Creation – Criação


Charles Darwin foi e continua sendo um dos grandes revolucionários da Humanidade. Sua teoria da evolução mudou, para sempre, a forma com que as pessoas tratariam a ciência, a religião e a sua própria história. Uma cinebiografia de Darwin, por tudo isso, é interessante independente do resultado. Creation, que anteriormente havia recebido os títulos de Origin e Nature (entre outros), explora alguns aspectos da vida pessoal do cientista e pesquisador. Baseado no best-seller de Randal Keynes titulado Annie’s Box – Darwin, His Daughter, and Human Evolution (que ainda não foi lançado no Brasil), Creation se debruça sobre o cotidiano do cientista e, especialmente, a sua relação com a família. Curiosa a “luta” entre ciência e religiosidade vivida por ele dentro de casa, assim como suas dúvidas, doenças e o sentimento de culpa que teve enfrentar. Interessante por um lado, Creation acaba deixando a desejar por outro, ao ignorar boa parte do trabalho científico, de observação e com muitos colaboradores que levou Darwin a concretizar a sua obra-prima.

A HISTÓRIA: Annie (Martha West) pede para que o pai, Charles Darwin (Paul Bettany) lhe conte uma história. Como todo pai amoroso, ele pergunta sobre o que, e ela diz que “sobre tudo”. O cientista então se remete a “Tierra del Fuego”, um país “primitivo” onde um grupo de indígenas se encontra com um grupo de exploradores na praia. Tentando provar a supremacia do “povo desenvolvido” sobre o “primitivo” do local, os exploradores trocam alguns objetos por algumas crianças nativas. Darwin explica para a filha como a tentativa deles é frustrada. Enquanto conta esta história, Darwin acompanha a filha em uma seção fotográfica. Tempos depois, a foto da menina acompanhar o cientista em seu trabalho em casa. Mas a lembrança da menina e tudo o que ela representa é o que tornaria tão difícil para o cientista a finalização de sua principal obra. De quebra, ele deve enfrentar a falta de comunicação que passou a ter com a mulher, Emma (Jennifer Connelly), e a certeza da perseguição que ele e a família passarão a enfrentar se ele expor suas teorias para o mundo.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Creation): Em 2009, uma avalanche de novidades sobre Charles Darwin foi lançada no mercado. Tudo para marcar os 200 anos de seu nascimento. O homem que separou, para sempre, a ciência da religião acabou sendo o foco principal desta produção dirigida por Jon Amiel. Cuidadoso na reconstrução de época e criativo nos recursos para transportar o espectador na forma de enxergar o mundo do científico, Creation começa bem, mas depois vai perdendo a sua força conforme simplifica a história em um drama familiar. Ainda assim, sem dúvida, o foco no cotidiano de Darwin tem o seu interesse e, muito por causa de seus atores, o filme acaba segurando as atenções e, especialmente no final, emocionando.

Mais do que uma cinebiografia sobre Charles Darwin, Creation é uma história de amor. Um romance destes cheio de desencontros e com poucos momentos de real aproximação entre as pessoas que se amam. Ainda que tenha algumas cenas de diferentes épocas da vida do pesquisador, Creation centra-se na história de Darwin na contagem regressiva de um ano para que sua obra-prima, A Origem das Espécies, fosse finalizada e publicada. As dúvidas, os problemas de saúde, o constante sentimento de culpa e a aparente incapacidade do protagonista em se perdoar norteiam, assim, grande parte do filme. Um extrato curto, até demais, da biografia deste gênio.

Importante o espectador ter isto em mente para não se decepcionar com o filme. Seguindo a trilha da obra do bisneto de Darwin, Randal Keynes, o filme centra-se na família do cientista. Ganha protagonismo a sua filha falecida, Annie, assim como a sua esposa, Emma. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Acreditando que as relações consanguineas poderiam enfraquecer os seus descendentes, Darwin se sentia culpado pela morte da filha, acreditando que por ter se casado com sua prima, Emma, eles teriam gerado uma filha mais suscetível a doenças e mais frágil. Essa culpa e a falta de comunicação que passou a ter com Emma depois da morte de Annie, levaram o cientista a um isolamento cada vez mais constante e a alucinações. O fim desse processo é o que assistimos em Creation.

Inicialmente, o roteiro de John Collee me surpreendeu pela forma criativa com que o autor resolveu o problema de contar a história de Darwin de forma interessante. Com três linhas narrativas que se entrecruzaram em vários momentos do filme, Creation começa como um trabalho bem costurado e instigante. O espectador acompanha o conturbado ano de 1858 na vida da família Darwin, com o cientista sendo incentivado e, até certo ponto, pressionado por amigos e admiradores a terminar sua obra – A Origem das Espécies seria publicada, pela primeira vez, no ano seguinte, 1859; mas também assiste a cenas do cientista da época em que Annie ainda estava viva (e depois, quando adoece) e, através das histórias que conta para os filhos, acompanha parte das viagens de pesquisa e exploração de Darwin pelo mundo.

Bem escrito, o roteiro de Collee não torna a narrativa confusa, mas fluida. E seu trabalho funciona bem, até que em certo momento o filme se resume aos problemas de saúde de Darwin e a sua luta por vencê-los. Entendo que a vida pessoal, pouco explorada do pesquisador, seja interessante. Mas ao escolher por esta ótica, essencialmente, Collee e o diretor Jon Amiel abrem mão de algumas das facetas de Darwin mais importantes. E ainda que os amigos do cientista tenham um papel fundamental em sua recuperação e, principalmente, na finalização de sua obra-prima, faltou em Creation mostrar que o trabalho de Darwin foi, já naquela época, um projeto colaborativo.

O pai das teorias evolutivas teve êxito porque contou com diversos colaboradores pelo mundo, inclusive o naturalista Fritz Müller, um alemão que se radicou em Blumenau, no Sul do Brasil, e desde ali manteve correspondências com Darwin. Sem esta rede de observadores da Natureza, científicos e naturalistas pelo mundo, dificilmente Darwin teria conseguido escrever suas teorias. Um trabalho que apenas comprova o quanto ele era avançado para o seu tempo – afinal, Darwin comprovou muitíssimo antes da internet a importância da construção de conhecimento de forma colaborativa.

Como dizia anteriormente, Creation perde força quando resolve apostar suas fichas no drama, ressaltando a “loucura” pela qual Darwin passou na época de gestação de sua obra-prima. Por mais que ele tenha passado por dúvidas, questionamentos e tenha vivido realmente um drama familiar, o filme dirigido por Amiel talvez leve a uma leitura errada do processo criativo e científico que antecedeu A Origem das Espécies. As pessoas que buscam sempre elementos para atacar Darwin podem acreditar que ele estava louco quando escreveu a obra. Bobagem. Ainda assim, achei desnecessária a queda do filme para o drama sem medidas, abrindo mão de seguir com diferentes linhas narrativas e com pequenos fragmentos da vida do cientista.

Os atores são os grandes responsáveis por segurar a história mesmo quando ela descamba para um certo dramalhão. Paul Bettany está incrível na pele de Charles Darwin, em uma das grandes interpretações de sua carreira. Seguro no papel, ele desmistifica a figura de Darwin e o torna surpreendentemente apaixonado – pela esposa, pelos filhos (especialmente Annie), pela ciência e, em particular, pela vida e suas evoluções. Sua esposa na vida real, a atriz Jennifer Connelly, faz o contraponto perfeito para Darwin. Religiosa, apegada à fé especialmente após a morte da filha, Emma revela-se uma mulher de opiniões fortes, determinada e culta, uma companheira perfeita para Darwin. Bettany e ela apresentam a sintonia exata para seus personagens. E a atriz que interpreta Annie, Martha West, é puro encanto. O elenco de apoio, do qual falarei depois, também trabalha bem. E mesmo que o filme dê uma desacelerada lá pelas tantas, o dramalhão se justifica depois, com um final potente e emocionante. Não é o filme perfeito sobre Darwin, mas Creation pode servir como um mecanismo de popularização e/ou desmistificação do científico. O que, convenhamos, é sempre importante.

NOTA: 8.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Uma das grandes qualidades de Creation é a fotografia assinada por Jess Hall. Um trabalho impecável. Na parte técnica, se destaca ainda a trilha sonora de Christopher Young, o design de produção de Laurence Dorman, o vestuário de Louise Stjernsward e a direção de arte coordenada por Bill Crutcher. Nos detalhes, o filme é perfeito. Apenas o roteiro, como comentado anteriormente, deixa um pouco a desejar.

Vários atores importantes fazem papéis secundários neste filme. Para começar, Jeremy Northam interpreta ao reverendo Innes, amigo da família Darwin e pessoa em quem Emma deposita grande confiança para ajudar a “salvar” o seu marido. Ele aparece pouco – assim como os demais coadjuvantes – porque este filme, no final das contas, é sobre Charles, Emma e Annie. Outros coadjuvantes importantes são Benedict Cumberbatch, que interpreta a Joseph Hooker, considerado por muitos o mais importante botânico do século 19 e amigo próximo de Darwin (no filme ele desempenha um papel fundamental de incentivo para Darwin em um momento crucial de sua vida); Toby Jones interpreta a Thomas Huxley, biólogo inglês que foi um ferrenho defensor das idéias de Darwin; Jim Carter assume o papel de Parslow, empregado da família; e os jovens Harrison Sansostri e Christopher Dunkin interpretam a Lenny e George Darwin, os outros filhos de Charles e Emma.

Creation estreou em setembro de 2009 no Festival de Toronto. Depois, o filme participou ainda de outros quatro festivais. A expectativa com o filme era grande, mas ele não conseguiu cair no gosto da crítica ou do público ao ponto de ganhar algum prêmio. Outro indicativo disto são as notas dadas para a produção. Os usuários do site IMDb deram a nota 6,9 para a produção, enquanto que os críticos que tem textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 44 críticas negativas e 34 positivas para o filme (o que lhe garante uma aprovação de apenas 44%).

O crítico A. O. Scott do The New York Times escreveu, nesta crítica, sobre a grandiosidade do trabalho de Darwin e a forma com que Creation transformar a elaboração de A Origem das Espécies em um “melodrama”. Scott critica a forma com que os produtores deste filme escolheram retratar o processo criativo do protagonista como um “horror gótico” em lugar de um paciente e meticuloso trabalho científico. “Ele é atormentado por pesadelos e visitado pelo fantasma de sua querida filha Annie, cuja morte aos 10 anos é a tragédia doméstica em torno da qual o filme é construído”, resume o crítico. Para Scott, a personagem de Emma talvez consiga, melhor que o próprio Darwin, compreender e resumir de maneira mais completa as “implicações sociais e teológicas” do trabalho do marido.

Para o crítico do NYT, o diretor e o roteirista de Creation erraram a mão ao induzir a idéia de uma “febre cerebral literária” e reduzir o trabalho de Darwin a um sintoma de angústia mental e emocional. Estou com ele neste ponto. Realmente é um desperdício a forma com que os autores reduzem a complexidade do trabalho de Darwin. Para Scott, poucas coisas são mais sedutoras para um cineasta do que os “enigmas de um gênio”. Ainda assim, para ele, Creation é apenas a amostra mais recente de como esta “admirável curiosidade pode falhar”. O crítico afirma ainda que Paul Bettany faz uma interpretação exagerada de Darwin – mesmo em seus momentos mais “tranquilos”. Gostei da reflexão de Scott sobre a insistência dos cineastas em inserir o “pensamento mágico” (no caso de Creation, o fantasma da filha morta) como elemento básico para o grande público compreender o trabalho de criação científica. Para Scott, Creation pode “muito bem ser um retrato verdadeiro (sobre Darwin), mas não é um (retrato) convincente ou esclarecedor”.

Ann Hornaday, do The Washington Post, por sua vez, afirma neste texto que Paul Bettany faz um trabalho maravilhoso e que Creation acaba apresentando a figura de um Darwin “mais dinâmico e conflituoso” do que aquele conhecido retrato do científico barbudo pode sugerir mas, ainda assim, o filme descamba em um melodrama arrojado e de angústias mórbidas. “Para um filme que claramente procura trazer Darwin para a vida, Creation passa uma quantidade de tempo enorme chafurdando na morte”, comenta Hornaday. Uma reflexão interessante. A crítica, contudo, elogia o trabalho do diretor Jon Amiel, afirmando que ele supera elementos da cinebiografia típica, intercalando cenas que revelam o “colapso físico e mental de Darwin com momentos surpreendentes de realismo mágico”. Para Hornaday, diante de todas as ambições do filme, Creation acaba sendo “fatalmente enfraquecido pelo excesso de emoções”.

David Germain, do Associated Press, considera Creation “um filme bastante pequeno considerando seus temas enormes – a evolução versus a divindade, ou essencialmente, Darwin versus Deus”. Diferente de outros críticos, Germain vê como um acerto a escolha de enfocar a vida pessoal de Darwin ao invés de fazer um filme que promova o debate de uma “briga que durou 150 anos e que não vai desaparecer tão cedo”. Segundo Germain, Creation não pretende pregar o darwinismo, “o que seria um exercício inútil” dada a forma convicta com que as pessoas se colocam nos dois lados da questão. “Indo direto sobre o progenitor do problema, porém, o filme faz refletir sobre como as crenças contraditórias podem coexistir pacificamente mesmo sob o mesmo teto, forjadas pelas regras da atração e da devoção enraizadas em nossos genes”, reflete o crítico.

Outro crítico que gostou de Creation foi Mick LaSalle, do San Francisco Chronicle. Neste texto, LaSalle comenta que “é difícil fazer um drama de uma vida gasta no estudo solitário, e Creation, que retrata a vida de Charles Darwin, mostra a tensão deste esforço”. O crítico ressalta que no filme, toda vez que o trabalho de Darwin começa a ficar monótono, aparece em cena a adoravelmente precoce Annie – aparição que acaba criando apreensão nos espectadores que, com sua presença, acabam temendo sempre pelo pior. LaSalle comenta que, lá pelas tantas, o filme cria uma discussão entre os pontos de vista religiosos e científicos do mundo, mas comenta que ele não segue com esse tema. O crítico considera uma falha o esforço de simplificar a dicotomia entre ciência e religião, mas afirma que as qualidades de Creation superam as suas deficiências.

LaSalle elogia o trabalho de Bettany: “(…) ele nos apresenta um Darwin tão carente de energia que é difícil imaginá-lo capaz de realizar qualquer coisa, (ao mesmo tempo em que) transmite de forma eficaz a delicadeza e a decência essenciais do homem”. O crítico destaca ainda a forma com que a parceria de Bettany e Connelly funciona, transmitindo a “familiaridade e o carinho” que o casal Darwin deveria preservar em seu lar. LaSalle acaba resumindo Creation como um bom filme para a “matinee”.

Com o bicentenário do nascimento de Darwin, em 2009, suas obras foram relançadas e outros estudos sobre o homem e o científico vieram à tona. Encontrei dois sites bacanas que podem tirar algumas dúvidas dos curiosos: Darwim e (r)Evolução de Darwin.

Creation se saiu mal na opinião de público e crítica e, principalmente, nas bilheterias. O filme, que teria custado aproximadamente 10 milhões de libras, conseguiu irrisórios US$ 107 mil nas bilheterias dos Estados Unidos e outros 504 mil de libras no Reino Unido. É preciso mais tempo para saber como o filme vai se sair nos diferentes mercados, mas tudo indica que ele dará um grande prejuízo para seus realizadores.

Uma curiosidade: Creation foi rodado em Down House, a verdadeira residência da família Darwin preservada na cidade de Kent, na Inglaterra; e em outros locais do país e da Tailândia.

CONCLUSÃO: Aguardadíssimo filme sobre o cientista Charles Darwin, Creation se debruça sobre a vida particular do pai da teoria da evolução. Inspirado no livro de seu bisneto, o escritor Randal Keynes, este filme revela um homem dividido e em conflito, cheio de culpa e de dúvidas sobre publicar uma obra da qual ele tinha plena convicção mas que ele sabia que iria provocar uma verdadeira revolução – inclusive em sua própria casa. Creation vale pela tentativa de desmistificar o personagem de Darwin, mas falha em simplificar os bastidores da publicação de A Origem das Espécies. Ele deixa de fora, por exemplo, o trabalho fundamental de muitos pesquisadores em várias partes do mundo como colaboradores do naturalista britânico. Inicialmente, a produção é bem narrada, unificando de forma criativa três momentos históricos na vida de Darwin, mas depois ela cai em um drama exagerado, simplista e desnecessário. Tecnicamente impecável, com algumas sequências belíssimas e bem editadas, Creation tem um trio de protagonistas afinado, mas deixa a desejar na evolução de seu roteiro. Mesmo com todas as suas falhas, Creation é um filme bonito e que traz novas informações sobre a vida pessoal deste grande personagem da nossa história.

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6 comentários em “Creation – Criação

  1. Há algum tempo cursei 06 meses de biologia e também tive a oportunidade de ler “O Livro de Ouro da Evolução”, uma obra completa sobre toda a ciência de Darwin. Apesar de abandonar o curso para seguir meu verdadeiro caminho, sempre fui um fã fervoroso de Darwin. Assim que vi o trailer de Creation deu pra sentir mais ou menos que o Dramalhão foi o caminho escolhido no filme.

    Mas apesar disso, merece todos os méritos por conseguir passar um pouco da imaginável guerra interna que o Naturalista travava consigo mesmo diante da fé e da ciência. E um dos trechos do filme que talvez possa traduzir bem isso é:
    “Eu sou um cientista, e ouso não estudar. Pelo medo de ver mais claramente o que já é claro como o dia para mim.”.

    e claro, a relação de pai e filha no filme também é de arrepiar.

    Parabéns e obrigado por mais essa Crítica Ale. beijão.

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  2. esqueci de dizer…também estou louco pra ver um outro filme com temática envolvendo ciência: ‘Agora’ – com Rachel Weisz. Pela sinopse, deve ser um filmaço. Quem sabe não rola uma crítica por aqui…

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  3. Olá Mangabeira!!

    Eu também sou uma grande admiradora do trabalho do Darwin, ainda que, diferente de você, conheça pouco sobre o naturalista revolucionário – pouco mais do que o mega básico que aprendemos na escola. Ainda assim, um dia pretendo ler sua obra “maestra”.

    Tens razão… Creation escolheu o caminho do “dramalhão”. A verdade é que o filme se perde um pouco em algumas exageradas e simplificações. Ainda que eu esteja contigo, ele vale a pena mesmo que for apenas para aproximar parte do pensamento de Darwin e, principalmente, de seus dilemas ao grande público.

    Nem me fale sobre Ágora… sou simplesmente apaixonada pelo trabalho de seu diretor, o Alejandro Amenábar. E ontem, tendo este e um ou outro filme na mira para assistir, resolvi colocar Ágora na frente. Na verdade, eu queria assistí-lo há meses. Logo mais, a crítica dele por aqui.

    Obrigada você por tua presença constante por aqui. Sabes que gosto muito dos teus comentários, não é?

    Beijos grandes.

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  4. Prezada Alessandra, acabei de assistir ao filme e endosso tudo o que falou. Eu, como estudioso da Teoria da Evolução e tendo escrito vários artigos sobre ela (sem contar as inúmeras contendas com os criacionistas em geral), penso que faltou explorar uma discussão mais profunda sobre as repercussões e a dismistificação de que a TE esteja, necessariamente, vinculada ao ateísmo, quando na verdade, ela é ciência, apenas isso.

    No entanto, mesmo com essa falha (quase que imperdoável, diga-se de passagem), e pela proposta do filme, podemos inferir que ele sirva para ao menos aproximar o público leigo e religiosos preconceituosos para um lado mais humano de Darwin.

    Se esse filme se propusesse a ser minimamente justo, provavelmente teríamos uma produção de umas 8 horasininterruptas rs… Mas penso que ele, dessa forma, possa dar continuidade a vários filmes abordando várias perspectivas diferentes.

    Adorei sua crítica, você está de parabéns… Ah, ia esquecendo… Que trilha é essa? Maravilhosa, vou correndo procurar o CD da trilha…

    Beijos…

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    1. Oi Gilberto!

      Antes de mais nada, seja bem-vindo por aqui!

      Tens razão. O filme poderia ter sido mais crítico, mais profundo… mas acho que o propósito dele foi exatamente este que falaste, de introduzir o assunto. Ele não quis ser muito específico, profundo, justamente para chegar a um público maior. Acredito.

      Sim, a Teoria da Evolução não tem nada a ver com ateísmo. Isso é uma grande bobagem. Talvez demore um tempo ainda para as pessoas perceberem que uma coisa – a fé – não elimina a outra – a ciência. Ou vice-versa. Pelo menos não deveria ser assim. E acho que Creation mostra um pouco isso, ao mostrar um Darwin bastante mais “humano” do que normalmente estamos acostumados a ver – pelo menos o grande público.

      Concordo que o filme poderia ter 8 horas de duração… ou poderia, quem sabe, ser uma série de TV. Quem sabe? O importante é que ele vem, mesmo com a sua limitação, contribuir como um grãozinho de areia a desmistificar um pouco a História. E sim, a trilha é deliciosa. Assim como a direção de fotografia de Creation.

      Muiot obrigada pela tua visita e pelo teu comentário, tão generoso. Espero que voltes outras vezes ainda, inclusive para falar de outros filmes.

      Abraços, beijos e inté!

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