The Soloist – O Solista


thesoloist2

Acredito que há poucos dias eu tive o prazer de assistir ao melhor – ou um dos melhores, pelo menos – filme(s) de 2009 até agora. The Soloist, produção estrelada  por Jamie Foxx e Robert Downey Jr., é uma destas peças de cinema que fazem com que esqueçamos por alguns momentos todos os filmes ruins que possamos ter assistido até o momento. Narrada de forma criativa, a história da amizade entre o jornalista vivido por Downey Jr. e o morador de rua interpretado por Foxx enche o espaço ao nosso redor de música, beleza e emoção. E da mesma forma com que State of Play refletiu sobre o papel que o jornalismo pode desempenhar no caso de uma intricada questão envolvendo corporações e políticos, The Soloist mostra que esta profissão pode desvelar de maneira única a realidade de uma cidade como Los Angeles e, com sorte, transformar a vida de algumas pessoas para melhor. Um filme transcendente que trata, entre outros temas, sobre a nossa capacidade de ajudar os outros e/ou apenas mudar a nós mesmos.

A HISTÓRIA: O jornalista do Los Angeles Times, Steve Lopez (Robert Downey Jr.), volta para casa de bicicleta quando sofre um acidente em Riverside Drive. Sua experiência, incluíndo o atendimento no hospital, acaba virando uma crônica em sua coluna Points West, estampada diariamente na capa do jornal. Em permanente busca por histórias interessantes e pontos-de-vista diferenciados sobre o cotidiano da cidade, Lopez acaba escutando, em um dia ensolarado perto da Praça Baixa, um som inusitado para os padrões de Los Angeles: o de um violino. Perseguindo esta música, Lopez chega até o morador de rua Nathaniel Anthony Ayers Jr. (Jamie Foxx), que se diz ex-aluno da conceituada escola de artes Juilliard, uma das mais famosas do mundo. O jornalista fica intrigado com a idéia de que um morador de rua possa, um dia, ter estudado na Juilliard e, motivado por sua curiosidade, Lopez começa a desvelar a história de Ayers. Nesse trajeto para descobrir a verdadeira história des seu mais novo “amigo”, Lopez acaba tocando de forma profunda os cenários degradantes de sua cidade adotiva.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a The Soloist): Sou suspeita para falar deste filme porque, admito, ele “me tocou fundo” por misturar, de maneira belíssima, três temas que para mim são fundamentais: jornalismo, música e a vontade de ajudar as pessoas que pode ser barrada, muitas vezes, pelo conceito da liberdade individual. A verdade é que o cinema, assim como qualquer outra manifestação artística, mexe de forma diferente com cada pessoa dependendo da experiência de vida que este indivíduo teve. E pela minha experiência, The Soloist é o típico filme que emociona por reafirmar alguns conceitos que tenho como importantes.

Primeiro, a capacidade do jornalismo em narrar e modificar a realidade. Sou destas pessoas apaixonadas por textos bem escritos, por reportagens perfeitamente narradas. E os trechos de alguns dos textos de Steve Lopez que conhecemos através de The Soloist já são suficientes para percebermos que estamos diante de um domador de palavras do bons. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Porque The Soloist é baseado em uma história real. Fiquei sabendo disso só com o final do filme – o que achei ótimo porque, como no caso de Into the Wild, isso é importante para não criar nenhuma resistência à geralmente famigerada linha de filmes baseada “em uma história real”.

Mas voltando ao que eu dizia… como jornalista, eu realmente acredito que esta minha profissão, quando bem feita, pode prestar bons serviços para a sociedade. Seja denunciando absurdos nos bastidores do poder ou ajudando pessoas que precisam de oportunidades a encontrarem o apoio necessário. E The Soloist foi um deleite para mim por seu belo texto, mérito do roteiro escrito por Susannah Grant baseada no livro de Steve Lopez; e pelo fato de contar mais um belo exemplo do jornalismo bem feito, útil e tranformador. Sim, acho que serei sempre uma sonhadora. 😉

Outra qualidade que faz este filme ser especial é o passeio que ele nos proporciona pela boa música. Mérito das escolhas do personagem/cidadão Nathaniel Ayers e, claro, ao trabalho primoroso do italiano Dario Marianelli, responsável pela trilha sonora do filme. Como o belíssimo documentário War/Dance, The Soloist mostra o poder da música para mudar a vida das pessoas. No caso da história do genial Nathaniel Ayers, as composições de Beethoven e suas “variações” acabaram enchendo Los Angeles de música e servindo como elo de ligação entre o artista e o mundo real.

(SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Esquizofrênico, Ayers passava seus dias nas ruas até que o jornalista Steve Lopez se interessou por ele e conseguiu, com muito custo, “colocá-lo para dentro” – uma expressão dos trabalhadores sociais que revela o momento em que um morador de rua decide voltar a viver dentro de uma casa ou apartamento. Mas que algo fique claro: Ayers decidiu dormir no apartamento que Lopez arranjou para ele não porque ele preferisse ficar “enclausurado” entre quatro paredes, mas porque, por sua idade, ele percebeu que estaria melhor ali, em uma cama, do que dormindo sempre sobre papelões e plásticos na rua.

A direção de Joe Wright é algo a ser comentado em separado. Achei magnífico o trabalho deste diretor. Acredito que um bom contador de histórias se distingue pelos detalhes. E é justamente neles que Wright se destaca. Achei incrível, por exemplo, a maneira com que ele mostrou, lá pelas tantas, a beleza e a força da música através das cores “vistas” por Ayers dentro de sua cabeça. Um momento especial no filme. Também achei especialmente tocante a sequência em que Lopez decide passar a noite ao lado do morador de rua, presenciando cenas desesperadoras da noite de Los Angeles. O filme, aliás, vai crescendo pouco a pouco e de forma gradativa, sem  nunca perder o ritmo. Claramente é possível distinguir uma linha curva que vai da comédia e da apresentação dos personagens até um ponto de maior profundidade emotiva e de contextualização de suas histórias.

Mas o caráter mais forte desta história, para mim, sem dúvida, é a questão do comprometimento das pessoas, umas com as outras, e o duro aprendizado de que não somos deuses. Em outras palavras, de que por mais que tenhamos um caminhão de boas intenções e que estejamos certos de que sabemos o que é o melhor para a pessoa com a qual nos preocupamos, nada disso vai servir se esta pessoa não resolver mudar por sua própria vontade. E será que é preciso mudar mesmo? (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). The Soloist vai muito fundo nestas reflexões e conclui, no final, algo que é difícil entender, mas que é necessário: nós somos responsáveis totalmente apenas por nós mesmos. Pois sim… podemos sempre tentar ajudar uma outra pessoa mas, no fundo, só ela pode se ajudar. E cada um caminha para o lado que acha mais certo. A mudança pode ocorrer, plenamente, apenas em nós mesmos.

Algo curioso é que há pouco tempo eu tive uma conversa sobre as fronteiras entre ajudar uma pessoa ou tirar a sua liberdade pessoal com um casal de amigos que trabalha como psicólogos em Curitiba. E este tema está muito presente em The Soloist. (SPOILER – não leia… bem, você já sabe). Lá pelas tantas, Lopez questiona, indignado, o assistente social David (Nelsan Ellis) sobre a necessidade de prover um tratamento para Ayers. Na opinião de Lopez, como seu novo amigo sofre de esquizofrenia e não tem, em teoria, toda a “capacidade” de tomar suas próprias decisões, ele deveria ser forçado a receber um tratamento médico e psiquiátrico. David discorda e diz que ninguém pode obrigar a outra pessoa a se tratar, porque isso, simplesmente, não surtiria efeito. E aí está o cerne da questão. Aonde começa e aonde termina a nossa capacidade de decisão? Quem tem o direito de dizer o que é melhor para uma pessoa e obrigá-la a fazer que ela não quer – mesmo que esse seu desejo não tenha um fundo totalmente racional? Algumas vezes, quando se trata de outras pessoas, é preciso se contentar com pouco. Com pequenos prazeres, com alguns momentos de felicidade e de lucidez. E isso já é o suficiente.

NOTA: 10.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Fiquei realmente impressionada com o filme e o trabalho do diretor Joe Wright. Não comentei antes, mas merece uma menção especial a direção de fotografia assinada por Seamus McGarvey. The Soloist esbanja uma série de sequências belíssimas, de pura poesia imagética, como o vôo dos pássaros pela cidade enquanto Ayers experimenta novamente o prazer de tocar um violoncelo; ou quando ele, ainda criança, toca um instrumento imaginário de forma visceral depois que vê um carro em chamas descendo pela rua em que ele morava – ainda que não seja um tema evidente no filme, mas a segregação entre brancos e negros está presente na história. Sensibilidade, criatividade e bom gosto para as imagens fazem com que a parceria entre McGarvey e Wright resulte em um produto único.

Falando em temas que aparecem em The Soloist de maneira fugaz, há desde críticas às audiências e suas leituras preferidas até questões políticas. A primeira ironia do filme é direcionada para o governador da Califórnia ex-Mister Músculos Arnold Schwarzenegger: pelo visto, ele não teria gostado do artigo de Lopez sobre o sistema de saúde público – e o jornalista pergunta, para sua fonte por telefone, se ele teria problemas por não ter uma origem teutônica ou pelo fato de não tomar esteróides como o governador. 😉 Em seguida, um colega do jornalista afirma que o mundo deve ter sérios problemas quando um artigo sobre a queda de um jornalista cria mais comoção entre os leitores do que a denúncia sobre o envolvimento de corporações estadunidenses com a guerra. hahahahaha. Genial. Aliás, toda a sequência é muito boa – no debate entre os jornalista entra até o tema de fotos polêmicas da atriz Lindsay Lohan. 😀 Enfim, durante o filme, de maneira indireta – como em imagens na TV – aparecem diferentes fatos históricos que ocorreram naquele período narrativo, como por exemplo o Furacão Katrina, o governo de George Bush e a sua guerra contra o Iraque.

The Soloist é um filme de dois atores. Ponto. A história é construída de tal maneira para que Jamie Foxx e Robert Downey Jr. se destaquem. Ainda assim, os produtores escolheram alguns bons atores para fazer papéis secundários na história. Entre eles, destaque para a sempre bela e convincente Catherine Keener que, mais uma vez, encarna o papel de editora de um jornal. Desta vez, ela dá voz, ironia e um tantinho de ressentimento para a personagem de Mary Weston, editora do Los Angeles Times – ou seja, chefe de Steve Lopez – e sua ex-mulher. Outra atriz que se destaca no filme em um papel menor é Lisa Gay Hamilton, que interpreta Jennifer, irmã de Nathaniel. A exemplo de Viola Davis em Doubt, Lisa aparece em cena para emocionar – ainda que ela tenha uma interpretação muito mais silenciosa que sua colega indicada ao Oscar.

Outros atores que tem um certo destaque no filme: Michael Bunin como Adam Crane, o coordenador da Filarmônica de Los Angeles que convida Ayers a assistir a um concerto de Beethoven, o maior ídolo do morador de rua; Tom Hollander interpreta a Graham Claydon, um músico que, através dos artigos de Lopez, se oferece para dar aulas para Ayers; Stephen Root interpreta a Curt, o colega de Lopez indignado com o perfil atual de seus leitores – e o rumo que o jornalismo que “vende” está tomando; e claro, Justin Martin como Nathaniel na idade dos 13 aos 16 anos (muito boa a interpretação do garoto!).

Além de uma grande história sobre amizade e a nossa capacidade de fazermos o bem/sermos felizes, The Soloist é declaradamente um libelo à favor do jornalismo feito por bons profissionais. Do velho jornalismo, digamos. Durante todo o filme a idéia de que ele deve ser preservado está presente. Em alguns momentos, além daquela discussão inicial entre colegas do LA Times que eu comentei, o tema da decadência dos jornais está presente – como quando Mary Weston comenta com Lopez que o LA Times terá que enxugar ainda mais o seu quadro de profissionais, demitindo jornalistas devido a queda nas vendas do jornal.

Falando nela, Catherine Keener é outra atriz que aparece em cena e faz a diferença. Ela tem a sorte, por exemplo, de falar algumas das melhores frases do filme – pelo menos aquelas certeiras que o nosso protagonista precisava escutar. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). É ela quem ironiza as “boas ações” de Lopez no jantar em que ele é premiado com o Media Award do ano. Afinal, até que ponto a preocupação em “ajudar aos outros” não é apenas uma questão de ego? Interessante questionamento. E novamente a personagem de Keener acerta no alvo quando Lopez desabafa sobre sua incapacidade de realmente promover uma mudança na vida de Nathaniel. Ela diz, com todas as letras: “Nunca vai curar Nathaniel. Só seja amigo dele e apareça”. Bingo!! Genial.

A roteirista Susannah Grant se baseou no livro The Soloist: A Lost Dream, an Unlikely Friendship, and the Redemptive Power of Music (algo como O Solista: Um Sonho Perdido, uma Amizade Improvável, e o Poder Redentor da Música) lançado por Steve Lopez em abril de 2008. O título do livro é um resumo bastante preciso do filme no qual ele foi baseado. O curioso é que a obra despertou o interesse dos produtores do filme bem rápido… tanto que a produção estava finalizada a tempo de estrear nos Estados Unidos e no Canadá em abril de 2009, apenas um ano depois do livro ter sido lançado.

The Soloist teria custado US$ 60 milhões. Até o dia 5 de julho, o filme conseguiu arrecadar pouco mais de US$ 31,6 milhões nos Estados Unidos. Achei pouco, especialmente por ter dois atores do porte de Robert Downey Jr. e Jamie Foxx como protagonistas. Talvez a produção tenha um desempenho melhor se for indicado – e principalmente sair como vencedor – de premiações mundo afora.

Outro profissional da equipe técnica que merece ter seu trabalho comentado é o editor Paul Tothill. Ele fez um belo trabalho. Comento que The Soloist tem muitos diálogos – e, várias vezes, bastante rápidos. Por isso o ideal é ver ao filme pelo menos duas vezes, para que possamos perceber detalhes das interpretações e, principalmente, os objetos estrategicamento colocados em cena e o vestuário utilizado pelos atores, especialmente os moradores de rua e Ayers. Esse trabalho de figurino é executado com inspiração nos detalhes por Jacqueline Durran.

Impossível assistir a Jamie Foxx interpretando a Nathaniel Ayers e não lembrar de seu desempenho no filme Ray. Será que o ator vai conseguir ser indicado, pela segunda vez, a um Oscar por interpretar um músico? Até isso pode acontecer mas, francamente, em Ray ele tem um protagonismo que não chega a roçar com The Soloist – afinal, nesta última produção, Robert Downey Jr. está ali para roubar a cena. Por Ray, vale lembrar, Jamie Foxx ganhou seu único Oscar até agora.

Algo curioso: no filme, Steve Lopez vive sozinho e é um homem divorciado. Na vida real, o jornalista está feliz em seu casamento. Curioso isso… será que os produtores acharam que era mais fácil explicar a amizade entre Lopez e Ayers se o jornalista fosse um “homem solitário”? Achei desnecessária essa mudança da história para “convencer”.

Como era meio óbvio, li nas notas de produção do filme que a maioria dos moradores de rua que aparecem em The Soloist são, realmente, moradores de rua. 😉

Em abril deste ano, quando The Soloist estreou nos Estados Unidos, Steve Lopez declarou que Nathaniel estava razoavelmente bem, namorando e, agora, tocando também flauta. Achei bacana que o músico e sua família, assim como muitas pessoas da Comunidade Lamp – um alojamento e centro de atenção a doentes mentais que aparece no filme – foram convidadas para assistir à premiere de The Soloist em Los Angeles e, depois, a participar da festa de lançamento do filme.

The Soloist não conseguiu um resultado muito bom na opinião do público e da crítica especializada. Os usuários do site IMDb, por exemplo, deram a nota 7 para o filme – ainda que seja uma nota boa, ela é muito menor do que a dos últimos filmes premiados por Hollywood. Os críticos que tem textos linkados no Rotten Tomatoes torceram ainda mais o nariz para a produção: dedicaram à The Soloist 79 textos positivos e 66 negativos para o filme, o que lhe garante uma aprovação de apenas 54%.

Eu gostei – e concordo em parte – deste texto do crítico Jonathan F. Richards, do Film.com que, acredito, resume o pensamento médio de seus colegas. Nele, Richards comenta, por exemplo, que as cenas de “comédia” de The Soloist, como são aquelas que envolvem Lopez e dois tipos diferentes de urina, não acrescentam nada à história. Richards acredita que o diretor erra a mão muitas vezes e que desperdiça o material que tinha em mãos. Concordo sobre estes momentos de comédia, que servem mais para “desarmar” o espectador para o drama que virá na sequencia do que para ajudar a contar a história. Mas discordo dos trechos em que o crítico considera ruins as sequencias das aves e do uso de cores para simbolizar a capacidade da música em nos tocar – são momentos que eu achei adequados para a história e bem conduzidos.

Steve Lopez teria conhecido Ayers em 2005. Do contato e da consequente amizade entre eles, surgiram várias colunas escritas por Lopez no Los Angeles Times, o livro comentado anteriormente, este filme e, ainda, um episódio do conhecido programa 60 Minutes da CBS que foi exibido no dia 22 de março deste ano.

Em 2008, depois de toda a evidência que a história de Nathaniel teve nos Estados Unidos, sua irmã, Jennifer, lançou a The Nathaniel Anthony Ayers Foundation, uma organização destinada a debater nacionalmente a questão das doenças mentais e a capacidade da arte em auxiliar no tratamento das pessoas que passam por alguma destas doenças.

No próprio site da fundação criada por Jennifer existe um link para o acervo de artigos de Lopez sobre Nathaniel. Mas neste link encontrei um vídeo que mostra os dois, na verdade uma apresentação do programa 60 Minutes comentado antes – indicado para quem ficou interessado em conhecer os verdadeiros rostos/vozes destes personagens.

Para os interessados em saber um pouco mais sobre a esquizofrenia, deixo aqui este link que traz algumas informações básicas.

O diretor Joe Wright ficou mundialmente conhecido, em especial, por sua direção no filme Atonement, pelo qual ele recebeu uma indicação ao Globo de Ouro – ele perdeu o prêmio para Julian Schnabel e seu magnífico Le Scaphandre el le Papillon. Francamente, concordo um pouco com o crítico citado anteriormente do Film.com que afirma que Wright sofre, algumas vezes, de excesso de confiança. Achei isso a respeito de Atonement – gostei mais de The Soloist.

Uma curiosidade: o site oficial do filme apresenta as notas de produção como se os textos tratassem de uma peça de música clássica. Assim, começamos com o “prologue”, seguimos por “adagio” até chegar a “allegro molto” e o “finale”. Pelo site, é possível saber de cada detalhe do filme, da vida de Nathaniel e Steve e sobre a realidade dos moradores de rua de Los Angeles e dos Estados Unidos.

Lendo as notas de produção do filme descobri a resposta para a minha pergunta anterior sobre o interesse rápido dos produtores em adaptar a história contada por Lopez para o cinema. Segundo o produtor Russ Krasnoff, seu interesse por esta história surgiu muito antes do livro do jornalista ser publicado. “Não lembro de ter lido outro artigo que me comovesse tanto como as colunas de Steve sobre Nathaniel. Tínhamos a dois homens, um ao qual a sociedade tacha de incapaz, e outro ao qual ela considera como um  homem de êxito. Mas Steve descobre em Nathaniel uma paixão que ele nunca conhecerá. Eu ficava fascinado porque Steve não se limitava a seguir a história de um sem teto; ele analizava as motivações e razões que regiam a vida de todos. Havia conseguido chegar ao fundo destes dois personagens, algo fundamental para um filme”, comentou Krasnoff.

No site eles também explicam a escolha da roteirista Susannah Grant por modificar parte da história real retratada pelo filme. Segundo as notas de produção, a idéia de fazer com que Lopez fosse divorciado (quando na vida real, como eu disse antes, ele está feliz em seu casamento) buscava tornar o personagem ainda mais solitário. Outra mudança foi transformar as duas irmãs de Ayers em uma.

O diretor Joe Wright decidiu embarcar em seu primeiro projeto em Hollywood porque ficou comovido com a história e, mais que tudo, encantando com as pessoas do bairro de Skid Row, conhecido por abrigar boa parte dos moradores de rua de Los Angeles. “Fiz este filme pelas pessoas que conheci em Skid Row. Eu nunca tinha conhecido a gente tão amável, boa, divertida e honrada. Basta que lhe demos espaço e eles mudam a sua vida. Ao involucrar-lhes no filme, eu quis aportar mais realismo às imagens, mas também algo para suas vidas, trabalho, por exemplo. Assim eles aprenderiam algo e poderiam se orgulhar disso. Eles são as pessoas mais esquecidas da sociedade americana e nunca são escutadas. Queria que este filme fosse a sua voz”, resume o diretor.

Wright ainda comenta que uma de suas principais preocupações é que o filme não fosse levado a sério demais. “Com um material que abrangia temas como a indigência, a pobreza e a esquizofrenia, é fácil deixar-se levar; por isso me parecia primordial que fosse um filme luminoso com momentos de sombra. Como vamos a lugares muito escuros, as partes luminosas deveriam ser ainda mais luminosas. Eu quis que os indigentes se vissem sem a menor pátina (minha nota: crosta e/ou tom suave dos quadros antigos). Este filme contêm muita esperança, luz e beleza”, defende o diretor. Agora se entende porque algumas de suas escolhas criticadas por Richards, como é o caso das cenas das aves e das luzes.

CONCLUSÃO: Um filme belíssimo sobre temas importantíssimos na nossa enlouquecida e competitiva sociedade – em que cada vez mais “sobram” pessoas à margem da “boa vida”. Misturando jornalismo, amizade, comprometimento com as pessoas, psicologia, música e questionamentos sobre a origem e a eficácia das ações para “curar e influir” nos demais, The Soloist é uma obra construída com esmero e cuidado. Perfeita para que dois atores do porte de Robert Downey Jr. e Jamie Foxx brilhem. Uma história que mistura comédia, suspense e, principalmente, drama e que, como em uma sinfonia, vai crescendo aos poucos até seu “grand finale”. Recomendadíssima. Falar mais, é estragar a história. Apenas assistam e, depois, comentem por aqui. 😉

PALPITE PARA O OSCAR 2010: Não sei, honestamente, se o filme terá forças para chegar até o próximo Oscar. Mas, pessoalmente, acho que ele deveria ser indicado a algumas de suas principais categorias. The Soloist tem qualidade para ser indicado para Melhor Filme, Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Ator. A questão seria como estabelecer quem é o ator principal e o coadjuvante nesta produção? Francamente, acho que Jamie Foxx seria indicado como melhor ator porque, ainda que o filme seja narrado por Lopez, o centro da história é mesmo o personagem de Ayers. Se fosse feita a distinção entre a “importância” dos atores para a história, Downey Jr. poderia ser indicado como Melhor Ator Coadjuvante e Jamie Foxx como Melhor Ator – se bem que, se ocorresse o contrário, não seria de se estranhar.

The Soloist pode ainda chegar a competir em outras categorias, como Melhor Trilha Sonora Original, Melhor Fotografia e Melhor Figurino. A dúvida sobre a presença do filme entre os indicados no próximo Oscar reside no fato de que a produção não tem sido tão bem recebida entre os críticos de cinema quanto os seus realizadores gostariam. E ainda que a imprensa não vote no Oscar, ela pode influir para que outros filmes roubem o posto de The Soloist na disputa. Em 2010 vamos descobrir sobre isso. 😉

Anúncios

25 comentários em “The Soloist – O Solista

  1. Uau…….. Alessandra!!!!!
    Confesso que não li sua crítica/comentário sobre este filme, algo que irei fazer nos próximos segundos depois desta manifestação.
    Também, confesso que entro quase diariamente neste site, claro, procurando dicas de filmes que seriam excelentes pedidas.
    Aliás, realço que nunca manifestei sobre qualquer comentário de filme que você produz, mas que lhe tenho como paradigma de um bom filme que venha a assistir!
    Mas, você achar que o melhor filme que você conheceu neste ano ser o mesmo que gostei, para mim, é, sinceramente, demais!
    Tive o prazer de conhecer “O Solista” há uns dois meses. E, desde então, não esqueci!!!!
    Só quero lhe dizer que continue, sempre, nos presenteando com seus belos comentários de filmes. E, no mais, agradeço a oportunidade de conhecer e compartilhar seu pensamento.
    Obrigada,
    Vanessa

    Curtir

  2. Oi Vanessa!!!

    Nossa, que recado mais bacana! Obrigada por visitar este espaço sempre e considerá-lo um “paradigma” no que se refere a bons filmes para serem assistidos. Quanta responsabilidade a minha! 😉

    Fico feliz que tenhas resolvido comentar no blog – não apenas visitá-lo de maneira “invisível”. Gosto de saber o que as pessoas pensam sobre os filmes, os textos, o cinema, enfim… gosto desta troca de idéias. Aliás, aproveito a deixa para te dar as boas vindas e para te incentivar a voltar aqui sempre, comentando mais vezes também.

    The Soloist é um filme belíssimo, sensacional. Mas queria esclarecer algo: achei ele o melhor (ou um dos melhores) filme de 2009 até agora. Não exatamente foi o melhor filme que eu assisti este ano. Digo isso porque não assisti a tantos filmes produzidos em 2009… se olhares no blog a partir de janeiro, comentei muitos filmes de outros anos. Então achei The Soloist excepcional se comparado com as outras produções que assisti lançadas/produzidas em 2009. Esclareço isso só para não criar expectativas muito altas no pessoal que lê o blog…

    Agora, precisas voltar aqui e dizer o que achaste do texto… afinal, podes ter te arrependido de ter me elogiado depois de ter lido o que eu falei na crítica. hehehehehehehehe. Também queria saber as razões que fizeram com que tu gostasse tanto de The Soloist.

    Um grande abraço e volte sempre!

    Curtir

  3. Oi l3on!!

    Legal te reencontrar por aqui.

    Olha, segundo as previsões da distribuidora de The Soloist, o filme deve estrear nos cinemas brasileiros no dia 16 de outubro deste ano. No México, por exemplo, ele vai estrear antes, em setembro.

    Um abração e inté!

    Curtir

  4. supreendente. Não esperava tanto assim do flme, até mesmo por já ter um pré-conceiro de que seria um roteiro muito pareceido com um outro, recente, sobre um tema parecido, só que envolvendo um boxeador.
    Mas depois de ver, percebe-se superioridade desse último. um filme enriquecedor!

    Curtir

  5. Olá Mangabeira!!

    Para variar, concordo contigo. Eu também esperava menos deste filme – será que por isso gostamos tanto dele? Afinal, o fator surpresa sempre conta muito…

    Agora, se lembrares o nome do filme que comentaste, que conta a história de um boxeador, comenta ele aqui? Isso se você achou ele bom, é claro – e se recomendas a produção.

    Sobre os erros do primeiro recado… deixa disso! A pessoa que nunca errou ao escrever rápido que atire a primeira pedra – eu, definitivamente, já errei muito. 😉

    Um abração e inté!

    Curtir

  6. Olá Phylippe!!

    Grande filme, não é mesmo? A sintonia entre os atores, como tu bem comentou, é excelente. Soma-se a isso a trilha sonora, a direção de fotografia e o próprio roteiro, todos muito bons e de qualidade, e temos esta preciosidade.

    E antes que me esqueça, quero te dar as boas-vindas. Espero que este teu primeiro comentário se repita por aqui muitas vezes ainda. Obrigada por ele e por tua visita.

    Um grande abraço!

    Curtir

  7. Olá Alessandra!

    Vivo em Portugal e vi ontem o filme e, tal como você, não pesquisei nada sobre o mesmo antes, para que a surpresa fosse maior. Eu adoro cinema, sobretudo o menos previsível, aquele que mexe com emoções e que nos obriga a sair da nossa zona de conforto e fazer-nos pensar. Gostei muito do “The Soloist”, por diversas razões, algumas delas bem descritas na sua review, como as magníficas interpretações dos dois actores principais, os pormenores de guarda-roupa e apresentação (a postura do personagem de Jamie Foxx é exemplo disso – retenho a imagem das unhas sujas), os momentos de música que fizeram, na minha opinião, bem a ponte com as fragilidades e vitórias dos seus pivots e a apresentação real da história, já que tudo se passou nos verdadeiros locais.
    Considero “The Soloist” um filme belíssimo e profundamente simbólico. Recordo que uma grande parte das imagens do filme aconteciam de cima para baixo (a vista do marasmo de prédios de LA, o enorme parque de carros, que pareciam estar estrategicamente estacionados, o trajecto dos pássaros que subiam para o céu). Numa das cenas Lopez falava ao telefone sentado num muro sobre a cidade, isto depois deste ter percebido que para Nathaniel ele era o seu Deus. Achei fantástico! Outro elemento simbólico são as asas que Lopez tinha numa das cadeiras na sua mesa de trabalho. O filme permite esta evasão para um lugar acima do conhecido, naquele patamar onde poucos conseguem chegar. Rompem-se as barreiras do visível e entra-se no profundo mundo da mente humana, que é tão difícil perceber quanto aquiloque está acima de nós.

    Gostei muito dos seus pontos de vista. Voltarei mais vezes.
    Beijinhos*
    Carla

    Curtir

  8. Olá Carla!!

    Antes de mais nada, seja muito bem-vinda por aqui.

    Olha, compartilhamos o mesmo gosto por filmes. Eu também, sem dúvida, prefiro o cinema “menos previsível, aquele que mexe com emoções e que nos obriga a sair da nossa zona de conforto” e que nos faz pensar. Nunca melhor dito.

    Muito interessantes as tuas observações sobre os detalhes de The Soloist, como as unhas sujas de Jamie Foxx e, principalmente, o simbolismo desta produção. Achei muito apropriado comentares sobre as escolhas o diretor Joe Wright, como por exemplo as variadas formas com que ele filma Los Angeles. A sensação que temos, em variadas ocasiões, é que estamos “plainando” pelos ares da cidade, acompanhando tudo o que acontece de mais importante como se viajássemos nas “asas de um anjo” da cidade. Curioso, realmente.

    A noção de anjos e deuses no filme, muitas vezes inserida de forma subliminar, faz pensar, realmente.

    Muito bacana a tua visita e teu comentário. Espero, realmente, que ambos se repitam muitas vezes ainda.

    Beijinhos, abraços e ótimos filmes para você aí em Portugal!

    P.S.: Aliás, em que cidade você mora? Eu conheci, de Portugal, apenas Lisboa. Uma cidade charmosa e com lugares belíssimos para serem conhecidos (preferencialmente com calma).

    Curtir

    1. Olá Alessandra!

      Obrigada pela resposta ao meu comentário. É bom quando sentimos que o nosso blog vive também das outras pessoas, não é?

      Eu vivo perto da cidade de Aveiro, uma cidade no Norte de Portugal. Um sítio lindo, por sinal! Fico feliz por saber que já estiveste por cá. Eu adorava conhecer o Brasil, mas ainda não houve essa oportunidade.

      Beijinhos e até breve!

      Carla Sousa

      Curtir

  9. Olá Carla!!

    Obrigada você. Sim, para mim um dos principais “ganhos” (ou vantagem) de um blog é justamente a interação que ele permite. Como sou uma “cria” de jornal impresso, onde não temos essa troca de idéias tão frequente e direta, sinto que na blogosfera este contato torna as críticas e os textos muito mais interessantes e ricos. É na troca que aprendemos com diferentes pontos de vista, não é mesmo?

    Estive em Portugal mas, como eu disse antes, apenas por Lisboa. Mas ouvi falar muitíssimo bem desta região aonde moras, no Norte do país. Uma área com muito verde, certo? Um dia ainda andarei por aí…

    O Brasil é gigantesco, muito diverso, mas acho que irias gostar daqui. Sem dúvida é uma realidade bem diferente da tua – e, talvez por isso mesmo, possa te parecer interessante. Espero que apareça a oportunidade de vires para estes lados um dia…

    Beijinhos e apareça mais vezes… inté!

    Curtir

  10. Olha, estava procurando um filme para ver e acabei lendo a tua crítica do filme O Solista. Provavelmente porque você não esperava muito do filme você adorou e por causa disso você deu nota 10. Mas acredito que comigo será diferente porque li a tua crítica e já saio esperando muito do filme. Verei o filme ainda hoje e depois volto a opinar. Independente disso, adorei a crítica. Você escreve muito bem, com clareza e inteligência. Abraços.

    Curtir

  11. Olá Ruben!!

    Antes de mais nada, seja bem-vindo por aqui.

    Olha, realmente eu não esperava muito do filme antes de assistí-lo. Além disso, ele toca em três temas que para mim são muito importantes (porque tem a ver com a minha vida): jornalismo, responsabilidade/mudanças social(is) e música. Então The Soloist caiu como uma pérola no meu gosto… só que admito, agora, que talvez o filme não seja TUDO aquilo que eu disse. Para começar, não diria, hoje, que ele é o melhor filme de 2009. Assisti a outros tão bons ou melhores que ele – depois.

    Outro fator que provavelmente fará você discordar do meu 10 é que estás indo com muitas expectativas para assistí-lo – e isso, inevitavelmente, afeta o nosso julgamento. De qualquer forma, volte mesmo por aqui para dar as tuas impressões sobre o filme.

    Obrigada, aliás, por tua visita e por teu comentário. Fico feliz que tenhas gostado da crítica.

    Um grande abraço e inté!

    Curtir

  12. Não vou me estender muito, até pq muita coisa ja foi dita sobre o filme… e muito bem dita e detalhada por sinal rss

    Mas gostaria de ressaltar duas coisas:

    1) Quanto a crítica, que não dá o valor merecido ao filme!

    2) Aquela cena onde ele “vê” as notas musicais (cores), pode-se classificar como sinestesia, o que talvez faça parte do “problema” psicológico Nathaniel.

    abs

    Curtir

    1. Olá Chris!

      Obrigada por tua visita e por teu comentário.

      Puxa, que pena que não gostaste da crítica… mas paciência, realmente nunca achei que eu possa agradar a todos. E está, cá entre nós, nem é a minha intenção. 😉

      Sim, naquela cena temos uma manifestação de sinestesia. Pode sim ser um dos sintomas do “problema” psicológico do personagem.

      Espero que voltes mais vezes, inclusive para falar de outros filmes. Abraços!

      Curtir

  13. Olá!

    Me senti contemplada em alguns de seus comentários.
    Eu os lí após ver o filme. Como Assistente Social acompanho toda a discussão sobre a Luta Antimanicomial e vi no filme a figura do Assistente Social conforme citou acima. Muitas pessoas acham que o assistente social serve para “obrigar” ou “convencer” a pessoa a realizar tratamentos ou, via de regra, para aqueles que acreditam, “internar-se para tratamento”. O filme discute exatamente a ressocialização da pessoa com transtornos mentais. É claro, o tratamento auxilia em aspectos significativos neste processo, mas não deve ser visto como “tudo”.
    É claro que uma pessoa com quadro psiquiátrico grave que comete um crime, responde naturalmente às leis. No entanto quase todas as pessoas tendem a acreditar e são educadas para acreditar que a ‘loucura’ e qualquer diferença que rompa com o que é convencionalmente considerado normal, belo e certo deve ser tratado ou escondido.
    Sempr esquecemos que poderemos um dia chegar “à outra margem do rio”. Dizem mesmo, que o limiar entre sanidade e loucura é bem tênue…
    Abraçar as diferenças é um exercício de transformação cultural que ainda levará muito tempo para que possamos considerar que nossa sociedade avançou.
    🙂
    Abraços!

    Curtir

  14. Olá Nádia!

    Nossa, muito legal o teu comentário. Quero te agradecer por esta tua contribuição e comentar que, francamente, aportações como a tua é que fazem este blog ter alguma graça.

    Concordo plenamente contigo. O processo de ressocialização é muito complexo e denota uma série de movimentos, acompanhamento de profissionais e também um exercício fundamental do restante da sociedade. O tratamento é auxiliar, mas certamente há fatores tão ou mais importantes do que a medicação e o acompanhamento de um ou mais profissionais.

    Lindo o teu comentário, devo dizer. E quem dera que muitas pessoas se tocassem disto que comentaste… de que normalmente somos “criados” para rejeitar o que nos é estranho, ignorando o fato que a loucura faz parte da vida – e sem questionar, afinal, o que é a loucura? Porque as pessoas que enxergam a vida de forma diferente devem ser respeitadas, não simplesmente rotuladas – como se existisse apenas uma forma de entender a realidade. Para mim, quem pensa assim, é que é o “louco”, porque não percebe a complexidade e a variedade da vida e as formas diferentes de entendê-la.

    Estou totalmente de acordo, também, que o limiar entre a sanidade e a loucura é bastante tênue. Eu diria que, algumas vezes, quase invisível.

    Agora, tomara, tomara mesmo que um dia vivamos em uma sociedade em que as diferenças sejam abraçadas, como bem comentaste.

    Nossa, muito bacana a tua contribuição! Muito obrigada por ela, viu? E volte mais vezes, inclusive para falar de outros filmes.

    Abraços grandes e inté!

    Curtir

  15. Oi Erick!

    Bem, não acho que um filme lançado há pouco mais de dois anos (em 2009) pode ser chamado, por assim dizer, de “velho”. Por que, se for assim, como você classificaria um filme de 60 anos atrás?

    Agora, de fato, infelizmente, há filmes muito bons que passam quase desapercebidos. Não entram em muitos cinemas brasileiros, nem chegam às videolocadoras. E a mídia… fala pouco deles. The Soloist ainda é um filme made in USA… a situação é muito pior com filmes mais alternativos de outras latitudes.

    Concordo contigo que The Soloist poderia ter sido indicado em alguma categoria do Oscar. Isso teria ajudado para que ele tivesse um pouco mais de evidência.

    Obrigada pela tua visita e pelo teu comentário. Espero que voltes por aqui mais vezes.

    Abraços e inté!

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s