3:10 to Yuma – Os Indomáveis


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Por ironia, antes de ver a esse 3:10 to Yuma eu assisti a Shoot´em Up. Digo por ironia porque, como comento neste blog, Shoot´em Up começa parodiando os takes clássicos dos filmes de faroeste. E 3:10 to Yuma segue justamente a “alma” dos filmes do gênero. Eu queria assistir a esse filme porque gostei muito do cartaz e pelos nomes envolvidos, em primeiro lugar. Gosto do diretor James Mangold, que dirigiu antes a Girl, Interrupted (Garota, Interrompida, um dos meus favoritos de uma lista gigantesca, hehehehehehe) e Walk the Line (Johnny e June, do qual gostei muito também). Também gosto (por que não?) de Russell Crowe – isso quando ele não se passa e dá uma de Mr. Arrogante – e do Christian Bale. Até mais do segundo que do primeiro. Por todas essas razões queria ver o filme e devo dizer que valeu esperar.

A HISTÓRIA: O fazendeiro Dan Evans (Christian Bale) é assombrado por suas dívidas e pelo terror imposto por Glen Hollander (Lennie Loftin), o homem para quem deve dinheiro. Depois de ter parte de sua propriedade queimada, ele sai para levar seu gado pelos campos com os filhos William (Logan Lerman) e Mark (Benjamin Petry). Mas sua vida muda de rumo quando, no caminho, esse fazendeiro se depara com um assalto comandado pelo famoso ladrão e assassino Ben Wade (Russell Crowe). Grayson Butterfield (Dallas Roberts), o homem que foi roubado por Wade, oferece uma recompensa a Evans e a outros homens para ajudá-lo a levar Wade, capturado quando estava saindo de um encontro com Emmy Nelson (Vinessa Shaw) para o trem que parte as 3:10 com destino a prisão de Yuma. Só que até chegar a estação de trem, Evans, Butterfield e os demais homens encarregados de Wade devem sobreviver a diversas ameaças, inclusive aos comparsas do bandido liderados por Charlie Prince (Ben Foster).

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – parte da crítica a seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue lendo quem já assistiu a 3:10 to Yuma): O filme tem os velhos ingredientes de um bom faroeste e um pouco mais. Além dos tradicionais duelos que esses filmes incitam, 3:10 to Yuma traz dois dos melhores personagens do gênero em muito tempo. Afinal, como não torcer simultaneamente para Wade e Evans? Ainda que o primeiro seja o “capeta” em pessoa, ele cria uma verdadeira “síndrome de Estocolmo” em Evans e vice-versa. Se não, como explicar as várias vezes que um salvou a vida do outro? Especialmente as várias vezes em que Wade salva a vida de Evans e de outros que lhe estão levando para o trem com destino a sua prisão e possível enforcamento?

A honra, como dita os melhores filme de faroeste, está acima de qualquer outro valor. E a verdade é que os personagens de Wade e Evans desenvolvem um mútuo sentimento de respeito. Ainda assim, nenhum dos dois cede em suas intenções. Interessante como a dinâmica deles vai avançando e, mais que isso, interessante analisar como funciona o sentido de valores de Wade. Ele não pensa duas vezes em matar quem lhe sacaneia mas, por outro lado, não mede esforços para proteger quem ele considera que segue alguns princípios próprios e justos.

Gostei especialmente do final. Realmente foi muito bem escrito. Assim como os personagens principais, bem desenvolvidos. A preocupação de passar um legado bom para o seu filho é um dos motes do filme e algo a ver com honra que vale a pena pensar. Assim como vale a pena pensar na questão de valores e de lealdade, outras questões abordadas nesta história.

O roteiro de Michael Brandt e Derek Haas é muito bom e teve como ponto de partida a história curta de Elmore Leonard. A direção de James Mangold também é muito boa e, na minha opinião, lhe pode render uma indicação ao Oscar.

NOTA: 9,5.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: O filme ganhou uma nota 8,2 dos usuários do site IMDb. É uma nota muito boa, levando em conta a média das críticas do site.

Eu acho possível que o filme chegue ao Oscar com algumas indicações. Fora as categorias técnicas, ao qual podia perfeitamente concorrer, e a parte da direção que, como comentei, pode render uma indicação a Mangold, o filme pode ter algum ator indicado ou mesmo o roteiro. Sem contar a direção de fotografia que, para mim, é um dos pontos altos da produção.

Os custos de filmagens foram estimados em US$ 50 milhões. Até o dia 7 de outubro – 3:10 to Yuma estreou em 9 de setembro – ele tinha arrecadado US$ 48,7 milhões nos Estados Unidos. Ou seja: deve se pagar e ainda lucrar um pouco, ainda que eu não acredite que seja um “arrasa-quarteirão” – talvez ganhe um “plus” de bilheteria se for indicado a Oscars.

No Brasil 3:10 to Yuma tem estréia prevista para o dia 23 de novembro. Só achei uma falta de criatividade – para variar – ele receber o título de Os Indomáveis, em uma visível alusão a Os Imperdoáveis (Unforgiven), clássico de 1992 do diretor Clint Eastwood que “ressuscitou” os filmes de faroeste do limbo.

Mais uma vez os cartazes do filme merecem um destaque especial. Gostei dos dois que vi, mas como tenho que escolher um para publicar por aqui – enquanto não crio uma seção só multimedia com cartazes, fotos e trailers – escolhi esse que vocês podem ver acima. Não é o cartaz mais conhecido, mas achei divino.

Só depois fiquei sabendo que esse 3:10 to Yuma é uma refilmagem da produção de mesmo nome lançada há exatos 50 anos. O original de 1957 foi dirigido por Delmer Daves baseada na história de Elmore Leonard e com roteiro de Halsted Welles. Os atores principais eram o canadense Glenn Ford (Ben Wade) e o norte-americano Van Heflin (Dan Evans), com Richard Jaeckel como Charlie Prince.

Falando em Charlie Prince, gostei muito da interpretação de Ben Foster no papel. Acho que ele pode, se tiver sorte, ser indicado ao Oscar como coadjuvante. Fiquei arrepiada ao ver o ator Peter Fonda, uma lenda viva, interpretando o personagem meio bandido Byron McElroy. Outras aparições secundárias de rostos um pouco conhecidos são a de Alan Tudyk como o doutor Potter e Gretchen Mol como Alice Evans.

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8 thoughts on “3:10 to Yuma – Os Indomáveis

  1. Oi Giancarlo!

    Saudade de escrever no blog – estava realmente sem tempo – e saudade maior de ler comentários teus.
    Pois sim, 3:10 to Yuma realmente vale a pena. Um faroeste de primeira é tudo de bom, né? Ele não tem os “takes” clássicos aqueles, de close nos olhos, na arma e tal, mas nem precisa também. Esses “takes” já podem ser usados por um filme como Shoot´em Up. hehehehehehe

    Quando puder ver, veja! E depois comenta aqui se tu não acha, como eu, que esse filme pode entrar na bolsa de apostas para o Oscar. Se bem que, todos sabemos, esse prêmios é mais lobby que outra coisa. Ainda assim, se ele for indicado, é também porque merece.

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  2. Oi Junior!

    Bem-vindo por aqui!

    Também gostei muito do filme. Realmente fazia tempo que não assistia a um faroeste com essa qualidade.

    Volte sempre por aqui, para comentar e para criticar.

    Um abraço!

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  3. Adorei o filme e concordo com praticamente toda a sua crítica.

    Deste filme só não gostei da trilha sonora e da penúltima cena, ela era necessária para o desfecho do filme mas ão deixou de ser sem sentido. Wade não tinha apego a seus homens mas…

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  4. Olá Anníbal!

    Que bom receber tua vista e que bom saber que gostaste do meu comentário.

    Eu já gostei da trilha sonora. Acho que ela contribui para o clima do filme. E sobre a cena que tu comentaste… eu já achei ela com sentido. Para mim, o fato de Wade matar o seu “braço direito” só demonstra duas coisas já percebidas antes no filme:

    1) Que ele, como tu mesmo disse, pouco se importa com os seus capangas, matando qualquer um deles quando ele acha que fugiram “da linha”;
    2) E que ele viu no personagem de Dan Evans uma conduta honrada que ele admira, respeita e pela qual ele luta até o final – tanto que Wade volta ao trem mesmo podendo escapar, mas faz isso para provar que estava de acordo com o que Evans queria provar.

    Como comentei, achei que ele matar o seu capanga foi uma maneira de provar isso, de que nem sempre as pessoas que estão ao teu lado ou te defendem até o fim sabem respeitar o que você realmente quer. Claro que nós, pessoas comuns, não vamos matando quem faz isso com a gente, como ele, mas talvez isso que nos diferencie daquele “bandidão” ou daquela época em que se matava por honra ou por muito menos.

    Obrigada por tua visita, Anníbal, e principalmente por teu comentário. Espero que voltes sempre por aqui. Um abraço!

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  5. Tirou as palavras da minha boca aleogeda. Simplesmente tenho o mesmo ponto de vista seu do filme em relação ao que o Anníbal disse. Também gostei muito do filme.

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  6. Olá RvR!!

    Primeiramente, sinta-se bem-vindo por aqui.
    Filmão de faroeste, não é mesmo? Até me deu vontade de revê-lo… 🙂

    Alguns, como o Anníbal, podem ter achado o gesto de Wade exagerado, mas eu achei uma saída para o bom e velho “ou ele, ou eu”… o que, neste caso, não se refere apenas a Wade, mas especialmente ao homem que ele passou a admirar: Dan Evans. A honra e a conduta legítima em um local “sem lei” como aquele realmente valiam ouro.

    Obrigada por tua visita e, especialmente, por teu comentário. Espero que voltes aqui mais vezes para falar de outros filmes.

    Um abraço!

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