleason é um grande filme para pensarmos o que fazemos com a nossa vida. Até receber o diagnóstico da ELA, Steve era um cara bacana, boa gente, bom coração e uma referência do esporte que tinha se aposentado. Depois que ele recebe o diagnóstico, ao invés de se render ou se preparar para o pior, ele resolve dar um significado para tudo aquilo. A decisão dele faz cada um de nós pensar que significado estamos perseguindo. Que legado vamos deixar, afinal?

Este filme também serve para refletirmos sobre temas fundamentais que fazem parte da produção, como a valorização da vida, família, legado, propósito, amor, doação, comprometimento, amizades, paternidade/maternidade, religião e fé. Todos estes assuntos estão em jogo aqui e são tratados de forma muito franca, como um grande documentário se propõe a fazer.

Para mim, foi inevitável lembrar de um dos meus filmes favoritos de sempre, o francês Le Scaphandre et le Papillon (comentado aqui). Mas diferente daquela história, magistralmente contada pelo diretor Julian Schnabel, em Gleason não temos a narrativa baseada em uma história real sendo mostrada, mas a história real de alguém realmente passando na nossa frente. O impacto é diferente, sem dúvida.

Em qualquer filme, com um pouco de sensibilidade, conseguimos desenvolver a simpatia, nos colocando no lugar das pessoas/personagens e tentando entender o que está acontecendo sob a ótica delas. Mas em um documentário como Gleason isso se torna ainda mais importante e potente. Algo que me encanta em Gleason é como o filme tem quatro momentos muito distintos.

O primeiro é aquele da fase inicial, antes do diagnóstico. Ali temos um pequeno resumo sobre a vida de Steve e de Michel antes dele saber, aos 34 anos de idade, que tem ELA. O segundo momento do filme é a reação inicial dele, procurando realizar alguns sonhos e “passar a vida à limpo” o mais rápido possível. Afinal, ele não sabe se viverá dois ou cinco anos. A reação dele provavelmente é a que a maioria de nós teria.

Voltamos para aquela pergunta anterior. O que você faria se soubesse que tem apenas um dia ou alguns anos de vida? A resposta para isso diz muito sobre cada um de nós. Então Steve realiza uma viagem dos sonhos com Michel e, depois, tenta dizer tudo que acha importante para os outros e começa, neste sentido, a gravar vídeos para o filho que vai nascer e com quem ele espera ter alguma convivência.

A terceira etapa da produção é quando este momento passa. A saúde de Steve deteriora rápido, e pouco depois do diagnóstico ele já começa a demonstrar algumas limitações motoras. Quando o filho nasce, ele já precisa da ajuda de uma bengala para andar. E essa limitação vai ficando cada vez maior. Nesta fase, o filme mostra o cotidiano de Steve, a forma com que ele aproveita a vida apesar de tudo, os seus vídeos para o filho.

Entre a segunda e a terceira etapa Steve revela, além da preocupação de orientar o filho através de vídeos e deixar para ele mensagens do que ele acredita ser mais importante, também um desejo de que a sua história tenha um significado maior. A partir daí ajudar a outras pessoas com ELA vira um propósito de vida para ele. Impressionante o que ele vai conseguindo nesta sua jornada. Lindo, maravilhoso o exemplo que ele deixa para todos nós e para tantas outras pessoas.

Finalmente, Gleason tem uma quarta fase, quando a doença cobra um preço muito alto dele, de Michel e de outras pessoas próximas. Neste momento, nem sempre Steve está bem, e essa franqueza na narrativa é algo fundamental para esta produção ser tão brilhante e humana.

Quando ele para de falar, percebemos a importância da tecnologia para quem ELA, porque é através dela que as pessoas que tem a doença conseguem se expressar. E a comunicação é um elemento fundamental para nos sentirmos compreendidos e vivos. Ao mesmo tempo que a vida se torna muito complicada para Steve, a comunicação dele com Michel e o filho também se torna bem mais difícil e outras facetas da doença ficam muito evidentes na produção.

Na reta final da produção, Steve já virou um símbolo da causa ELA e acaba se desgastando no processo de chegar até este nível. Cinco anos se passaram desde o diagnóstico, e Steve resolve cuidar mais da saúde e curtir melhor a família. Apesar de todas as suas dificuldades e alguns dias muito ruins, ele demonstra que ama a vida e a família acima de tudo e que pretende lutar até o final. Ele quer, a exemplo do protagonista de Le Scaphandre et le Papillon, viver a vida o máximo que puder para ver o seu filho crescer – no caso de Jean-Dominique Bauby eram filhos.

A única certeza que temos após o nascimento é que um dia vamos morrer. Infelizmente pensamos menos nisso do que deveríamos. Se pensássemos mais, provavelmente faríamos melhor uso do nosso tempo. Depois que recebe o diagnóstico fatal, Steve passa a viver a vida com maior intensidade e com maior significado. Nem todos os dias são bons, de esperança e de doação, como a reta final de Gleason demonstra. Mas a vida é feita mesmo de dias bons e ruins e, apesar disso, queremos viver o máximo possível porque aprendemos demais no processo.

Gleason é um filme que demonstra muito bem tudo isso. Revela como pessoas comuns podem ser capazes de atitudes formidáveis. E que, nem por isso, elas estão acima de qualquer suspeita. Nem todos são bons o tempo todo, e esse também é um grande aprendizado, assim como que cada um lida com a dor de uma maneira diferente. Gleason é um filme sobre o espírito humano e sobre a nossa capacidade de nos superarmos, de amarmos e de nos doarmos. Não há nada mais bonito. Grande filme.

NOTA: 10.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Além de todas as qualidade que eu já citei sobre Gleason, algo no filme é bem bacana: ele quebra estereótipos. O inevitável aqui é o do “jogador de futebol americano” bobão. Steve é tudo, menos um sujeito sem crítica e autocrítica. Muito pelo contrário. Ele parecia ser um cara preocupado com as pessoas e com bons valores antes de ser diagnosticado com ELA e depois disso também. Michel, a mulher dele, parece uma garota bastante crítica e sensível, que ama a vida e que busca fazer o melhor possível, a exemplo do marido. Eles quem diversos estereótipos e paradigmas. Muito bacana.

O diretor Clay Tweel tem cinco filmes no currículo antes de Gleason. Ele estreou na direção no ano 2010 com o documentário Make Believe, que conta a história de seis jovens mágicos que disputam um campeonato mundial. Depois ele filmou os curtas Excuse Me e Storage ante de voltar, em 2014, para os longas de documentário com Print the Legend. No mesmo ano ele dirigiu o curta Unrequited e, em 2015, o documentário Finders Keepers. Fiquei interessada em ir atrás de outros filmes feitos por ele. Tweel tem um olhar cuidadoso sobre o que ele está filmando.

Steve Gleason e a mulher dele, Michel Varisco-Gleason, são os grandes nomes desta produção. A história de amor deles, assim como a dedicação de ambos – de Steve pelo filho e pela causa de amparar/proteger as pessoas com ELA e de Michel por Steve e pelo filho – embalam a história e são a força principal de Gleason. Mas há outras pessoas que são importantes neste filme.

Para começar, tem um papel bastante importante Mike Gleason. Ele mostra a inspiração de Gleason para a paternidade pelo bem e pelo mal. Como acontece na vida de muita gente, pai e filho não tem a mesma fé ou a mesma compreensão da vida, ainda assim eles são importantes um para o outro e se influenciam mutuamente. Bacana ver alguns momentos de desabafo e de “acerto de contas” entre eles. Todos nós, afinal, estamos aprendendo.

Paul Varisco, pai de Michel, os irmãos dela, assim como o irmão de Steve, são importantes também para contar melhor esta história. Eles contextualizam o que está acontecendo e dão outras perspectivas, completando esta colcha de retalhos de vidas reais. Blair Casey, vizinho do casal e que foi cuidado por Michel quando era criança, também tem um papel importante a partir do momento que ele ajuda a família sendo um cuidador muito presente.

Algo bacana do filme é mostrar que por mais que alguém ame e se dedique a outra pessoa, em uma situação como o avanço da ELA esta pessoa precisa realmente de ajuda. Importante mostrarem isso. Assim como o desgaste natural que acontece na relação entre Steve e Michel quando ele precisa de atenção completa e dedicação total quando perde a fala e começa a usar respirador, entre outras limitações. O amor está ali, presente em cada gesto de Michel, mas nem sempre ele pode ficar tão evidente para Steve.

Gleason estreou no Festival de Cinema de Sundance em janeiro de 2016. Depois, o filme passou por outros nove festivais em alguns países. Em sua trajetória até agora, Gleason ganhou 10 prêmios e foi indicado a outros 17.

Entre os prêmios que recebeu, destaque para três prêmios como Melhor Documentário dados por dois círculos de críticos de cinema e pelo Festival Internacional de Cinema de Seattle e por ter sido reconhecido como um dos cinco melhores documentários do ano pelo National Board of Review. Junto com ele estão De Palma, The Eagle Huntress, Miss Sharon Jones! e Life, Animated (comentado aqui).

Um dos ganhos de Gleason é como ele ajuda a esclarecer muito bem sobre o que é a esclerose lateral amiotrófica e como ela vai evoluindo com o passar do tempo, assim como a importância de ter um grande apoio familiar e de toda a tecnologia e cuidado médico possível. Steve tem sorte de ter tido acesso ao que há de melhor hoje no tratamento da doença. Pena que nem todos podem ter acesso a isso. Mas o exemplo dele, sem dúvida, ajuda a esclarecer muito sobre a ELA.

Não há muitas informações sobre o custo ou o resultado nas bilheterias de Gleason. Segundo o site Box Office Mojo o filme fez quase US$ 584 mil nos cinemas dos Estados Unidos. Acredito que ele tenha feito mais, mas faltam informações, realmente.

Eu também queria saber mais sobre como Gleason foi feito. Bem, este texto escrito pelo próprio Steve Gleason e publicado na Sport Illustrated no dia 27 de julho de 2016 ajuda a explicar alguns detalhes. Por exemplo, o filme usou como material para trabalhar as 1,5 mil horas de filmagens que foram feitas durante cinco anos e meio – ou seja, pouco antes dele ser diagnosticado com ELA.

O texto de Steve para a Sport Illustrated é fascinante, assim com o filme sobre a história dele. E estou com ele: “A vida real é uma bagunça”. 😉 E, ainda assim, amamos ela e as pessoas que fazem parte dela. “Compartilhar as nossas fraquezas é como encontrarmos os nossos pontos fortes”. Genial, Mr. Gleason. Li o texto dele depois de escrever a crítica acima e, pelo visto, acertei em cheio na minha compreensão da história. Que bom.

Além de ser um filme extremamente humano, Gleason tem uma outra grande qualidade (que é “culpa” do gosto musical de Steve): a trilha sonora de Pearl Jam. Putz, uma das minhas bandas favoritas de sempre. Que bacana ver mais um filme com Eddie Vedder (inclusive em pessoa) e Cia. embalando a história – especialmente as sequências dos créditos.

Da parte técnica do filme, sem dúvida alguma vale destacar o ótimo trabalho de edição de David Lee e de Ty Minton-Small. Como eles tiveram um material imenso para selecionar, o trabalho deles e do diretor e roteirista Clay Tweel foram fundamentais para amarrar tudo isso e nos apresentar uma narrativa muito interessante.

Ainda da parte técnica, destaco a trilha sonora de Saul Simon MacWilliams e Dan Romer; a direção de fotografia de David Lee e de Ty Minton-Small; e o departamento de som com o trabalho competente de seis profissionais.

Para quem gostou da história de Steve Gleason eu recomendo uma visita para a página oficial do Team Gleason, outra para o Twitter de Steve e na página no Facebook do projeto.

Os usuários do site IMDb deram a nota 8,4 para a produção, enquanto os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 50 textos positivos e dois negativos para a produção, o que lhe garante uma aprovação de 96% e uma nota média 8. As duas avaliações são bastante positivas se levarmos em conta o padrão dos dois sites.

Esta é uma produção 100% dos Estados Unidos. Por isso o filme entra na lista de produções que atendem a uma votação feita aqui no blog há um bocado de tempo atrás.

CONCLUSÃO: Pessoas comuns sendo extraordinárias. Gleason é uma produção que surpreende conforme avança. A produção começa de uma forma, avança para a segunda base de outra maneira e segue outras duas camadas de leitura antes de finalizar. É um filme impressionante, muito humano e que nos desperta reflexões fundamentais.

Se a morte é uma certeza para todos, a forma com que decidimos viver a vida, especialmente quando elas nos surpreende de uma maneira brutal, é o que realmente acaba nos definindo. Filme incrível, destes que vamos guardar na memória por muito tempo. Se tiver a oportunidade de assisti-lo, não a perca. Um dos grandes achados desta temporada pré-Oscar.

PALPITES PARA O OSCAR 2017: Gleason é um dos 15 documentários que avançou na lista de pré-indicados à maior premiação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. Para cada filme que entrar na lista final dos indicados ao Oscar, outros dois vão ficar no caminho. A minha esperança é que Gleason consiga chegar entre os cinco finalistas.

Não há dúvidas que Gleason merece estar lá. Na verdade, até o momento, o meu voto iria para ele. Porque entre os documentários que eu assisti e que estão cotados – a saber: O.J.: Made in America (com crítica neste link), 13th (comentado por aqui), Life, Animated (com crítica por aqui) e Fire at Sea (comentado neste link) -, achei Gleason o mais duradouro, o que mais fica marcado na nossa memória.

Mas admito que ainda preciso completar a lista. Há outros documentários a assistir. Até agora, na bolsa de apostas, aparecem na lista dos mais votados O.J.: Made in America, 13th, I Am Not Your Negro, Cameraperson, The Eagle Huntress e Gleason, nesta ordem de preferência dos apostadores. Claro que esta lista não é de especialistas, então nesta categoria geralmente quase tudo pode acontecer. Na próxima semana saberemos quais são os cinco finalistas e aí ficará mais fácil opinar.

PEQUENO AVISO: Meus caros leitores aqui do blog, eu vou seguir com as publicações normais até o Oscar 2017, para seguir uma tradição aqui do blog. Mas passada a premiação, se eu não tiver conseguido uma boa adesão na campanha de apoio ao blog, eu vou dedicar mais tempo para outras atividades que me deem retorno financeiro e vou tornar as atualizações aqui mais escassas ou bem mais sucintas. Se você quer ajudar o blog a continuar como ele está agora ou até a ampliar a frequência de publicações, sugiro o apoio a este projeto:

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Kongens Nei – The King’s Choice

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O baú de histórias envolvendo a Segunda Guerra Mundial parece não ter fim. Sempre algum novo filme, seja de Hollywood, seja de outra latitude, volta a revisitar aquele período com alguma história pouco contada ou com um novo ponto de vista sobre fatos relativamente conhecidos. Kongens Nei, o filme da Noruega indicado para o Oscar 2017 e que avançou na lista das nove produções com chances de uma indicação no prêmio da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood conta uma história pouco conhecida do período da guerra.

A HISTÓRIA: Começa falando de um episódio marcante para a Noruega. Em junho de 1905, o parlamento norueguês dissolveu a união entre a Suécia e a Noruega. Naquele mesmo ano, o povo norueguês decidiu pela continuidade da monarquia, e o príncipe Carl, da Dinamarca, é escolhido Rei da Noruega. Desta forma, o poder político é exercido pelo governo e pelo Parlamento, com o rei desempenhando apenas um papel representativo.

Em novembro de 1905 a família real chega na Noruega, e o rei passa a ser chamado de Haakon VII. Cenas históricas mostram ele chegando com a esposa e o filho pequeno Olav. Depois das cenas históricas, o filme algumas décadas na história, mostrando outros fatos marcantes, inclusive a ascensão de Adolf Hitler ao poder na Alemanha. A história então se desenvolve a partir do dia 8 de abril de 1940, na eminência da Noruega ser invadida pelos alemães.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Kongens Nei): Este é um filme bastante importante para os noruegueses, eu não tenho dúvidas disso. Afinal, a decisão do rei Haakon VII (Jesper Christensen) marcou a história do país e, acredito, até hoje deve ser contada nas escolas e algo conhecido por todos do país.

Verdade que, além do interesse específico para os noruegueses, Kongens Nei tem um certo interesse histórico. Pela ótica do rei e de sua família, conseguimos não apenas ver na prática como ocorria uma invasão dos nazistas em um país que era neutro, um dos fatos que marcou a Segunda Guerra Mundial, como também percebemos o tipo de estratégia que era adotada por Adolf Hitler.

Após fazer estas considerações, quero dizer que Kongens Nei é essencialmente importante para a Noruega, o seu país de origem. Para os demais públicos pelo mundo o filme é interessante, mas não chega nem perto de ser fundamental. Seja avaliando ele pela ótica história, seja pela ótica de cinema.

Afinal, Kongens Nei é um grande filme de perseguição, fuga, estratégia asfixiante dos nazistas e tentativa de negociações sem fundamento lógico por parte do país invadido. Durante grande parte da história assistimos ao rei Haakon VII e a sua família fugindo para tentar sobreviver. Um acerto no roteiro de Harald Rosenlow-Eeg e Jan Trygve Royneland é, dentro do possível, mostrar os cidadãos comuns neste processo.

Além disso, e fica evidente no desenrolar do filme, Kongens Nei é uma grande homenagem para o protagonista. A produção dirigida por Erik Poppe mostra como o rei se manteve firme em sua posição de defender um país independente e, dentro do possível, a população norueguesa apesar da ameaça constante contra sua própria vida e a de seus familiares.

Neste sentido, Kongens Nei é um filme interessante e que chega a ser levemente inspirador sobre a defesa de valores irrefutáveis, como o respeito à vontade da maioria da população e a defesa de um país soberano e independente. O rei Haakon VII defendeu isso e conseguiu, passada a guerra, deixar isso de legado para o seu país.

A direção de Poppe e o roteiro de Rosenlow-Eeg e Royneland se esforçam para humanizar a figura do rei e da família real. E eles conseguem o seu objetivo. Em mais de uma ocasião o rei Haakon VII aparece com medo e com dores, apesar de que na maior parte do tempo ele tentava se manter altivo. Também interessante quando o protagonista lembra para o filho, o príncipe Olav (Anders Baasmo Christiansen) como ele se tornou rei por decisão popular e de forma “imprevista”, como que lembrando qual era a origem de todo aquele “poder”.

A discordância entre os pontos de vista do rei e do príncipe também são um elemento constante da produção. No fundo, aquela é uma relação de pai e filho clássica, em que o primeiro, mais experiente, está tentando ensinar o filho a ter uma visão mais equilibrada e com uma visão mais ampla do que os seus instintos impulsivos (aparentemente) pregavam.

É um filme interessante, ainda que um pouco arrastado pela sequência histórica dos fatos. Ainda que a invasão nazista ocorra de uma maneira muito rápida, e contada dia a dia e nas horas mais importantes pelos roteiristas, esta produção de “bastidores” da crise envolvendo a invasão na Noruega acaba sendo uma grande perseguição e fuga. E sem maiores “surpresas” no caminho, Kongens Nei acaba sendo um pouco entediante.

Ainda assim, como eu comentei antes, este filme ganha pontos por falar de valores importantes para uma nação e um governante e por mostrar um pouco sobre como pessoas comuns podem ter atitudes importantes em momentos decisivos da História.

Isso não se aplica apenas à família real, no caso desta produção, mas também a figuras como o jovem soldado Fredrik Seeberg (Arthur Hakalahti), que simboliza a todos os jovens que tiveram que pegar em armas para tentar defender o seu país, e Birger Eriksen (Erik Hivju), comandante do forte que acaba atacando um navio alemão invasor.

Também achei interessante o filme porque ele demonstra com um exemplo prático como Hitler era engenhoso. Conhecemos bem o viés dele de crueldade e do extermínio de diversos grupos, mas nem sempre sabemos sobre detalhes de suas estratégias de guerra. E por mais que seja absurdo, não deixa de ser impressionante a forma ardilosa com que ele agia em relação a alguns países europeus.

No caso da Noruega, mostrado pelo filme, ele avançou com navios e tropas ao mesmo tempo que mandou um “acordo” em que ele apenas era o beneficiário. E o argumento do documento era algo impressionante: a Alemanha estava oferecendo “proteção” para a Noruega contra o inimigo Inglaterra. Ora, essa era uma grande desculpa para a Noruega ser ocupada e explorada por um lado da guerra que não lhe interessava.

Mas na cabeça de Hitler aquele era um argumento que ele poderia usar na propaganda nazista e que poderia convencer a muitos “crentes” de seu regime. E era uma forma “melhor” de invadir um país do que simplesmente entrar arrasando. Só que Kongens Nei nos demonstra muito bem como isso não era tudo.

Ao mesmo tempo que Hitler mandava o documento pedindo um “acordo” para o rei da Noruega, ele na prática já ia invadindo o país. Demonstrando, assim, que ele ia conseguir o que ele queria de uma forma ou de outra. Como bem observou o príncipe Olav, isso não era uma negociação. Quando apenas um lado diz como tudo deve ser, trata-se de imposição. E foi o que aconteceu no caso da Noruega, da Dinamarca e de outros países.

Em resumo, esta é uma produção bacana, que tem as suas qualidades, especialmente nestes pontos de destaque do roteiro, mas que no fima das contas é mediana. Para mim, ela não deveria estar na lista dos finalistas deste ano na categoria Melhor Filme em Língua Estrangeira porque não é tão ousada, criativa ou bem desenvolvida quanto outras produções desta safra. Mas gostos são gostos, como sempre.

NOTA: 8,3.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Algo interessante neste filme, como em quase todas as produções do cinema europeu, é como todo o elenco do filme está afinado, sem grandes “estrelismos” ou destaques. O elenco todo está bem. Ainda assim, claro que merecem menções especiais os atores Jesper Christensen, que consegue humanizar muito bem a figura do rei, e Anders Baasmo Christiansen como o filho dele e um contraponto importante para a história.

Além destes atores, vale citar o bom trabalho de Jan Frostad como Carl Joachim Hambro, que faz parte do governo; Arthur Hakalahti como o jovem soldado Fredrik Seeberg, que acaba simbolizando vários jovens que se arriscaram naqueles anos na guerra que se seguiu; Erik Hivju muito bem como o comandante Birger Eriksen, aquele que não espera a ordem final para defender o seu país atacando uma embarcação alemã; Karl Markovics muito bem como o embaixador alemão Kurt Bräuer, que demora para acreditar que uma saída diplomática não será possível; e Katharina Schüttler como Anneliese, a mulher do embaixador.

Da parte técnica do filme, vale destacar a direção de fotografia de John Christian Rosenlund, a trilha sonora no estilo épico de Johan Söderqvist, a edição de Einar Egeland e os figurinos de Karen Fabritius Gram.

Como tantos outros filmes com fonte histórica, Kongens Nei termina com alguns dados sobre o que acontece com os personagens centrais e a história depois que a narrativa termina. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Essa parte foi bem feita, exceto por não revelar quantas pessoas morreram na Noruega por causa daquele conflito. Este é um dado importante e que ficou faltando. Segundo este artigo da Wikipédia que eu achei, por parte da Noruega e da Dinamarca teriam sido mortos 6.116 combatentes – a maior parte deles da Noruega, que resistiu mais tempo.

Algo bacana no final é o filme mostrar as três gerações da família real juntas. Depois que o rei Haakon VII morreu, bem depois do final da Segunda Guerra Mundial, o filho dele, Olav, assumiu o lugar do pai e, depois, Harald, que conviveu com o avô, assumiu o posto. Os três aparecem em uma cena bacana na reta final da produção.

Interessante também o fascínio que algumas famílias reais ainda despertam em grande parte de seus “súditos” e em diversos países mundo afora. Kongens Nei apresenta bem a admiração, o fascínio e o respeito das pessoas com o rei e a sua família. Eles são figuras praticamente sem autoridade hoje em dia, mas ainda despertam muito interessem, ditam moda e parecem sempre ser símbolo de comportamento e valores para as sociedades em que eles ainda tem uma função diplomática.

Kongens Nei estreou em uma seção especial no Castelo Real de Oslo no dia 16 de setembro de 2016. Nos cinemas da Noruega o filme estreou pouco depois, no dia 23 de setembro. Depois, o filme participou do Filmfest Oslo e, no dia 10 de janeiro, no Festival de Cinema Internacional de Palm Springs. Não há informações sobre prêmios para a produção até o momento.

O diretor norueguês Erik Poppe tem seis filmes no currículo. Ele estreou em 1998 com o longa Schpaaa, dirigiu quatro episódios da série de TV Brigaden e, depois, fez os filmes Hawaii, Oslo; DeUsynlige e Tusen Ganger God Natt, este último o seu filme mais conhecido. Da minha parte, Kongens Nei é o primeiro filme dele que eu assisto.

Os usuários do site IMDb deram a nota 7,8 para esta produção, uma boa avaliação se levarmos em conta o padrão do site. Não há críticas sobre o filme no site Rotten Tomatoes, o que só demonstra como ele é um grande “desconhecido” entre os críticos e, francamente, tem chances zero no Oscar 2017. Aliás, me admira ele ter avançado na disputa.

Esta é uma produção 100% da Noruega.

CONCLUSÃO: Apenas o fascínio dos votantes da Academia para filmes que contam histórias da Segunda Guerra Mundial para justificar o avanço de Kongens Nei na disputa ao Oscar. Esta produção, que é apenas mediana, não tem nem uma história realmente fascinante e nem ao menos algum outro recurso que justificaria ele figurar na lista dos possíveis indicados. Pessoalmente, prefiro outros filmes que ficaram de fora da lista, como Elle e até o espanhol Julieta. É um filme para ser visto por pura curiosidade, porque ele realmente está longe de ser marcante.

PALPITES PARA O OSCAR 2017: Seria uma grande forçada de barra se Kongens Nei avançasse e chegasse a ser indicado ao prêmio da Academia. Ele já pode se considerar um vencedor por ter chegado a figurar na pré-lista dos nove filmes que avançaram na disputa.

Da minha parte, até o momento, acredito que devem ser indicados como os cinco finalistas em Melhor Filme em Língua Estrangeira os filmes Toni Erdmann (comentado aqui), The Salesman, Land of Mine (com crítica neste link), A Man Called Ove (comentado aqui) e um dos outros quatro na disputa – My Life as a Zucchini, Tanna, Paradise ou It’s Only the End of the World.

Não consigo cravar os indicados nesta categoria porque eu ainda preciso assistir a estes últimos quatro da lista de nove pré-finalistas. Mas entre o outros quatro que eu já assisti, não tenho dúvida que os três citados, com exceção de The Salesman, eu ainda não consegui assistir, mas que é um dos favoritos na disputa, devem avançar. Ou, pelo menos, merecem.

PEQUENO AVISO: Meus caros leitores aqui do blog, eu vou seguir com as publicações normais até o Oscar 2017, para seguir uma tradição aqui do blog. Mas passada a premiação, se eu não tiver conseguido uma boa adesão na campanha de apoio ao blog, eu vou dedicar mais tempo para outras atividades que me deem retorno financeiro e vou tornar as atualizações aqui mais escassas ou bem mais sucintas. Se você quer ajudar o blog a continuar como ele está agora ou até a ampliar a frequência de publicações, sugiro o apoio a este projeto:

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La La Land – La La Land: Cantando Estações

lalaland7

Hollywood ama a “fábrica de sonhos” chamada Hollywood. O cinema também ama ser cinema. Neste contexto de autorreferência, de certa nostalgia e de homenagem ao jazz é que surge La La Land, um filme perfeito para Hollywood (se) premiar. Assisti à produção no cinema, em uma das sessões de pré-estreia, e foi algo divertido. O filme é envolvente e muito bem feito. Mas é o melhor filme do ano? Para o meu gosto, não.

A HISTÓRIA: Começa com uma fila gigantesca de veículos parados no trânsito de Los Angeles. Cada veículo tem uma ou duas pessoas e cada automóvel é um pequeno mundo envolto em uma música diferente. Em um destes veículos, Sebastian (Ryan Gosling) ouve repetidas vezes a uma composição no piano. No carro da frente, Mia (Emma Stone) tenta lembrar as linhas que ela precisará falar logo mais em uma nova audição. O filme começa no Inverno.

De repente, Sebastian buzina indignado porque Mia não avançou na fila. Os dois trocam xingamentos e olhares irados, mas seguem no trânsito. Na cafeteria dentro dos estúdios Warner em que trabalha, Mia fica fascinada por uma das estrelas do estúdio, mas logo é lembrada pelo celular sobre o horário da audição. Ela vai para lá, mas não dá certo. Ainda assim, ela não desiste de seu sonho de ser atriz, e em breve vai conhecer Sebastian que também sonha, mas em ter um bar de jazz.

VOLTANDO PARA A CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a La La Land): Vou ser sincera com vocês. Eu espera muito mais de La La Land. Seja pela coleção de prêmios que ele já ostenta e por ser o favoritíssimo para o Oscar, seja pelo filme anterior que eu vi do roteirista e diretor Damien Chazelle.

O início, os primeiros minutos de La La Land, para mim já foram um tanto frustrantes. Afinal, tudo que você não espera em pleno 2017 é ver um filme “clássico” do estilo musical. Não. Você espera um filme que renove o gênero, que introduza novas ideias. E aí, logo nos primeiros minutos de La La Land, somos apresentados para uma sequência óbvia e requintada de pessoas paradas no trânsito e que resolvem sair de seus carros para cantar e fazer uma coreografia “moderna” e que mostra diversidade da Los Angeles atual. Sério? Sério mesmo? Pensei isso quando assisti à cena.

Mas daí eu pensei: “Calma, tem muito para acontecer no filme ainda. Ele pode te surpreender”. Com uma certa ironia aqui e ali e, claro, demonstrando o seu grande talento estético e de ritmo, Chazelle apresenta um filme que tem diversos acertos e que tem a assinatura do realizador. Ainda assim e apesar da exuberância, das cenas lindas e das coreografias que nos fazem lembrar dos grandes, gigantes Ginger Rogers e Fred Astaire (se você não assistiu a nenhum filme deles, vá atrás agora mesmo!), La La Land parece uma grande homenagem ao cinema e ponto.

Há um compêndio de referências de Hollywood neste filme e, principalmente, a mensagem que vale sempre correr atrás de seus sonhos. Ok, a mensagem é bacana, mas não é nada inovadora. E mesmo a forma de seguir esta linha de raciocínio não é nova. Temos grandes momentos, o filme é lindo e nos remete a grandes episódios do que já foi Hollywood, mas como a própria protagonista fala, em determinado momento, ele me parece um tanto saudosista demais.

Entendo as razões que fizeram a Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood dar todos os prêmios possíveis no Globo de Ouro para La La Land. Afinal, além da mensagem de “nunca desista dos seus sonhos”, qual é o grande tema desta produção? Hollywood e a sua fábrica de sonhos. O filme mostra toda a “fauna” que gira em torno dos estúdios de cinema de Los Angeles, todas as pessoas que pensam em um dia viver da arte e o que elas fazem para chegar lá.

Em uma época em que um presidente como Donald Trump está assumindo a presidência dos Estados Unidos e em que muitos artistas e imigrantes (muitos artistas são de fora do país) se sentem “ressabiados” ou com medo do que ele poderá fazer no cargo, La La Land lembra a todos sobre a importância/necessidade da “fábrica dos sonhos” de Hollywood. Além disso, e basta ver o histórico das premiações de cinema nos Estados Unidos, o cinema adora premiar a si mesmo.

Quanto a isso não há problemas, é algo legítimo. Mas em anos anteriores filmes do mesmo gênero que La La Land, como Moulin Rouge e The Artist (comentado neste link), renovaram os musicais cada um a sua maneira. The Artista, em especial, que também fazia uma homenagem escancarada para a “fábrica de sonhos” do cinema, foi ainda mais ousado que La La Land por resgatar um tipo de filme ainda mais esquecido, o do cinema mudo.

Com tudo isso eu não quero dizer que La La Land não seja divertido, que não faça a plateia rir ou se envolver. Não, ele consegue tudo isso. Há sequências realmente lindas e sacadas idem. Ryan Gosling faz um bom trabalho, mas é Emma Stone quem surpreende. A atriz é o melhor do filme, junto com algumas sequências belíssimas da produção.

Emma Stone tem em La La Land o filme da sua vida até aqui. Ela está linda, comovente e, principalmente, esbanja muito carisma. Mais que Gosling, que mantém o seu padrão de bom intérprete, mas que já fez filmes melhores. Além da sintonia entre os dois, o filme acerta no ritmo e no visual, além da edição que já virou marca registrada de Chazelle.

O roteiro… bem, o roteiro! Ele foi escrito para as pessoas que adoram uma boa história água-com-açúcar. Mas não surpreende em momento algum. A divisão da histórias em estações não é nada nova. A linha temporal de “garota conhece rapaz, os dois antipatizam no início mas depois se apaixonam” não poderia ser mais lugar-comum.

Assim como é bastante previsível o “perrengue” que os dois passam por boa parte da produção, a insistência de ambos, uma certa desistência dela e, finalmente, o sucesso para aqueles que persistiram. Até o desfecho para o casal não é mais surpreendente, após tantos filmes em que o “mocinho e a mocinha” não terminaram juntos. Enfim, absolutamente nada de novo no roteiro de Chazelle. Claro, há uma ou outra boa sacada aqui e ali, mas isso não deveria garantir o Oscar para ninguém. É pouco.

Ainda assim, é preciso uma justificativa para a nota abaixo. Afinal, ela não é baixa. Acho que Chazelle se sai bem, por um bom período do filme, em revisitar uma série de lugares-comum de forma envolvente. Com uma boa dinâmica de câmera e de edição, ele prende a atenção dos espectadores com uma história simples, deixando o trabalho mais difícil para os intérpretes que, claro, conseguem ter uma bela sintonia.

Além de tudo que eu já comentei, talvez a parte realmente interessante de La La Land é como o filme mostra a diferença entre a vida de sonhos e a vida real. Lá pelas tantas as cobranças e as palavras duras aparecem entre os protagonistas, e eles não sabem lidar muito bem com elas. Para mim, em termos de roteiro, o melhor momento da produção é quando Mia fica desiludida com a estreia de sua peça e decide voltar por um tempo, ao menos, para a casa dos pais.

Como ela mesma reflete, nem todo mundo dá certo. E talvez eu tivesse gostado mais de La La Land se ao menos um dos dois tivesse seguido um caminho que não fosse o do sonho. Afinal, esta é a realidade. Ok, o grande público vai para o cinema para ver o sonho. E por isso, talvez, La La Land tenha dado tão certo. O filme apresenta o que o público quer, sem fazer nada ousado no caminho.

Quando a produção confronta sonho com realidade, ela ganha pontos e chega a esboçar um final interessante. Depois, na sequência durante o piano no Seb’s ele volta a ousar ao mostrar um final que não seria previsível e que até poderia ser inovador. Mas no fim das contas, sempre, Chazelle acaba optando pelo óbvio e pelo que o grande público vai entender e gostar. Com isso ele está papando todos os prêmios. Bacana para ele. Mas não necessariamente para o cinema e a sua evolução.

NOTA: 9.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Tenho que dizer. Emma Stone rouba a cena. A atriz está maravilhosa em seu papel. Relembra à todas as grandes atrizes do cinema no auge de Hollywood. Dos filmes que eu assisti com ela, La La Land é o seu melhor trabalho. Ryan Gosling é lindo e gostamos de tudo que ele faz, mas acho que aqui ele está charmoso e serve de um bom par para Emma Stone, mas nada além disso. Gostei mais dele em Drive (comentado por aqui), por exemplo.

Mesmo que o filme tenha ficado aquém do que eu esperava, algo tenho que admitir: há sequências realmente incríveis na produção. Gostei, em especial, das coreografias e das cenas dos protagonistas dançando no morro após a festa em que eles se reencontram e ela pede a música I Ran; da dança no Griffith Observatory, quando bailam em um “céu de estrelas”; claro, da bela cena em que os dois atores cantam a principal música da produção, “City of Stars”; e, finalmente, gostei da sequência de “outro final” que sai da imaginação de Sebastian (ou dos dois).

A homenagem mais clara e escancarada é para o cinema e a própria Hollywood. Mas Chazelle também deixa muito clara a sua homenagem para a música, especialmente o jazz. A exemplo do que ele já tinha feito no seu filme anterior, o interessante Whiplash.

Um acerto do filme, assim como de outras produções recentes, é de apostar as fichas em poucos personagens. A história de La La Land gira em torno de Mia e de Sebastian, e isso é bom, especialmente porque se trata de uma “história de amor”. Mas há outros atores ótimos que fazem papéis menores – alguns, praticamente pontas. Me chamou a atenção, em especial, a fina ironia do papel de J.K. Simmons como Bill, o dono do restaurante que obrigada Sebastian a tocar apenas músicas natalinas – nada mais contrastante e irônico com o papel dele em Whiplash.

Além dele, há outros atores que merecem ser citados: Rosemarie DeWitt como Laura, irmão de Sebastian; Callie Hernandes como Tracy, Jessica Rothe como Alexis e Sonoya Mizuno como Caitlin, as três amigas com quem Mia divide um apartamento na parte inicial da produção; Claudine Claudio como Karen, chefe de Mia na cafeteria; Olivia Hamilton em uma super ponta como Bree, a mulher que não quer comer glúten; Finn Wittrock como Greg, o namorado de Mia na parte inicial do filme; John Legend em um papel até com certa relevância como Keith, amigo de Sebastian e que “abre a cabeça” dele sobre o “novo” jazz; e, claro, Tom Everett Scott como David, a “surpresa” no final da produção.

Tecnicamente falando, La La Land é muito, muito bem feito. Mas a história, convenhamos, é meio “bobinha”. Ou simplificada ao máximo para agradar ao grande público. Para mim, ficou faltando. Da parte técnica do filme, contudo, inevitável elogiar o excelente trabalho do diretor de fotografia Linus Sandgren, do editor Tom Cross e da trilha sonora de Justin Hurwitz. São, sem dúvida, os pontos altos da produção, assim como Emma Stone.

Outros aspectos que merecem elogios: o design de produção de David Wasco; a direção de arte de Austin Gorg; a decoração de set de Sandy Reynolds-Wasco; os figurinos de Mary Zophres; o departamento de maquiagem com 15 profissionais afiados; os 29 profissionais envolvidos com o departamento de arte; e, claro, os 64 profissionais envolvidos no departamento musical, um elemento fundamental para a produção.

La La Land estreou no Festival de Cinema de Veneza no final de agosto de 2016. Depois, o filme passou por outros 19 festivais e eventos. Um caminho interessante para um filme tão comercial e de Hollywood. Nesta trajetória o filme ganhou impressionantes 132 prêmios e foi indicado a outros 183. Entre os prêmios que recebeu estão sete Globos de Ouro.

Como a produção mesmo sugere, La La Land foi totalmente rodado na Califórnia, especialmente em Los Angeles, em locais como o Santa Monica Blvd (bar Seb’s), EstWest Studios, Magnolia Blvd (local do “Van Beek Tapas and Tunes”), nos estúdios da Warner Bros., no Beverly Boulevard (quando Mia deixa os amigos no restaurante e sai andando pela rua), no Rialto Theatre (que faz as vezes de cinema Rialto), no Hermosa Beach Pier (na praia Hermosa, quando Sebastian começa a cantar “City of Stars” sozinho ainda), Griffith Observatory e Watts Towers – pontos turísticos de Los Angeles, entre outros pontos da cidade que abriga os estúdios de cinema de Hollywood.

Em certo momento do filme, Sebastian pergunta quem é o “Bogart” de Mia, em uma clara alusão ao filme Casablanca – veja se ainda não assistiu. Ora, a própria história de La La Land, que deixa no ar algo do gênero “sempre teremos Paris”, mas sem que eles tenham tido, faz uma clara alusão ao filme com Humphrey Bogart e Ingrid Bergman.

Além disso, claro, La La Land tem muitas e muitas referências a outros filmes, sendo as mais evidentes as alusões à Singin’ in the Rain, The Bad Wagon, Top Hat, An American in Paris, The Umbrellas of Cherbourg, Swing Time, The Young Girls of Rochefort, e a homenagem com direito a trecho e tudo de Rebel Without a Cause. Com isso, o filme acaba sendo ainda mais nostálgico, porque faz as pessoas que já assistiram aos clássicos a ter ainda mais saudade deles. 😉

La La Land é um filme que não custou muito, especialmente se levarmos em conta a complexidade dos detalhes da produção. O filme teria custado cerca de US$ 30 milhões. Apenas nos Estados Unidos ele fez quase US$ 63,7 milhões e, nos outros países em que já estreou, outros US$ 34,7 milhões. No total, até agora, fez cerca de US$ 98,4 milhões. Com toda a visibilidade do Globo de Ouro e, logo mais, das indicações ao Oscar, certamente este filme vai obter um belo lucro.

Agora, algumas curiosidades sobre a produção. Outra Emma, a Watson, recusou o papel de Mia por causa dos conflitos de agenda que La La Land acabou tendo com Beaty and the Beast, dirigido por Bill Condon. Por sua vez, Ryan Gosling recusou o papel de Beast no filme de Condon porque preferiu o filme de Chazelle. Está claro quem acertou na escolha, não?

Segundo o compositor Justin Hurwitz, todas as músicas tocadas no piano no filme foram gravadas primeiramente pelo pianista Randy Kerber na fase de pré-produção de La La Land e, depois, o ator Ryan Gosling passou duas horas por dia, durante seis dias de cada semana, tendo aulas de piano para saber as músicas de cor. Quando as filmagens começaram, Gosling foi capaz de tocar todas as músicas sem que fosse necessário usar um “dublê” de mãos ou efeitos especiais intercalando com um pianista.

Uma das cenas de audição em que o diretor de elenco interrompe o desempenho de Mia para atender a um telefonema é inspirado em um dos testes que Ryan Gosling fez em sua carreira.

John Legend, que é cantor e pianista, teve que aprender a tocar guitarra para fazer o seu papel em La La Land.

Inicialmente, Miles Teller, estrela de Whiplash, foi cotado para fazer o papel de Sebastian. Mas, depois, ele acabou sendo substituído por Ryan Gosling.

La La Land foi rodado ao longo de oito semanas durante o Verão de 2015.

Esta produção teria uma forte ligação com a vida real de Emma Stone, porque a exemplo da personagem de Mia, Emma Stone também deixou a escola e se mudou para Los Angeles aos 15 anos de idade para tentar a carreira de atriz.

Emma Stone dá um show não apenas de interpretação, mas também cantando. E ela cantou “ao vivo” no filme, quando Chazelle começou a gravar a cena em que ela interpreta a canção “Audition (The Fools Who Dream)”, perto do filme. Que é linda, aliás. O diretor e o compositor Justin Hurwitz decidiram que ela iria escolher o momento em que ela pararia de falar os seus diálogos e começar a cantar e, por isso, não fizeram uma gravação prévia da música. Foi feito na hora.

Como comentei antes, La La Land levou nada menos que sete prêmios no Globo de Ouro 2017. É um recorde para a premiação – nenhum filme levou tantos prêmios em uma única edição do prêmio – e significou algo impressionante como o filme ganhar nas sete categorias em que concorreu. Ele foi premiado como Melhor Filme – Musical ou Comédia, Melhor Ator – Musical ou Comédia para Ryan Gosling, Melhor Atriz – Musical ou Comédia para Emma Stone, Melhor Diretor para Damien Chazelle, Melhor Roteiro para Damien Chazelle, Melhor Canção Original para “City of Stars” (composta por Justin Hurwitz, Benj Pasek e Justin Paul) e Melhor Trilha Sonora para Justin Hurwitz.

A produção venceu outros 125 prêmios além destes sete do Globo de Ouro. Desta lista imensa, destaque para os 19 prêmios que La La Land recebeu como Melhor Filme e que foram dados por associações de críticos, para 19 prêmios como Melhor Diretor para Damien Chazelle, para 19 prêmios como Melhor Fotografia, para sete prêmios como Melhor Edição e para 14 prêmios como Melhor Trilha Sonora. Além disso, Emma Stone ganhou seis prêmios como Melhor Atriz.

La La Land é o quarto filme no currículo do diretor Damien Chazelle. Antes ele fez Guy and Madeline on a Park Bench, sua estreia na direção em 2009; o curta Whiplash, em 2013, e o longa Whiplash, filme que deu visibilidade para ele, em 2014 (e que foi comentado por aqui). O próximo filme dirigido por ele e atualmente em fase de pré-produção é First Man, que será estrelado por Ryan Gosling e que contará a história do astronauta Neil Armstrong. Ou seja, tem grande potencial de ser outro sucesso.

Os usuários do site IMDb deram a nota 8,8 para La La Land, enquanto os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 258 críticas positivas e 20 negativas para a produção, o que lhe garante uma aprovação de 93% e uma nota média de 8,7. Para mim estas avaliações são sintomáticas. A nota alta no IMDb revela o gosto do grande público, enquanto o nível de aprovação dos críticos demonstra que sob uma análise mais criteriosa o filme não é tão brilhante assim.

Este é um filme 100% dos Estados Unidos. Assim sendo, ele entra para a lista de produções que atende a uma votação feita há algum tempo aqui no blog.

CONCLUSÃO: Quando eu vi La La Land ganhando tudo no Globo de Ouro eu pensei: “É preciso ter coragem para fazer um musical hoje em dia”. E a expectativa era assistir ao filme no cinema e me deliciar com ele. De fato, é um filme divertido. Bem conduzido, bem feito, um espetáculo para os olhos. E só. Ele não inova o gênero, não surpreende, não é inesquecível.

Apenas para ficar nas comparações óbvias, ele é menos inovador que Mouling Rouge ou The Artist. Foi e será muito premiado não porque mereça, mas porque Hollywood precisa, neste momento mais do que nunca, se autoafirmar. Dá para entender, mas nem por isso o resultado é justo. Há filmes melhores nesta temporada. Boa parte deles não será premiada, e isso faz parte do jogo da indústria cinematográfica.

PALPITES PARA O OSCAR 2017: La La Land tem tudo para ser o filme mais indicado deste ano na premiação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood e, possivelmente, sair da noite do Oscar como o filme mais premiado. Mas, ainda que ele tenha papado tudo no Globo de Ouro, é preciso lembrar que há algumas diferenças entre as duas premiações mais visíveis de Hollywood.

As grandes diferenças estão em dois pontos fundamentais: quem vota em cada uma destas premiações e o fato do Globo de Ouro dividir os principais prêmios entre Drama e Musical ou Comédia. O perfil de quem vota no Globo de Ouro costuma ser mais “liberal” do que os votantes da Academia, sem contar que as visões sobre o cinema nem sempre coincidem entre quem comenta sobre os filmes (a imprensa, o Globo de Ouro) e as pessoas que fazem a indústria acontecer (votantes da Academia).

Além disso, musicais e comédias que acabam sendo valorizados no Globo de Ouro podem ser praticamente esnobados no Oscar porque, fora a categoria Melhor Filme, que abriga até 10 indicados, nas demais categorias podem concorrer até cinco filmes. Nem sempre há comédias ou musicais com qualidades para chegar até lá.

Mas, claro, La La Land é uma outra história. Não apenas pelas premiações no Globo de Ouro, mas pelas demais premiações e pelo sucesso nos cinemas. Então, calculo por baixo, La La Land deve ser indicado a pelo menos 11 categorias, podendo chegar a 13. As que eu acho que ele deve disputar são: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Atriz, Melhor Ator, Melhor Fotografia, Melhor Edição, Melhor Roteiro Original, Melhor Trilha Sonora, Melhor Canção Original, Melhor Design de Produção e Melhor Figurino. Se quiserem “arrasar com o filme”, podem ainda indica-lo a Melhor Edição de Som e Melhor Mixagem de Som.

Destes prêmios, quais ele deve levar para casa? Me parece quase certo que o filme vai emplacar em Melhor Fotografia, Melhor Trilha Sonora e Melhor Canção Original, tendo grandes chances também em Melhor Diretor, Melhor Edição e Melhor Atriz. Se ele for papando quase todos os prêmios, deve levar também Melhor Filme. Assim, teria, pelo menos, sete estatuetas.

Da minha parte, para o meu gosto, ele não merecia levar o prêmio principal. Preciso ainda assistir a Moonlight e Manchester by the Sea, além de outros fortes concorrentes. Mas, só por ter assistido a Fences (comentado por aqui), posso dizer que eu acho o filme estrelado por Denzel Washington e Viola Davis mais merecedor do Oscar de Melhor Filme. Certo que Fences não chega nem perto da exuberância visual de La La Land, mas acho as interpretações e o roteiro do filme melhor. Enfim, são gostos… Veremos qual será o da Academia neste ano.

PEQUENO AVISO: Meus caros leitores aqui do blog, eu vou seguir com as publicações normais até o Oscar 2017, para seguir uma tradição aqui do blog. Mas passada a premiação, se eu não tiver conseguido uma boa adesão na campanha de apoio ao blog, eu vou dedicar mais tempo para outras atividades que me deem retorno financeiro e vou tornar as atualizações aqui mais escassas ou bem mais sucintas. Se você quer ajudar o blog a continuar como ele está agora ou até a ampliar a frequência de publicações, sugiro o apoio a este projeto:

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