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Weapons – A Hora do Mal


Um fato absurdo deixa toda uma cidade de queixo caído. Como uma turma inteira de uma escola – ou quase, com a exceção de um menino – some em uma certa noite e ninguém consegue encontrar as crianças em parte alguma? O que aconteceu com elas? Por que apenas um menino “sobrou” e não desapareceu? O que os pais, a comunidade escolar, a cidade e a professora responsável por aquela turma fazem depois que o desaparecimento coletivo acontece? Essas são algumas das perguntas que aparecem em Weapons, filme muito envolvente e que deu o primeiro Oscar para a experiente atriz Amy Madigan nesse ano.

A HISTÓRIA

Começa com o som de crianças brincando, em uma típica algazarra que vivenciamos todos nos recreios das nossas escolas. Então a voz de uma menina nos fala que esta é uma história real. Ela afirma que essa história aconteceu na cidade dela há dois anos. A menina diz que muita gente morre de maneiras estranhas nessa história, mas isso não vai sair no noticiário porque a polícia e as autoridades da cidade ficaram “tão constrangidas por não poderem resolver o caso que esconderam a verdade”. Ela continua dizendo que se interessar e for na cidade e perguntar sobre o que aconteceu, todos vão dizer o mesmo que ela.

Em seguida, a menina diz que a história começa na escola dela. Ou seja, na Escola Maybrook, onde as crianças estudam do jardim de infância até o quinto ano do ensino básico. A história começa em uma “quarta-feira normal na escola”, quando a professora Justine Gandy (Julia Garner) estava iniciando seu dia de trabalho. Ela foi para a sala de aula como em todas as outras manhãs, mas aquele dia foi diferente, porque nenhuma das crianças da sala dela foi para a aula. Com exceção de um aluno: Alex Lilly (Cary Christopher). Enquanto isso, as outras aulas estavam cheias de estudantes. O mistério envolvendo a turma de Justine vai movimentar a população local, a polícia e as autoridades locais.

VOLTANDO À CRÍTICA

(SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Weapons): Pessoal, esse ano foi atribulado por aqui. Não sei se vocês tiveram um ano movimentado, mas o meu foi… e qual foi o resultado disso? O de que eu estava empolgada com o Oscar desse ano e assisti ao máximo de filmes que eu pude antes da premiação e, depois, fiquei esse tempo todo sem aparecer por aqui. Peço desculpas por isso.

O problema é também que eu assisti a Weapons em março, logo depois do Oscar, cheguei a começar a escrever a crítica sobre o filme mas, depois desses meses todos sem abrir o WordPress, acredito que o texto de rascunho evaporou. Então, apenas para preservar a regra que eu coloquei aqui no blog desde que criei esse espaço, estou escrevendo essa crítica do zero novamente apenas para não deixar de comentar o último filme que eu assisti.

A minha motivação para assistir a Weapons foi, é claro, a premiação de Amy Madigan como Melhor Atriz Coadjuvante no Oscar deste ano. Eu acompanhei também o frisson que esse filme causou, claro, mas acabei não assistindo ele antes do Oscar acontecer. Então assisti depois. E eu gostei muito do que eu vi. Acho que o diretor e roteirista Zach Cregger quis fazer o filme que lhe deu na telha, sem se preocupar muito com julgamentos sobre ele ser inovador ou repetitivo em lugares-comum do gênero terror.

Ele fez o filme que queria, misturando diversos elementos já conhecidos e procurando rejuvenescer e dar nova roupagem para diversos recursos que já vimos antes. E acho que ele faz um belo trabalho nesse intento. Zach Cregger sem dúvida alguma tem um bom gosto estético e sabe valorizar em cena imagens marcantes pensadas para ficar na nossa memória por muito tempo. E quando chega a hora dele ser exagerado, ele não tem medo de pesar a mão nas cenas de violência, sanguinolência e afins.

Claro que esse é um filme indicado para quem gosta do gênero. Quem não curte violência, sangue e etc., nem deve se dar ao trabalho. Mas quem curte, vai gostar de Weapons. A ideia de 17 crianças sumindo no início de uma madrugada e ninguém tendo ideia onde elas foram parar é muito boa. A cena delas correndo de braços abertos, parecendo zumbis, fica na nossa memória por algum tempo – e depois ela se repete com adultos também, o que é muito legal.

Apenas me incomodou um pouco que parte da trama era bastante óbvia. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Ora, se todas as crianças de uma sala somem, menos um menino, me parece bastante óbvio que a investigação da polícia e a desconfiança da comunidade deveria focar, inicialmente, nesse garoto que apareceu e não em outras partes, não é mesmo? Quem apareceu é suspeito. Afinal, por que ele foi preservado?

Mas, no lugar do óbvio ser o foco inicial das pessoas, muitos pais – principalmente Archer (Josh Brolin) – acabam mirando as acusações, a desconfiança e até a perseguição contra a professora da turma. Para mim, um exemplo típico de machismo e misoginia, afinal, Justine não era uma “mulher recatada e do lar”, e quando crianças somem, nada melhor do que tacar pedra na Geni. Isso desvia um pouco o foco da trama ao mesmo tempo em que nos dá a oportunidade de conhecer essa personagem interessante de Justine e as relações daquela pequena comunidade melhor.

Mas, lá pelas tantas, claro que as atenções se voltam para Alex e sua família. E nem teria como ser diferente. O filme, que não tem uma narrativa linear – a história vai e vem no tempo narrativo -, demora um bocado para olhar para dentro da casa da família de Alex, mas quando a história faz isso, daí sim o terror pra valer começa. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Temos então uma versão totalmente repaginada da história da bruxa – e não é uma bruxa qualquer, mas uma bruxona, super esperta, inteligente e poderosa.

Quando Gladys (Amy Madigan) entra em cena, ela rouba toda a atenção e tudo orbita ao redor dela. Ela é capaz dos feitos mais incríveis, e por alguns momentos pensamos que ela será imbatível. O filme tem muitas cenas angustiantes e muito interessantes de perseguição e de puro terror, até que temos um final que mescla um pouco de redenção e um tanto ainda de angústia e terror – afinal, nem tudo voltou ao normal. E certas pessoas não vão se recuperar nunca.

Descontado algum exagero da trama que fica um pouco difícil de engolir – como a demora da polícia para focar na família do único garoto que não desapareceu e a ingenuidade de um ou outro personagem em enfrentar o verdadeiro perigo da história -, considero Weapons um filme criativo, envolvente e que consegue reanimar um subgênero do terror que estava um pouco esquecido (da magia e das bruxas e seu poder mortífero). Para quem gosta do gênero, eis aqui uma bela pedida.

NOTA

9.

OBS DE PÉ DE PÁGINA

Gente, eu vou ser bem honesta com vocês. Na correria desse ano, nesses últimos meses, em especial, pensei seriamente em finalizar esse blog. Em fechar a quitanda. Com pouco tempo para assistir a filmes e, principalmente, para escrever críticas sobre, pensei em finalizar esse espaço que eu criei há quase 20 anos.

Também admito que uma das motivações para pensar nisso foi o avanço que a IA teve nesse ano, em especial. Considero que muitas pessoas consultam a sua IA de preferência direto para assuntos variados, inclusive para saber sobre avaliações de filmes e séries, e que, por isso, faria pouco sentido manter esse espaço. E apesar disso ser verdade, decidi manter o blog vivo. Mas com uma condição: a partir de agora, vou escrever bem menos, ser bem mais objetiva nas minhas considerações e avaliações.

Claro, quando eu achar que um filme merece uma reflexão maior, eventualmente, posso escrever textos maiores. Mas, no geral, serei mais suscinta. Com isso, acredito que não vou deixar na mão quem me acompanha por aqui há tanto tempo e vou manter algo também que me motivou a criar esse espaço lá em 2007: um tipo de “diário” da minha experiência com o cinema, registrando na ordem cronológica os filmes que vou assistindo pelo caminho.

Então é isso. Pensei em encerrar o blog, mas vou continuar com ele a partir dessa nova perspectiva. Espero que vocês me entendam e que sigam por aqui comigo. Aproveito para pedir desculpas por estar tão atrasada nas interações com vocês por aqui. Parei de responder aos comentários que vocês foram deixando faz tempo, mas quero resgatar essas nossas interações também. Em breve. Prometo.

Bem, feitos esses comentários que eu achei importante, vou fazer algumas observações sobre esse filme de forma bem breve a partir daqui.

Primeiro, quero destacar como ponto muito positivo dessa produção o trabalho do diretor e roteirista Zach Cregger. Com um trabalho bem maior como ator, com nada menos do que 36 produções no currículo aparecendo na frente das câmeras, ele estreou na direção em 2009 com Miss March, um filme que não foi muito bem na avaliação de crítica e público. Depois ele dirigiu quatro séries de TV e dois filmes antes de lançar Weapons. Eu conheci o diretor apenas nessa última produção, sou franca em dizer, mas acho que ele tem muito potencial. Vi que ele lançou agora em 2026 o longa Resident Evil. Então parece que ele vai seguir investindo em filmes do gênero terror. Interessante.

Acho que Zach Cregger tem um estilo interessante como diretor e roteirista. Com Weapons fica muito evidente que ele conhece bem a indústria do cinema e que já consumiu muitos e muitos filmes do gênero. Só alguém com esses requisitos consegue inovar e ousar sem medo de repetir algumas fórmulas e de exagerar a mão em alguns momentos. Acho que ele está certo nessas escolhas. Um nome a ser acompanhado.

Ah, e algo que gostei no estilo dele como diretor foi valorizar sempre os atores que aparecem em cena, geralmente deixando as lentes bem próximos deles, tornando a trama um tanto “intimista”, ao mesmo tempo que ele sabe criar imagens icônicas e impactantes em planos mais abertos e gerais. O roteiro dele também tem o ritmo certo, além de ter algumas sacadas muito boas em linhas ditas pelos atores que nos surpreendem e que equilibram bem drama, comédia e terror – algo que sempre funciona nesse gênero.

Sobre o elenco da produção, gostei muito dos atores que dão vida para os personagens centrais da trama. Acho que todos estão muito bem. Nesse sentido, vale citar o belo trabalho de Julia Garner como a professora descolada e independente Justine; Cary Christopher como o garoto Alex, que tem que enfrentar o diabo nessa produção; Josh Brolin como o persistente pai Archer, sempre em busca da verdade sobre o que aconteceu com seu filho e as outras crianças da turma dele; Alden Ehrenreich como Paul, policial da cidade, ex-namorado e amigo de Justine; Benedict Wong como Marcus, diretor da escola onde Justine trabalha e Alex estuda; Austin Abrams como James, um jovem um bocado perdido que vive de pequenos furtos e que acaba desencadeando a parte decisiva do filme ao entrar na casa da família de Alex; e, claro, destaque para o trabalho de Amy Madigan como Gladys, tia de Alex que muda pra sempre a história dos pais dele e daquela comunidade. Mesmo aparecendo apenas da metade do filme para a frente, Amy Madigan dá um show de interpretação.

Entre os aspectos técnicos da produção, destaque para a direção de fotografia de Larkin Seiple; para a edição de Joe Murphy; para a trilha sonora de Zach Cregger, Hays Holladay e Ryan Holladay; e, claro, para a fundamental maquiagem e cabelo feitos por 15 profissionais liderados por Leo Satkovich e Melizah Anguiano Wheat.

Weapons recebeu a nota 7,4 no site IMDb; o nível de aprovação de 93%, com nota de 8,10 no Rotten Tomatoes; o “metascore” 81 (fruto de 43 críticas positivas e 5 medianas) e o selo “Metacritic Must-see” no site Metacritic.

De acordo com o site IMDb, Weapons teria custado cerca de US$ 38 milhões. Conforme o site Box Office Mojo, a produção faturou US$ 270 milhões nos cinemas – sendo US$ 151,6 milhões apenas nos Estados Unidos. Ou seja, um baita sucesso comercial.

Weapons ganhou 69 prêmios e foi indicado a outros 130 – números impressionantes para um filme de baixo orçamento e do gênero terror, que não costuma ser tão premiado assim. Entre os prêmios que o filme recebeu, o destaque vai para o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante para Amy Madigan. A produção foi indicada em duas categorias do Globo de Ouro, mas saiu de mãos vazias da premiação em 2026.

A minha ideia é assistir a mais um filme que foi reconhecido no Oscar 2026 e, depois disso, ainda nesse ano, começar a assistir a produções que foram lançadas nos últimos meses – até para avançar um pouco na lista de produções bacanas e que podem ou não concorrer no próximo Oscar. Pretendo voltar em breve. De forma mais objetiva e mais frequente. Vejamos se consigo. Inté!

Weapons é uma produção 100% dos Estados Unidos.

CONCLUSÃO

Um filme envolvente, criativo e que, ao mesmo tempo, dá uma nova repaginada para um estilo de terror antigo. Weapons nos conta uma história de bruxa, mas com uma roupagem totalmente diferenciada e com um estilo de produção que não se importa em ser estrategicamente exagerada em muitos momentos. Gostei, em especial, em como o filme se aprofunda em algumas histórias e mostra como o pânico de uma cidade pequena pode ser cruel e injusto, fazendo um tipo de “caça às bruxas” que, no fundo, esconde um bocado de misoginia, machismo e “valores conservadores” que pouco tem de relação com a realidade.

No fim, a vilã era outra, alguém que ninguém suspeitava, e a forma como esse filme nos conduz nessa história, com personagens muito interessantes dando caldo para a trama, é o que vale nosso tempo. Produção interessante, que mereceu o hype que teve, e que eu considero um belo entretenimento para quem curte filmes de terror. Aprovado. Só considero que parte do desfecho foi um tanto previsível – era meio óbvia em que casa residia o problema -, mas não totalmente, já que há cenas marcantes de terror interno naquela família que não poderíamos prever. Um filme criativo, envolvente, que não é 100% criativo, mas chega perto disso.

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Por Alessandra

Jornalista com doutorado pelo curso de Comunicación, Cambio Social y Desarrollo da Universidad Complutense de Madrid, sou uma apaixonada pelo cinema e "série maníaca". Em outras palavras, uma cinéfila inveterada e uma consumidora de séries voraz - quando o tempo me permite, é claro.

Também tenho Twitter, conta no Facebook, Polldaddy, YouTube, entre outros sites e recursos online. Tenho mais de 25 anos de experiência como jornalista. Trabalhei também com inbound marketing, professora universitária (cursos de graduação e pós-graduação) e, atualmente, atuo como empreendedora após criar a minha própria empresa na área da comunicação.

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