Feast of Love – Banquete do Amor


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Comédias ou dramas românticos sempre são cercados por aquela história: só as mulheres gostam de assistir. Os homens, diz a lenda, preferem filmes de luta, de ação, com carros, com perseguições, violência essencialmente. Se isso é verdade, só lamento que apenas as mulheres terão a oportunidade de ver a este Feast of Love. O filme era um grande desconhecido para mim, mas resolvi vê-lo essencialmente pelos nomes envolvidos: Morgan Freeman (trabalhando como nunca aos 70 anos), de quem sou fã desde Um Sonho de Liberdade, e o diretor Robert Benton, sem dirigir um filme há quatro anos. O filme começa bem, muito bem, falando dos gregos e da “invenção” do amor. E da risada, invenção para que fosse possível suportar o amor. Depois desta reflexão do narrador, Harry Stevenson (Morgan Freeman), somos imersos em várias histórias de amor. E de dor. Porque é normalmente doloroso descobrir nossos erros e revelar mentiras. Em Feast of Love não é apenas o amor que está sendo analisado, mas é a nossa capacidade de passar pela dor, de ter esperança, de viver ainda que isso pareça difícil. No fundo, o filme questiona o que é o amor, mas de uma maneira adulta. Uma boa surpresa.

A HISTÓRIA: Harry Stevenson (Morgan Freeman) é como um observador da vida cotidiana das pessoas de sua comunidade. Atento à vida – já viveu o suficiente para perceber quase todos os sinais que as pessoas exalam em seus atos -, ele é o primeiro a se dar conta do surgimento de vários amores. O primeiro deles ocorre em uma mesa de bar, quando Kathryn (Selma Blair), a mulher de Bradley Thomas (Greg Kinnear), se apaixona de uma maneira surpreendente por Jenny (a canadense Stana Katic). Depois, Stevenson vê Oscar (o inglês Toby Hemingway), o garoto que lhe atende na cafeteria de Bradley, onde Stevenson vai diariamente, se apaixonar à primeira vista por Chloe (a francesa Alexa Davalos). E assim seguem as histórias de amor, cada uma com uma particularidade, mas única e surpreendente.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que o texto a seguir conta partes fundamentais do filme Feast of Love, então recomendo que só continue a ler quem já assistiu ao filme, para evitar que as surpresas sejam estragadas): O primeiro toque em um jogo competitivo e uma troca de olhares. Sinal número 1. Um encontro “imprevisto” no bar, depois, e uma conversa olho no olho e próxima, muito próxima. Sinal número 2, mais desconcertante. O toque na perna, a música dedicada… assim, em um crescente um pouco inexplicável – ou muito explicável – a personagem de Kathryn se descobre interessada, muito interessada por uma mulher. E não é uma mulher qualquer, mas sim Jenny, uma garota que percebe cada sinal e sabe exatamente o que fazer com eles. Perigo ao casamento de Kathryn e Bradley, juntos há seis anos. Primeiro exemplo de cegueira.

O filme poderia facilmente cair no lugar-comum, na narrativa óbvia, no romance pastelão e choroso. Mas não. Desde a citação inicial dos gregos até a cena final, Feast of Love mostra que é possível fazer um drama/romance com classe. E isso tem muito a ver com a competência do elenco, perfeito do início ao fim, assim como com o roteiro de Allison Burnett, que conseguiu dosar na medida certa cada elemento da história e, claro, da direção sensível de Robert Benton. Por todos esses elementos eu classifico o filme como um dos melhores que eu vi do gênero nos últimos tempos.

O personagem de Bradley é destes que tu vai acompanhando de maneira dividida. Afinal, ao mesmo tempo que ele dá pena por só “se dar mal” no amor, também nos dá raiva, vontade de lhe dar uns tapas para ver se ele acorda. Quantos homens não são cegos como ele? Parecem mais a cachorros, fiéis e bobões, e não percebem os sinais, não percebe o que a pessoa ao lado quer fazer ou pelo que está passando. Ok que as mulheres são muito mais inconstantes e mudam de opinião. Mas se eles são mais firmes em seus propósitos e convicções, porque não podem também ser mais atentos, mais sensíveis? Stevenson viveu o suficiente e tem a sensibilidade necessária para cuidar muito bem de sua mulher, Esther (Jane Alexander). A história deles de amor é linda, fortificada e ameaçada pela perda recente de seu único filho. E toda a experiência do mundo, nestes casos, não é suficiente para que o homem esteja distante da dúvida, do medo, do passo que falta para perder a esperança. Ainda que veja todos os sinais.

Todas as histórias de amor são importantes e interessantes neste filme. Desde as de Bradley com Kathryn, com Diana (a australiana Radha Mitchell) ou com Margaret Vekashi (a húngara Erika Marozsán) – assim como de Diana com David Watson (Billy Burke); ou de Oscar com Chloe; ou de Kathryn com Jenny; ou de Harry com Esther. Todas são lindas e imperfeitas.

E se percebe que a sorte de alguns se deve, justamente, ao que outros veriam como defeito. Se não, como explicar a determinação de Bradley em ser feliz apesar de tudo que lhe aconteceu? Eu creio que ele é tão determinado justamente porque tem um grande coração, ainda que sofra de cegueira. Mas ninguém fica da mesma forma eternamente. E ele aprende. E ele muda. Nem que para isso tenha que passar pela dor. Stevenson lamenta quando ele se apaixona novamente. Mas ele também, o homem experiente, tem que enfrentar as duas dores e a sua descrença ao perceber a grandeza de Chloe, sua coragem e maturidade. Porque nem sempre os jovens são os mais imaturos. Muitas e muitas vezes eles são, para quem quiser ouvir, os mais sábios. Para mim, além de muitas outras mensagens, o filme me mostrou isso: que o casamento perfeito seria a força, determinação e a esperança da juventude com a sabedoria, a calma e a contemplação serena dos mais velhos.

Sei que é meio exagero dizer isso e tudo, mas a história de Chloe e Oscar é de balançar mesmo. Nem tanto porque a dupla de atores é afinada e são bonitos e tal, mas pelo que a mensagem do seu amor “Romeu e Julieta”, como diz Stevenson meio sem querer, nos passa. Ou seja: é preferível desviar do amor, do risco, de tudo que uma história apaixonante nos traz só porque sabemos que vai nos destroçar depois? Só porque sabemos que vamos sentir dor? A coragem de Chloe e de Oscar é revigorante. Até faz acreditar que realmente vale a pena errar, quantas vezes for, porque no erro também está o acerto. E viver com medo, como já diria um certo alguém, é não viver. Mais confiança, mais ousadia, mais amor e paixão e menos medo. Essa é a mensagem que deveria ser vendida e dada de graça para quem quiser e para quem não quiser ouvir.

NOTA: 9.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: O filme é maravilhoso, como eu disse. Só senti falta de ver o casal Kathryn e Jenny mais vezes na história, depois daquele início no filme.

Além dos atores que já citei, destaco a participação secundária do veterano Fred Ward como Bat, o pai alcóolatra e violento de Oscar.

Falando em Oscar, me surpreendi com a “química” dos atores Toby Hemingway e Alexa Davalos. Eles estão perfeitos nos seus papéis, super convincentes. Ela, em especial, está encantadora. Morgan Freeman, também, faz uma das melhores interpretações recentes de sua carreira. Pelo menos duas cenas dele com Jane Alexander valem todo o restante do filme.

Admito que a parte final, em que todos vão “felizes ao parque” é exagerada e desnecessária. Mas bem, nem tudo pode ser perfeito.

O cartaz de Feast of Love, contudo, parece jogar contra o filme. Assim, à primeira vista, ele vende a imagem deste ser “mais um filme água com açúcar”, algo que ele não é. Acho que se podia ter feito um trabalho melhor na divulgação do filme.

Os usuários do site IMDb lhe deram uma nota baixa: 6,8. Um pouco injusto, na minha opinião. No site Rotten Tomatoes, ele leva uma nota 5,4 – pior ainda -, com 54 críticas negativas da imprensa e 40 positivas.

Feast of Love também foi mal na bilheteria. O filme, que estreou no dia 30 de setembro, arrrecadou até o dia 14 de outubro pouco mais de US$ 3,4 milhões.

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13 thoughts on “Feast of Love – Banquete do Amor

  1. Opa! Esse deu vontade de ver, não li a crítica inteira para não estragar, mas o comecinho empolgou. Já o Luiz, acho que vai gostar dos dragões perdidos em Los Angeles… pode ser divertido.
    Besitos

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  2. hehehehehe

    Realmente, gostei muito do filme. É destes que tu assiste e, ainda que tenha vários “clichês” (qual história hoje não os tem?), você se sente enredado pela história. A narrativa também é muito bem feita, além dos atores, claro, que estão divinos. De verdade, recomendo.

    E, como eu disse, será uma pena mesmo se basicamente as mulheres verem a essa história. Acho que muitíssimos homens deveriam experimentá-lo. Lhes faria bem.

    O dos dragões realmente começa bem, apesar de exagerar um pouco na “dose épica”, mas depois de perde. Ao menos para o meu gosto. Mas, como eu sempre digo, tudo vale a pena ser visto. Ainda que só alguns a gente guarde na memória.

    Volte sempre! Beijossssssssssss

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  3. Olá Eduardo!

    Que bom que você assistiu ao filme e gostou.

    Quem sabe eu não estou enganada e, realmente, muitos homens acabem vendo ao filme e gostando… seria uma maravilha! Porque realmente não acho que seja um filme só para mulheres. Acho que é um filme bom para qualquer pessoa assistir e apreciar.

    Obrigada pela visita. Apareça mais vezes!
    Um abraço

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  4. Estava procurando alguma coisa calma pra assistir e por acaso eis que surge Feast of love! Que surpresa agradável que aos poucos me fez pensar sobre os ditos “sinais”, os quais muitos de nós não percebemos, até que sejam tarde demais… Mogan Freeman está soberbo como sempre (Um dos motivos de ter assistido o filme), mas não valeria a pena, se não fosse a bela estória e a sensibilidade de mostrar e remostrar que erramos e continuamos a errar várias vezes, talves eternamente tocando a mesma tecla, mas algumas vezes, mesmo sabendo de que é um erro, continuamos a tocar a tecla pois o amor nos dá coragem para seguir em frente, superando todas as dificuldades.
    Um ótimo filme, que todos deveriam ver.

    Abraços

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  5. Oi Carlos!!!

    Seja muito bem-vindo por aqui.

    Realmente, também gostei muito de Feast of Love. Como vc mesmo disse, é um filme que surpreende, até porque pouca gente falou dele. O que é bom, diga-se. hehehehehe

    Concordo contigo que a gente erra mesmo e que, muitas vezes, até identificamos que estamos ou vamos errar no mesmo lugar, do mesmo jeito, e ainda assim seguimos… até porque o máximo que podemos fazer com nossos equívocos e defeitos é controlá-los mas, na minha opinião, é impossível eliminá-los de todo porque, afinal, somos o que somos por nossos defeitos e qualidades. Eles todos nos definem.

    E o amor… realmente é a mola propulsora para tudo, não é mesmo? Ou deveria ser, pelo menos.

    Um grande abraço e volte sempre por aqui.

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  6. Olá!

    Também sou fã do Morgan Freem. Mas estava no Google atrás da filmografia da Alexa Davalos. Assiste ‘Um Ato de Coragem’. Gostei da participação dela.

    Li seu texto. Parabéns, pelo texto e Blog! Vou listar esse filme; já o colocando nos primeiros a serem vistos.

    Gostei dessa janelinha que se abre nos nomes dos atores. Poderia me ensinar como colocar no meu? Eu usava o snap shot, mas ele trazia propagandas. Esse que está usando não. Ficarei grata.

    Beijo grande,

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  7. Olá LELLA!!

    Primeiramente, seja muito bem-vinda por este blog. Sempre fico feliz que alguém que trata do mesmo tema que eu – o cinema – na blogosfera venha dar opiniões por aqui também. Obrigada!

    Quando comentas sobre a Alexa Davalos, estás te referindo ao filme Um Ato de Liberdade (no original, Defiance), certo? É que existe também o filme Um Ato de Coragem, mas a atriz não participa dele. Defiance está na minha lista para ser assistido há um tempinho, mas ainda não consegui vê-lo.

    Fico feliz que tenhas gostado do meu texto e do blog. Espero que, depois de assistir a Feast of Love, voltes por aqui para comentar qual foi a tua impressão sobre o filme.

    A janelinha que abre nos links que eu publico no blog – em nomes de atores, páginas oficiais dos filmes, outros sites citados e etc. – é um recurso do WordPress. Eu tenho ele disponível na parte de Extras.

    Um grande abraço e beijos. Espero que voltes por aqui muitas vezes!

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    1. Ih! Troquei o título do filme. É, estava me referindo ao “Um Ato de Liberdade”.

      E grata por dizer o ‘pulo do gato’ das janelinhas!

      No momento, estou digitando sobre o “Território Restrito”. Após publicá-lo, volto ao seu blog para mais sugestões de filmes.

      Saudações Cinéfilas,

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  8. Oi LELLA!!

    Nossa, isso é que é ser rápida no gatilho. 😉

    Sem problemas… às vezes a gente “mistura” os nomes dos filmes mesmo. Isso que dá ser uma cinéfila. hehehehehe

    Obrigada por tuas visitas e por tua presença. Aguardo teu próximo comentário.

    Um abraço!

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  9. Acabo de assitir ao DVD do filme, e o recomendo totalmente… A história foi muito bem cosntruída, e a interação dos personagens, como dito no post, foi muito bem feita, podendo “sentir” a química entre eles!
    Bom, recomendo totalmente a quem quiser ver um filme que foge do “água com açúcar”!

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  10. Olá Thiago!!

    Antes de qualquer outra coisa, seja muito bem-vindo por aqui! Obrigada por tua visita e pelo teu comentário.

    Realmente, Feast of Love é um belo filme. Bem “redondinho”, bem acabado, podemos dizer. E se tratando de um filme sobre o amor, digamos que isso não é muito frequente de ocorrer.

    Fico feliz também em saber que o filme chega da mesma forma para homens e mulheres. Isso não é muito fácil de acontecer, também. Bacana que tenhas gostado desta produção e que estejas recomendando ela. Realmente acho que é um filme que merece ser descoberto por mais gente.

    Obrigada, mais uma vez, por comentar aqui. E espero que este seja apenas o primeiro de muitos comentários. Um grande abraço e volte sempre!

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