Evening – Ao Entardecer

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Fazia tempo que eu queria ver esse filme. Não gosto de ler resumos de produções que ainda não vi, nem gosto muito de ver trailers e tudo o mais porque acho que “estraga” algumas surpresas. E não porque eu tenha uma memória prodigiosa para lembrar de cenas – porque isso não é verdade, hehehehehe – mas porque, realmente, gosto de saber o menos possível dos filmes antes de assistí-los. Mas depois… vou atrás de todas as informações que possa encontrar a respeito. Com esse meu vício, me sobram basicamente três alternativas para escolher um filme: pelo cartaz do mesmo; pelos nomes envolvidos no projeto (diretor, atores, roteirista) ou pela idéia geral da história ou a indicação de uma ou mais pessoas. Pois, foi pelos dois primeiros motivos que eu estava louca para ver a Evening: o cartaz do filme é lindo e, além do mais, traz uma lista de nomes hiper talentosos. Como não assistí-lo? Pois, depois de esperar rolar uma legenda na net, ontem finalmente o assisti… e valeu a espera.

A HISTÓRIA: Ann Grant Lord (Vanessa Redgrave, divina, perfeita, e com 70 anos!) está literalmente no leito de morte, doente e rodeada por suas duas filhas: Nina (Toni Collette) e Constance Lord – mais conhecida por Connie (Natasha Richardson). Ann passa a maior parte do seu tempo sonhando e falando coisas que as filhas não entendem. Entre os nomes que Nina e Connie nunca ouviram falar, sobresae o de Harris Arden (Patrick Wilson). Nina, especialmente, fica inquieta com tudo o que pode desconhecer da mãe ao ouvir essas frases “delirantes” em seu leito de morte. Enquanto Nina e Connie lidam com suas diferenças, com seus problemas cotidianos e com a iminente morte da mãe, acompanhamos Ann em seus sonhos de juventude que podem, como revelou a enfermeira Mrs. Brown (a ótima Eileen Atkins, perfeita em seu papel aos 73 anos que não aparenta), serem reais ou não.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso que há partes do restante da crítica que revelam momentos importantes do roteiro de Evening, por isso recomendo que só continue lendo quem já viu ao filme): Bem, só vendo os nomes do resumo do filme já se tem uma idéia do quanto somente o elenco é atrativo, não? Mas ainda tem outros nomes em jogo. Como Claire Danes como a jovem Ann (maravilhosa no papel, lidando no tom exato com o humor, o romance e o drama), Meryl Streep interpretando a Lila Wittenborn, uma das melhores amigas de Ann (sim, até essa poderosa está no elenco, tendo a sorte de dizer duas das melhores frases do roteiro), Glenn Close como Mrs. Wittenborn, a mãe de Lila e de Buddy (ela está bem no papel, mas não faz nada demais… ainda assim, tem um momento para poder gritar como poucas atrizes de sua idades sabem fazer tão bem, hehehehehehe).

O elenco, realmente é impressionante. Ao menos a lista de nomes poderosos. Adiciono a ele o de Hugh Dancy como Buddy Wittenborn. Eu não conhecia esse ator, mas ele está perfeito no seu papel, ainda que tenha que interpretar, na maior parte do tempo, um jovem “bêbado e franco”, o que é relativamente fácil… hehehehehe. Fora a brincadeira, ele está perfeito em seu papel e faz, a partir do momento da “confissão a Ann” na noite do casamento da irmã, algumas das cenas mais bonitas em termos de interpretação do filme.

Quando comecei a ver o filme e os créditos, outro nome que não está no cartaz de Evening me chamou a atenção: Michael Cunningham como roteirista… meu cérebro identificou o nome como o de alguém que me parecia muito bom, mas não pensei mais a respeito. Ao final do filme, lembrei de The Hours, o livro maravilhoso que ele escreveu e que rendeu o filme As Horas (que eu adoro!). Puxa, ele como roteirista explica muito do filme. Do estilo até o tipo de reflexão que a história faz. Ainda assim, fui descobrir depois, a história não é dele. Cunningham assina o roteiro junto a Susan Minot, mas os dois se baseiam no livro de Minot e não em uma história dele. Ainda assim, percebi muitas características do autor de The Hours no filme.

A primeira semente de dúvida se tudo que vemos no “passado” de Ann é verdade ou não é plantada pela filha dela, Nina. Ela não acredita que a mãe teria tantos “segredos”, como o de que sua grande paixão teria sido um cara chamado Harris, um nome que ela e a irmão nunca haviam ouvido falar. Um homem que não foi nenhum dos dois maridos de Ann. Nina também fica perplexa quando a mãe diz que ela e Harris mataram a Buddy. Enquanto Connie vê essas frases soltas ditas pela mãe no leito de morte como algo fantasioso, Nina quer saber mais, quer entender a mãe para, quem sabe, sentí-la mais viva outra vez.

A segunda semente de dúvida se o que vemos é realidade ou mentira é plantada pela enfermeira de Ann, que diz que nesses “estado terminal” as pessoas sonham muito e que ninguém sabe o que é verdade ou o que é mentira. Gostei dessa idéia, de que tudo podia ser mentira – ou verdade, mas o filme depois resolve esse impasse no final. Ao mesmo tempo que foi bacana resolver, porque daí saem duas das melhores frases do roteiro, penso que também teria sido interessante seguirmos na dúvida. hehehehehehe

As atrizes, quase não preciso dizer, estão maravilhosas no filme. Especialmente as intérpretes de Ann – Claire Danes e Vanessa Redgrave -, as filhas de Ann – Toni Collette e Natasha Richardson -, e Meryl Streep, como sempre. A “maldita” não tem muito tempo no filme, mas fala duas das frases que são, na minha opinião, as melhores do filme. Cacilda! Aquilo me fez pensar… e é verdade. Nós todos somos um grande mistério, temos um milhão de segredos… faz um tempo que eu falo isso, que por mais que alguém acredite que conhece outra pessoa, não conhece nem 10%, porque só a própria pessoa pode saber por tudo o que passou  na vida. Mas as frases ditas por Lila vão além desse pensamento… porque ela também diz que, no fim das contas, grande parte do que fizemos – e fazemos muito quando vivemos muito como a personagem de Ann – não interessa. Putz! Que frase! E é verdade. Muitas vezes gastamos tanta energia, tanta história e, no fim das contas, poucas coisas realmente importaram. Caramba!

O filme me impressionou. Ele é perfeito na parte técnica – desde a direção de fotografia até o uso de figurinos e de cenário – e também no roteiro. As interpretações, como eu comentei, estão muito bem. Enfim, é desses filmes para assistir e recomendar.

NOTA: 9,8.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: O filme também chamou a atenção dos críticos dos Estados Unidos pelos nomes envolvidos no projeto. E chamou a atenção da imprensa pelos famosos que teve em sua pré-estréia em Nova York no final de julho. Na lista de nomes conhecidos, esteve na pré-estréia do filme Rachel Weisz, Felicity Huffman, além da maior parte do elenco do filme.

Fiquei sabendo, só depois, que Evening tem uma curiosidade bem interessante: Mamie Gummer, a atriz que interpreta Lila jovem, é filha de Meryl Streep, que interpreta a mesma personagem envelhecida.

O diretor de Evening, que fez um trabalho perfeito, é o húngaro Lajos Koltai. Segundo o site IMDb, ele só tinha dirigido um filme antes: Sorstalanság, de 2005, que ganhou o festival de Copenhagen. Esse filme anterior conta a história de um garoto de 14 anos que é enviado a um campo de concentração. Koltai não é fraco!

Evening arrecadou pouco mais de US$ 12,4 milhões nos Estados Unidos. Pouco. Mas enfim, já desisti de esperar que filmes bons sejam sucesso de público. hehehehehehehe. Ainda mais se não tem um grande estúdio por trás para gastar milhões em publicidade, como é o caso desse filme.

Pathfinder – Desbravadores

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Eu reconheço: lendo os créditos iniciais de Pathfinder não reconheci nenhum nome em especial. Depois, quando a história começou, identifiquei o neozelandês Karl Urban como um rosto conhecido. Mais ninguém. Também não me parecia familiar o nome do diretor ou de qualquer outra pessoa envolvida no projeto. Como gosto de fazer, não tinha lido nada a respeito, mas já tinha me impressionado a arte do cartaz do filme. O trabalho que fizeram me lembra os bons tempos das capas da HQ de Conan. Mas claro, esse filme tem pouco a ver com o bárbaro que um dia tornou o hoje governador Arnold Schwarzenegger conhecido.

A HISTÓRIA: As legendas iniciais contam que 600 anos antes de Colombo “descobrir” a América, o território norte-americano já era alvo de invasões que, segundo Pathfinder, não tiveram êxito graças a uma lenda. O filme começa com uma nativa de solo norte-americano encontrando uma “criatura branca como a neve” e que fazia parte de uma profecia. Em seguida, essa nativa (interpretada por Michelle Thrush) encontra um barco viking destroçado na costa e, nele, um garoto que sobreviveu. Quinze anos depois, o garoto se transformou em Ghost (Karl Urban), um estranho considerado como mais um integrante da tribo liderada pelo pai adotivo de Ghost (interpretado por Ken Jones). A tribo em que vive Ghost é visitada pela tribo do Pathfinder (Russell Means), pai de Starfire (Moon Bloodgood, muito bem em seu papel) – vidrada no nosso herói. Pathfinder revela que Ghost precisa encontrar “o seu caminho”, algo que ele terá que descobrir quando outro bando de vikings liderado por Gunnar (Clancy Brown, outro rosto conhecido) invade o seu território.

VOLTANDO À CRÍTICA: Como comentava antes, só o rosto de Karl Urban eu reconheci logo de cara. Depois, identifiquei o de Russell Means e o de Clancy Brown como figuras que vi por aí, em papéis secundários. Uma qualidade do filme, na minha opinião, é que ele não investiu recursos em atores conhecidos e sim em cuidar da produção e dos efeitos especiais. Uma coisa é certa: o filme é muito bem acabado. Direção de fotografia impecável, assim como todo o complexo jogo de cena durante as constantes batalhas.

O tema é interessante também. Afinal, eu já tinha ouvido falar do “trabalho” dos vikings em conquistar territórios deixando um “rio de sangue” nas suas costas, além de fazer riqueza explorando os recursos alheios. Mas ainda não tinha visto um filme bom a respeito. Esse filme agrada, especialmente porque não cai demais no “romance”… ainda que a cena em que nosso herói fica com a heróina é um pouco forçada, mas enfim… não se pode pedir perfeição.

Como eu comentei antes também, me agradou muito o trabalho que fizeram com o cartaz do filme. Realmente a arte é impecável. Eu publico aqui um dos cartazes, mas os três que vi são incríveis.

O único “porém” de toda a história é que eu fiquei pensando o mesmo de quando terminei de ver Apocalypto: e pensar que eles lutaram tanto, que derramaram tanto sangue para defender as suas terras para, tempos depois, serem dizimados igualmente. Claro que, nem por isso, deviam desistir ou ter se “entregado”, mas sempre é um pouco doloroso ver a luta dos mais fracos sabendo que depois eles serão vencidos de qualquer forma.

NOTA: 8,5.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Ainda que o filme é bem acabado e tudo, não consigo dar mais que 8,5 para ele. Explico: a história acaba sem grande inovação… não sei, é como se a gente “gastasse” duas horas em algo que podia ser contado em menos tempo, sabem? Vale como entrenimento e tudo, mas não passa muito daí. Mas tem uma qualidade: não quer “profundizar”, “teorizar” ou lançar alguma lição de moral. Não, apenas é um bom filme de ação e batalha ambientado em época dos vikings.

No site IMDb o filme ganhou uma média de nota de 5,1. Achei pouco. Acho que o povo foi meio cruel com ele… será efeito de não ter nenhum rosto muito conhecido? Talvez.

O diretor de Pathfinder é o alemão Marcus Nispel. Fui atrás de informações sobre ele – reconheço que nunca tinha ouvido falar em seu nome – e descobri que, até agora, ele tinha dirigido basicamente trabalhos para a TV. Mas depois desse Pathfinder ele já está envolvido em outro projeto, previsto para ser lançado no próximo ano: Alice, um filme basado na famosa personagem de Lewis Carroll. A atriz confirmada para viver o papel de Alice é Sarah Michelle Gellar. O pouco que descobri a respeito da produção é que ela conta o que acontece com Alice depois de sua experiência em Wonderland. Parece promissor.

Segundo uma nota do site IMDb, a linguagem que os vikings falam no filme é “Icelandic”, que seria a linguagem antiga e primitiva deste povo. Também segundo o site, o filme teria custado aproximadamente US$ 26 milhões. Na bilheteria norte-americana ele foi mal, arrecadando pouco mais de US$ 10,2 milhões.

Interessante que no site oficial do filme há um link que convida os internautas a ver vídeos no YouTube. São as grandes produtoras se rendendo ao site mais popular de vídeos da internet.

I Could Never Be Your Woman – Nunca é Tarde para Amar

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Bem, nenhum dos dois títulos é interessante. Na verdade, não sei qual é o pior, se o original – I Could Never Be Your Woman – ou a tradução para o português – Nunca é Tarde para Amar. Bem, deixando isso para lá, devo confessar que “comédias românticas” não são o meu forte, apesar de que tenho visto algumas histórias interessantes. Esse filme, por exemplo, não é de todo ruim. Na verdade, admito, dei umas boas risadas com ele. Já o romance… bem, a dupla Michelle Pfeiffer e Paul Rudd tem uma bela sintonia, na verdade. Além do mais, o filme tira sarro de vários clichês e provoca alguns padrões e conceitos, o que o torna interessante.

A HISTÓRIA: Rosie (Michelle Pfeiffer) é a produtora e uma das roteiristas do programa para adolescentes You Go Girl (uma espécie de Malhação ao estilo norte-americano, ou seja, mais escatológico e com “humor”). Ela passa por uma fase complicada, em que sua filha Izzie (Saoirse Ronan) está entrando na adolescência e, ao mesmo tempo, em que deve lutar para manter seu programa no ar. O problema é que o chefe de Rosie, Marty (Fred Willard), exige maior audiência e, para isso, pede mudanças, como a inclusão de novos personagens. Durante a escolha de um novo ator para a série, Rosie conhece a Adam (Paul Rudd), um garoto que ainda não chegou aos 30 anos e que mostra ter talento para a comédia.

VOLTANDO À CRÍTICA: O filme começa super florido, com uma música bem romântica e logo entra a Mãe Natureza (interpretada pela perfeita Tracey Ullman) para “detonar” com o moderno “way of life” dos Estados Unidos e de muitos países desenvolvidos. Ou seja: para criticar o vício das pessoas em querer ser jovem eternamente e demais besteiras que alguns fazem por aí por não saber o que querem – ou quando querem algo – da vida. Opa, o que podia ser apenas uma comédia boboca, quem sabe, tem jeito.

O filme, na verdade, vive em uma montanha-russa entre brincar com os estereótipos e a maneira de viver dos Estados Unidos e com a adoção de alguns destes vícios. Ao menos – e isso é uma qualidade – a diretora Amy Heckerling (responsável pelo roteiro também) não pretende dar nenhuma lição de moral e não quer que seu filme seja levado tão a sério que impossibilite que as pessoas pensem nele se divertindo.

Por isso é interessante ver a Michelle Pfeiffer interpretando o papel de uma mãe que, muitas vezes, toma o lugar da filha – e vice-versa, a filha toma o lugar da mãe, algo muito real nos dias atuais. Um exemplo ótimo: quando a mãe diz que não está preparada para deixar as Barbies das quais a filha quer se livrar. E a filha, interpretada pela competente irlandesa Saoirse Ronan, passa por todas as reações de uma garota entrando na adolescência: quer se livrar de tudo que lhe lembre a infância, adota posturas mais “radicais” ou de “quebra de padrões” e sofre com a aparente rejeição do garoto “popular” da escola.

O personagem de Adam (Paul Rudd) parece livre de conflitos, relaxado e nada “deslumbrado” com o sucesso iminente. Ok, um personagem um pouco perfeito demais. Talvez o único um pouco fora da realidade imperfeita que sabemos que vivemos. No mais, o filme brinca mesmo com a questão de estereótipos e com o mundinho das produções televisivas nos Estados Unidos – e em tantos lugares -, como a disputa pelos holofotes e a imaturidade de muitas de suas “estrelas”. Sem levar muito a sério, é um filme divertido e que, no fim das contas, também pode ser levado um pouco a sério.

NOTA: 8.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Querendo ou não é interessante ver a uma figura como Michelle Pfeiffer, prestes a completar 50 anos – fará cinco décadas em 29 de abril de 2008 -, linda de morrer, brincando com a questão das plásticas e da “corrida” das mulheres por permanecerem jovens para sempre. Ela já brincou com essa mesma idéia em Stardust, ao interpretar uma bruxa em busca da “juventude eterna”, mesma premissa As Bruxas de Eastwick. Mas agora, quase aos 50, idéia mais atual do que nunca – idéia mais “vista” e tratada pela imprensa e pelos outros do que por ela, tenho certeza.

Stacey Dash está perfeita no papel da descerebrada Brianna, assim como Sarah Alexander no papel da invejosa Jeannie.

Segundo o site IMDb, o filme custou aproximadamente US$ 24 milhões. Depois de estreiar na Espanha em 11 de maio, o filme passou no Festival de Maui em 15 de junho, estreou no Brasil em 21 de setembro e, para o grande público dos Estados Unidos ele chegará somente em 9 de novembro.

Eu, em minha busca por colocar aqui o cartaz do filme original em boa qualidade, me deparei com um cartaz com o título do filme em espanhol: “El novio de mi madre” (!!!). hehehehehehehe. Que ótimo… e detalhe para uma flor no lugar do primeiro O de “novio”, ou seja, na palavra “namorado”. Sem um cartaz original com boa qualidade, com o título em inglês para publicar aqui, fui obrigada a publicar esse em espanhol.

Lucky You – Bem-vindo ao Jogo

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O diretor Curtis Hanson chamou a atenção do grande público e da crítica há exatos 10 anos com o eficaz e bem acabado L.A. Confidential – ou Los Angeles Cidade Proibida -, um filme um pouco noir, um pouco cínico demais para o ano que consagrou a Titanic. Depois desse filme, a única peça criada por Hanson que chamou um pouco a atenção foi 8 Mile, uma quase cinebiografia do rapper Eminem. Ainda assim, parecia que Hanson estava fora de forma, até que aparece esse Lucky You e… percebemos que, realmente, o diretor está distante alguns quilômetros de produzir algo na altura de L.A. Confidential.

A HISTÓRIA: Huck Cheever (Eric Bana) é um jogador de poker profissional. Ele faz da “arte” de conhecer os seus adversários e as probabilidades das cartas a sua vida. Mas quando o filme começa ele está mal, quebrado, e tem que recorrer a uma loja de penhores para conseguir algum dinheiro que o coloque nas mesas de cassino mais uma vez. Logo ele ganha de novatos no poker e consegue algum dinheiro. Mas não o suficiente para entrar no Torneio Mundial que começará em poucos dias em Las Vegas. Além de ter que conseguir o dinheiro – US$ 10 mil – para entrar no torneio, Cheever tem que lidar com o cruel e lendário L.C. Cheever (Robert Duvall, perfeito), seu pai; e com os humores de sua nova investida amorosa, a cantora do interior Billie Offer (Drew Barrymore).

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – existem partes desta crítica que contam partes do filme, por isso se recomenda que só siga lendo quem já viu a Lucky You): Um filme que trate de esportes e, mais especificamente, de jogos como poker e sinuca não é, de maneira alguma, original. Existem vários por aí tratando do mesmo. Uma referência de excelente filme do gênero é The Color of Money (A Cor do Dinheiro), com um afinadíssimo Paul Newman (que não por acaso ganhou um Oscar por esse papel) e um jovem Tom Cruise – aqui o tema é a sinuca. Assim como em A Cor do Dinheiro, em Lucky You o jogo é quase um pretexto para se falar e se “entender” um pouco mais sobre os dilemas humanos e sobre o que move as pessoas. Ok, quem sabe estou querendo ver ouro em carvão bruto, mas a idéia de quem está por trás desses filmes é explorar algo mais que o simples vício da jogatina.

Lucky You começa muito bem, com Huch Cheever dando uma lição de lógica e de argumentação para muitos desavisados. A maneira com que tenta “barganhar” com a dona da loja de penhora (a sempre ótima Phyllis Somerville) é perfeita. Depois desse começo, eu esperava bastante do filme. Cheguei ao final vendo uma ou outra tirada tão boa quanto mas, no geral, o filme fica abaixo do esperado por essa primeira cena.

Um problema do roteiro que o diretor Curtis Hanson assina junto com Eric Roth é, na minha opinião, que às vezes ele tenta levar a história muito a sério. Por exemplo, eles complicam os dilemas do herói Huck Cheever e o pintam quase como um “adulto mal-formado”. Não sei, mas eu acho que o cara que conseguiu sobreviver até aquela idade independente de família e com uma linha de raciocínio como a que ele destila ao início do filme não cairia eternamente nos mesmos erros – como de não conseguir dizer um “não” para o próprio pai esperando ganhar dele alguma vez (!!???!!!). Ok, o garoto tem 12 anos ainda? Alguém pode dizer que ainda que adultos seguimos com alguma “dívida” com nossos pais, ou com questões mal-resolvidas… ok, até pode ser verdade, mas o tipo cair no mesmo erro até o ponto de quase colocar a vida em risco? Tipo o cara perde uma, duas, 100 vezes e continua dando murro em ponta de faca? Sei lá, mas achei meio exagerado isso, e meio simplista. A personalidade do nosso “herói”, aliás, parece mais um esboço que algo concreto. Assim como o do pai, apesar de que o personagem L.C. Cheever parece mais realista. Mas uma falha do roteiro, como eu ia dizendo, é colocar o personagem de Eric Bana de maneira tão sem “complicação” e que depende (claro!) de uma heroína para ser resgatado, como é o caso de Billie Offer.

Não sei, mas o romance dos dois também não me convenceu muito. Apesar de Drew Barrymore seguir sendo “a namoradinha da América”, ou seja, sempre com aquele jeito encantador de sorrir, de cantar, de andar e de fisgar os personagens dos filmes, nesse Lucky You a história dos dois não ficou de todo clara. Afinal, depois dele roubar ela e, antes disso, dela ser usada por ele de diferentes maneiras, como ela estaria com ele no final? Ou ele sacaria seus grandes “ensinamentos” de comentários que ela fez.

Sei lá, mas eu acho que o filme ganharia mais sem o clichê de que o personagem principal precisa ser salvo por uma garota e mais se investisse na relação de pai e filho ou nas “caras de pôker” ou no que, segundo Cheever, são as “habilidades” de um bom jogador. Ou seja: um pouco mais de histórias paralelas ou de duelos sobre a mesa e menos “lances manjados”.

NOTA: 7.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Uma dupla que vale a pena no filme é a interpretada por Lester (Saverio Guerra) e Ready Eddie (Horatio Sanz, que tem página no MySpace… hehehehehe). Os dois são literalmente viciados em apostas, de qualquer tipo e, de preferência, absurdas. O chileno Sanz e o nova-iorquino Guerra estão perfeitos nos dois papéis cômicos. Depois dos créditos, o diretor ainda apresenta mais uma “esquete” (peça curta) com a dupla.

Até o dia 1 de julho o filme tinha arrecadado nos Estados Unidos pouco mais de US$ 5,7 milhões, algo muito baixo para os padrões de Hollywood.

Mas ao menos para uma coisa o filme serviu: para Eric Bana comprovar que pode fazer um bom trabalho, com várias caras-e-bocas e expressão facial – algo que eu achava que ele era incapaz de fazer ao assistir a Hulk. Se bem que ele já demonstrou que podia fazer um filme bem, com talento e precisão com Munich (Munique).

O filme conta com duas participações de “luxo”, duas pontas de Robert Downey Jr. (como Jack – até ver sua página, não sabai que o ator tinha lançado um CD… hehehehehehe) e Debra Messing (Suzanne Offer).

Next – O Vidente

 

Primeiro, um comentário: volta e meia aparece uma “tradução” de título de filme dos Estados Unidos para o português que é o Ó, não? Tem cada um… e esse eu colocaria na lista de infelicidades. Passar de Next para “O Vidente” foi demais. hehehehehehe. Sei lá, se não pensam em traduzir literalmente, como “Em seguida” ou “O que está por vir” ou algo do tipo, ao menos deixa Next que ficava melhor. Mas enfim…

Eu não sou uma fã incondicional de Nicolas Cage. Acho que ele já fez filmes muito bons, como Despedida em Las Vegas, 8 Milímetros e Adaptação, mas já tem outros no currículo que são de doer. Mas, em geral, eu gosto dele. Ainda assim, não me motivei muito para ver esse Next. Talvez por causa do cartaz do filme – outro trabalho, na minha opinião, mal feito. Sei lá, meu “feio” para o que o filme traz em se tratando de cuidado estético e do diretor em construir a história. Falando nisso, vamos a ela.

A HISTÓRIA: Cris Johnson (Nicolas Cage) é um homem que vê o futuro com dois minutos de adelanto. Ou seja: sabe sempre o que vai acontecer consigo mesmo e com as pessoas de quem ele gosta dois minutos antes que de fato aconteçam. Ele saca proveito desse dom, que tem desde que nasceu, apresentando um espetáculo em Las Vegas com o nome artístico de Frank Cadillac. Em um de seus shows ele começa a ser observado pela agente do FBI Callie Ferris (Julianne Moore) e por seu parceiro Cavanaugh (Tory Kittles). Quando a noite é fraca para o seu show – como a que Ferris e Cavanaugh lhe assistem – Johnson “completa” a sua noite ganhando um dinheiro “controlado” em um dos cassinos da cidade. Mas depois de ser reconhecido pela direção do cassino e de se envolver em uma tentativa de assalto, ele passa a ser perseguido pelo FBI que pretende utilizá-lo para descobrir onde está escondida uma bomba nuclear com possibilidade de ser acionada em Los Angeles. Antes do “caldo engrossar”, contudo, ele consegue encontrar a sua “procurada” Elizabeth Cooper (Jessica Biel), uma mulher com quem ele tem “sonhado” nos últimos tempos ao vê-la no futuro – maior de dois minutos – se encontrando com ele em uma lanchonete.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que o restante da crítica conta partes importantes do filme, por isso recomendo que só leia o restante aqueles que já viram a Next): O resumo anterior parece um pouco confuso e, talvez, não muito atraente. Mas devo admitir que o filme do diretor neozelandês Lee Tamahori me surpreendeu. E muito. Esperava mais um desses “enlatados” dos Estados Unidos e, na verdade, a idéia desse filme é bem interessante.

Se não, vejamos: me parece muito interessante um sujeito que pode ver sempre o que vai acontecer com dois minutos de antecedência – só não me perguntem a razão de ser dois minutos e não cinco, por exemplo, porque isso nem chega a ter um esboço de resposta no filme. Imagine saber tudo que vai acontecer antes que aconteça… ok, antes de mais nada, a princípio, uma pessoa pensa: “Mas isso tiraria toda a graça, porque eu nunca teria surpresas”. É verdade. Na maior parte do tempo, sim. Mas a cena em que Johnson tenta pensar em todas as alternativas para se aproximar de Liz na lanchonete, por exemplo, e se dá mal em todas, prova que nem tudo é previsível. Nessa hora, depois de encarar ela por dois minutos como um paspalho e de perceber que Liz lhe ganharia em todas as vezes, ela olha pra ele e diz que nem se aproxime. Ou seja: se você tenta sacar uma resposta por mais de dois minutos, sem resultado satisfatório, adeus! Tem que improvisar mesmo. Interessante.

Mas o mais interessante da história são mesmo muitas cenas de perseguição. A fuga de Johnson do cassino e, principalmente, a fuga dele com ajuda de Liz do motel em que eles passam uma noite. Demais como ele antecipa cada movimento. E, ainda que ele preveja o futuro, está em sua mão sempre a possibilidade de mudá-lo, de fazer algo diferente, como no ato final dessa perseguição da saída do motel.

O problema para nosso herói é que o FBI está atrás dele e, atrás do FBI, os vilões da história. Na melhor filosofia “o cão que vai atrás do gato que vai atrás do rato que vai atrás do calcanhar do cão”, os nossos vilões – que falam um pouco inglês, um pouco francês – estão atrás dos movimentos do FBI e, por isso, tentam eliminar a Johnson. E a quem estiver com ele, claro. Next tem uma intensidade bacana, sem perder o ritmo – o que seria possível, bem possível – e conta com atores competentes e simpáticos.

NOTA: 9.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: O filme vale pelo cuidado do diretor com a história, assim como pela história em si. A idéia original saiu da cabeça do genial Philip K. Dick, autor da história The Golden Man, que inspirou o roteiro de Gary Goldman, Jonathan Hensleigh e Paul Bernbaum. O genial Philip K. Dick é autor também das histórias que inspiraram os realizadores de Minority Report, Blade Runner, entre outros.

Next contava com uma avaliação de apenas 6,2 pelo site do IMDb. Acho pouco. Levando em conta que a história é criativa, o diretor faz um bom trabalho e os atores também. Mas acho que entendo esse desempenho baixo do filme: aposto que muita gente não entendeu a história. E acho que o que as pessoas menos entenderam foi: por que diabos Johnson vê todo o futuro com dois minutos de antelação e vê o que acontece com ele e sua paixão Liz com mais tempo de antecedência? Bom, a explicação para essa é a mesma de porque ele vê o futuro dois minutos antes de tudo acontecer e não cinco minutos antes. Primeiro: é uma obra de ficção. Não, necessariamente, tem que ter uma lógica matemática. Segundo: porque ele pode ver o futuro com cinco minutos de antelação e não com dois? O fato que é assim porque é assim… o homem vê o que vai acontecer dois minutos antes e está acabado! Mas e a garota? Ora, eu acho que acontece com ele o que acontece com muitíssima gente: toda a lógica e o que entendemos como possível muda quando conhecemos um grande amor. Pois nem Johnson e nem nós temos a explicação de porque com Liz acontece diferente, mas acontece. Então, de forma tão simples assim, Callie Ferris consegui se dar bem com a sua missão simplesmente porque deu sorte, porque Johnson conseguiu encontrar Liz antes que a bomba nuclear explodisse. Porque se fosse diferente, se ele tivesse encontrado ela depois, Callie e o FBI estariam ferrados. Isso porque eles não sabiam, mas Johnson só consegue ver o futuro bem mais adiantado que os dois minutos usuais quando está ao lado de Liz e quando esse futuro afeta a ela, nada mais.

Agora, um comentário maldoso… em uma das primeiras sequencias em que Johnson está fugindo do FBI na fantástica corrida ladeira abaixo na saída do motel, dá para ver muito bem o dublê de Nicolas Cage. hehehehehehehehehe. Realmente eles podiam ter sido mais cuidadosos. Aliás, os dublês nesse filme tiveram um trabalho gigantesco!

E outro comentário maldoso: Nicolas Cage está muito bem, fisicamente, para um cara de 47 anos… barriga de tanquinho, musculoso e tal. Agora, os seus cabelos… não sei se é seu cabelo de verdade ou uma peruca, mas estão ridículos no filme. hehehehehehe

Mais uma vez Julianne Moore está muito bem em um papel de ação – ainda que parece que ela sofre na cena em que persegue Johnson até o prédio em que Liz “será detonada” -, assim como Jessica Biel impressiona por sua beleza e simpatia em cena. As duas estão bem no papel, mas nada excepcional. O líder dos vilões, conhecido por Mr. Smith, é interpretado por Thomas Kretschmann, uma figura conhecida como vilão nos filmes de Hollywood.

Infelizmente o filme foi mal nas bilheterias dos Estados Unidos… arrecadou pouco menos de US$ 18 milhões até o dia 17 de junho. Detalhe: o filme teria custado, aproximadamente, US$ 70 milhões. Acho, realmente, que ele foi mal “vendido”, começando pelo cartaz do filme.