Indicados para o Oscar 2010 – Avaliação (as chances de cada um)


A lista de filmes indicados para o prêmio anual da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood vinha sendo “cantada” há várias semanas. Especialmente depois da entrega do Globo de Ouro e das premiações de alguns segmentos da indústria, como é o caso dos produtores, dos atores e roteiristas. Diferente dos últimos anos, o Oscar 2010 vem com uma seleção de 10 produções para a categoria de Melhor Filme do ano.

Quase todos os indicados já eram esperados. Não foi surpresa o destaque para Avatar no número de indicações – como qualquer produção que utiliza o que há de mais moderno em tecnologia para o cinema, o filme de James Cameron só podia ser indicado em quase todas as categorias técnicas. No total, Avatar foi indicado em nove categorias. Mesmo número de indicações recebida por The Hurt Locker, em um evidente duelo entre as duas produções. Pouco atrás vem o projeto mais ambicioso de Quentin Tarantino, Inglourious Basterds, com oito indicações. Merecem destaque ainda Precious, com seis indicações; Up, com outras seis; District 9 com quatro; e Up in the Air com seis.

A exemplo de 2009, o Oscar deste ano também abarcou algumas das maiores bilheterias do ano que passou e, ao mesmo tempo, produções pouco vistas e/ou badaladas entre o público – mas muito elogiadas pela crítica. Como fiz no ano passado, quero comentar aqui no blog cada uma das categorias, seus indicados e, de quebra, seguir dando palpites sobre as chances/méritos de cada um. Os porta-vozes deste ano na divulgação dos indicados ao Oscar foram a atriz Anne Hathaway e o presidente da Academia, Tom Sherak. A premiação está marcada para o próximo dia 7 de março, e terá como mestres de cerimônia os atores Steve Martin e Alec Baldwin.

Agora, a lista dos indicados deste ano e meus palpites para as 24 categorias do Oscar 2010:

Melhor filme: Avatar; The Blind Side; District 9; An Education; The Hurt Locker; Inglourious Basterds; Precious: Based on the Novel Push by Sapphire; A Serious Man; Up; Up in the Air.

Comentários: Como em muitas categorias do Oscar deste ano, nesta houve poucas surpresas – mas elas existiram. Oito dos dez indicados eram esperados, mas a entrada de The Blind Side e a indicação de Up foram um pouco surpreendentes. Verdade que alguns críticos já apontavam para uma possivel indicação dupla de Up – para melhor filme e melhor animação. Também é verdade que The Blind Side tem tido uma das campanhas de lobby mais bem-sucedidas da reta final para o Oscar. Ainda assim, fiquei surpresa por estes dois filmes tirare do páreo produções como Invictus, Nine ou Star Trek. De qualquer forma, a seleção feita pela Academia faz um painel interessante da diversidade oferecida por Hollywood no ano passado. Correm por fora The Blind Side, District 9 (bom vê-lo entre os grandes do ano), An Education, Inglourios Basterds, A Serious Man, Up e Up in the Air. Disputam verdadeiramente a estatueta Avatar, The Hurt Locker e Precious. Ainda que, falando francamente, a queda de braço está mesmo entre os dois primeiros. Vale lembrar que Avatar levou a melhor no Globo de Ouro e que The Hurt Locker saiu consagrado no prêmio dos produtores de Hollywood (que normalmente coincide com o Oscar). Aposta quase certeira: The Hurt Locker. Quer dizer, difícil prever. Na verdade, a Academia terá que escolher pela inovação de Avatar ou pela qualidade de The Hurt Locker. O filme que levar a melhor aqui, provavelmente, levará a melhor na maioria das categorias seguintes em que Avatar e The Hurt Locker estiverem se degladiando. Minha preferência: The Hurt Locker. Ainda que, francamente, não acharia um crime se Precious ou Inglourious Basterds surpreendessem a todos e um deles levasse o prêmio.

Melhor diretor: James Cameron por Avatar; Kathryn Bigelow por The Hurt Locker; Quentin Tarantino por Inglourious Basterds; Lee Daniels por Precious; Jason Reitman por Up in the Air.

Comentários: Nesta categoria quatro das cinco vagas eram quase certas. O antigo casal James Cameron e Kathryn Bigelow eram nomes certos, assim como Quentin Tarantino. Muitos diziam que Jason Reitman conseguiria também a sua vaguinha. A dúvida residia na possível indicação de Clint Eastwood (Invictus), Lee Daniels ou mesmo Tom Ford (A Single Man). Daniels levou a melhor. Ainda que eu seja apaixonada por Eastwood e ache que ele merecia uma indicação no lugar de Reitman, por exemplo, vejo como justo o espaço conquistado por Daniels. A verdade é que sem o seu trabalho inspirado, Precious não seria nem metade do filme que é. Sua dedicação com os atores, a maioria bastante inexperiente, foi decisiva. Francamente a disputa é muito boa, especialmente entre os quatro primeiros da lista. Ainda assim, parece que Cameron e Bigelow serão os responsáveis pela verdadeira queda de braços. Aposta quase certeira: Kathryn Bigelow. Difícil, muito difícil escolher entre Bigelow e Cameron. Na verdade, tudo vai depender do filme que a Academia resolver tornar o mais importante do ano. Se a maioria dos prêmios for para Avatar, Cameron leva a estatueta. Se o escolhido da vez for The Hurt Locker, Bigelow será a felizarda. Minha preferência: Kathryn Bigelow. Como não tenho o Clint Eastwood para votar e mesmo gostando muito do trabalho de Quentin Tarantino com seu Inglourious Basterds, vou escolher Kathryn Bigelow. O trabalho dela é superior ao dos demais concorrentes. De qualquer forma, exceto por Reitman, se a estatueta cair na mão de qualquer um dos outros, terá sido justo.

Melhor ator: Jeff Bridges por Crazy Heart; George Clooney por Up in the Air; Colin Firth por A Single Man; Morgan Freeman por Invictus; Jeremy Renner por The Hurt Locker.

Comentários: Os quatro primeiros indicados eram mais que esperados para concorrer à estatueta de melhor ator do ano. A surpresa, se analisarmos os 10 atores que concorreram nas duas categorias do Globo de Ouro, ficou por conta da indicação de Jeremy Renner, ator que dá um show em The Hurt Locker. Francamente, fiquei feliz com a surpresa. Renner é um dos grandes responsáveis pela qualidade do filme dirigido por Kathryn Bigelow. O Oscar pode consagrar The Hurt Locker e, sendo assim, talvez Renner tenha alguma chance. Ainda que o franco favorito parece ser mesmo Jeff Bridges por seu desempenho em Crazy Heart. Outro que sempre “dá trabalho” para os concorrentes é Morgan Freeman – que, aliás, está perfeito em Invictus. Colin Firth mereceu a vaga, mas parece correr por fora na disputa. Aposta quase certeira:Jeff Bridges. Minha preferência (até o momento): Jeff Bridges. A interpretação do ator em Crazy Heart é brilhante. Mas se ele não ganhar, não acharia ruim se Jeremy Renner ou Morgan Freeman levassem o prêmio.

Melhor atriz: Sandra Bullock por The Blind Side; Helen Mirren por The Last Station; Carey Mulligan por An Education; Gabourey Sidibe por Precious: Based on the Novel Push by Sapphire; Meryl Streep por Julie & Julia.

Comentários: Sem surpresas nesta categoria. As cinco atrizes mais badaladas do Globo de Ouro e as que concorreram ao prêmio do sindicato dos atores emplacaram também suas candidaturas no Oscar. Sandra Bullock, todos dizem, está há algum tempo em uma curva ascendente para ganhar todos os prêmios como atriz. Curioso é que ela é a única das concorrentes que, além de poder ganhar um Oscar, concorre este ano também a um Framboesa de Ouro (premiação para os piores do cinema). Francamente, se for para ela ou a Meryl Streep (a outra atriz que ganhou o Globo de Ouro 2010) ganharem o Oscar, prefiro a Meryl Streep. Mas, honestamente, achei os trabalhos de Carey Mulligan e, especialmente, Gabourey Sidibe mais decisivos para seus respectivos filmes e, também, mais potentes. Helen Mirren, ainda que seja uma atriz magnífica, aparentemente corre por fora – seu filme teve menos “lobby” que os demais.Aposta quase certeira: Meryl Streep. Minha preferência (até o momento): difícil escolher entre Mulligan e Sidibe mas, se tenho que escolher uma, prefiro a estrela de An Education.

Melhor ator coadjuvante: Matt Damon por Invictus; Woody Harrelson por The Messenger; Christopher Plummer por The Last Station; Stanley Tucci por The Lovely Bones; Christoph Waltz por Inglourious Basterds.

Comentários: Nenhuma surpresa nesta categoria. Todos os atores indicados ao Oscar já haviam concorrido ao Globo de Ouro. Aparentemente, para os astros de Hollywood, não há dúvida de que estes cinco atores fizeram o melhor trabalho como coadjuvantes em seus respectivos filmes. Aposta certeira: Christoph Waltz deve ganhar o Oscar como coadjuvante. Se ele não ganhar, seria uma verdadeira zebra. Minha preferência (até o momento): Christoph Waltz. Ele realmente é o nome de Inglourious Basterds. Sem ele o filme não teria o humor e força que tem.

Melhor atriz coadjuvante: Penélope Cruz por Nine; Vera Farmiga por Up in the Air; Maggie Gyllenhaal por Crazy Heart; Anna Kendrick por Up in the Air; Mo’Nique por Precious.

Comentários: Aqui, como na categoria de melhor ator, praticamente surpresa alguma. Exceto por Maggie Gyllenhaal, que surpreeendeu a muitos por “roubar” uma nova candidatura de Julianne Moore (este ano por A Single Man), todas as demais vagas estavam praticamente reservadas para as atrizes que foram indicadas. Penélope Cruz reafirma a sua boa fase ao conseguir, um ano depois de ter levado um Oscar para casa, mais uma indicação. Vera Farmiga e Anna Kendrick são a cabeça e o coração de Up in the Air e merecem suas indicações. Gostei de ver Gyllenhaal entre as indicadas, porque acho ela uma ótima atriz pouco lembrada nas premiações. Mas… este é o ano da performance arrebatadora de Mo’Nique. Novamente, assim como ocorre com a categoria de ator coadjuvante, aqui também há uma franca favorita. De qualquer forma, se o prêmio fosse ficar entre uma das atrizes de Up in the Air, eu prefiro o trabalho de Kendrick que o de Farmiga. Aposta certeira: Mo’Nique. Minha preferência (até o momento): Mo’Nique.

Melhor roteiro original: The Hurt Locker; Inglourious Basterds; The Messenger; A Serious Man; Up.

Comentários: Sempre acho curioso como um filme que concorre como o melhor do ano pode não figurar em nenhuma das categorias para melhor roteiro. Isso acontece, nesta edição do Oscar, com Avatar. Deixo apenas esta reflexão no ar… Roteiro é algo fundamental em um grande filme, e aqui temos alguns dos melhores textos criados especialmente para o cinema deste ano. The Hurt Locker, Inglourious Basterds e Up, sem dúvida, são os favoritos. The Messenger e A Serious Man correm um pouco por fora – especialmente o primeiro. Aposta quase certeira: The Hurt Locker. Minha preferência: The Hurt Locker. Ainda que, francamente, ficaria contente também com a vitória de Inglourious Basterds.

Melhor roteiro adaptado: District 9; An Education; In the Loop; Precious; Up in the Air.

Comentários: Diferente do Globo de Ouro, que coloca alguns filmes com roteiro original na categoria “melhor roteiro” ao invés de colocá-los na de “melhor roteiro original”, o Oscar é conhecido por sempre diferenciar bem estas categorias. Melhor dizendo, “era” conhecido. Porque este ano o Oscar colocou District 9, uma produção com roteiro totalmente original, na categoria de adaptado. Curioso. De qualquer forma, alguns dos melhores textos do ano estão concorrendo à cobiçada estatueta dourada. Todos os textos são muito bons, mas parece que Up in the Air tem uma certa vantagem sobre seus concorrentes devido aos prêmios que recebeu anteriormente. A surpresa ficou por conta de In the Loop, que tirou a indicação esperada de A Single Man. Aposta quase certeira: Up in the Air. Minha preferência (até o momento): District 9. Difícil escolha, porque gosto muito também dos trabalhos de adaptação feitos em Precious e An Education.

Melhor trilha sonora original: Avatar; Fantastic Mr. Fox; The Hurt Locker; Sherlock Holmes; Up.

Comentários: Interessante parte das escolhas nesta categoria. Avatar e Up eram indicados certos. Mas The Hurt Locker e Sherlock Holmes se saírem melhor que as trilhas de An Education, Nine e Crazy Heart, só para citar três fortes concorrentes, foi curioso. Se o Oscar repetir a fórmula do Globo de Ouro, Up deve levar a estatueta. Mas nunca se sabe… vide o premiado de 2009 – Slumdog Millionaire venceu o favorito Wall-E. Gosto da trilha de The Hurt Locker – e se o filme for o “grande vencedor” da noite, pode até surpreender por aqui também. Mas nunca devemos ignorar Avatar – pelos mesmos motivos anteriormente citados. Aposta quase certeira: Up. Minha preferência (até o momento): The Hurt Locker.

Melhor canção original: Almost There de The Princess and the Frog; Down in New Orleans de The Princess and the Frog; Loin de Paname de Paris 36; Take it All de Nine; The Weary Kind de Crazy Heart.

Comentários: Novamente uma categoria com candidatos previsíveis e outros que foram uma surpresa. Era fato que Crazy Heart e Nine emplacariam, cada um, pelo menos uma música como melhor canção. Mas não deixa de ser surpresa duas composições de The Princess and the Frog e uma de Paris 36 entre as indicadas, roubando possíveis “vagas” de Avatar e Brothers. Se o Oscar seguir a linha do Globo de Ouro, The Weary Kind levará a estatueta dourada. Mas nunca se pode ignorar a força de um filme com duas canções indicadas ou o apelo de Nine. Aposta quase certeira: The Weary Kind, do filme Crazy Heart. Minha preferência (até o momento): The Weary Kind.

Melhor filme estrangeiro: Ajami (Israel); El Secreto de Sus Ojos (Argentina); La Teta Asustada (Peru); Un Prophète (França); The White Ribbon (Alemanha).

Comentários: Fiquei surpresa com os indicados nesta categoria. Para mim, dos nove semi-finalistas para melhor filme em língua estrangeira, tinham mais a “cara” do Oscar as produções The World Is Big and Salvation Lurks Around the Corner (Bulgária) e Winter in Wartime (Holanda). Além disso, a crítica fazia “vivas” em torno de Samson & Delilah (Austrália). Foi curioso ver os latinoamericanos El Secreto de Sus Ojos e La Teta Asustada conquistando suas vagas. Fico feliz especialmente pelo segundo, que é um grande, sensível e lindo filme. Não escondo, há tempos, a minha opinião de que El Secreto é um bom filme, mas que ele está abaixo de outros concorrentes. Sou apaixonada por Un Prophète, mas sem dúvida The White Ribbon (ou Das Weisse Band, no orginal) é o grande favorito deste ano. Aposta quase certeira: The White Ribbon. Minha preferência (até o momento): Un Prophète.

Melhor animação: Coraline; Fantastic Mr. Fox; The Princess and the Frog; The Secret of Kells; Up.

Comentários: Quatro dos cinco indicados eram quase certos. A surpresa ficou por conta de The Secret of Kells, filme dirigido por Tomm Moore e Nora Twomey e co-produzido pela França, pela Bélgica e pela Irlanda. Prevista para estrear nos Estados Unidos apenas em março, The Secret of Kells conseguiu derrubar outros “peso-pesados” mais conhecidos como 9, Cloudy with a Chance of Meatballs e Alvin and the Chipmunks: The Squeakquel. Interessante. Ele deve ser realmente belíssimo para ter conseguido este feito. Fiquei um pouco triste – ainda que já esperava por isso – que Mary and Max ficou fora da disputa. De qualquer forma, não há dúvidas de que o vencedor desta categoria será Up, considerada uma das grandes produções de 2009 segundo público e crítica. Tanto que conseguiu emplacar uma inédita indicação a melhor filme também. Aposta certeira: Up. Minha preferência (até o momento): Up. Gostei de Up, ainda que não tenha achado ele tão fantástico como todos comentam. De qualquer forma, o filme da Disney e Pixar foi o único que assisti até agora. 😉

Melhor documentário: Burma VJ; The Cove; Food, Inc.; The Most Dangerous Man in America: Daniel Ellsberg and the Pentagon Papers; Which Way Home.

Comentários: Nesta categoria há pelo menos duas surpresas (ou quase surpresas). Burma VJ, The Cove e Food, Inc. eram palpites certeiros entre os indicados. Mas os outros dois conquistaram suas vagas derrubando produções muito elogiadas e bem cotadas, especialmente The Beaches of Agnes. The Most Dangerous Man in America conta a história do homem que enfrentou Nixon e buscou, através de suas denúncias, acabar com a participação dos Estados Unidos na Guerra do Vietnã. Os documentos secretos revelados por Ellsberg sacudiram o país e culminaram no Watergate. Parece interessante. Which Way Home narra história emocionantes de crianças que cruzam o México na tentantiva de entrarem clandestinamente nos Estados Unidos. A verdade é que os cinco concorrentes tem várias qualidades para terem chegado até o Oscar. Ainda assim, acredito que The Cove tem uma certa vantagem devido a sua proposta e ao trabalho arriscado e envolvente orquestrado pelo diretor Louie Psihoyos. Aposta quase certeira: The Cove. Minha preferência (até o momento): The Cove.

Melhor curta de animação: French Roast; Granny O’Grimm’s Sleeping Beauty; The Lady and the Reaper (La Dama y la Muerte); Logorama; A Matter of Loaf and Death.

Comentários: Uma das categorias mais desprezadas do Oscar e da qual eu gosto tanto. 😉 Basta dar uma pesquisada nos textos que escrevi sobre os curtas nos últimos dois anos. Os curtas de animação selecionados pela Academia são, normalmente, uma delícia. Recomendo. Este ano há produções para todos os gostos. French Roast conta a divertida história de um empresário tenso que se dá conta, em um café parisiense, que esqueceu a sua carteira. Enquanto a história do curta francês se desenrola, o empresário aguarda a oportunidade para pedir mais café. O irlandês Granny O’Grimm’s Sleeping Beauty é protagonizado por uma senhora de idade, a Granny O’Grimm do título, que conta a sua própria versão do conto da Bela Adormecida – para o pavor de seus netos. O espanhol The Lady and the Reaper também é protagonizado por uma “doce velhinha”. Neste curta, contudo, a tal velhinha sonha com o dia em que irá morrer para, finalmente, reencontrar o seu amado. Quando está prestes a conseguir realizar seu desejo, ela acorda em um hospital sob os cuidados de um médico que insiste em fazê-la viver. O francês Logorama brinca com a presença dos logos em uma cidade feita deles e na qual acontecem “perseguições de carros espetaculares, uma intensa crise com reféns, fuga de animais selvagens” entre outros eventos curiosos. Fechando a lista, do Reino Unido vem A Matter of Loaf and Death, mais uma aventura da dupla Wallace e Gromit. O que tem melhor cotação no site IMDb é Logorama, seguido de A Matter of Loaf and Death. Aposta quase certeira: Logorama. Minha preferência (até o momento): The Lady and the Reaper. Difícil escolher algum sendo que não assistir aos concorrentes ainda. Mas gostei da história da produção espanhola.

Melhor documentário em curta-metragem: China’s Unnatural Disaster: The Tears of Sichuan, Province; The Last Campaign of Governor Booth Gardner; The Last Truck: Closing of a GM Plant; Music by Prudence; Rabbit à la Berlin.

Comentários: Categoria pouco observada no Oscar mas que, como todas as outras envolvendo curtas, é tão importante quanto as demais. Muitos diretores admirados por grandes filmes, sucessos de público e de crítica, começaram fazendo justamente curtas inspirados (e alguns premiados). China’s Unnatural Disaster critica a falta de preparo dos governantes de Sichuan para enfrentar – e prevenir – a tragédia do terremoto que matou 70 mil pessoas em maio de 2008. O curta denuncia a incompetência e os discursos vazios dos governantes, assim como a estrutura deficitária de locais que deveriam ser seguros e a corrupção local. The Last Campaign of Governor Booth Gardner conta a história de um dos mais populares ex-governadores de Washington que, sofrendo com o Mal de Alzeheimer, fez campanha política para se eleger novamente e, assim, assegurar a aprovação da “morte assistida” nos hospitais. The Last Truck conta a história dos últimos dias de produção de uma fábrica automobilística na cidade de Moraine, em Ohio. A narrativa foca os funcionários e a tragédia que o desemprego pode significar em suas vidas. Music by Prudence narra a história da cantora e música Prudence Mabhena, uma mulher que enfrenta todas as dificuldades de “um país falido”, problemas de saúde e vizinhos que a consideram “amaldiçoada” para trabalhar, através da música, com sete jovens deficientes do Zimbabwe. Da Alemanha vem Rabbit à la Berlin, um curta sobre a curiosa história dos coelhos que viveram entre os muros que dividiram Berlim e a Alemanha. Por 28 anos os animais peludos se multiplicaram e viveram praticamente em paz naquele território protegido por guardas e polêmico. Mas com a Queda do Muro de Berlim eles tiveram que migrar para a parte ocidental da cidade e, como afirmam os produtores do curta, se adaptar “ao mundo livre” como os demais alemães. Francamente, todas as histórias são muito boas. Mas acredito que as duas últimas levem uma certa vantagem na disputa. Aposta quase certeira: Rabbit à la Berlin. Minha preferência (até o momento): Rabbit à la Berlin. Difícil escolher, porque não assisti a nenhum e todos parecem muito bons. Ainda assim, pela história, ficaria entre Rabbit à la Berlin e Music by Prudence.

Melhor curta-metragem: The Door; Instead of Abracadabra; Kavi; Miracle Fish; The New Tenants.

Comentários: Como no caso do curta de animação, aqui também há representantes de vários países. Uma coletânea interessante de trabalhos importantes pelo mundo. The Door, curta premiado da diretora Juanita Wilson, conta a história de um pai que sofreu na pele as consequências da catástrofe de Chernobyl ocorrida em 1986. O sueco Instead of Abracadabra conta a história de um homem que, adulto, ainda vive com os seus pais e que, a sua maneira, luta para se tornar um mago. O indiano Kavi conta a história emocionante de um garoto que busca se livrar do trabalho forçado em um forno de fabricação de tijolos na Índia. O australiano Miracle Fish também conta a história de um garoto. Mas sua história parece misturar realidade com imaginação quando, no aniversário de oito anos do menino, ele deseja que todas as pessoas de sua escola desapareçam – e, ao acordar depois de cair no sono, ele se vê sozinho no lugar. O dinamarquês The New Tenants conta a história de dois homens que acreditam estar vivendo os piores dias de suas vidas em um filme considerado “engraçado, assustador e inesperadamente romântico”. Se levarmos em conta a nota que cada um dos curtas tem no IMDb, The Door leva uma vantagem gigantesca em relação aos seus rivais. Aposta quase certeira: The Door. Minha preferência (até o momento): The Door. Difícil dizer porque ainda não assisti a nenhum. Também gostei da história de Kavi.

Melhor direção de arte: Avatar; The Imaginarium of Doctor Parnassus; Nine; Sherlock Holmes; The Young Victoria.

Comentários: Escolhas curiosas este ano e que, de quebra, dão uma “palhinha” da diversidade do cinema atual. Temos no mesmo caldeirão um filme “futurista” como Avatar, um drama hiper imaginativo como Dr. Parnassus, um musical e dois filmes “de época”. Estes últimos, normalmente, levam vantagem – especialmente em figurino – pelo gigantesco trabalho de pesquisa e o cuidado que eles tem que ter em cada detalhe do que se vê em cena (e do que se planeja como cenários). Por outro lado, musicais como Nine também são muito ricos em elementos visuais. Dr. Parnassus, todos dizem, é um verdadeiro carnaval criativo e visual. Mas Avatar… ah, Avatar. Um filme que todos afirmam ser tão inovador deve ter um trabalho de direção de arte simplesmente magnífico. Então fica difícil comentar sobre tantos filmes que não assisti, mas algo me diz que o grande recordista de bilheterias do ano – e talvez da história – pode se dar bem na disputa. Aposta quase certeira: Avatar. Minha preferência (até o momento): Avatar. Depois de assistir ao último filme de Heath Ledger e Avatar, sem dúvida prefiro o segundo.

Melhor direção de fotografia: Avatar; Harry Potter and the Half-Blood Prince; The Hurt Locker; Inglourious Basterds; The White Ribbon.

Comentários: Muito interessante a escolha destes cinco filmes nesta categoria. Novamente, um belo painel da diversidade do cinema atual porque, lado a lado, temos blockbusters indiscutíveis e filmes pouco badalados entre o público (mas elogiadíssimos pela crítica). Assisti apenas aos três últimos, mas devo dizer que Avatar, mais uma vez, corre um sério risco de ganhar mais esta. The Hurt Locker, Inglourious Basterds e The White Ribbon mereceram as suas indicações. Os dois primeiros não seriam tão impactantes sem o trabalho de seus diretores de fotografia. E The White Ribbon… grande parte da beleza e “crueldade” da história reside na direção de fotografia em preto-e-branco de Christian Berger. Belíssima fotografia! Ainda assim, Avatar tem a seu favor um importante lobby – e, muitos dizem, um trabalho técnico fotográfico impecável. Aposta quase certeira: Avatar. Minha preferência (até o momento): The White Ribbon. Olha, francamente é difícil escolher entre o filme de Michael Haneke e The Hurt Locker. Na verdade, acho que qualquer um dos dois ganhando seria muito justo. Mas se Avatar levar o prêmio, terá sido merecido também.

Melhor edição: Avatar; District 9; The Hurt Locker; Inglourious Basterds; Precious.

Comentários: Quatro dos cinco indicados eram cartas praticamente marcadas. Talvez a única surpresa tenha sido pela indicação de Precious para Melhor Edição. Não que o filme não seja bem editado, mas acredito que há produções em que esta característica se destaca mais – como por exemplo Up in the Air. Ainda assim, fico feliz por Precious. Dos indicados, acredito que a disputa fmais forte fica entre Avatar, The Hurt Locker e Inglourious Basterds. District 9 e Precious correm por fora. Aposta quase certeira: The Hurt Locker. Minha preferência: The Hurt Locker. O trabalho da dupla Chris Innis e Bob Murawski é soberbo e um dos pontos fortes do filme. Eles mereciam ganhar a estatueta.

Melhor mixagem de som: Avatar; The Hurt Locker; Inglourious Basterds; Star Trek; Transformers: Revenge of the Fallen.

Comentários: Muitas pessoas (e eu me incluo entre elas) não sabem a diferença real entre esta categoria e a seguinte no Oscar. Por isso pesquisei a respeito e fiquei sabendo que a mixagem de som é fundamental para uma produção porque nesta etapa do trabalho os técnicos responsáveis cuidam de balancear e dosar os diferentes volumes que fazem parte da sonorização do filme, assim como cuidam das equalizações, compressões, efeitos e demais recursos dos sons captados/gravados. A edição de som, por sua vez, leva em conta todas as etapas do processo, da captação, passando pela mixagem e a masterização final. Neste ano não é surpresa os indicados nesta categoria, já que os efeitos sonoros e o uso preciso dos diferentes volumes foram fundamentais para todas as produções indicadas. Acredito que liderem a disputa Avatar, The Hurt Locker e Star Trek. Aposta quase certeira: Avatar. Minha preferência (até o momento): The Hurt Locker. Lembrando que não assisti ainda a Avatar e Star Trek.

Melhor edição de som: Avatar; The Hurt Locker; Inglourious Basterds; Star Trek; Up.

Comentários: Aqui, alguns dos pesos pesados de 2009. E ainda que todos mereçam suas indicações, senti a falta de District 9 entre os selecionados. Acredito que Up poderia ter dado o seu lugar para o filme, um dos melhores no quesito edição de som no ano. Entre os indicados, Avatar, The Hurt Locker e Star Trek levam certa vantagem. Inglourious Basterds e Up correm um pouco por fora. Aposta quase certeira: Avatar. Minha preferência (até o momento): The Hurt Locker.

Melhores efeitos especiais: Avatar; District 9; Star Trek.

Comentários: Agora sim, aplaudo os três selecionados. Todos comentam que estes três filmes primam pelos efeitos visuais e especiais. Sem dúvida eles são os melhores do ano neste quesito. A disputa é boa – mas acredito que vai dar o óbvio. Aposta certeira: Avatar. Minha preferência (até o momento): Avatar.

Melhor maquiagem: Il Divo; Star Trek; The Young Victoria.

Comentários: Uma produção italiana quase esquecida nas premiações da temporada, um blockbuster elogiado por público e crítica e um filme de época. Em teoria, as duas últimas levam uma certa vantagem. Primeiro, porque a caracterização dos personagens demanda muita pesquisa e acaba sendo fundamental pelas histórias. Mas há que considerar-se o excelente trabalho da dupla Aldo Signoretti e Vittorio Sodano para transformar o ator Toni Servillo no ex-primeiro ministro Giulio Andreotti. Aposta quase certeira: The Young Victoria. Minha preferência (até o momento): The Young Victoria – ainda que seja difícil opinar já que não assisti a nenhum dos concorrentes.

Melhor figurino: Bright Star; Coco Before Chanel; The Imaginarium of Doctor Parnassus; Nine; The Young Victoria.

Comentários: Disputa das boas a deste ano. Grande filmes e, especialmente, trabalhos primorosos no desenho e execução de figurinos. Novamente o musical Nine e o filme de época The Young Victoria parecem levar uma certa vantagem. Ainda assim, Dr. Parnassus tem um trabalho incrível difícil de ser desprezado. Coco Before Chanel conta com um trabalho elogiado de Catherine Leterrier, e Bright Star com a assinatura da quatro vezes indicada ao Oscar Janet Patterson. Se analisarmos apenas o currículo dos responsáveis pelos figurinos, sem dúvida a queda de braço ficaria entre Colleen Atwood, duas vezes ganhadora do Oscar, e responsável pelos figurinos de Nine; e Sandy Powell, também ganhadora de dois Oscar e responsável pelos figurinos de The Young Victoria. Aposta quase certeira: The Young Victoria. Em teoria, filmes de época sempre tem um certo favoritismo. Minha preferência (até o momento): Nine. Para variar, gostaria que este musical, que acabou perdendo força no meio do caminho até o Oscar, saisse da premiação com algum “carequinha dourado”.

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7 comentários em “Indicados para o Oscar 2010 – Avaliação (as chances de cada um)

  1. Olá Gilvan!!

    Obrigada. Fico feliz que tenhas gostado.

    Olha, quando tiveres oportunidade, assista a The Hurt Locker, Education e Precious. São três filmes que concorrem a vários prêmios e que merecem ser vistos.

    Um grande abraço e volte por aqui mais vezes!

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  2. Oi!
    Adorei seus comentários sobre as indicações. Você colocou com clareza e propriedade as características principais de todos os indicados. Para ser sincero fiquei até com vontade de
    assistir a filmes que não vi só por causa das suas críticas.

    Parabéns.

    Até estou participando de um bolão pelo site: http://jc2.uol.com.br/oscar2010/votacao/votacao.php

    para concorrer a entradas de cinema. Faz uma aposta você também!!

    Um abraço e até mais!

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  3. Olá Reili!!

    Antes de mais nada, seja bem-vindo por aqui!

    Fico feliz que tenhas gostado do texto. Espero também que tenhas acompanhado os outros que publiquei sobre o Oscar. E agora, só em 2011. Cá entre nós, eu gosto muito do Oscar. Me divirto com ele. Mas estava na hora já de passar essa fase, para que eu possa assistir a filmes aleatórios sem a “pressão” de uma data como o Oscar no horizonte. 😉

    Deves ter notado que acertei em várias categorias, mas em outras errei feio. Faz parte. Não existe um Oscar sem surpresas.

    E como te saíste com teus palpites? Foste bem?

    Volte por aqui mais vezes, viu? Inclusive para falar de filmes que gostaste.

    Abraços e inté!

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