Lucky You – Bem-vindo ao Jogo


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O diretor Curtis Hanson chamou a atenção do grande público e da crítica há exatos 10 anos com o eficaz e bem acabado L.A. Confidential – ou Los Angeles Cidade Proibida -, um filme um pouco noir, um pouco cínico demais para o ano que consagrou a Titanic. Depois desse filme, a única peça criada por Hanson que chamou um pouco a atenção foi 8 Mile, uma quase cinebiografia do rapper Eminem. Ainda assim, parecia que Hanson estava fora de forma, até que aparece esse Lucky You e… percebemos que, realmente, o diretor está distante alguns quilômetros de produzir algo na altura de L.A. Confidential.

A HISTÓRIA: Huck Cheever (Eric Bana) é um jogador de poker profissional. Ele faz da “arte” de conhecer os seus adversários e as probabilidades das cartas a sua vida. Mas quando o filme começa ele está mal, quebrado, e tem que recorrer a uma loja de penhores para conseguir algum dinheiro que o coloque nas mesas de cassino mais uma vez. Logo ele ganha de novatos no poker e consegue algum dinheiro. Mas não o suficiente para entrar no Torneio Mundial que começará em poucos dias em Las Vegas. Além de ter que conseguir o dinheiro – US$ 10 mil – para entrar no torneio, Cheever tem que lidar com o cruel e lendário L.C. Cheever (Robert Duvall, perfeito), seu pai; e com os humores de sua nova investida amorosa, a cantora do interior Billie Offer (Drew Barrymore).

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – existem partes desta crítica que contam partes do filme, por isso se recomenda que só siga lendo quem já viu a Lucky You): Um filme que trate de esportes e, mais especificamente, de jogos como poker e sinuca não é, de maneira alguma, original. Existem vários por aí tratando do mesmo. Uma referência de excelente filme do gênero é The Color of Money (A Cor do Dinheiro), com um afinadíssimo Paul Newman (que não por acaso ganhou um Oscar por esse papel) e um jovem Tom Cruise – aqui o tema é a sinuca. Assim como em A Cor do Dinheiro, em Lucky You o jogo é quase um pretexto para se falar e se “entender” um pouco mais sobre os dilemas humanos e sobre o que move as pessoas. Ok, quem sabe estou querendo ver ouro em carvão bruto, mas a idéia de quem está por trás desses filmes é explorar algo mais que o simples vício da jogatina.

Lucky You começa muito bem, com Huch Cheever dando uma lição de lógica e de argumentação para muitos desavisados. A maneira com que tenta “barganhar” com a dona da loja de penhora (a sempre ótima Phyllis Somerville) é perfeita. Depois desse começo, eu esperava bastante do filme. Cheguei ao final vendo uma ou outra tirada tão boa quanto mas, no geral, o filme fica abaixo do esperado por essa primeira cena.

Um problema do roteiro que o diretor Curtis Hanson assina junto com Eric Roth é, na minha opinião, que às vezes ele tenta levar a história muito a sério. Por exemplo, eles complicam os dilemas do herói Huck Cheever e o pintam quase como um “adulto mal-formado”. Não sei, mas eu acho que o cara que conseguiu sobreviver até aquela idade independente de família e com uma linha de raciocínio como a que ele destila ao início do filme não cairia eternamente nos mesmos erros – como de não conseguir dizer um “não” para o próprio pai esperando ganhar dele alguma vez (!!???!!!). Ok, o garoto tem 12 anos ainda? Alguém pode dizer que ainda que adultos seguimos com alguma “dívida” com nossos pais, ou com questões mal-resolvidas… ok, até pode ser verdade, mas o tipo cair no mesmo erro até o ponto de quase colocar a vida em risco? Tipo o cara perde uma, duas, 100 vezes e continua dando murro em ponta de faca? Sei lá, mas achei meio exagerado isso, e meio simplista. A personalidade do nosso “herói”, aliás, parece mais um esboço que algo concreto. Assim como o do pai, apesar de que o personagem L.C. Cheever parece mais realista. Mas uma falha do roteiro, como eu ia dizendo, é colocar o personagem de Eric Bana de maneira tão sem “complicação” e que depende (claro!) de uma heroína para ser resgatado, como é o caso de Billie Offer.

Não sei, mas o romance dos dois também não me convenceu muito. Apesar de Drew Barrymore seguir sendo “a namoradinha da América”, ou seja, sempre com aquele jeito encantador de sorrir, de cantar, de andar e de fisgar os personagens dos filmes, nesse Lucky You a história dos dois não ficou de todo clara. Afinal, depois dele roubar ela e, antes disso, dela ser usada por ele de diferentes maneiras, como ela estaria com ele no final? Ou ele sacaria seus grandes “ensinamentos” de comentários que ela fez.

Sei lá, mas eu acho que o filme ganharia mais sem o clichê de que o personagem principal precisa ser salvo por uma garota e mais se investisse na relação de pai e filho ou nas “caras de pôker” ou no que, segundo Cheever, são as “habilidades” de um bom jogador. Ou seja: um pouco mais de histórias paralelas ou de duelos sobre a mesa e menos “lances manjados”.

NOTA: 7.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Uma dupla que vale a pena no filme é a interpretada por Lester (Saverio Guerra) e Ready Eddie (Horatio Sanz, que tem página no MySpace… hehehehehe). Os dois são literalmente viciados em apostas, de qualquer tipo e, de preferência, absurdas. O chileno Sanz e o nova-iorquino Guerra estão perfeitos nos dois papéis cômicos. Depois dos créditos, o diretor ainda apresenta mais uma “esquete” (peça curta) com a dupla.

Até o dia 1 de julho o filme tinha arrecadado nos Estados Unidos pouco mais de US$ 5,7 milhões, algo muito baixo para os padrões de Hollywood.

Mas ao menos para uma coisa o filme serviu: para Eric Bana comprovar que pode fazer um bom trabalho, com várias caras-e-bocas e expressão facial – algo que eu achava que ele era incapaz de fazer ao assistir a Hulk. Se bem que ele já demonstrou que podia fazer um filme bem, com talento e precisão com Munich (Munique).

O filme conta com duas participações de “luxo”, duas pontas de Robert Downey Jr. (como Jack – até ver sua página, não sabai que o ator tinha lançado um CD… hehehehehehe) e Debra Messing (Suzanne Offer).

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2 comentários em “Lucky You – Bem-vindo ao Jogo

  1. Olá caroline!!

    Primeiramente, seja muito bem-vinda por aqui! Obrigada por tua visita e pelo teu comentário.

    Pena que você não entendeu a ironia do “ouro em carvão bruto”. Justamente por ser algo impossível é que eu citei essa frase. Claro está que o ouro não provêem do carvão, não é mesmo? Acho que todos nós sabemos disso.

    E, ainda assim, esta minha frase tem um duplo sentido, já que o carvão foi considerado, por muito tempo, como ouro negro (como podes ler neste texto – http://historia.abril.com.br/tecnologia/mina-carvao-434105.shtml).

    Então, resumindo, minha frase foi irônica e, ao mesmo tempo, com duplo sentido. Entendeu?

    Obrigada, mais uma vez, por teu comentário. E espero que voltes por aqui mais vezes. Um abraço!

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