Chapter 27 – Capítulo 27


Quando ouvi falar de um filme que contava a história do assassino de John Lennon ou, melhor dizendo, de um filme que contava os três dias que antecederam o assassinato do artista através da ótica do criminoso, Mark David Chapman, fiquei curiosa. Não porque me interesse pela história de assassinatos, mas porque daí poderia sair algo interessante. Alguns filmes anteriores, como os interessantes Assassinos por Natureza e Helter Skelter, entre outros, já tentavam fazer uma “radiografia” da mente de psicopatas e/ou de pessoas desequilibradas que acabem chocando a sociedade por praticar atos insanos. Achei que Chapter 27 tinha elementos interessantes – entre eles o próprio título, que faz uma alusão ao livro O Apanhador no Campo de Centeio, citado por Chapman após o crime – e por ter no elenco Jared Leto, ator de um dos meus filmes preferidos, Requiem for a Dream (Requiém para um Sonho). O problema é que o filme tem muita “pretensão” e pouca qualidade. Achei ruim, chato, arrastado e com algumas das piores interpretações que eu vi no cinema nos últimos tempos.

A HISTÓRIA: Entramos na cabeça de Mark David Chapman (Jared Leto), o homem que matou o ex-Beatle John Lennon no dia 8 de dezembro de 1980. O filme conta os passos do assassino desde a sua chegada em Nova York vindo do Havaí, onde vivia, até a noite em que consegue atirar em seu ex-ídolo. Nos três dias em que se passa a história acompanhamos a trajetória e os pensamentos repetitivos de Chapman, assim como a sua estratégia em se aproximar dos seguranças do edifício Dakota, em frente ao Central Park, onde John Lennon (Mark Lindsay Chapman) vivia com Yoko Ono (Mariko Takai). Esperando que o ex-Beatle aparecesse, ele se fez passar por um fã do cantor e compositor, conhecendo, entre outras pessoas, a Jude (Lindsay Lohan), uma fã conhecida do artista.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER: aviso aos navegantes que parte do texto à seguir conta trechos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Chapter 27): No fundo o filme conta a história deprimente deste cidadão desequilibrado e sem nenhum aparente atrativo em sua vida chamado
Mark David Chapman. Durante os 84 minutos da produção assistimos aos pensamentos repetitivos desta figura deprimente, assim como a sua estratégia em “monitorar” a casa de Lennon para conseguir um autógrafo e, também, matá-lo.

O único elemento interessante do filme talvez seja justamente essa permanente “luta” interna de Chapman em gostar e odiar a figura de Lennon. Antes de matá-lo, Chapman se considerava um grande fã de sua música e dos Beatles. Mas depois que Lennon deixou a banda, ele se sentiu “traído” ou, como ele tenta definir em seus pensamentos descompassados – e registrados em várias entrevistas -, viu no ex-Beatle a encarnação de uma falsidade humana que ele julgava como a maior verdade dos tempos modernos.

O filme me cansou. Especialmente porque achei a direção de J.P. Schaefer óbvia demais, quase “naturalista”, sem maiores preocupações do que deixar a câmera prostrada “olhando” ao protagonista. Se em outros filme eu acho que isso funciona, como em 4 Luni, 3 Saptamâni si 2 Zile (4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias), aqui eu não vejo com os mesmos olhos. Se no filme de Cristian Mungiu ele escolhe um ângulo interessante para contar a história da maneira mais “realista” e “indiferente” possível, nos fazendo refletir em como a sociedade olha para a questão discutida no filme, aqui a câmera de Schaefer parece não ter pretensão alguma. Por outro lado, o seu roteiro sim.

O diretor escreve a história inspirado no livro de Jack Jones mas, ainda assim, parece querer inovar “na narrativa”, querendo entrar na mente do assassino. O problema que essa mente não tem muito a nos contar além de uma obsessão por Lennon e pelo livro de J.D. Salinger e seu personagem Holden Caulfield. Na verdade, como o filme conta, o assassino de Lennon acredita que o livro conta a sua história e que ele próprio é Caulfield. Enfim, uma mente insana.

Como comentei antes, achei as interpretações do filme algumas das piores dos últimos tempos. Jared Leto, que me surpreendeu em Requiem, aqui fez o esforço de mudar radicalmente de aparência – engordando muito para “encarnar” melhor o personagem – e apenas isso. A atuação dele não convence. Acho a qualquer momento que ele vai começar a rir do que está fazendo. Parece quase um comediante. O problema é que o filme não é uma comédia. Achei sua interpretação muito falsa e algumas vezes deslocada. Parece que nem ele se sente dentro do papel. E o que dizer de Lindsay Lohan? Nossa, se falaram mal dela por I Know Who Killed Me, penso o que os seus detratores vão achar desta sua interpretação… eu achei péssima. Igualmente falsa e “deslocada”. Enfim, um filme que desperdiça o tempo de quem quiser…

O mais engraçado de tudo é que tenho lido que o filme virou “cult”, ou seja, que está sendo cultuado pelos intelectuais e pelas pessoas de bom gosto mundo afora. Realmente, parece que então eu não tenho bom gosto, porque odiei. E que me chamem de insensível, tapada, ou o que for, mas não mudo minha opinião porque ele parece estar “na moda”. A única coisa positiva do filme é que ele é curto – o que, infelizmente, não faz ele passar rápido. hehehehehehhee

NOTA: 3.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: No site IMDb o filme registra a nota 5,7, conferida pelos internautas que estão registrados, enquanto no Rotten Tomatoes ele contabiliza 30 críticas negativas e oito positivas de jornalistas que têm seus textos ali publicados.

Para quem não sabe, o livro de J.D. Salinger tem 26 capítulos. O nome de “Capítulo 27” para o filme faz referência ao pensamento de Chapman de que o assassinato de John Lennon seria o capítulo que faltava para o livro – que, como comentei antes, ele acreditava ser a sua história.
Chapter 27 marca a estréia na direção do alemão J.P. Schaefer.

Recentemente outro filme foi lançado sobre o mesmo tema: The Killing of John Lennon, dirigido por Andrew Piddington. Talvez seja melhor que esse Chapter 27 – para conferir depois, se eu ainda tiver estômago para ver outra versão de uma história tão chata e sem significado como é a desse assassino de John Lennon.

CONCLUSÃO: Filme sobre o assassino de John Lennon, Mark David Chapman, que é uma verdadeira chatice. Tem algumas das piores interpretações dos últimos tempos e uma direção que achei preguiçosa. Arrastado, lento, cansa na “profundizada” sobre a vida desequilibrada e sem interesse desse homem que se tornou conhecido por matar um ídolo mundial. Não recomendo, ainda que o filme esteja se tornando “cult”.

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12 comentários em “Chapter 27 – Capítulo 27

  1. Oi Ale, tudo bem?

    – Não vi o filme, mas aproveito para deixar um comentário aqui tmb., pois não sei se o outro comentário chegou… (aqui não apareceu…) –

    Não respondeu meu e-mail que te mandei a uma semana… Espero não ter sido chato ou redundante em demasiado… Ainda posso contar contigo, não?! 🙂

    Abraços,
    Eduardo Louzada

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  2. Oi Eduardo!

    Tudo certo.

    Recebi sem o seu e-mail… mas adivinha? Não tive absolutamente tempo para responder.

    Estou realmente com o tempo hiper curto. O que tenho de tempo fora do trabalho estou dedicando a meu doutorado… e o restante as segundas e terceiras prioridades, que são este blog e uma contribuição para outro site. E pronto. Não consigo nem manter meus mails em dia. Mas prometo que quando der, te respondo.

    Um abraço!

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  3. Oi Heike!

    Imagino que você esteja perguntando de quem é a trilha sonora do filme, certo? Bem, a trilha é assinada pelo californiano Anthony Marinelli. Ele é experiente no ramo, trabalha com trilhas sonoras desde 1986.

    E obrigada por tua visita, Heike. Espero que você apareça por aqui muitas vezes ainda… e para falar dos filmes que você gostou ou deixou de gostar também. 🙂

    Um abraço!

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  4. Olá!
    Estou respondendo um tópico antigo, o que significa que não está mais em pauta (talvez…).
    Gostei bastante da crítica, muito lúcida, realmente, o filme poderia se transformar em um documentário se o próprio Chapman se interpretasse pois não havia nada artistico no filme, mas não concordo que a atuação de Jared Leto foi ridícula (você não disse esta palavra, mas foi assim que interpretei). O fato é que realmente foi bizarro ver Jared Leto em um personagem tão esquisito, nos primeiros minutos do filme também tive esta mesma impressão de que a atuação estava muito irreal, porém, depois que meus olhos se acostumaram com aquele disforme ser… achei inclusive que Jared Leto fosse o próprio Chapman!

    Gostei do blog, vou sempre passar por aqui.

    Abraços

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  5. Oi Priscila!!

    Desculpe demorar tanto em responder, mas andei meio “enrolada” com uma mudança, tratamento médico do meu pai e, agora, essa tragédia que aconteceu na minha cidade, Blumenau. Mas estamos bem e, finalmente, volto a atualizar o blog.

    Obrigada pelo teu comentário, especialmente por dizer que a crítica é “muito lúcida”. Agora mesmo é importante ouvir esse tipo de frase. 🙂
    Primeiro, queria comentar que neste blog não existe isso de algum filme, texto ou comentário não estar mais em pauta… tudo está em pauta ao mesmo tempo agora. hehehehehehehe. Então sinta-se à vontade para falar de textos recentemente publicados no blog da mesma forma que para comentar os primeiros, de mais de um ano atrás, ok?

    E eu não diria que a interpretação de Jared Leto foi ridícula, diria que foi apenas superficial e nada convincente. Realmente, volto a dizer, achei que nem o ator se sentia no papel, que nem ele se convenceu das frases do roteiro que ele tinha que interpretar. Não sei exatamente onde foi o problema – se no roteiro ruim ou em falta de inspiração dos atores -, mas realmente as atuações em geral achei muito, muito fracas. Concordo que inicialmente choca a aparência do ator, mas ela logo passa ser “filtrada” pelas nossas retinas a ponto de que não vira um problema.

    Mas, Priscila, essa é apenas a minha impressão do que eu vi. Claro que você pode discordar dessa minha opinião completamente! Por aqui eu prezo pela diversidade de opiniões. 😉

    Muito obrigada por tua visita e, principalmente, por teu comentário. Espero que você apareça por aqui muitas vezes ainda.

    Um abraço!

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  6. Concordo em número, gênero e grau com sua crítica. Ao terminar o filme, não acreditei que tinha acabado de ver algo tão ruim, e logo com Jared Leto (e olha que ele é um dos produtores). Senti-me aliviado que não foi apenas eu que achei o filme tão ruím, mas que mesmo assim é considerado “cult”. parabéns pela forma de escrever e se expressar. um abraço. Sou louco por cinema e gostei muito desse espaço.

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    1. Oi Marcello!

      Pois é, infelizmente este é um filme decepcionante.
      Especialmente porque ele poderia ser tão, mas tão melhor… pena que ele entrou no grupo de filmes com boas histórias desperdiçadas.

      Nem todo filme “cult” é bom, não é mesmo? Há verdadeiros lixos que viraram objeto de culto. Vai entender… deve ser o gosto estranho – e interessante também – das pessoas. hehehehe

      Fico feliz que tenhas gostado do texto e também do blog.
      Muito obrigada pela tua visita e pelo teu comentário tão incentivador. Espero que voltes outras vezes por aqui, inclusive para falar de outros filmes.

      Abraços e inté!

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  7. NOSSA QUE BACANA QUANDO ELE ACABOU…CANSATVO ARRASTADO POBRE,…MUITO CHATO QUE PENA PQ PODERIA TER RENDIDO MUITO PANO PRA MANGA POIS AMENTE DOENTIA TEM MUITO A SE EXPLORAR..OLHA AQUELE ATOR COMO JOHN LENNON NADA A VVER COM CABELO CURTO…OLHE AS FOTOS DELE NO DIA,,PERDI TEMPO MAIS TIVE QUE ASSISTIR POR OBRIGAÇÃO CULTURAL

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    1. Olá LEANDRO!

      Antes de mais nada, obrigada pela tua visita e pelo teu comentário.

      De fato, filme beeeeeem ruinzinho, não é mesmo? Concordo contigo sobre a avaliação negativa, assim como pela lástima pelo fato de que a história poderia ter rendido algo muito, mas muito melhor.

      As caracterizações ruins são apenas parte do problema. Infelizmente.

      Obrigada, mais uma vez, por teu comentário, e volte mais vezes por aqui.

      Abraços e inté!

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  8. Pois eu achei esse filme bem legal. Pra mim o caráter mesquinho, desinteressante e vagaroso da película foi proposital. Não havia nada demais na sobrevida do cara que matou o Lennon, seria controverso o diretor torná-la um épico, um thriller ou….. sei lá….. qualquer coisa que chamasse alguma atenção. O filme é pobre de espírito, assim como seu biografado: um cara medíocre, que se baseou em duas referências da cultura do século XX ( O Apanhador no Campo de Centeio e John Lennon) para ser notado de alguma maneira. Uma ideia ridícula ( que culminou na sua prisão perpétua ) transferida para um filme também ridículo, ou seja: extraordinário!!! Vejo o nojo e o asco desse filme como absorvi a “vergonha” do Shame e a depressão de Melancholia. Algo como uma quebra da quarta parede ao contrário, partindo dos “meus” próprios sentidos e das minhas próprias concepções como ser pensante. Abraços….

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  9. Boa noite.

    Assisti a Chapter 27 hoje de manhã e o máximo que posso transmitir agora á guisa de comentário é a profunda tristeza que ele me causou. Talvez pelo tempo chuvoso do momento; manhã preguiçosa e o tema baseado num acontecimento lamentável.
    Não obstante, gostei do filme. Mexeu comigo, me fez quase beirar a algo como que uma espécie distante de empatia por Mark Chapman. O filme o mostra como um paranóico patético, desinteressante; CHATO, acima de tudo, e sem a certeza de que foi fidedigno ao perfil real do assassino do querido Lennon, achei bastante plausível. E Jared Leto o encarnou muito bem, posto esses atributos do personagem. Gostei muito de sua atuação, a começar pela impressionante transformação física do ator. No mais, tudo é meio que lamentável mesmo, a história toda em si. O filme me passou exatamente o que eu já imaginava: tristeza e lamento. Não dá pra esperar muito mesmo de algo mais tanto da direção quanto dos atores e personagens em se tratando de um filme que parte de uma premissa desse tipo. Também, convenhamos: a história gira em torno de um babaca paranóico, solitário e fodido – e seu mundo interior – (Chapman); uma fan mais ou menos desocupada que passa o dia esperando seu ídolo; um contingente aleatório de seguranças entediados e uma espécie de ‘paparazi’ que ganha a vida… como paparazi! Isso é algo que nos força a pensar que devemos fazer algo de importante em nossas vidas, sobretudo numa solitária manhã chuvosa. Mas INSISTO: gostei do filme pacas!

    Grande abraço a todos.

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