The Florida Project – Projeto Flórida


 

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Existem realidades sobre as quais ninguém quer saber. E mesmo que em algum momento da vida nos deparemos com essa realidade, assumimos a postura de resistência. Alguns torcem o nariz. Outros, optam pela condenação, mesmo que velada. Mas nada disso fará com que essa realidade deixe de existir. The Florida Project é mais um filme dessa temporada do Oscar 2018 que nos dá umas boas bofetadas na cara – ou socos no estômago, para quem preferir. Os golpes são duros, e mexem com os nossos pré-conceitos. The Florida Project é um desses filmes sobre os quais é bom pensar por um bom tempo depois dos créditos passarem. Até para, finalmente, termos algo para dizer a respeito.

A HISTÓRIA: Duas crianças estão sentadas no chão. Logo, elas se olham e tentam ouvir o chamado de Dicky (Aiden Malik). Ele está gritando o nome de Moonee (Brooklyn Prince) e de Scooty (Christopher Rivera). Eles gritam muito, até que Dicky chega até os amigos e diz que há gente nova em Futureland. Eles ficam empolgados e saem correndo para fazer um “campeonato de cuspe” sobre o carro da nova inquilina da pousada Futureland. Stacy (Josie Olivo) fica indignada com as crianças e vai atrás dos responsáveis, encontrando Halley (Bria Vinaite), a mãe “alternativa” de Moonee.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a The Florida Project): Fiquei um pouco perplexa com esse filme, eu admito. Primeiro, com o chocante que é ver crianças ainda pequenas com um vocabulário tão baixo e uma atitude tão equivocada, de afronta dos demais e de falta de respeito.

Depois, conforme o roteiro de Chris Bergoch e do diretor Sean Baker vai avançando, fica ainda mais claro que aquelas crianças vivem em uma situação séria de vulnerabilidade social. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme) Elas – especialmente Moonee – não aprenderam o valor das coisas, que tudo custa dinheiro e qual deve ser a melhor forma de conseguir esse dinheiro. Então elas sim, começaram pedindo trocados para desconhecidos… mas no que mais elas podem embarcar para conseguir dinheiro para comprar sorvete ou algum doce/guloseima?

Aos poucos, e sem nenhuma pressa, o roteiro de Bergoch e de Baker se debruça sobre a realidade daquelas crianças. Acabamos sabendo que elas são fruto de lares desfeitos – repararam que nenhuma das crianças tem pai e mãe, ao menos “aparentes”? Ou vemos em cena um pai ou uma mãe, nunca os dois juntos. Com isso, não quero dizer que os frutos de casamentos com pai e mãe estão isentos de problema. Não, muito pelo contrário.

Mas não deixa de ser marcante que temos apenas uma parte de um casal como “responsável” de cada uma daquelas crianças. Esse é apenas um detalhe daquela realidade. Mas um outra parte fundamental é que esta história se passa ao lado de um parque Disneyland. Ou seja, existe muita pobreza, fragilidade social e desigualdade social.

Enquanto alguns gastam pequenas fortunas viajando para se divertir com a família – e muitas crianças incluídas – em um parque com os atrativos da Disney, muitas crianças estão pedindo trocados para comprar um sorvete e com seus pais em casa preocupados porque não conseguem emprego.

The Florida Project é um filme que mira com tudo na desigualdade social e de oportunidades. Mostra dois Estados Unidos muito diferentes: aquele da Flórida ensolarada e cheia de alegria dos parques da Disney e o da mesma Flórida ensolarada habitado por pessoas que vivem contando os seus dólares e cents para pagar todas as contas a cada semana e mês. Alguns, sem emprego, inseguros sobre o que pode acontecer com eles e seus filhos a curto prazo.

Mas isso não é tudo. Essa produção não trata apenas de desigualdade social. Também trata sobre as escolhas que as pessoas fazem nas suas vidas e os seus efeitos. E é nesse ponto que The Florida Project realmente nos desafia. Porque eu acredito que a maioria das pessoas que assistem a esse filme não devem concordar com a forma com que Halley “educa” a sua filha, não é mesmo?

Mas e aí, o que fazemos com o nosso julgamento? O que fazemos com a nossa discordância? Acho que essa é a problemática que faz esse filme ser interessante. Como eu disse lá no princípio, por mais que a gente tenha empatia, por mais que tentemos compreender aos outros, acho quase impossível, ao assistir The Florida Project, em algum momento você não ficar mexido(a) com as sequências de Moonee em um longo “banho de banheira” sozinha.

Não sei vocês, mas eu já tinha matado a “charada” muito antes das cartas serem colocadas sobre a mesa. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Na verdade, na primeira longa sequência do banho de banheira de Moonee sozinha, eu já tinha desconfiado que a mãe estava do lado de fora, no quarto, se prostituindo. E cada cena que veio depois, só mexia mais comigo.

Sim, antes alguém que se preocupa sobre a educação de uma criança e pensa que uma mulher só deveria ser mãe quando realmente está preparada para isso, já teria se “incomodado” ao menos um pouco com a forma com que Halley deixava Moonee extremamente “solta” por aí. E se a garota fosse atropelada? E se ela fosse convidada por um cara para entrar no carro dele porque ele iria levar ela para tomar todos os sorvetes que ela quisesse e, no lugar disso, ela fosse abusada?

Pessoas que se preocupam minimamente com a segurança, com a educação e com ensinar bons valores e princípios para uma criança não conseguem assistir a The Florida Project sem um grande incômodo. Mas a questão é: não importa o seu julgamento, casos como o de Halley e o Moonee realmente existem. Estão ocorrendo nesse exato momento, enquanto eu escrevo essas linhas e você lê essas palavras. Ignorar essas realidades ou reprovar essas situações, na real, não mudam nada.

Então o que fazemos a respeito? Durante o desenrolar de The Florida Project, com tantas cenas um tanto “repetidas” daqueles dias de pura “curtição” das crianças de férias enquanto o mundo se revelava agreste ao redor deles sem as crianças realmente perceberem, eu me perguntava isso. O grande personagem de Bobby (Willem Dafoe), o gerente da pousada que rebola todos os dias para tentar deixar tudo em ordem e para apaziguar todos os ânimos, nos dá alguns bons indícios sobre isso.

De sua forma muito discreta e cuidadosa, Bobby não julga as pessoas. Mas ele também não as ignora. Bobby está sempre de olho nas crianças, mas não para repreendê-las sempre. Apenas para, dentro do possível, zelar por elas. Enquanto Halley se revelava mais uma espécie de garota despirocada crescida, quase uma irmã de Moonee ao invés de sua mãe, eu me perguntava: como lidar com aquela situação, com aquela garota que não tem maturidade para ser mãe?

Daí eu fiz um “mea culpa” sobre o que eu penso e sobre os meus próprios critérios sobre maternidade e paternidade. Eu já escrevi aqui antes, comentando sobre outro filme, que eu acho que tem mulheres e homens que não deveriam ser mães ou pais. Mais que nada, porque eles não tem maturidade emocional para isso. E, ainda que eu não tenha mudado a minha opinião a respeito, The Florida Project me fez olhar sobre esse assunto de uma forma mais ampla.

Casos como o de Halley realmente existem, e em diversas partes, culturas e classes sociais – assistentes sociais, advogados e juízes da Vara da Criança e da Juventude que o digam. Mas e aí, se aquela mulher que não tem maturidade para ser mãe, possivelmente não tem condições nem de cuidar direito de si mesma já tem uma filha, o que fazer a respeito? Certamente a melhor saída não é apenas fechar as portas para essa pessoa.

E é isso, esse tipo de exclusão, que também vemos nesse filme. Halley não é apenas excluída financeiramente, por não ter um emprego e por ter que “se virar” vendendo com um pouco de superávit em bairros ricos perfumes baratos que ela comprou em um mercadinho. Tatuada, com cabelo colorido e/ou desbotado, desbocada e um bocado “encrenqueira”, pouco a pouco ela vai sendo excluída pelas pessoas.

Conforme ela “ensina” a filha dela a ser uma mini-Halley, ela também começa a ser excluída pelos pais dos amiguinhos da filha. Primeiro, o pai (Edward Pagan) de Dicky proíbe o filho dele brincar com os “encrenqueiros” da vizinhança – e, consequentemente, excluí Halley. Depois, ao ver como o filho estava indo para o caminho errado por influência de Moonee, a mãe de Scooty, Ashley (Mela Murder), amiga de Halley até então, também afasta o filho de Moonee e se afasta da mãe da garota.

Então, conforme o competente roteiro de Baker e de Bergoch avança, vemos a Halley ser cada vez mais excluída. Por tudo (falta de oportunidades de emprego e de rendimento, principalmente) e por todos (especialmente o afastamento de Ashley a machuca). E aí, enquanto você vê isso, você pensa: ok, ela buscou tudo isso. Ela colheu o que plantou. Mas e aí, a melhor saída mesmo é aquela que vemos no filme? Uma criança tendo que ser “resgatada” dos braços da mãe por que ela estaria mais segura e melhor sendo criada por outras pessoas?

Por mais que Moonee fosse para um lar adotivo com ótimas pessoas, ela jamais esqueceria da mãe dela ou teria tudo que ela passou até então apagado e resolvido. Sim, ela ainda poderia ser muito feliz. Mas será mesmo que um olhar um pouco mais generoso e compassivo, como o de Bobby, não poderia provocar uma mudança maior para aquela mãe e filha? Será que se alguém olhasse com carinho e cuidado para Halley, lhe desse uma oportunidade de emprego e etc., aquela garota mesmo não poderia dar um rumo melhor para si e para Moonee?

Sei que o debate é longo. E sei que essas minhas perguntas não tem apenas uma resposta. Mas o bacana de The Florida Project é que o filme nos provoca a fazer exatamente isso. Olhar para uma realidade para a qual não gostaríamos de olhar, pensar sobre a ótica dos nossos preconceitos e das nossas “medidas” do que é certo e justo e, após fazer isso, desconstruir um pouco esse olhar. Olha, um filme fazer isso não é fácil. Mas The Florida Project consegue fazer isso muito bem.

Acho que é impossível não assistir a esse filme e ficar mexido com ele. Por vários aspectos e em vários sentidos – aqui citei apenas os mais evidentes e óbvios, mas existem outros. Enquanto assistia ao filme, eu também pensava como Moonee e Halley não viviam apenas “uma vida”, linear e facilmente “classificável”.

Por exemplo, ainda que Moonee vivesse em um certo risco e fragilidade social, ela também tinha uma realidade cheia de brincadeiras, de fantasia, de amizade. Ela tinha, até um certo ponto, uma certa “infância”. Mas aí, em outros momentos, ela agia como uma mini-Halley, provocando, desrespeitando e confrontando os outros. Mesmo sem entender direito o que fazia, ela também acompanhava a mãe em suas peripécias para vender perfume – sem saber que, ao acompanhar Halley, estava sendo usada por ela para “sensibilizar” os endinheirados.

The Florida Project nos mostra, assim, de forma muito eloquente, que as crianças são pessoas em formação e que estão, mesmo quando não nos damos conta, nos “emulando”. Repetem os nossos gestos, a forma com que falamos, as nossas atitudes e tudo o mais. Daí a necessidade de bons exemplos, de ensinar o que é certo e o que é errado. Mostrar que as coisas custam dinheiro e que existem formas corretas de conseguir esses recursos.

Em The Florida Project isso se torna muito evidente na forma com que Moonee repete os traquejos, a forma de falar e agir da mãe, Halley. Mas, ainda assim, ela tem espaço para ser ela mesma – quando está brincando com os amigos, essencialmente. (SPOILER – não leia… bem, você já sabe). Mas, no final, quando tudo acontece daquela forma sofrida, deixamos de ver a mini-Halley na nossa frente. Moonee se revela, em seu choro desesperado, apenas uma criança.

E aí o diretor Sean Baker termina o filme daquela forma genial. Em uma espécie de “grito da Independência” da infância, Moonee e Jancey (Valeria Cotto) se lançam para o lugar mais cheio de fantasia do Planeta, o parque da Disney. Ainda que questione a desigualdade social e o abismo entre as oportunidades que as pessoas tem, Baker está, com aquela sequência final, meio que nos dizendo que todas as crianças deveriam ter o direito de serem crianças. Nada mais. De correrem por atrações cheias de fantasia e de diversão sem ter que se preocupar com mais nada.

Sem dúvida alguma, uma forma potente de terminar um filme que tem uma coluna vertebral alternativa. The Florida Project é um filme no estilo que Hollywood não está muito acostumado a fazer, mas no qual se sai muito bem quando aposta nele. Uma produção que parece arrastada em alguns momentos, mas que tem um crescimento narrativo muito interessante e que, claro, tem um “grand finale” inesquecível. Além de tudo isso, ele faz pensar. E um bocado.

NOTA: 9,3.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Olha gente, vou ser sincera com vocês. Eu defendo o direito das pessoas que quiserem ser “porra louca” a vida inteira, fazerem isso. Bem de boa. Até porque acho que adultos podem fazer o que bem entenderem desde que estejam preparados para as consequências de seus atos. Agora, as coisas mudam bastante de figura quando colocamos uma criança nessa equação. Aí, por mais que eu respeite a liberdade das pessoas de escolherem as suas próprias vidas, eu não posso me eximir do incômodo de ver uma criança sendo exposta a situações absurdas e nada indicadas. Por isso, respeito a minha indignação a ver a algumas cenas desse filme. Mas também sei que essa indignação não leva a nada.

Além disso, no final de contas, tudo o que queremos é que as crianças sejam crianças. Todas crianças deveriam ter esse direito – mas muitas não tem, infelizmente, e por várias razões. Agora, além de terem o direito de serem crianças, elas também devem, dentro das indicações de idade, aprenderem responsabilidades. Saberem que o que elas fazem tem repercussões e que as coisas materiais, ainda que não sejam as mais importantes, tem o seu custo. E que esse custo deve ser sempre ponderado. Enfim, uma boa dose de bom senso é sempre uma boa pedida para pais e mães.

The Florida Project tem algumas qualidades bem interessantes. Primeiro, o roteiro de Chris Bergoch e de Sean Baker que vai, aos poucos, se desdobrando em uma realidade que parece simples, no princípio, mas que não tem nada de simplicidade no fim das contas. A dinâmica do diretor Sean Baker é de quase um documentário.

Um filme que acompanha os personagens – especialmente as crianças – com a câmera muito próxima e que gasta boa parte do tempo mostrando os “dias comuns” de algumas famílias. Através dessas histórias, observamos uma complexidade dos nossos tempos que precisa ser discutida e para a qual precisamos encontrar respostas e saídas. O que não podemos é deixar que tudo corra como um carrinho de montanha-russa desgovernado.

Além do roteiro de Bergoch e de Baker, a direção “naturalista” de Baker é um pouco de destaque dessa produção. Da parte técnica do filme, também vale destacar a ótima direção de fotografia de Alexis Zabe; a edição cuidadosa de Sean Baker; a trilha sonora potente e que dá um bom ritmo para o filme de Lorne Balfe; os figurinos de Fernando Rodriguez; o design de produção de Stephonik Youth; e a decoração de set de Kurt Thoresen.

Esse filme depende muito do trabalho dos atores em cena. E, nesse sentido, se destacam dois atores, mais que os outros: Brooklynn Prince como a agitada, desbocada e sensível Moonee; e Willem Dafoe como o sensível e competente Bobby. Para mim, eles roubam a cena cada vez que aparecem, passando muita legitimidade em seus papéis. Além deles, vale destacar o competente trabalho de Bria Vinaite como Halley; de Christopher Rivera como Scooty; o de Valeria Cotto como Jancey e o de Mela Murder como Ashley. Digamos que esse é o “time de elite” do filme.

Mas, além desse grupo de atores, que estão muito bem, vale comentar o bom trabalho de Aiden Malik como Dicky; o de Josie Olivo como Stacy; o de Sandy Kane como Gloria, mulher “exótica” que gosta de fazer topless na piscina; o de Caleb Landry Jones como Jack, filho de Bobby; e Carl Bradfield como Charlie, um sujeito suspeito que parecia um pedófilo à espreita das crianças.

The Florida Project estreou no Festival de Cinema de Cannes em maio de 2017. Depois o filme participou, ainda, de outros 34 festivais em diversos países do mundo. Nessa trajetória, o filme abocanhou 50 prêmios e foi indicado a outros 81 – incluindo a indicação ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante para Willem Dafoe. Entre os prêmios que recebeu, metade deles – ou seja, 25 – foram dados para Willem Dafoe por seu trabalho nessa produção. Outros destaques, entre as premiações recebidas, foram os nove prêmios dados para Brooklynn Prince, normalmente como Melhor Atriz Jovem ou Atriz Revelação; os quatro prêmios que a produção recebeu como Melhor Filme; e os cinco prêmios dados para o diretor Sean Baker.

Em uma entrevista dada para a rádio BBC em 2017, Sean Baker comentou que rodou The Florida Project em pousadas e motéis reais. Esses locais continuaram operando normalmente durante as filmagens, e alguns moradores e funcionários que circulam nestes locais acabaram aparecendo no filme.

O ator Willem Dafoe passou uma semana nos locais de filmagens para “mergulhar” na vida dos personagens e para pegar o sotaque das pessoas que vivem na região.

No roteiro original do filme, o personagem de Bobby teria um irmão que o ajudaria a fazer alguns trabalhos na pousada que ele administra. Mas durante as filmagens a relação de “pai e filho” progrediu e apareceu com mais clareza, e então Bobby acabou “ganhando” um filho e não um irmão.

E agora, uma curiosidade sobre essa produção: ainda que grande parte do filme foi rodado em 35mm, o diretor Sean Baker admitiu que retornou para o seu modo de filmar com “técnicas de guerrilha” na sequência final da produção. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Ou seja, a cena das crianças correndo pelo parque da Disney foi feita com o iPhone do diretor e sem o consentimento do parque ou das pessoas que aparecem como “coadjuvantes” daquela sequência.

Os usuários do site IMDb deram a nota 7,8 para esta produção, enquanto que os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 219 textos positivos e apenas 10 negativos para o filme, o que garante para The Florida Project uma aprovação de 96% e uma nota média de 8,8. Especialmente a nota dada pelos críticos chama a atenção. Muito, mas muito acima do que é normal para o padrão do Rotten Tomatoes.

The Florida Project fez pouco mais de US$ 5,6 milhões nas bilheterias dos Estados Unidos. Ainda que o filme seja um bocado independente, acho que essa bilheteria ainda está baixa para as expectativas dos produtores. O filme precisa faturar mais para ser considerado um sucesso comercial.

Esse filme é uma produção 100% dos Estados Unidos, por isso ele entra na lista de produções que atendem a uma votação feita há algum tempo aqui no blog.

CONCLUSÃO: Toda criança deveria ter o direito de ser criança. Ponto. Mas, além disso, ela deve aprender que as suas ações tem consequências, e que dinheiro não dá em árvore. Apenas para começar. Além disso, de forma singela, ela deve aprender que onde termina o direito dela, começa o do outro. Respeito, empatia, saber que tudo custa algo – e não estou falando apenas de questões materiais.

The Florida Project abana na nossa cara uma realidade que poucos gostam de ver. Estando perto de um parque da Disney ou não. O que vemos em tela, se repete, com pequenas variações, em diversos lugares – quem sabe, inclusive, na nossa vizinhança. E o que vamos fazer a respeito disso? Esse filme mostra, com todas as letras, que fechar os olhos para o problema não faz com que ele despareça. E, afinal de contas, quem realmente se preocupa com aquelas e tantas outras crianças? Um filme que incomoda, que mexe com o espectador e que faz pensar. E por um bom tempo.

PALPITES PARA O OSCAR 2018: The Florida Project não foi esquecido pelo Oscar. A produção recebeu uma indicação, a de Melhor Ator Coadjuvante para Willem Dafoe. De fato, o ator é um dos destaques dessa produção. Essa é a terceira indicação de Dafoe a um Oscar. E, tudo indica, ele vai ficar esperando mais uma vez para ganhar uma estatueta dourada.

O favoritíssimo desse ano para levar o prêmio de Melhor Ator Coadjuvante é Sam Rockwell, um dos destaques do filme Three Billboards Outside Ebbing, Missouri. Essa é a primeira vez que Rockwell é indicado ao Oscar e, pelos prêmios que ele recebeu nessa temporada, deve levar o prêmio para casa. Assim, tudo indica que The Florida Project não foi ignorado totalmente pelo Oscar, mas que sairá da premiação de mãos abanando. Acho que o filme foi indicado realmente ao que merecia e que, apesar de ser interessante, não chegou ao ponto de merecer um Oscar.

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4 comentários em “The Florida Project – Projeto Flórida

  1. Pingback: | PROJETO FLÓRIDA
  2. Nossa, excelente critica ao filme. Juro que fiquei com vontade de assistir de novo, porque minhas impressões iniciais foi olhar como as crianças realmente se divertiam naquele contexto caótico em que elas estavam inseridas. Entendi, também, como um grande cutucão á própria cultura norte-americana de ter que necessariamente “fabricar sonhos” para que alguma diversão faça sentido. Claro, a questão da criação das crianças é realmente o assunto latente no filme, mas em um primeiro momento ficou em segundo plano na minha experiencia com o filme.

    Com Certeza assistirei novamente!

    (Muito bom o seu blog, não conhecia. Gostei do seu estilo de escrita. Irei seguir!)

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