Nick and Norah’s Infinite Playlist – Uma Noite de Amor e Música


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Para dar uma contrabalanceada na sequência de filmes de terror e suspense recentes, resolvi assistir a esta que parecia “mais uma comédia romântica com/para adolescentes”. Mas Nick & Norah’s Infinite Playlist, ainda que não seja algo totalmente novo, se revela um bocado diferente do lugar mais comum que se poderia prever deste gênero. Ainda que as cenas iniciais lembrem Juno – me refiro àquelas que mostram a típica casinha de subúrbio nos Estados Unidos -, o único elo de ligação entre os filmes é a vontade dos seus roteiristas em mostrar o lado mais escrachado dos adolescentes. No mais, Nick & Norah’s é um filme muito mais leve e rockeiro que Juno, e menos ousado também. Um romancezinho bacana, com um casal de protagonistas bastante carismático e uns amigos gays do “herói” do filme bacanas, descolados e divertidos.

A HISTÓRIA: Nick (Michael Cera) liga pela enésima vez para a ex-namorada Tris (Alexis Dziena) chorando suas pitangas e querendo conversar. Ao mesmo tempo, ele grava mais um CD da série “você-quebrou-meu-coração-mas-eu-continuo-te-amando”. A sequencia melodramática juvenil é quebrada pela chegada dos amigos gays de Nick, os divertidos e rockeiros Thom (Aaron Yoo) e Dev (Rafi Gavron), que insistem com Nick para que eles toquem naquela noite, mesmo sem um baterista em sua banda. No colégio, Tris tira sarro do ex-namorado com a amiga Caroline (Ari Graynor) que, estupefata, vê sua outra amiga, Norah (Kat Dennings) capturando no lixo o último CD gravado por Nick que acabou de ser jogado fora. Em busca da idolatrada banda Where’s Fluffy, estes e outros personagens desta história aloprada, juvenil e rock’n roll vão se encontrar na noite de Nova York.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que algumas partes do texto à seguir contam momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Nick & Norah’s Infinite Playlist): Parece algo óbvio de se comentar, mas a trilha sonora de Nick & Norah’s é o ponto alto do filme. Como bem definiu um leitor do site IMDb, esta produção é uma gostosa aventura noturna pelo cenário musical de Nova York. No “playlist” dos jovens protagonistas, encontramos desde Devendra Banhart (mais conhecido por ter namorado a atriz Natalie Portman), até Shout Out Louds, Bishop Allen, The Dead 60s, Vampire Weekend, até The Submarines, Hot Chocolate, The Pinker Tones e We Are Scientists. A lista é bem grande, na verdade – e pode ser vista inteira aqui -, e tem um pouco de tudo, incluindo Spice Girls. Mas a essência, tenham certeza, é rockeira.

Então, retomando a definição citada anteriormente, o filme é nada mais, nada menos, que uma aventura pelo cenário rockeiro nova-iorquino como pano-de-fundo e, em primeiro plano, o encontro (e desencontros) dos jovens um tanto desiludidos amorosamente Nick e Norah. Os atores que interpretam o inusitado casal são conhecidos do público jovem – especialmente Michael Cera, astro de Juno e Superbad, só para citar seus dois maiores êxitos. E mesmo Kat Dennings, que não é tão famosa quanto o seu par romântico no filme, talvez seja conhecida por muita gente por seu papel bacana no recentemente comentado por aqui Charlie Bartlett. Os dois atores, jovens e talentosos são, mais que nada, carismáticos. Basta sorrirem e pronto, o espectador está ganho.

Mas além de ser um filme sobre o cenário rockeiro e sobre a paixão repentina de dois jovens que se encontram em uma noite movida a música, Nick & Norah’s Infinite Playlist é uma divertida comédia sobre os excessos que os jovens – ou nem tão jovens assim – fazem às vezes em suas “baladas”. A personagem de Caroline rende algumas cenas absurdamente hilárias sobre a “falta de noção” de gente que bebe além da conta – e que, normalmente, precisa de alguém sóbrio por perto para cuidar dessa pessoa. Não vou estragar a surpresa, mas uma sequência em um banheiro feminino deve render momentos de puro nojo em alguns. 😉

Mas que atire a primeira pedra quem nunca passou mal depois de uma noite de “exageros”. Mas a falta de controle, no filme, não é apenas etílica. (SPOILER – não leia se você ainda não assistiu ao filme). Afinal, Tris é o protótipo da mulher que quer ter e controlar tudo. Não aceita que o ex-namorado, que até aquela manhã continuava correndo atrás dela e levando foras, possa se interessar justo pela garota que ela despreza (provavelmente por despeito). Da mesma forma, Tal (Jay Baruchel) também se excede na ânsia por sucesso ao se relacionar com Norah por interesse, tentando promover a sua banda as custas da filha de um importante dono de estúdio.

A galera se excede, mas todos saem vivos e bem no final desta história – ainda que, em certo momento, a roteirista Lorene Scafaria nos pregue uma boa peça. Nesta parte do filme, certamente, todos pensaram “Não acredito que eles vão cair nos mesmos velhos erros de sempre”. Bem, por pouco. Mas Scafaria, baseada no livro de Rachel Cohn e David Levithan, nos comprova que uma única noite – ou um dia, em outras situações – pode ser suficiente para se livrar de velhas amarras e para se lançar em um caminho de pura esperança e excitação.

NOTA: 8.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: A nota acima, antes que alguém me pergunte, se deve muito a levada bacana, ritmada e descompromissada do filme. A história é bacaninha, divertida, com uma trilha sonora muito boa e atores simpáticos e competentes. Não chega a ter nenhuma grande sacada – por isso fica abaixo de Juno, por exemplo -, mas é divertido.

Uma sacada divertida do filme é o encontro de Dev com o “Beefy Guy” (Jonathan B. Wright). Os dois se encontram no bar depois do show da banda de Dev, Thom e Nick e o rapaz “inominado” acaba se jogando na noite junto com os demais, no furgão aloprado dos amigos gays. Típica brincadeira com os encontros furtivos – e interessantes – que os gays tem em uma noite qualquer, em que o interesse e a atração contam mais que as “amarras sociais”. Só senti falta deles darem algum amasso em algum momento no filme – ausência essa que deixa ainda mais claro o caráter “certinho” do filme, indicado para os ortodoxos estadunidenses. Mas uma frase ótima, logo no início da história, é dita por Nick… ao responder para os amigos porque não queria sair de casa, depois de levar repetidos foras da ex, ele diz que eles não sabem o quanto é horrível ser heterossexual. Hahhahahahahahhahaha. Genial. E uma frase bastante certeira, em muitíssimos casos (afinal, me desculpem os heteros, mas alguns dos homens mais interessantes que eu já conheci na vida são gays).

A trilha sonora bem bacana do filme é assinada por Mark Mothersbaugh. A direção de fotografia, competente e que capta as nuances de parte da noite de Nova York, é de Tom Richmond. A direção, bem equilibrada e envolvente, destacando sempre as interpretações dos atores e o cenário da cidade nas cenas externas, do nova-iorquino Peter Sollet.

O usuários do site IMDb conferiram a nota 6,9 para o filme, enquanto que os críticos que tem textos publicados no Rotten Tomatoes dedicaram 116 textos positivos e 45 negativos para a produção – o que lhe garantiu uma aprovação de 72%. Me surpreendeu um pouco o fato dos críticos gostarem mais de Nick & Norah’s do que o público, já que o filme me pareceu o típico caso em que a história agradaria mais a grande audiência.

O diretor, Peter Sollet, havia dirigido anteriormente apenas dois curtas-metragens e um longa, este último intitulado Raising Victor Vargas, um drama de 2002. Atualmente ele está envolvido com a série State of Romance.

Até agora o filme foi indicado a nove prêmios, mas não ganhou nenhum.

Nas bilheterias ele foi muito bem, obrigado. Para uma produção que teria custado aproximadamente US$ 9 milhões, ele faturou, apenas nos Estados Unidos, quase US$ 31,5 milhões, o que lhe torna um sucesso de bilheteria, sem dúvida. 

Apenas um rápido comentário: ainda que eu ache ele muito simpático, mas acho que Michael Cera sempre fará este personagem de “nerd-que-procura-se-dar-bem-com-as-mulheres-(e-o-consegue)”, não é mesmo? Parece até a mesma sina do Jack Black, que sempre interpreta desmiolados ou loucos-exagerados. 😉

CONCLUSÃO: Uma comédia juvenil que tem como foco principal a redescoberta do amor por dois adolescentes recentemente desiludidos em suas relações. História essa praticamente toda narrada por uma trilha sonora de rock da parte underground de Nova York – no melhor estilo “a-trilha-sonora-de-nossas-vidas”. Para as pessoas que curtem rock e a noite (e não se importam de reviver momentos da adolescência), é uma perdida certeira para umas boas risadas. Sem nenhum grande achado ou questionamento, contudo, deve ser visto dentro da “tradição” de filmes sobre adolescentes, ainda que inclua no seu repertório personagens não muito comuns – como amigos gays e um grupo de figuras alternativas que aparecem de forma secundária. Divertido, com bom ritmo e algumas cenas absurdas (e nojentas), não deve ser levado a sério – ainda que valha a pena por seus atores principais (leia-se os protagonistas e os seus amigos gays).

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9 comentários em “Nick and Norah’s Infinite Playlist – Uma Noite de Amor e Música

  1. Oi Ale, me afastei por um tempo da internet… rs fiquei de férias e agora estou voltando pro acesso. xD
    o que aconteceu com o publico desse site que não posta mais nada. brincadeira.

    Ja anotei o nomes de todos esses últimos filme que você postou e vou logo procurar pra ver. Ae então posso ler as suas criticas!
    xD

    Seu site continua de Parabéns.
    Abraço

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  2. Oi Enzo!!

    Estavas bem sumidinho mesmo… E nada melhor que umas férias, não é mesmo? Espero que tenhas aproveitado muuuuuuuuuito! 😉

    Olha, o povo até tem comentado bastante… outro dia mesmo, tive que gastar umas horas para colocar em dia as respostas para os recados – admito que deixei acumular o trabalho, culpa minha (e problemas no acesso à internet também).

    Agora, uma dica: anota os nomes dos filmes bons… porque nem todos são bacanas, viu? Assisti umas produções meio ruinzinhas… podes perceber isto pelas notas para os filmes.

    Obrigada, mais uma vez, pela visita e pelo apoio. Um abração!!

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  3. Primeiro eu gpstaria de dizer que depois do omelete tu tem umas das criticas mais contundentes que eu já li. Tu leva em conta todos os aspectos do filme, explica o pq de cada coisa.

    Gostei d Nick And Norah mas achei q ficou faltando alguma coisa..sei lá.

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  4. Ale, que sumida, nao?
    Mas acredito que na ultima vez que estive aqui te contei que estou em um periodo de muitos estudos. Bom, lembro que tinha me perguntado o que era e fiquei de responder, certo? Bom, estou tentando entrar na faculdade de medicina, e como essas mudancas loucas que o governo brasileiro apronta nos deixam sem norte, e preciso estudar cada vez mais. Mas enfim, nao consigo deixar de ver os filminhos que vc sempre coloca por aqui.
    O ultimo que assisti, alias, que acabei de assistir, foi “Nick and Norah…”. Gostei muito, e sei que isso se deve ao fato do carisma dos protagonistas, da trilha sonora, do pano de fundo (NY, maravilhosa como sempre) e pelo fato de eu estar numa fase de filmes alegres, divertidos e que nos fazem sentir mais leves. O anterior a esse foi “Marley and me”.
    E engraçado, concordo com aquilo que vc disse no final, o Cera parece moldado a esse tipo de papel, o do nerd carinhoso, educado e que sempre se da bem no final.
    Arrivederci!

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  5. Amei nick e norah o filme é muito bom e engraçado a cena do mendigo…hilária!!!! tem a personagem Carolyne simplesmente perfeita… os atores são ótimos eu gostei do Dev(Rafi Gravon) acho que a maioria das meninas devem ter gostado…

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  6. Oi Anderson!!

    Puxa, muito obrigada! Estar logo atrás do Omelete é um grande privilégio, não é mesmo? Afinal, eu sou uma reles blogueira e eles são um site com bastante história, acervo e uma equipe comprometida e competente. Obrigada mesmo por teu comentário.

    Aliás, seja muito bem-vindo por aqui! Espero que esta tua visita se repita várias vezes ainda, inclusive para falar de outros filmes. Sugiro que gastes um tempo com o blog, acessando os recursos de vídeos, fotos, quem sabe até acompanhando as besteiras que eu falo no Twitter… 😉

    Então, Nick and Norah’s é um filme bacaninha, mas não pode ser encarado como algo do outro mundo. Talvez se muita gente ao teu redor falou bastante bem dele antes de o teres assistido, isso tenha afetado tua impressão da história – afinal, as expectativas positivas sempre atrapalham. Ou não… talvez apenas achaste ele “fraquinho” – o que, comparado a outros filmes, ele até pode ser considerado.

    Um grande abraço, Anderson, e inté!

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  7. Oi Caio!!!

    Que sumida? A sua ou a minha? hehehehehehehe. Eu também, volta e meia, dou uma sumida. Uma hora por uma razão, outra hora, por outras… enfim. Mas agora pretendo deixar este blog em dia permanentemente.

    Puxa, que bacana que estás no super desafio de entrar na faculdade de Medicina. Desde já, te desejo muita e muita sorte no caminho. Que tenhas a tranquilidade necessária para acertar todas as questões e passar por todos os desafios que virão. Espero, logo mais, que contes por aqui que conseguiste passar!

    Concordo contigo sobre cada um dos elementos que citas como qualidades de Nick and Norah’s. Se a gente tirasse um deles, o filme não funcionaria. Também acho bacana essas fases de filmes mais “alegres” e/ou despretensiosos. Tão bacana dar um “tempo” nos filmes sérios, né? Afinal, o cinema é bacana por todos os gêneros que produz.

    Com a tua licença, anotei a sugestão – ainda que foi apenas uma citação – de Marley and Me para assistir…

    E sim, o Cera é “O Cara” para estes papéis de “nerd carinhoso, educado e que sempre se dá bem no final”… boa definição!

    Um abração e até breve…

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  8. Oi erica!!

    Primeiramente, seja muito bem-vinda por estas bandas… espero que esta tua visita se repita muitas vezes ainda aqui no blog.

    Bem gostoso este filme, não é mesmo? Também gostei muito… e sim, ele foi adaptado de um livro – que deve ser bem bacana também, ainda não o li.

    Rafi Gavron é uma gracinha… talentoso e carismático – e ok, eu admito, bonito também. E concordo contigo que este filme deve cair certeiro no gosto das meninas – já os garotos, não sei não… acho que não é para todos. Afinal, ainda vivemos em uma sociedade em que os “machos” gostam de filmes de ação, não é mesmo? 😉

    (Isso foi uma piada, ok?)

    Um grande abraço e volte mais vezes!

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