We Own the Night – Os Donos da Noite


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Volta e meia Hollywood apresenta algum filme sobre bandidos e mocinhos na noite de uma grande cidade dos Estados Unidos. E os bandidos esses normalmente são traficantes de drogas e os mocinhos, normalmente também, policiais ou detetives ou CIA/FBI e tal. Seguindo essa onda, We Own the Night parece um pouco “mais do mesmo”, ainda que o filme do diretor James Gray respeite o bom gosto visual e tenha bons atores no elenco. Fora isso, não há muita novidade no front.

A HISTÓRIA: O filme se passa no conhecido bairro do Brooklyn, na Nova York de 1988. Ali, Robert “Bobby” Green (Joaquin Phoenix) trabalha como o gerente de uma badalada boate. Ele é querido entre os principais clientes, tem uma namorada estonteante – Amada Juarez (Eva Mendes) – e é o preferido do dono do lugar, Marat Buzhayev (Moni Moshonov). O problema é que ele só tem tanto êxito em seu negócio como gerente de uma danceteria como essa – onde rolam drogas e, por baixo do pano, grandes negócios do tráfico liderados pelo sobrinho de Buzhayev, Vadim Nezhinski (Alex Veadov) – porque ninguém sabe de sua verdadeira história, ou seja, ninguém sabe que ele é filho do chefe da polícia Albert “Bert” Grusinsky (Robert Duvall) e irmão do recém-promovido capitão Joseph “Joe” Grusinsky (Mark Wahlberg). A atividade do irmão começa a afetar a Bobby quando, querendo mostrar trabalho, Joe lidera uma batida policial no clube em que Bobby é o responsável. Pouco depois, quando Joe sofre uma tentativa de assassinato, a dupla identidade de Bobby e a vida de cada integrante da família é posta em jogo.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que comento à seguir partes importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a We Own the Night): Lendo o resumo o filme até parece interessante. E, na verdade, ele até passa por entretenimento. Mas eu achei a história toda muito arrastada, culpa talvez do texto meio óbvio demais do roteirista e diretor James Gray. Aliás, ele demonstra com o filme ser melhor diretor que escritor… realmente achei muitos diálogos muito fracos e o filme um pouco arrastado. Ainda assim, claro, tem bons momentos de tensão, especialmente na sequencia final, da perseguição de Nezhinski e de Buzhayev.

Também achei o filme interessante por mostrar a realidade da polícia no final dos anos 80. Fora isso, para ser franca, a história não conta nada de novo. Tem o tradicional “embate” entre irmãos – um querendo fazer tudo o que o pai manda e o outro sendo sempre o rebelde que “faz tudo conforme lhe dá na veneta” -, a relação pai e filhos, a busca por vingança, etc. Ou seja: nada de novo no reino de Abrolhos. Como falei em uma crítica anterior, de Trade, em que “sobrava” a história do gatinho, aqui vejo como totalmente desnecessária a “ajoelhada” de Buzhayev. Desnecessária e absurda, convenhamos.

NOTA: 6,5.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Para não dizer que tudo no filme é fraco, Joaquin Phoenix está bem no papel de Bobby. Enquanto isso, achei Mark Wahlberg e o “monstro-sagrado” Robert Duvall apenas medianos. Eva Mendes faz o que sabe melhor: mostrar o corpo – o que deve agradar os marmanjos de plantão. E, nada mais.

No site IMDb o filme apresenta a nota 7,4, enquanto no Rotten Tomatoes ele registra 59 críticas positivas e 49 negativas.

Para mim, um dos pontos positivos do filme é o seu cartaz. Gostei do trabalho em preto e branco sobre os dois irmãos.

We Own the Night teria custado aproximadamente US$ 21 milhões – provavelmente um bocado desse dinheiro foi gasto na cena de perseguição de carros. Na bilheteria dos Estados Unidos, em três semanas, o filme faturou US$ 27,6 milhões. Nada mal! Conseguiu se pagar em apenas três semanas.

No Brasil o filme estreou no dia 15 de novembro – foi o sexto país a estrear We Own the Night, saindo na frente de 16 outros países, incluindo França, Inglaterra, Holanda, Alemanha e Espanha, onde ele vai estrear muito depois.

O filme tem pelo menos um grave erro de continuidade: na cena em que os irmãos Bobby e Joe estão frente aos chefes da polícia e em que Joe está meio “abalado” ainda, meio “perdido”, a câmera mostra Mark Wahlberg em pé e, no take seguinte, já sentado… erro de continuidade total.

PALPITE PARA O OSCAR: Não acho que We Own the Night concorra a nenhuma categoria principal. Talvez, se tiver sorte, pode chegar a concorrer em categorias técnicas, como efeitos sonoros, direção de fotografia, efeitos especiais ou algo do tipo. Não acho que ganhe nada.

CONCLUSÃO: Filme sobre o combate ao tráfico de drogas em Nova York no final dos anos 80 tendo uma família dividida entre policiais e um “dono da noite” no foco principal. Pode ser visto por curiosidade, mas não traz nenhum elemento novo que qualquer outro filme do gênero já não tenha mostrado – e, possivelmente, melhor.

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14 comentários em “We Own the Night – Os Donos da Noite

  1. Não sei como vim parar aqui, estava procurando alguma coisa sobre cinema. Gostei muito do que você escreveu sobre XXY, ainda vou ver o filme durante a semana,. Ainda quero ler sobre os demais filmes.

    Camila

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  2. Oi Camila!

    Não importa como você chegou aqui… o importante é que você chegou! hehehehee

    Seja muito bem-vinda. E que bom que curtisse o comentário do XXY. Depois de ver o filme, me diz se tu continua gostando dele ou se passaste a discordar completamente do que eu escrevi. hehehehehe

    Também comente dos outros filmes… os que viu, os que queres ver. E obrigada pela visita. Um abraço!

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  3. Agora já assisti. Ao contrário de você, eu li muito sobre esse filme antes de ver e não esperei estrear no cinema, talvez isso tenha tirado um pouco a surpresa, mas gostei muito. Concordo com tudo que você escreveu!
    Também adorei “Italianos Para Principiantes”.
    Camila

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  4. Olá Igor!

    Nossa, mil desculpas pela demora em responder. O problema é que, como você publicou dia 15 de dezembro, eu também estou de férias… hehehehehe. E o monte de coisas que uma pessoa tem que fazer quando sai do país em que está para vir visitar família e passar as férias no Brasil… não tem fim. Por isso acabei ficando sem atualizar o blog e responder os recados todo esse tempo. Desculpa.

    Igor, obrigadíssimo pela visita e, mais, muito obrigada por ter indicado o meu blog no seu blog. Muito legal! Quando voltar das férias, vou te visitar com tempo e ler o que publicaste até agora. Tenho também que indicar blogs no meu blog… depois que ver o seu, com tempo, vejo se o coloco por aqui também. Mas obrigada pela confiança e pela indicação. Espero que continues me visitando por aqui e, mais que isso, comentando por aqui também. Um grande abraço!

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  5. Oi Camila!

    Que bom que você voltou para comentar!

    Quer dizer que tu lê muito sobre os filmes antes de assistí-los? Ou isso ocorreu só com esse We Own the Night? Eu também lia bastante antes, mas lá pelas tantas eu descobri que se leio muito, acaba estragando umas surpresas da história… sei lá, comigo pelo menos funciona melhor se não leio muito a respeito antes e, assim, não sou influenciada para achar isso ou aquilo. Mas sei que tem muitos que lêem bastante antes e não se influenciam a ponto de estragar as surpresas das histórias. Espero que tenhas esta sorte. hehehehehehe

    Bacana que você concorda com o que eu escreveu… se bem que eu até gosto mais quando alguém discorda. hehehehehe. Brincadeira. Gosto de todos os comentários, de todas as críticas, seja concordando ou discordando. Bacana também que tu gostou de Italiano para Principiantes. É um filme divertido, sem dúvida. Já assistiu a Short Cuts, do Robert Altman? É um dos primeiros grandes filmes sobre um mosaico de histórias que tenho lembrança… gostei muito, e recomendo.

    Um grande abraço, Camila, e volte sempre!

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  6. Ola Alessandra, como sempre ótimos comentários!!!! Achei um filme mediano. Óbvio demais!

    Só queria deixar uma coisa aqui, li em outro blog que “We own the Night” foi um lema adotado pelos policias de NY nesta época em que a polícia enfrentava uma crise. Sem quere corrigi-la. ok??
    Também fiquei me perguntando o porque da “ajoelhada” de Buzhayev!!

    Abração!

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  7. Olá Rogério!

    Obrigada por mais esta visita e por teu comentário. E obrigada pelo elogio. hehehehehe

    Realmente, o filme é beeeeeeeeeem fraquinho. Dispensável, eu diria.

    Tens razão sobre o nome do filme… era o lema que a polícia usava na época. Mas sei lá, isso não torna o título ou o filme melhor, né? Ok que eles viviam uma crise – a polícia, eu digo. Ok que eles tinham que mostrar trabalho e que era uma luta meio desigual entre os bandidos com grande capital a seu dispor e os policiais com menos recursos… mas ainda assim o filme é xarope, óbvio, repete idéias já tratadas em outras histórias de forma mais interessante e tal.

    A tal joelhada, realmente, dispensável. Mas enfim… o que é uma joelhada para um filme todo xaropinho? hehehehehhehe

    Um grande abraço e volte sempre!

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  8. você foi bastante generoso em sua nota para “Os Donos da Noite”. Esse é o típico filme em que se imaginou a realização de uma obra notável, e, ao final, o que se viu foi um filme absolutamente esquecível. Mesmo os atores, de primeira linha, parece que logo perceberam que não estavam participando de nenhuma obra de arte (muito pelo contrário) e nem se esforçaram muito em seus papéis. E nem precisavam mesmo, já que se tratava de personagens desinteressantes, superficiais, inseridos numa trama sonífera, batida e inverossímel. Dá-se a impressão de que, durante as filmagens, a produção do filme, vendo que dali não sairia nada de relevante mesmo, resolve acabar logo com a tortura. De repente, o conflito entre irmãos (mote principal da história) se esvai e Joaquin Phoenix torna-se policial (não precisou nem fazer academia!!!), sua namorada providencialmente “some” da trama (aparece no finalzinho de novo – constrangedor) e dá cabo dos bandidos malvados, inclusive executando, sem maiores problemas, o tão terrível traficante russo, a la Capitão Nascimento. Pura perda de tempo. Nota 2,5, e tá bem pago

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  9. Olá Marcelo!

    hahahahahhahahhahaha

    Gostei do teu comentário. Crítico e ácido no tom exato. Sim, realmente We Own the Night poderia ser bem melhor do que acabou sendo… se perdeu no caminho totalmente. Concordo também que fui generosa com a nota… hoje acho que daria um 4. Menos não porque, afinal, a direção de fotografia e alguns outros quesitos técnicos merecem uma “menção honrosa”, vai. E onde o filme mais erra mesmo, na minha opinião, é no roteiro… mas enfim… teu 2,5 está super registrado!!

    Obrigadíssimo por tua visita e pelo teu comentário. Espero que voltes mais vezes, inclusive para comentar sobre outros filmes. Um abraço!

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  10. Ola belo blog esse seu…
    Só pude ver esse filme agora e gostei muito do filme!!

    E acho que a resposta para a “joelhada” final de Buzhayev está em outro ótimo filme que fala da máfia russa e se não me engano tem uma referencia ao fato de extrema humilhação ao ficar de joelhos diante de alguém!

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  11. Oi “alguem”!

    Obrigada pelo teu comentário.

    Pois então… ok que a cena de ficar de joelhos pode até significar essa forma mais contundente de humilhar alguém, mas ainda assim… achei que o filme acabou ficando aquém do que poderia ser. Mas enfim… que bom que vc gostou. Pelo menos foi alguém que saiu dos cinemas feliz. 😉

    Espero que voltes por aqui mais vezes. Um abraço!

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  12. Olá.
    Acredito que muitos subestimaram esse filme, que goza de uma rigorosidade técnica muito grande e de uma história muito bacana. Os clichês, na minha opinião, não emprobrecem o filme, pois fazem parte das histórias. O que importa é saber usá-los bem. E o diretor consegue isso.

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  13. Olá Gabriel!!

    Concordo que o filme tem estilo e que ele é muito bem feito, tecnicamente falando. Ainda assim, a história fraquinha fez ele perder pontos comigo. Não me empolgou como poderia. Uma pena.

    Mas obrigada por tua visita e comentário. Curti. E espero que voltes por aqui mais vezes. Abraços!

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