Um filme com tantas camadas e com tantos temas que é até difícil saber por onde começar. Mas acho que pode ser interessante iniciar essa crítica pelo final do filme. O Agente Secreto é uma produção necessária não apenas pelos temas que trata e pela época que a história retrata mas, principalmente, por nos fazer refletir sobre a importância da memória. Quem atualmente está olhando para o nosso passado, enquanto história construída por um coletivo, com olhar crítico e vontade de entender realmente o que aconteceu? E quem está simplesmente “seguindo em frente”, sem muita vontade de saber sobre o que aconteceu? E isso vale para o coletivo e para o individual. Questões importantes e que acabam sendo um dos temas mais importantes dessa produção.
A HISTÓRIA
Uma imagem antiga. Uma bola cai do alto. Ouvimos notícias transmitidas por uma rádio. Quem fala comenta sobre futebol e, depois, sobre música. Em seguida, vemos um compilado de imagens da época, com registros dos Trapalhões, da novela Escrava Isaura, do Chacrinha, de Caetano e Bethânia, e por aí vai. Então sabemos que essa história está ambientada em 1977, em uma “época cheia de pirraça” no Brasil.
Vemos um Fusca percorrendo uma estrada, até que ele chega ao Posto São Luiz. O motorista do Fusca, Marcelo (Wagner Moura), logo que para o carro, percebe que há um corpo estirado no chão. O frentista (Joálisson Cunha) explica que o rapaz foi morto com dois tiros por um colega depois de tentar assaltar o local. Ele emenda: “o meliante mereceu”, e afirma que o corpo está ali desde domingo. Como é Carnaval, ainda que a polícia foi chamada, ninguém apareceu.
Marcelo sai do carro, sente o cheiro forte e espanta alguns cães que aparecem. Quando Marcelo está quase saindo do local, ele é abordado por dois policiais rodoviários (Jimmy Astley e Albert Tenorio) que chegam no posto. Depois de um deles revistar o carro, ele pergunta se Marcelo não quer “inteirar a caixinha de Carnaval dos oficiais”. O motorista diz que gastou tudo que tinha enchendo o tanque do Fusca e que pode dar três cigarros para o policial, que aceita a propina e vai embora. Marcelo segue sua viagem até o Recife.
VOLTANDO À CRÍTICA
(SPOILER – aviso que o texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a O Agente Secreto): Como eu comentei anteriormente, acho que um dos aspectos que mais chama a atenção nesse filme é como ele trata de muitos assuntos e como ele apresenta tantas camadas que é até difícil definir essa história ou saber por onde começar um texto sobre essa produção.
Ao mesmo tempo que O Agente Secreto é muito rico na busca por retratar de forma honesta e franca o tempo e o local sobre o qual a história central se passa, ele não é um filme confuso, cansativo ou denso demais. Pelo contrário. Como essa história toda se passa durante o Carnaval de 1977, temos o riso, a alegria, o drama e a tragédia típicos dessa data permeando toda essa história.
Alguém pode me questionar: “mas como assim o Carnaval inclui drama e tragédia?”. Bem, basta pensar em cada data destas. Sim, há muita alegria, canto, festa, vibração nas ruas, clubes, esquinas e afins. Mas há também muita gente passando da conta, de diversas formas, muita morte nas estradas e em brigas diversas. Então há riso, alegria, mas também morte e drama. E essa essência do Carnaval parece permear toda essa história.
Vamos falar primeiro da trama central de O Agente Secreto e, depois, de alguns temas paralelos e outras questões que orbitam a história do protagonista do filme. (SPOILER – não leia se você ainda não assistiu ao filme). A história principal do filme, sem dúvida alguma, envolve o personagem Marcelo Alves que, na verdade, é o nome de fachada adotado por Armando Solimões, interpretado por Wagner Moura. Levamos um bom tempo para saber, mas Armando é um fugitivo, uma pessoa que adotou uma outra identidade para conseguir sobreviver a uma perseguição de um empresário inescrupuloso, Henrique Ghirotti (Luciano Chirolli).
As escolhas do diretor e roteirista Kleber Mendonça Filho foram interessantes nesse O Agente Secreto. O grande nome por trás dessa produção escolheu nos levar pelas mãos em uma narrativa linear por grande parte do tempo, mas sem começarmos a acompanhar a história do protagonista desde o início. Não. Acompanhamos Marcelo/Armando quando ele está retornando para Recife, depois de ficar por um tempo longe da cidade, do seu filho, Fernando (Enzo Nunes), e dos seus sogros, Alexandre (Carlos Francisco) e Lenira (Aline Marta Maia).
Mas demora um bom tempo para sabermos o que fez Marcelo/Armando ficar distante do filho e de sua cidade. Só depois de mergulharmos em muitas cenas do cotidiano e da época é que a história nos traz o contexto – o que é uma escolha interessante, convenhamos, porque nos faz pensar sobre quantas vezes as pessoas opinam ou acreditam em algo sem entenderem todo o contexto, pegando apenas recortes ou procurando entender questões complexas focando em apenas uma face da moeda.
Essa reflexão é importante para agora e certamente será para o futuro. Porque cada vez mais vemos pessoas abraçando “causas” e acreditando em histórias que são contadas apenas em parte e por conveniência de alguns, sem procurarem mergulhar nos assuntos e entender todas as variáveis – especialmente de temas complexos, o que determinada grande parte da nossa realidade.
Mas deixando de filosofar um pouco sobre as escolhas de Kleber Mendonça Filho e retomando a narrativa de O Agente Secreto… o roteirista e diretor apresenta essa história em algumas partes. E a parte 1, chamada “O pesadelo do menino”, pode ser interpretado de diferentes formas – como quase tudo no filme.
Podemos entender esse “pesadelo do menino” sob a ótica do garoto Fernando, que está fascinado com o cartaz e a propaganda envolvendo o filme Tubarão, e que tem pesadelos envolvendo o animal que ele considera terrível, ou podemos entender essa parte como o pesadelo de Marcelo e dos outros personagens que ele encontra no Edifício Ofir. O pesadelo em questão seria o contexto da época, quando pessoas eram perseguidas e ameaçadas de morte, basicamente, por serem o que eram.
Marcelo chega no Edifício Ofir, onde passa a morar, e é acolhido pela simpática e interessante Dona Sebastiana (Tânia Maria). (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme ainda). Só depois vamos descobrir, mas Dona Sebastiana é uma sobrevivente da Segunda Guerra Mundial e uma mulher que resiste ao abrigar diversos perseguidos políticos da época. No Edifício Ofir, que ela administra, Dona Sebastiana recebe pessoas com perfis bem diferentes, mas todas ameaçadas de morte.
Eles estão fugindo e precisam de um abrigo. E todos se encontram naquele local. O Agente Secreto nos apresenta, assim, muitos perfis de pessoas que eram perseguidas durante a Ditadura Militar. Um retrato interessante e não muito comum de vermos nos filmes sobre a época. Além de sermos apresentados a algumas pessoas que vivem naquele local, também somos apresentados a histórias “curiosas”, como um tubarão que foi capturado e que tinha uma perna humana dentro.
O Agente Secreto apresenta diversos “causos” durante o desenrolar da produção. Por mais que alguns possam parecer pura curiosidade ou algo que pode estar ali apenas para provocar uma reação no público, vejo todos esses “causos” com um propósito.
Por exemplo, aquela perna encontrada dentro do tubarão, aos poucos vai revelar como a polícia local – e que representa a polícia de todas as partes do país naquela época – é corrupta e tem seus próprios interesses. Eles perseguem, matam e “dão um fim” aos corpos como podem – em São Paulo, matadores desovam os corpos em uma represa, mas no Recife a polícia faz isso no mar. Depois, os policiais fazem uma “operação” para resgatar a perna do necrotério e dão um fim ao que restou da pessoa que eles mataram antes da perna “render” algum problema maior.
Tudo isso virava notícia no jornal local. E cada notícia – essa é uma outra sacada do filme, porque nos ambienta em uma época que a galera mais jovem não imagina ter existido, bem antes das redes sociais – reverbera na sociedade e é discutida dentro das casas, nas empresas e nas praças. Essa é a típica sacada do filme que está “escondida” e inerente em uma subcamada – de várias que a produção apresenta.
O Agente Secreto se passa em uma época em que o debate público era definido pelos jornais, pelos filmes que passavam no cinema, pelo que acontecia nas ruas durante o Carnaval. As pessoas compartilhavam as mesmas histórias, especialmente quando um assunto saia no jornal, e aquilo definia o que seria discutido na sequência.
Hoje, as redes sociais e a internet em geral divide as ruas, os bairros, as cidades, e todas as pessoas que vivem nesses ambientes em bolhas. Nenhum tema predomina em todos os lugares e circula em todas as bolhas. O debate público que existia no Recife de 1977 e que era estimulado pelas notícias que saiam nos jornais todos os dias não existe mais. Não daquela forma. Nada mais une as pessoas como os jornais, os cinemas, as televisões de outrora.
Essa é uma de várias camadas que aparecem em O Agente Secreto. Esse tema não está no centro da narrativa, mas orbita ao redor dela e nos faz pensar. E há vários outros temas como esse no decorrer da produção. Mas ok, voltemos ao desenrolar da história. Então conhecemos o protagonista e o acompanhamos na chegada à Recife. Depois de sermos apresentados a alguns dos personagens que vão dividir o novo endereço do protagonista na cidade, descobrimos que ele foi para lá para visitar o filho. Os avós do garoto, assim que encontram o pai do menino, parecem agitados. Ele sabe que Marcelo pode trazer problemas.
Demoramos um bom tempo para saber que tipo de problema Marcelo pode trazer para eles. Antes disso, sabemos que a mãe de Fernando morreu, e somos apresentados a dois matadores, Augusto Borba (Roney Villela) e Bobbi (Gabriel Leone). Eles matam uma pessoa e desovam o corpo em uma represa em São Paulo antes de serem chamados por Henrique Ghirotti para uma reunião. (SPOILER – não leia… bem, você já sabe). Naquele encontro, os três homens combinam o preço para os pistoleiros matarem o protagonista dessa história.
Antes da parte 1 terminar, ainda descobrimos que Dona Sebastiana esconde da maioria das pessoas que sua parente foi morta pelo namorado porque ele não aceitava que ela tinha ganho uma bolsa para estudar na Alemanha e que as pessoas que ela acolhia no Edifício Ofir eram “refugiados” – nas palavras de Haroldo (João Vitor Silva).
Bem, apenas com a parte 1 percebemos algumas questões importantes daquela época: a vida das pessoas tinha um preço, que algumas vezes era negociado, mas que não era difícil de pagar por empresários da época; policiais e pistoleiros matavam com facilidade e “sumiam” com os corpos das vítimas com igual facilidade; pessoas das mais diferentes origens e perfis tinham locais de “resistência” para buscarem ajuda e tentar fugir da perseguição; o que passava no cinema e o que saia nos jornais virava assunto em todas as casas e movimentava as cidades; algumas vezes famílias eram divididas e pais tinham que ficar longe de seus filhos por causa de perseguições que ainda não sabíamos a motivação (e existe explicação para algum assassinato? segundo a minha visão de mundo, não, não existe “motivação” ou “explicação” para alguém tirar a vida de outra pessoa).
Então o filme nos apresenta a parte 2, da “Identificação” (admito que não peguei o título completo desta parte, mas tem a ver com esse tema da identificação. Novamente, essa parte pode ter mais de uma interpretação. A mais óbvia é que logo após essa parte começar, vemos Marcelo indo trabalhar em uma repartição em que são emitidas as carteiras de identidade e onde as identificações das pessoas são feitas.
Apesar do local começar a atender às 7h, Marcelo e os outros funcionários são chamados para estar no local às 5h. A identidade Marcelo depende deste emprego – que é um cargo de fachada, solicitado por ele, para que ele busque um documento da mãe há tempos falecida. Inicialmente Marcelo não entende porque ele e os demais chegaram tão cedo, mas logo a razão fica clara: eles devem estar lá para mostrar a repartição cheia, fazer de conta que estão trabalhando, enquanto uma mulher rica é levada para o local para dar um depoimento.
Esse capítulo, que não é importante, aparentemente, para a história, ajuda a nos mostrar, mais uma vez, o contexto da época. A lei poderia dizer que as pessoas eram todas iguais mas, na prática, uns eram mais iguais que os outros. Essa e outras leituras que fazemos do que O Agente Secreto nos apresenta serve para o Brasil de 1977 e para o país de 2025 – e de 2026 que está batendo na nossa porta.
Quanto de fato evoluímos nesses quase 50 anos? Nesse aspecto dos ricos serem tratados de forma diferente, acho que muito pouco. E outras questões comentadas anteriormente também apresentaram pouca evolução, convenhamos – do feminicídio até pessoas serem mortas e “desovadas” com certa facilidade país afora, dependendo de quem se trata…
Marcelo tem um pouco desse “suco de Brasil” com aquela sequência que apresenta para ele seu novo “ambiente de trabalho” – novamente, uma fachada para uma das questões que ele quer tratar na cidade nesse seu retorno. O protagonista, basicamente, tem duas missões: pegar o filho Fernando e levar com ele para outro lugar, longe do Brasil, de preferência; e buscar por um documento que comprove a existência de sua mãe – algo que Marcelo/Armando nunca teve.
Nessa parte 2 do filme, portanto, somos apresentados a esse cenário em que funcionários públicos tinham uma forma de se organizar e de ocupar o tempo muito particular, em que alguns empregos eram dados para suprir algumas necessidades particulares e como fachada e em que as pessoas eram tratadas de forma muito diferente conforme as cifras que elas tinham na conta bancária. A polícia novamente faz um papel importante nesse contexto de tirar direitos de uma mãe enlutada para proteger uma mulher endinheirada – hoje ainda será que a polícia trata diferente as pessoas conforme sua origem, roupa e afins?
Nessa parte 2 do filme também começamos a entender melhor a identidade por trás de Marcelo. Primeiro, fica mais claro que ele está sendo perseguido e que precisa tomar cuidado com o que fala e para quem fala quando ele fala com um amigo que está em Brasília, chamado João Pedro (Marcelo Valle). Em seguida, Marcelo descobre que o nome dele foi colocado “na lista da Polícia Federal” e que, por isso, ele não pode sair do país. João Pedro diz para ele que o nome mais importante que ele deve ter em mente a partir dali é o de Elza.
Então duas jovens, que parecem estudantes, conversam sobre Elza, quem ela era, e as pessoas que ela apoiou. Uma dessas jovens é Flávia (Laura Lufési), que vai acabar se destacando nessa história – voltarei a falar sobre ela depois. Elza, que vamos saber depois se tratar do nome falso utilizado por Sara Gerber (Maria Fernando Cândido), seria uma “filha de uma família rica que rouba do país” há muito tempo. Ela resolve “devolver” um pouco para o país do que sua família roubou ajudando “refugiados” e perseguidos políticos a sobreviverem e terem uma nova chance para viver suas vidas.
Pois bem, em seguida, somos apresentados para Elza e para seu parceiro de jornada, Valdemar (Thomás Aquino). Eles se encontram com Marcelo e pedem para ele falar sobre Henrique Ghirotti. A conversa é gravada por Elza, com autorização de Marcelo, mas ele chega a parar a fita por um tempo para contar os bastidores de sua história.
Então descobrimos a real história por trás do codinome Marcelo e do que está fazendo ele retornar para Recife apenas agora – além de ser jurado de morte. Só então O Agente Secreto volta no tempo, em três anos, nos mostrando como Henrique Ghirotti mudou a vida de Armando Solimões a partir de 1974, quando eles se encontraram pela primeira vez.
Na ocasião, Henrique era membro do Conselho da Eletrobras, empresário que havia investido em protótipos de carro elétrico desenvolvidos fora do país, e que foi até o Recife para conhecer o que estava sendo desenvolvido no departamento da universidade coordenado por Armando/Marcelo. Como o departamento em questão recebia recursos públicos, inclusive de projetos da Eletrobras, a visita de Henrique “se justificava”.
Arrogante ao extremo, o empresário desdenha de Armando desde o princípio. Na verdade, dizendo-se do Sul, sentindo-se superior por isso, Henrique desdenha de todos que estão ali por eles serem “do Norte” do país – onde, segundo ele, nada de bom poderia ser desenvolvido. Henrique Ghirotti é o suco do empresariado brasileiro – não de todo, mas uma parte importante, convenhamos -, que considera que o Sul e o Sudeste são superiores e que o Norte e o Nordeste são o “atraso” do país. Quem já não ouviu esse discurso? Quanto desse país ainda não funciona com essa lógica absurda?
Enfim, quando O Agente Secreto entra nessa explicação sobre o contexto que faz o protagonista dessa história ser perseguido e jurado de morte, não tem como não ficar com o estômago embrulhado. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). No fundo, e vamos descobrir isso de forma mais clara conforme a história do filme se desenrola, Armando/Marcelo foi perseguido e morto por ser um pesquisador excelente, um profissional excepcional, e por não ter dobrado o joelho e baixado a cabeça para o “empresário do Sul”.
O que revolta mais é pensar que não apenas isso aconteceu como ainda acontece no Brasil. Quantas pessoas tem as portas fechadas e são perseguidas, talvez não até serem mortas, mas até o ponto de suas carreiras serem destruídas, porque elas não se submeteram aos interesses de alguns poderosos – muitos deles chamados “homens de bem” e que “dão emprego para muita gente nesse país” (leia-se empresários).
Mas não é só sobre os dias atuais que O Agente Secreto nos faz refletir. Ele faz pensar também sobre as razões de fundo que fazem muitas pessoas ainda defenderem a “ditadura”. Muitos alegando que o país viveu uma “época de ouro” (novamente me embrulha o estômago lembrar dessas palavras e argumentos) durante a Ditadura Militar. Ora, as razões de fundo de muitas dessas pessoas é porque elas sentem falta da época em que elas praticavam com maior facilidade tudo que o personagem de Henrique Ghirotti pratica nessa história.
Além de mandar matar e mandar e desmandar, o tal empresário fazia o que muitos fazem até hoje: desviava recursos públicos para benefício próprio. E os empresários fazem isso de diferente maneiras, dissimulando suas práticas criminosas de muitas formas. Naquela época, em 1977, e até hoje, em 2025/2026. Essa coluna de Leonardo Sakamoto publicada ontem, sobre o “Caso do Banco Master”, me fez lembrar muito de O Agente Secreto e sobre essa questão que o filme traz.
O sistema é podre ou está podre, e não é de hoje. Há tempos é assim… e cada avanço que o país faz tem muitos movimentos de retrocesso na sequência justamente porque essa gente toda que se autoproclama como “cidadãos de bem” estão pensando sempre em si próprios e querem que o país e a maior parte das pessoas que moram nele se lasquem. Isso está evidente em O Agente Secreto e sua reconstituição de época e em como o filme faz a gente pensar no nosso presente no final – o que, aliás, é uma das grandes sacadas da produção.
Mas voltando para a narrativa de O Agente Secreto… depois de falar sobre a “visita oficial” de Henrique Ghirotti no departamento que ele chefiava na universidade, Armando fala sobre uns bastidores importantes. Na noite anterior a esse encontro oficial, Henrique foi jantar com o filho igualmente escroto junto com Armando e a mulher dele, Fátima (Alice Carvalho). Ali Henrique destila ainda mais seus preconceitos, o que naturalmente provoca ânsia de vômito em Fátima – e em qualquer mulher que tenha o mínimo de dignidade -, e aquele encontro não termina nada bem.
Então a questão de Henrique com Armando acabou extrapolando o interesse financeiro e “empresarial” e chegou até a esfera pessoal. Armando e Fátima enfrentaram o empresário escroto e isso ele não podia admitir. Novamente, uma realidade que vemos diariamente nesse país, de alguns se achando realmente superiores aos outros pelo dinheiro que tem ou pela “posição social” que ocupam.
Armando era um professor e pesquisador incrível, tanto que ele havia patenteado a bateria de lítio que ele havia desenvolvido. Como acontece com muitos criminosos, Henrique joga em Armando uma crítica que serve apenas para ele: de que o pesquisador havia utilizado recursos públicos para “se beneficiar”. Armando contesta essa afirmação dizendo que ele havia desenvolvido a pesquisa e que tinha o direito de patentear a sua descoberta, e que os recursos públicos foram bem utilizados. Mas não é raro que quem acusa é justamente aquele que pratica o crime…
Algo interessante desse contexto que explica a perseguição do protagonista é que ele demonstra como muitas vezes algumas tecnologias tem o seu desenvolvimento atrasado de forma proposital por quem deseja seguir se beneficiando por práticas piores. Imaginem que em 1977 já tínhamos o desenvolvido de baterias de lítio que permitiam o avanço dos carros elétricos… algo que está se tornando realidade apenas agora, quase 50 anos depois, porque muitos empresários precisavam que o petróleo e seus derivados seguissem dominando o mercado. E vejam que preço estamos pagando por isso…
Quanto deixamos de avançar e o quanto do nosso futuro poderia ter sido preservado se a tecnologia do carro elétrico e diversas outras tecnologias tivessem sido desenvolvidas antes caso os empresários, políticos e países que defendiam (e defendem ainda) o petróleo não tivessem dominado as decisões políticas nas últimas décadas? Enfim, o debate é longo, mas é mais um tema que O Agente Secreto levanta de forma nada óbvia ou declarada. Esse e vários outros temas estão lá, fazem parte da história, mas não são apresentados de forma didática.
Enfim, ainda na parte 2 de O Agente Secreto, ficamos sabendo um pouco mais sobre os dois matadores contratados para tirar Armando do mapa. Augusto Borba, o mais experiente da dupla, é um ex-militar. Ele e seu parceiro, que ele pegou para criar, são do interior do Rio de Janeiro – uma alusão clara às origens dos milicianos, outra praga que nos persegue até hoje. Ou seja, o tal “passado” está bem presente.
O filme então nos apresenta a “lenda” da perna que assustava a população da época. O Agente Secreto sugere que a tal perna pode ser a que foi encontrada dentro do tubarão e que depois foi desovada novamente pela polícia. Enquanto as pessoas viviam quase uma suruba espalhada na Praça 13 de Maio, a tal perna aparece pulando por ali, se esgueirando entre as árvores, até que ela decide atacar as pessoas dando chutes em muitos que estavam na praça.
Como tudo nesse filme – ou quase tudo -, acredito que essa “lenda” da perna que atacava as pessoas possa ter muitas interpretações. De fato a história virou notícia na época. Eu tenho a minha interpretação sobre isso. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Para mim, as pessoas que estavam fazendo sexo de diferentes formas em praça pública foram atacadas e agredidas pelos policiais da cidade, mas como elas não podiam denunciar os “homens da lei” da ocasião, acabaram contando essa história como se o ataque tivesse sido feito por uma perna.
Aliás, uma das poucas questões que me incomodou nesse filme foi essa questão da galera se atracando em diversas sequências de sexo oral e afins. Ok, eu não vivi no Recife de 1977. Pode ser que isso realmente acontecia na época. Mas vendo O Agente Secreto hoje, com tantas cenas de Carnaval e de sexo explícito em diferentes locais – especialmente na praça e no cinema -, a impressão que eu tive é que O Agente Secreto quer chegar até a audiência gringa reforçando estereótipos do Brasil. Afinal, esse é o país do Carnaval e do sexo, não é mesmo? Que o diga os escrotos dos turistas que vem para cá fazer turismo sexual…
Novamente, eu não vivi o Recife de 1977. Talvez a cidade vivesse dessa forma mesmo. Eu nasci dois anos depois – sim, entreguei a minha idade – e em outra parte do país. E, honestamente, nunca vivi esse Brasil em que o Carnaval e o sexo predominavam por todas as partes. Andei por parte desse país e não vejo o Brasil como o país do Carnaval e do sexo, onde todas as mulheres e os homens estão sedentos por transar. Hoje, em 2025/2026, ainda mais isso me parece um estereótipo fantasioso. Então sim, isso me incomodou no filme.
No finalzinho dessa parte 2 do filme, sabemos um pouco mais sobre Dona Sebastiana, que revela mais de sua identidade… ela se diz comunista e anarquista e, ao conversar com pessoas de seu entorno, eles comentam que esperam pelo dia em que o “Brasil será melhor, com menos pirraça” – alusão direta ao início do filme.
Então O Agente Secreto inicia a sua derradeira parte 3: “Transfusão de sangue”. Novamente, esse título pode ser interpretado de mais de uma forma. Eu vejo tanto pela ótica da matança que veremos pela frente quanto pelo que acontece na reta final da produção. Primeiro, a terceirização do crime – o que não deixa de ser uma “transfusão de sangue”.
Os matadores originados do Rio de Janeiro encontram um “matador de aluguel” local e pergunta o quanto ele cobra para matar alguém. O sujeito pede 4 mil Cruzeiros (eles fecharam com o mandante por 60 mil Cruzeiros), e eles ainda “pechincham”. O cabra “macho” não cede e fica bronqueado com Bobbi, que ele acha abusado.
Enquanto isso, Armando procurando o documento de identificação da mãe, Aparecida dos Santos, na repartição pública – o azar dele é que o nome dela era bem comum para a época (eu fiquei na dúvida, na verdade, se o nome dela era realmente comum ou se colocavam esse nome para pessoas que tinham sido mortas e que precisavam de algum documento de registro). Enquanto o matador local e Bobbi procuram seguir o sogro de Armando para saber onde eles podem encontrá-lo, o senhor Alexandre leva um desenho que Fernando fez para o pai.
E essa visita acaba abrindo uma oportunidade para o crime que Alexandre e Armando nem imaginam. (SPOILER – não leia… bem, você já sabe). Quando chega no local de trabalho de Armando, Alexandre acaba chamando Marcelo pelo seu nome real. Os colegas estranham e corrigem o homem, mas o matador local acaba vindo em seguida e chamando Armando por seu nome. Armando é esperto e não responde para ele, ignora o matador, e acaba pedindo ajuda dos policiais alegando que tem uma pessoa importunando as funcionárias do local.
A partir daí o filme entra em uma sequência muito interessante e um tanto alucinante de perseguições e crimes. Antes desse sequência, Kleber Mendonça Filho já demonstra seu talento como diretor, mas eu considero a reta final de O Agente Secreto uma aula dele nesse quesito – e em relação ao roteiro também. O filme ganha muitos pontos na forma como a história é concluída.
Eu achei especialmente interessantes alguns pontos da reta final de O Agente Secreto. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Primeiro, o olhar crítico e um pouco irônico que o diretor e roteirista colocam para a atualidade. Descobrimos que as jovens que estão ouvindo as gravações de Elza/Sara Gerber, que incluem as gravações com Armando, são estudantes universitárias que estão fazendo isso em um trabalho de extensão que acaba sendo abortado porque as transcrições traziam “dados sensíveis” – mais uma demonstração de como o passado segue nos “assombrando” e afetando nosso país até hoje. O que é uma grande realidade.
Depois, muito interessante a conversa entre Flávia e sua colega. Revelando-se muito mais interessada pela história das pessoas que ela e a colega estão acompanhando na transcrição das fitas, Flávia pergunta para a colega se ela não tem interesse em saber o que aconteceu com aquelas pessoas. A colega diz que sim, mas comenta que não achou muita coisa no Google – hahahahaha, achei muito boa essa crítica irônica, porque hoje muita gente que nasceu após os anos 2000 não sabe como achar informações que não estão no Google. E sim, muuuuita coisa, um verdadeiro mundo de informações não está no Google e nem pode ser acessada pela tão comentada “inteligência artificial”.
Flávia então comenta que para saber mais sobre aquelas pessoas elas devem pesquisar nos jornais da época, e a colega dela diz que acha isso muito difícil. Hahahahaha. Novamente, eu tenho que rir. Se pesquisar em jornais de época é difícil… realmente o nível de dificuldade varia muito conforme a “geração”. 🙂 Mas fora a brincadeira por aqui, gostei dessa reflexão do diretor e roteirista. Realmente precisamos ensinar a galera que nasceu após o surgimento da internet como pesquisar e como é importante ir muito além das respostas fáceis e limitadas de Google e todas as demais ferramentas que a internet nos oferece.
Para a nossa sorte – e da história de O Agente Secreto – a personagem Flávia vai além do Google e busca por outras respostas. Um pouco pela ligação que ela sente ter com Armando, já que o avô dela nasceu também em Pernambuco, e um pouco pela curiosidade natural de uma boa pesquisadora e por ela ter ficado fascinada por aquela história que elas começaram a conhecer ao transcrever aquelas fitas gravadas, Flávia se sente motivada a ir atrás de mais informações sobre Armando. Para saber o que aconteceu com ele – algo que as fitas não revelam.
(SPOILER – não leia… bem, você já sabe). A partir daí, eu considero que O Agente Secreto entra em sua melhor parte. Flávia descobre, através de um jornal da época, que Armando foi morto com diversos tiros (nenhum na cara, o que nos faz pensar, já que o matador local disse que sempre atirava na cara…). Ou seja, ele não conseguiu escapar e sair de Recife com o filho, como ele queria e estava prestes a fazer.
Depois de descobrir isso, Flávia vai atrás de Fernando, hoje um homem. E daí outra explicação para o título da parte 3: Flávia encontra Fernando em um local em que as pessoas doam sangue. Ela vai para Recife para conhecer o filho de Armando e para entregar para ele um pendrive com as gravações digitalizadas das fitas em que o pai dele aparece.
O encontro de Flávia com Fernando, para mim, é o ponto alto da produção. E eu vou explicar o porquê. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme ainda). A interação entre os dois, a meu ver, resume bem o perfil diferente que as pessoas têm atualmente – e o preço que isso cobra de todos nós. Há pessoas como Flávia, que não vivenciaram nada do passado e que não tem uma ligação pessoal com os fatos mas que se interessam por saber mais sobre o que nos trouxe até aqui e desejam se aprofundar de forma crítica e atenta ao passado e há pessoas como Fernando, que não querem saber do passado, mesmo quando há alguém próximo que foi vítima dessa história.
E a cereja do bolo, o ponto alto do final, é a sequência irônica em que Fernando explica para Flávia sobre a história do local em que eles estão. Ele fala que ali foi um cinema, antigamente, e que muita gente que vai até o local para doar sangue hoje não sabe sobre isso. Curioso, não? Ele se interessa por essa curiosidade, que não muda grande coisa na vida de ninguém – mas que faz parte da história e da memória da cidade, claro -, mas não se interessa por saber da história do próprio pai, que é muito ilustrativa sobre o que aconteceu com a sociedade local e com o país em geral. E que nos afeta a todos, de forma mais direta ou indireta, até hoje.
Esse é o ponto alto do filme, para mim, porque ele nos deixa com um gosto amargo na boca. Não apenas por sabermos o que aconteceu com Armando, mas por ver como o filho de quem ele queria tanto se aproximar não honra sua história, o que aconteceu com ele. E as pessoas desaparecem e suas histórias também quando as pessoas deixam de lembrar delas, do que elas passaram, esquecem o que elas fizeram, o que elas defenderam, o que elas viveram.
Muitos filhos não sabem a verdadeira história de seus pais, muito menos de seus avós, bisavós e demais antepassados. Mas para uma pessoa entender a si mesma, é importante ela saber sobre essas histórias, descobrir o passado de suas origens. E isso vale para o coletivo, para uma sociedade inteira. Triste o país que não tem história e não relembra e rediscute a sua história. O Brasil, infelizmente, tem menos apreço do que deveria para conhecer e debater sua história. E por isso estamos onde estamos, com tanta ignorância caminhando por aí.
Nesse sentido, achei O Agente Secreto um filme perfeito. Por nos trazer essas reflexões e por nos trazer um pouco do passado que precisamos sempre revisitar. Só não achei que o filme chega no ponto que outras produções já chegaram em termos de emocionar. Me parece que ele é muito mais racional e que revisita diversos estereótipos do Brasil, reforçando alguns deles, mas para o meu gosto faltou um pouco mais de “coração”.
Não me senti tão envolvida com essa história do que com Ainda Estou Aqui (com crítica neste link). E alguém pode dizer: “Ah, mas por que comparar esses dois filmes?”. Sim, nunca é exatamente justo compararmos os filmes. Afinal, cada obra é única. Isso é verdade. Mas o que fazemos a cada ano, a cada edição do Oscar e a cada edição da premiação de cinema que for? O que fazemos quando alguém nos pede para indicar um bom filme? Sempre comparamos uma obra com a outra e escolhemos as que mais gostamos.
Bem, nesse sentido, acho O Agente Secreto um grande filme sim. Gostei do que eu vi e principalmente do que o filme me motivou a pensar depois que os créditos subiram. Acho que O Agente Secreto tem a grande qualidade de durar por muito tempo na nossa memória e de mexer com a gente. Mas ele mexe muito mais com o nosso racional, com a nossa crítica, com nossos valores, mas mexe menos com as nossas emoções do que outros filmes. E eu particularmente gosto mais de filmes que estimulam a minha crítica, o meu racional, mas que também me emocionam. E faltou esse último elemento para O Agente Secreto ser perfeito.
Considero esse um dos belos filmes do ano e acho sim que ele tem que ganhar diversos prêmios. Tem que emplacar vitória no Globo de Ouro e tem que ser indicado a mais de um Oscar. Mas eu ainda considero Ainda Estou Aqui melhor e acho que outras produções dessa safra tem mais chances que a produção brasileira para levar estatuetas douradas para casa. Mas falarei mais sobre isso logo mais.
NOTA
9,7.
OBS DE PÉ DE PÁGINA
Olá, minha gente. Quero registrar que faz poucas semanas que eu assisti a O Agente Secreto. Então tenho ele bem na memória. Dei uma “corrida” para publicar essa crítica sobre o filme ainda hoje, antes do ano “virar”, porque eu queria terminar o ano falando do último filme que eu assisti em 2025. Então encerro esse post por aqui, com o compromisso de terminar de fazer observações sobre o filme nos próximos dias, beleza? Mas essa parte aqui vou deixar para finalizar depois. Agradeço pela compreensão. 😉 Até breve!
CONCLUSÃO
Um filme sobre o fim de uma era no Brasil – ainda que parte daquela realidade e das práticas criminosas daquele momento histórico segue reverberando no país até hoje. Uma história com diversos personagens e alguns temas “paralelos” mas que fazem pensar sobre um Brasil que ficou para trás mas que ainda está presente de alguma forma. Com história envolvente, um pouco mais longo do que o ideal, mas sem que esse tempo a mais cobre um preço alto durante a exibição da história, O Agente Secreto nos faz mergulhar no passado, reviver aquela época e, ao mesmo tempo, pensar sobre o que andamos fazendo com a memória.
Ao mesmo tempo, essa produção faz a gente pensar sobre o presente, sobre como vivemos os nossos dias e sobre o que consideramos importante resgatar e algumas vezes lembrar (e o que é importante ou faz sentido esquecer). Belo resgate de uma época e de um local, com alguns valores que podem ser entendidos de forma mais universal. Uma produção envolvente, interessante, mas que perde na comparação com Ainda Estou Aqui – e infelizmente, com as possibilidades de O Agente Secreto concorrer bem no próximo Oscar, essa comparação acaba sendo impossível de não ser feita. Ainda assim, vale ser visto. O Agente Secreto mexeu comigo e provavelmente vai mexer com você.
PALPITES PARA O OSCAR 2026
Até o dia de hoje, dia 31 de dezembro de 2025, O Agente Secreto venceu 42 prêmios e foi indicado outras 86 vezes. Entre os prêmios para os quais o filme foi indicado, vale destacar as três indicações ao Globo de Ouro 2026: Melhor Filme – Drama, Melhor Ator – Drama para Wagner Moura e Melhor Filme em Língua Não Inglesa.
Como vocês que acompanham o blog há mais tempo já sabem, faz tempo que o Globo de Ouro deixou de ser um termômetro para o Oscar. Mas, apesar de não ser óbvio que quem é indicado ou quem vence em alguma categoria do Oscar vai chegar até o Oscar, também é verdade que muitas produções que concorrem em uma premiação também chegam forte no outro prêmio. E acho que isso vai acontecer sim em 2026.
Uma prévia interessante sobre o Oscar foi divulgada pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood no dia 16 de dezembro. Nesse dia a Academia divulgou as “shortlists” em 12 categorias, sinalizando que filmes avançaram na disputa e ainda buscam uma vaga na reta final da disputa. E O Agente Secreto avançou na disputa por uma vaga nas categorias Melhor Elenco e Melhor Filme Internacional. Isso é interessante. E um bom sinal.
Porque O Agente Secreto aparecer ao lado de outras nove produções buscando uma das cinco vagas em Melhor Elenco abre margem para a produção ser mais vista e poder ser indicada em diversas outras categorias além daquela que parece óbvia no Oscar 2026 para a produção, a categoria Melhor Filme Internacional – essa indicação é mais do que esperada e óbvia. Mas o filme pode aparecer indicado em que outras categorias?
Bem, as bolsas de apostas, até aqui, sinalizam que O Agente Secreto pode ser indicado nas categorias Melhor Filme, Melhor Ator para Wagner Moura, Melhor Roteiro Original e Melhor Filme Internacional. Já imaginaram que bacana? Seria histórico um filme brasileiro ser indicado em quatro categorias do Oscar. Espero que eles estejam certos e que a produção receba essas indicações – e talvez, não custa sonhar, até a indicação de Melhor Elenco.
Mas em quais categorias o filme tem chances, segundo as bolsas de apostas? Na categoria Melhor Filme, O Agente Secreto aparece apenas na nona posição na disputa. Wagner Moura aparece em terceiro na categoria Melhor Ator (atrás de Leonardo DiCaprio e de Timothée Chalamet) e O Agente Secreto aparece na quinta posição em Melhor Roteiro Original (Sinners lidera nessa categoria, seguido de Sentimental Value). Mas a boa notícia é que nas bolsas de apostas O Agente Secreto aparece na primeira posição, na frente de Sentimental Value e It Was Just an Accident.
Ou seja, se os apostadores estiverem certos, o Brasil vai receber o segundo Oscar da sua história em 2026 – e de forma consecutiva, o que não é nada comum. Seria genial, não? Eu estou na torcida para o filme ganhar o máximo de indicações possível e, claro, estou torcendo para ele levar ao menos um Oscar para casa.
Gosto mais de Ainda Estou Aqui, mas acho que O Agente Secreto merece ser premiado sim! Agora, claro, para dar uma opinião realmente embasada na categoria Melhor Filme Internacional, ainda preciso assistir aos demais filmes na disputa. Conforme eu assistir os outros fortes concorrentes, vou atualizando vocês. Até breve!