Next – O Vidente


 

Primeiro, um comentário: volta e meia aparece uma “tradução” de título de filme dos Estados Unidos para o português que é o Ó, não? Tem cada um… e esse eu colocaria na lista de infelicidades. Passar de Next para “O Vidente” foi demais. hehehehehehe. Sei lá, se não pensam em traduzir literalmente, como “Em seguida” ou “O que está por vir” ou algo do tipo, ao menos deixa Next que ficava melhor. Mas enfim…

Eu não sou uma fã incondicional de Nicolas Cage. Acho que ele já fez filmes muito bons, como Despedida em Las Vegas, 8 Milímetros e Adaptação, mas já tem outros no currículo que são de doer. Mas, em geral, eu gosto dele. Ainda assim, não me motivei muito para ver esse Next. Talvez por causa do cartaz do filme – outro trabalho, na minha opinião, mal feito. Sei lá, meu “feio” para o que o filme traz em se tratando de cuidado estético e do diretor em construir a história. Falando nisso, vamos a ela.

A HISTÓRIA: Cris Johnson (Nicolas Cage) é um homem que vê o futuro com dois minutos de adelanto. Ou seja: sabe sempre o que vai acontecer consigo mesmo e com as pessoas de quem ele gosta dois minutos antes que de fato aconteçam. Ele saca proveito desse dom, que tem desde que nasceu, apresentando um espetáculo em Las Vegas com o nome artístico de Frank Cadillac. Em um de seus shows ele começa a ser observado pela agente do FBI Callie Ferris (Julianne Moore) e por seu parceiro Cavanaugh (Tory Kittles). Quando a noite é fraca para o seu show – como a que Ferris e Cavanaugh lhe assistem – Johnson “completa” a sua noite ganhando um dinheiro “controlado” em um dos cassinos da cidade. Mas depois de ser reconhecido pela direção do cassino e de se envolver em uma tentativa de assalto, ele passa a ser perseguido pelo FBI que pretende utilizá-lo para descobrir onde está escondida uma bomba nuclear com possibilidade de ser acionada em Los Angeles. Antes do “caldo engrossar”, contudo, ele consegue encontrar a sua “procurada” Elizabeth Cooper (Jessica Biel), uma mulher com quem ele tem “sonhado” nos últimos tempos ao vê-la no futuro – maior de dois minutos – se encontrando com ele em uma lanchonete.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que o restante da crítica conta partes importantes do filme, por isso recomendo que só leia o restante aqueles que já viram a Next): O resumo anterior parece um pouco confuso e, talvez, não muito atraente. Mas devo admitir que o filme do diretor neozelandês Lee Tamahori me surpreendeu. E muito. Esperava mais um desses “enlatados” dos Estados Unidos e, na verdade, a idéia desse filme é bem interessante.

Se não, vejamos: me parece muito interessante um sujeito que pode ver sempre o que vai acontecer com dois minutos de antecedência – só não me perguntem a razão de ser dois minutos e não cinco, por exemplo, porque isso nem chega a ter um esboço de resposta no filme. Imagine saber tudo que vai acontecer antes que aconteça… ok, antes de mais nada, a princípio, uma pessoa pensa: “Mas isso tiraria toda a graça, porque eu nunca teria surpresas”. É verdade. Na maior parte do tempo, sim. Mas a cena em que Johnson tenta pensar em todas as alternativas para se aproximar de Liz na lanchonete, por exemplo, e se dá mal em todas, prova que nem tudo é previsível. Nessa hora, depois de encarar ela por dois minutos como um paspalho e de perceber que Liz lhe ganharia em todas as vezes, ela olha pra ele e diz que nem se aproxime. Ou seja: se você tenta sacar uma resposta por mais de dois minutos, sem resultado satisfatório, adeus! Tem que improvisar mesmo. Interessante.

Mas o mais interessante da história são mesmo muitas cenas de perseguição. A fuga de Johnson do cassino e, principalmente, a fuga dele com ajuda de Liz do motel em que eles passam uma noite. Demais como ele antecipa cada movimento. E, ainda que ele preveja o futuro, está em sua mão sempre a possibilidade de mudá-lo, de fazer algo diferente, como no ato final dessa perseguição da saída do motel.

O problema para nosso herói é que o FBI está atrás dele e, atrás do FBI, os vilões da história. Na melhor filosofia “o cão que vai atrás do gato que vai atrás do rato que vai atrás do calcanhar do cão”, os nossos vilões – que falam um pouco inglês, um pouco francês – estão atrás dos movimentos do FBI e, por isso, tentam eliminar a Johnson. E a quem estiver com ele, claro. Next tem uma intensidade bacana, sem perder o ritmo – o que seria possível, bem possível – e conta com atores competentes e simpáticos.

NOTA: 9.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: O filme vale pelo cuidado do diretor com a história, assim como pela história em si. A idéia original saiu da cabeça do genial Philip K. Dick, autor da história The Golden Man, que inspirou o roteiro de Gary Goldman, Jonathan Hensleigh e Paul Bernbaum. O genial Philip K. Dick é autor também das histórias que inspiraram os realizadores de Minority Report, Blade Runner, entre outros.

Next contava com uma avaliação de apenas 6,2 pelo site do IMDb. Acho pouco. Levando em conta que a história é criativa, o diretor faz um bom trabalho e os atores também. Mas acho que entendo esse desempenho baixo do filme: aposto que muita gente não entendeu a história. E acho que o que as pessoas menos entenderam foi: por que diabos Johnson vê todo o futuro com dois minutos de antelação e vê o que acontece com ele e sua paixão Liz com mais tempo de antecedência? Bom, a explicação para essa é a mesma de porque ele vê o futuro dois minutos antes de tudo acontecer e não cinco minutos antes. Primeiro: é uma obra de ficção. Não, necessariamente, tem que ter uma lógica matemática. Segundo: porque ele pode ver o futuro com cinco minutos de antelação e não com dois? O fato que é assim porque é assim… o homem vê o que vai acontecer dois minutos antes e está acabado! Mas e a garota? Ora, eu acho que acontece com ele o que acontece com muitíssima gente: toda a lógica e o que entendemos como possível muda quando conhecemos um grande amor. Pois nem Johnson e nem nós temos a explicação de porque com Liz acontece diferente, mas acontece. Então, de forma tão simples assim, Callie Ferris consegui se dar bem com a sua missão simplesmente porque deu sorte, porque Johnson conseguiu encontrar Liz antes que a bomba nuclear explodisse. Porque se fosse diferente, se ele tivesse encontrado ela depois, Callie e o FBI estariam ferrados. Isso porque eles não sabiam, mas Johnson só consegue ver o futuro bem mais adiantado que os dois minutos usuais quando está ao lado de Liz e quando esse futuro afeta a ela, nada mais.

Agora, um comentário maldoso… em uma das primeiras sequencias em que Johnson está fugindo do FBI na fantástica corrida ladeira abaixo na saída do motel, dá para ver muito bem o dublê de Nicolas Cage. hehehehehehehehehe. Realmente eles podiam ter sido mais cuidadosos. Aliás, os dublês nesse filme tiveram um trabalho gigantesco!

E outro comentário maldoso: Nicolas Cage está muito bem, fisicamente, para um cara de 47 anos… barriga de tanquinho, musculoso e tal. Agora, os seus cabelos… não sei se é seu cabelo de verdade ou uma peruca, mas estão ridículos no filme. hehehehehehe

Mais uma vez Julianne Moore está muito bem em um papel de ação – ainda que parece que ela sofre na cena em que persegue Johnson até o prédio em que Liz “será detonada” -, assim como Jessica Biel impressiona por sua beleza e simpatia em cena. As duas estão bem no papel, mas nada excepcional. O líder dos vilões, conhecido por Mr. Smith, é interpretado por Thomas Kretschmann, uma figura conhecida como vilão nos filmes de Hollywood.

Infelizmente o filme foi mal nas bilheterias dos Estados Unidos… arrecadou pouco menos de US$ 18 milhões até o dia 17 de junho. Detalhe: o filme teria custado, aproximadamente, US$ 70 milhões. Acho, realmente, que ele foi mal “vendido”, começando pelo cartaz do filme.

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11 comentários em “Next – O Vidente

  1. Olá

    Next é excelente, fiquei de boca aberta, um filme totalmente diferente de qualquer coisa que o Nicolas Cage tenha feito.
    Bastante ação, correrias, tiros, explosão que não falta neh!!!, um mundaréu de arvores caindo na estrada e tambem claro Julianne Moore (The Forgotten-Os Esquecidos; muito bom tbem assista vale a pena) e Jessica Biel (Stealth Ameaça Invisivel)
    Nota 9,8 pelo filme ter acabado e eu estar querendo mais e mais
    Agora vou ter que esperar pelo next Next hehehhe

    recomendadíssimo

    abraços e até mais

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  2. Oi Elizeu!

    Realmente, Next é um filme que me surpreendeu… fora a peruca do Nicolas Cage, o restante está tudo em seu devido lugar. 🙂

    Bem, sobre ter bastante ação… Nicolas Cage já tinha feito filmes de ação, como 8 Milímetros… mas nada no estilo “ficção científica” ou “poderes paranormais” como este.

    Foste bondoso com o 9,8, hein? hehehehehehe
    Mas tudo bem, sabes que eu curto também quando discordas de mim. 🙂

    Outro abraço e até logo…

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  3. Cheguei a seu blog pelo google e antes de lê-lo, tinha visto uma crítica no site adorocinema que demonstra em perfeitas palavras o que senti após assistir o filme.
    Como não vi nenhum comentário contrário à análise, decidi transcrevê-la aqui:

    “Francisco Russo, Editor do Adoro Cinema – Nota 4:

    “Nicolas Cage era a causa da minha desconfiança com O Vidente . Não o considero um ator ruim, mas sua atual fase é de causar calafrios. Sua última boa atuação foi em O Senhor das Armas , que já tem 2 anos. Aqui Cage está novamente no piloto automático, sem brilhar. Mas o problema do filme não é Cage, nem a policial durona e clichê de Julianne Moore ou Jessica Biel sendo Jessica Biel novamente – ok, ela é linda, mas péssima atriz. O problema é que O Vidente é um filme de ação, quando não precisava ser.

    Os livros e estórias de Philip K. Dick sempre trazem questões interessantes sobre o futuro ou a percepção que temos dele. Aqui não é diferente, com Cris Johnson, o personagem de Cage, sendo capaz de prever até 2 minutos de seu próprio futuro. Lá pelas tantas a personagem de Jessica Biel , que ainda não sabe desta capacidade, comenta algo tipo “não gostaria de saber meu destino. qual é a graça da vida se ela não tiver surpresas?”.

    Bingo! Eis a grande questão de O Vidente . A vida de Cris não tem surpresas, já que ele sempre sabe o que acontecerá – e muitas vezes manipula seu futuro, fazendo inúmeros testes até encontrar a alternativa cujo resultado mais lhe agrade. Trabalhar esta idéia, o conflito existente no personagem pelo fato de ter nascido com este dom ao invés de escolhê-lo, e até a questão ética das análises mentais que faz antes de enfim agir, seria interessante. Mas qual foi a resposta a este comentário? Nada.

    Discutir, ou até mesmo levantar temas como este, não está nos planos de O Vidente . O que acontece com Cris é apenas uma desculpa para fazer mais um filme de ação convencional, com truques de roteiro e todos os aparatos explosivos que Hollywood bem sabe fazer. Deixou a sensação de material mal aproveitado, a mesma que tive ao assistir a Eu, Robô anos atrás.””

    fonte: http://www.adorocinema.com.br/filmes/vidente/vidente.asp

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  4. Olá Julio (ou apenas “JB”)!!

    Obrigada pelo teu comentário e por tua visita.

    O mundo é feito de opiniões contrárias. Ainda bem. Respeito o texto que você publicou aqui, do Francisco Russo, mas obviamente eu discordo dele. Pessoalmente, não gostei nada do Nicolas Cage em O Senhor das Armas – achei o filme bem fraquinho também. E, sinceramente, não tenho pré-conceitos com atores – ainda que eu não goste muito de alguns nomes, assisto a atuação deles deixando minhas “armas” no chão antes. Afinal, para assistir algo de maneira justa, seja algo bom ou ruim, é preciso estar desarmada.

    Não entendi porque ele diz, por exemplo, que O Vidente não precisava ser um filme de ação. E por que não? Ainda que ele seja “inspirado” em um livro de Philip K. Dick, isso não quer dizer que ele precisava ter o mesmo ritmo do livro ou ser “puramente” ficção científica, não é mesmo? Acho isso uma bobagem… e bastante inocência das pessoas que ainda acham que os filmes adaptados de livros devem ser “livros filmados”… cinema é cinema, literatura é literatura.

    Não concordo também com a outra crítica de que não houve resposta para a frase dita pela atriz Jessica Biel. Acho que “discutir” temas não significa filmar monólogos a respeito ou largas “discussões” entre vários personagens. Bobagem parte 2. Os filmes que mastigam tudo para o espectador, para mim, não tem graça.

    Mas esta, como sempre, é apenas a minha opinião. Espero que você volte aqui mais vezes e, nas próximas, fale mais o que você pense – ainda que não seja nenhum defeito, claro, copiar textos de outros lugares, mas sempre gosto de incentivar as pessoas a opinarem elas mesmas. Essa é a graça dos blogs e de falar sobre cinema.

    Um abraço!

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  5. Esse é o tipo de filme q eu assistiria quantas vezes quisesse
    apesar de ser O VIDENTE
    ELE É TOTALMENTE SURPREENDENTE

    E GENTE Q IMPORTA SE O NOME DO FILME É O VIDENTE

    ENTAO ELE É O QUE?
    O FILME NAO GIRA EM TORNO DO NICOLAS CAGE EXATAMENTE?
    ELE NAO PREVE O FUTURO?
    EU ODIEI PQ ME PEGAVA SEMPRE DE SURPRESA
    MAS EU AMO PQ É DISSO Q GOSTO

    MAIS UM PONTO PRO NICOLAS CAGE CM SEMPRE

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  6. NICOLAS CAGE É AQUELE ATOR QUE NAO PASSA EMOÇÃO EM SUAS ATITUDES
    BEM ASSIM PARECE SER
    MAS É ESSA SUA EXPRESSAO QUE O DEFINE COMO UM DOS MELHORES ATORES DE CINEMA
    AQUELES OLHOS AZUIS DELE SÃO A PERSONIFICAÇÃO DE TUDO

    GOSTO MT DESSE ATOR

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  7. Oi Naty!

    Ficaste fã do filme, hein? Que bacana. Realmente fico feliz quando as pessoas se emocionam com determinadas produções.
    Percebi também que eres uma grande fã do Nicolas Cage. Também gosto dele. Ainda que, na minha opinião, como todos os grandes atores, ele dê uma “derrapadinha” volta e meia. Nem sempre escolhe bons projetos ou faz grandes atuações. Mas o mesmo podemos comentar de “monstros do cinema” como Robert De Niro e Al Pacino. Então faz parte…

    O comentário sobre o título do filme para o mercado brasileiro tem a ver com todos os meus outros comentários sobre “adaptações” dos títulos originais. Fico admirada quando “reinventam” totalmente o nome da produção, apenas isso. Porque de “Next” para “O Vidente” há uma diferença gigantesca, não? Além do mais, não sei se o protagonista poderia ser classificado, exatamente, como “vidente”. Mas ok, deram o título que deram e acabou-se. hehehehehe

    Muito obrigada por tua visita e pelos teus comentários. Volte mais vezes por aqui, inclusive para falar de outros filmes – há algum outro com o Nicolas Cage que comento pelo blog. Dê uma busca que você vai encontrar.

    Abraços e inté mais!

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    1. Oi Marco!

      Que bom que você gostou do filme. Eu achei ele interessante, mas nada demais ou excepcional.

      Mas sim, talvez ele merecesse uma continuação. O desafio seria fazer algo ainda melhor e/ou mais criativo.

      Obrigada pela tua visita e pelo teu comentário. Espero que voltes por aqui mais vezes.

      Abraços e inté!

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