Dogme XII – Italiensk for Begyndere – Italiano Para Principiantes


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Sempre achei interessante o cinema que não faz uso de grandes artimanhas para contar uma boa história. Desde os filmes menos produzidos de Hitchcock, ou os filmes noir dos anos 40 e 50, filmes-B de terror, um pouco do “cinema novo” brasileiro… até a política do Dogma 95 (achei um interessante artigo a respeito aqui), criada por um grupo de diretores dinamarqueses (os mais conhecidos desta corrente são Lars von Trier e Thomas Vinterberg). Pois eu já assisti a vários filmes interessantes frutos desta idéia, em que se preza menos os artifícios e mais a história e a naturalidade do que se está narrando. Pois agora assisti a Dogme XII ou Italiensk for Begyndere, um filme do diretor Lone Scherfig. Gostei dele, ainda que essa produção esteja “abaixo” de outras produzidas por essa corrente (como Festen ou Idiotern). Mas é um filme divertido e com boas atuações, que é o que importa.

A HISTÓRIA: Em uma pequena cidade da Dinamarca, várias histórias se cruzam. Começando pela chegada no local do padre Andreas (Anders W. Berthelsen), que está começando o ofício enquanto busca superar a recente morte de sua esposa. Enquanto o reverendo Wredmann (Bent Mejding) não deixa o local, Andreas se hospeda no hotel onde trabalha Jorgen Mortensen (Peter Gantzler), um grande admirador e amigo de Hal-Finn (Lars Kaalund), um ex-jogador de futebol que trabalha atualmente na lanchonete do estádio próximo. Jorgen e Hal-Finn frequentam classes de italiano. O curso chama a atenção de Olympia (Anette Stovelbaek), uma atendente de padaria que foi abandonada pela mãe e que vive com o pai doente (Jesper Christensen). Jorgen recebe a missão de demitir Hal-Finn, mas ao invés de fazer isso, ele recomenda que o amigo corte o cabelo. Desta maneira o ex-jogador conhece a Karen (Ann Eleonora Jorgensen), a cabelereira local que sofre com uma mãe enferma (Lene Tiemroth). Na lanchonete em que Hal-Finn trabalha, Jorgen conhece a italiana Giulia (Sara Indrio Jensen). Todos vão acabar se conhecendo e tendo as histórias interlaçadas.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que no texto à seguir conto partes importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Italiensk for Begyndere): Como se pode ter uma idéia lendo o resumo deste filme, ele trata de vidas comuns, histórias “ordinárias” mas que, por isso mesmo, são interessantes. Afinal, são as histórias comum que guardam algumas das lições mais bacanas da vida.

Em Italiensk for Begyndere, por exemplo, um dos temas mais fortes e presentes é o de “como recomeçar”, seja depois de se ter perdido nossa âncora com o mundo – como um pai, uma mãe (ou ambos) ou nosso(a) companheiro(a) -, seja ao deixar para trás uma função social que parecia nos “defenir” – como é o caso da mudança no trabalho de Jorgen ou da demissão de Hal-Finn. Pois, o que você faz quando algo assim acontece com você? Os personagens da nossa história acabam um pouco que se “agarrando” uns aos outros e, para surpresa deles mesmos, se sentem mais fortalecidos, mais protegidos, até descobrindo novas relações e amores. Gostei do filme por isso. É um bom questionamento esse da perda e o roteiro, de maneira simples e tranquila, desenvolve com naturalidade o que seria uma das respostas.

A verdade é que a vida está cheia de surpresas e que é sempre possível recomeçar. Basta a pessoa estar disposta a ser “desafiada” pelo novo, pelo desconhecido, e mergulhar… mesmo em experiências ruins se pode tirar ouro, ou quase.

As interpretações dos atores são bem bacanas, competentes. Todos tem o tom exato em seus papéis. Gostei da direção de Lone Scherfig. O diretor dinamarquês faz um trabalho muito bom.

NOTA: 8.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: O filme, do ano 2000, ganhou um impressionante número de 19 prêmios e ainda foi indicado para outros 20.

Nos Estados Unidos o filme até que foi bem… faturou em 2002 pouco mais de US$ 4,4 milhões. Na Alemanha o filme também conseguiu uma boa cifra: pouco mais de € 4,7 milhões. Na Espanha, onde estreou em 2003, faturou outros € 1 milhão. Para uma produção com baixo custo, não está nada mal.

Italiensk for Begyndere foi filmado na cidade de Hvidovre, na Dinamarca, e em Venice, na Itália.

O filme segue todos os preceitos do Dogma 95, entre eles o de não permitir a câmera sobre tripés (tudo é filmado com a câmera na mão ou sob o ombro do cinegrafista); o de utilizar apenas iluminação natural (sem os conhecidos “holofotes” de Hollywood e demais escolas “tradicionais”);

No site IMDb o filme contabiliza a nota 7,2, enquanto no Rotten Tomatoes ele registra 71 críticas positivas e 11 negativas.

CONCLUSÃO: Um filme leve, divertido, ainda que trate de temas difícieis, como a morte de pessoas queridas e a perda de emprego. Vale por fazer parte da filosofia Dogma 95 mais que pelo resultado final em si.

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