The Cove


Você admira o Japão, como eu admirava? Pois prepare-se para pensar diferente. The Cove, o melhor documentário do ano passado – e um dos melhores dos últimos tempos – revela um crime ambiental covarde em solo japonês que é encoberto pelo governo daquele país. Em uma produção impecável e corajosa, o diretor Louie Psihoyos e sua destemida equipe conseguem imagens impressionantes sobre a matança de golfinhos na cidade de Taiji, no Japão. Em uma verdadeira operação de guerra, a equipe de Psihoyos consegue burlar a segurança privada, de pescadores e da polícia local para capturar cenas inéditas do absurdo que acontece naquela pequena parte do mundo. Diferente de Food, Inc., outro documentário pré-selecionado para o Oscar, The Cove não deixa fios soltos. Completo em todos os detalhes, este filme aborda os variados aspectos de seu tema, tendo a figura de Rick O’Barry, antigo treinador de golfinhos, como seu personagem principal. O’Barry, que se tornou mundialmente famoso pelo trabalho de adestramento que fez na série Flipper, dedicou os últimos 30 e tantos anos de sua vida para libertar o maior número de golfinhos possível mundo afora.

A HISTÓRIA: Cenas de uma lagoa e uma placa em japonês começam a ambientar o espectador na cidade de Taiji. Depois, um grupo de homens mascarados revela as dificuldades do diretor e de sua equipe para transformar este documentário em realidade. O próprio Louie Psihoyos comenta que gostaria de ter feito The Cove de forma legal. Mas isso não foi possível. As cenas filmadas à noite simulam uma operação secreta e/ou de guerra. Usando táticas de espionagem e alta tecnologia, Psihoyos e um grupo de profissionais invade uma área pública que foi considerada privada para evitar que o mundo ficasse sabendo sobre a matança de golfinhos no interior do Japão. Todos os anos, segundo o diretor e seu principal entrevistado/personagem, Rick O’Barry, são mortos 23 mil golfinhos e botos no Japão – sem contar os outros tantos que acabam sendo capturados e enviados para parques de entretenimento pelo mundo. The Cove aprofunda a denúncia deste crime ambiental, reflete sobre a prática de captura de golfinhos e toca na ferida das mentiras contadas pelo governo japonês para tentar justificar a caça de golfinhos e baleias. E mais que isso, o documentário narra a operação corajosa dos seus realizadores para conseguir as cenas impactantes que o espectador vai assistir e, ao mesmo tempo, conta a história de arrependimento e busca por redenção de O’Barry.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a The Cove): Não é nada simples fazer um documentário com cenas inéditas e, ao mesmo tempo, cercar todos os aspectos de um tema. Food, Inc. está aí para dar um exemplo recente disto. Como comentei nesta crítica sobre o filme, um dos fortes candidatos deste ano ao Oscar, Food, Inc. é cheio de boas intenções, bem produzido, mas incompleto. Ele deixa muitos fios soltos e, principalmente, perde força e capacidade crítica ao se limitar apenas à realidade dos Estados Unidos. The Cove, por mais que se concentre em um pequeno ponto do mar japonês, consegue ampliar o seu campo de visão em várias direções, cercando e derrubando todos os argumentos que tentam justificar a morte e captura de golfinhos.

Alguns podem dizer: “Ah, mas esse documentário é feito por um grupo de ecochatos. Eles querem defender os golfinhos, os botos e as baleias sem respeitar uma tradição cultural que faz parte da história japonesa”. Verdade que o filme é feito por ecologistas. O diretor Louie Psihoyos e o produtor executivo Jim Clark criaram, em 2005, a Oceanic Preservation Society (OPS), uma ONG ambiental que procura registrar o que está acontecendo nos oceanos pelo mundo – e, de quebra, denunciando o processo de degradação deste habitat causado pelo homem.

A OPS financiou este filme e, por isso, ele pode ser considerado produto de um grupo de ambientalistas. Isso é verdade mas, nem por isso, esta é uma produção mentirosa. Como todo documentário – ou toda reportagem jornalística, por exemplo -, The Cove narra a realidade sob determinada ótica. A preocupação de Psihoyos é denunciar uma prática que ele considera abominável – e, depois de uma operação incrível, o diretor demonstra a crueldade da matança de golfinhos na prática. Literalmente, as imagens falam mais do que muitos discursos. O principal argumento utilizado pelos japoneses que apóiam este tipo de matança é de que ele “preserva” uma tradição de “vários séculos”. Mas a crueldade das imagens de The Cove – bastante fortes, devo alertar – não deixam margem à dúvidas: não há tradição que justifique aquelas imagens.

Sempre acho uma piada quando alguém utiliza o argumento da tradição para justificar absurdos. Mudando totalmente de cenário, vou citar as touradas na Espanha. Por mais que Pedro Almodóvar e tantos outros tenham mostrado a “plasticidade” da “luta” entre toureiro e animal, a verdade é que não existe beleza alguma naquele show bárbaro. Poucos sabem, mas o touro é covardemente atingido, várias e repetidas vezes, antes de “enfrentar” o toureiro. Atingido por homens sobre cavalos “blindados” e por homens armados por varas com ponta de arpão, o touro perde litros de sangue e fica fragilizado antes de “bailar” com o toureiro. Como isso pode ser defendido como a luta do “homem contra o animal”?

Como tantas outras práticas “centenares” ou “milenares”, a morte de golfinhos e de touros, só para dar dois exemplos, foram desvirtuadas com o passar do tempo e hoje, francamente, só mostram como o ser humano pode continuar sendo bestial – em algumas situações. Mesmo com o risco de ser tachada de “radical”, pergunto: por que a morte cruel de golfinhos é defendida como tradição e o canibalismo não pode ser incentivado sob o mesmo argumento? Evidente que estou sendo irônica. A prática de alguns humanos comerem outros humanos e a de pessoas terem o direito de matar com crueldade outros animais não deveria ser justificada sob argumento algum.

Feita esta reflexão sobre os possíveis ataques que The Cove pode receber, vamos falar sobre o filme propriamente dito. O diretor Louie Psihoyos ensina como produzir um documentário ao mesmo tempo criativo, belíssimo e chocante. A criatividade surge pela forma com que o diretor e sua equipe escolheram contar a sua história. Eles mostram as dificuldades e todas as barreiras impostas por parte dos habitantes de Taiji para que este filme se tornasse realidade. Diante das dificuldades, Psihoyos convocou uma equipe de primeira para mostrar o que outras pessoas queriam esconder. Em jornalismo, o trabalho de Psihoyos seria considerado um “furo de reportagem” – quando um profissional consegue mostrar/revelar algo que ninguém mais conseguiu.

A linha narrativa principal de The Cove começa com a justificativa das filmagens que procuram denunciar a matança de golfinhos e botos em Taiji e segue com a realização deste projeto. Mas o documentário vai além da “aventura” de seus realizadores para tornar o filme viável. Psihoyos intercala o projeto de realização do filme com a história de “redenção” de Rick O’Barry e, o que torna The Cove diferente, com a resposta para várias questões levantadas pelos defensores daquela prática “secular”. Ponto a ponto, o roteirista Mark Monroe e o diretor vão desmontando os argumentos dos japoneses.

E para esclarecer o que eu disse lá nas primeiras frases desta crítica, não acho que todos os japoneses sejam culpados pelos absurdos que o espectador assiste neste filme. Tanto isso é verdade que Psihoyos tem o cuidado de entrevistar pessoas em Tóquio que afirmam desconhecer a morte de golfinhos em seu país. Alguns, inclusive, ficam indignados com tal informação. Evidente, não apenas por aqueles depoimentos, mas pela forma de vida dos japoneses, que são poucos os que defendem aquela matança.

A minha “decepção” a respeito do Japão reside no fato de que eu achei que aquele povo, tão cordial, educado e defensor da Natureza, jamais poderia ter dirigentes políticos – e uma pequena parte de sua população – defendendo um crime ambiental como o que é mostrado em The Cove. Simplesmente, para mim, era inconcebível pensar em japoneses tendo as atitudes mostradas neste documentário – e isso vale para os que golpeiam os golfinhos naquele recanto do lago e para os que afrontam com gritos e violência as pessoas que procuram mostrar aquela realidade. De qualquer forma, até neste sentido The Cove serve como uma grande lição: não há, em parte alguma da Terra, uma civilização acima de qualquer suspeita. Ainda que estejamos em pleno século 21 e que falemos de alta tecnologia e de países desenvolvidos, há partes destas culturas que continuam com práticas deploráveis. Não importa a cor de suas bandeiras ou o PIB anual destas nações.

NOTA: 10.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Preferi, desta vez, dividir o texto em duas partes. Na anterior, me concentrei em dar opiniões sobre The Cove. A partir de agora, vou comentar em detalhes sobre as características técnicas e narrativas da produção.

Nos primeiros minutos do filme Louie Psihoyos afirma que o que Rick O’Barry lhe havia contado sobre o que acontecia em Taiji era apenas “a ponta do iceberg”. O interessante do trabalho do diretor é que ele não se ateve apenas a esta ponta do iceberg, mas mergulhou fundo em todos os aspectos que envolvem o tema da captura, caça e exploração comercial dos golfinhos. Esta característica de The Cove é o que o torna tão melhor que Food, Inc., por exemplo.

Falando nos primeiros minutos de The Cove, foi muito inteligente o clima de “espionagem” – que sempre incentiva a adrenalina do espectador – impresso no começo da produção. Um belo trabalho de Psihoyos, da equipe que auxiliou na captura daquelas imagens e, também, do editor Geoffrey Richman. Se The Cove fosse “simplesmente” um filme clássico sobre a vida no “fundo do mar” ou sobre golfinhos, ele não seria tão interessante. A mistura entre filme de espionagem, de aventura e um documentário sobre animais selvagens torna The Cove um produto diferenciado.

O texto de narração do filme e os depoimentos captados por seu diretor também são excelentes. Logo no início se percebe uma certa ironia nos comentários de Psihoyos que brinca, por exemplo, com o tom “paranóico” de O’Barry. Depois, claro, o diretor demonstra, por A + B, como a tal “paranóia” era totalmente justificada. Ainda assim, sobram referências divertidas do diretor sobre seu trabalho e sobre pessoas de sua equipe. Ele comenta, por exemplo, que a filmagem de The Cove parecia mais um projeto de Ocean’s Eleven. 😉

Achei interessante e proveitoso para a “transparência” desta produção como Louie Psihoyos se coloca como narrador do filme e um de seus personagens centrais. O diretor explica, por exemplo, as razões que fizeram ele e Jim Clark criarem a organização Oceanic Preservation Society, produtora do filme. Mergulhador há mais de 35 anos, Psihoyos se especializou em documentar a vida marinha e a degradação de oceanos ao redor do mundo. Em uma conferência que participou na cidade de San Diego, onde participaram alguns dos maiores cientistas do mundo, Psihoyos disse ter se surpreendido quando Richard O’Barry foi barrado como o palestrante principal. Querendo saber as razões disto, Psihoyos soube que O’Barry desagradava o principal patrocinador do evento: o Sea World. Foi então que o diretor se aproximou de O’Barry e ficou sabendo de Taiji. Aí é onde The Cove começou.

Rick O’Barry, que integra o Earth Island Institute, aparece pela primeira vez explicando como foi barrado naquele evento. Sua história é a mais emocionante do filme. No melhor estilo “uma história de redenção”, a biografia de O’Barry é explorada de tempos em tempos, durante a produção. O’Barry conta como ele se tornou um ativista ambiental. Conta como migrou do trabalho de adestrador de golfinhos, pelo qual ficou mundialmente famoso na década de 1960, com as filmagens de Flipper, para sua missão de libertar o maior número de animais “em apuros” ao redor do mundo. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Emociona quando ele fala das razões de seu arrependimento e, em especial, quando comenta sobre o “suicídio” de Cathy, uma das cinco fêmeas que “interpretou” Flipper. Sem contar o “grand finale” de The Cove, arrepiante, que mostra O’Barry “invadindo” uma conferência da IWC com imagens sobre a matança estampadas em um televisor no seu peito – e, depois, ele faz o mesmo em um dos cruzamentos mais famosos do mundo, em Tóquio.

Muito interessante todas as informações e reflexões que o filme faz sobre os golfinhos. O’Barry, em especial, compara a realidade (que ele conhece muito bem, diga-se) vivida pelos animais em cativeiro com aquela que eles desfrutam em seu habitat natural. A inteligência dos golfinhos, seu alto potencial comunicativo e, segundo O’Barry, a capacidade desta espécie em ter consciência de si própria – algo que muitos acreditavam ser típico apenas de humanos – são ressaltadas pelo documentário. Um trabalho complicado e magistralmente filmado por Psihoyos, com a fundamental participação de diferentes especialistas que falam sobre estes temas.

Especialmente revoltante a forma com que a comunidade de pescadores, com o apoio da municipalidade e da polícia de Taiji, transformaram parte de um parque nacional como o de Tsunami em uma propriedade com acessos restritos. Os portões, cercas e a presença constante de pescadores e seguranças armados com facas, lanças e câmeras é absurda. Esta posição do governo de Taiji e, principalmente, a posição do governo japonês na International Whaling Commission (IWC) é o que me deixou tão decepcionada com aquele país.

Interessante, ainda neste aspecto de “intimidação” das autoridades de Taiji contra os estrangeiros que tentam mostrar o que acontece por ali, são as imagens documentadas por Psihoyos de veículos que seguem sua equipe e as câmeras escondidas que registram a intimidação de O’Barry feita por policiais disfarçados no Hotel Urashima.

Segundo os realizadores de The Cove, a temporada de caça de golfinhos em Taiji começa em setembro e segue até março. Ou seja, enquanto escrevo estas linhas, provavelmente centenas de animais estão sendo mortos naquela cidade. Ainda conforme o documentário, estima-se que 23 mil golfinhos e botos são mortos no Japão todos os anos. A indústria do cativeiro – liderada por Sea World e outras empresas – é que impulsionaria estes crimes – Psihoyos e Mark Monroe comparam o quanto os pescadores ganham pela venda de golfinhos vivos ou pela carne deles. Rick O’Barry, por sua vez, é categórico em afirma que em Taiji é feito o maior massacre de golfinhos do mundo – e que nenhuma sociedade protetora de animais ou da Natureza se manifesta a este respeito.

O “vilão abominável” de The Cove é Joji Morishita, delegado do Japão no IWC. Interessante – e inteligente – a forma com que o documentário vai mostrando as “mentiras” ditas por Morishita na comissão ao mesmo tempo em que vai, ponto por ponto, desmontando seus argumentos. Especialistas, por exemplo, explicam como o Japão “prostitui” pequenas ilhas para que elas votem a seu favor para a liberação da caça de baleias. The Cove explica que a IWC, mesmo sendo uma organização criada para a proteção dos cetáceos, ignora os “pequenos” mamíferos que compõe este grupo animal, como é o caso dos golfinhos e botos. Estes últimos não são protegidos pela comissão porque, segundo especialistas, o Japão faz pressão para que isto não aconteça. O documentário revela ainda que a IWC proibiu a caça comercial de baleias em 1986. Um ano depois, segundo os produtores de The Cove, o Japão respondeu a esta proibição triplicando “a matança de golfinhos e botos” e começando programas letais de pesquisa com grandes baleias – a caça de baleias para fins de “pesquisa científica” são permitidas.

Além de Rick O’Barry, os únicos “famosinhos” que aparecem neste documentário são os integrantes do Surfers for Cetaceans, um grupo formado por esportistas e que tem Dave Rastovich como seu porta-voz no documentário. Ele fala sobre a experiência de conviver com estes animais em muitas aventuras pelo mundo e a irmandade que existe entre “homem e golfinho”. Rastovich e as atrizes Hayden Panettiere e Isabel Lucas fizeram parte de um pequeno grupo que, em 2007, “invadiu” a lagoa em Taiji onde os golfinhos são aprisionados – e, perto dali, muitos deles são mortos. O’Barry revela que aqueles ativistas foram presos, expulsos do país e, por isso, estão proibidos de retornar para lá. Com o lema do ex-adestrador de que o “caminho para impedí-los (os pescadores que aniquilam os golfinhos) é expô-los”, Psihoyos assume a responsabilidade de fazer o documentário. Com ele, o diretor sonha em acabar com a morte de golfinhos – no Japão e, preferencialmente, no mundo.

Em pouco menos de 30 minutos de filme, o espectador é apresentado ao problema dos golfinhos e botos e fica sabendo sobre as atitudes tomadas até aquele momento para denunciar os crimes ambientais de Taiji. A partir daquele ponto do filme, começa a narrativa de “espionagem” e operação de guerra que viabilizou as imagens inéditas vistas no documentário. Entram em cena os profissionais que possibilitaram que The Cove fosse filmado. O primeiro a ser chamado para o projeto foi Charles Hambleton, amigo do diretor, “viciado em adrenalina” que viajou o mundo como correspondente fotográfico. Hambleton parece um rockeiro.

Como jornalistas investigativos, Hambleton e Psihoyos pegaram a frustração causada pelas reuniões com as autoridades de Taiji como incentivo. Quando os “manda-chuvas” japoneses colocaram um mapa sobre a mesa e fizeram Xs sobre todos os locais em que o diretor e sua equipe não poderiam ir na cidade, a dupla assumiu aqueles pontos “proibidos” como um roteiro dos locais aonde eles deveriam filmar. 😉 Genial e perfeito! Observando as pedras em um dos pontos turísticos mais famosos do Japão, Psihoyos teve a idéia de camuflar câmeras de alta resolução em rochas fabricadas. Foi aí que entrou em cena um dos amigos e primeiros assistentes de Psihoyos que, atualmente, trabalha na empresa Kerner Optical, que integra a famosa Industrial Light and Magic.

The Cove, aliás, é uma aula de recursos e técnicas de filmagem para quem se interessa em trabalhar no cinema. O espectador é apresentado ao trabalho de Simon Hutchins, o único da equipe “com experiência militar”. Foi ele quem criou maneiras “estranhas” de esconder as câmeras de alta definição e os hidrofones em diferentes pontos da lagoa de Taiji. Joe Chisholm, que trabalha na organização de concertos de rock, auxiliou na logística da equipe de produção do documentário, cuidando da operação de levar centenas de caixas de material para o Japão.

Entre os equipamentos utilizados por Psihoyos e equipe, está uma câmera militar de sensor térmico – ela dá o tom de “espionagem” dos créditos iniciais de The Cove; um um helicóptero utilizado para captar imagens aéreas; um balão não-tripulado com uma câmera de alta definição giratória; e aquele que é considerado um dos dispositivos mais importantes do filme: um hidrofone capaz de captar sons com alta tecnologia – equipamento que é colocad em uma caixa subaquática. A idéia dos realizadores do filme é que o espectador tivesse uma experiência completa do que acontecia em Taiji. Para eles, tão importante quanto as imagens, era a captação dos sons que revelavam a comunicação dos golfinhos na lagoa. Para conseguir registar esta comunicação é que entra em cena Mandy-Rae Cruickshank e Kirk Krack, mergulhadores livres mundialmente conhecidos. Eles são responsáveis por estrelar algumas das cenas mais exuberantes do filme e, também, sequências muito emotivas – como aquela que registra o primeiro contato dos mergulhadores com a realidade de Taiji.

Paralelamente à operação para conseguir as imagens impactantes naquela lagoa japonesa, The Cove vai desmontando cada um dos argumentos utilizados para justificar aqueles atos. Para começar, Psihoyos mostra como japoneses em Tóquio desconhecem a morte de 23 mil golfinhos e botos em seu país a cada ano – uma tentativa, sem dúvida, de não generalizar a crítica do filme para todos os japoneses. Depois, vários especialistas revelam como a carne dos golfinhos é fortemente contaminada com mercúrio. E apesar disto, ela é vendida nos mercados muitas vezes disfarçada como sendo de outros animais. Vereadores de Taiji denunciam o risco de uma proposta que pretendia implantar a carne de golfinhos na merenda de escolares – esta proposta acabou caindo por terra.

Enquanto as duas missões da equipe de filmagem se desenvolvem, entrevistados por Psihoyos derrubam outro argumento utilizado pelo governo japonês e pelos pescadores: o de que baleias e golfinhos são os culpados pelo declínio da pesca mundial. E quando, finalmente, a segunda missão têm êxito, o espectador assiste a algumas das cenas mais chocantes vistas em um documentário em muito tempo. (SPOILER – não leia se você ainda não assistiu ao filme). É de arrepiar a morte brutal dos golfinhos na área proibida e com forte segurança. A água azul se transformada rapidamente em líquido vermelho de puro sangue. Em seguida, a brutalidade é contrastada com imagens dos golfinhos livres. A mensagem não poderia ser mais clara e potente. E para acabar com quem estava segurando o choro, a sequência de Rick O’Barry e seu monitor preso ao corpo. Emocionante e de arrepiar. Impossível não se render à força da narrativa cuidadosamente construída por Psihoyos e equipe.

O objetivo principal de The Cove é o de fazer as pessoas sairem de suas posições de conforto e partirem para a ação. Louie Psihoyos e Rick O’Barry acreditam que a denúncia da matança em Taiji e os argumentos a favor da liberdade e preservação dos golfinhos e botos pode auxiliar em uma mudança social e de costumes. A intenção, sem dúvida, é uma das melhores. Mas, infelizmente, parece que esta mudança ainda não começou. Segundo esta e esta reportagem, os pescadores de Taiji protestaram no final de 2009 contra a comoção provocada por The Cove e contra as críticas internacionais que eles receberam. A captura e a morte dos animais continua – pelo menos até que mais pessoas e governos entrem em ação para impedir esta prática. Achei interessante esta notícia sobre a exibição de The Cove no Festival de Cinema de Tóquio. Nela, Psihoyos vaticina: “Quando uma tradição choca os direitos humanos, então dizer que é uma tradição não se sustenta” – referindo-se à alta toxicidade da carne de golfinho, argumento principal para que a caça deles continue.

Para quem quer saber mais sobre as touradas na Espanha e a forma com que esta “tradição” foi alterada com o passar do tempo, recomendo esta matéria da Superinteressante. É uma boa introdução sobre o assunto.

The Cove estreou em abril de 2009 no Festival Internacional de Cinema de Newport Beach. Depois, a produção participou ainda de outros 10 festivais. Até o momento, o filme de Psihoyos conquistou 19 prêmios e foi indicado ainda a mais oito. The Cove foi considerado o melhor documentário de 2009 pela National Board of Review e por quatro associações de críticos dos Estados Unidos. Além disso, ganhou os prêmios da audiência dos festivais de Sundance, Estocolmo e Sydney.

Os usuários do site IMDb deram a nota 8,5 para The Cove. Os críticos que tem textos linkados no Rotten Tomatoes foram mais generosos: eles dedicaram 107 críticas positivas e apenas cinco negativas para a produção – o que lhe garante uma aprovação de 96%.

Mesmo com todos os prêmios que recebeu e a opinião positiva de público e crítica, The Cove conseguiu, até o dia 13 de dezembro de 2009, pouco mais de US$ 861,7 mil nas bilheterias. Um valor pequeno, mas que pode aumentar consideravelmente se o filme ganhar o Oscar deste ano e for relançado nos cinemas.

Um dos elementos impressionantes do filme é a sua direção de fotografia. Um excelente trabalho do diretor de fotografia Brook Aitken. A trilha sonora de J. Ralph (o mesmo compositor da trilha do genial Man on Wire) também se mostra bastante acertada ao casar perfeitamente com a narrativa do documentário.

CONCLUSÃO: Um filme belíssimo e ao mesmo tempo chocante. Equilibrando depoimentos, entrevistas e uma narrativa que lembra filmes de espionagem e ação, The Cove desvela cenas impactantes de captura e morte de golfinhos e botos em uma pequena cidade do Japão. Cuidadosamente planejado e com um texto perfeito (preciso, irônico e cheio de autorreferências), este documentário deixa claro a sua intenção desde o princípio. Financiado e realizado por um grupo de ambientalistas, The Cove denuncia um crime ambiental, desmonta paulatinamente os argumentos que o sustentariam e, de quebra, dá uma aula de como fazer um documentário. Um grande trabalho do diretor Louie Psihoyos e de sua equipe. Surpreende aos espectadores que podem pensar neste filme como “mais um” documentário sobre a vida marinha. Isso porque The Cove é uma operação arriscada de filmagem ao mesmo tempo em que narra a história de redenção de um homem: Rick O’Barry, antigo adestrador de golfinhos que ficou famoso com a série Flipper. Completo e redondo, este documentário é um exemplo perfeito de cinema como “arma de propaganda” para um fim ecológico. Com cenas belíssimas e uma reflexão importante sobre a inteligência dos golfinhos, The Cove é ainda inspirador. Deveria ser obrigatório.

PALPITE PARA O OSCAR 2010: Por todas as qualidades que comentei antes e pelos prêmios que recebeu até agora, sem dúvida The Cove é um dos favoritos para levar o Oscar de Melhor Documentário do ano. Food, Inc., comentado anteriormente aqui no blog, pode até conseguir chegar entre os cinco indicados nesta categoria, mas sem dúvida não tem a força para desbancar The Cove. Os únicos que podem enfrentar o trabalho de Psihoyos parecem ser Burma VJ e Les Plages d’Agnès.

O primeiro, com direção de Anders Ostergaard, mostra o protesto de centenas de monges feito em 2007 em Burma (país do sul asiático conhecido também como Mianmar ou Birmânia). O segundo, dirigido pelo veterano Agnès Varda, é uma autobiografia do diretor. Nenhum dos dois, contudo, recebeu até o momento tantos prêmios quanto The Cove. Para mim, é certo que o filme de Louis Psihoyos estará entre os cinco indicados a Melhor Documentário. Ele também é a minha aposta para levar a estatueta dourada.

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19 comentários em “The Cove

  1. Assisti a esse documentário recentemente. As cenas são bastante contundentes, sobretudo daquele japonês chorando no final…
    Apesar de não ter visto, ainda, os outros documentários pré-indicados, acho que este é um dos favoritos ao prêmio.

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  2. Cara Alessandra,
    qual a sua opinião sobre a maneira de preparo do Foie Gras ? E sobre a Vitela, qual a sua posição ?
    Qualquer pessoa que ja tenha tido contato com a rotina de uma granja, ficaria muito provavelmente com dó dos pobres pintinhos, desde a saida do ovo ate…ate o momento que ele vira comida de vez.
    Não sou vegetariano, não sou vegan, e acho totalmente licito que os animais sirvam para os fins humanos justos, como a alimentação, vestuario, em pesquisas para descoberta de medicamentos e meios medicos de tratamento, vacinas e tudo mais.
    Tambem não sou fã de touradas, mas eu sei que a carne do touro morto é destinada para a alimentação.
    Agora, será que algum ativista anti tourada ja viu como um touro vira boi ? Como o animal é “barbaramente” castrado, a seco ?
    Poderiamos aqui tratar tambem da Seda… Teremos um filme sobre o “genocidio das lagartas de mariposa”, que sao derretidas em seus casulos ?

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  3. Alê, uma trabalho primoroso merecedor de vários prêmios e elogios. Pena que infelizmente não vai mudar a cabeça doente do homem. Restam então aqueles que em sua…minoria, tentam de alguma forma…quase em vão, despertar o mínimo de consciência. É a velha história do “faça sua parte”.

    em tempo: Mandy-Rae Cruickshank e Kirk Krack mereciam um prêmio a parte pela bravura

    beijo pro cê

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    1. Ola Mangabeira,
      sim, mas sinceramente, fiz os comentários neste blog antes de ver o documentário.
      Isto pq, como você pode perceber, os meus comentários não são exatamente sobre o documentário, mas sim sobre o tema : a legitimidade de determinadas ações humanas, quando animais são considerados como “coisas”.
      Meu ponto é este : É perfeitamente natural que uma pessoa se sensibilize com a matança de golfinhos, claro.
      Mas por coerência, a repulsa ao ato de violência contra estes animais, deve levar a mesma reação de repulsa a outros eventos da relação “homem e animais para consumo”, fundamentalmente sobre estas relações mais ligadas ao nosso cotidiano.
      Minha avô paterna, tinha uma porca de estimação. O animalzinho não era muito diferente de um cachorro : Atendia ao ser chamada, era afetuosa, ate virava a barriga para receber carinho…
      Quando alguém tem um porco como animal de estimação, talvez se torne mais difícil conhecer a realidade da criação profissional/industrial de porcos, sem tornar a questão um “problema ético”.
      Então Mangabeira, retorno aos pontos que coloquei aqui anteriormente : Vamos poder estabelecer uma “isonomia” nesta questão – preservando gansos, mariposas, porcos, galinhas, rãs… da mesma forma que se pretende salvaguardar os golfinhos, focas e outras criaturas encantadoras- sem nos tornarmos todos ‘vegans” ou algo assim ?
      Ao meu ver, é possível se estabelecer algum tipo de ética para lidar com as relações “homem – animal como produto”, mas esta nunca será perfeita, se a busca é uma “igualdade” nesta relação, pois como é obvio, os animais vão ser sempre um elementos subjugado nesta relação, subjugado aos interesses do homem.
      Penso que a maioria das pessoas nao consegue fazer uma conexão entre ‘abatedouro – crueldade”.
      Mas se não podem sofrer com os bovinos – mamíferos tb, como nos – é sem cabimento tanto empenho em relação aos golfinhos.
      Você não concorda ?

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  4. Olá Silvio!!

    Estou contigo, The Cove é bastante contundente. Agora, o japonês que chora no final a que te referes seria aquele que fala da merenda infantil? Como faz um tempinho que assisti ao filme já não me lembro muito bem…

    Queria assistir aos outros concorrentes ao Oscar, mas ainda não consegui ter acesso aos três candidatos que faltam para fechar a minha lista. Snif!

    Abraços e até a próxima!

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  5. Olá Marcelo!!

    Achei curiosas as tuas perguntas e a tua argumentação. Especialmente porque The Cove não debate apenas “mais uma forma” do homem matar uma espécie para se alimentar, mas conta em detalhes um tipo de prática cruel e que não tem nenhuma justificativa, mesmo sob a ótica alimentária.

    Como o documentário muito bem revela, a carne dos golfinhos é extremamente tóxica – assim como a de baleias – e, por isso, seu extermínio não se justificaria nem sob a ótima de forma de alimentação humana. Sem contar todos os outros aspectos mostrados pelo filme, como a comprovada inteligência dos golfinhos – muito superior ao de gansos, patos, bezerros ou bovinos em geral, para citar apenas alguns dos “grupos” que citaste anteriormente.

    Claro que sou contra a forma de produção do foie gras. É o tipo de comida que poderia perfeitamente ser cortada da dieta humana sem maiores problemas. Discordo de você quando comentas que “qualquer pessoa que já tenha tido contato com a rotina de uma granja ficaria muito provavelmente com dó dos pobres pintinhos”. Não defendo que todos devemos ser vegetarianos – ainda que eu respeite quem segue esta filosofia de vida. Também como carne, mas nem por isso tenho que concordar com tipos de extermínio e crimes ambientais como o mostrado pelo filme – honestamente, injustificáveis.

    Não vamos misturar as estações e nem sermos radicais, Marcelo. O radicalismo sempre é prejudicial.

    Marcelo, você sabe mesmo como é feita uma tourada? Francamente você acha que a carne do touro, depois de ter sido toda perfurada e o animal ter ficado estressado com tanta “luta” é realmente boa para o consumo? Alguns malucos comem parte da carne que “sobra” do touro sacrificado mas, francamente, há gente que come também pedaços humanos, não é? Tem louco para tudo. Mas o fato é que a carne do touro após as touradas é péssima, para não dizer impraticável. Os touros que participam daquelas famosas corridas, na Espanha, até tem suas carnes comercializadas depois, mas é fato que elas são muito mais duras e de sabor intenso (para muitos, intragável) do que a de outros tipos de touro. Enfim, é preciso realmente se esforçar para consumir esse tipo de carne.

    O que The Cove explora é a crueldade praticada contra certos animais sem ao menos haver uma utilidade prática para o ser humano. Como se justifica o abate de golfinhos sendo que sua carne é extremamente tóxica? Apenas pela soberba humana, para que determinados homens pensem ser capazes de tudo e “donos do mundo”. Não há outra justificativa. Lamentável quem, além deles, concorda com isso.

    Quanto ao teu outro comentário, respondendo ao Mangabeira, discordo que todos os exemplos podem ser equiparados ou colocados “no mesmo saco”. Seria, como eu disse antes, uma conduta muito radical ou, pelo menos, “inocente”.

    De qualquer forma, obrigada por teus comentários. Inté!

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  6. Oi Mangabeira!!!

    Realmente, um trabalho primoroso, como bem o classificaste. Espero mesmo que ele saia vencedor no Oscar. Com isso, talvez, o filme tenha um impacto e um apelo ainda maior.

    Eu também sou da opinião que sempre vale a pena tentar mudar absurdos. Mesmo que você seja uma única pessoa contra uma multidão de ignorantes. Não faltam exemplos de pessoas que com bravura enfrentaram, de forma solitária, absurdos históricos. Pois bem, que este filme, com sua pequena contribuição, consiga mudar mais um deles.

    Beijos grandes para ti também!

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  7. Para os que estão comparando a matança dos cetáceos com a matança bovina, recomendo que assistam o filme que terão a resposta. Além destes animais estarem ameaçados de extinção e os bovinos não estarem algo muito mais escandaloso esta acontecendo: a oferta clandestina da carne de golfinho e muito mais. Assistam e depois dêem a sua opinião!!

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  8. Olá Jose!!

    Pois é, sabes que eu também me perguntei a mesma coisa: se as pessoas que comparam a matança de golfinhos com a de bovinos realmente assistiram ao filme. Ou, se fizeram isso, se entenderam os argumentos muito bem tratados pela produção.

    Porque, para mim, por mais que uma pessoa se esforce para colocar todos os casos em um mesmo balaio, simplesmente não há lógica se forem levados em conta os argumentos de The Cove. Mas enfim, cada um com a sua idéia de mundo e de realidade, não é mesmo?

    Olha, muito obrigada por tua vista e por teu comentário. Espero que ambos se repitam muitas vezes ainda.

    Um grande abraço!

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  9. Oi eu assisti esse filme eu já conhecia o trabalho de Rick O’Barry e de outros Ativistas com o Capitão Paul Watson do Sea Sherpheds e queria que vc me respondese uma coisa o documentário The Cove vai ser lançado em DVD no Brasil? Obrigado

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  10. Olá Heitor!!

    Antes de mais nada, seja bem-vindo por aqui.

    Olha, busquei informações sobre a distribuição do filme no Brasil, mas não encontrei nada ainda. Pelo que vi, The Cove ainda não tem estréia prevista nos cinemas ou mesmo para ser distribuído em DVD.

    Nos Estados Unidos ele já foi lançado em DVD. Se precisas dele em um futuro a curto prazo, uma das formas é importá-lo através de um site como o da Amazon.

    Um abraço e volte por aqui mais vezes!

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  11. Olá!
    Desculpe invadir seu blog, mas queria pedir que vc me ajudasse a divulgar.
    Tem aqui no Pará, aonde moro, uma indústria pior que essa de Taiji
    280 MIL TUBARÕES SÃO MORTOS TODOS OS ANOS AQUI. RECOLHE-SE AS BARBATANAS DE TUBARÃO E O RESTO VAI PARA O LIXO.
    São tubarões em extinção.

    Veja a matéria completa aqui
    http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/790192-ibama-apreende-14-t-de-barbatanas-de-tubarao-irregulares-no-para.shtml

    Se tiver medo de clicar no link, procure no google por Barbatanas de tubarão no Pará, é matéria da folha

    por favor, ajude a apoiar essa causa. é fácil olhar para o problema dos outros e não reconhecer que temos um problema pior em casa.

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  12. Olá “Universo Paz e Amor”!!

    Nossa, que barbaridade esta que divulgaste!

    Espero que algo tenha mudado no Pará desde que esta história começou a ser denunciada. Como estão as coisas agora? Nos mantenha informados.

    Acho que todos os absurdos devem ser denunciados e combatidos. Seja aqui, no Brasil, aonde podemos atuar de forma mais direta, seja longe, no Japão, ou no país que for.

    O importante, sempre digo, é não perdermos a nossa capacidade de ficarmos indignados com os absurdos e termos, sempre, força para lutar contra eles.

    Conte com este espaço para falar a este respeito.

    Obrigada por tua visita e pelo teu comentário. Abraços e volte mais vezes!

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  13. Aparentemente algumas pessoas não entendem que golfinhos não podem ser comparados à vacas, e outros animais. Golfinhos são auto-conscientes, ok? Provavelmente são mais inteligentes que nosso deputado federal mais votado ou nosso ex-presidente.

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    1. Oi Hagner!

      hehehehe

      Engraçado o teu comentário.

      Então, acho que algumas pessoas exageram quando tentam defender as suas teorias. E acabam perdendo uma boa oportunidade de argumentar com equilíbrio e dados, por exemplo.

      Claro que os golfinhos são muito diferentes das vacas e de outros animais. E The Cove deixa isso muito claro.

      Não sei se eles são mais inteligentes que as pessoas que você citou mas, certamente, merecem todo o nosso respeito, admiração e, no mínimo, esforço para preservá-los (o que é o mesmo que deixá-los em paz).

      Muito obrigada pela tua visita e pelo teu comentário. Espero que voltes por aqui mais vezes, inclusive para falar de outros filmes.

      Abraços e inté!

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  14. Caro Marcelo,
    Tens umas concepções muito estranhas…deves andar a fumar muito daquilo que faz rir.
    Toma juizo com o que dizes e não sejas mais um aparvalhado iluminado.

    Meteu-me nojo ler as tuas considerações seu mentecapto ordinário.
    Uma coisa é criar e matar para comer (sobrevivencia) e outra é o que o filme retrata!
    E vires com a história do porco da tua avó só me deu vontade de rir.

    Para tudo nesta vida tem que haver bom senso. Matar uma galinha para comer não é a mesma coisa que matar um golfinho para o que eles fazem seu burro!
    Tambem não sou a favor de touradas e muito menos dos crimes cometidos pela industria cosmetica aos animais. Tudo o que seja matar um animal que não seja pela sobrevivencia da especie sou contra e ponto final.
    Matar para sobreviver é uma coisa e não é isso que se assiste. Acaso Golfinho come-se?
    Ou partes dele?

    E bom senso perdi eu agora por causa de ti.

    Olha mete-te na capoeira e dorme lá e não voltes.

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