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Marty Supreme


Um jovem adulto que se vê como um dos melhores jogadores do esporte que ele ama e que vive obstinado para tornar-se um campeão mundial. Apesar de ser muito focado em seus objetivos, ele tem pouca maturidade para as questões práticas da vida.

Ele é impulsivo, muito autoconfiante, alguém que tem diversas características típicas de sua idade. Esse é o protagonista de Marty Supreme, um filme que fala sobre a busca de um jovem pelo reconhecimento e que revela as dificuldades do esporte, além da capacidade de alguns ricos em desprezar quem não é de sua mesma “classe social”.

A HISTÓRIA

Começa com um jovem procurando o tamanho certo entre caixas de sapato. Depois de escolher uma caixa, ele caminha confiante até a parte da frente da loja. No caminho, Marty Mauser (Timothée Chalamet) vê o tio dele, que também é o dono da loja, Murray Norkin (Larry ‘Ratso’ Sloman), comendo um lanche em sua sala. Marty chega até a cliente, a Sra. Mariann (Mariann Tepedino), e faz ela provar o novo número do sapato que ela gostou.

Sabemos então que essa história está ambientada em Nova York no ano de 1952. O sapato fica apertado no pé da cliente, então Marty sugere uma outra marca. Mas ele tem o atendimento interrompido por uma moça que entra na loja e que diz que foi atendida por ele outro dia. Ela comenta que acredita que esqueceu o sapato antigo na loja. Marty então leva a moça, Rachel Mizler (Odessa A’zion), para ver se os sapatos dela pararam no porão. Então descobrimos que eles tem um caso. E essa é a história cheia de rolos de Marty e de seu amor pelo tênis de mesa.

VOLTANDO À CRÍTICA

(SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Marty Supreme): Então, minha gente, quem me acompanha aqui no blog há mais tempo deve imaginar já que eu optei por assistir a Marty Supreme por causa do Oscar, certo? A premiação máxima da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood se aproxima e esse é um dos poucos filmes entre os mais indicados deste ano que eu não tinha visto ainda.

Honestamente, não vou perder muito tempo falando sobre Marty Supreme. Porque não acho que será necessário. Em geral, sendo bem direta, achei um filme bem mediano. Nada demais. Se ele não tivesse sido indicado ao Oscar, eu não teria tido problema nenhum em ignorá-lo solenemente. E se você, diferente de mim, não acha tão importante assim assistir ao máximo de filmes indicados ao Oscar, sugiro você utilizar o tempo que você usaria para ver Marty Supreme em outro filme.

De longe, acho essa a produção mais fraca na disputa como Melhor Filme no Oscar deste ano. Se fosse pelos meus critérios de qualidade, Marty Supreme nem estaria naquela lista. Mas enfim… o Oscar tem dessas coisas. Sempre temos ótimos filmes na disputa e, volta e meia, algum candidato ao Oscar que não passa de uma produção mediana.

Mas vamos lá, o que eu achei sobre esse filme? Ele me fez lembrar um pouco outros dois candidatos ao Oscar: Anora (com crítica neste link) e The Brutalist (produção comentada por aqui). Mas, apesar de me lembrar um pouco esses filmes, Marty Supreme é inferior a eles.

Basicamente, esse filme conta a história de um rapaz que tem pouco mais de 20 anos de idade e que está buscando se encontrar na vida ainda. Ele não tem um emprego fixo, tem uma mãe que vive com problemas – ou, ao menos, alega estar sempre com algum problema de saúde e precisando da “atenção” do filho, que é bastante ausente – e é apaixonado pelo tênis de mesa. Ele tem certeza que é o melhor jogador do mundo e está obcecado por conseguir essa consagração.

A narrativa de Marty Supreme é linear e nos mostra a história desse rapaz em duas temporadas do campeonato mundial de tênis de mesa. Tanto para uma temporada quanto para a outra, Marty está sempre em busca de dinheiro para conseguir chegar até o campeonato e disputar o título mundial. Acompanhamos essa trajetória dele.

No caminho, conhecemos também o entorno de Marty – não apenas a sua mãe, mas também o seu tio, que lhe deu um emprego na loja de calçados da qual ele é proprietário, uma amiga de infância que é casada e com a qual Marty tem um caso e outras pessoas que ele vai conhecendo no caminho ao tentar buscar dinheiro para viajar e competir.

O roteiro de Marty Supreme me lembra um pouco o de Anora porque o diretor e roteirista Josh Safdie, que escreveu Marty Supreme juntamente com Ronald Bronstein, também nos apresenta algumas “reviravoltas” nessa história. Tenta, a exemplo de Anora, nos “surpreender” com algumas cenas extremas e um bocado violentas. Mas não acho que o roteiro de Marty Supreme realmente surpreende.

Mesmo as sequências em que Marty perde a mão e exagera nas ações ao lado do amigo Wally (Tyler the Creator), ou então quando ele tenta resgatar o cachorro do mafioso Ezra Mishkin (Abel Ferrara), o roteiro de Marty Supreme não nos surpreende tanto quanto o roteiro de Anora. Não enxerguei realmente nenhum grande “plot twist” nessa história, apenas alguns momentos de algumas sacadas interessantes dos roteiristas, mas nada demais. Mesmo não achando Anora ótimo, considero o filme que venceu cinco estatuetas do Oscar no ano passado mais surpreende e interessante que Marty Supreme.

Verdade que Marty Supreme mergulha na realidade do protagonista dessa história, nos mostrando bastante o contexto dos judeus que viviam em Nova York no início dos anos 1950. No caso dessa história, em específico, o mundo procurava se acomodar sete anos após o fim da Segunda Guerra Mundial – por isso comentam sobre os japoneses terem sido impedidos de competir nas competições que valiam títulos mundiais. Quem perdeu a guerra foi banido das competições por alguns anos.

Então temos diversos elementos em cena nessa produção que falam muito sobre o local em que Marty cresceu, suas origens e o contexto da época. Essa é a parte mais interessante do filme. Porque a história em si de Marty não é muito marcante. Como eu comentei antes, ele é um típico jovem da sua idade, que crescia em um Estados Unidos inflado com a vitória na Segunda Guerra Mundial, e que tinha sonhos altos.

Ele queria se tornar campeão mundial e não ia medir esforços para isso. Mas ele era um cara que vinha de uma realidade simples, ou seja, não tinha dinheiro para bancar sua paixão pelo esporte. E, aparentemente, ninguém dava bola para o tênis de mesa nos Estados Unidos naquela época, porque Marty realmente não disputa nenhuma liga oficial – ao menos o filme não mostra isso – ou tem a perspectiva de conseguir algum patrocínio. Então ele tem que se virar para arranjar dinheiro para poder viajar para competir no mundial.

Extremamente autoconfiante, ele se considera realmente o cara mais talentoso do mundo. Cheio de si, ele peita um dirigente da liga para conseguir a melhor acomodação possível no primeiro campeonato que vemos ele disputando e, depois de ir para o hotel de luxo, ele ainda flerta com uma conhecida atriz que não faz mais cinema – essa atriz, Kay Stone, é interpretada por Gwyneth Paltrow.

Como um jovem empolgadíssimo com sua “jornada para o sucesso”, Marty descobre como contatar Kay no mesmo hotel e descobre que ela é casada. E não é com qualquer pessoa, mas com o ricaço Milton Rockwell (Kevin O’Leary). Em outro momento, Marty dá uma cartada ousada e se aproxima de Milton, buscando estreitar um contato para tentar um patrocínio.

Nessa parte Marty Supreme me faz lembrar um pouco The Brutalist. Mas, claro, sem que o filme que concorre ao Oscar desse ano se aproxime da qualidade que venceu em três categorias do Oscar no ano passado. Não, The Brutalist é um filme muito mais bem acabado e interessante. Mas lembrei dele pela temática que considero como sendo a central de Marty Supreme.

Para mim, o grande tema dessa produção, como antes vimos acontecer em The Brutalist, é como esse mundo é desigual e como as pessoas que tem dinheiro gostam de diminuir e de ridicularizar quem tem talento. Tanto em The Brutalist como em Marty Supreme temos dois homens cheios de dinheiro que resolvem “apoiar” o talento de outros dois homens buscando, com isso, tirar vantagem deles.

Mas, mais do que tirarem vantagem do talento alheio, esses homens ricos e poderosos não sabem lidar com a falta de talento que eles têm e buscam invalidar, podar e até mesmo ridicularizar quem antes eles disseram que iriam apoiar. Nesse sentido, Marty Supreme me fez lembrar um pouco The Brutalist – ainda que nesse novo filme o personagem central é um rapaz que tem talento no tênis de mesa e, na outra produção, o protagonista era um gênio da arquitetura. Os dois tiveram um impacto muito diferente um do outro enquanto eles viviam e, principalmente, na posteridade.

Outro ponto em comum entre Marty Supreme e The Brutalist é que os protagonistas dessas duas histórias são judeus. E esse aspecto tem relevância nas duas produções. Mas terminam aí as coincidências. Marty Supreme tem uma pegada muito mais “jovial” e dinâmica do que The Brutalist – nesse sentido, o tom e estilo da narrativa lembram mais Anora. Independente do filme lembrar outras produções, ele tem suas próprias características, vantagens e desvantagens.

Então, para resumir, Marty Supreme conta a história de um rapaz de 23 anos de idade, judeu, que é obcecado por se tornar um herói nacional. E ele quer fazer isso através do esporte. Ele ama o tênis de mesa e, sempre que pode, está jogando com quem gosta do esporte para ele treinar e aprimorar sua técnica. Pelo que vemos no filme, na época em que a história se passa, o tênis de mesa era um esporte, essencialmente, de amadores. Marty Supreme indica que não havia uma liga estabelecida e uma organização realmente profissional.

A consequência desse amadorismo é que cada atleta deve buscar por sua forma de financiamento. Não havia patrocínio organizado, recurso público envolvido. Essa foi a realidade de muitos esportes por muito tempo. Essa talvez seja a parte interessante da produção, juntamente com os efeitos desse cenário complicado na vida dos atletas – como eles terem que se submeter aos desígnios e vontades dos ricos que tem recursos para apoiá-los mas que, para isso, muitas vezes subjugam e até humilham os jovens talentos simplesmente porque eles podem fazer isso.

Para mim, essa é a parte positiva da produção. Mostrar como o tênis de mesa – e esse esporte representando vários outros – foi marginalizado por bastante tempo e como era a realidade dos atletas antes deles terem estrutura de treino e de competições. Quando o esporte ainda é amador, a vida dos atletas é muito mais complicada. Esse aspecto da produção é interessante.

O problema é que o filme é muito focado na personalidade do protagonista. Um rapaz de 23 anos que tem diversas características de um jovem ousado dessa idade. Ele não tem muitos freios e “contrapesos”. Ele é impulsivo, extremamente autoconfiante e pouco responsável. Marty acredita que tem a vida inteira pela frente e que não tem problema ser inconsequente porque ele sabe o que quer e vai atrás disso.

(SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Então ele pouco se importa com quem está ao redor. Ao menos é isso que ele demonstra em algumas situações. Ele não se importa de pegar o dinheiro do tio que lhe deu um trabalho provisório na loja de calçados para conseguir fazer a viagem que ele precisa para competir, nem que para isso ele tenha que usar uma arma e colocar contra a parede um funcionário do tio. Marty não acredita nos problemas que a mãe vive alegando e manda ela se virar. Ele se envolve com uma amiga de infância, mesmo ela casada, e depois nega que ele seja o pai do filho dela – antes dele nascer.

Ou seja, Marty está mais para um anti-herói do que para um herói. Para além do que eu já comentei, outra prova de que ele não tem limite ou até mesmo bom senso em muitos momentos, por ser impulsivo e muito autoconfiante, é que ele não pensa duas vezes em dar em cima de uma mulher casada e de começar a ter um caso com ela. Aparentemente, ele é leviano, não se prende em ninguém, não leva nenhum relacionamento à sério, apenas gosta de ter vários amigos – algo bem típico de um rapaz de 23 anos, pelo menos da maioria que tem essa idade.

Então esse filme, pelo aspecto da vida dos esportistas que não tem apoio e patrocínio, pela questão do esporte amador, até que é interessante. Mas a parte central da trama, que é mostrar o processo de “amadurecimento” do protagonista, achei bastante óbvio e batido. Quantas produções já não exploraram esse tema? E, francamente, muitas trataram esse tema de uma forma muito melhor, com maior densidade e profundidade.

Para além disso, Marty Supreme trata bastante sobre o contexto da época. Temos vários elementos da vida em Nova York na época, especialmente sob a perspectiva de pessoas comuns – que é o caso de Marty e sua família -, incluindo aí o contato que eventualmente eles têm com pessoas que apostam dinheiro em jogos e mafiosos. Esse era um contexto daquela metrópole na época.

Além disso, temos o contexto sobre o esporte mundial naquela época, quando diversos países se enfrentavam em um grande palco de cada esporte e, no caso específico desse filme, o que aconteceu com os países que perderam a Segunda Guerra Mundial. Eles foram banidos das competições oficiais por algum tempo, mas depois os atletas desses países voltaram a competir. E, nesse filme, já vemos a força da escola asiática no tênis de mesa, algo que prevalece até hoje.

Então, para resumir, Marty Supreme tem algum interesse por esses aspectos do cenário do esporte e pela reflexão sobre como o dinheiro manda no mundo e massacra ou dá oportunidades para alguns talentos. Fora isso, é uma produção muito centrada em um personagem que está em uma trajetória de amadurecimento. Nada de novo aqui. E nada muito excepcional ou especial.

Além disso, devo admitir, me incomodou um pouco como Marty trata as mulheres. Ele não respeita, de fato, Rachel, e admite alguma responsabilidade sobre o que ele fez com ela apenas nos últimos minutos do filme. Não sabemos exatamente o contexto da relação dele com a mãe, mas Marty também parece não respeitar ou ter muita consideração ou afeto por ela. E ele encara Kay Stone como mais uma conquista dele. Enfim, um homem típico e nada especial.

Para além disso, acho ele um pouco egocêntrico demais. Sim, ele tem talento no tênis de mesa. Mas não acho que ele seja esse fenômeno todo. Tanto que ele perde o título mundial para o japonês Koto Endo (Koto Kawaguchi) e depois aposta tudo em um novo enfrentamento porque ele tem certeza que pode ganhar do adversário.

E daí temos aquele final típico dos filmes de Hollywood. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme ainda). Mesmo em uma competição demonstrativa que não vale nada, Koto ganha de Marty em uma primeira rodada. Marty alega que ele entregou o jogo, porque essa teria sido uma exigência do empresário e patrocinador do evento, Milton. Em seguida, ele diz que agora vai jogar para valer e, claro, ele acaba ganhando de Koto. Achei bem forçado, mas ok. Típico do “made in USA”.

De qualquer forma, no geral, achei esse filme bastante básico, previsível, com uma narrativa simples e frágil. O filme mais mediano dessa temporada.

NOTA

7.

OBS DE PÉ DE PÁGINA

Falei até mais do que eu queria sobre esse filme. Admito que assim que eu terminei de assistir Marty Supreme, a minha vontade era escrever poucos parágrafos sobre ele e apenas dizer que considerei essa uma produção muito, mas muito mediana mesmo. E é isso o essencial do que eu precisava falar.

Achei o trabalho de Timothée Chalamet bom? Achei. Acho que ele merece o Oscar ou algum outro prêmio, tendo outros ótimos atores em filmes melhores nessa temporada? Não, acho que estão super valorizando o trabalho de Timothée porque ele ficou anos treinando tênis de mesa e que acham que isso é um grande pré-requisito para um ator ser premiado. Eu acho que isso é uma curiosidade, uma parte da preparação dele, mas que isso não significa ele fazer um trabalho incrível, especialmente quando o roteiro do filme não ajuda.

Agora, claro, tenho que admitir que o destaque dessa produção é o trabalho de Timothée Chalamet. Até porque o filme gira em torno do personagem dele. Então, claro, ele ganha todo o protagonismo da história porque é Marty quem conduz toda a trama. Então sim, o destaque do filme é Thimothée. Mas, ainda assim, não acho o trabalho dele fenomenal, apesar de todo seu trabalho de preparação e tudo o mais. Porque importa menos ele ter aprendido realmente a jogar tênis de mesa e interessa muito mais a profundidade e a densidade de sua interpretação. E, nesse quesito, acho que ele não atinge um nível de complexidade realmente grande, muito por causa do roteiro do filme.

Aliás, vamos falar sobre o roteiro de Marty Supreme. Achei ele muito básico. O filme tem uma narrativa linear, mas nem é essa a questão. Marty Supreme tem uma história simples, direta, sem muitas camadas ou contextualização. Apenas o personagem central é um pouco mais desenvolvido. Os outros todos aparecem em cena, basicamente, como “escada” para o protagonista. Falta profundidade nos personagens e até mesmo contextualização sobre as relações que uns tem com os outros. Tudo acaba ficando muito superficial. E isso atrapalha o desempenho de Timothée e do restante do elenco.

Então, para resumir, achei o roteiro de Marty Supreme bastante básico, nos apresentando uma história ok, mas sem muita profundidade ou alguma reviravolta que realmente nos marque. Em resumo, o trabalho de Josh Safdie e Ronald Bronstein não me chamou muito a atenção. Facilmente esquecível. A direção de Josh Safdie vai na mesma direção. Ok, ele faz um bom trabalho, sabe contar uma história, mas não faz nada que já não tenhamos visto antes. Sem novidades aqui também.

O elenco de apoio de Marty Supreme é considerável. Mas o filme, como comentei antes, gira em torno principalmente do protagonista. Além dele, vale citar como destaque mais um punhado de atores. São eles que tem mais tempo em cena e papeis mais relevantes na história. São eles: Odessa A’zion como Rachel Mizler, amiga de longa data de Marty, que se casou com outra pessoa mas que mantêm um caso com Marty; Gwyneth Paltrow como Kay Stone, atriz que ficou bem conhecida por alguns filmes e que parou de fazer cinema há algum tempo, mas que agora está trabalhando em uma nova peça de teatro e que vira alvo do desejo de conquista do protagonista; Kevin O’Leary como Milton Rockwell, marido de Kay Stone, um empresário super rico que acaba vendo no talento de Marty uma oportunidade comercial; Tyler the Creator como o amigo “para toda a obra” de Marty, um taxista que gosta de jogar tênis de mesa e que se une a Marty em algumas aventuras; e Abel Ferrara como Ezra Mishkin, homem cheio de dinheiro, preocupadíssimo com o seu cachorro, e que tem todos os elementos para ser um mafioso.

Além desse grupo de coadjuvantes, que são os que tem maior relevância na trama, vale citar alguns outros que aparecem com certa importância na história: Larry ‘Ratso’ Sloman como Murray Norkin, tio de Marty e dono da loja de calçados onde o filme começa; Ralph Colucci como Lloyd, funcionário da loja de Murray que acaba sendo rendido por Marty em sua busca pelo seu “pagamento”; Luke Manley como Dion Galanis, amigo de Marty que acredita que ele vai se tornar um campeão e que investe na fabricação de bolas personalizadas com o nome dele; Fran Drescher como Rebecca Mauser, mãe do protagonista; Géza Röhrig como Béla Kletzki, judeu que foi campeão mundial de tênis de mesa mas que é derrotado por Marty e que é seu amigo, com quem o protagonista acaba excursionando em exibições um bocado inusitadas por diversas cidades do mundo; Emory Cohen como Ira Mizler, marido de Rachel e um dos homens traídos dessa história; e Koto Kawaguchi como Koto Endo, o atleta japonês que se torna campeão mundial e passa a ser a nova obsessão de Marty como alvo para ser derrotado.

Todos esses atores que eu citei, além de uma lista bem maior de coadjuvantes com participação nessa história, fazem um bom trabalho, cada um em seu papel, nenhum com grande relevância, profundidade ou camadas. Tudo muito simples, direto, bastante básico. Fazem um trabalho correto, portanto, mas sem nenhum grande destaque.

Analisando todo o elenco, que é um bocado extenso, além de Timothée Chalamet, considero que os atores que tem mais destaque na produção e que tem uma presença marcante em cena quando aparecem são Odessa A’zion e Kevin O’Leary. Ela tem carisma e ele se sai muito bem como o vilão da história, especialmente na reta final do filme.

Entre os aspectos técnicos do filme, o que chamou a minha atenção foi a trilha sonora de Daniel Lopatin. As escolhas dele durante a produção foram interessantes e a trilha sonora é um elemento importante da narrativa. Além desse aspecto, vale citar a direção de fotografia de Darius Khondji; a edição de Ronald Bronstein e Josh Safdie; a direção de elenco de Jennifer Venditti; o design de produção de Jack Fisk; a direção de arte de Jeremy W. Foil e Doug Huszti; a decoração de set de Adam Willis; e os figurinos de Miyako Bellizzi.

Agora, vou citar algumas curiosidades sobre a produção. De acordo com as notas de produção, o personagem de Géza Röhrig é inspirado no jogador de tênis de mesa polonês Alojzy ‘Alex’ Ehrlich. Depois de ficar por quatro anos em Auschwitz, Alojzy foi enviado para Dachau, onde ele se salvou de ser morto na câmera de gás porque os nazistas o reconheceram como campeão mundial. A história do mel que o filme apresenta realmente aconteceu, como foi detalhado na autobiografia de Marty Reisman.

O maquiador Michael Fontaine aplicou marcas de acne, sardas e pequenos cortes no rosto de Timothée Chalamet para dar para o ator uma aparência mais desgastada e urbana – e eu diria, mais juvenil, de um homem que acaba de entrar na vida adulta. As notas da produção afirmam que o trabalho ficou tão convincente que a atriz Gwyneth Paltrow chegou a sugerir para Timothée que ele experimentasse o tratamento do microagulhamento para ele tratar “suas cicatrizes de acne”. Realmente, vemos no filme que o trabalho ficou muito bom.

O ator Timothée Chalamet treinou tênis de mesa pensando em sua atuação nesse filme desde 2018, ou seja, ele estrelou quatro filmes enquanto seguia treinando. Para isso, ele levava uma mesa de tênis em suas viagens de trabalho para seguir treinando.

Ainda conforme as notas de produção, Marty Supreme é inspirado de forma superficial na história de Marty Reisman, que foi campeão de tênis de mesa e, ao mesmo tempo, considerado um “malandro”, artista e empresário. Achei esse texto da Rolling Stone muito interessante sobre ele. Recomendo para quem quiser saber mais sobre o mesatenista que inspirou o personagem principal de Marty Supreme.

No início do filme, Marty compete nas duas primeiras rodadas do torneio mundial, com jogadores de tênis de mesa que já estiveram nas Olimpíadas: Nikhil Gowda e Timo Boll.

Diferente do personagem que ele interpreta nesse filme, o ator Abel Ferrara tem muito medo de cães. Deve ter sido desafiador para ele esse personagem. 😉

Ainda de acordo com as notas de produção, as cenas que vemos das partidas de tênis de mesa foram todas meticulosamente roteirizadas e tiveram como inspiração lances de partidas que realmente aconteceram ao longo da história. Alguns lances foram filmados na prática e outros foram criados por computação gráfica, mas todo o gestual dos jogadores é autêntico, ou seja, a movimentação deles em cena é real.

Koto Kawaguchi, que estreia em um filme nessa produção, é surdo – assim como o seu personagem. Devo admitir que eu não percebi isso enquanto o personagem dele aparecia em cena. Não acho que seja algo que fique evidente.

O diretor Josh Safdie é fã de tênis de mesa desde a infância. Sabendo disso, a esposa dele, Sara Rossein, comprou para Josh a autobiografia de Marty Reisman, comentada no link que eu compartilhei anteriormente da Rolling Stone, obra que foi lançada em 1974 e que inspirou a história de Marty Supreme.

Agora, uma curiosidade que tem a ver com um ponto importante da história de Marty Supreme. O Tratado de São Francisco, que foi assinado por 49 países no dia 8 de setembro de 1951, e que começou a valer a partir do dia 28 de abril de 1952, permitiu que os cidadãos japoneses pudessem tirar passaportes e voltar a viajar livremente pelo mundo. Essa foi uma de várias outras determinações desse tratado e que fizeram parte do processo de pacificação do Japão após o fim da Segunda Guerra Mundial.

Além dessas curiosidades das notas da produção, acho interessante trazer essa publicação da CBTM (Confederação Brasileira de Tênis de Mesa) sobre a “Linha do tempo do tênis de mesa”. Achei especialmente relevante a informação que a ITTF (International Table Tennis Federation) foi criada em 1926 e que, desde então, esse é um esporte considerado de massa, com mais de cem associações filiadas à ITTF.

Ou seja, quando a história de Marty Supreme se passa, já havia realmente toda uma engrenagem de profissionalismo do tênis de mesa consolidada. Então segue sendo um pouco estranha para mim a ideia de que o atleta que representaria os Estados Unidos em uma competição oficial em Londres não teria apoio algum e precisaria arranjar dinheiro por sua conta e em cima da hora para representar seu país.

Até o momento, Marty Supreme recebeu 37 prêmios e foi indicado a outros 294 prêmios – impressionantes esses números, especialmente o de indicações. Acho um filme supervalorizado, mas ok. Fatos são fatos. Entre os prêmios que o filme recebeu, destaque para o Globo de Ouro de Melhor Ator – Musical ou Comédia para Timothée Chalamet e para o prêmio de Melhor Ator para Timothée Chalamet no Critics Choice Awards. Para constar, Marty Supreme foi indicado em três categorias do Globo de Ouro e foi indicado 11 vezes no BAFTA – tendo perdido todas as chances de ganhar algo nessa premiação.

Marty Supreme também foi indicado em nove categorias do Oscar 2026: Melhor Filme; Melhor Elenco; Melhor Fotografia; Melhor Direção para Josh Safdie; Melhor Ator para Timothée Chalamet; Melhor Roteiro Original; Melhor Design de Produção; Melhor Figurino e Melhor Edição.

De acordo com o site IMDb, Marty Supreme teria custado cerca de US$ 65 milhões e, segundo o site Box Office Mojo, o filme faturou quase US$ 95,6 milhões nos Estados Unidos e mais US$ 63,9 milhões nos cinemas dos outros países onde o filme já estreou. Ou seja, no total, o filme faturou cerca de US$ 159,4 milhões. O melhor resultado do filme foi obtido nos Estados Unidos. O segundo melhor mercado no qual a produção estreou foi o Reino Unido, onde ele faturou US$ 21,7 milhões.

Os usuários do site IMDb deram a nota 7,8 para Marty Supreme. Os críticos que tem os seus textos linkados no site Rotten Tomatoes dedicaram 324 críticas positivas e 23 críticas negativas para o filme, o que garante para Marty Supreme um nível de aprovação de 93%. O site Metacritic, por sua vez, apresenta o “metascore” 89 para a produção, fruto de 54 críticas positivas, duas mescladas e duas negativas. Além disso, o site apresenta o selo “Metacritic must-see” para essa produção.

Sim, esse é um filme sobre um cara ousado, que sai do subúrbio de Nova York e que almeja “conquistar o mundo”, ao menos no esporte no qual ele é apaixonado. Ele é um cara praticamente sem limites, até que ele percebe que vai precisar amadurecer porque, querendo ou não, ele passará a ter mais responsabilidades na vida. A ideia de “sonhar alto” é legal, mas esse filme acaba sendo um pouco “romântico” demais. Poderia ser um pouco mais pé no chão.

Ah, e antes de finalizar esse texto, devo comentar que essa é a primeira produção do diretor Josh Safdie que eu assisto. Achei o trabalho dele aqui ok. Não sei se ele teve algum outro grande trabalho antes, mas não é um diretor que me chamou muito a atenção por causa desse trabalho.

Marty Supreme é uma coprodução dos Estados Unidos com a Finlândia.

CONCLUSÃO

Um filme mediano, apenas, mas que ganhou bastante visibilidade por causa das suas nove indicações ao Oscar 2026. Para mim, é um mistério esse filme ter recebido tantas indicações. Algum produtor forte deve ter um lobby excelente em Hollywood, porque não acho que Marty Supreme merecia tantas indicações. Para mim, é um filme sobre um jovem ambicioso e imaturo, como tantos outros, mas que realmente tem um talento para o esporte. Mas daí temos aquela constatação básica que nem todo talento consegue realmente se desenvolver e chegar longe porque faltam recursos, falta apoio. História básica, sem grande novidade. Se não fosse o Oscar, não teria perdido o meu tempo com esse filme. Para mim, a produção mais fraca na disputa. Dispensável.

PALPITES PARA O OSCAR 2026

Eu já comentei antes sobre as chances de Marty Supreme no Oscar. O filme foi indicado nove vezes no prêmio da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. Como falei antes, não vejo muito as razões para isso. Não acho o filme grande coisa, achei Marty Supreme bastante básico, na verdade, e pior do que outras produções que assistimos nos últimos anos e que até guardam algum paralelo com esse filme – falei sobre isso anteriormente também.

Mas então, quais são as chances de Marty Supreme no Oscar deste ano? Francamente, eu acho que o filme não deveria ganhar nenhum Oscar. Até algumas semanas atrás, muitos apontavam ele como um forte candidato ao Oscar de Melhor Filme. Essa seria a maior burrada que os votantes da Academia poderiam fazer. Porque Anora já não merecia, mas Marty Supreme merece menos ainda.

Segundo as bolsas de apostas, Marty Supreme não aparece como favorito em nenhuma categoria do Oscar. Há algumas semanas, ele aparecia em primeiro lugar na disputa de Melhor Ator, com Timothée Chalamet aparecendo na frente de Michael B. Jordan (de Sinners). Agora, Michael B. Jordan aparece na frente de Timothée Chalamet, mas por uma pequena margem. Em terceiro lugar aparece Wagner Moura (de O Agente Secreto).

Olha, se o Oscar fosse justo – o que muitas vezes ele não é -, sem dúvida alguma Wagner Moura levaria esse Oscar de Melhor Ator. Ele é o que faz o trabalho mais redondo, mais preciso. Merece ganhar. Mas, caso Hollywood queira premiar alguém que faz parte da indústria deles, sem dúvida prefiro o trabalho de Michael B. Jordan do que o de Timothée Chalamet. Não porque tenho qualquer problema com Timothée, mas, honestamente, acho o trabalho de Michael B. Jordan muito melhor e mais completo e complexo do que o de Thimothée.

Então, para resumir, se estivéssemos falando de quem fez o melhor trabalho como ator, e isso significar dar profundidade e veracidade para um (ou mais de um) papel cheio de nuances, certamente o vencedor do Oscar de Melhor Ator deste ano seria Wagner Moura. Mas, caso ele não ganhar a estatueta dourada, ainda acho mais justo Michael B. Jordan por seu trabalho duplo em Sinners do que Thimothée Chalamet.

Sem ser na categoria Melhor Ator, em que Marty Supreme aparece na segunda posição nas bolsas de apostas, o filme em terceiro lugar na preferência dos apostadores nas categorias Melhor Roteiro Original (atrás de Sinners e de Sentimental Value). E essas seriam as melhores chances do filme. Ou seja, Marty Supreme pode sim sair do Oscar sem ser reconhecido em nenhuma categoria. E, francamente? Vai ser justo.

Para mim, de longe, esse é o filme mais fraco na disputa neste ano. Na real, a meu ver, ele nem deveria ter sido indicado ao Oscar. Mas certamente há uma explicação de bastidor para ele ter chegado lá e com tantas indicações. Mas sem sair premiado, já será algo. Porque, para o meu gosto, realmente ele não merece levar nenhum Oscar.

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Por Alessandra

Jornalista com doutorado pelo curso de Comunicación, Cambio Social y Desarrollo da Universidad Complutense de Madrid, sou uma apaixonada pelo cinema e "série maníaca". Em outras palavras, uma cinéfila inveterada e uma consumidora de séries voraz - quando o tempo me permite, é claro.

Também tenho Twitter, conta no Facebook, Polldaddy, YouTube, entre outros sites e recursos online. Tenho mais de 25 anos de experiência como jornalista. Trabalhei também com inbound marketing, professora universitária (cursos de graduação e pós-graduação) e, atualmente, atuo como empreendedora após criar a minha própria empresa na área da comunicação.

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