Baarìa – Baaria A Porta do Vento

Um repasse na história de uma região na Itália e, através dela, do próprio país. Três gerações de uma família siciliana mergulham nos sonhos e memórias do diretor Giuseppe Tornatore, um dos  nomes mais respeitados e com produção autoral do cinema italiano. Baarìa mescla, desta forma, a graça e a tragédia italiana em doses bem medidas, cadenciadas, em um filme envolvente que cansa, apenas, por uma ou outra falha técnica – e pela preocupação, um tanto exagerada, do diretor e roteirista em equilibrar o drama e o riso para agradar ao grande público. Em uma produção cuidadosa e cara, Tornatore trata de tradições, costumes, política, romance e poesia. Por tudo isso, Baarìa se mostra  uma bela peça de cinema que busca a fonte da identidade italiana. Um deleite, ainda que precise de certa boa vontade e, preferencialmente, um pouco de conhecimento sobre os temas abordados.

A HISTÓRIA: Um menino joga um peão desafiador. Mas logo sua brincadeira é interrompida. Em uma mesa cheia de velhos da cidade, um homem chama o garoto para lhe fazer um desafio. Se ele correr rápido o suficiente para comprar uns cigarros, antes que um cuspe seque no chão, ele ganhará uma boa quantidade em dinheiro. O menino, Pietro (Giuseppe Garufi), sai voando dali e, como em um sonho, mergulhamos em sua vida e a de seus descendentes. Com eles, vemos as mudanças que ocorreram no vilarejo de Baarìa durante quase um século. De uma introdução sonhadora, logo passamos a acompanhar a história de Peppino Torrenueva (Giovanni Gambino na infância), filho de Pietro e protagonista da história. Garoto sonhador que trilha o caminho idealista do Partido Comunista como resposta ao fascismo e na busca de uma sociedade menos desigual.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Baarìa): Para assistir a este filme, é recomendado que o espectador esteja familiarizado ao jeito “Tornatore” de contar histórias. O autor do elogiado – e inesquecível – Cinema Paradiso tentou, com Baarìa, produzir uma “obra-prima” sobre a vida na Sicília e, através dela, da própria Itália. Ele consegue o seu intento em partes. Agrada ao revelar costumes, crenças e parte da história do país que nos é tão familiar e estranho – vide a grande quantidade de novelas produzidas no Brasil e inspiradas nos imigrantes italianos e seus antepassados. Mas incomoda ao revelar um esforço exagerado por equilibrar drama e comédia, com especial atenção para a segunda. Boa parte do filme também foi “dublada” posteriormente pelos atores, um problema técnico que, se tivesse sido melhor dissimulado, talvez não incomodasse tanto.

Como em filmes anteriores do diretor, Baarìa trilha um caminho de “realismo fantástico”, nos melhores moldes – ainda que um pouco diferente – do mestre Federico Fellini. Como o autor de 8 1/2, La Strada, Amarcord, La Dolce Vita, entre outros clássicos, Tornatore mescla sua história pessoal com a de personagens criados livremente para contar uma determinada história. Baarìa, assim, resgata parte da vida do diretor, assim como algumas das pessoas que ele conheceu em sua trajetória, ao mesmo tempo que abre as janelas da imaginação para explorar os sonhos e desejos desta gente. Por um lado, conhecemos dramas quase palpáveis, com destaque para as questões da pobreza, da ascensão social, da política e da repressão que marcaram boa parte da trajetória siciliana. Por outro, o diretor e roteirista aproveita o humor para divagar livremente sobre costumes de seu povo, explorando aspectos como família, casamentos arranjados, mudanças culturais e religião.

Por tudo que foi comentado no parágrafo anterior, Baarìa serve como um interessante mosaico de histórias e um cartão de visitas sobre as característica de um povo que ajudou a formar o nosso país. Ainda que a parte “onírica” do filme não incomode, porque ela incentiva o espectador a repensar o que é mais fantástica, a realidade ou o sonho, a preocupação de Tornatore em “bater com uma mão e adular com a outra” cansa um bocado. Durante toda a produção, o diretor parece esforçar-se para fazer as pessoas rirem antes e após algum trecho dramático. É como se apenas o riso pudesse curar as feridas – e ainda que a capacidade de rir seja fundamental, falta espaço nesta produção para que o espectador possa pensar sobre o drama, sobre os conflitos e as situações não resolvidas que são mostradas pela história.

Alguns críticos afirmaram que este épico acaba se mostrando um bocado vazio pelo fato de mostrar com muita “ligeireza” questões densas da realidade italiana, como o fascismo, as perseguições políticas, entre outros temas. Não diria que Tornatore foi leviano com estes assuntos, até porque seu filme não precisava ser nenhum libelo a isto ou aquilo. De fato, acho até que ele trata com bastante atenção estes aspectos, deixando claro, no final, que apesar de tudo, as pessoas não perderam a capacidade de se sentirem maravilhadas com o simples e/ou a capacidade de sonhar. E isto é belo, por si mesmo. O problema, volto a dizer, foi o exagero do diretor em querer fazer comédia. Porque ainda que os italianos tentem equilibrar, cotidianamente, os conflitos e os dramas com a sua própria capacidade de rir, nem sempre um equilíbrio perfeito em uma produção que pretende ser um clássico parece ser a melhor aposta.

Tempos difíceis são retratados pela produção. Algo positivo, claro, ainda que o roteiro de Tornatore careça de um pouco mais de “contextualização” sobre o que é mostrado nas telas. Claro que os italianos – ou grande parte deles, os mais velhos, pelo menos – sabem de cada nuance da história, como o significado da ironia a Mussolini feita por um cantor no trecho inicial da produção. Vale lembrar que Benito Mussolini começou a sua carreira como um expoente do Partido Socialista, passando a configurar-se um líder fascista após 1919. Por ser visto como um líder anticomunista, ele foi inicialmente aclamado por países como França e Inglaterra, mas seus posteriores fracassos militares expansionistas e seu ato de colocar a Itália na guerra ao lado da Alemanha provocaram uma onda de repúdio a Mussolini na Itália. Algo mostrado de forma muito “ligeira” em Baarìa (quem quiser mais informações sobre o ditador, sugiro este resumo para começar).

Outro tema espinhoso retratado pela produção de forma tímida é o da máfia siciliana. Don Carlo aparece como um homem poderoso, respeitado e temido desde o tempo de Mussolini, mas a participação da máfia no cotidiano dos italianos acaba não sendo bem explorada na produção. Uma forma, talvez, do diretor não mexer em um vespeiro do qual ele talvez tenha receio de tocar – algum parente distante poderia ter ligação com eles, por exemplo? Fica apenas sugerida, por exemplo, a ligação entre mafiosos e o regime fascista que dominou o país por um longo tempo. Quando o país estava em guerra, por exemplo, figuras como Don Mariano dominavam a produção e o cenário do trabalho – dominado por mulheres, já que os homem havia sido enviados para o campo de batalha -, tornando-se ainda mais poderosos com a nova situação vivida pelo país. Mas o mafioso mais presente na história e que, claramente, explora os mais fracos, é Don Giacinto (Lollo Franco), um homem que obriga a outros, pela força, a se desfazerem de seus terrenos e bens. Em certo momento, Baarìa deixa a entender que os sonhos da reforma agrária e de outras mudanças estruturais foram impedidos por Don Corleone e os demais mafiosos, mas estas questões acabam sendo deixadas no ar.

Algo importante nesta produção e que a coloca um pouco acima da média é que Baarìa se preocupa em registrar costumes e “lendas” do interior da Itália. Desde a realidade rural e a história das três pedras que esconderiam ouro sob o solo, até as “artimanhas” dos comunistas para conseguir sobreviver em um país dividido e no qual eles eram vistos como “comedores de criancinhas” – como em tantas outras partes, diga-se -, o costume de pensar que ovos quebrados eram sinal de mal agouro para as mulheres grávidas ou a tradição festiva das celebrações em homenagem a São José. Todos estes elementos, juntos, tornam a produção um bocado saborosa – e um grande painel da vida de parte dos italianos durante o tempo.

Interessante também como o filme acaba contando uma grande história de amor – que, junto com a comédia e o drama, embala grande parte da história. Assim, por um lado, o espectador acompanha a trajetória da família Torrenueva, desde o personagem do patriarca Ciccio (o ótimo Gaetano Aronica, quando adulto, e Alfio Sorbello quando criança) e, com um pouco menos de destaque, a da matriarca Tana (Lina Sastri, que ainda interpretaria a “cigana” adivinha, Beggard), que foi demitida da fábrica do mafioso por estar doente. Em seu lugar, a mulher tentou empregar a filha, Sarina (a sempre ótima Ángela Molina) que, posteriormente, daria a luz Mannina (Margareth Madè), uma bela “ragazza” que deixaria Peppino perdidamente apaixonado. A sintonia entre os atores Francesco Scianna (que interpreta a Peppino adulto) e Margareth Madè, aliás, é o que acaba convencendo no filme em uma parte em que as atenções poderiam começar a se dispersar.

Mesmo não sendo o seu objetivo principal, Baarìa reflete sobre os sonhos de um país mais igualitário alimentados pelo Partido Comunista, no qual Peppino se filia ainda muito jovem, e o que resultou daqueles ideais. Não deixa de ser contundente a forma com que o diretor mostra jovens de cidades urbanas questionando “corajosos” como Peppino sem, contudo, apresentarem soluções melhores para as velhas questões em debate. Não escapa do diretor as imagens de pessoas que seguem migrando, saindo de perto de suas famílias e de seus locais de origem, para tentarem uma vida melhor – algo que se repete com o passar do tempo, independente das guerras, das mudanças sociais ou urbanas.

Baarìa tem espaço, ainda, para mostrar a mudança que levou a sociedade italiana a decidir pela República, ao invés de seguir com a figura de um Rei – com especial atenção para as mudanças de costumes que esta escolha trouxe. Ainda que o “sonho de socialismo” proposto no baile em que os protagonistas dançaram pela primeira vez juntos, nunca tenha realmente se concretizado. A divisão entre comunistas e socialistas também é mostrada pela produção – tornando a questão “mais próxima” ao retratar os lados opostos assumidos pelos amigos Peppino Torrenueva e Onofrio Pace (Fabrizio Romano). Depois, a produção ainda explora as fortes repressões do governo aos manifestantes, o que colocava vizinhos de porta de lado opostos, apesar deles terem o mesmo desejo para que a realidade se tornasse melhor.

NOTA: 8,5.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: A paixão do diretor pelo cinema, mais uma vez, ganha certo protagonismo neste filme. Cenas envolvendo a 7ª Arte aparecem em vários momentos de Baarìa, com evidente destaque para a sequência em que o Pietro (Giuseppe Garufi quando garoto), filho do protagonista, coleciona fotogramas de filmes como quem, no Brasil, colecionava (ou ainda colecionam?) figurinhas de jogadores durante a Copa do Mundo de futebol. Assistindo a um filme de Fred Astaire, também, Peppino tem a ideia de como tornar o seu amor pela protagonista uma realidade – mesmo contra o desejo dos pais da garota. Há espaço ainda para mostrar as filmagens de uma produção em Baarìa – em uma referência a Mafioso, produção de 1962 dirigida por Alberto Lattuada (interpretado por Enrico Salimbeni) – e a citação de Fellini em uma carta de Peppino para a esposa e os filhos.

Referências a diferentes formas de arte, além do cinema, transbordam neste filme. Dos livros de Shakespeare (Romeu e Julieta) e Alessandro Manzoni (Gli Sposi Promessi) mostrados pelo pai de Peppino no trecho inicial da produção, até o artista Renato Guttuso (Corrado Fortuna) que observa pessoas comuns nas ruas para, depois, retratá-las no teto de uma capela – algo muito comum na história da arte italiana. Guttoso foi, aliás, um dos principais pintores expressionistas originários de Bagheria, como era chamada, originalmente, Baarìa. Mais informações sobre ele neste e neste link.

Merece um destaque especial a marcha dos comunistas pelas ruas de Baarìa quando do massacre de Piano della Ginestra, ocorrido no Dia do Trabalho em 1947. Segundo este texto da Wikipedia, este episódio foi considerado um dos mais violentos da história política moderna italiana – no qual 11 pessoas foram mortas e outras 33 feridas pelo grupo liderado pelo separatista Salvatore Giuliano. Pena que este episódio, como tantos outros citados pelo filme, acabe se perdendo no meio de outros fatos – talvez apenas os italianos bem informados consigam acompanhar estes e outros detalhes que não tem explicação no roteiro de Tornatore.

Além de dirigir a produção, Tornatore é responsável pela história e pelo roteiro de Baarìa. Nestes quesitos, sem dúvida, a condução do autor da história se destaca mais do que as linhas escritas por ele para o roteiro. Um pouco menos de preocupação de Tornatore para “agradar” a gregos e troianos teria sido mais interessante para a produção.

Na parte técnica, Baarìa se destaca pelo excelente trabalho do diretor de fotografia Enrico Lucidi, que prima pela luminosidade e pelo uso de cores terrosas e vibrantes, deixando o espectador com uma sensação permanente de dúvida entre o realismo, “o antigo” (pelo tom sépia) e o sonho. Bacana, ainda que um pouco exagerada, em alguns momentos, a trilha sonora do veterano Ennio Morricone – em certos trechos a escolha por imagens, linhas de roteiro e música extremamente sentimentalistas chega a cansar. Da equipe que cercou Tornatore, contudo, aplausos especiais para o diretor de arte Maurizio di Clemente que, ao lado de Cosimo Gomez e Maurizio Sabatini, fez um trabalho excepcional de reconstrução permanente da cidade de Baarìa, desde que ela era um povoado até que se tornou uma de tantas cidades urbanas da Sicília. Merece menção ainda o figurino de Luigi Bonanno e a enorme equipe de efeitos visuais comandada por Patrizio Lamura, Dirk Meister, Luca Gabriele Rossetti, Gianni Silvestri e Davide Tubaro.

Houve um burburinho sobre a participação da estonteante Monica Bellucci neste novo filme de Tornatore. Mas que ninguém se engane: uma das principais atrizes do cinema italiano faz uma micro ponta, de poucos segundos, uma aparição tão rápida como uma mulher sendo devorada por um pedreiro que, se o espectador descuidar, passa batida.

Baarìa estreou em setembro de 2009 no Festival de Veneza. Depois, o filme passou pelos festivais de Toronto, Tokyo e Palm Springs – só para citar os principais. Nesta sua trajetória, a produção conseguiu apenas um prêmio: o Pasinetti entregue no Festival de Veneza. Indicado ao Leão de Ouro, no mesmo festival, ele acabou sendo vencido por Lebanon. Este ano, Baarìa foi indicado ainda ao Globo de Ouro como Melhor Filme Estrangeiro, mas não levou o prêmio – em seu lugar, venceu Das Weisse Band – sem dúvida, melhor. Baarìa foi escolhido, ainda, como o representante da Itália no Oscar 2010 – mas não chegou a figurar na lista dos finalistas.

Por se tratar de uma superprodução, Baarìa custou uma pequena fortuna: 28 milhões de euros. Aparentemente, o filme deu prejuízo, porque na Itália – seu mercado mais forte – ele conseguiu arrecadar pouco mais de 10,5 milhões de euros. Para conhecimento: o filme de Tornatore é uma co-produção da Itália com a França.

Segundo os produtores, mais de 35 mil figurantes foram utilizados para as filmagens. Outro gasto considerável da produção foi a reconstrução do centro de Baarìa em um set na Tunísia.

Os usuários do site IMDb deram uma nota razoável para a produção: 6,8. Poucos críticos falaram do filme, até o momento. O site Rotten Tomatoes, por exemplo, divulga apenas nove links para críticas sobre a produção – sendo cinco delas positivas, quatro negativas (o que garante para Baarìa uma aprovação de apenas 56%). Ainda que eu tenha gostado da produção pelas curiosidades que ela apresenta a respeito do povo e da história de parte da Itália, admito que as notas baixas não são, de todo, desmedidas.

Segundo este texto publicado na época do Festival de Veneza, a crítica que compareceu ao festival recebeu Baarìa c0m frieza. O polêmico (para dizer o mínimo) Silvio Berlusconi, por sua vez, elogiou a produção e recomendou que as pessoas a assistissem – o que, convenhamos, para mim é mais uma antipropaganda do que um chamariz. Agora, seu elogio tem uma boa razão para existir: Baarìa foi financiado por uma produtora que pertence a sua família. Por outro lado, figuras como Roberto Silvestri, do jornal comunista Il Manifesto, classificaram o filme como “decorativo, sem nada de substância”. A verdade é que Baarìa se mostrou um tanto vazio exatamente por tentar ficar encima do muro, sem defender ou atacar diretamente a uma ou outra corrente política.

Na coletiva que sucedeu a apresentação do filme, Tornatore comentou o que procurava com esta produção: “Espero que (ela) sirva para refletir sobre o presente, sobre o reformismo, já que é preciso aceitar a convivência com pessoas que pensam de modo diferente. É necessário fazer despertar as paixões pelos direitos civis e morais, algo que foi perdido”. Pena que seu filme não chegue a conseguir uma reflexão tão profunda, ou mesmo desperte paixões tão nobres. É, mais bem, um passatempo interessante sobre parte da vida na Itália do século passado. O diretor reafirmou, ainda, naquela ocasião, que Baarìa é uma “alegoria que”, ele esperava, pudesse “ser aplicada em outros países, em todo o mundo”. Discordo dele. Para mim, apesar de ter uma certa carga de alegoria, o filme é bastante localizado e datado – dificilmente será identificado por outro povo ou realidade.

CONCLUSÃO: Filme mais recente do premiado diretor italiano Giuseppe Tornatore, Baarìa é um épico que procura remontar a história de uma região da Itália por aproximadamente 60 anos. Com uma certa carga autobiográfica de seu realizador, esta produção peca, contudo, por um esforço exagerado para equilibrar o drama e o riso, esvaziando questões importantes e caindo em soluções fáceis para questões espinhosas. Financiado pela família Berlusconi e dirigido por um ex-militante do Partido Comunista, Baarìa fica no meio do caminho entre a exposição dos fatos e a vontade de suavizar parte dos acontecimentos para tornar a história mais fácil de ser “degustada” pelo grande público. Para os que gostam de produções que repassam boa parte da história de uma região e/ou de um país, Baarìa se mostra uma produção interessante – ainda que exija paciência em alguns momentos. A história de amor e conquista dos protagonista dá um certo colorido e charme para uma produção que algumas vezes se perde na tentativa de equilibrar realismo com fantasia/sonhos. Apesar de algumas falhas técnicas, como a captação de som – que depois exigiu a dublagem dos atores para suas falas – e do desperdício de uma história que poderia ser muito mais impactante, Baarìa vale pelo trabalho competente de Tornatore em dirigir os seus atores, milhares de figurantes e, especialmente, em sua preocupação em recriar sua cidade natal Bagheria (ou Baarìa) para, com ela, contar boa parte da história, dos costumes e da vida do povo italiano. Não é o melhor filme do diretor e muito menos a melhor produção italiana dos últimos anos, mas vale uma conferida.

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